História Incomplete Souls - Jikook - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Cinese


Hoje a atmosfera dos arredores havia amanhecido pacífica de uma forma tão distinta do clima cinzento que havia mascarado o céu no dia anterior e causou tantos aborrecimentos. Mas ainda não havia o brilho do infinito, assim como as nuvens não voltaram a sua condição alvo e não ganhavam forma sobre o vazio. Contudo, os ares do lado de fora não eram um tópico relevante para Jimin, o deixando no máximo pensativo sobre a forma como a primavera parecia distante.

O garoto não é um apreciador dos dias gélidos, nem tampouco gosta do tempo abrasador. Os exageros o aborrecem e por isso não conseguiria definir uma atmosfera agradável mesmo em meio a tantas.

- Conseguiu levar as suas caixas? - uma voz serena atravessou o silêncio que pairava sobre a garagem abarrotada por caixas, revelando a figura paterna que portava seu simples celular em uma das mãos e encarava o filho curiosamente.

- Não todas, falta duas ou três ainda. - Jimin admitiu, estacionando os dedos gordinhos em sua cintura enquanto uma lufada de ar era liberta de seus pulmões, um claro sinal de seu esgotamento.

Já havia feito o mesmo caminho repetidas vezes, indo da garagem para o seu quarto com pesos variáveis sobre as mãos e uma leve exaustão a cada ''viajem''. Antes o loiro pensara que sua mudança era pouca, quase nada, já que nunca fora um acumulador e costuma fazer doações mensalmente com os seus pais. Era quase uma conduta familiar dar aquilo que não parecesse útil mas fosse de tamanha ajuda para outro alguém, além de que sua mãe costuma dizer que coisas não usadas se tornam um atraso na vida alheia por isso se deve as passar para frente.

E hoje, talvez, Jimin havia notado sua acumulação, em meio a resmungos emburrados e pisadas fortes contra o soalho de casa. Não poderia xingar muito alto já que seu pai estava por perto, logo se limitou a praguejar insultos baixinho enquanto se deslocava de um lado para o outro.

- Termine mais tarde, você não precisa fazer tudo agora. - O homem aconselhou quando notara a expressão cansada do filho, logo se foi em direção ao mais novo descansando sua mão inativa nas costas do mesmo. - Se carregar muito peso vai se tornar um velho cheio de dores, acredite em seu pai.

- Não quer que eu me torne igual a você? - Jimin brincou, vendo a feição do mais velho se tornar um misto de indignação e diversão.

- Aish, eu nem mesmo sou velho. - disse convencido, erguendo seu nariz em um ar de superioridade. - Aqui há muita jovialidade, criança petulante.

Jimin se limitou a rir da situação, recebendo como resposta os dedos vigorosos do pai aprofundados em seus fios em uma bagunça intencional. A relação entre os dois é banhada por esse clima brincalhão, fugindo um pouco das cobranças exageradas e indo para um lado mais leve. Suas conversas naturais e as vezes envolvidas num humor tipico é oque Jimin mais aprecia, mesmo que os assuntos possam variar muito e na maioria da vezes sejam ligados a sua adolescência no qual ele pouco se empenha em discutir. O pai com seus tantos anos costuma contar histórias em seus momentos de nostalgia momentânea, relembrando sua inconsequência e imaturidade em situações que o filho nunca nem mesmo chegou perto de passar, como por exemplo o fato de ter matado aula para se chapar um pouco com um baseado, segundo o senhor Jungsu.

As vezes o mais novo se sentia aborrecido com os relatos, mesmo que em alguns ele notasse um certo exagero vindo do mais velho, porém não deixavam de ser interessantes. Lhe parecia muito imprudente certas coisas, mas poxa, Jimin também gostaria de ser imprudente para ter história para contar.

- Sua mãe foi ao mercado e pediu para eu arrumar a cozinha, então como você já conhece a peça sabe que se eu não for logo irei apanhar. - O homem fez uma careta, distanciando-se do filho conforme dava passos para trás de costas. - Vá tomar um ar, descansar, olhar a nova vizinhança...- estreitou seus olhos com um olhar sugestivo. - ...flertar.

E lá estava o Park mais novo totalmente envergonhado, aderindo a técnica de ignorar as falas traiçoeiras de Jungsu conforme o homem continuava a se afastar sem retirar seus fixos olhos da figura jovem. Por pouco o homem não caiu em uma caixa no meio do caminho, o que o fez xingar baixinho e ameaçar chutar a mesma por causa da dor que essa lhe causou na batata da perna.

- Daqui a pouco a "chefe" está em casa, melhor se apressar ou já sabe. - Jimin alertou o pai, o vendo revirar os olhos em concordância.

- Não vou deixar homem nenhum coçando o rabo. Ou ajuda em casa ou vai pra rua. - Jungsu proferiu após afinar a voz, na tentativa de imitar o tom da esposa enquanto cruzava a porta que dá acesso para o interior da residência.

Jimin solitariamente riu fraco, considerando que a ideia de dar uma pausa não era tão ruim. Já havia cumprido mais da metade de sua obrigação, então o que iria lhe custar alguns minutinhos quieto.

Após varrer com suas mirantes o espaço abarrotado resolveu ir para o lado exterior da casa, deparando-se com algumas pessoas regando seus jardins, outros brincando em seus quintais e mais alguns bisbilhotando a vida alheia. Não considerou a nova vizinhança incomum, nem mesmo se incomodou com os olhares invasivos das senhoras que tricotavam na casa da frente e conversavam algo um pouco alto.

Talvez pela amenização das temperaturas havia mais pessoas para Jimin observar, assim como havia mais pessoas para observa-lo também.

O vento que ontem faltava o empurrar para longe hoje estava mais receptivo, impulsionando para trás as madeixas loiras e lisas. Já faz um certo tempo que não muda o tom de seus fios claros, pensando em os deixar crescer um pouco mais para fazer isso, mas ainda não tem tanta certeza. De qualquer forma ainda tem muito tempo para pensar sobre, por isso sua única preocupação por agora era a de não engolir pedaços de flores enquanto a brisa soprava contra si.

- Irá matar as senhorinhas com essa sensualidade.

Uma voz grave e um tanto distante se sobressaiu em relação a ocupação de Jimin, o fazendo correr os olhos de maneira curiosa pelo entorno com as mãos prendendo suas madeixas. Não tinha certeza se a fala de outrora havia sido dirigida a si, no entanto não o custaria muito buscar o dono de tal pensamento proferido em alto e bom som.

Em seus rastreio demorou em notar alguém que o encarasse e não tivesse mais de 50 anos, porém conseguiu. Havia um garoto de pele levemente bronzeada, cabelos em um tom safira e um olhar penetrante o suficiente para desconfortar Jimin. Ele o encarava com um sorriso dançando nos lábios, e mesmo que estivesse um tanto distante parecia ser possível sentir seu ar galanteador.

O loiro logo engoliu a seco o bolo em sua garganta, notando os passos do desconhecido em sua direção em uma aproximação lenta. Os cabelos claros sendo levados pelo vento enquanto não abandonava sua pose ereta, superior até demais para alguém que aparentava ser novo. Quando já estava próximo o suficiente, Jimin o encarou desconfiado, observando o modo como foi queimado pelas lumes escuras no qual se fixaram em si.

- Você parece um bolinho de arroz. - pronunciou o desconhecido, com sua voz grave e intimidatória se colocando em prova.

- O-oque?

- Você é surdo, amigo? - disse com uma careta em confusão.

- Deixe o menino em paz, Taehyung. Está o assustando - Uma menina que acompanhava a cena se intrometeu enquanto segurava uma xícara de chá em uma das mãos. - Por que tem que fazer isso com todos os vizinhos novos?

Jimin que não entendia nada agora estava ainda mais perdido.

- Por quê você tem que acabar com as brincadeiras que eu faço? - Taehyung se virou na direção da garota na casa vizinha, cruzando seus braços em uma pose birrenta. - Porra, se a brincadeira não é com você deveria ficar calada, não?

A recém repreendida o encarou com os olhos cerrados, como se estivesse prestes a mirar sua xícara no mesmo mas não tinha coragem o suficiente de a lançar.

- Pode ir fofocar com o seu cabrito, eu não tenho mais ânimo para brincar. - O garoto a dirigiu um revirar de olhos, dando as costas para a mesma quando ela ameaçou começar a falar. - Mas que menina chata, meu pai do céu faz o cabrito comer a cabeça dela.

Jimin ainda não estava compreendendo a situação totalmente, mas pensara que o garoto de fios claros estava prestes a fazer alguma brincadeira consigo antes de ser interrompido. Curiosamente quando havia o avistado pela primeira vez pensou que o mesmo exalava um ar de soberania, mas agora com um bico emburrado moldando seus lábios notou o quão infantil o garoto poderia ser, semelhante a uma criança quando não ganha aquilo que deseja.

- Ela tem um cabrito? - perguntou com a voz levemente receosa.

Jimin não sabia se estava realmente curioso sobre ou se apenas queria animar o outro com sua pergunta repentina, mas de qualquer forma conseguiu uma risada fraca para o seu questionamento.

- Tem, mas eu acho que é o próprio demônio. - o outro sussurrou como quem contasse um segredo. - cuidado viu, ela é a sua vizinha.

Jimin que forçadamente riu da fala do outro acabou por se encolher um pouco quando o ouvira dar uma gargalhada espalhafatosa, colocando suas mãos em frente a barriga e chamando a atenção do loiro que notou a vestes formais demais.

Diferente das roupas casuais da maioria, Taehyung vestia um terno xadrez deveras chamativo e nos pés sapatos sociais de couro. Seu gosto peculiar diante dos outros era notório, mas se tornara impossível dizer que estava mal vestido com as peças bem modeladas em seu corpo. Era sim muito formal, mas Jimin apenas pensou que o garoto estava daquela forma por causa de algum compromisso.

- Então, você é novo por aqui - O de madeixas claras pronunciou após se recompor - Eu sou Kim Taehyung, mas me chame de Tae.

- Jimin. - apresentou-se, fazendo um tímido aceno. - Você deve morar por aqui, certo?!

- Sim. Desde os meus 10 anos vivo nesse bairro e o conheço bem até demais... - A voz de Taehyung soou um tanto entediada, mas ele não se deu a chance de permanecer na mesma pose. - Eu moro quase que na sua frente.

Aquele de maior estatura se colocou ao lado de Jimin conforme indicava uma casa de tintura clara e tamanho razoavelmente grande. Era inegável que a construção estava bem conservada além de ter um vasto jardim chamativo na entrada, mas Jimin não se ocupou em avaliar muita coisa visto que Taehyung voltou a ficar a sua frente com um belo sorriso branco.

- Hei Jimin, o que acha de dar uma volta para conhecer seu novo lar? - O Kim sugeriu com suas mãos unidas frente ao corpo. - Prometo não sequestra-lo.

Aquele de madeixas loiras o olhou um tanto receoso, afinal não sabia bem se era seguro se locomover pelas ruas desconhecidas enquanto tem seus deveres em casa para fazer. Mas Jimin já havia passado longas horas de sua manhã encarcerado na garagem, indo e voltando com seus pertences no qual a maioria já havia sido muito bem localizado no novo quarto, então qual seria o real problema em apenas prolongar seu tempo de pausa?! ele poderia terminar suas obrigações quando voltasse, além de que não julgou a ideia de sair um pouco ruim.

- Não desista de mim, eu posso ter uma cara de estranho mas sou gente boa. - Taehyung insistiu, usando de uma piscadela e um sorriso ladino para convencer o outro.

Jimin soltou uma risada fraca, concordando.

- Vamos sim, mas eu só não posso demorar em chegar em casa. - advertiu com seu indicador na direção do Kim.

Taehyung rapidamente assentiu, segurando o pulso de Jimin e o puxando para correr consigo nas calçadas estreitas do casual bairro. O passeio dos dois era similar a uma passeata de guia turístico, visto que aquele de fios azuis indicava para o outro cada localidade que definisse como importante na região enquanto os arrastava de um lado para o outro sem se afastarem muito do pontos centrais que são as casas de ambos. Felizmente havia diversão em meio a cada conversa e risada, o que se tornara muito natural até para Jimin que tem suas limitações com desconhecidos quando o assunto é socialização

É uma espécie de timidez no qual aos poucos ele se liberta, mas dificilmente o loiro é quem toma a atitude de puxar papo com alguém, por isso esse seu jeito era como uma maldita jaula no qual se obrigava a entrar constantemente. Mas agora que estava com Taehyung não tinha de pensar nisso, visto que sua companhia era naturalmente agradável e espontânea, chegando a se enfiar em um falatório sem fim que Jimin julgou como divertido e engraçado depois de algum tempo no mesmo clima.

Sinceramente estava se sentindo muito feliz em seu passeio, seguindo as explicações desajeitadas do mais novo conhecido e rindo a cada murmuro do mesmo quando esse acreditava ter manchado seu terno ou os sapatos chiques demais, e foi após uma dessas paranoias que Taehyung levou Jimin ao conhecido café da região, onde ele avisou precisar limpar a manga de seu terno pois dessa vez acreditava ter o sujado realmente. O loiro obviamente o disse para ir logo e ficou esperando no interior do estabelecimento de braços cruzados, sentindo o doce cheiro de rosquinhas de chocolate como havia na vitrine em forma de fotos.

- Eu já disse que vou ir ai, não precisa me ligar de 3 em 3 horas para ver se estou o fazendo de palhaço, porra pai.

Aquele de voz impaciente e pisadas fortes fora o responsável pelo dispersar do clima sereno na cafeteria, atraindo para si os olhares curiosos e assustados dos clientes que o fitavam sem entender a necessidade de tamanho alvoroço. Mas entre aquele número considerável de pessoas estava Jimin, que também fitou o desconhecido barulhento que ainda falava em seu celular ferozmente. Por um segundo também ficou com uma expressão confusa pelo exagero do garoto em conversar tão alto, mas não tardou em reconhecer que aquele mesmo barulhento havia entrado debaixo de seu guarda-chuva no dia anterior.

Jimin de imediato arregalou seus olhos.

Diferente do primeiro dia em que havia o visto o garoto tinha belas ondulações em suas madeixas longas e castanhas, organizadas - ou não - de uma forma totalmente desleixada mas cruelmente muito bonitas. No corpo as roupas escuras e desgastadas eram unânime, causando de algum jeito uma combinação moderada mesmo que fossem deveras chamativas e apavorantes para muitos clientes. E em seu rosto a feição séria aparentava ser permanente, ainda que a garota do caixa tenha o oferecido um educado sorriso que fora totalmente ignorado enquanto esperava pelo troco de seu pedido.

Já Jimin que ainda se encontrava distante e surpreso observou por fim as costas largas daquele que falara ao telefone alto demais, questionando a si mesmo sobre a ideia de se levantar e ir falar com o garoto para obter o cachecol de sua mãe outra vez, mesmo que isso custasse sua pouquíssima coragem e motivação interna. Acabou que entrou em um diálogo mental, passando tempo demais nisso e perdendo qualquer oportunidade de resolver sua importante questão quando não havia mais nenhuma figura de longos fios castanhos e roupas escuras na fila de espera do café. 

Estava chateado, mas repentinamente o loiro sentiu um toque em seu ombro, acabando por acordar de seu avoamento e notando que Taehyung estava bem ao seu lado com uma expressão muito esquisita.

- Se você ficasse parado mais um tempo eu seria obrigado a bater no seu rostinho, ainda bem que acordou. - O Kim disse após soltar um falso suspiro de alívio. - Vamos, temos que voltar antes que fique tarde.

Jimin de prontidão concordou, voltando a ser arrastado mas sem prestar muita atenção desta vez.

Ele realmente havia o visto mais uma vez.



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