História Incandescente - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Alexandre Nero, Giovana Antonelli, Salve Jorge
Tags Alexandre Nero, Giovanna Antonelli, Steloisa
Visualizações 195
Palavras 2.277
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem, a ideia dessa fic surgiu há alguns meses, e depois de toda a minha enrolação, aqui estamos nós :)

* na fic, a Drica não engravidou
* esse capítulo é como se fosse um prólogo, as coisas serão explicadas direitinho e com mais clareza a partir do próximo capítulo
* créditos da capa à uma pessoinha bastante especial :)

xoxo

Capítulo 1 - Um


15:32

Os disparos não eram calculados com precisão, eram, apenas, dedos pressionados no gatilho de suas respectivas armas. Heloísa coordenava a operação: um tráfico todinho estava desmoronando devido meses de trabalho. Sentia-se orgulhosa.

Sentia a adrenalina de estar em campo, a coragem que cercava-a. Adrenalina e coragem que não impediram que a região de seu ventre fosse atingida. Sensação de orgulho cujo não impediu que o sangue esvaísse de seu corpo e que uma dor latejante tomasse conta do mesmo, que foi de encontro ao chão.

A dor que a atingiu fez com que ela gritasse, e a força do impacto fez com que sua respiração falhasse. Encolheu o corpo, escondendo-se atrás de uma das viaturas. Viu Ricardo pedir reforços e vir em sua direção, e pôde ouvir ele praguejar antes que abaixar-se perto de si e perguntar se estava tudo bem.

Heloísa tinha o corpo repousado no de Ricardo e as mãos pressionadas contra a região de seu ventre. O sangue que esvaia de seu corpo manchava sua blusa, tonalizando-a com um vermelho escuro.

Doía, ardia e queimava.

Sentia o medo misturar-se à adrenalina que sentia até alguns minutos atrás.

- Você não devia ter tirado – Ricardo disse, referindo-se ao colete que ela havia tirado há alguns minutos para colocar em uma criança, cuja ela não sabia nome nem de onde era, mas apenas tinha levado em consideração seu instinto protetor. E um tanto quanto maternal.

- O menino ia se machucar, bem mais que eu – Respondeu, com um tom baixo de voz.

- Alguém iria tirar ele daqui, era só você dar um sinal – Suas mãos posicionaram-se por sobre as dela, ajudando a comprimir. – Droga, Heloísa.

Ela não respondeu, sabia que havia errado em não ter pedido um colete reserva e ter voltado para a operação sem nenhuma proteção aparente.

Por um milésimo de segundo, sua cabeça pesou mais que o normal, e a sensação que fechar os olhos era boa. Então, assim fez. Sentiu os barulhos diminuíssem, mas pôde identificar os tiros cessarem, as sirenes tocarem, e a voz de Ricardo pedindo para que ela ficassem acordada.

Seus olhos abriram novamente, mas a sensação de estar em uma bolha ao longe não passou. Piscou.

Uma, duas, três vezes.

Respirou fundo, contando cada vez que inspirava e expirava o ar.

Sentiu seu corpo ser levantado e deitado em uma superfície lisa e gelada, para logo em seguida sentir vários pares de mãos mexendo em seu corpo, conectando-a à fios e examinando-a enquanto moviam a maca em direção à ambulância.

Mais uma vez, o alívio gerado pelo simples ato de fechar os olhos venceu, e a última coisa que viu foi Ricardo sentando-se ao seu lado e balbuciando algumas palavras que ela não conseguiu decifrar.

16:03

O silêncio do estacionamento do hospital acabara de ser preenchido pelo barulho causado pela chegada do advogado. Atordoado, fez com que a porta do carro fosse fechada bruscamente, sem se importar com tal ato, sem verificar se a força pressionada sobre o botão próximo a chave do automóvel havia sido suficiente para trancá-lo. Só precisava saber se ela estava bem.

O elevador parecia se mover lentamente, por mais que estivesse em seu ritmo normal. A respiração acelerada e os olhos marejados de Stênio denunciavam seu desespero, seu medo em saber que a vida da mulher de sua vida estava em perigo.

Memórias surgem em sua mente, desde o dia no qual se conheceram até o a noite retrasada, na qual se amaram intensamente. Eles estavam tão bem, porque o universo tinha que conspirar contra? Entendia que correr riscos fazia parte do trabalho da delegada, e que nada que ele dissesse poderia fazer com que ela recuasse, porém a angustia em seu peito e a voz em sua mente insistiam em dizer que, caso ele tivesse tentado impedir que ela fosse em tal operação policial, talvez agora eles estivessem deitados no sofá vendo um filme qualquer enquanto trocavam carícias e declarações.

Três meses haviam se passado desde o recasamento. Noventa dias dos quais eles disfrutaram momentos de amor, de carinho. Tempo o suficiente para o destino intervir na felicidade dos dois.

- Stênio? – A voz conhecida chega até o advogado, porém o nervosismo impede que ele reconheça de onde veio o som até se virar. Ricardo tinha vestígios de medo e culpa no olhar. Medo de perder a parceira; de ver Maitê, sua noiva, sofrer por isso. Culpa por saber que se não tivesse se afastado do perímetro combinado para ir atrás de um dos membros da quadrilha, talvez Heloísa não estaria sendo operada no momento. – Ela.. – Sua voz fraqueja, deixando o amigo ainda mais angustiado.

- Ricardo, ela o quê? – O fato de sua voz ter saído embargada entregou o choro preso em sua garganta. – Por favor, não me diz que.. – É necessário que ele se apoie em uma parede próxima para que não caia.

- Não, isso não. – Afirma, esperando que ela continuasse assim. Viva. – Ela está sendo operada, estão retirando a bala. Disseram que assim que tiverem notícias, virão avisar.

Stênio movimentou a cabeça, mostrando que havia compreendido. Seu coração batia de modo acelerado e parecia faltar ar em seus pulmões. Queria cuidá-la, queria dizer-lhe que tudo ficaria bem.

Queria, também, convencer-se disso.

Sem resistir mais o próprio peso, deixou-se sentar em uma das cadeiras ali presentes, curvando seu tronco até que seu rosto chocasse-se com suas mãos, que estavam repousadas sob seus joelhos. O choro foi impossível de controlar. Sentia cada átomo de seu ser doer; sentia seu coração gritar, inflamar.

Queria protegê-la que toda aquela situação.

Queria, em vão, voltar no tempo e impedir que ela saísse de casa naquela manhã.

16: 57

Maitê sentou-se ao lado de Ricardo, enroscando seus dedos nos do namorado. Ambos faziam preces silenciosas, presos em seus próprios pensamentos, mas oferecendo um consolo que só eles poderiam dar um ao outro.

Maitê pensava em como ela não suportaria perder sua melhor amiga, sua irmã.

Ricardo culpava-se por toda a situação, sentia o peito arder em arrependimento por não ter conseguido impedir que Heloísa fosse baleada.

Stênio tinha o semblante refletido pela preocupação e o rosto molhado por algumas lágrimas.

Parecia que até mesmo o ar carregava consigo o medo que todos estavam: o medo de algo ruim acontecer. Um dando permanente, um coma sem tempo para acabar ou até mesmo uma vida que acabaria ali.

Um homem de pele clara e cabelo loiro aproximou-se dos três, juntamente com uma mulher de pele bronzeada e mechas escuras, ambos vestidos com uma roupa apropriada à cirurgias. Seus semblantes eram indecifráveis, e Stênio não pensou duas vezes antes de levantar ao ouvir o chamado pelo responsável por Heloísa Sampaio.

- Sou o marido. Stênio Alencar - Apresentou-se, os cumprimentando com um leve aperto de mão, tentando disfarçar o desespero e a agonia que sentira durante os últimos minutos. Vê-los ali, porém, o confortou de alguma forma, como se ele pudesse sentir que Heloísa os mandara com boas notícias.

- Boa tarde, Stênio – A mulher sorriu caridosamente. – Sou a doutora Amanda Leme e este é o doutor Rafael Albuquerque – Realizou as apresentações, cruzando os braços em frente ao peito em seguida.

- Como ela está? – Perguntou ele, visivelmente nervoso, após finalizarem os cumprimentos e ter Maitê e Ricardo agora em seu lado.

- A Heloísa está bem, a bala atingiu seu útero, porém não houve perfuração, apenas um rasgo que foi reparado durante a cirurgia, assim como a alta perda de sangue – Rafael fez uma breve pausa, como se quisesse achar as palavras certas para contar a outra noticia enquanto via o alivio nos rostos dos familiares da delegada. – Mas temo em dizer que a criança não sobreviveu.

- Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, porém o bebê ainda era muito pequeno, e frágil. E, devido o nervosismo sofrido pela paciente, cremos que ela sofreu um aborto espontâneo – Amanda completou, sentindo um aperto no peito ao ver os sorrisos sumirem. Era sua profissão, fazia aquilo todos os dias: dar noticias ruins. Porém, nenhuma experiência ou tempo de profissão poderia deixar tais situações mais fáceis.

- A Helô estava grávida? – Confuso, Stênio olhou para Maitê, buscando uma resposta que ele sabia que ela talvez teria. Teria, caso soubesse, fato que seu semblante denunciava uma resposta negativa.

Seu corpo fraquejou, e seu coração parou por alguns segundos. Ou horas, ele não sabia dizer quanto tempo levou para que ele digerisse aquela notícia. Agora, sentado em uma cadeira mais confortável do que as da sala de espera, ele encontrava-se ao lado da cama da esposa. As lágrimas caíam por seu rosto sem restrição ou impedimento.

Sentia a dor da perda, a dor em saber que não havia modo algum de proteger Heloísa da sensação de imponência, da dor que ele compartilharia com ela em alguns minutos.

Seus dedos brincavam com os fios escuros da mulher, vez ou outra acariciando seu rosto já livre da máscara de oxigênio. Stênio desejava fechar os olhos e que, quando os abrisse novamente, visse que era apenas um sonho ruim. Sua cabeça doía, e em seu peito parecia haver um buraco, um vazio. Vazio este que pertencia ao filho que ele não chegou a conhecer, muito menos a saber que existia, mas que mesmo sem perceber havia criado um laço com o mesmo. Um jeito de eterniza-lo, de eternizar seu amor pelo mesmo.

Por alguns minutos, declinou a cabeça sobre seu antebraço, que, apoiado na beira da cama, fez com que a mesma afundasse levemente. Chorou, dolorosa e intensamente. Permitiu-se fraquejar por mais aquela vez, para depois ser forte por ela.

Ao ouvir o som da respiração de Heloísa mudar e alguns resmungos vindos da mesma, não tardou em levantar-se novamente e secar o rosto, tentando disfarçar o inchaço e vermelhidão no mesmo.

- Oi, meu amor – Sorriu, sem mostrar os dentes. Acariciou mais uma vez os fios escuros dela antes de depositar um beijo demorado em sua testa. – Como você está se sentindo?

De modo fraco, a retribuiu o sorriso e fechou os olhos ao receber o carinho. – Com sede – Disse, num tom de voz quase inaudível.

Stênio assentiu com a cabeça, indo até o outro lado do quarto, local no qual estava uma pequena mesa com dois copos de vidro, alguns de plástico, canudos e uma jarra d'água cheia. Encheu um dos copos de vidro e colocou um dos canudos antes de voltar para perto da esposa, que o observava com certa preocupação no olhar.

Havia percebido os indícios de que Stênio havia chorado recentemente, e, por mais que sentisse e talvez tivesse até certeza de que algo acontecera, preferiu tentar afastar tais pensamentos.

Sorriu levemente ao ver o marido levar o copo com água até sua boca, tendo antes a ajudado a ajeitar-se melhor na cama. Com o canudo na boca, seus lábios contornavam-no com um certo bico e o liquido ingerido parecia limpar sua garganta, fazendo com que o ato de falar tornasse-se mais fácil.

- Bom – Pigarreou ela, sem desviar o olhar de Stênio. – Acho que devo um pedido de desculpas pelo susto – Disse, em tom de brincadeira, tentando desfazer o clima angustiante que instalara-se.

- Não precisa se preocupar com isso, talvez você leve uns gritos do Ricardo, Maitê e Drika, porém por mim não precisa – Sorriu, se sentando novamente em eu lugar.

- Você me protege das feras? – Sorriu também, enroscando seus dedos nos dele.

- Terei o prazer de proteger a minha donzela – Piscou, para depois assumir um semblante sério novamente. – Dói? – Olhou para a região acertada, preocupado e tentando achar um modo menos doloroso de contar.

- Um pouco, mas estava pior – Abaixou o olhar, não sabendo se contava ou não o fato de que ela voltou para a operação sem colete. – Como a Drika está? – Quis mudar de assunto, mesmo que a preocupação com a filha fosse real.

- Nervosa. Me mandou várias mensagens desde que eu liguei para contar, e disse que pegaria o primeiro voo para cá – Contou, revivendo o desgosto pelo fato de a filha ter se mudado para São Paulo com o genro, mesmo sabendo que era por um bom motivo: estudos e a independência que ela sempre desejou. A menina havia iniciado a faculdade de Belas Artes, na parte de artes cênicas, enquanto Pepeu ainda estava decidindo o que fazer, porém estava com um bom emprego lá. Stênio e Helô se orgulhavam muito da filha, porém a distância era um fator que sempre fazia a saudade apertar.

- Pelo menos ela virá nos ver – Tentou, novamente, desfazer o clima ruim. Mas, ao ver o olhar perdido do marido, decidiu manifestar-se à respeito. – Amor?

- Oi, pequena – Ele voltou sua atenção para ela, desfazendo-se de seus devaneios. – Precisa de alguma coisa? Está tudo bem?

- Eu estou bem, mas estou te achando muito distante – Confessou, com o temor de algo grande ter acontecido, afinal, o aperto em seu peito denunciava tal ocorrido.

- Helô... – Ele respirou fundo, desviando o olhar do dela por breve período de tempo, tendo os olhos cheios de lágrimas ao retornar.

- Você está me assustando – Heloísa sentiu a garganta apertar, com a vontade de chorar fazendo-se presente.

- Você estava grávida – Stênio disse, num sussurro. – Nós perdemos um bebê.

Seus olhares, então, compartilharam o brilho que as lágrimas traziam.

Seus corações tinham as mesmas falhas nos batimentos que deveriam ser contínuos.

A dor insuportável que ela sentiu ao ouvir tais palavras foi a mesma que ele sentiu ao proferi-las.

E, sem dizer palavra alguma, Heloísa rendeu-se ao compulsivo choro, e Stênio não pensou duas vezes antes de abraça-la, tentando transmitir um conforto que ele sabia que talvez fosse impossível de haver.



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