História Indestructible - Capítulo 14


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Categorias Fifth Harmony
Visualizações 14
Palavras 7.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Voltei, voltando!!!!!!
Estava com saudade de escrever essa história que eu tanto amo!
Saudade de minhas Gêmeas, da Srta. Maia, da Tici <3 enfim...

Sem mais delongas, esse capitulo é o ponta pé para o desenrolar dos acontecimentos, sem contar que tem um momento muito fofinho!!!
Aproveitem, e não esqueçam de falar o que acharam, seja pelo whats ou pelos comentarios!!
bjossssssssssssssssssss <3

Capítulo 14 - Nada Muda


POV Caroline

O domingo em Nova York amanheceu como meu humor naquele hospital.

Negro.

A ideia de ter minha filha na companhia de Mayra, e ainda mais, com a Yasmin, me tirou o sono na última noite.  Depois do nosso desentendimento, onde eu acabei piorando tudo com a Yasmin, a morena seguiu com minha filha rumo a Miami, com a Mayra e o Tom.

Pior que isso, foi a Yasmin ter me confessado estar gostando da Mayra, isso com toda certeza me fez afundar ainda mais. Não entendia como isso aconteceu. Como era possível? A Yasmin nunca gostou de pessoas no perfil da Mayra, que sempre foi tão esnobe e soberba com todos. Tenho certeza que esse eventual envolvimento com a Yasmin, é apenas para me atingir. Algo que cuidaria em não permitir. Apesar de minha explosão de raiva com ela, eu não deixaria minha irmã faze-la mal, e se para isso eu tivesse que reconquistar a Yasmin, assim eu faria.

Suspirei já devidamente vestida, e sentada em uma cadeira de rodas. Depois de conversar com o médico que estava me atendendo junto com Lewis, recebi alta, com a condição de estar em repouso total.

Lewis e eu, ainda não tínhamos conversado desde o dia que nos desentendemos a respeito do acidente, e essa conversa teria que acontecer mais cedo ou mais tarde.  

Suspirei com a bagunça emocional e física que minha vida se encontrava, tomando um gole do suco em minhas mãos.

-Bom dia. –Disse o meu marido já devidamente vestido e com seu jaleco na cor branca com seu nome bordado com linhas pretas.

-Bom dia Lewis. –Me limitei a falar. Ele carregava em suas mãos um bloco de anotações e uma folha em uma prancheta, provavelmente com a documentação de minha alta.

-Seus pais estão aí fora. Nós resolvemos que seria melhor você ficar com eles esses dias. Eu mal paro em casa, e as crianças tem escola, bom, sua mãe ficaria mais tranquila com você em casa. –Disse ele ainda sem me encarar.

-Tudo bem. –Falei. –Lewis, acho que precisamos conversar.

-Acho que esse não é um bom momento Caroline.

-E quando é um bom momento Lewis? –Perguntei já um pouco nervosa. –Sempre que precisamos conversar sobre algo importante, você foge!

-Eu não estou fugindo! –Disse ele olhando para mim. –Somente acho que não é a melhor hora nem o melhor local para conversamos.

-Será que você não percebe que não estamos bem como marido e mulher?

-Caroline, como iremos fazer coisas de marido e mulher com você nesse estado? Estado este que você mesma provocou! –Falou.

-Quantas vezes vou ter que lhe dizer, que eu não provoquei esse acidente? –Quase gritei. –Foi um acidente Lewis, eu não tive culpa!

-Será mesmo Caroline? –Disse ele olhando em meus olhos, e eu nada falei. –Porque nada me tira da cabeça, que você ficou assim por conta da Yasmin.

-Eu não fiquei assim por conta da Yasmin, Lewis!

-Quer dizer que a ideia de ela e sua irmã estarem tendo algum caso, não te incomoda? Então porque vocês brigaram antes da Yasmin viajar com a Mayra?

Eu fiquei calada. Eu não sabia ao certo o que sentia. Gosto da Yasmin. Sempre gostei. Como amiga, e não nego que na época da faculdade eu tinha uma queda por ela, mas, será que hoje esse sentimento ainda existia ou era apenas pela ideia de ela está com a Mayra?

-Nós brigamos por eu ter me arrependido de ter deixado a Alice viajar.

-Não minta para você Caroline, porque para mim, você não consegue mais. –Ele suspirou e passou a mão no rosto.

-O que você quer dizer com isso? –Perguntei temendo uma resposta ruim vinda dele.

Eu sempre amei o Lewis. Ele sempre foi minha grande paixão. Até eu conhecer a Yasmin e tudo ficar confuso demais.

-Eu não sei! Estou cansado! –Falou o homem.

-É ela! A Mayra! –Disse de cabeça baixa. –Onde ela passa ela faz estragos! Veja o que ela está fazendo com nosso casamento!

Ficamos em silencio por um momento.

O Lewis olhou para mim, e se aproximou lentamente. Seus olhos estavam marejados. Talvez foi informação demais para ele nos últimos dias, aliás, para todos nós.

-Eu não queria que ela tivesse voltado. –Disse o homem choramingando.

-Eu também não meu amor! –Falei ao abraça-lo e puxa-lo para mim. –Eu estou cansada de ela estragar com nossa vida!

-Então pare com isso! Não se importe com ela ou com o que ela faz! –Disse ao olhar para mim. –Vamos esquecer tudo isso, e recomeçar! Pela a Alice, pelo Léo! Eu amo você, Cá!

Ao ouvir os nomes de meus filhos, me dei conta de que não erámos mais adolescentes. Nós éramos todos adultos. Tínhamos responsabilidades e vidas que dependiam de nós.

 Embora uma coisa nunca mudasse, nossas incertezas.

-Eu também te amo Lewis!

[...]

 

Saímos do hospital logo depois de dar baixa em toda papelada. Estava feliz em estar voltando para casa, embora não fosse minha, mas era sempre bom estar com meus pais.

-Pronto. –Disse minha mãe. –Pedi para a Mariza deixar tudo arrumado aqui embaixo para você, filha.

-Obrigada mãe. –Agradeci sincera.

Minha mãe sempre cuidou de mim, e sempre foi mais por mim que pela Mayra, ao contrário do meu pai.

-Querida não fique assim. –Disse ela. –Logo você estará boa e poderá voltar a suas atividades normais.

-Eu sei que sim mãe, só não queria estar dando trabalho para a senhora!

-Você não me dar trabalho algum. É bom ter vocês de volta!

-Vocês? –Perguntei

-Sim. Você e a May.

-Ah mãe, pelo amor de Deus! Aquela ali só sabe estragar a vida dos outros!

-Não fale assim da sua irmã! –Repreendeu minha mãe. –Ela está mudada. Vejo o quão responsável ela se tornou. E ainda, mãe e dona de uma empresa! Eu nunca imaginaria isso!

-Golpe! Com toda certeza!

-Filha, não diga isso. Mayra saiu muito machucada daqui no passado. É louvável todas essas conquistas. –Disse ela até com certo orgulho. Eu revirei os olhos em tedio.

-Gente com o caráter da Mayra, nunca muda! Algo de muito errado ela fez. –Falei. –É como se nada tivesse mudado, e a história se repetisse.

 

Flashback on

Est High School, cinco semanas antes da noite da fogueira.

Esfreguei meus olhos com a mão em sinal de cansaço, já devia estar perto da hora de ir embora, mas o tempo ali na biblioteca, parecia não passar. Era aula de literatura, e a senhora Johnson nos fez fazer um resumo de uma obra literária de Shakespeare, Hamlet. A sra. Johnson era obcecada pelo inglês. Corri meus olhos pelas mesas da biblioteca, e pude ver minha irmã. Ela estava sentada junto com o Ethan e a Vero. Ambos não faziam a tarefa, pareciam mais está caçoando com um dos garotos da sala, o Austin. Ethan pegava muito no pé dele, não só ele, mas quase todo time de basquete.

Mayra estava abraçada com a Vero, e sempre que conseguiam trocavam algum tipo de carinho. A olhei no instante que a mesma dava um beijo em sua namorada, e mesmo durante o beijo ela me olhou, encarando-me por alguns segundos até voltar a atenção a mesma.

-Não a encare! –Falou a Meg. Minha amiga de classe e dupla na aula de literatura.

-Não estou a encarando! –Disse.

-Está sim! Você se humilha desse jeito, Cá! –Repreendeu a Meg.

Mayra e eu não estávamos nos falando a alguns dias, mas claro que nossos pais não sabiam, então na escola ela me ignorava.

Apenas revirei os olhos.

-É sério, sei que ela é sua irmã, mas as duas ali, me dão nojo! –Continuou a Meg enquanto ajeitava seus óculos tornos nos olhos.

Megan era uma baixinha com aparelhos nos dentes e suéter surrado, na cor cinza. Ela sempre andava com meias, e com o cabelo em uma trança única. Apesar de ser zoada por todos, ela era uma boa amiga.

-A Veronica é um nojo! A Mayra só não percebeu ainda! –Defendi minha irmã.

Eu não entendia o ódio da Mayra por mim, e isso me deixava frustrada.

Minha amiga deu de ombros, quando o sinal tocou. Logo todos saíram desesperados da biblioteca e nós após entregarmos o resumo, seguimos para fora do prédio da escola.

-Ah, Meg! Tenho que ir no meu armário, esqueci uma coisa. Me espera no carro? –Minha mãe havia emprestado a Van para irmos para a escola. Claro que a May se recusou a ir na van e optou por ir a pé, já que todos os seus amigos estavam sem carro após serem detidos na semana passada por vandalismo na antiga fábrica de calçados do bairro.

-Claro, sem problemas!

Seguir para meu armário, e o corredor ainda estava bastante movimentado. Ao chegar nele, movimentei o cadeado com a combinação de números e o destravei, abrindo e buscando meu livro de álgebra e uma pequena caixa azul.

Coloquei os objetos na minha mochila, fechei o armário e sair, até ser surpreendida por um homem negro, vestido com um terno cinza muito elegante.

-Srta. Freitas! -Disse o homem.

-Sim. –Apenas falei.

-Bom dia! Me chamo Dr. Carcerta, psicólogo da escola. Como a senhorita se sente?

Juntei minhas sobrancelhas no centro da testa em sinal de confusão, afinal, o que aquele homem queria comigo?

-Estou bem!

-Bom, saiba que pode sempre falar comigo quando precisar! Se precisar falar com alguém, sobre algo que esteja lhe atingindo!

-Não tem nada me atingindo! –Falei um tanto grossa. –Eu preciso ir, com licença!

Sair andado rápido. Quem ele pensa que é para me oferecer serviços de pirados? Eu não sou nenhuma pirada! Psicólogo, eu não preciso disso. Ele falou como se soubesse sobre elas, como se soubesse das sombras. 

Sair do prédio e me encaminhei até o estacionamento, onde muitos já tinham saído. Andei até onde estacionei a Van com a certeza que a Meg estava à minha espera.

Ao me aproximar, pude perceber a movimentação de algumas pessoas, acompanhado de risadas altas e deboches. Continuei andando, quando me deparei com Mayra e sua turma, mais precisamente Vero, Ethan e o Patch, e no meio deles, estava a Meg.

Minha irmã tinha em suas mãos os óculos de minha amiga, e falava coisas para a Meg a deixando em uma situação de humilhação.

-Você quer os seus óculos? Porque não pega aqui? –Falou ela. A Meg se aproximou para pegar, quando a minha irmã jogou o óculos para o Ethan.

-Você é muito lerda quatro olhos! Pega aqui! –Disse o loiro, e logo depois jogou para a Vero.

-Você precisa realmente deles? Porque eu acho que fica bem em mim! O que você acha amor? –Falou ela caçoando.

A Meg estava com os olhos vermelhos, provavelmente chorava pela situação.

Era inacreditável como eles eram uns embeiceis! O óculos logo voltou para as mãos de minha irmã, foi quando eu intervi.

-Mayra! Para com isso! –Falei aproximando-me dela. Os outros logo fizeram um barulho com a boca, colocando pilha na situação. –Você não é igual a eles! Não vê que está fazendo mal a ela? –Minha gêmea riu.

-Cala a boca sua pirada! –Falou ela.

-Não calo! Vocês estão mexendo com minha amiga, e eu não vou permitir isso! –A Mayra me encarou com um sorriso debochado nos lábios, e em questão de segundos arrancou os meus óculos do meu rosto.

-Agora são duas quatro olhos cegas! –Disse enquanto ria.

Minha visão era péssima! Talvez pior que a da Meg, e eu realmente não enxergava nada além de tudo embaçado.

Todos começaram a ri, enquanto eu tentava pegar os óculos, assim como a Meg. Uma raiva interna cresceu dentro de mim, e meu olhos queimavam em lagrimas de ódio. Ódio por ter que passar por isso, ódio por quem ter começado, tenha sido ela, minha irmã.

-Vamos Cá, você não é sempre a melhor em tudo? Você não é sempre o destaque em qualquer situação? Então porque você não consegue pegar? –Disse ela, e eu podia sentir o ódio em suas palavras.

Eu não sabia em qual momento ela se tornou essa pessoa mesquinha e maldosa. Nós sempre fomos tão unidas. Isso estava me doendo, talvez mais que a própria situação. Ali eu sentir que eu estava perdendo a minha irmã.

-Sai fora seu idiota! –Ouvir a voz do Patch, acompanhado de um grito de dor.

-Eu te mato! –Foi a vez do Ethan falar, quando eu sentir os braços grandes e fortes em volta de mim, entregando-me os meus óculos.

Rapidamente coloquei de volta no rosto e pude por fim ver o que estava acontecendo.

-Qual é o seu problema Lewis? –Ouvir a voz irritada da Mayra, e ao olhar para ela com o Ethan no chão com o nariz sangrando, entendi o que tinha ocorrido.

-Você está bem, Cá? –Falou ele. –Oi!

-Lewis! –Disse contente ao abraça-lo.

-Eu vou matar esse cara! –Disse o Patch, que estava sendo impedido pela Vero.

-Qual o meu problema May? Qual o seu! Não ver o que você fez? –Falou ele para ela.

Minha irmã riu alto e muito debochada.

-Olha só quem fala! O dono da boa ética e moral! Dá um tempo! –Disse ela.

-Vamos embora! –Falou a Vero.

Os quatro saíram andando rumo a saída do colégio passando por nós.

-Babaca! –Disse minha gêmea ao passar por mim.

[...]

 

Após deixarmos a Meg em casa, seguimos para a minha casa.

-Eu nem acredito que você está aqui! Pensei que só vinha próxima semana! –Falei feliz por ter meu namorado ali comigo.

-Eu quis te fazer uma surpresa! Não está feliz? –Perguntou ele, ainda encarando as ruas de Nova York, enquanto dirigia seu carro.

-Estou muito feliz meu amor! Muito mesmo! –Disse ao abraça-lo.

-Cá, desde quando a May está agindo assim com você?

-Não sei. Ela virou um pouco rebelde depois que chegamos aqui, mais precisamente depois que começou a namorar a Veronica!

-A Mayra está namorando uma garota? –Perguntou ele admirado.

-Sim, ela é uma delinquente que mora na nossa rua. Ninguém lá em casa gosta muito dela. Só o papai, mas ele sempre passa a mão na cabeça da May e apoia tudo que ela faz!

-Estou realmente muito surpreso com tudo isso! –Disse ele.

-Mas não vamos falar sobre ela! –Falei. –Estou tão feliz que conseguiu a bolsa para medicina aqui! Enfim vamos ficar juntos para sempre!

-Sim meu amor, vamos ficar juntos para sempre!

Flashback off.

 

 

Pov Yasmin Maia

Abrir meus olhos preguiçosa naquele começo de tarde em Miami. Espreguicei-me em cima dos lençóis de seda da cama de Mayra que já contava com nosso cheiro devido à noite anterior, e ao me dar conta, sentir a ausência da mulher e de ambas as crianças no local.

Depois de uma tarde inteira reversada entre piscina e praia, optamos por um programa mais calmo, um filme, onde nenhum de nós quatro assistimos pois com poucos minutos todos já haviam adormecidos, dormindo juntos no quarto da May. Sorri ao lembrar de nossos momentos na praia, principalmente quando me abrir para minha mulher sobre meu passado e minha família. Ela pareceu me entender tão bem, me dando total apoio para que conseguisse terminar de contar toda minha dor a mulher. Pela primeira vez, não me sentir sozinha, era como se ela me entendesse, entendesse por completo. Como se ela soubesse o que é sentir uma dor tão grande quanto a minha. Quem diria, Mayra Harris, a tão temida Harris, e eu estarmos tão apaixonadas assim.

Levantei da cama, fui até o quarto onde eu e a Alice estávamos, escovei meus dentes e lavei o rosto. Olhei no relógio e já eram 7:23 pm, dormimos bem. Troquei meu conjunto de moletom por um vestido longo, estampado puxado para o azul, que tinha uma fenda generosa na minha coxa direita. Calcei minhas rasteiras e seguir para o andar de baixo.

Cheguei na sala e a luz era ambiente, o que me fez ficar um tanto que assustada, já que ninguém jogava nada na enorme tv, pois esse é sem dúvida, o passatempo preferido do Tom e da Alice. Olhei rapidamente na área externa e mais uma vez nenhum sinal dos três.

Seguir para a cozinha e só então pude notar as luzes acessas e ouvir certo barulho. Aproximei-me rasteira, sem fazer barulho afim de entender o que estava acontecendo.

-A Yasmin vai matar a gente! –Disse a Mayra.

-Eu disse que não era assim. –Comentou a Alice.

-Calma filho, não põe isso!

-Mas mãe, tem dizendo que é para colocar! –Falou o menino.

-Por Deus, definitivamente não é assim que se faz.

Andei mais um pouco e pude ver do que se tratava.

Os moveis da cozinha de marfim estavam brancos, totalmente sujos de farinha e respingos de um molho na cor vermelho. Eu abrir a boca devido ao tamanho da bagunça que os três estavam fazendo, andando mais um pouco até estar totalmente dentro da cozinha.

-Tia Min! –Disse o garoto animado ao me ver.

Mayra automaticamente virou para mim e me encarou. Minha mulher não estava tão diferente da cozinha, aliás, nenhum dos três, ambos estavam muito sujos de farinha e dos outros matérias que estavam utilizando para fazer algo, que me parecia ser pizza.

-Ah, oi amor! –Falou ela sem graça. –Que bom que acordou!

-A pizza era para ser surpresa! –Disse a Alice.

Fiquei um instante calada, ainda abismada com a bagunça que eles fizeram, e então me aproximei deles com os braços cruzados em reprovação da cena.

-Mayra, vocês estão tentando empanar a cozinha? –Perguntei séria.

-Oras, não brigue somente comigo! Eles também bagunçaram. –Falou fazendo sinal de rendimento.

-Mãe! –Disse o Tom. –A senhora que é a adulta aqui!

-Isso não quer dizer nada! –Defendeu-se a May.

-Mas a ideia foi da senhora! –Disse a Alice.

-É um complô? –Falou a Mayra e os três começaram uma pequena discussão.

Viu que quando eu falo que são três crianças, eu não estou exagerando?

Quando olhei para a mesa pude ver a massa totalmente grudenta, e o que era para ser uma pizza, virou uma grande gororoba. E então eu explodir em uma risada, fazendo com que os três parassem de brigar entre si e me olhassem.

-Do que você está rindo? –Perguntou a May.

-Agora está explicada toda essa bagunça! –Falei. –Amor, isso não me parece uma pizza!

Mayra coçou seu pescoço pensativa.

-Eu sei, eu sei. Acho que erramos em algo. Era para ser uma surpresa. –Lamentou derrotada.

Sorri ao ouvir ela falando tão inocente. Aproximei-me dela e a abracei com meus braços em seu ombro.

-Não se preocupe! É uma pena toda essa comida estragada, mas, podemos fazer outra!

-Yeaah!! –Comemorou o tom. –É isso ai tia Min! A minha mãe é boa em muitas coisas, mas em fazer pizza ela não é muito boa!

-Ei! Eu sei fazer! Apenas errei a mão! –Falou a May, ao me abraçar pela cintura.

-O que tecnicamente é porque a senhora não sabe tia! –Disse a Alice. Ambos rimos.

-Tudo bem, vamos recomeçar a fazer a nossa pizza! –Falei e olhei para a May dando um rápido selinho em seus lábios.

[...]

 

Depois de muita bagunça, eu pus ordem na casa, e finalmente a pizza saiu. Fizemos duas, uma de bacon com queijo e uma de carne com um molho especial da Alice a base de tomate. Olhei satisfeita com as pizzas e por fim coloquei no forno.

-Protinho! Daqui a uns quarentas minutos elas estão prontas! –Falei ao virar para eles.

As crianças estavam muito felizes, mas a May estava com um sorriso lindo nos lábios, o que me fazia derreter toda.

-Agora temos que limpar tudo isso! –Disse a Alice.

-Verdade! –Disse o Tom.

-Tudo bem eu vou pegar um pano. –Falou a May, enquanto pegava o material necessário para fazermos a limpeza. –Só tem um problema. –Disse ela pegando a farinha restante no bowl para guarda-lo.

-Qual? –Perguntei ao iniciar a limpeza do balcão.

-Tem alguém que ainda não estar empanada! –Disse ela me olhando com cara de quem ia aprontar.

-O que? –Disse ao me tocar do que estava preste a acontecer. A mulher encheu sua mão com um pouco de farinha e começou a andar até a mim, o que fez com que eu andasse para longe dela. –Não ouse fazer isso Mayra Harris, ou eu termino meu namoro com você! –Falei na tentativa de intimidar a mulher.

As crianças riam, e ainda davam forças para a Mayra. Foi quando antes mesmo da May jogar, sentir a farinha cair em cima de mim. Quando olhei para trás era o Tom que estava em cima de uma cadeira e tinha jogado a farinha no meu cabelo.

-Não foi minha mãe tia, então a senhora não pode terminar com ela!

Mayra explodiu em uma risada descarada de mim, sendo acompanhada pela Alice e pelo sapeca do Tom. Foi quando eu peguei um pouco de farinha e joguei em minha mulher.

Ela me olhou de boca aberta.

-Então é isso? –Perguntou ela.

-Guerra de farinha! –Gritou a Alice.

Em instantes a cozinha virou um campo de guerra, e em pouco tempo eu já estava coberta de farinha também. Mayra jogou farinha em mim assim como as crianças.

-Espera, espera! –Falei com a mão no olho.

Imediatamente, a May se aproximou de mim.

-Parem! –Falou ela. –Você está bem? Pegou no seu olho? Vamos lavar isso, agora!

Disse ela e eu a atingir com mais farinha, seguida por uma risada.

-Você me pegou! –Disse ela.

 –Eu sempre te pego, Mayra! –Falei cheia de segundas intenções.

-Isso eu não posso negar! –Falou ela do mesmo modo.

Trocamos olhares por alguns instantes cheios de desejos e amor.

-Tudo bem chega! Agora vamos realmente limpar tudo! –Falei.

[...]

 

Demoramos apenas alguns minutos para deixar a cozinha arrumada e então subimos para nos lavar já que estávamos bem sujos de farinha. A May ajudava o Tom, enquanto eu auxiliava a pequena Alice.

-Tia Yasmin... –disse a garota enquanto eu lhe ajudava com as roupas sujas.

-Sim meu amor.

-A senhora namora mesmo a tia May? –Perguntou tímida a menina de olhos azuis tão claros. Pensei por alguns instantes e só então respondi.

-Sim. Eu e a sua tia May estamos namorando. –Falei com certa cautela. Saber que sua mãe não gosta de sua tia, e que eu estou tento um relacionamento com a May, eu não sabia qual seria sua reação.

A garota sorriu.

-Eu acho que vocês formam um belo casal! –Disse ela contente. Mas logo sua expressão mudou.

-Obrigada meu amor! Eu realmente gosto muito dela. Ela me faz muito bem. –A observei e a garota tinha um sorriso fraco no rosto. –Algum problema?

Ela respirou fundo.

-É que, eu acho que minha mãe não vai gostar muito. Eu tenho medo do que ela pode fazer quando souber.

Juntei minhas sobrancelhas no centro do meu rosto em sinal de confusão.

-Como o que ela pode fazer? –Perguntei afim de tirar mais da menina.

-Minha mãe também gosta muito da senhora tia Yasmin! –Falou ela baixando a cabeça. Eu segurei seu queixo e fiz me encarar.

-Tem algo que você queira me contar? –Perguntei olhando em seus olhos que estavam um tanto marejados. A Alice demorou alguns instantes até por fim falar.

-No dia do acidente, a minha mãe viu a senhora junto com a tia Mayra no portão da nossa escola. –Eu a ouvia com atenção. –E durante o caminho eu falei para ela que o Tom queria muito que a senhora namorasse a tia Mayra.

-E então? –Disse.

-E minha gritou comigo. Ela não viu o sinal e acabou batendo o carro.

Fiquei em choque por alguns intentas pelo que acabará de ouvir. Não era possível que o nível de ciúmes da Caroline fosse tão grande a esse ponto, ao ponto de acabar causando um acidente com seus próprios filhos dentro do carro. Engolir aquela sensação ruim que correu em mim, um típico calafrio em minha espinha.

-A sua mãe deveria está um tanto estressada o que contribuiu com essa falta de atenção. Mas o importante é que estamos todos bem.

-O meu pai brigou com ela.

-O seu pai sabe?

-Não exatamente. Mas ele desconfia. –Falou ela.

Suspirei fundo.

-Não se preocupe meu amor! Prometo que quando voltarmos, irei pessoalmente contar a sua mãe que estou com sua tia. Assim ela vai entender, que podemos ser amigas mesmo eu estando com sua tia.

-Obrigada tia Yasmin! Obrigada por tudo! Eu amo muito a senhora. Esse está sendo o melhor final de semana de toda minha vida!

Meus olhos marejaram nesse momento.

-Eu também te amo muito meu amor! E eu te prometo, sempre cuidar de você!

Eu não entendia essa ligação com a Alice. Era algo inexplicável. Eu simplesmente amava aquela garota com todas as minhas forças. Tudo que a atingia também me atingia. Talvez fossemos ligadas por nossas almas, um amor e carinho divino.

Depois de deixa-la no banho, peguei os produtos necessários e seguir para o quarto da May. Deixei tudo sobre o móvel, inclusive as roupas limpas, me despir e seguir para seu banheiro, já que a mesma ainda não tinha voltado do quarto do Tom.

Entrei debaixo do chuveiro e sentir a agua na temperatura certa sobre minha pele. Suspirei ali, pensando em tudo que a Alice falou.

Era uma situação difícil. Sempre tive um carinho pela Caroline, mas a mesma sempre confundiu as coisas. Quando ela casou, pensei que passaria, mas a verdade é que sempre sentir esse amor platônico vindo dela, mas eu nunca conseguir corresponder, eu até tentei, mas não era aquilo que me atraia, embora ela sempre fosse muito amorosa, carinhosa, prestativa... mas faltava algo. Então a Mayra aparece em minha vida e de repente tudo mudou. Eu me vi completamente apaixonada pelo seu jeito, pelo seu toque, pelos seus olhos. Eu não tenho dúvidas do quanto a amo.  

Mas estaria eu sendo egoísta ao viver esse amor?

Será que eu deveria viver essa história? Mesmo quando nosso relacionamento iria atingir tantas pessoas?

-Que droga! –Falei e no mesmo instante sentir o corpo que eu conhecia bem me abraçar por trás.

-É a segunda vez que eu entro no banho com você, e você me recebe com essas palavras! –Disse ela, me causando um riso fraco.

-Desculpe amor. –Falei ao me virar e encara-la.

-Algum problema? –Perguntou ela um tanto desconfiada.

Eu neguei com a cabeça.

-Estava apenas pensando alto. Não é nada importante!

-Tem certeza? –Insistiu ela olhando fixamente em meus olhos.

Eu suspirei perdida naquele mar verde que tanto me fazia a cabeça.

-Tenho sim! –Falei envolvendo seu pescoço com meus braços, unindo nosso corpo de forma intensa.

-Tudo bem então. Acredito em você! –Disse ela ao começar a beijar minha pele enquanto apertava minha cintura. Eu respondi de forma imediata aos seus toques.

-Amor, nós não podemos fazer nada agora! Não com duas crianças acordas e pizzas no forno. –Disse seria.

-São apenas carinhos, Ya! –Respondeu ela ao subir rumo ao meu rosto e me beijar forte e intenso.

Seus lábios tocaram os meus de forma única, que somente com ela eu sentia. Sua língua logo pediu passagem e eu cedi sem nenhum tipo de vergonha. Nossos lábios se moviam ágeis e nossas lingas se entrelaçavam me tirando o chão. Era incrível o que ela me causava apenas com um beijo. Eu a amava. Eu não poderia ser egoísta comigo. Não depois de tudo que eu já passei. Eu merecia ser feliz, certo? Ao sentir todo aquele amor mais uma vez, eu chorei. Minha lagrimas se misturavam com agua que escorria do chuveiro, mas não foi suficiente para minha mulher não perceber.

-O que aconteceu Ya? –Disse ela ao parar nosso beijo. –Você está chorando?

-Não é nada. –Sorri fraco. –Apenas estou sentindo o quanto eu te amo!

A mulher me encarou e sorriu, voltando a me beijar sem pudor algum.

Nós estávamos nos amando em um simples beijo. O beijo mais sincero em forma de sentimento que alguém já dará. Eu sabia que a amava, assim como também sabia de seu amor por mim. E eu teria forças para lutar por nós.

[...]

 

Depois de todos devidamente banhados, o jantar ocorreu tranquilo regado de muita conversa e risada. A pizza ficou deliciosa, e confesso que o molho especial da Alice estava incrível!

Após comermos, decidimos jogar um jogo de cartas onde o Tom jogou com sua mãe enquanto eu e a Alice éramos o outro time. Só que paramos de jogar depois que peguei a May trapaceando, o que nos rendeu boas risadas. Já era tarde e as crianças já estavam dormindo quando andei até a área externa onde Mayra estava sentada em uma das cadeiras de sol a companhia de um vinho e uma outra taça vazia.

-Pensado na vida Harris? –Disse ao me aproximar, sentando entre suas penas e encostando meu corpo no seu, fazendo com que a mulher me envolvesse com seus braços, me aquecendo naquela noite fria em Miami.

-Sim. Na verdade, esse fim de semana com você e as crianças foi tão bom, que até esqueci dos problemas na Harris Insdustry. –Suspirei. Confesso que também tinha esquecido por alguns momentos de tudo.

-Alguma novidade? –Disse enquanto pegava a sua taça de suas mãos e tomava um gole do vinho que por sinal, era maravilhoso.

-A Tici me ligou, disse que acionou a polícia.

-E o plano do Dylan? –Perguntei.

-Iremos continuar. Mas para podermos ter acesso ao sistema, precisaremos da polícia. Amanhã o delegado do departamento de grandes casos irá se apresentar na Harris Industry, então teremos que ir embora cedo.

-Tudo bem! A empresa em primeiro lugar. –Falei.

-Infelizmente. Pois meu desejo era ficar a semana inteira com você e com eles aqui! –Disse ela ao beijar meu rosto. Eu me encolhi nela em resposta. –Eu não me lembro da última vez que me divertir tanto!

-Eu também amei esse fim de semana May. Foi muito especial, sobretudo em relação a nós duas. –Falei e ao mesmo tempo toquei o colar que ela me deu na noite passada, o qual eu não havia tirado e nem iria tirar.

-Você passou a ser junto com o Tom a minha vida, Ya. –Sussurrou ela em meu ouvido. Eu fechei os olhos em sinal de suas palavras.

Virei-me de frente a ela, encarnando aqueles olhos tão lindos que eu tanto amava.

-Eu te amo May, e obrigada por ser você, a mulher da minha vida!

-Minha sorte ter você amor!

Falamos para então nos beijarmos ali sobre o luar daquela cidade que foi tão importante para o nosso para sempre.

[...]

 

O dia amanheceu lindo em Miami, mas nada podia esconder nossa frustação em estar indo embora. Nesse momento já estávamos dentro do jatinho a caminho de Nova York, eu estava sentada na poltrona frente a May, ao lado da Alice que dormia com seu corpo sobre o meu. O Tom estava com sua mãe, quase na mesma posição, porém ambos estavam acordados. Era incrível como eles se pareciam. Tom tinha nas mãos um tablete onde jogava algo, e estava muito concentrado. A mesma concentração tinha a Mayra, porém em suas mãos estava seu smartphone, e com toda certeza ela estava trabalhando.

Sorri ao ver a cena digna de uma foto.

Foi então que peguei meu celular, que estava jogado ao meu lado e registrei a cena. O aparelho por sua vez, fez um certo som, o que tirou a atenção dos dois que me olharam na mesma hora.

-Desculpe! Mas estão tão lindos assim, juntinhos! –Mayra sorriu em sinal de que “Tudo bem”, e Tom também.

-Mãe... –disse o garoto.

-Sim, filho! –Falou ela ainda com os olhos presos no aparelho em suas mãos.

-Posso te fazer uma pergunta? –Perguntou o Tom um tanto que acanhado.

Eu observava e ouvia tudo com um sorriso nos lábios.

-Claro! Pergunte! –Disse ela firme.

-A senhora vai mesmo derrubar o hospital Fox? –Perguntou ele.

No mesmo instante, Mayra olhou para seu filho, tirando a atenção do seu celular. Ela ficou em silencio por alguns instantes, até ajeitar-se melhor na poltrona, trocando um breve olhar comigo e voltando ao seu filho.

-Porque você está perguntando isso? –Falou ela.

-No dia da aula de campo, a professora falou que o hospital estava sendo fechado, pois tinham vendido para a nossa empresa, mãe. –Começou o garoto. –Ela ainda mostrou um aviso de derrubada da Harris Industry, e disse que a senhora pretende construir prédios comerciais.

Mayra parecia estar engolindo seco as palavras do menino, eu nada falei apenas continuei ouvindo.

-Escuta Tom, você tem que entender que negócios são negócios. –Falou ela. –O terreno onde o hospital está, é muito bom! É bem localizado, tem grandes chances de eu conseguir um bom dinheiro alugando as salas e...

-Mas a senhora não acha que já tem dinheiro demais? –Interrompeu ele. –Os meninos da minha escola falaram coisas ruins sobre a senhora.

-Coisas ruins? –Indagou.

-Sim, coisas do tipo que a senhora é uma pessoa má. Eu fiquei triste mãe.

-Você não deve ligar para o que as pessoas dizem Tom! –Disse ela já com certa alteração na voz.

Eu a olhei pedindo calma, já que eram simples crianças.

-Muita gente vai depende daquele hospital. –Disse ele cabisbaixo.

-Essas pessoas irão para outras unidades filho. Não existe apenas aquele hospital na cidade.

-É que elas são pobres. Não tem dinheiro como a gente. –Falou o garoto. Eu engolir as palavras vindas do menino.

Talvez esse confronto do Tom com sua mãe, tenha abalado a May, pois a mulher mudará sua expressão para uma feição fechada.

[...]

 

O restante da viagem ocorreu tranquilo, mas todos estávamos calados concentrados nos seus afazeres. Talvez o clima estivesse pesado um pouco e a May ficou totalmente pensativa desde então.

Ao pousarmos em solo Nava iorquino, fizemos o processo de desembarque e ao nos dirigirmos a saída do aeroporto onde Alfred já nos esperava com o carro importado de Mayra para nos levar a empresa.

-Bom dia senhora! –Falou o homem gentil ao nos receber. –Senhorita Maia, Senhor Tom, pequena menina Alice!

-Bom dia Alfred! –Disse sorridente a menina.

-Fizeram boa viagem? –Perguntou o senhor enquanto os seguranças do aeroporto colocavam nossas malas no porta-malas do carro.

-Foi um final de semana maravilhoso, Alfred! –Falei.

-Acredito que sim senhorita!

-Alfred! –Disse a May. –Vamos! Siga para a casa de minha mãe, deixarei a Alice e Tom lá. Depois ligue para um dos seguranças levar o carro até você, eu irei seguir neste para a empresa com a srta. Maia.

-Sim, senhora. –Falou o homem.

Pouco tempo depois, já estávamos nos aproximando da casa dos pais das gêmeas, e logo pude notar um carro familiar estacionado mesmo em frente.

-Por Deus, não me diga que este é o carro do Lewis?! –Perguntou a May.

-Eu acho que sim. –Respondi minha mulher.

A Mayra suspirou fundo e quando o carro parou, se apressou para que as crianças pudessem sair, já se despedindo dos dois.

-Você não vai entrar? –Perguntei a ela.

-Não sei se é uma boa ideia.

-É melhor você entrar e falar com sua irmã, afinal está voltando com a Alice!

-Você é melhor com isso. –Disse ela encostando-se em seu carro.

-Amor, o que custa? –Pedi para que ela pudesse entrar, mas antes que ela pudesse responder, sua mãe saiu de dentro da casa.

-Mayra! –Disse ela com um pequeno sorriso no rosto.

-Mãe. –Respondeu fria.

-Yasmin. –Cumprimentou-me a mãe da May.

-Olá Dona Celma! –Falei educada.

-Foi bom você aparecer, diga a Caroline que a Alice está bem, e que ela não me deve nada!

-Não vão entrar? –Perguntou a mulher.

-Não! Estamos atrasadas! –Disse a May enquanto dava a volta no carro se encaminhando para o lado do motorista. –Vamos amor! A Tici nos espera!

Olhei para a mãe das gêmeas e ela nos encarava com uma expressão de confusão. Eu apenas assentir.

-Até mais Dona Celma! Diga a Caroline que eu agradeci e que mandei melhoras! Bom dia! –Falei ao entrar no carro e Mayra arrancar rumo a empresa.

O caminho até a Harris Industry foi de silencio. Em poucos minutos, Mayra já estacionava seu carro luxuoso na vaga reservada a ela. Sair do carro arrumando brevemente minha roupa, naquela manhã optei por usar um vestido cubinho azul marinho com um pequeno decote nos meus seios, nada vulgar, e nos pés um scapin nude. Busquei minha bolsa e acompanhei a mulher para dentro do prédio.

Sobre os nossos saltos finos, adentramos a portaria juntas, e todos os olhares voltaram para nós. Podia jurar que iria surgir comentários sobre eu está chegando em plena segunda feira com a Mayra. Entramos no elevador e por sorte estávamos sozinhas.

Mayra continuava pensativa. Talvez ainda por conta da conversa com o Tom, ou por tudo que estava acontecendo com a Harris Industry, não sei, mas a mulher que esteve comigo no final de semana, não era a mesma da Mayra de agora.

-Está tudo bem? –Perguntei enquanto o elevador subia.

A mulher suspirou e assentiu.

-Sim. Está sim. –Respondeu sem muita emoção.

Pensei um pouco e então apertei o botão de parada de emergência fazendo o elevador parar. O que fez com o que a mulher me olhasse assustada.

-Porque você fez isso... –disse ela, e então eu a abracei.

Fiquei alguns instantes ali, apenas a apertando para que o quer que seja que estivesse a frustrando, pudesse passar um pouco.

-Amor eu quero que saiba que eu estou com você! –Falei. –Esse final de semana mudou muita coisa em mim, principalmente em relação a você. Tudo que sente eu também sinto. Se está bem, eu estou bem, se estar mal, também fico mal. –Soltei lentamente seu corpo para envolver seu pescoço com meus braços e logo sentir suas mãos em minha cintura.

-Desculpa Ya, é que mal cheguei e já estou com a cabeça cheia. –Disse ela.

-Converse comigo sempre que precisar, está bem? Eu sou sua namorada, mas também sou sua amiga. Não quero ver você mal. Tudo vai se resolver!

-Obrigada. E desculpa esse meu jeito, prometo que vou tentar mudar. –Disse ela ao beijar minha boca intensa.

Sua língua encontrou a minha e as duas conversaram de uma forma única por sei lá deus quanto tempo. Só paramos quando nos faltou ar.

-Como eu amo seu beijo. –Falei ainda perdida.

-Ama é? –Disse ela já me agarrando com certa força, encostando-me na parede do elevador.

-Amor! –Disse rindo. –Aqui não!

-Qual o problema Ya? Prometo ser rápida!

-May! Aqui tem câmeras!

-Eu não ligo! –Disse ela beijando meu pescoço.

-Tem gente nos olhando nesse exato momento! Quer mesmo que eles vejam sua mulher nua? –Perguntei e ela parou. Parecia pensar e suas expressões mudavam a cada segundo. O que chegou a ser engraçado.

-Não mesmo! –Falou ela me soltando.

Eu rir de suas palavras.

-Você é muito possessiva Harris! –Disse. 

-Apenas zelo pelo que é meu! –Falou ela firme ao me dar um selinho.

Neguei com a cabeça.

-Agora vamos! Precisamos ir! –disse ao apertar novamente o botão de parada de emergência e sentimos o elevador voltar a subir.

-Essa ideia de parar o elevador, pode ser muito útil Srta.! –Disse ela cheia de segundas intenções, enquanto arrumava seu batom frente ao espelho.

-Deixe de ser safada Harris! –A repreendi com uma risada no rosto.

As portas metálicas se abriram e então nós saímos do elevador de mãos dadas.

Caminhamos até recepção presidencial, onde nós trabalhávamos e só então ela soltou minha mão.

-Irei checar sua agenda e já entro para passarmos! –Falei.

-Tudo bem! –Respondeu ela com um sorriso. –Chame o Dylan e a Ticiane, por favor.

-Bom dia casal! –Fomos surpreendidas com a entrada da Tici de surpresa, como sempre. –Eu sabia que nesse fim de semana a Harris desencalhava! –Disse a loira me fazendo corar. –Não precisa ficar envergonhada cunhadinha! –Falou enquanto me abraçava.

-Seja menos Ticiane! –Repreendeu a May com expressão de tedio. –Onde está o Dylan?

-Ele estar subindo com o Delegado enviado pelo Agente Brian. –Falou a loira.

-Ótimo! –Disse a May ao entrar em sua sala sendo seguida, é claro, pela Tici que com toda certeza lhe arrancaria detalhes sobre o nosso fim de semana, o que já me fazia corar por antecedência.

Neguei com a cabeça, afastando tais hipóteses. Olhei para minha mesa, guardei minha bolsa no local adequado e peguei brevemente os papeis deixados pela secretaria do setor administrativo, empilhei-os e deixei de canto. Busquei minha agenda com os compromissos da Mayra de hoje, e notei que metade teriam que ser cancelados devido a visita do Delegado de grandes casos na Harris Industry. Desde o primeiro momento, a Mayra foi contra acionar a polícia. Porém as coisas saíram um pouco do controle, e embora tivéssemos um plano, a presença da polícia era necessária.

Respirei fundo e peguei a agenda para seguir a sala da May, mas antes que pudesse entrar, fui surpreendida.

-Bom dia Yasmin! –Ouvir uma voz masculina conhecida e o cheiro do perfume importado inundar o ambiente. –Como foi a viagem? –Perguntou o Dylan, o que me fez parar frente a porta da sala da May e virar para encara-lo.

Ao olhar para ele, pude perceber que o mesmo estava impecável como sempre, mas o que me chamou a atenção foi a mulher ao seu lado.

 Ela era morena, e tinha o cabelo castanho escuro que ia até o meio de suas costas. Vestia uma calça flare preta, e uma blusa de manga longa com botões, verde musgo. Em seus pés, um sapato alto preto.  

-Oi Dylan! –Falei com um pequeno sorriso no rosto. –A viagem foi ótima! E conseguimos resolver o que precisávamos em Miami.

-Que Ótimo! Isso é louvável! –Falou o homem. –Deixa eu te apresentar, essa é delegada mandada pelo Dr. Brian. Ela vai assumir o caso dos desvios da Harris Industry.

A mulher se aproximou e estendeu a mão.

-Prazer em conhece-la. –Disse ela.

-Igualmente Delegada. –Falei cumprimentando-a.

Olhei em seus olhos castanhos escuros brevemente por uns segundos, a encarando. Não sei ao certo o que sentir, apenas uma onda fria percorreu toda minha espinha.

-A Mayra está aí? –Perguntou o Dylan apontando para a sala.

-Sim. Ela está sim.  

-Podemos entrar?

-Claro! Entrem comigo! –Disse.

Após três leves batidas na porta, adentrei o espaço para logo dar passagem para que os dois pudessem passar.

-Com licença, senhora Harris. –Falei.

A Mayra que ria junto com a Tici que estava a sua frente, talvez tentando arrancar algo da May sobre nosso fim de semana, olhou para mim e logo depois para a entrada de sua sala e sua expressão mudou.

-Mayra Harris! –Disse a Delegada.

-Verônica Iglessias? –Falou a May.

 


Notas Finais


Oi oi Vero!!!
hahahaahahaha
O que será que ela veio fazer?


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