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História Indecent proposals - Capítulo 13


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Notas do Autor


A fanfic está de cara nova! Perdão pela demora, não vai mais acontecer.

Capítulo 13 - Um passo pra trás, dois pra frente.


— Bom dia, flor do dia. — Chiara diz olhando para Ana Carolina no sofá, já havia se levantado há um tempo e está com uma xícara de café em mãos. 

— Como eu vim parar aqui? Você me sequestrou ou?... — Brinca, se sentando no sofá. 

— Boa pergunta, você apareceu bêbada na minha calçada e eu achei que seria maldade te deixar no meio da rua. Apesar dos pesares, quer uma xícara de café? 

— Eu quero distância de você. — Dispara, Chiara fica observando um tanto assustada com esse lado rude de Carolina. 

— Não foi o que eu perguntei. 

— É inacreditável que ainda vim dormir aqui... eu não te perdoei e nem vou perdoar! 

— E mais uma vez, não foi o que eu perguntei. Você veio até mim, e nós duas sabemos que mesmo que seja uma "coincidência" ou uma besteira que fez embriagada, pensou em mim pra estar aqui agora. — Diz e Ana Carolina tenta replicar sem sucesso, ela procede. — Agora, voltando à minha pergunta, quer café?

— Tá mesmo querendo remendar isso com uma xícara de café? 

— Não estou querendo remendar nada. Eu respeito sua decisão de querer distância, aliás, consegue dizer na minha cara que não quer mais nada comigo? 

— Eu não preciso falar isso... é subentendido.

— Não precisa dizer isso ou não consegue mentir?

— Nunca vou dar esse prazer pra você. 

— Engraçado usar essa palavra... Não é um prazer pra mim ouvir um "Acabou." da mulher que eu amo. — Fala sem pensar e toma um gole do café da xícara que estava em suas mãos. — Então, vai tomar o café?

— Me ama? — Ela diz corando. Chiara devolve com um sorriso. 

— Ficou tão chateada comigo que esqueceu o que eu te falei há algumas horas atrás? Nossa. — Ela diz e, nessa altura, não espera por uma resposta.

— Disse mesmo isso pra mim? Saiu da sua boca? — Ela não crê que é real, cogitar a ideia de que Chiara a ama é algo inconcebível para Ana. — Irreconhecível...

— Realmente, irreconhecível. E já que estamos falando dessa besteira sentimental, me odeia não é? Pode admitir. — As duas ficam em silêncio, Chiara bebe outro gole do café preto que está em sua xícara e abaixa a cabeça. — Já que vamos ter um fim, que seja digno. Fala a verdade, Ana Carolina Sousa.

— É pra dar risadas... — Fala em tom de deboche, mas logo volta ao tom sério. — Você aqui me falando de verdade... Que comédia.

— Nunca menti sobre meus sentimentos pra você ou pra ninguém. Mentiu sobre os seus? — Ela instiga.

— Eu não sou de mentir, muito diferente de você, Chiara. — Ana quis fazer com que isso soasse como algo bruto, mas sua voz falha ao falar o nome de Chiara. — Ainda há coisas que... Quer saber? Não importa o que eu sinto.

— Se não importa o que você sente, por que tá sentada no sofá da minha sala, falando comigo e fingindo não sentir nada? — Contraria Ana, ela fica paralisada. — E sabe de uma coisa? Pouco me importa ficar com você ou não, com o tanto que não te faça ficar tão chateada. 

— Não finja uma coisa dessas. — Diz, ela fecha os olhos. Sente as lágrimas vindo. — Pelo menos me fala a verdade...

— Estou falando, eu tenho coragem pra isso. Não chore, isso me machuca muito. — Muda a expressão, sente um peso enorme nas costas. — Se as coisas não fossem como são...

Ela para por um instante, os olhos de Ana Carolina se abrem e enxergam apenas Chiara. Não sabia parar de olhar pra mulher em sua frente. Um silêncio gritante toma conta da sala.

— O que as coisas têm?... o que faria se fossem diferentes? 

— Te daria um beijo. — Fica envergonhada. — Te daria mais de um beijo, dois, três... quantos você quisesse. 

— Mas elas são como são, não é? — Ana Carolina fala baixo, como se estivesse pedindo algo. Chiara fica em silêncio e ela continua. — Não é?...

— O que você quer que eu admita? É claro que são como são. — Solta de um jeito bruto, ela rapidamente muda o tom e prossegue. — O que faria se fossem diferentes, Ana?

— Por que estamos idealizando isso? Não vai resolver nada... Não vai mudar o que fez comigo. A mentira não vai deixar de existir. — Ela desabafa. — Tá tudo uma bagunça.

— Pensei que eu te ajudasse a arrumar essas bagunças. Eu quero continuar ajudando. — Ela confessa e fica mais que óbvio o sentimento real que existe ali. — Vou sentir saudade, muita saudade.

— Eu não sou mais um dos seus casos?

— Se você fosse, eu não teria chorado pela ideia de não te ter mais. — Diz e pensa que seria melhor ter se calado. 

— Chi... — Fala de um jeito involuntário, é o apelido que deu pra jornalista. 

— Hm?

— Jogaria tudo pro ar por mim?

— Eu nem tenho o que jogar, mas se tivesse, jogaria. — Respira fundo. — Você jogaria, Ana?

— Eu estava mais que disposta a fazer isso... — Levanta a cabeça e volta atrás no que diz. — Ainda existe um mundo lá fora...ainda têm coisas que são mais significativas que essa nossa história.

— É um ponto final? — Chiara diz com um semblante triste.

— Há coisas que eu não posso mudar... mesmo que eu sinta tudo isso, não dá pra mudar. — Ela derrama nessas frases os sentimentos mais reais que já havia sentido por alguém, esquece da dor. — Talvez devêssemos esquecer.

— Esquecer? Jogar isso fora como um nada? — O coração das duas acelera. — Você prefere o "e se..."?

— Não é sobre o que eu prefiro, fora as suas bobagens e essa personagem que você criou, eu ainda estou casada, tenho um trabalho e...

— É isso? Você gosta do seu marido? — Chiara corta Ana Carolina, sabia a resposta dessas perguntas mas queria que ela as respondesse. — Se for a situação, eu te esqueço. Sem recaídas.

— Faz tempo que não é dele que gosto, na verdade, acho que nunca gostei. — As pontas soltas serpenteiam em sua mente. — Mas ainda sim, errei com ele mais de uma vez. O nosso "Nós" é mais um desses meus erros. 

Os olhares se cruzam e Chiara não consegue responder, uma parte dela clama por uma resposta que fizesse aquilo tudo sumir, enquanto outra tremia e fraquejava. As duas ficam impotentes, amedrontadas e de certa forma, com medo.

— Para com isso. Eu estou aqui, me dá só mais uma chance. — Responde, o tom muda e vira uma mistura de nervosismo e altruísmo. — Só essa, Ana.

— Pra continuar sendo minha amante? Pra me falar "eu te amo" escondida?

— Escondida não... Nem que tivesse que fugir contigo, ou dar um passo de cada vez. — Propõe de um jeito arriscado, sem medo de consequências. — Tudo no nosso tempo. 

— Eu quero te dar...

— Então dê. Me deixa tentar cuidar disso tudo. — Ela pede com a voz doce, se aproxima de Ana Carolina. — Se é por não acreditar mais em mim ou ter medo daquelas fotos... Apaguei tudo. 

— Se fosse "só" isso...

— O que tem além disso, Ana? — Ela senta ao lado da médica, esta não nega a aproximação. 

— Um mundo de coisas. Como eu vou ter cara pra me divorciar, esquecer todo o ciclo de pessoas que eu conheci pelo meu marido, trabalhar e acabar com a minha pouca reputação? — Chiara fica em silêncio ouvindo-a desabafar, Ana Carolina fica gesticulando. — Como eu vou carregar esse peso sozinha, como vou levar esse mundo nas costas? 

— Se me der a chance, eu te garanto que não vai ser sozinha. Vou estar do teu lado pra juntar os cacos, se permite fazer isso por nós duas? 

— Chiara, você não tem apreço pelas coisas que têm? — Pergunta e Chiara fica quieta por um instante.

— Fazia tempo que eu odiava tudo... o insuportável do meu chefe, meus colegas do trabalho, essa casa, eu mesma. Não me importo em abrir mão dessas coisas... devagar ou não.

— Então você não me entende. — Constata triste. — Não é como se isso não fosse importante...

— "Isso"... Nós somos uma coisa pra você? — Fala entristecida. Ana Carolina trava e fica calada por um tempo, Chiara fecha o rosto porque esperava muito por uma resposta. — O teu silêncio me mata. Você está certa, seu mundo de coisas é mais importante que "isso".

As esperanças vazias de Chiara morrem no silêncio de Ana, sente-se presa em si e não arrisca uma tréplica para os próprios argumentos. Paralisadas ali, presas num instante, olhar, segundo, Chiara nega para si os próprios sentimentos. Se sente burra, inocente como um adolescente...

— Vou dar passos pra trás se me declarar... vamos, eu não quero quebrar você. — Fala Ana Carolina, tentando acalentar a mais nova. — O nosso "Nós" é mais importante pra mim do que você pode imaginar. 

— Pode pelo menos pensar no meu caso? — Chiara diz meiga, é o mais perto de um pedido de desculpas que já tinha chegado. 

— E o que você me propõe?

— Continuar me irritando com as comparações que você faz quando eu falo estranho, — dá uma risada — ouvir as milhares de coisas que você tem pra contar e aguentar sua lua em gêmeos.

— É só isso? — Não consegue segurar a risada de deboche.

— Claro que não, Ana Carolina. — Fala descontraída. — Tem mais, mas você só vai descobrir se falar sim...

— Mesmo? Vai fazer isso tudo? — Diz cética 

— Sim, eu prometo não descumprir. Se dou minha palavra, é real. — Muda o tom pra algo mais sério, fica em seu estado normal. — Então?

— Devagar... Eu quero fazer funcionar de um jeito devagar. Sem exageros. — Diz e Chiara concorda com a cabeça. — Sem tantas loucuras...

— De acordo, então. — Ela aproxima sua mão da de Ana, que estava acessível. Ana Carolina se afasta, Chiara se assusta com a ação e continua — o que foi? Não estamos bem?

— Não dá... Eu vou pra casa. — Chiara fica confusa, não entende a mudança repentina. — Não me liga, por favor...

— Vaffanculo, Ana Carolina. O que é isso? — Dispara sem compreender as ações esquisitas da médica. — O que eu fiz errado?

— Tudo. Eu vou embora daqui... — Se levanta e checa o celular no bolso, Chiara fica tão confusa e assustada que não se move. 

— Nós não íamos devagar? Eu posso ir na sua velocidade, Ana! — Diz desesperada, em um sopro de coragem. 

— Não. Não funciona. — Ela fala e a cena de sair correndo da casa de Chiara se repete. 

Algumas ações precipitadas, medo e pavor da dor levaram Ana Carolina até aquele momento. Muitas questões são levantadas por ela, seria tudo manipulação? era realmente amor? E muitas outras perguntas.

Continua...



Notas Finais


O próximo (e último) capítulo sai amanhã! Vem aí.


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