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História Incompatíveis (snowbarry) - Capítulo 24


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Notas do Autor


Boa leitura💜

Capítulo 24 - Luto II


Fanfic / Fanfiction Incompatíveis (snowbarry) - Capítulo 24 - Luto II

Narrado por Barry Allen

É difícil descrever nossos sentimentos quando nosso peito parece ser apenas uma grande sala vazia. Não havia nada ali. Nem raiva, nem tristeza, nem medo. Tudo que pensei que sentiria naquele dia, apenas desapareceu dando lugar ao nada.

Perdi a conta de quantas horas havia perdido sentado naquela cadeira, com os pés sobre a mesa e olhando fixamente o retrato de minha tia, uma pintura enorme que ocupava boa parte da parede.

Tia Elizabeth poderia ser durona, muitas vezes insensível. Mas ela era a mulher que me criou. Que me ensinou a diferença entre a esquerda e a direita e que me ajudou a escolher a roupa perfeita para meu primeiro baile. Era a mulher que se sentava na cama ao lado de Ralph até ele adormecer, e depois beijava minha testa.

E por alguma razão eu esqueci isso tudo. 

Apenas deletei todos os anos da minha infância após o falecimento dos meus pais, e permiti a mim mesmo recordar apenas os anos da minha adolescência.

Em que minha tia precisou segurar as rédeas e ser dura para que eu não me tornasse um libertino sem nenhuma responsabilidade.

Como eu pude ser tão insensível com ela por tantos anos?

De repente meu peito se encheu de algo: arrependimento.

Enquanto tia Lizzie me fez marchar como qualquer outro jovem em uma academia militar, me fez ter disciplina suficiente para me tornar o general de uma das maiores legiões de soldados da Inglaterra.

Enquanto ela me forçava a estudar dezenas e dezenas de idiomas, me preparava para ser um dos melhores diplomatas de Londres.

E enquanto me forçava a casar com uma indígena desconhecida, me arrancava das garras astutas de Íris e me entregava de presente a melhor esposa que poderia encontrar.

Tudo que ela fez, sempre fora para meu bem. Para que eu fosse alguém de quem meus pais se orgulhariam, e eu jamais vi isso.

Estava ocupado demais questionando e fazendo birra por cada ordem, para agradecer a ela por ter me tornado o homem que sou.

– Alteza – o chamado veio da porta do escritório que costumava ser da rainha– Sua presença é solicitada no sala real de reuniões.

Assenti em silêncio. 

Não era nada agradável comparecer a reuniões enquanto ainda nem havia conseguido entender como aquilo havia acontecido tão repentinamente.

Mas o dever me chamava.

●------■------●

A sala tinha uma enorme mesa redonda de carvalho branco. Haviam cadeira suficiente para que todo o Parlamento se acomodasse. 

Haviam apenas dois lugares vagos, frente a frente. Suspirei e me sentei sem dizer uma palavra enquanto era encarado por todos os homens presentes.

– Meus pêsames, alteza – disse um dos velhos cujo o nome eu tinha certa dificuldade para lembrar.

Eu não conseguia encontrar palavras. Ainda continuava oco por dentro, sem nenhum pensamento ou sentimento. Apenas desejava dormir...isso, dormir e esquecer aquilo por algumas horas.

– Lorde Wells? – disse Nicholas Clanderstrick assim que a porta se abriu atrás de mim. Harry caminhou até o lugar vago a minha frente em completo silêncio.

– Minha esposa não está em condições de comparecer a essa reunião – falou ele com tom severo. Eu o conhecia bem suficiente para saber que estava se controlando para não voar nas gargantas de cada um ali – Por isso me deu total autoridade de tomar seu lugar.

Um dos homens abriu a boca para protestar, quando Nicholas o fuzilou com um olhar rude.

– Aceitamos a decisão da princesa – disse ele olhando com rispidez para o colega que se acomodou contrariado.

– Suponho que possamos começar então – disse o líder do grupo, Sr. Albernaty, se colocando de pé – Temos cerca de duas semanas no máximo para coroar o novo soberano.

Harry e eu nos olhamos. Não estavamos nem um pouco empolgados para aquela discussão.

– Como todos os presentes sabem, a princesa Tessa renunciou seu direito ao trono para a filha, Jesse há dez anos – disse Albernaty – Mas como fomos informados, a Srta. Chambers fugiu do país há alguns dias.

Harry se moveu desconfortável na cadeira e manteve a cabeça baixa.

Me perguntava como estava sendo para ele e Tess. A fuga da filha acompanhada da morte de tia Lizzie, deveria estar os matando por dentro.

– O que nos deixa uma única opção – disse Albernaty me direcionando o olhar – O príncipe.

Meu estômago se embrulhou. 

Apesar de crescer me preparando para aquela casualidade, eu não estava pronto para aquilo. Não estava sequer feliz com a idéia. Era assustador.

– E aí mora nosso problema – completou Lorde Albernaty. Franzi a testa assim como Harry que olhou para mim e para ele em seguida.

– A rainha preparou Barry desde a infância para que ele fosse o rei – disse Harry – Estão dizendo que a rainha errou em suas escolhas?

– Não, em hipótese alguma, meu lorde! – disse o Duque Potts.

– O problema real – disse Clanderstrick com toda sua classe e calma – É sua esposa, alteza.

Cerrei os punhos. Entendi. 

– Mesmo tendo sido batizada, a princesa nasceu em solo pagão – disse Albernaty – Ela é...

– Se disser selvagem – falei baixo mas grave suficiente para soar ameaçador – Juro que lhe corto a língua, senhor.

Era a primeira vez que eu me manifestava, e todos me olharam surpresos com aquela agressividade. O silêncio dominou o lugar por alguns segundos, antes de o homem seguir.

– Me perdoe, alteza – disse gaguejando – Minha intenção nunca foi ofender sua esposa.

– A questão mais forte aqui, alteza – disse George Andrews, o mais jovem e também mais arrogante membro do Parlamento. Tinha 23 anos, e um péssimo temperamento. Ele me olhou nos olhos com total desprezo como se não fosse eu o que estava prestes a se tornar o rei dele – É que se correr a notícia de que colocamos uma pagã no trono, perderemos aliados e talvez ganhemos até inimigos. Nossas rotas comerciais seriam afetadas, nossa economia despencaria e todo o país iria ruir... por causa de uma simples mulher... selvagem.

Não consegui reagir de outra forma a não ser me colocar de pé num salto e calcular todas as formas de matar George sem sunar o tapete. 

Quando avancei sobre ele, Nicholas se jogou na minha frente e me segurou.

– Limpe sua boca imunda pra falar da minha esposa! – gritei apontando o dedo para o rosto do loiro que parecia se divertir com aquilo. Todos se alvoroçaram enquanto eu continuava buscando chegar a ele.

– Chega! – gritou Harry batendo na mesa. Respirei fundo e parei olhando para eles. Contei até dez cerca de quinze vezes na tentativa vã de diminuir a raiva. 

– Caitlin é sobrinha de sangue da rainha da Escócia – falei – Escreverei para ela e pedirei que nos envie algum documento comprovando a ascendência nobre da minha esposa. 

– Então isso é um sim? – perguntou Harry me olhando nos olhos. 

Encarei todos em silêncio.

Aquilo mudava tudo. Meu futuro, o de Caitlin, do meu filho que estava no ventre dela. 

Não era como aceitar o cargo de general. Não eram apenas algumas centenas de soldados, era um país. 

Engoli em seco sentindo os arrepios percorrerem meu corpo. Tia Lizzie havia me preparado para aquilo a vida toda, mesmo eu jamais tendo notado. Mesmo Jesse estando a frente, minha tia sabia que seria eu. Mas jamais dei ouvidos a ela.

E agora estava a um passo de receber a coroa que jamais almejei. Mas precisaria aceitar.

– E temos outra opção? – eu disse. Dei as costas e me retirei da sala.

●------■------●

Quando parei diante de casa, ela estava quase toda escura, com exceção das lamparinas externas, iluminando o jardim. Observei por uns instantes. 

Por pouco tempo tive a chance de me iludir, acreditando que criaria minha família ali. Que daria a Caitlin uma vida calma no campo, que teríamos nossos filhos correndo naqueles jardins.

Mas no fundo eu sabia que não fora criado para esse tipo de tranquilidade. Eu fui educado, moldado e ensinado para ser um rei, e ali estava o propósito da minha vida.

Mas e Cait.

Ela não se adaptaria fácil, e fazê-la passar por mudanças tão repentinas repetidas vezes poderia ser considerado até cruel.

Suspirei profundamente e caminhei até a casa. Ao entrar, percebi que nem mesmo os empregados estavam acordados àquela altura da noite.

Percebi que estava escuro, então puxei uma lamparina que ficava na mesinha ao lado da porta e acendi antes de andar na direção do andar de cima.

Passei pelo corredor silnciosamente até chegar ao meu quarto. Tomei todo o cuidado de abrir a porta devagar o suficiente para que não acordasse Caitlin.

E lá estava ela. Dormindo como um anjo, com uma vela acesa na mesa ao lado. Eu sorri e suspirei.

Apesar de ter tido um dia péssimo, era sempre um consolo olhar para ela e perceber que, mesmo que o mundo estivesse em guerra, eu tinha minha porção particular de paz.

Soltei a lamparina sobre a comoda e me aproximei da cama. Me sentei com todo o cuidado e tirei os sapatos devagar. Quando ia desafivelar o cinto, senti os braços dela passando e me abraçando por trás.

Eu sorri e toquei suas mãos quentes. Ela apoiou o queixo no meu ombro.

– Como se sente? – ela perguntou.

Pensei em mentir, como fiz para cada pessoa que havia me perguntado aquilo nos últimos três dias. Mas era Cait, e ela jamais aceitaria minhas mentiras.

E eu jamais mentiria para ela.

– Eu estou perdido, Cait – sussurrei. 

Foi como se todos os sentimentos que eu buscava há dias, viessem a tona juntos. A tristeza pela perda da minha tia, a raiva pelo que Íris fez com Ralph, o medo de assumir o trono, o desespero pela fuga de Jesse.

E quando dei por mim, estava chorando. Odiava me sentir vulnerável, mas ali com Caitlin, não queria me esconder. Queria apenas que ela estivesse comigo enquanto eu desabava.

Meu soluços doloridos romperam da garganta e preencheram o silêncio do quarto. E ela apenas ficou de joelhos na cama e me abraçou. Enterrei a cabeça no peito dela e chorei como uma criança.

Solucei e gemi de tristeza. 

Perdi uma segunda mãe. Meu irmão estava com a vida arruinada. Minha prima estava perdida no mundo. E eu seria o novo rei.

– Cait eu... – tentei falar. Tudo que estava preso, tudo que precisava ser dito.

– Shhh – ela sussurrou acariciando meus cabelos – Está tudo bem. Podemos conversar depois... agora apenas chore, Bar. Tudo que precisa.

E eu o fiz. Chorei como jamais havia chorado em toda a minha vida.


Notas Finais


Espero que estejam gostando❤


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