História Indestructible - Capítulo 12


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Categorias Fifth Harmony
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Palavras 7.888
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!
SORRY pela demora amores, mas ando muito, muito muitooooooooooo ocupada e cheia de trabalhos enfim...
O capitulo de hoje é grande parte narrado pela minha crush, srta.Maia <333333
Enfim, ele é muito importante para os próximos acontecimentos, então leiam com atenção.
Não vou enrolar mais, boa leitura!!!
AAAAAA, mandem para amiguinhos, que podem gostar <3

Capítulo 12 - Surpresas


Surpresas.

Pov Mayra Harris.

Adentrei a recepção da Harris Industry e segui feito um furacão para o andar presidencial. A notícia do roubo nas contas de minha empresa, me pegou desprevenida me deixando com muita raiva. Sempre confiei em quem trabalhou comigo, nunca contratei alguém que não fosse de minha extrema confiança e ser roubada assim, na rasteira, por alguém que provavelmente tem conhecimento de minhas contas, é de se ficar frustrada.

As portas do elevador se abriram no andar presidencial, e eu andei sobre meus saltos finos até minha sala. Já era final de expediente e o número de funcionários era bem menor. Eu já estava despojada, sem meu blazer, apenas minha blusa social preta de manga, que estava dobrada nos cotovelos e meu cabelo um tanto bagunçado em um coque não tão bem feito.

-Me explique o que aconteceu Dylan! –Falei ao entrar em minha sala e sentar na minha cadeira.

Estavam naquele local o Dylan, a Tici, a Alexa e o Stiles que estava aparentemente nervoso.

-Eu não sei muita coisa Mayra, mas ao que parece, alguém fez uma retirada de dois milhões de dólares da conta da Harris Industry.

-COMO ISSO ACONTECEU?! –Gritei. O homem passou a mão em sua testa tirando o excesso de suor. Talvez estivesse nervoso com tudo isso.

-Eu estava fazendo uma varredura no sistema, quando o vírus espião que eu estalei detectou uma transição com uma fonte camuflada.

-Quer dizer que não sabe de onde fizeram isso?

-Não. Parece que a pessoa sabia do meu vírus.

-May, isso é muito grave! –Falou a Tici. –Não podemos deixar passar.

-Eu não vou deixar passar! –Disse. –Dylan, como fazemos para descobrir para onde esse dinheiro foi?

-Eu precisaria de um tempo. –Falou ele fazendo uma pausa, olhando para todos que estavam na sala. Ele engoliu seco. –Eu preciso pensar em uma alternativa.

-Como precisa pensar Dylan? Você é perito em sistemas! Devia ter a resposta que inferno! –Praticamente gritei.

-Calma May! –Disse a Tici.

-CALMA? –Falei. –Eu estou sendo roubada Ticiane, e você quer que eu tenha calma?

O clima pesou. Todos estavam muito nervosos ali. A todo instante eu bufava ou xingava céus e terras.

-Sr. Stiles! –Falei.

-Sim, senhora. –Respondeu ele. -Quero que cancele todos os pedidos de licitações até segunda ordem.

-Mas senhora isso seria parar as construções.

-Não posso continuar liberando verba sem antes ter uma segurança em meu sistema!

-Mas senhora...

-Eu estou mandado senhora Stiles, não conteste minhas decisões. –Falei raivosa. Odeio que não me obedeçam. -Srta. Ferrer, quero um relatório completo do financeiro das últimas 24 horas.

-Sim senhora. –Falou a mulher ao sair da sala sendo acompanhada pelo Stiles.

-Isso é uma droga! –Falei jogando meu corpo para trás.

-May, isso já está ficando fora de controle. –Disse a Tici.

Eu ri irônica.

-O que sugere? –Perguntei.

-Vamos acionar a polícia!

-Não, a polícia só irá atrapalhar.

-Eu não penso assim. Tem pessoas qualificadas para grandes casos como esse.

-Eu concordo com a Tici May. –Disse o Dylan. –Eu esperei o Stiles sair da sala, mas eu tenho um plano.

-Porque esperou ele sair? –Indaguei confusa.

-Eu não confio muito nele. Ele passou o dia nervoso e agitado. Sei que ele é um pouco desequilibrado, mas hoje ele estava diferente. –Explicou o rapaz.

-Acho que ele pode estar fazendo essas movimentações?

-Ele tem acesso as contas, não tem? –Eu fiquei um instante calada.

-Não sei. Ele me ajudou no tempo que mantive minha identidade em sigilo. –Fiz uma pausa. –Mas pensando bem, a Yasmin me contou que quando ela precisou vim aqui buscar os balancetes, ele estava mexendo nos papais. E era um dia de sábado.

-Que cretino! –Falou a Tici.

-Não vamos acusar ninguém sem provas. E ainda não vamos acionar a polícia. Dylan, qual é o seu plano?

 

POV YASMIN

Nova York, 10:30 pm.

Já deveria ser o sétimo ou oitavo episódio que passava na tv, de uma serie qualquer que a Lisa gostava. Estávamos jogadas no sofá de nossa sala. Eu não estava dando muita atenção para a série, na realidade meu pensamento estava longe dali. Mais precisamente na May.

Não sei ao certo se ela ficou bem, ou chateada após eu ter que negar seu convite para viajar com e ela e com o Tom para Miami amanhã, mas infelizmente, eu não poderia aceitar. Prometi a Caroline que passaria o fim de semana com a Alice, a garota anda muito triste e toda aquela atmosfera de hospital a deixava pior, por isso sugerir um fim de semana de garotas, para alegra-la.

Porém, lembrar do quão maravilho seria viajar com a May, me inquietava o coração. Sem contar que a mesma ficou irredutível a ideia de me levar junto, chegando a afirmar que eu iria com ela, mesmo depois de eu ter negado seu convite. Nem conseguir me despedir dela ao fim do meu expediente na empresa, a mesma estava em reunião e deixou a ordem para que buscasse o Tom no colégio. Depois de buscar o adorável garoto, seguir para casa, estava bem cansada.

-NÃO! –Gritou a Lisa consequentemente me causando um susto, fazendo eu derrubar o balde de pipoca, que estávamos comendo junto com brigadeiro, um doce brasileiro que minha avó me ensinou a fazer.

-Que droga Lisa! –Falei. –Você me assustou.

-A Lexa morreu Min, você tem noção do que é isso? –Disse ela fazendo cara de drama.

-Nossa, que ruim para a Lexa Lisa, e para gente que perdemos esse tanto de pipoca! –Falei enquanto tentava juntar a pipoca no chão.

-Meu Clexa morreu! –Fez cara de choro. Eu a olhava com muito tedio. Não sou muito de series, na realidade não tenho muito tempo. –Não me olhe assim! Está estressada, não desconte em mim!

-Eu não estou estressada! Só acho exagero sofrer por serie!

-Nossa Min, você não é desse mundo! –Falou mais dramática ainda.

Eu rolei os olhos enquanto seguia para cozinha em busca de uma pá para limpar o chão antes que a bagunça ficasse maior, quando a companhia tocou.

-Quem será uma hora dessas! –Comentei voltando da cozinha.

-Não sei, se for para mim diga que não estou. Ninguém me tira desse sofá hoje!

-Por Deus! Quanto exagero! –Falei levantando as mãos para o céu.

Andei em direção a porta e abrir lentamente. Já era tarde e podia ser alguém mal-intencionado.

-Você! –Falei surpresa.

-Oi? –Disse a May. Ela ainda vestia a roupa que usava no trabalho, embora sua cara fosse de puro cansaço, mas ela ainda estava linda. Eu sorri ao vê-la. –Não vai me convidar para entrar?

-Oh meu Deus! Desculpe, entre! –Ela sorriu cansada, e ao passar por mim, beijando-me no rosto.

Olhei para o sofá a Lisa nos olhava ainda deitada. Eu a olhei pedindo internamente para que ela saísse dali.

-Boa noite Mayra! –Disse ela.

-Boa noite srta. Smith! Como vai? –Perguntou educada a May.

-Estou bem! E você? –Disse a Lisa.

-Levando, obrigada! –A May me olhou e sorriu.

Ficamos um instante em silencio.

-Ah... –forcei a garganta. –Lisa, pode nos dá licença? –Pedi educadamente.

-Ah não Min! Vai para o seu quarto! –Falou ela voltando a olhar para a série.

Eu não podia acreditar que ela estava fazendo isso.

Olhei para a May, que parecia estar se divertindo com meu nervosismo, pois segurava um riso. Eu neguei com a cabeça, e andei até minha irmã.

-Lisa é sério, por favor! –Falei. –Não faz isso comigo! –Disse quase sussurrando.

Ela me olhou e bufou.

-Por favor! –Praticamente Implorei.

-Você me deve uma Yasmin! –Falou ela ao levantar e seguir para o quarto. –Foi bom te ver cunhadinha! –Disse ela para a May. Eu corei na hora levando as mãos para o rosto.

Só minha irmã para me fazer passar tanta vergonha em um pouco espaço de tempo. A May por sua vez apenas deu uma risadinha.

-Desculpe por isso, a Lisa não tem escrúpulos! –Falei após ela desaparecer no corredor.

-Acredite, eu te entendo. Sei como é ter uma irmã sem escrúpulos. –Eu ri lembrando da Tici, com toda certeza ela falará dela.

-Ah, senta! Eu derrubei pipoca, mas já limpo o chão. –Falei ao sentir a May se aproximar e passar suas mãos sobre minha cintura, que estava um tanto exposta devido a blusa que usava deixar a mostra.

-Não precisa limpar agora. –Disse ela sentando e me conduzindo para que eu sentasse de frente para ela no sofá. Olhei para ela e seu semblante, e era de muito cansaço.

-Você saiu agora da empresa? –Ela suspirou, enquanto buscava minha mão para fazer um carinho.

-Sim. –Disse.

-Aconteceu alguma coisa? Você parece preocupada! –Perguntei um tanto confusa.

-Aconteceu. –Juntei minhas sobrancelhas no centro da testa em sinal para que ela prosseguisse. –Fomos roubados Ya.

-O que? –Falei surpresa. -Como assim?

-Eu estava saindo do hospital, quando fui falar com a Caroline, e o Dylan me ligou falando que alguém retirou dois milhões de dólares da conta da Harris Industry. –Disse ela. Eu fiquei ainda mais surpresa. Foi informação demais para uma frase só.

-Espera, espera. –Disse fazendo sinal com a mão. –Você foi no hospital falar com a Cá?

-É. Bom, fui sim!

-Está bem, e o Dylan ligou dizendo do roubo! May, isso é mal! Mas o que você foi falar com a Cá? –Perguntei ainda um tanto desorientada com tudo.

-Ah, quando eu te convidei para viajar comigo e com meu filho, você disse que não poderia ir por conta da Alice, pois já tinha prometido a minha sobrinha que ficaria com ela. –Falou ela. –E aí, eu fui pedir a pirada da minha irmã que permitisse que a Alice viajasse com a gente!

Fiquei um instante em silencio com um sorriso bobo no rosto.

-Você fez isso? –Perguntei tímida.

-Fiz mal? –Perguntou um tanto receosa.  

-Claro que não! –Falei ao passar a mão em seu cabelo repousando em seu rosto, aproximando meu corpo do dela. –Foi muito importante da sua parte fazer isso. –Disse ao beijar seus lábios. –Eu estou feliz! De verdade! –Beijei novamente.

Ela sorriu.

-É, bom, eu disse que você ia comigo! –Falou convencida abraçando minha cintura.

-O que? A Cá deixou? –Perguntei surpresa. Ela balançou a cabeça em afirmação. Meu queixo caiu em felicidade e supressa. –Serio?

-Não foi fácil, mas eu tenho um grande poder de persuasão!

Eu gargalhei.

-Você é muito convencida Harris! –Disse envolvendo meus braços em seu pescoço. –Fico feliz, muito feliz!

-Eu sei que sim! –Disse ela com um sorriso no rosto.

-Mas nós ainda vamos? Mesmo depois do roubo? –Perguntei.

-Sim! Bom, nós não podemos fazer nada por enquanto. Sem contar que tenho um compromisso de manhã. E, eu ando muito cansada. Preciso descansar. E com você e as crianças, isso vai ser ótimo!

Eu sorrir e a beijei.

-Hm, mas quanto ao roubo? E porque você não me avisou na hora?

-Não te avisei na hora porque você trabalhou demais hoje! Não tiraria seu descanso. –Justificou ela. Eu torci a expressão, típico de quem não concorda com o outro. –A Tici queria acionar a polícia, mas eu achei melhor não. Pelo menos por enquanto. E o Dylan tem um plano. Mas isso deve apenas entre nós quatro. Todos ali são suspeitos, e esse plano não pode vazar!

-Compreendo. E qual é esse plano?

 

***

 

Acordei incrivelmente ansiosa. Para falar a verdade mal conseguir dormir à noite.

Após a visita surpresa da May ontem a noite aqui em casa, depois de ela me atualizar sobre tudo que estava se passando Na Harris Industry e de me informa que iriamos sim viajar, passamos mais alguns minutos trocado beijos e carinhos para então minha mulher se despedir, a contragosto de ambas claro, mas teríamos que acordar cedo pois iriamos viajar logo de manhã.  

-Bom dia! –Disse a Lisa ao entrar na cozinha. –Mas já tão cedo? A visita da toda poderosa dos prédios te deu foi disposição?

Olhei para ela e rolei os olhos. Mas não conseguir disfarçar minha vontade de rir.

-Pensei que ela te deixaria cansada, e não disposta.

-Cala a boca Lisa! –Falei rindo. –Não fizemos nada demais! Apenas conversamos e ficamos um pouco juntas. Estava com saudades dela.

-Nossa! É amor com toda certeza! –Disse minha irmã.

-Porque diz isso? –Perguntei curiosa.

-Vocês passam o dia inteiro se falando e juntas, e quando voltam para casa ainda sentem saudades! Só pode ser amor! –Falou ela e eu ri alto.

-Lisa, você não existe! –Disse tentando segurar minha risada enquanto virava a panqueca. –Bem que poderia me ajudar né! Preciso terminar logo, vou passar no hospital antes de ir para o aeroporto.

-Para o aeroporto? Você vai para onde, posso saber? –Perguntou ela enquanto roubava uma das torradas na mesa.

-Vou a Miami com a May, o Tom e a Alice. –Respondi sem conseguir conter meu sorriso de alegria.

-O que? Então era para isso que a toda poderosa veio aqui ontem?

-Não exatamente. –Falei. –Quando ela me convidou eu disse que não poderia ir.

-Não estou entendendo nada. –Disse a Lisa enquanto me ajudava a pôr as panquecas na mesa para poder começarmos a tomar café da manhã.

-Eu tinha prometida a Alice que iria passar o fim de semana com ela. Só que a May insistiu que eu iria com ela. –Disse me servindo de suco. –No começo eu não entendi, mas ontem à noite ela me disse que foi até o hospital pedir a permissão da Cá para a Alice ir com a gente.

-Nossa! Mas ela não odeia a irmã? –Perguntou ela se entupindo de panqueca com calda de chocolate.

-Sim, elas não se dão bem. –Falei.

-Ah entendi. Por isso esse seu sorriso idiota, não é? –Ela disse eu sorri.

-Sabe Lisa, ela passou por cima do seu ego para ir falar com a irmã por minha causa! –Falei sentindo meu peito aquecer só em lembrar dela.

Sim, talvez eu estivesse muito boba pela May. Mas a essa altura do campeonato eu já não ligava. Eu iria me entregar para a May de todas as mineiras que quiséssemos. Meu maior desejo era ser a mulher dela, e faze-la minha mulher.

-Isso é importante Lisa!

-Eu só espero que a cunhadinha não te magoe, porque se não ela vai se ver comigo!

Rimos e tomamos café regado de muita conversa boba e risadas.

 

Hospital Fox, 8:30 am.

Após Alfred me buscar em casa a mando de Mayra é claro, pois se dependesse de mim, não ocuparia o senhor comigo. Mas a mulher é irredutível quanto a essas coisas e ir contra é lutar sem vitória. Estávamos indo ao hospital buscar a Alice e fazer uma visita a Caroline. O carro luxuoso de Mayra adentrou o estacionamento do Hospital Fox, o mesmo hospital que Mayra iria derrubar em algumas semanas. Alfred estacionou o carro, abrindo a porta para que eu pudesse descer.

Iriamos viajar para Miami e embora a cidade fosse praiana, teríamos um compromisso ainda nesta manhã, o que me fez optar por um look executivo. Vestir um vestido tubinho que ia até o meio de minhas coxas na cor vermelha, com um decote comportado nos meus seios e com as alças caídas no ombro. Meu cabelo estava solto e em sua forma natural, perfeitamente liso. Nos pés, optei por uma scarpin preta. Eu usava um óculos escuro e por trás dele, uma maquiagem leve, porém perfeita.

-Obrigada Alfred! –Agradeci sincera ao homem.

-Não há de que srta. Maia! –Respondeu ele.

-Bom, prometo não demorar. –Falei.

-Não se preocupe, leve o tempo necessário! –Sorri grata ao homem e segui para dentro do hospital.

Andei pela recepção pegando a ficha de identificação como visitante e seguir para a área de internação. O fluxo de pessoas era bem menor devido as transferências de muitos. A ala infantil era um exemplo forte disso. Eu não concordava com essa atitude da May. Seria muitas vidas afetadas. Esse lado dela me entristecia bastante.

Ao me aproximar do quarto da Caroline já pude avistar de longe a sua mãe e seu pai junto com o pequeno Léo. O pequeno ao me ver, logo correu para o abraço o qual eu retribuir com muito carinho e amor. Troquei breves palavras com os pais das gêmeas e entrei no quarto dando três leves batidas na porta.

-Com licença! –Falei ao entrar. –Bom dia!

Ao entrar, pude ver que a Caroline estava sentada em uma poltrona e ao seu lado a Alice, já devidamente arrumada. A garota usava um vestido estilo princesa azul marinho, sapatilhas de lacinho e um rabo de cavalo alto bem feito. Ela estava uma princesa.

-Tia Yasmin! –Falou contente a garota ao me ver.

-Oi meu amor! –Disse ao abraça-la. –Está bem?

-Estou muito bem tia! –Falou ela. Dava para ver sua felicidade no rosto. –Nós já vamos? A proposito a senhora está muito bonita!

Eu sorri para ela, que me devolveu com outro sorriso.

-Muito obrigada! Você também está muito bonita! –Retribui sincera o elogio dela. –E nós vamos jaja. Preciso somente falar com sua mãe antes! –Disse ao olhar para a Caroline que me olhava com um olhar de poucos amigos. Trocamos um breve e tenso olhar. –Porque você não se despede da sua mãe e pede ao seu avô para lhe ajudar com as malas. O motorista da sua tia está lá fora esperando por nós.

-A tia Mayra tem motorista! Que legal! –Falou ela deslumbrada com o fato da May ter um motorista. Eu ri. A garota se aproximou da mãe lhe dando um abraço e um beijo carinhoso no rosto. –Até mais mamãe! Obrigada por me deixar ir, e eu te amo!

-Tchau meu amor! Se cuida, e me ligue todas as noites. Eu também te amo! –Disse a Cá. Eu sorri ao ver a interação de amor entre as duas.

A Alice saiu do quarto, e eu me virei para a Caroline.

-Não se preocupe Cá, eu cuidarei dela!

-Você está tendo um caso com a Mayra? –Perguntou ela me olhando fixamente. Eu podia sentir que aquele olhar era bem diferente dos olhares que a Caroline dava a mim.

-Porque pergunta isso? –Perguntei cruzando os braços sobre meus peitos.

-Oras! Você está viajando com ela.

-Temos um compromisso da Harris Industry em Miami hoje...

-Não me venha com esse papo Yasmin. –Me interrompeu. –Se fosse viagem a trabalho, por qual razão vocês levariam as crianças. –Ficamos em silencio apenas nos encarando.

Seu olhar era pesado. Eu não gostava daquele clima. Podia sentir raiva, desespero e até mesmo inveja vindo daqueles olhos verdes, que embora fossem semelhantes o de sua irmã, não me causava naquele momento boas reações.

-Olha Caroline, eu sinto muito, mas a minha vida pessoal não vem ao caso nesse momento. –Falei e a ela riu debochada.

-Você com toda certeza está tendo algo com ela. –Disse.

Eu a olhei.

-Tudo bem, mas o que você tem com isso? São minhas escolhas Cá!

-Escolha esta muito errada Yasmin! –Praticamente gritou. –Quando você vai entender, a Mayra é suja. Ela joga sujo. Ela não está nem aí para ninguém, só se importa com ela mesmo. Ela é má Yasmin!

-Não grite comigo. –Disse seria.

-Ela te enfeitiçou! E vai apenas usar você e jogar fora, como ela fez com todos!

-NÃO FALE ASSIM! –Gritei.

-ELA NÃO É O MELHOR PARA VOCE!

-E quem seria o melhor para mim Caroline? Em? –A enfrentei.

Ela ficou em silencio.

-Você está cega. –Falei. -Cega de raiva por ela. Mas o que vocês têm que entender, é que eu não tenho culpa de nada! –Disse sentindo meus olhos lacrimejarem pela forma que ela falou comigo. -Que inferno! -Gritei. Andando até a janela e voltando a encara-la. -Você costumava ser minha amiga, mas tudo que sabe fazer agora é falar mal da sua irmã! –Suspirei e cheguei perto dela. -Caroline, eu estou apaixonada pela May, simplesmente aconteceu! Não é algo que a gente controle, só aconteceu.

Ao encara seus olhos, eles continham lagrimas. Não sei ao certo de que. Poderia ser qualquer tipo de sentimento.

Não queria contar para ela dessa forma, mas, não conseguir.

-Você se apaixonou pela pior versão de nós. –Falou ela olhando para baixo. –Eu sinto muito que você tenha escolhido a gêmea errada. –As lagrimas caiam de seus olhos e ela tentava limpar com o dorso de sua mão. -Cuide da minha filha Yasmin, infelizmente não posso mais desfazer essa viagem, pelo bem da Alice.

-Eu sinto muito que pense assim Caroline. –Falei. Ela por sua vez não demostrou nenhuma reação. Respirei fundo e caminhei em direção a porta.

-Só mais uma coisa. Quando você voltar, não precisa mais vim aqui!

Eu ri irônica negando com a cabeça.

-Você precisa de um psicólogo Caroline. –Falei ao sair do quarto e ir para o aeroporto.

 

Aeroporto Internacional de Nova York, 9:00 am.

O caminho até o aeroporto eu permaneci um pouco calada. Enfrentar a Caroline a respeito de mim e de Mayra não foi fácil. Não estava nos meus planos contar dessa maneira a ela, mas, ao me indagar sobre o assunto não teve outro jeito. A Alice a todo instante falava o quão feliz estava em poder viajar comigo, sua tia e sobretudo com seu primo. Alice e Tom se deram muito bem desde o primeiro instante e isso me deixava muito feliz. Em meio de uma guerra como essa, não seria justo as crianças serem afetadas.

-Chegamos! –Falou alto a Alice me tirando dos meus devaneios.

Olhei pelo vidro do carro de Mayra e pude perceber que já estávamos parados. Alfred já caminhava para abrir a porta. Descemos do carro e dois seguranças se aproximaram para auxiliar com as malas e nos levar ao encontro de Mayra e Tom. Peguei na mão da Alice e com a outra mão segurava minha bolsa de lado. Caminhamos até o saguão de embarque do aeroporto, e ao se aproximar pude vê-los de longe.

Aquela sem dúvida era a cena que mais me fazia feliz nos últimos tempos.

May estava sentada em uma das cadeiras que tinha ali, abraçada com o Tom, que mostrava algo a ela no seu tablete. O seu sorriso era tranquilo e feliz. Ela levantou a cabeça e logo nos avistou, falando algo baixinho para o Tom que logo dirigiu sua visão a nós. Eu sorri ao encarar Mayra que estava linda.

Minha mulher resolveu usar uma saia preta cubinho até os joelhos, e uma blusa de alça branca. Seu cabelo estava em sua forma natural, solto ondulado, e nos pés uma scarpin nude.

-Até que fim senhoritas! –Falou ela quando chegamos perto.

-Desculpe o atraso! –Disse me desculpando.

-Vocês não se atrasaram. Acho que eu que estou ansiosa demais! –Falou sorrindo um tanto sem graça. Eu ri ao vê-la assim.

-Oi Tom! –Disse a Alice ao abraçar seu primo. –Olá tia Mayra! –Falou ao abraçar a May e lhe dar um beijo no rosto, enquanto eu fazia o mesmo no Tom. -Obrigada pelo convite! Minha mãe disse que as despesas ela irá pagar...

-A sua mãe só pode estar com o juízo mais louco que o normal! –Disse a May. Eu a olhei repreendendo o que ela acabará de falar.

A Alice sorriu sem graça.

-O que eu quis dizer é que, não precisa se preocupar com isso meu amor, eu sou sua tia. E por mais que eu não me dê com sua mãe, eu gosto muito de você, e quero fazer desse fim de semana um dos melhores da sua vida! –Se corrigiu. Me causando um sorriso pelo que ela falou.

Eu sentia que todo esse carinho pela a Alice era sincero.

-Vai ser ótimo Alice! –Falou o Tom. -A nossa casa em Miami é muito irada!

-Tudo bem senhor, e senhoras! –Disse a May. –Vamos lá? Porque antes de diversão ainda temos um compromisso. As duas crianças assentiram, e foram caminhando junto com o Alfred na frente pelo portão de embarque particular, que daria a pista de decolagem onde meu jatinho já nos esperava.

-Eu não ganho nenhum beijinho de bom dia? –Perguntou a May ao se aproximar de mim segurando minha mão e caminhado ao meu lado. Eu a olhei com um sorriso contido.

-Desculpe! –Disse diminuindo a velocidade dos meus passos. –É que estamos em local público e, bom, não sei muito como agir. –Ela por sua vez riu.

-Aqui não me parece tão público. –Falou ao olhar ao nosso redor. No corredor só havia a nossa presença. Eu assenti tímida e logo ela me deu um rápido mais intenso selinho. –Bem melhor assim. Aliás, você não sabe o quão gostosa ficou nesse vestido srta. Maia!

Ela falou e meu queixo caiu.

Logo ela apressou seus passos para falar com Alfred, talvez dando algumas ultimas informações antes de nós passarmos pelo enorme portão e indo em direção ao seu jatinho particular.

-Uau! –Falou a Alice admirada. –É seu tia Mayra? –Perguntou a menina.

-Sim meu amor, é meu sim! –Falou ela tranquila enquanto caminhava segurando a mão da garota até o jatinho. –Eu viajo muito, então é um tanto necessário.

Ao lado do jatinho, o piloto nos recebeu gentilmente nos auxiliando a entrar no veículo aéreo.

O interior era tudo muito fino. Os bancos eram de couro na cor marrom claro e era superequipado. Tinha espaço para seis passageiros mais os dois pilotos e a aeromoça. Tom e Alice sentam juntos em poltronas vizinhas perto da cabine do piloto, pois naquelas tinha uma tv com jogos. Já Mayra, logo me puxou para uma das poltronas no fundo.

“Senhores passageiros, aqui quem fala é o Comandante Harry, e por motivo de segurança peço para que fiquem sentados durante a decolagem e com os cintos abotoados. O céu hoje está limpo e tempo previsto para o voo é de 3:10 minutos, tenham todos uma boa viagem. ”

Eu respirei fundo, e fiz uma cara de enjoo. Mayra me olhou com uma cara de riso.

-Não gosta de aviões Srta.? –Perguntou ela.

-Odeio! –Disse, ao buscar sua mão e aperta. O que fez a mulher ao meu lado gargalhar.

***

 

O voo ocorria tranquilo. Alice e Tom não desgrudavam o olho um só instante da tela da TV. Eu estava com a cabeça encostada no ombro de Mayra que me abraçava carinhosa, enquanto respondia e-mails em seu celular. Nós estávamos tomando champanhe servido pela a aeromoça.

-Você não cansa de trabalhar? –Perguntei olhando para ela. Ela riu.

-Desculpe! –Falou. –Geralmente não tenho muito tempo de responder mensagens. Então sempre que dá eu tento responder ao máximo. –Disse ao desligar o telefone e jogar de lado.

Eu ri e neguei com a cabeça ao tomar um gole do champanhe em meu copo.

-Sinto que esse fim de semana será importante para gente Ya. –Falou ela enquanto olhava para nossas mãos entrelaçadas, levando até seus lábios e beijando a minha carinhosamente.

-Eu sinto o mesmo. –Disse olhando em seus olhos.

Ela ficou um tanto calada, apenas me encarando. Eu fiz o mesmo. Não precisava falar nada. Era um silencio bom. Mesmo que as coisas não estivessem muito bem, e que nossa relação afetasse muita gente, a única certeza que eu tinha era aquele sentimento que sentia quando estávamos juntas.

Fomos interrompidas de nossa bolha quando o piloto anunciou que por fim, iriamos chegar.

 

***

Após o desembarcar, seguimos direto para o polo da Harris Industry em Miami em um carro que a Mayra tinha.

-A sua mãe tem quantos carros? –Mesmo do banco da frente, pude ouvir a Alice perguntar para o Tom em um puro sussurro.

-Eu não sei! –Falou o garoto. –Mas ela tem muitos. Ela ama carros! –As duas crianças riram e eu neguei com a cabeça.

-Do que tanto riem? –Perguntou a mulher ao meu lado.

-Nada demais Mae! –Falou o Tom.

-Hm. –disse ela olhando para eles pelo retrovisor de sua Mercedes S-Class do ano, branca. –Tom, quando chegarmos na Harris Industry não quero que você corra pelos corredores está me ouvindo?

-Tudo bem mãe! Vou me comportar. –Falou o garoto em puro tedio. Eu ri com a forma que ele falou.

-E você vai me acompanhar na reunião! – Falou ela olhando para mim.

-Sim senhora! –Respondo fazendo continência. –Agora foi a vez de ela rolar os olhos e das crianças rirem.

Chegamos no polo da Harris Industry em Miami, e assim como em Nova York, o prédio era extremamente luxuoso, sempre preservando todas suas cores predominantes, as cores negras.

-É sua primeira vez aqui? –Perguntou a May ao buscar minha mão segurando-a.

-Na Harris Industry, sim! –Falei enquanto caminhávamos. As crianças iam um passo a nossa frente, sempre grudados em seus aparelhos eletrônicos.

-E o que achou? –Perguntou ela.

-Sempre perfeita como a dona! –Respondi e recebi um beijo no rosto vindo da Mayra que estava sorrindo.

Ao entrarmos na Harris Industry, logo cuidei de segurar as mãos das crianças, que estavam um tanto agitadas. Fomos recebidos por um homem de meia idade e cabelos grisalhos chamado de Carlos. Eu já tinha ouvido falar dele, e em uma oportunidade já tinha o visto em Nova York. O senhor Charlie já havia o convocado para reuniões e coisas a esses fins.

-Bom dia Senhora Harris! –Falou com um sorriso no rosto o homem cumprimentando a May. E logo pôs os olhos em mim. –Uau! Em Nova York realmente tem belas mulheres! –Disse sorrindo para mim. –Bom dia senhorita...?

-Maia! –Respondeu a May. 

O homem levantou as sobrancelhas e estendeu a mão para um cumprimento. Logo eu, por educação, o cumprimentei. Mas ele me puxou para um cumprimento com um beijo no rosto. Eu tentei evitar, mas foi inevitável.

A May nos olhava com uma expressão fechada. Ela forçou a garganta.

-Tenho pouquíssimo tempo aqui Carlos, vamos ao que interessa. –O homem assentiu e nos levou até sua sala que ficava no último andar.

Tom e Alice ficaram com a secretaria do andar, enquanto nós fomos para a reunião.

-Qual a urgência que temos a tratar Carlos? –Falou a Mayra sentando na cadeira da ponta na mesa de reunião.

Estávamos na sala, Mayra, eu, Carlos e mais três homens engravatados, todos da terceira idade. Eu reconhecia dois, e eram acionistas da Harris Industry. Eu sentei ao lado da May.

-Bom, como sabe Mayra, eu detenho 25% das ações da Harris Industry, o que me faz o segundo maior acionista depois de você é claro! –A senhora Harris ouvia tudo em silencio de expressão fechada. –E como você deve saber, meu pai, hoje interditado judicialmente por mim, era irmão adotivo do seu falecido marido.

-Seja objetivo Carlos. –Disse a Mayra. –Onde você quer chegar! –O homem riu.

-Quero meus outros 25% que por direito de herança me pertence Mayra, ou lhe processo e peço nulidade do testamento.

Engolir a seco tais palavras do homem.

O clima automaticamente pesou ainda mais na sala.

Olhei para Mayra e ela fechava suas mãos em pulso, chegando a ficar vermelha devido suas unhas que estavam pintadas de vermelho sangue.

Mas ela riu debochada.

-Você só pode estar louco! –Falou ela. –Me mostre um documento que prove que você tem direito a mais 25% da herança do Tomás! –Desafiou com um olhar cortante em direção ao homem. –Eu sou esposa dele, e isso me faz ter direito a 50% e meu filho a no mínimo um terço. Eu realmente não acredito que perdi meu tempo vindo aqui, apenas para isso.

-Você é muito cheia de si Mayra.

-E você é um babaca! –Praticamente gritou a Mayra. –Se considere com sorte por eu não processar você por chantagem e falsidade testamentaria. –Falou levantando da cadeira e batendo forte na mesa.  -Tenha muito cuidado Carlos, pois eu posso muito bem lhe denunciar e alguém vim investigar a interdição de seu pai. –Ela caminhou até o homem que ainda estava sentado e o encarou de frente. -Porque cai entre nós, o senhor Copper não merece um filho desnaturado como você! Reunião encerrada senhores!

Mayra cuspiu as palavras no homem e saiu da sala. Eu acompanhei, é claro, mas ouvir o homem falar.

-Ainda não sei qual da sua graça senhorita. –Disse ele ao me puxar pela mão. Eu por minha vez olhei o contato, e desfiz.

Mayra no mesmo instante parou e voltou para próximo de mim.

-Ainda irá ficar aqui essa noite? –Falou ele. -Pegue meu cartão e me ligue se precisar de algo. –No mesmo instante Mayra pegou o cartão dele e o rasgou.

-A graça dela é Harris. Se é que me entende! –Disse ela me dando um rápido selinho, e me segurando totalmente possessiva pela cintura. –Ela com toda certeza ficará em Miami essa noite, mais precisamente nua, na minha cama. –Saímos andando rumo onde Tom e Alice estavam, saindo do prédio.

 

Mayra dirigia rumo a sua casa de praia em Miami em total silencio. As crianças estavam animadas com o fim de semana. Eu dobrava minha atenção entre eles e ela. A todo instante buscava fazer algum tipo de carinho em sua perna, em sinal de apoio. Mas a mulher não demostrava nenhuma emoção. Com toda certeza, tudo isso tenha a abalado muito, fazendo a mesma se fechar apenas em si.

Em pouco tempo, estacionamos o carro frente a enorme mansão à beira da praia de Miami. O lugar era enorme, e todo em cores claras e com paredes de vidro. Dava para perceber o gosto de Mayra por aquele tipo de arquitetura nas paredes, pois em sua casa em Nova York as paredes também eram de vidros. A casa tinha em sua área externa uma enorme piscina em um jardim projetado que terminava na escada que dava acesso a areia da praia. Era um local totalmente particular, e a presença de pessoas ao redor na praia era nula.

Mayra logo adentrou a casa enquanto Tom corria com a Alice para área externa.

-Alice, Tom, tenham cuidado! –Falei antes de entrar na casa.

Os seguranças já tinham terminado de colocar as malas em seus devidos lugares e a May conversava com uma mulher trajada de doméstica.

-Tenho certeza Lucy. Não se preocupe. –Falou ela tranquila para a mulher. –Podem ir, ficaremos bem.

A mulher assentiu e se retirou. May me fitou e forçou um sorriso. Andou até a adega de bebidas e se serviu de whisky. Tomando-o de uma só vez.

-A Lucy vai preparar o almoço, e logo depois eu a liberei. –Falou. –Aliás, librei todos os funcionários. Você não se importa, não é? –Disse ela, e eu aproximei-me dela. –Digo, da gente mesmo cozinhar...

A interrompi com um beijo intenso. No começo foi apenas um roçar de lábios, mas logo adentrei sem aviso com minha língua na sua boca, e fiquei perdida ali por só Deus sabe o tempo. Beijar ela é sempre uma sensação única.

-Vai ser incrível cozinhar durante esse fim de semana May. –Falei entre selinhos em sua boca. –Não se preocupe está bem? Eu estou com você!

Falei dando forças a minha mulher, que sorriu um tanto mais animada me puxando para um abraço.

-Eu que sim Ya. –Disse ainda abraçada.

 

Nosso almoço foi tranquilo, regado de muita risada e conversas sobre a escola das crianças. Embora tentasse disfarça, May ainda estava abalada pois logo depois do almoço a mulher se trancou no escritório e não havia saído ainda.

Já passavam das cinco da tarde e depois de um banho de piscina animado, Alice e Tom jogavam um jogo de dança na enorme TV da sala. Eu também estava jogando, mas confesso está um pouco triste por a May não está com a gente nesse momento.

Eu entendi que ela estava mal pelo assunto da reunião. Desde o primeiro momento, sentir que ela não ia muito com o Carlos. Ele foi muito audacioso em ameaça-la daquela maneira.

-Tia Yasmin! É sua vez! –Disse a Alice me tirando de meus pensamentos.

-Podem ir novamente! Eu vou ver se sua tia precisa de algo. –Falei. Os dois assentiram e voltaram para o jogo.

Levantei e fui rumo a porta do escritório que ficava ainda no térreo da casa. O clima ali era maravilhoso. E o finalzinho de tarde fazia um frio gostoso. Eu estava vestida com uma saia branca rendada e uma blusa de mangas longas da mesma cor. Nos pés, uma rasteira delicada de couro. Peguei minha taça de vinho e enchi outra passando pela adega. Caminhei em passos preguiçosos até a porta com muita dificuldade, devido as mãos ocupadas, dei leves batidas e entrei na sala.

-Com licença. –Falei ao adentrar.

Mayra estava sentada no chão ao lado da lareira, que estava acesa, com um copo de whisky vazio e um álbum de fotografias em suas mãos. Os seus olhos claros estavam marejados e vermelhos.

Ela estava chorando.

Meu coração no mesmo instante apertou. Apertou de uma forma em que doeu e meus olhos chegaram a encher de lagrimas no mesmo momento. Eu me aproximei e sentei ao seu lado, depositando as taças de vinho na nossa frente.

Ela me olhou, e as lagrimas continuaram a descer. Eu engolir o choro que lutava para cair em minha face. Não era momento para eu ficar fraca, mesmo estando vendo ela daquele jeito.

Eu puxei seu corpo para mim, fazendo com que sua cabeça descansasse em meu peito, iniciando um afago em sua pele.

-Desculpe...

-Shiiii... –interrompi. –Chora. Eu vou ficar aqui com você, até acabar com essa dor.

E assim ela fez. Chorou ali em mim. Suas lagrimas caiam em meu peito e eu a abraçava com toda minha força. Minha vontade era de tirar dela tudo que a inquietava e passar para mim. Me dei conta do quanto dependente estava por aquela mulher.

-Sabe, ele foi um homem bom para mim. –Ela começou a falar. –Eu nunca quis o dinheiro dele Ya, tudo isso foi consequência. –Ela se afastou um pouco de mim para me olhar nos olhos. –Eu estava perdida, sem nada e nem ninguém. Ele me ajudou e não pediu nada em troca. –As lagrimas caiam em seu rosto a medida com que ela falava. Eu a sequei com minhas mãos, apenas ouvindo ela desabafar. –Muitos me taxam como aproveitadora, golpista. Sabe, até me acusam de sua morte. Mas não. –Disse negando com a cabeça. –Ele foi o responsável por minha vida.

-Não pense nisso. –Falei com um nó na garganta. –Tenho certeza que onde quer que o Doutor Tomás esteja, ele está orgulhoso de você May, da mulher forte que você se tornou. –Disse buscando suas mãos. -Todos temos nossos momentos de fraquezas. É normal.

-O Carlos foi um dos que não poupou palavras para me acusar, e ver ele falando aquelas coisas, e ainda, dando em cima de você!

-Eu não dou a mínima para ele. –Falei segurando seu rosto para ela olhar para mim. –E se ele fizer algo contra você, nós vamos vencer isso juntas! Você não é só May. Tem a mim, a Tici, o Dylan. A gente vai dar um jeito.

-Obrigada Yasmin. –Falou. –Você é incrível, nem sei se te mereço.

-Eu que não sei se te mereço você May.

Falei e nós nos beijamos apaixonadas.

 

Após mais algum tempo até eu conseguir animar a May no escritório. A mesma me mostrou algumas fotos do álbum, que era o do seu falecido marido. O Doutor Harris, realmente era um homem muito bom e sempre muito alegre. O que me deixou um tanto curiosa, era a ausência de fotos da May com ele gravida. A maioria era o Tom, já um tanto grande. Mas deixei passar, não era o melhor momento para perguntar.

Quando saímos do escritório, Mayra sugeriu para as crianças que saíssemos que fossemos visitar o South Beach, que ficava no lado sul da Miami, pelo que ela falou era uma espécie de feira ao ar livre onde continha muitos bares e restaurantes e segundo ela, hoje era uma noite perfeita já que a temática era latina e isso combinava comigo, claramente se referindo a minhas origens brasileiras.

Depois de todos banhados e arrumados, o que custou um certo tempo, era incrível, parecia que eu estava cuidado de três crianças, pois Mayra a todo instante entrava na brincadeira dos dois, nos fazendo perder ainda mais tempo. Estacionamos por fim na entrada da avenida do South Beach e descemos.

A noite estava fria, então eu optei por usar uma calça branca flare, a tradicional boca de sino, e uma blusa na cor marfim de mangas longas, caídas no ombro e com a manga de modelo aberto no pulso. Nos pés, uma sandália alta delicada.

Mayra estava muito linda.

Ela escolheu usar uma calça legue preta um tanto brilhosa, mas nada chamativo, na parte de cima uma blusa da mesma cor e uma jaqueta jeans que casava perfeitamente com o look. Nos pés, um contorno delicado de salto.

Nos encaminhamos para a avenida que continha um grande número de pessoas devido a temática da noite. Eu andava segurando a mão da Alice e a May a do Tom, os dois estavam inquietos sempre falando alto e dando boas risadas. Era ótimo estar assim com eles.

-Olha mãe, tem um Park ali! Podemos ir? –Disse o Tom.

-Claro filho! Vamos sim. –Disse ela com um sorriso no rosto.

Andamos todo o corredor até chegar próximo aos brinquedos. Combinamos de voltar para olhar as barracas, pois dava para ver que tinha muitas coisas bonitas que poderíamos até mesmo comprar.

-Mãe, quero ir na montanha russa! Deixe eu e a Alice ir, por favor! –Praticamente implorou o Tom.

-Não sei não! –Falei. –Você não acha que é alta demais? –Disse para a Mayra, que me olhou segurando o riso.

-Você tem mesmo medo de altura? –Perguntou.

-Não é exatamente de altura, mas altura e velocidade não sei...

-Tom, nós vamos! –Falou a mulher.

-OI? –Falei.

-Oba! –Saltou a Alice.

-May, não sei se é uma boa ideia. –Contestei.

-Amor... não seja boba! Eu seguro na sua mão. –Falou ela me puxando para comprar os ingressos.

“Amor”. Ela me chamou de amor. Um sorriso bobo nasceu em meu rosto. Ela me chamou mesmo de amor?

Compramos os ingressos e entramos na fila. As letras de lede ilustravam “El Torito”. O brinquedo era enorme, E eu não sei o que dá nas pessoas em quererem tanto adrenalina pois a fila estava muito grande. Pessoas de todas as idades esperavam sua vez para andar no brinquedo que era a maior atração da noite.

Eu olhava a todo instante para cima, encarando o tamanho da montanha russa, confesso que estava um tanto inquieta.

-A tia Yasmin parece estar com medo. –Disse a Alice.

-Ela está sim! –Afirmou o Tom. –Você vai gostar Tia Min! –Disse o garoto me dando forças.

-Você nunca andou em montanhas russas? –Perguntou a May que estava atrás de mim com o braço em volta de minha cintura.

-Eu evitei toda a minha vida. Gosto de brincadeiras saldáveis, Mayra! –Falei nervosa pois nossa vez estava se aproximando. A May por sua vez riu na minha cara.

-Comigo as brincadeiras são saldáveis. Mas são um tanto radicais! –Disse próxima ao meu ouvido deixando um beijo em meu pescoço.

-Não sei se eu gosto disso Harris! –Falei, e ela riu novamente.

Para a minha infelicidade o brinquedo parou, e chegou nossa vez. Tom e Alice vibraram, e eu suspirei.

-Lembra naquele dia, na casa dos meus pais. No jantar? –Falou a May enquanto andávamos rumo ao carrinho nos trilhos. Eu assenti nervosa. –Eu estava me sentindo assim, como você está se sentindo agora. –Eu a olhei nos olhos. –Você segurou minha mão, mesmo nós não nos conhecendo muito bem, mas você me passou tanta confiança. Eu confiei em você. Então confie em mim, que não soltarei sua mão!

Um sorriso ilustrou meu rosto ao sentir sua mão segurando a minha. Por incrível que pareça, nesse instante algo em mim relaxou.

Subimos no brinquedo, ela estava muito animada. Tom e Alice foram juntos na fileira da frente e nós logo atrás.

-Não solte minha mão! –Falei para a mulher ao meu lado.

-Não irei soltar! –Falou ela segurando forte com um sorriso lindo no rosto.

O brinquedo começou a andar lentamente, mas logo aumentou a velocidade e eu gritei. Mayra ria, e gritava de felicidade, já eu era de pânico.

O vento forte soprava contra nosso rosto, bagunçando todo meu cabelo que estava solto, mas a sensação de liberdade que aquele brinquedo dava era enorme. Por mais nervosa que estivesse, eu ainda sentia suas mãos segurando a minha.

-NÃO PENSE MUITO YA! –Disse ela ao meu lado.

-NEM QUE EU QUISESSE! –Falei e voltei a gritar.

Depois de outra rodada, o brinquedo foi parando lentamente no ponto de partida e enfim o controlador abriu a barra de segurança para que pudéssemos sair, só então a May soltou minha mão.

-Vamos de novo mãe! Por favor! –Pediu o Tom.

-Gostou, tia Yasmin? –Perguntou a Alice.

Eu estava um tanto acabada, e Mayra ria descaradamente de mim.

-Amei! –Falei ainda em estado de choque.

Tom, Alice e Mayra riram do meu estado.

-Eu mato você Mayra! –Ameacei.

-Ah, vai dizer que não foi legal! –Falou ela.

-Pode não ter sido tão ruim, mas também não foi a melhor experiência na minha vida. –Eles riram ainda mais.

Depois de me pôr em ordem novamente, ficamos caminhando pelo Park, olhando as crianças irem nos brinquedos. Andávamos de mãos dadas e hora ou outra trocávamos carinhos como beijos e abraços carinhosos.

-Tudo bem, vamos voltar para a feira e comer algo. Não sei vocês, mas eu estou faminta! –Disse a May.

-Também estou com fome Tia Mayra! –Disse a Alice.

-Então vem aqui princesa, que hoje quem escolhe onde vamos comer é você! –Disse ela para a Alice buscando a mão da garota e andando mais à frente.

Olhei para o Tom, e estendi a mão.

-Tia Min. –disse o garoto ao se aproximar. –Posso te perguntar uma coisa?

-Claro meu amor! –Respondi sorrindo.

-A senhora e minha mãe, estão namorando? –Perguntou tímido o garoto.

Arregalei os olhos com a pergunta dele e fiquei sem saber o que responder.

Mayra e eu não tínhamos nos rotulado. Estávamos juntas, mas não sabia exatamente como. Não era namoro, pois nenhuma havia feito o pedido. Mas era mais que simplesmente ficando.  

Engolir a seco.

-Ah, Tom. –Forcei a garganta ainda um pouco perdida com a resposta que iria dar. –Sua mãe eu, estamos, nos conhecendo melhor.

-Vocês se amam?

-O que?

-É uma pergunta simples tia Min, vocês se amam? –Insistiu o garoto.

Minha mão começou a suar, e eu a ficar nervosa com tal pergunta. Amor é um sentimento muito forte. Talvez o mais forte que possamos sentir. É difícil assumir esse sentimento.

Tom deu uma risadinha, como se quisesse dizer que, tudo bem em eu não responder.

-Minha mãe gosta da senhora. –Falou ele.

-Porque diz isso? –Perguntei afim de saber mais do garoto, e até mesmo do que ele achava sobre um possível relacionamento entre mim e sua mãe.

-Ela te olha diferente. Fala da senhora a todo instante, e fica boba perto de você Tia Min! –Disse ele. –Eu queria que a senhora fosse a namorada da minha mãe. Eu me sinto feliz quando estou com vocês duas! –Falou ele e me abraçou pela cintura.

Retribuir o abraço sorrindo e seguimos para a tenda escolhida pela a Alice. A noite ainda não havia acabado, pelo contrário, estava apenas começando.


Notas Finais


"AMOR" EU TBM OUVIR ISSO YASMIN!!!!!!!!!!! MUITO FOFA ESSA MAYRA HARRIS!
Prometo atualizar o quanto antes!!!
bjoooooooooooooooooooooooooos!!!!!!!


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