1. Spirit Fanfics >
  2. In Your Eyes (EraserMic) >
  3. Dezoito...

História In Your Eyes (EraserMic) - Capítulo 18


Escrita por:


Notas do Autor


mais um capítulo do nosso querido Hitoshi!
Será que ele se livrou da Sombra do Deku? O que vocês acham??
boa leitura!

Capítulo 18 - Dezoito...


Eu estava derretendo.

Sinceramente, eu havia aceitado a função de Representando da Turma no Comitê do Festival Cultural, única e exclusivamente para ocupar minha mente. Infelizmente desde o dia em que Midoriya me contou que ele e Todoroki tinham se beijado, eu não conseguia parar de pensar no quanto eu era idiota por continuar gostando dele, por permanecer sofrendo calado. Eu sabia que, se continuasse daquele jeito as coisas piorariam, precisava me afastar dos dois ou só continuaria sofrendo. Então veio a oportunidade com o comitê. Eu ficaria ocupado o suficiente para evitar os dois. Por sorte, Midoriya trabalharia no clube de artes com Todoroki, e eu já me candidatei sabendo desse fato. Não duvido que o pessoal da sala tenha achado estranho justamente eu me oferecer para isso, já que não falava com muitas pessoas e nunca tinha participado de trabalhos em grupo antes, exceto com o próprio Midoriya.

Apesar disso, todos colaboraram bastante com o projeto e eu até estava animado em montarmos uma casa assombrada na sala. Tokoyami havia dado a ideia e quase a sala inteira tinha concordado. Passamos horas e horas juntos, construindo painéis, montando paredes, pintando, martelando e colando madeira, tecidos e acessórios. As meninas ficaram encarregadas das roupas e alguns alunos se vestiriam de monstros e fantasmas, para assustar os visitantes.

No dia, tudo funcionou como o planejado, exceto pela múmia que acabou ficando doente no dia anterior e não pôde comparecer. E eu quis morrer por isso. Além de coordenar a turma, ainda teria que substituí-lo, já que ninguém mais quis ficar com o papel.

Agora estava alí, com suor escorrendo pelo rosto por conta do calor emitido pelo spot de luz, o cabelo já todo desmanchado e sem forma e a cabeça querendo começar a doer. Eu já nem imitava uma múmia mais, só a minha cara de desgosto já era o suficiente para assustar.

Respirei fundo, apenas mais uma sessão e tudo acabaria, poderíamos desmontar a sala e ir embora.

Ouvi passos e a cortina se mexer, então preparei minha pose de múmia. Um garoto loiro entrou e deu um salto quando me viu, apoiando-se na parede falsa e colocando a mão sobre o peito em seguida.

—Caralho, Aizawa! Que susto! – Falou Kaminari, passando a mão no cabelo. Ele usava um paletó com calda e luvas brancas, o que o deixava bem diferente do habitual. – Espero que você seja o último, odeio essas coisas de terror.

—Ainda tem a Uraraka na próxima porta. – Respondi, começando desenrolar as faixas do meu corpo.

—Você está estragando toda a magia da coisa, sabia?

—Que diferença faz? Você já me reconheceu mesmo. – Observei-o sentar no chão, tirando o paletó.

—Tem razão. Cara que dia louco! Minha sala resolveu fazer um café de mordomos, até as meninas estavam vestidas de homem, acredita? Foi muito legal, mas deu uma canseira! Passei o dia todo pra cima e pra baixo atendendo garotas meio escandalosas. Não que eu ache ruim, mas não pensava que elas gostassem tanto dessas coisas!

—Você não vai passar para a próxima atração? – Perguntei, confuso. Não conseguia entender por que ele tinha se sentado ali e começado a conversar como se fossemos amigos. Nem mesmo erámos da mesma sala, só o conhecia de vista.

—Nah, tô de boa aqui. A Ochako é uma fofa, mas não tô afim de levar outro susto.

Dei com os ombros. A cortina se mexeu outra vez e por ela passou Ojiro, vestido de zumbi e com uma garrafinha de chá gelado nas mãos. Ele estranhou a presença de Kaminari, mas não disse nada, e jogou o chá para mim.

—As meninas mandaram entregar. Bom trabalho por hoje. – Sorriu sincero.

—Valeu. Já podemos desmontar, esse aqui tá com medo de passar pela ultima porta. – Sorri sarcástico, recebendo um olhar indignado.

—Ei! Não estou com medo, só tenho o coração fraco.

—Sei.

Ojiro deixou o espaço primeiro e eu saí logo atrás, sendo seguido pelo outro loiro. A maioria do pessoal já tinha tirado as fantasias e conversava animadamente sobre o sucesso que foi nossa sala.

—Ih, ainda ficou um aqui! – Tetsutetsu gritou, ao ver Kaminari conosco.

—Ah, é só o Denki. Aposto que está fugindo das suas obrigações de novo, não é?! – Mina apertou sua bochecha, guiando-o até a porta.

—Nada, só estava fazendo uma pausa! Queria ver os outros projetos.

—É, mas agora ‘ce volta lá pra sua sala e ajuda as meninas a desmontar tudo. Tchau! – A garota quase bateu a porta na cara do outro e todo mundo começou a rir. – Esse aí pensa que eu nasci ontem!

—Bom pessoal, podemos começar a desmontar! Tem muito trabalho pra fazer ainda. – Falei, tomando um gole do chá e já começando a desmontar a decoração com o pessoal.

Na metade da arrumação, recebi uma ligação do meu pai que me deixou realmente preocupado e curioso. Ele estava muito diferente ao telefone, parecia até que estava chorando. Só conseguia pensar em terminar tudo logo e ir para casa.

—Pessoal, o que acham de nos encontrarmos amanhã? Pra comemorar nossa performance de hoje? – Agitou Mina. – A casa assombrada foi fantástica, nunca vi uma fila tão grande antes, foi muito demais!

—Eu super ‘tô dentro! Podemos ir comer em algum lugar e jogar conversa fora. – Emendou Uraraka e todo mundo começou a concordar.

—Você vem também, né, Aizawa?

Fui pego de surpresa pela pergunta de Tetsutetsu. Havíamos compartilhado muito tempo juntos nas últimas duas semanas, mas não pensei que seria convidado a fazer parte das comemorações. Eu realmente não falava com ninguém dali antes do festival, não esperava ser convidado para sair com eles depois que tudo acabasse.

—Hm... não sei. – Respondi, meio sem graça.

—Ah, qual é, Hitoshi, para de graça! Foi você quem coordenou tudo isso aqui, virou várias noites com os meninos para que tudo ficasse pronto a tempo, você vai com a gente sim!

Mina deu o veredicto e todo mundo concordou. Senti meu rosto pegar fogo, nunca tinham insistido tanto para que eu fizesse parte de algo e acabei deixando um sorriso sincero escapar.

—Está bem, eu vou. – Confirmei. – Mas agora preciso ir para casa. Parece que algo aconteceu com o meu pai e eu estou mesmo preocupado.

—Vai lá! Nos vemos amanhã!

Me despedi do pessoal e saí da escola praticamente correndo. Se não fossem as circunstâncias, com certeza teria ficado um pouco mais. Esse período do festival tinha sido muito bom, não pensava que conviver mais com os meus colegas de classe pudesse ser tão... divertido. E agora já começava a me bater certa tristeza e medo de que tudo voltasse a ser como antes.

 

---

 

“Pessoal, não vou poder ir amanhã”

“Por quê?”

“O Professor Aizawa está bem?”

“Não é nada grave, né?”

“Está tudo bem. É que vou buscar minha irmãzinha.”

“Ué, não sabia que o Professor tinha outro filho.”

“Ai, para de ser fofoqueira, Mina!”

“Não sou fofoqueira, só estou curiosa”

“Seeei”

“Não é nada disso. É meio estranho falar sobre com tanta gente.”

“Se não quiser contar, não precisa. A Mina pode suportar isso.”

“Credo, até parece que eu sou a única querendo saber, né, Tetsu?!”

“É que meu pai adotou uma criança. O resultado saiu hoje e a gente vai buscar ela amanhã. Por isso não vou poder ir com vocês.”

“AH PARA”

“CÊ TÁ BRINCANDO QUE O PROFESSOR ADOTOU UM NENÉM”

“Sério?! Parabéns, Aizawa!”

“Parabéns!”

“Parabéns Hitoshiiiii!!”

“Não consigo imaginar o Professor cuidando de nenéns”

“Não é um bebê, ela já tem cinco anos.”

“Valeu gente!”

“Bom, já que o Hitoshi não vai poder ir, bora marcar outro dia?”

“Pode ser domingo então?”

“Por mim tá ótimo”

“Você consegui ir, Hitoshi?”

“Acho que sim. Mas não precisavam remarcar por minha causa”

“Ah, nem vem com essas graça aí não. Só rola se todo mundo for.”

“Ok, ok, vocês que mandam”

“Então tá combinado, domingo às 13, tá bom pra todo mundo?!”

“SIM”

“Haaai”

“Sim”

“Ótimo. Agora vou sair, minha mãe já me mandou lavar a louça umas quinhentas vezes, daqui a pouco ela vem quebrar os pratos na minha cabeça”

“Menos Mina, bem menos.”

“Boa noite anjinhos, até domingo!”

“Boa noite!!”

“Boa”

“Boa noite.”

 

Travei o celular, com um sorriso bobo no rosto. Será que eu podia chamar isso e amizade? Nunca me senti tão aceito antes. Talvez eu tivesse sido duro de mais com as pessoas antes, pensava que interagir com os outros era cansativo e entediante. No começo só falava com Midoriya por que ele era insistente de mais. Não pensei que conversar com os outros fosse tão fácil e empolgante. Muito menos que fazer parte de um grupo me deixaria tão feliz.

Levantei do sofá e larguei o celular na mesinha de centro. Talvez meu pai precisasse de ajuda com o jantar, então segui para a cozinha, mas parei quando ouvi sua voz e percebi que estava no telefone. Não tinha a intenção de ouvir a conversa, mas não deu pra evitar.

—...ouvir isso de você é muito importante para mim. Quer ir busca-la conosco amanhã? Se não tiver nenhum outro compromisso, é claro.

O interfone começou a tocar, interrompendo a ligação e eu corri sorrateiro de volta para a sala. Não queria que ele percebesse que eu estava ouvindo.

Meu pai tinha o direito de ser feliz com quem ele quisesse e eu nem achava o professor Yamada tão ruim assim, só gostava de implicar com ele mesmo. Sorri, vendo meu pai passar pela sala e ir até a porta.

—Pedi pizza pra nós, estou indo buscar.

—Tá, vou arrumar a mesa então.

 E, assim como meu pai tinha o direito de ser feliz, com quem quer que fosse, eu também tinha. Esse tempo longe do Midoriya e com meus colegas tinha me mostrado que a vida não era feita apenas de relacionamentos amorosos. Eu também podia fazer amigos. E isso era, definitivamente, muito divertido.


Notas Finais


aaah adoro esses capítulos fofos!
Espero que estejam gostando também! Até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...