História In(certezas) - Capítulo 8


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Categorias EXO
Personagens Lay, Suho
Tags Exo, Flex!lay, Flex!suho, Incertezas, Lay, Layho, Lemon, Slash, Suho, Sulay, Sulay!flex, Top!lay, Top!suho, Yaoi
Visualizações 223
Palavras 6.954
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Alouzii, tudo bem com vocês? Eu sei que demorei, me desculpem, me enrolei um pouquinho no rumo da história, mas já encontrei um eixo! Não desistam de mim. :(

Capítulo betado pela incrível @kmyeonx que, aliás, está de aniversário amanhã! Portanto, dedico esse capítulo para ela, essa pessoinha maravilhosa e melhor beta ever, que consegue suportar meus surtos e inseguranças e, além disso, compartilha meu amor e sofrimento por ships flops hahahaha lolo, não tenho nem como agradecer todo o apoio que você me deu desde o início de In(certezas) e nas minhas outras fanfics, mas obrigada por ter se oferecido para betar o que escrevo, já que, por causa disso, começamos a conversar e agora só mandamos textões uma para outra! Falar contigo já faz uma diferença enorme no meu dia. <3 Te desejo de kokoro (aulasdejapones . com)muita felicidade e amor e que todos os seus sonhos se realizem! Aaaaa, já falei muito aqui, depois te mando uma mensagem melhorzinha hehe.

Bora pro capítulo! Boa leitura (e não me matem ;_;). <3

Capítulo 8 - Ato VIII: Conflito


 

Junmyeon não sabia dizer exatamente o que havia o acordado. Talvez fosse a buzina inconveniente que quebrou o silêncio da rua, ou talvez fosse seu sonho conturbado que repescou memórias que ele desejava esquecer. Mas o fato é que havia acordado, em um pulo e com o coração batendo em sua boca, e, agora, encarava um espaço vazio ao seu lado na cama.


 

Sentia a cabeça latejar no início de uma ressaca e sua boca estava seca, mas nenhum desses desconfortos se comparava ao baque dolorido que apertou seu peito, pois Junmyeon lembrava-se de ter deitado com Yixing em sua cama, lembrava-se de ter adormecido nos braços dele, mas o espaço vazio ao seu lado era tão gritante que seu estômago doía, doía, como em todo início de uma crise de ansiedade.


 

Como se risse de sua cara, o passado assombrou seus pensamentos. Tudo aquilo era um déjà vu cruel, visto que Junmyeon recordava-se perfeitamente da última vez que acordou daquela mesma maneira, buscando Yixing ao seu lado e encontrando apenas uma ausência gritante. Isso aconteceu há pouco mais de três anos, mas tinha certeza que jamais esqueceria da sensação terrível que lhe saudava naquele exato momento, como um velho e irônico amigo.


 

Ainda estava escuro do lado de fora, indicando que não havia amanhecido. O desespero começava a gritar em seu coração atordoado e Junmyeon não percebia que seu corpo tremia inteiramente e nem que seus pulmões doíam pela falta de oxigênio que ele não conseguia puxar com sua respiração trêmula. Levantou-se em um pulo, não se preocupando por estar apenas com uma roupa íntima em seu corpo, o ar frio da madrugada não lhe ferindo mais que os batimentos doloridos de seu coração.


 

Quase correu até a sala de onde vinham alguns poucos ruídos, seus pés descalços não produzindo som algum no corredor precariamente iluminado pela luz que não se lembrou de apagar antes de dormir. Junmyeon, naquele momento, não pensava. Sua mente estava nublada por todos os medos que o nauseavam de forma que nem percebeu o indício de lágrimas em seus olhos. Quando chegou na sala, o alívio que sentira fora tão grande que suas pernas ficaram bambas e ele teve que se apoiar no encosto traseiro do sofá para não ir ao chão. Yixing estava ali.


 

Ele não fugiu.


 

Ele não o abandonou.


 

– Onde você está indo?


 

Sua voz soou tão trêmula e incerta que não passara de um sussurro aflito, mas Yixing o ouviu. Era visível o corpo que se tornou subitamente tenso e como ele congelou na ação de vestir as roupas esquecidas da noite anterior. Certamente não esperava que Junmyeon o flagrasse ali. Um tenso silêncio se moldou entre eles, até que Yixing se virou de frente para o Kim, fechando a calça que vestira e encarando o chão. Junmyeon sabia que ele apenas estava evitando que seus olhos se encontrassem.


 

– Eu… – Era evidente que ele não sabia o que dizer, o coreano o conhecia muito bem. Percebia as mãos nervosas que agarravam o tecido da camiseta como se a vida dele dependesse disso. – Estava indo para casa.


 

Ele ia fugir.


 

A garganta de Junmyeon se fechou, impedindo que conseguisse respirar além de umas lufadas curtas. Não sentia suas pernas, seu corpo tremia de forma absurda e sabia que se não estivesse apoiado ao encosto do sofá, já estaria no chão.


 

Não conseguia entender. Um formigar em seu peito trazia uma melancolia prestes a explodir e Junmyeon não conseguia de jeito nenhum compreender aquela atitude tão irreal e covarde. Em seu íntimo, sabia que a última noite havia sido diferente de todas as outras, tinha certeza que houvera algo inexplicável entre ambos, uma conexão tão forte que beirava ao absurdo.


 

Junmyeon se sentiu amado.


 

E amou em retorno.


 

Seu coração se contraía na expectativa… de alguma coisa.


 

Qualquer coisa.


 

Menos aquela.


 

– Por… por quê? – De forma irônica, sua indagação não contemplava apenas aquele momento. Nas entrelinhas traiçoeiras, Junmyeon buscava respostas doídas para perguntas ainda mais dolorosas; por que Yixing sempre fugia? Por que ele não podia ser seu? Por que ele não podia ser amado?


 

Talvez ainda estivesse um tanto sonolento, pois de maneira terrivelmente inusitada, Junmyeon pensou em sua mãe. Repassou mentalmente todas as vezes que ela o abraçou, todas as vezes que viu algo nos olhos dela que, quando criança, inocentemente não entendia, mas que com o tempo se tornou bastante claro: dor. Depois de tantos anos longe de tais memórias, não conseguia compreender por que justamente naquele momento elas resolveram lhe saudar, quase sádicas. A primeira vez que perdeu um pedaço da própria alma foi quando a viu partir.


 

A primeira vez que foi abandonado, dentre tantas.


 

Antes que percebesse, lágrimas escorriam por seu rosto, quase como se debochassem de sua fraqueza.


 

– Eu achei que… que não fosse me querer aqui depois do que… aconteceu. – A voz de Yixing diminuía a cada palavra, assim como seu corpo que ele encolhia cada vez mais, como se pudesse desaparecer do campo de vista do Kim. Ele não ousou olhar em seus olhos uma única vez; certamente temia o que quer que fosse encontrar ali.


 

Decepção.


 

Junmyeon se engasgou com o próprio soluço que rasgou a garganta sem aviso prévio e suas mãos apertaram o estofado com tanta força que o nó dos dedos embranqueceu, como se assim pudesse conter toda sua frustração. A raiva gritou em seus ouvidos e tornou sua visão turva, martelando em sua cabeça já dolorida.


 

Talvez sua alma estivesse se quebrando outra vez.


 

Antes que percebesse, se aproximou de Yixing em passos rápidos demais, cego por todas sensações absurdamente sufocantes que explodiam em seu corpo. Suas mãos agarraram o tecido da camiseta do chinês e ele o empurrou com brusquidão contra a parede, arrancando um grunhido dolorido do outro pelo baque seco.


 

Você é idiota, porra? – Junmyeon gritou com a voz dolorosamente rouca e as mãos, que agarravam a camiseta, tremiam.


 

Seus olhares finalmente se encontraram. Yixing o fitou com tantas dores que o Kim arfou. Mais uma vez, lembrou de sua mãe. Os olhos sempre tão incertos estavam imersos em confusão e surpresa pela agressividade inusitada.


 

Mas suas íris estavam desenhadas em culpa.


 

Tão semelhantes.


 

– E-eu…


 

– Por que você faz isso comigo? – O cortou, o grito sofrido sangrando em suas palavras. Chorava em um misto de raiva e dor, nauseado por toda a ansiedade terrível. – Como você… consegue? Depois de ontem… eu pensei… pensei que…


 

O que pensou?


 

Que ficariam juntos? Que não tinha um casamento agendado?


 

Yixing sempre foi o mais sensato.


 

Junmyeon soluçou, afrouxando o aperto na camiseta do outro enquanto sucumbia em lágrimas e as palavras morriam em sua boca. Sem forças, apoiou o rosto no peito de Yixing que permanecia terrivelmente imóvel. Sentia-se tão estúpido e não conseguia compreender como as coisas foram encontrar aquele fim, de forma alguma entendia como foi capaz de se envolver daquela maldita maneira mais uma vez.


 

Sentiu as mãos trêmulas e tímidas de Yixing pousarem em suas costas nuas, os braços o envolvendo em um abraço desajeitado, como se temesse que o Kim fosse despedaçar ali mesmo.


 

Talvez Junmyeon já estivesse em pedaços.


 

Por que tinha que ser assim?


 

– Eu não sei. – Por um segundo, pareceu que Yixing leu seus pensamentos atordoados, entretanto, apenas era atormentado pelos mesmos. – Me… me desculpe.


 

Junmyeon se desfez daquele contato com um gosto amargamente magoado em sua boca.


 

– Pelo que, exatamente? Por estar indo embora? Por ter fugido há três anos? Por ter voltado? – Cuspiu as palavras, enxugando as lágrimas ácidas que pareciam queimar em seu rosto. – Pelo que você está se desculpando, Yixing? Por ser a porra de um covarde?


 

O chinês tremeu de forma quase patética, como se aquelas palavras fossem capazes de feri-lo fisicamente e talvez fossem, já que a dor que atingiu seu peito foi surpreendentemente real. Os olhos caíram para os próprios pés, visto que não conseguia sustentar o olhar repleto de mágoas que recebia.


 

Ele próprio não sabia dizer pelo que estava se desculpando. Durante anos cometeu inúmeros erros, mas talvez tal pedido de perdão fosse segredado para seu próprio coração pelas incontáveis vezes que deixou tantas oportunidades escaparem, tantas vezes que poderia ter dito, sussurrado, gritado o quanto amava Junmyeon e o quanto o queria, da forma mais egoísta possível. Tantos anos, tantas chances… Yixing sempre jogou todas fora quando um sussurro terrível, quase um velho amigo, soprava em seu ouvido que nunca, nunca seria o certo.


 

Yixing sempre escolhia o caminho mais fácil: fugir.


 

Fugir era o que fazia de melhor.


 

– O que aconteceu foi um erro. – Em meio a confusão de frases que embaralhavam sua mente, foi apenas tais palavras amargas que deixaram sua boca.


 

Doía como o inferno, Yixing achava que poderia se afogar naquela dor a qualquer instante. Doía porque sabia que era verdade e sabia que a culpa foi unicamente sua; deixou-se levar. Não pensou no quanto destruiria tudo o que Junmyeon sofreu para construir apenas por amá-lo como sempre ansiou fazer. Doía porque haviam tantos arrependimentos e, mesmo assim, cabia a ele pensar nas consequências, pensar no que seria melhor para o Kim, para ambos, mesmo que o desejo de tê-lo fosse egoísta demais.


 

Junmyeon sucumbiu ao silêncio diante do que lhe fora dito, tentando digerir a dor do que aquelas palavras significavam. O que mais o feria era saber que Yixing tinha razão.


 

Estava noivo, com um casamento mais próximo do que gostaria.


 

Recuou alguns passos até seu corpo desabar sobre o sofá. A fisgada dolorosa que sentiu no quadril apenas serviu para acentuar sua culpa, a lembrança traiçoeira do que fizeram apenas há algumas horas martelando em sua cabeça e andando lado a lado com o início da enxaqueca que teria. Cobriu o rosto com as mãos como se ali pudesse enconder-se daquela realidade tão cruel, sofrendo ao tentar conter a ansiedade que crescia cada vez mais de forma monstruosa dentro de si.


 

O silêncio era tenso entre os dois, apenas a respiração ruidosa de Junmyeon se sobrepondo.


 

– Você… quer que eu vá embora?


 

Junmyeon ergueu os olhos, o brilho repleto de dor espelhado nas íris sendo visível apesar da precária iluminação.


 

– É só isso que você sabe fazer? Ir embora?


 

– Eu achei que você… bem, quisesse ficar sozinho.


 

Talvez o mais sensato fosse ser deixado sozinho. Todos os seus passos já estavam pré-programados e então, quase como uma piada cruel demais, Yixing resolvera aparecer para acabar de vez com todas as estúpidas certezas na merda de sua vida.


 

Mas, ainda assim… Junmyeon não suportava mais aquele vazio que era quase um buraco fodidamente doloroso em seu coração.


 

Buraco que parecia sumir quando estava na presença de Yixing.


 

– Se você for embora agora… O que me garante que não vai desaparecer outra vez?


 

Yixing sentiu-se queimar da forma mais terrível possível diante daquele tom de voz repleto de mágoa, a culpa apunhalando-o em seu peito como uma e rasgando seu coração. Abriu e fechou a boca algumas vezes, buscando palavras que não existiam. Sabia que nada que dissesse amenizaria toda a dor ligeiramente ácida que via naqueles olhos.


 

Entretanto, um sopro de bom-senso sussurrou que, de certa forma, fizera o certo ao fugir há três anos. O seu erro foi retornar e não resistir à tentação de pecar outra maldita vez, exatamente do mesmo jeito. Nunca seria o certo, nunca daria certo. Junmyeon provinha de uma família rica e conceituada; Yixing nasceu em um berço repleto de preconceitos. De forma ironicamente divertida, pensou em Romeu e Julieta; infelizmente tal romantismo não era possível fora dos livros.


 

– Por favor... Não torne isso mais difícil do que já é.


 

Yixing já não conseguia buscar a coragem necessária para ir embora outra vez. Não depois da última noite, não quando uma inusitada esperança fez-se presente em seu coração. Não quando seus olhos dançavam naquelas feições tão tristes, desejando mais do que tudo poder fazê-las sumir, poder beijá-las até que visse um sorriso nascer naqueles lábios tão bonitos.


 

Era sua culpa; ele sabia disso. E tal culpa o destruía por inteiro.


 

– Eu só queria… e-eu… – Junmyeon voltou a esconder o rosto entre as mãos e seu corpo tremia conforme novas lágrimas voltavam a ferir seus olhos. Tinha o coração exposto da maneira mais patética possível. – P-Por que você foi embora?


 

O Kim já não conseguia encarar Yixing. Não depois de tudo. Não quando sabia que era tão culpado quanto por continuar insistindo naquela merda. Não conseguia evitar, sentia que morreria se o deixasse ir.


 

Estremeceu quando o estofado afundou, indicando que Yixing havia sentado ao seu lado.


 

– Porque… – A voz não era mais do que um sussurro, como se não desejasse ser ouvida. Porque eu te amo, foi o que Yixing quis dizer. – Porque eu já não podia ficar sabendo que você… no fim, não seria meu.


 

O silêncio abraçou-os mais uma vez, tão íntimo. Junmyeon finalmente ergueu o rosto e olhou para Yixing que parecia não ter a coragem de encará-lo de volta.


 

– Idiota… – Junmyeon murmurou, quase ensurdecido com o coração que batia com força em seu peito e dançava junto a toda ansiedade que já o fazia de prisioneiro. – Se você… se você tivesse ficado e prestado atenção… Teria visto que eu sempre fui seu.


 

Um pensamento acusatório o rondou nos segundos que se passaram sem uma resposta e ele já não conseguia olhar para o poço de indecisão que era Yixing. Estava ficando louco. O que estava dizendo? O que estava pensando? Estava piorando tudo, estava dificultando ainda mais. Por que estava se expondo daquela maneira tão patética? Deveria permitir Yixing partir mais uma vez, levando com ele toda aquela maldita incerteza que sempre debochava da covardia de ambos.


 

Não viu quando o chinês se moveu ao seu lado, mas prendeu a respiração quando sentiu os dedos dele encontrarem seu rosto, notando, somente então, o quanto ele tremia. Atordoado, buscou-o com os olhos, quase sufocando com a maneira com a qual era observado. As íris de Yixing representavam um mar turbulento antes de uma tempestade e Junmyeon temia que fosse capaz de se afogar naquela impetuosidade.


 

Os dedos deslizaram por sua bochecha em uma pequena carícia, tão singelos que pareciam queimar em sua pele. O tempo perdeu seu ritmo e nada mais importava.


 

Junmyeon se aproximou. Ironicamente, talvez fossem como ímãs e Yixing, sempre tão diferente de si, era o polo reverso que o completava.


 

– Junmyeon… –  O sussurro do chinês soprou contra seus lábios quando, tão inconsciente, aproximou os rostos, cego por tudo que explodia em seu peito de maneira muito insuportável.


 

Mas lá estava o maldito bom-senso que, muitas vezes, poderia ser traiçoeiro: O que estava fazendo?


 

O Kim se afastou de supetão, entretanto, no segundo seguinte, as mãos de Yixing foram rápidas em segurar seu rosto e nuca, trazendo-o para perto novamente. A atração impulsiva os puxava de forma tão intensa que era impossível de ser ignorada. Como ímãs, pensou, mais uma vez. Não levou outro segundo para que os lábios se chocassem tão afoitos, como se desejassem provar de tudo que já conheciam com uma perfeição perigosa. Os dedos de Junmyeon agarraram-se à camiseta de Yixing, dessa vez para puxá-lo para mais perto como se a distância entre eles fosse absurda e errônea. As línguas não tardaram em provar da perdição que parecia nunca os satisfazer por completo, convidando-os a desejar mais e mais e mais.


 

Os polos chocavam-se da forma mais deliciosa já experimentada e, tão cegos, sentiam-se finalmente completos.


 

Afastaram-se com uma dificuldade considerável, as respirações ofegantes se mesclando visto que os corpos permaneceram compartilhando daquele calor insano. Os olhares buscaram um ao outro, tentados em decifrar o óbvio.


 

– Fica. – Junmyeon segredou contra os lábios alheios e provou da pele tão macia que era capaz de destruir qualquer teimosia retrógrada. – Por favor.


 

Aquela foi a primeira vez que Yixing escolheu ficar.


 

 

»

 


 

Junmyeon foi o primeiro a acordar.


 

Atordoado, resmungou baixinho diante da dor que explodia em sua cabeça, quase como um castigo pela bebedeira irresponsável. Demorou alguns poucos segundos para a consciência lhe atingir por completo, mas, quando o fez, tensionou quase de imediato entre os braços que o envolviam de forma ligeiramente possessiva. E então, relaxou. Seu corpo inteiro estava dolorido, entretanto o calor que compartilhava com Yixing o fazia se sentir nostalgicamente leve, a sombra de um sorriso arriscando desenhar seus lábios. Moveu o rosto para o lado e notou que o chinês ainda dormia, com as feições tão plácidas que Junmyeon não pôde fazer nada além de contemplá-lo.


 

Se parasse para pensar, certamente não seria capaz de relembrar todas as vezes em que observou Yixing dormir ao seu lado. Diria que nada havia mudado, se não fossem as pequenas linhas de expressão que agora marcavam o rosto do chinês, denunciando de maneira singela que não havia passado ileso por todos aqueles anos. Entretanto, milênios poderiam passar e em nada mudaria aquele sentimento terrivelmente ardente que fervia no peito de Junmyeon toda vez que ele observava Yixing daquela maneira, tão sereno, tão diferente de quando estava acordado e em seus olhos só enxergava medos.


 

Não se conteve ao deslizar a ponta dos dedos no rosto do chinês, ansiando que fosse capaz de nunca esquecer-se da sensação de seu toque naquela pele enfeitada por pequenas e cativantes pintinhas, permitindo que seus dedos as desenhasse de maneira absurdamente delicada. Seus lábios tremeram na expectativa de um sorriso quando sentiu os braços de Yixing o apertarem ainda mais, o cenho dele se franzindo diante da carícia que certamente provocou cócegas.


 

Em seu coração tórrido, conseguia sentir o quanto o amava.


 

Junmyeon desceu os olhos por toda a face tão bonita, trilhando com os olhos um trajeto perigoso até o pescoço e o torso despido. O sorriso se tornou um fantasma no instante em que percebeu as manchas arroxeadas marcadas naquela pele, trazendo a lembrança agridoce das últimas horas. Dois sentimentos se chocaram: ele conseguia sentir uma pequena fagulha de felicidade querendo transbordar diante da lembrança de todos sentimentos segredados em meio a toques tão íntimos, entretanto, havia um terrível pensamento que gritava de forma ensurdecedora.


 

Emma.


 

Se entregou cegamente para um amor antigo como se não houvesse um casamento marcado. Havia traído sua noiva que em nada merecia algo do tipo.


 

Junmyeon teve que engolir o nó doloroso que se formou na garganta diante toda ansiedade culposa que ferveu em seu coração. Seus olhos permaneciam fixos no semblante sereno de Yixing que, adormecido, estava alheio às angústias que pesavam absurdamente agonizantes no peito do Kim.


 

Como se o universo, com toda sua perversidade, quisesse instigar sua culpa ainda mais, Junmyeon ouviu seu celular vibrar em cima do criado-mudo e o pegou com um receio imediato. Não havia apenas uma mensagem de Emma. Haviam oito.


 

Sentindo aquela sensação dar indícios tortuosos de sufocá-lo, Junmyeon desfez-se dos braços de Yixing e levantou-se da cama o mais silencioso que conseguiu, vestindo apenas uma camiseta e calça de moletom e deixando o quarto em passos rápidos. Sentiu tudo o que bebeu pesar em seu estômago, deixando-o nauseado junto à ansiedade que parecia roubar todo seu ar.


 

Enquanto caminhava para a cozinha, Junmyeon passou a checar as mensagens que recebeu de Emma com um nervosismo pesado em seus ombros. Demorou meio segundo para compreender o que ela escrevia, visto que Emma sempre mandava mensagens em inglês, alegando que ainda não que não dominava muito bem a escrita coreana. Passou os olhos rapidamente pelas mensagens e, para seu alívio, ela não parecia incomodada com a falta de resposta e nem com o fato de Junmyeon ter passado a noite de sua despedida de solteiro sem entrar em contato. Claro, Emma não era do tipo ciumenta, tão pouco insegura.


 

Todas as mensagens eram sobre o casamento e, no final, ela sempre desejava que estivesse se divertindo.


 

Isso apenas fazia a culpa terrivelmente amarga o sufocar ainda mais.


 

Junmyeon jogou o corpo sobre uma das cadeiras que havia junto à mesa da cozinha e, de imediato, sentiu uma sensação incômoda na região de seu quadril, apenas para o lembrar de todos os malditos erros que eram mais tentadores do que deveriam ser. Respirou pesadamente, como se assim pudesse se desprender das lembranças inconvenientes e abriu a mensagem que recebera de Emma alguns minutos atrás.


 

Emma (11:58)

Bom dia, festeiro. Bebeu muito ontem? Espero que tenha aproveitado! Desculpa por ter enchido sua caixa de mensagem com assuntos chatos do casamento, você já deve estar de saco cheio disso. Que tal vir hoje jantar aqui em casa? Não precisamos conversar sobre o casamento, só vem passar um tempo comigo.

PS: eu vou cozinhar, se prepare!


 

Talvez aquilo doesse mais do que a ressaca que pesava em sua cabeça. De certa forma, doía porque ele sabia que Emma estava tentando fazer aquela merda funcionar e, evidentemente, tentava criar um vínculo entre eles. Junmyeon nem ao menos se esforçava. E o pior: não pensou nela, nem por um milésimo de segundo, enquanto fodia com o padrinho de seu próprio casamento.


 

O Kim estava tão perdido em pensamentos que remoíam todas suas escolhas estupidamente errôneas que nem havia notado que já não estava mais sozinho no cômodo já fazia algum tempo.


 

– Junmyeon.


 

O nomeado sobressaltou em susto e ergueu os olhos, fitando um Yixing, com a cara amassada e os cabelos negros em uma bagunça de fios, parado à porta da cozinha. Tal visão acarretou um baque dolorido em seu coração e culpou sua própria fraqueza pelo sentimento que florescia ardentemente em todo seu corpo. Ao menos Yixing havia vestido alguma roupa. Entretanto, em nada o ajudou vê-lo ali, como uma prova viva de que ainda era escravo do mesmo amor tortuosamente doloroso de nove anos atrás.


 

Naqueles olhos, que o fitavam em um misto de receios e uma ansiedade esperançosa, Junmyeon viu a prova de todas suas fraquezas. Tudo em Yixing beirava a uma frívola perfeição e fazia com que quase conseguisse acreditar que, talvez, o mundo valesse a pena.


 

Se não estivesse tão quebrado e tão machucado, talvez tivesse forças para arriscar. Mas ele sabia que já não era tão jovem assim e muitos de seus erros seriam eternos.


 

Junmyeon desviou o olhar para seu celular, lendo novamente a mensagem de Emma e tentando encontrar ali a força para reunir todos os pedacinhos da barreira que fora destruída por Yixing de maneira tão fácil.


 

Mais uma vez, pensou em sua mãe e na dor de ser deixado para trás.


 

Não tinha escolha.


 

Ergueu os olhos para Yixing mais uma vez, não deixando-se abalar pela expectativa tão bonita que via naquelas íris. Quando o viu abrir a boca para dizer mais alguma coisa, Junmyeon o cortou antes que se deixasse levar por quaisquer que fossem as palavras que sempre achavam um jeito de atingir suas esperanças, estas que tentavam agarrar qualquer pontinha de uma possível felicidade já desconhecida.


 

– Você precisa ir.


 

Os lábios de Yixing tremeram em uma surpresa quase imperceptível.


 

Silêncio.


 

– Então por que me pediu pra ficar?


 

Junmyeou agarrou todos os pedacinhos fragilizados daquela barreira, mantendo-os firme.


 

Ele não suportaria ser quebrado mais uma vez.


 

– Você tinha razão, o que aconteceu foi um erro.


 

O que mais doeu foi ver Yixing assentir, a cabeça baixa escondendo os olhos marejados.


 

– Sempre foi um erro, sempre. – Junmyeon achou que fosse sufocar com toda a dor insuportável quando assistiu uma lágrima violar aquele rosto. – Por isso eu fui embora, eu sempre soube que acabaria assim.


 

Junmyeon estava vazio. Seu coração sangrava por todo aquele amor impossível, mas ele sentia-se vazio.


 

– Você não deveria ter voltado.


 

Yixing assentiu uma última vez e virou-se para a porta, não ousando fitar o Kim com seus olhos magoados.


 

– Você deveria ter deixado eu ir embora.


 

Sem uma única palavra, Junmyeon foi deixado sozinho no cômodo. Alguns minutos se passaram até que ele ouvisse a porta de seu apartamento ser aberta e depois fechada, indicando que Yixing havia ido embora e levado com ele o resquício de esperança dentro de Junmyeon.


 

Só então ele se permitiu chorar, embargado com toda a dor de seus próprios erros. Sabia que havia sido sua culpa, sabia que não foi forte o suficiente.


 

Sabia que não podia amar Yixing.


 

Quando conseguiu reunir os últimos pedaços dentro de si, Junmyeon respondeu sua noiva, confirmando sua presença.


 

Se pudesse ser feliz, com certeza seria com Yixing.


 

Mas ele não tinha escolha.


 

Nunca teve.


 

 

»

 

 


 

No decorrer da tarde, Junmyeon forçou-se a ocupar a cabeça com assuntos da empresa e certificou-se de manter os olhos vidrados em seu notebook enquanto trabalhava, mesmo que fosse domingo. Cada vez que se distraía, mesmo que por um mínimo segundo, seus pensamentos migravam de forma perigosa para o que aconteceu na madrugada e era absurdamente capaz de sentir a sensação fantasma dos toques e beijos de Yixing, deixando-o atordoado pelo arrepio quase quente que percorria seu corpo, não levando mais que um segundo para que uma dor amarga pesasse em seu coração.


 

Naquele ínfimo intervalo de tempo, Junmyeon ponderava a possibilidade de Yixing ter fugido de seu alcance mais uma vez, depois de suas palavras frias.


 

Não poderia culpá-lo.


 

Ele sabia, terrivelmente sensato, que o certo a fazer era matar de vez o que havia entre ambos. Entretanto, não conseguia evitar toda aquela dor estúpida ao encarar a probabilidade de perdê-lo novamente.


 

Porque o amava tanto e, em seu âmago, sentia que era amado em retorno.


 

Contudo, o comodismo tão covarde fazia-o trilhar o caminho mais fácil.


 

Mais rápido do que desejava, a noite se aproximou e trouxe com ela o momento em que estaria em frente à porta de sua noiva. E lá estava Junmyeon, tentando se manter calmo enquanto respirava fundo, o nervosismo remoendo seu estômago. Escondeu as mãos trêmulas no bolso da calça após ter se apresentado para o porteiro daquele prédio ridiculamente luxuoso, e aguardou.


 

Não demorou para que sua entrada fosse liberada e para que ele se encontrasse dentro do elevador que o levaria para a cobertura. Enquanto subia, Junmyeon encarava seu próprio reflexo no espelho daquele cubículo e conseguia reconhecer toda a culpa que pintava suas feições de forma absurda. Sentia como se seus ombros pesassem uma tonelada e torcia para que não estivesse tão evidente o quão destruído estava por dentro.


 

Assim que a porta do elevador se abriu no andar indicado, o Kim quase se arrastou para frente da porta já conhecida da única vez que esteve no apartamento de Emma e tocou a campainha, o som ecoando e se unindo às batidas ansiosamente dolorosas de seu coração.


 

Quando a porta foi aberta, Junmyeon forçou o sorriso que havia ensaiado nas últimas horas assim que Emma o cumprimentou com um semelhante em seus lábios.


 

Ele rezava para que a culpa não estivesse escrita em seus gestos.


 

– Você se atrasou. – Ela disse em um tom divertido assim que Junmyeon adentrou no apartamento, auxiliando o noivo a retirar o blazer que ele vestia e que logo foi deixado no cabideiro ao lado da porta. – Achei que tinha deixado claro que seria um jantar casual, podia ter vestido algo mais confortável. – Riu baixinho.


 

– Desculpe. – Junmyeon murmurou, mais nervoso do que deveria estar. De fato havia se atrasado. Estúpido como era, demorou a reunir a coragem para encarar Emma, enrolando mais do que deveria enquanto arrumava-se e tentava ficar razoavelmente apresentável. Sua vontade era vestir a porra de uma roupa qualquer, mas, mediante às manchas roxas marcadas na região do pescoço e ombros, Junmyeon teve que recorrer a uma camisa social e abotoá-la até o último botão, finalizando com uma gravata e, assim, escondendo a prova de sua traição.


 

Emma, por sua vez, vestia uma calça jeans de lavagem clara e uma camiseta de alguma banda americana qualquer que era grande demais para ela, mas que a deixava meio que adorável com os cabelos louros presos em um coque desajeitado.


 

Isso fazia Junmyeon se sentir pior do que deveria.


 

Não a merecia.


 

– A janta está quase pronta, fique à vontade. – Emma sorriu uma última vez ao indicar a sala de estar onde o Kim poderia aguardar e, no segundo seguinte, se afastou em direção à cozinha. – E não, não é comida coreana! – Ditou do outro cômodo, arrancando uma risada deveras nervosa por parte de Junmyeon, que permaneceu estático no mesmo lugar.


 

Algo dentro de si quase gritava para que fugisse dali, mas, no fundo, ele sabia que não tinha escolha.


 

Demorou mais alguns segundos até que Junmyeon finalmente saísse do lugar, caminhando em passos terrivelmente lentos até o local indicado por Emma. Chegando à sala, largou o corpo sobre o sofá exageradamente grande e deixou que seus olhos percorressem o local anteriormente conhecido e que, aparentemente, era sempre impecavelmente limpo e sem personalidade alguma, assim como seu próprio apartamento. Com um humor inusitado, Junmyeon se perguntou se, de certa forma, aquela era uma característica de quem já estava morto por dentro.


 

Riu sozinho desse pensamento meio estúpido, e estava pronto para se levantar do sofá e oferecer alguma ajuda para sua noiva quando sentiu o celular vibrar em seu bolso. Suspirou incomodado, acreditando que certamente se tratava de algum assunto relacionado ao trabalho e pegou o aparelho em mãos. Assim que viu a notificação da mensagem, sua respiração ficou presa à garganta.


 

Yixing (20:04):

Então... desculpe pela mensagem. Eu passei muito tempo pensando se deveria ou não mandar ela, mas eu simplesmente não consigo tirar isso da minha cabeça. Em primeiro lugar, quero pedir desculpas pelo que aconteceu de madrugada, eu não sei o que passou pela minha cabeça… Quando eu acordei e te vi dormindo ao meu lado, eu tive medo. Medo do que viria a acontecer, medo de te machucar, medo de que saíssemos machucados. Olha, eu sei que não deveríamos ter feito o que fizemos e eu quero me desculpar por isso também, sinto que, de certa forma, foi minha culpa. Eu deveria ter sido mais forte, mesmo que doesse… Pelo menos não estaria doendo tanto quanto agora. Bem… é isso. Não precisa responder. Me desculpe. Por tudo.


 

Junmyeon, por um segundo, inocentemente acreditou que morreria com a ansiedade dolorosa que cresceu em seu peito. Ele mordeu o lábio, apreensivo, ponderando em uma incerteza terrível se deveria responder aquela mensagem ou deixar as coisas como estavam. A sensatez o fazia acreditar que aquela mensagem serviria como um símbolo de que tudo acabaria ali, mas a surpresa fodidamente ansiosa trazia uma constatação ainda pior: pela primeira vez, em todos aqueles anos, Yixing falava abertamente consigo. Exposto e sem mentiras.


 

Yixing, quem costumava ser a porra de uma parede impenetrável, estava sendo sincero em admitir sua dor.


 

Após escrever o que acreditou ser a coisa certa a dizer, Junmyeon hesitou em enviar a mensagem, sentindo suas próprias dores nas mentiras que escrevera.


 

Junmyeon (20:08):

Não sei se você entendeu a gravidade da situação. Eu tenho um casamento marcado e eu nem pensei nela, consegue entender? Emma não merece passar por isso, eu fui egoísta. Com você também. Me deixei levar. Mas não significou nada, eu vou me casar e você deve seguir com sua vida, como sempre deveria ter sido.


 

Yixing (20:09)

Pra mim significou, Junmyeon. Não vou fingir que não aconteceu, eu cansei de fugir.


 

Um aperto absurdo colheu seu peito e Junmyeon já não sabia o que dizer, porque, em seu íntimo, tinha a certeza que também não conseguiria esquecer, mesmo que se forçasse. Ele sobressaltou, surpreso, quando sentiu uma mão delicada pousar em seu ombro, tão logo visualizando Emma lhe sorrindo e estendendo uma taça de vinho em sua direção. De imediato, Junmyeon escondeu a tela do celular e tentou parecer casual enquanto forçava um sorriso estúpido e nervoso nos lábios.


 

– Faltam só uns minutinhos, espero que esteja com fome. – Ela disse e sentou ao seu lado no sofá, mantendo uma distância singela entre eles e bebericando do vinho de sua própria taça.


 

– Você não precisa de ajuda? – Junmyeon tentou disfarçar o nervosismo na voz e sentiu o celular vibrar em seu colo, indicando que havia recebido novas mensagens. A ansiedade pesava em seus ombros e quase não conseguia refrear o ímpeto de ler as mensagens que Yixing lhe mandou.


 

– Está tudo sob controle. – Emma sorriu de forma divertida, buscando o olhar de Junmyeon que encarava a taça em suas mãos como se fosse a coisa mais curiosa do mundo, claramente evitando retribuir seu olhar. –Ei, tudo bem? Você está meio tenso.


 

– Tudo sim, eu só… estou de ressaca. – Ele meio que balbuciou, querendo se socar por ser tão patético. Recebeu como resposta uma risada engraçadinha de Emma, que pousou a mão em seu ombro, fazendo-o quase encolher-se para fugir do toque delicado.


 

– Melhor maneirar no vinho. – Os dedos finos dela deslizaram até o peito de Junmyeon, roçando no tecido da camisa em uma pequena e inocente carícia. – Se divertiu ontem, então?


 

Mudo com aquela aproximação, Junmyeon assentiu de forma desajeitada, uma sensação incômoda crescendo monstruosa em seu peito. Era a primeira vez que Emma lhe tocava daquela maneira quase íntima e, certamente, ele estava muito desconfortável com a situação que o deixava sem saber como agir, não ousando mover um único músculo.


 

– Você tirou as fotos que eu pedi? – Ela tomou mais um gole do vinho, logo colocando-o sobre a mesinha de centro. Voltou o corpo de lado de maneira que ficasse de frente para Junmyeon e permaneceu a fitá-lo com um sorriso amigável no rosto.


 

Junmyeon assentiu mais uma vez, fazendo o mesmo com a sua taça quase intocável para logo pegar o celular abandonado em seu colo, desbloqueando-o. Aproveitou e olhou rapidamente as mensagens que recebera, tentando permanecer neutro enquanto sentia o coração acelerando de forma terrível em seu peito.


 

Yixing (20:10):

Eu não deveria ter dito isso, desculpe.


 

Yixing (20:10):

Por favor, ignore.


 

Yixing (20:12):

Você tem razão, não significou nada.


 

Yixing (20:14):

Não vou mais atrapalhar, não se preocupe.


 

Junmyeon engoliu em seco, encontrando uma dificuldade ridícula de conter o ímpeto de responder aquelas mensagens e com um pensamento mais ridículo ainda cruzando sua mente: Yixing quisera dizer que não iria mais atrapalhá-lo com mensagens ou que não iria atrapalhá-lo nunca mais? Era uma preocupação estúpida, mas que seu coração patético achava muito conveniente sofrer.


 

Com uma respiração quase nervosa, o Kim abriu a galeria do celular e buscou as fotos tiradas na última noite, que, na verdade, parecia ter acontecido há muitos dias. Abriu a primeira foto, que Junmyeon havia tirado com Yixing na fila de entrada para casa de festa, quase rindo seco e sem humor das feições nervosas que ambos exibiam. Entregou o celular para Emma, que emitiu um som estranhamente animado.


 

– Até para ir em uma festa você se veste todo formal. – Ela comentou, divertida, tão logo passando para a próxima foto que exibia os dois no bar e com as cervejas em mãos. Na foto, Junmyeon, consideravelmente alcoolizado, forçava um sorriso no rosto, mas Yixing o encarava com um semblante deveras sério. – Olha o jeito que ele está olhando pra você, aposto que fez uma de suas piadas sem graça.


 

Junmyeon se inclinou para perto de Emma para que pudesse dar uma boa olhada na foto.


 

Ela estava errada. Yixing sempre ria de suas piadas, mesmo que não as entendesse.


 

O que havia nos olhos do chinês era outra coisa, Junmyeon sabia o que era, conhecia aquele olhar muito bem, mais do que deveria. Na foto, eles estavam próximos demais, seu braço sobre os ombros dele e Emma parecia não ter notado que Yixing, na verdade, olhava para boca de Junmyeon.


 

– Foi isso mesmo que aconteceu. – Ele murmurou, desconcertado, e, para que evitasse constatações óbvias demais, passou para a próxima foto. Era a que Yixing havia tirado de si no bar e estava segurando uma dose de tequila e fazendo um sinal positivo com o polegar. Quase riu de sua própria desgraça; deveria ter parado de beber ali, talvez, assim, tivesse controle do que aconteceria no restante da noite.


 

– Tá explicada sua ressaca. – Emma riu baixinho e apoiou o corpo parcialmente ao de Junmyeon, que engoliu em seco com a aproximação tão gritante entre eles.


 

Ela já estava passando para a próxima foto quando o celular vibrou diante do recebimento de uma mensagem, a notificação divulgando parte de seu conteúdo.


 

Yixing: Eu disse que não ia mais atrapalhar, mas n…


 

Junmyeon sentiu o corpo gelar no mesmo instante e, mais rápido do que deveria, tirou o celular das mãos de Emma, que o olhou com uma confusão evidente em suas feições..  


 

– Yixing. – Explicou em meio a um nervosismo difícil de se disfarçar e, tão breve, abriu a mensagem para ler o restante do texto, a curiosidade fervendo em seus dedos.


 

Yixing (20:32):

Eu disse que não ia mais atrapalhar, mas não consigo parar de pensar em você. Não consigo parar de pensar no que aconteceu e no quanto eu não quero que as coisas acabem desse jeito. Eu não sei o que fazer, nunca foi tão difícil.


 

Junmyeon torcia para que Emma não fosse capaz de ouvir os batimentos dolorosamente acelerados de seu coração. Olhou brevemente para ela, vendo-a beber novamente da taça e com os olhos claros pousados atentamente em si.


 

– Vou dar uma olhada na comida. – Ela se levantou do sofá e sorriu minimamente antes de se afastar para a cozinha.


 

Seu celular vibrou novamente.


 

Yixing (20:33):

Talvez eu esteja um pouco bêbado.

Desculpe.


 

Junmyeon (20:35):

Talvez você devesse parar de beber, está começando a se tornar preocupante.


 

Yixing (20:35):

Você está preocupado comigo?

 

Junmyeon (20:36):

Não.

 

Junmyeon (20:37):

Talvez.

 

Yixing (20:37):

Talvez isso me deixe feliz.


 

Junmyeon encarou a última mensagem durante alguns segundo enquanto seu coração fervia na impulsividade de continuar conversando com Yixing. Entretanto, a sombra fantasmagórica do sorriso que viu em seu rosto através do reflexo da tela do celular, fez um gosto amargo se alojar em sua boca mais uma maldita vez e o curvar morreu de imediato. O que estava fazendo? Como se para comprovar o quão errado aquilo era, Emma voltou à sala e se sentou ao seu lado outra vez. Junmyeon fechou sua caixa de mensagens tão logo quanto.


 

– Agora sim faltam só alguns minutos. Eu deveria ter feito algum aperitivo, mas acabei esquecendo. Estou um pouco nervosa. – Ela riu baixinho e serviu um pouco mais do vinho que trouxe da cozinha.


 

Sinceramente? Junmyeon se sentia péssimo. Lá estava a culpa pesando em seus ombros de forma absurda, mas, ainda assim, um desejo estúpido queimava em seu coração e tinha um único e terrível nome: Yixing.


 

Preso em uma encruzilhada.


 

– Não se preocupe com isso. – Disse quase ensaiado e ousou retribuiu o olhar que recebia de sua noiva, entretanto não conseguiu retribuir o sorriso.


 

Um pequeno silêncio os envolveu.


 

– Está tudo bem com o Yixing? – Junmyeon tensionou ao ouvir aquele nome quase acusatório e tentou disfarçar o desconforto, mas talvez Emma tenha percebido. – Você recebeu uma mensagem dele e agora está todo esquisito. – Ela riu de um jeito engraçado e bebeu da taça que tinha nas mãos, logo a pousando sobre a mesinha de centro ao lado da intocada de Junmyeon.


 

– Ele… ele tinha algumas dúvidas sobre o casamento. – O Kim desviou o olhar, talvez temendo que o nervosismo fosse muito visível em seus olhos que poderiam ser muito traiçoeiros.


 

– Que bom que ele está empolgado. – Emma encostou a ponta dos dedos nos ombros de Junmyeon, chamando sua atenção, e os deslizou pelo tecido macio da camisa. – Pena que você não está.


 

O coreano quase arregalou os olhos e, de forma inusitada, se sentiu constrangido com aquelas palavras.


 

– O que? Óbvio que estou. – Ele realmente tentou ser o mais convincente possível e pousou uma de suas mãos sobre o joelho da mulher, como se aquele gesto íntimo comprovasse suas intenções. Tão convincente quanto alguém apaixonado pela pessoa errada pode ser.


 

– Não precisa mentir, ok? Para ser sincera, eu também não estou. Já estou cansada de todo planejamento. – Emma tinha um sorriso tímido nos lábios e, ainda mais tímida, colocou sua outra mão sobre a de Junmyeon que estremeceu quase imperceptivelmente. – Mas, sabe… Acho que, no fim, vai ser fácil gostar de você.


 

O Kim foi pego de surpresa. Ele abriu e fechou a boca como um idiota, buscando o que responder para a mulher que o fitava de forma tão inocente. Tentou conter o nervosismo, mas o fato é que se sentia um lixo. Forçou um sorriso no rosto que morreu no exato instante em que Emma se aproximou, depositando um singelo selar no canto de sua boca, o odor alcoólico do vinho se fazendo presente. Junmyeon congelou da forma mais estúpida possível.


 

– Você pode tirar isso, sabe… – Ela disse baixinho, levando ambas as mãos para a gravata do noivo e afrouxando-a. Logo os dedos aventuravam-se e desfaziam os dois primeiros botões da camisa social, acordando Junmyeon de seu transe quase de imediato e fazendo-o segurar as mãos dela para impedir que continuasse. – Calma, só estou te deixando mais confortável. Não pense besteira, sou cristã, esqueceu? Pra mim, só depois do casamento.


 

Então, ela se afastou, rindo tão divertida que era evidente que já estava um pouco alterada pelo álcool. Junmyeon tentou acompanhar aquela risada, mas, droga, estava nervoso pra caralho. Foi lembrado de forma perigosa e desesperadora que, mais cedo ou mais tarde, aquilo teria que acontecer e não sabia se conseguiria. Certamente não conseguiria e, aí sim, estaria acabado.


 

Estava quase tendo uma crise de ansiedade quando ouviu a risada dela ser cessada, inesperadamente. Quando a olhou, entendeu o motivo. Os olhos dela percorriam o pedaço de seu pescoço que outrora esteve escondido pelo colarinho de sua camisa, mas que agora exibia as manchas arroxeadas na pele que eram o início de uma trilha acusatória que marcava todos seus ombros.  


 

Junmyeon quase sufocou com o ar que poderia jurar ter se tornado insuportavelmente pesado.  


 

E, mais uma vez, colheu a culpa em seu peito. 

 


Notas Finais


Juro que já estou com medo dos xingamentos! Mas pensem que, se vocês me matarem agora, não vão ler o próximo capítulo onde finalmente algumas coisas acontecem e cof cof. Por enquanto, é só mais um pouquinho de drama! Espero que esteja compreensível o porquê dessa relutância de ambos.
Já estamos no capítulo 8?? Não acredito que são só mais três capítulos e: the end. Não sei se estou preparada. :(
Enfim, espero de verdade que tenham gostado! Já estou louca para postar o próximo capítulo, que acredito que vá agradar todo mundo! Até lá. <3

Podem me xingar em: https://twitter.com/eitaexo


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