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História Indomável como o mar. - Capítulo 21


Escrita por:


Notas do Autor


Eu demorei um bocado, não? Bem, peço que me perdoem, mas digo que estamos nas retas finais dessa fanfic, que é uma das minhas preferidas das que eu já escrevi ou que estou escrevendo.
Enfim, espero que gostem.

Capítulo 21 - Capítulo 21 - O Medo







Harry Potter

Não é uma coincidência as pessoas estarem desaparecendo aos montes na cidade, e depois voltarem, simplesmente, completamente encharcados, e sem quaisquer lembranças do período em que estiveram desaparecidos, geralmente entre dois ou três dias, e é claro, as suspeitas de que isso tem a ver com o povo do mar corre solta por minha casa.

Não contei para ninguém, nem mesmo para Hermione ou Rony, sobre os pesadelos e estranhos apagões que eu venho tendo, desde o dia em que Hermione fugiu, e, sinto, de alguma maneira, que esses apagões estão se intensificando, durando mais tempo, e a melodia na minha cabeça parece estar ficando cada vez mais nítida, e isso me assusta.

Mas o que mais me assusta mais é o fato de eu não conseguir me lembrar de como eu cheguei na praia.

Está de noite, provavelmente no meio da madrugada, eu estou sem óculos, o que significa que eu estava dormindo.

Sonambulismo? Não sou tão sortudo a esse ponto.

Está muito escuro, e a falta dos meus óculos não parece me ajudar em nada, apenas consigo sentir a água em meus pés, e a luz fraca de um poste ao longe, depois disso, mais nada, o que significa que eu estou mais afastado do centro da cidade do que deveria.

_Merda. - xingo baxinho, e tento andar para longe da água, até um local em que sinto apenas a areia úmida de baixo dos meus pés.

Ótimo, além de tudo estou descalço.

_Ei...

Meu coração acelera de uma vez, e uma estranha pressão pulsa em meus ouvidos.

Olho para trás, para o mar, e escuti as ondas se formando, e quebrando, sem conseguir vê-las de fato, apenas vejo um pouco da iluminação da lua na água, mas tudo está tudo tão embaçado.

Uma dor letejante começa bem atrás dos meus olhos, o que geralmente acontece quando eu tento forçar muito a vista, e acabo fechando os olhos com força, tentando focar ao máximo minha visão em qualquer coisa.

_Está sozinho?...

Se fosse a primeira vez que eu escuto uma voz estranha na minha cabeça, eu iria me desesperar, mas ao invés disso começo a andar cegamente, com os olhos ainda fechados, tateando a areia com as pontar dos dedos do pé, para não pisar em alguma pedra ou algo suspeito.

Precio sair daqui o mais rápido possível.

_EEEEEIIIII!!! - grito, para ninguém especial, sentindo a minha garganta arder - TEM ALGUÉM AÍ?!! - minha voz ecoa por algund segundos, mas não obtenho nenhuma resposta.

Um estranho som começa a surgir, como o canto de uma baleia, porém mais agudo, mais profundo, e eu paro de imediato, sentindo minhas entranhas darem voltas e mais voltas, enquanto meu coração acelera.

É tão bonito.

Abro minha boca de maneira involuntária, sentindo minha pressão subir e meu coração martela no meu peito.

O canto suave continua, e eu consigo prever cada nota da melodia tão estranha mas tão familiar ao mesmo tempo, e começo a cantar junto, em plenos pulmões, querendo que essa voz me escute.

Tento me mover, mas meus pés estão firmes no mesmo lugar, como de um estranho instinto de sobrevivência me mantesse parado.

Logo, mais vozes se juntam a mim, e eu sou obrigado a abrir os olhos.

Vejo vultos e silhuetas de pessoas ao meu lado, iluminados pelo luar e pela luz do poste, mas a minha visão limitada não deixa com que eu os veja, mas a minha consciência me diz que são as pessoas que estavam desaparecendo e retornando sem memória.

Como nem meu pai, nem Hermione, nem Jason ou Alita conseguiram sentir que o povo do mar estava tão perto da costa? 

Talvez porque não vieram aos montes, como eles estavam esperando, vieram aos pouco, e ficaram dispersos o bastante para que sua presença não fosse sentida, mas ainda assim, perto para que pudessem controlar os moradores da cidade, para que pudessem me controlar.

Talvez seja apenas uma coincidência, mas sinto que não. Eles sabem quem sou.

O canto se torna mais intenso, todos cantando em uma única voz, e eu sinto e escuto, mais do que vejo, todos andando em direção ao mar, onde as ondas quebram de maneira violenta.

Fico parado no mesmo lugar, resistindo ao máximo ir para o mar.

Mas... E se eu apenas molhar os pés?

Eles não vão conseguir me pegar se a água estiver só nos meus tornozelos, não é?

Eu sou um bom nadador, com certeza consigo fugir se qualquer um deles com facilidade, então eu posso ir para o mar.

Eu preciso ir para o mar.

Preciso sentir a água invadindo meus pulmões.

Preciso...

Preciso...

Dou um passo, lentamente, arrastando meus pés na areia úmida.

O cheiro de maresia, sim, o cheiro... Maresia... Hermione.

Hermione... 

Meu pai...

Ron...

Hagrid...

Todos aqueles que lutaram para me proteger.

Se eu for, será como desperdiçar seus esforços, será como ir de encontro com a morte.

Mas o mar... as ondas.

Mamãe...

A morte dela passa por minha cabeça, as estranhas feridas que surgiram em seu braço depois que ela ficou doente, pareciam tanto com as feridas que surgiram em Hermione quando ficou muito tempo sem ir para o mar.

Suas estranhas andanças pela casa, que me acordavam de noite, e eu conseguia ouvir ela sussurrando: "Não vá para o mar, não vá para o mar".

Uma tardia crise de abstinência do mar que a matou.

Mas porque ela não voltou para o mar?

Porque ela era mestiça. Uma mestiça que nasceu na terra, como eu, mas que tinha uma conexão mais forte com o mar, e quando foi impedida de ir para a água, por medo do Povo do Mar, talvez, ela acabou morrendo.

"Não vá para o mar, não vá para o mar".

Suas palavras ecoam na minha cabeça, e eu ainto a água nos meus pés, que retrocede, antes que uma nova onda a empurre de volta.

"Harry, não vá para o mar".

Paro de cantar, e grito, grito com toda a força que tem no meu corpo, o grito mais agudo que já soltei, um grito alto que poderia ser ouvido por qualquer um, um grito que faz minha cabeça latejar com força, um grito que faz um mar retroceder.

Todos param de cantar.

E eu paro de gritar, ofegante, com a garganta em chamas, e com a consciência completamente recuperada, e isso ajuda com que eu sinta as presenças de seres muito mais perto da praia do que deveriam.

Todos parecem ter acordado do estranho transe em que se encontravam, e só consigo escutar os murmúrios confusos das pessoas.

_SAIAM DA ÁGUA! - minha garganta reclama com a a dor, mas eu a ignoro - SAIAM DA ÁGUA, AGORA!!!

Mesmo os mais confusos parecem entender a urgência da minha voz, e todos começam a sair da água, alguns, porém, estavam longe demais,  e são os primeiros a soltarem gritos de terror que fazem meu coração querer sair pela boca.

Alguém esbarra em mim, e o pânico é geral, e um único instinto primitivo desperta em todos nós, o medo.

_HARRY! - me viro na direção da voz de meu pai, e consigo enxergar a forma da caminhonete velha de Hagrid, graças a luz do poste.

_PAI! - grito de volta, e sorrio, mas então sinto algo se fechando ao redor do meu tornozelo, algo gelado e pegajoso, como a mão de uma pessoa que morreu na água, e sinto todos os pelos de meu corpo se arrepiando com o estranho toque.

Todo o ar escapa de meus pulmões, e a mão morta puxa meu tornozelo, me puxando para baixo, e minhas costas batem na areia, onde eu tento inutilmente me segurar.

Me debato, sacudo meu pé com força.

Mas a coisa parece determinada a me arrastar para a água.

Grito, e tento tirar aqueço do meu tornozelo, chutando, socando, arranhando.

Já estou completamente exarcado, quando vejo a silueta de alguém se aproximar, segurando minha mão, impedindo que a coisa me arraste para mais longe.

_Segure firme, Harry. - escuto a voz do meu padrinho.

_Sirius. - digo seu nome, e seguro sua mão com força, sintindo uma dor intensa no meu tornozelo, conforme a criatura me aperta ainda mais.

Um tiro, e o aperto se vai.










Notas Finais


Espero que tenham gostado, e que este capítulo tenha válido a pena.
Até.


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