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História Inacabado - Capítulo 2


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Notas do Autor


Quem é vivo sempre aparece né???

Desculpem a demora, eu realmente pretendia passar o carnaval escrevendo, mas infelizmente fiquei sem notebook e não sei escrever no celular kkkkkkkk

Mas estamos aqui né , apesar dos infortúnios - 500 palavras que não foram salvas - o capítulo está pronto.

Agora eu vou parar de enrolar, espero que tenham uma ótima leitura e nos vemos nas notas finais. ☺️

Capítulo 2 - Imoral


Inacabado



Capítulo II


A maneira que você me fazia ir

do céu ao inferno em minutos

era desconcertante.


O jeito que você me colocava em um altar

e me louvava a todos os deuses existentes,

só para me jogar às margens de seus interesses

era excruciante.


Mas o que mais doía,

nunca foi a ausência do seu amor,

e sim o fato de eu sempre me contentar com tão pouco.


Porque querido,

eu e você sabemos que mereço muito mais.



Imoral


Chanyeol odiava Junmyeon.

Chegara a aquela conclusão em uma madrugada fria de terça-feira. Estava nu, deitado em uma cama de motel barato, olhando aquele teto mal pintado, tendo a cabeça do menor encostada em seu dorso. O Kim encontrava-se adormecido, seus traços outrora duros estavam suavizados pelo sono. Seus lábios vermelhos e carnudos contrastavam perfeitamente com as marcas deixadas em seu corpo. Park o admirou por horas a fio como se estivesse vendo uma autêntica obra de Da Vinci na sua frente. Por fim, depois de minutos de observação chegará a conclusão que Junmyeon parecia um anjo.

E Chanyeol o detestou mais um pouco por isso.

Estavam naquela condição a quase um ano e a perspectiva de mudanças era quase inexistente. Junmyeon era seu chefe em uma elegante firma de advocacia, na qual o Park estagiava por meio período. Ademais, tinha dois filhos adoráveis, uma esposa bonita e uma vida baseada em aparências.

Apesar do Park não gostar de ser o outro, não ter o Kim em seus braços em uma noite qualquer parecia algo inimaginável. Ele se sentia covarde e um pouco sujo, não queria que as coisas tivessem chegado a esse ponto. Na verdade, seu maior desejo era que toda a sua lista de incontáveis motivos para odiar Junmyeon fosse o suficiente para o manter afastado de si.


Mas ela não era.


E assim acabou-se por dormir junto de seu amante. Sabia que quando acordasse não o teria mais em seus braços e que seria horrível ter que encarar na empresa todos os chupões que deixara em seu pescoço sem poder reivindicá-los. Porque o Park queria gritar ao mundo que era o único que podia ter o Kim à sua mercê, suplicando por mais. Ansiava para que todos soubessem as reações e emoções que vinham à tona no mais velho quando suas mãos passeavam pelo seu corpo. Chanyeol almejava ser o protagonista na vida de Junmyeon, mas tinha conhecimento de que não passava de um coadjuvante. E isso doía.

Todavia, aquela situação não era sua preocupação exclusiva naquele momento. Ele estava temeroso por Yifan e sua entrevista na manhã seguinte. O Wu precisava daquele emprego e Chanyeol torcia muito para que ele conseguisse - o chinês necessitava urgentemente pôr as contas do seu apartamento em dia. O acompanharia junto de Jongin e o esperaria por todo o tempo necessário para a realização daquele procedimento. Caso o estrangeiro conseguisse a vaga, pretendiam sair para comemorar em algum pequeno restaurante da região. Se a resposta fosse negativa, bem, não deixariam de ir a algum lugar - o mais velho precisava sair um pouco do seu lar decrépito para se animar.

Além disso, também havia a notícia que Junmyeon havia arranjado um novo sócio. O homem deveria chegar essa semana na empresa, a fim de conhecer os funcionários e como tudo era operado no local no qual investira tanto dinheiro. Chanyeol não sabia muito sobre ele, apenas os boatos que corriam entre uma ou outra xícara de café tomada em conjunto com seus colegas. A secretária de Junmyeon, que havia conhecido rapidamente seu novo chefe através de um vídeo conferência, dizia que ele era muito jovem e extremamente bonito, além de que havia herdado uma grande herança de seu pai recém falecido. De resto, só se faziam especulações, principalmente sobre o seu jeito de comandar – todos ansiavam para que ele fosse mais bem-humorado que o Kim. Mas o interesse do Park não se resumia a apenas curiosidade, uma vez que ele seria designado para ser um dos ajudantes do seu novo patrão no seu processo de adaptação.

Entretanto, nenhum daqueles questionamentos se comparava com a aflição que tomava conta de seu ser em apenas pensar em Jongin. Chanyeol se sentia péssimo apenas por imaginar a cara de desapontamento do seu amigo quando chegasse no apartamento que os dois dividiam e percebe-se que mais uma vez ele iria passar a noite fora. O Park sabia que o outro não aprovava o relacionamento que ele mantinha com o seu superior e o maior odiava decepcioná-lo. Por mais que a sensação de impotência por não conseguir controlar o seu próprio destino fosse sufocante, ela nada se comparava com o sofrimento que lhe apertava o âmago quando via o Kim simplesmente olhar para si. Contudo, apesar de Chanyeol odiar clichês, se apaixonar pelo seu melhor amigo era o maior deles.



----------♣️----------




Ao acordar, percebeu que nenhum raio solar adentrava naquele cômodo, mesmo que todas as cortinas estivessem abertas. A manhã estava nublada, nuvens pesadas pairavam sobre os prédios de Seul, anunciado para os habitantes que aquele seria um dia tempestuoso e levar um guarda-chuva quando saísse de casa era mais do que indicado. Chanyeol ainda se remexia no colchão macio quando se deu conta que havia um pequeno papel dobrado no lugar que outrora fora ocupado por Junmyeon. Era um bilhete simples, curto e vazio:


deixei tudo pago na recepção.

Pode ficar até ás 10 horas.


O Park grunhiu e arremessou o papel pela janela, como se esse ato de alguma forma pudesse descontar seu sentimento de insuficiência. Porque Chanyeol se achava tão descartável quanto aquele bilhete. Depois de seu breve momento de fúria, acabou por juntar suas coisas de qualquer jeito, apenas escovando os dentes antes de sair dali em disparada sem ao menos olhar para trás, como se pudesse deixar tudo que passou com o Kim junto daqueles lençóis brancos. Pelo menos naquele instante ele queria acreditar fielmente que seria forte o suficiente para não ceder a qualquer outra investida de Junmyeon e que não estaria em outro motel na noite seguinte. Mas ele sabia que crer nisso era como aceitar a existência de duendes e fadas. Impossível.

A rua estava congelante e Chanyeol não trajava nada além de uma camisa social e uma calça de tweed. Se arrependeu profundamente de ter aceitado a carona de seu chefe, tendo agora que fazer o trajeto até o escritório de metrô, longe do conforto do aquecedor do seu carro que havia ficado no prédio da empresa.

O percurso não havia sido longo, porém quando estava preste a chegar ao seu destino final, o céu de Seul desabou-se sobre Chanyeol em fortes gotículas de água. Quando chegou ao prédio sede do escritório estava todo molhado e tremendo. Além disso, estampava no rosto uma carranca nada amigável, deixando até mesmo de cumprimentar seus colegas que chegavam ao trabalho – uma ação atípica, visto que o Park sempre era gentil e simpático com todos.

Já dentro do carro, Chanyeol suspirou aliviado, trocando rapidamente sua camisa molhada por um moletom que levava sempre consigo no banco de trás. Aproveitou um pouco o aquecedor antes de pegar seu celular para checar as notificações.


7 chamadas de Fanfan.

5 chamadas de Jongin marido.

57 mensagens não lidas de três conversas.


Chanyeol estava fudido em níveis variados.


Graças a sucessão de infortúnios que havia sido sua manhã, o Park tinha esquecido completamente o compromisso que tinha marcado com os amigos a uma hora atrás. Quis gritar, bater no volante, surtar, mas inspirou fundo e decidiu que não era momento para dar chilique. Deveria ligar para os seus companheiros e torcer para que eles houvessem conseguido de alguma maneira chegar a entrevista a tempo.

Estava prestes a discar o número do Wu quando foi interrompido por leves batidas na janela do passageiro. Era Junmyeon. E o Park ponderou brevemente se deveria deixa-lo entrar ou não.


- Você não deveria estar em casa? – falou o Kim enquanto fechava a porta do automóvel.

- Voltei para buscar o carro. – Chanyeol ainda não dirigia o olhar para o seu rosto.

- Entendi.


Depois que aquelas palavras foram proferidas, um silêncio incômodo foi instalado no carro.


- Eu estava preste a ligar para você. – Junmyeon usava aquele tom coloquial, como se a conversa fosse tão casual que poderia ser simplesmente evitada ou substituída por uma troca de olhares.

- Para que? – o Park tentava ao máximo demonstrar sua apatia com o outro.

- Preciso de você hoje à tarde. – não havia um tom malicioso naquela frase. Era um convite cru e claro.

- Junmyeon hoje eu não posso. – falava enquanto mexia em seus cabelos, tentando dissipar o nervosismo que sempre o abatia com qualquer ação minimamente não profissional do seu superior - Tenho que encontrar o Yifan e o Jongin... Mas talvez a noite... – o Kim soltou uma gargalhada gostosa que surpreendeu o mais novo.

- Não é nesse sentido, Chanyeol.

- Não? – finalmente havia virado para encará-lo com uma face confusa.

- Ele adiantou a viagem. Chega hoje. – disse enquanto se recuperava da sua súbita crise de risadas.

- Ele?

- O sócio. – o Park soltou um suspiro, enfim compreendendo a que ponto o Kim queria chegar.

- Por que não chama ele pelo nome?

- Perderia o mistério.


Junmyeon falou aquilo dando uma piscadela marota para Chanyeol, logo após se retirando do carro, sem ao menos dizer adeus. Mas isso não era novidade. Ele nunca se despedia.



------------♥️-----------




Depois de mais alguns minutos no estacionamento e inúmeras tentativas frustradas de contatar seus amigos, Chanyeol optou por ir até o café de Minseok, na esperança de ainda encontrá-los lá. Apesar da distância de onde se encontrava até o estabelecimento ser curta, acabou-se por demorar mais que o esperado, graças a quantidade absurda de semáforos fechados que encontrou pelo caminho. Se o coreano fosse supersticioso, com certeza começaria a interpretar aqueles pequenos sinais como um aviso para algo muito ruim que viria a acontecer. Mas infelizmente, ele não era.

Quando enfim chegou ao local, saiu rapidamente do carro pedindo aos céus que tudo tivesse dado certo. As mesas estavam muito cheias e Chanyeol não sabia a quem pedir informação naquele mar de garçons ocupados. Pensou em sentar e esperar que alguma alma bondosa pudesse atendê-lo para que então perguntasse sobre o paradeiro dos seus amigos, porém, pela primeira vez naquele dia, o destino decidiu agir a seu favor e logo avistou Tao vindo sorridente em sua direção.


- Perdido, gatinho?


O chinês era uma figura excêntrica. Estava sempre com os cabelos pretos penteados para o lado, inúmeros brincos nas orelhas e as tradicionais olheiras que nem toda maquiagem que o mais jovem usava era capaz de disfarçar. Além disso, sempre possuía um sorriso malicioso no rosto, que condizia com sua personalidade divertida e galanteadora. Tao era uma pessoa incrível, seu único defeito era que ele preferiria perder o amigo, do que o flerte. E o Park não seria uma exceção.


- Estou procurando o Jongin, você viu? – preferiu ir direto ao ponto, estava com pressa e não poderia perder seu tempo com as brincadeiras do outro.

- Lá em cima esperando o seu amigo gostoso.

- Yifan?

- Acho que é... Não prestei atenção no nome, sabe? Tinha outras coisas mais interessantes para ver. – como se fosse possível, o estrangeiro aumentou ainda mais o sorriso maroto que estampava na face.

- Você não perde uma, não é? – Chanyeol sorria cínico para o chinês.

- O que eu posso fazer se um certo coreano orelhudo não me dá bola? – colocou uma das mãos no peito, enquanto desmanchava seu sorriso para estampar um bico dramático nos lábios - Admirar a paisagem é tudo que me resta.

- Você é uma graça, Tao.


O estrangeiro estava prestes a responder com uma gracinha, mas foi interrompido por Jongdae, que bradava seu nome para que ele viesse ajudá-lo a atender os clientes. Chanyeol aproveitou a distração do outro e subiu a pequena escada em caracol que dava no escritório de Minseok.


- Você se atrasou.


Não importava quantos anos Chanyeol convivia com Jongin, seu coração ainda acelerava sempre que o via, como se ele fosse um adolescente que descobre o primeiro amor. O menor era belíssimo. E o Park preferia não ter consciência disso.


- Desculpa, eu peguei um trânsito caótico e ... – foi cortado rispidamente ainda no começo de seu raciocínio.

- Tudo bem, não precisa inventar desculpas. – suspirou o mais jovem enquanto cruzava os braços em seu peitoril - Eu sei o “motivo” da sua demora.

- Jongin ... – o Park não queria discutir sobre aquilo novamente, era cansativo para ambos.

– Sente-se. – disse mantendo o tom anterior e oferecendo um lugar ao seu lado no banco de madeira que ocupava quase que completamente aquela sala de recepção improvisada - O Yifan ainda vai demorar um pouco, eu acho.




-------------♠️------------





Se Chanyeol pudesse definir a expressão de um recém contratado, com toda certeza não seria a do Wu. O estrangeiro parecia desanimado, o que indicava que as notícias que viriam não seriam muito boas. Era incrível o jeito que os três se entendiam, a ponto de que a troca de somente alguns olhares fora suficiente para compreender que o Yifan não pretendia dialogar sobre aquilo e os outros dois também não estavam muito dispostos a perguntar sobre. Dessa maneira, Jongin se limitou a convidá-lo para almoçar em algum restaurante chinês, com a intenção que a comida natal o animasse, mas o maior rejeitou, falando que a única coisa que queria agora era ir para o seu apartamento e talvez hibernar embaixo de seu lençol, uma vez que o clima daquela tarde estava perfeito para isso.

Mesmo a contragosto, os amigos respeitaram sua decisão e o levaram até a sua moradia. Não chegaram a descer do veículo, deixando o chinês na entrada do prédio e partindo. Eles não estavam em clima de conversa e o silêncio instalado no automóvel era austero, sendo quebrado apenas pelo rádio que tocava uma balada coreana qualquer. Chanyeol queria se explicar, mas Jongin não estava disposto a ouvir. Dessa forma, decidiram mentalmente que o melhor era almoçarem separados.


- Eu vou ficar com o carro. – por mais que aquela frase soasse como uma afirmação seca, nas entrelinhas escondia-se um pedido sincero. Não que precisasse. Chanyeol nunca diriam não para si.

- Tudo bem. – foi a única coisa que o mais velho se limitou a falar - Mas me deixe no escritório.

- Okay.


E assim o silêncio se instalou novamente pelo restante da curta viagem.

Ao chegarem ao recinto, Jongin apenas o deixou na porta, não estacionou e muito menos falou algo. Talvez as pessoas não gostassem de se despedir de Chanyeol.




------------♦️-----------





Depois de almoçar no refeitório do prédio, Chanyeol se dirigiu a sua mesa, a fim de organizar alguns documentos essenciais para a adaptação do novo sócio. Entretanto, assim que chegou ao local, percebeu que havia esquecido a pasta que continha todos os papéis no carro, que agora se encontrava com Jongin. Frustrado, decidiu ligar para o mais novo e torcer para que seu humor houvesse melhorado. Apesar da maneira ríspida que foi atendido, o Kim não se opôs a realizar o pedido do amigo. Assim, o Park encaminhou-se para a portaria para esperar o seu amigo.

Tendo-se passado alguns minutos, o coreano já transpirava nervoso com o pensamento de que possivelmente os seus superiores chegariam primeiro do que Jongin. Seu suor aumentou quando comprovou a sua teoria e avistou Junmyeon descendo de um táxi juntamente de um homem alto de cabelos pretos. Apesar de sua situação alarmante, Chanyeol não deixou de reparar no belo rapaz. Ele possuía a pele pálida e os traços duros, que carregavam uma seriedade que não condizia com a sua idade.


- Vejo que já estava a nossa espera. – o Kim sorria de aprovação ao dizer isso.

- Sim, senhor. – o funcionário tentava disfarçar sua ansiedade aparente, tendo plena consciência que falhava com o seu objetivo.

- Muito bem, deixe-me vós apresentar- Junmyeon agora virava-se para o jovem ao seu lado. -Park esse é Oh Sehun.


Por um breve instante, Chanyeol teve a impressão que conhecia o outro de algum lugar, mas em uma busca rápida por toda sua memória não conseguiu encontrar nenhum rosto que lembrasse o mais jovem. Talvez fosse apenas paranoia de sua mente nervosa.


- É um prazer conhecê-lo. – estendeu a mão que foi prontamente recebida por um aperto firme.

- Igualmente.

- Bem...


Junmyeon não foi capaz de completar sua frase, visto que Jongin já irrompia rapidamente pelo saguão de entrada, carregando a pasta do amigo nas mãos e gritando por ele. Contudo, o Kim mais novo parou bruscamente quando avistou Sehun, estampando uma careta assustada em sua face. O Park nunca havia visto seu companheiro olhar assim para ninguém e imediatamente lembrou-se onde havia ouvido o nome de seu novo chefe.



Chanyeol odiava Junmyeon.



E seu péssimo gosto para sócios se tornaria mais um motivo entre tantos.


Notas Finais


Comentem aí o que acharam 😔😔😔


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