História InCohbin - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Novo lar?


Fanfic / Fanfiction InCohbin - Capítulo 3 - Novo lar?

Flashbacks...a única coisa que eu pensava naquele momento era na perseguição incansável, as árvores passando como vulto diante dos meus olhos, os latidos raivosos e...aquele assobio,  me lembro perfeitamente como soava, iniciava com uma nota grave seguido de uma anota guda perfeitamente sustentada  e contínua,  quanto mais aquilo se repetia em minha cabeça mais vontade tinha de sair daquele pesadelo, e foi com um tilintar semelhante a ultima nota daquele assobio que me fez acordar abruptamente, e agora ecoava com mais intensidade em meu ouvido, causando uma leve dor de cabeça.

Conforme minha visão se adaptava em um ambiente pouco iluminado, notei que havia uma enorme silhueta encurvada a minha frente, e que por sinal era o responsável por estar fazendo aquele barulho repetidamente,  levou um tempo até entender que o lugar se tratava de uma ferraria, visto pela enorme quantidade de ferramentas que estavam penduradas por cada parede, sem falar das espadas e...armas?, olhei mais uma vez para aquela silhueta, o que me fez pensar que ele poderia ser a pessoa que me atacou, naquele momento eu só queria sair daquele lugar, não importasse como, então  tentei juntar forças para me levantar do sofá em que estava deitado, e numa tentativa de inclinar meu corpo para a frente, desisto na mesma hora por conta da dor, fazendo com que todo meu peso caia sobre o sofá de uma só vez, aquilo foi o suficiente para chamar a atenção do homem que rapidamente soltou suas ferramentas e correu até mim.

-Você está louco se pensa que vai conseguir fugir assim! - Disse o homem com uma expressão como se quisesse rir, enquanto passava a mão em meu quadril, o que me fez sentir ainda mais dor, e instintivamente o empurrei para longe com toda a força que eu tinha naquele momento, ele pareceu surpreso por um momento, mas logo voltou ao que estava tentando fazer, o que me fez revidar.

-Fique quieto! estou tentando ajudar - Disse ele quase rosnando, o que me fez parar por um momento e tentar ver o que ele estava fazendo, e foi naquele momento que vi um pano em volta do meu quadril, não só nessa regiao, mas também em meus braços e pernas, e uma atadura enorme que cobria toda a região do tórax e parte do abdômen.

- Você parece tão surpreso quanto eu quando te achei - Disse o homem mais uma vez, e logo o retruquei.

- Me achou? não foi você quem me atacou?

- Pra estar falando uma bobagem dessas você não deve ter visto o cara.

- Desculpas mas...a pessoa que me atacou usava uma arma - minhas palavras o fizeram calar por um momento, ele parecia pensativo antes de falar mais alguma coisa.

-  Você não é daqui né? - Disse o homem enquanto puxava uma cadeira para se sentar.

Naquele momento eu não sabia o que dizer, não havia razão para confiar naquele homem, decide apenas ficar calado.

- Se não quer falar então tudo bem, mas não me venha fazer acusações sobre algo que você não sabe, você só está vivo agora graças a mim. Como você pode ver, sou apenas um ferreiro, e armas faz parte da minha produção. 

- Então como me encontrou? Quer que eu acredite que estava passeando no meio do nada e por acaso me achou?

- ....Se quer mesmo saber, eu estava no mercado comprando ferramentas novas, quando ouvi alguns homen se vangloriando por terem feito seus cães caçarem um homem nu na floresta, falando sobre o quanto foi engraçado, ouvir aquilo foi um absurdo devo admitir, um homem pelado? Sério? Tinha que ver isso, pensei eu né,  mas...se o que eles falaram era verdade, não podia deixar alguém assim morrer, então decide ir até a floresta dos perdidos, e te achei. Sei que pode parecer absurdo, mas ninguém aqui é louco o suficiente para ir lá sem motivo, a não ser que queira saquear alguém..eer...perdido! Só quem não pertence a esta região vai aquele lugar.

 Suas palavras me fizeram pensar por um momento, eu queria acreditar nele, mas o fato dele possuir armas me intriga, nao tenho certeza se acredito que é ele quem as produz, pensei que armas fossem exclusivamente do Éden, então o que faria isso aqui em Cohbin? Analisei o homem mais uma vez, ele não tinha nada de uma criatura humanoide, assim como deveria ser nesse mundo, isso com certeza me deixou confuso, desde que nasci, aprendi que os humanos e os monstros viviam em mundos diferentes, e que era nosso dever proteger os humanos de toda criatura que invadisse o Éden e tentasse controlar suas mentes ou machuca-los fisicamente, seria ele um monstro que se vestiu de humano para roubar estas armas? Eu não me contive mais com estas perguntas que não paravam de surgir em minha mente, mas antes que eu as fizesse ele me interrompe.

- Você parece ter muitas perguntas para me fazer, porque não comemos um pouco? Desde que te trouxe para cá você nem sequer havia aberto os olhos, deve estar faminto

- Por quanto tempo estive apagado?

- 6 meses

- O QUE?! TUDO ISSO?

- Não, estava só brincando com você há há!  Sempre quis fazer isso, desculpa. Mas acho q foram 3 dias. A propósito, você veio de qual região? Estava fugindo? Vi os machucados nas suas costas, por acaso estava sendo escravizado ou algo do tipo? - Disse o homem enquanto levantava me oferecendo ajuda para que eu pudesse me sentar, ele estendeu os braços em minha direção e me abraçou, erguendo meu corpo lentamente para a frente enquanto virava minhas pernas para fora, tudo em uma única manobra.

- Eu não sou daqui, e muito menos fui um escravo - houve um breve silêncio por um momento até o homem retornasse com duas tigelas, ele se sentou na cadeira novamente e me entregou uma delas, e assim prosseguindo com mais perguntas.

- Então você veio da terra? 

- Terra? - O homem pareceu confuso com a minha pergunta, ele apenas riu, mas logo voltou a ficar sério, olhei para a tigela que ele havia me entregado, eu não sabia o que fazer com aquilo, tinha coisas flutuando em um líquido de coloração suspeita, parecia lama, podia sentir o cheiro sem precisar aproximar meu rosto a tigela, mas não tinha cheiro de lama.

- O que isso? - perguntei enojado

- Desculpa se não é Filé Mignon,  mas é o que tem pra hoje - Ele disse parecendo um pouco aborrecido, mas sua resposta só me gerou mais dúvidas, decidi que seria melhor observar seu comportamento em relação a tigela, e fiz exatamente o que ele fez, aproximei a tigela até minha boca e virei, despejei tudo em minha boca e engoli o mais rápido que podia para que tudo aquilo nao caisse sobre mim, o homem me olhou espantado e se engasgou com seu próprio conteúdo.

- Você nunca tomou sopa?

Antes que eu pudesse dizer algo, logo sinto enjôo, minha barriga dói, o cheiro da "sopa" piora meu estado fazendo corpo contorcer involuntariamente para a frente, o movimento repentino faz meus machucados doerem, eu olho aflito para o homem, e de repente meu corpo repete o movimento, e dessa vez expeli todo aquele conteúdo, o homem estava em choque e correu diretamente para a sala ao lado sem nenhuma explicação, eu podia ouvir algumas tigelas, talheres e panelas caírem, armários serem abertos e fechados com brutalidade, pouco tempo depois o homem retorna com um pano e um copo com água, entao ele despeja a água no chão e joga o pano por cima, houve um momento de silêncio até que ele começasse a falar.

- Afinal o que você é?!!  - Disse o homem com um sorriso meio torto, que mais parecia nervoso, eu hesitei um pouco mas acabei falando tudo sobre mim e como acabei parando neste mundo, ele não pareceu acreditar no começo, mas acabou cedendo e  disse algo como "pra não gostar da minha sopa com certeza não é humano" acho que era pra ser uma piada.

- Eu sou Hauld, vou fazer 25 anos de vida aqui.

Olhei para Hald da cabeca ao pés, ele não parecia tão jovem.

- 25? Que tipo de criatura é você? para alguém de tão pouca idade você parece um velho de 60 anos, talvez sejam as rugas.

- Espera...eu me expressei mal!! E EU NÃO TENHO 60!! O que eu quero dizer é que vai fazer 25 anos que moro aqui, eu não sou como essas coisas que vivem neste mundo, eu sou humano e nem sei porque continuo aqui,  eles simplesmente não me deixam voltar pra terra.

Humano? Cohbin não foi feito para os humanos viverem, essa "terra" que ele tanto fala só pode ser o Éden, o que faz sentido o surgimento das armas, apenas os humanos tem conhecimento de sua produção, mas isso pode mudar...Este homem pode causar um desequilíbrio entre os mundos, o que me faz pensar quantos humanos mais vivem por esse mundo.

- Hey cara, tá tudo bem? Se está pensando na estadia nao se preocupe com isso, sei bem o que é cair do céu sem ter onde morar, pode ficar por quanto tempo você achar preciso, mas que tal um banho agora? Você tá precisando...sério, eu te ajudo a ir até o banheiro se preciso..mas SÓ isso.

Hald mais uma vez me ajuda a levantar,essa é a primeira vez que recebo a ajuda de um humano, o que é estranho pra mim, antes eles não eram capaz de sentir minha presença, eu estava sempre ao lado deles, mas eles nunca podiam me ver...eu definitivamente sou um anjo caído agora, esse é único motivo pela qual ele pode me ver, mas pelos menos eu sou bem vindo em sua casa.


Notas Finais


Olá leitores, se notaram a comparação da terra com Éden feito pelo personagem, quero esclarecer que conheço as palavras da bíblia, porém decide tornar o Éden mais que apenas um jardim, abraços.


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