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História INDOMITUS; interativa - Capítulo 2


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Capítulo 2 - 0.1 - tenebris sanguine


Interditado. Pela décima terceira vez naquele mesmo ano, o fiscal do ministério francês de magia havia fechado a decadente Pâtisserie Manticore, mas nenhuma das vezes havia sido permanente. De qualquer forma, não haviam motivos aparentes para aquela ação e Maxima Rosier tinha suas suspeitas que tudo não passava de um grande preconceito com a família que administrava o local. No entanto, ainda haviam a colocado para investigar o caso e tentar compreender o que estava por trás daquela fachada no Pont Blanc, o centro comercial bruxo de Paris.

Em tempos passados, aquele estabelecimento havia sido uma luxuosa confeitaria e expandia sua culinária bruxa aos trouxas. Sua popularidade estava plena e o Monsieur Millefeuille estava contente com a integração que havia conseguido fazer. Pensou que finalmente unir os dois povos, como poderia ser notado entre as páginas de seu diário, mas havia algo que ele não esperava. Enquanto ele planejava uma utopia perfeita, seu filho seguia por caminhos sombrios e... Somente após sua morte que o jovem Luc colocou seus planos em ação, resultando pouco tempo depois na inquisição.

E, mesmo depois de séculos, a família ainda sofria na mão do corrupto governo bruxo por conta de algo que não representava quem eram.

No entanto, ainda haviam pontos naquela história que não conseguia compreender. Madame Millefeuille e o marido trabalhavam no ministério como inomináveis. Tinham uma filha que deveria ter por volta de dezesseis anos. Não tinham amigos ou contato com outros parentes... Parecia que havia uma peça que não se encaixava naquele quebra-cabeça.

― Eu odeio esse trabalho... ― Resmungou, deixando por um segundo de encarar a fachada para observar o relógio em seu pulso. ― Espero realmente não encontrar nada.

Estava extremamente cansada. Devido parte da sua família ser próxima dos Millefeuille – embora tenham jurado que somente se encontravam ocasionalmente em bailes organizados para as famílias de renome ou com linhagens extremamente pura – havia sido enviada para a França para descobrir como eles poderiam estar envolvidos. Na verdade, achava um grande preconceito por parte de Harry Potter considerar uma família francesa por conta do veneno que havia sido utilizado para matar o ministro ser o mesmo que um padeiro de séculos atrás usou para assassinar diversos trouxas, mas... Quem era ela para julgar? Santo Potter era a lei.

Esgueirou-se para dentro da loja assim que teve a certeza de que a rua estava completamente deserta – precisava evitar que houvessem pessoas curiosas para saber quais eram os segredos que a família Millefeuille escondia. Por outro lado, Rosier desejava com todo seu coração não encontrar nada para poder voltar para o Reino Unido, pois quanto mais tempo permanecia próxima a família Montague, mais ela descobria sobre um passado que ela havia enterrado.

Por um momento, realmente não havia nada de anormal naquela loja. Estava tudo completamente vazio. As prateleiras que anteriormente ficavam os produtos produzidos no local já estavam começando a encher-se de poeira... Era quase possível ouvir o vento passando de um cômodo para o outro.

― Revelio Memorie!

Com a utilização de um feitiço pouco confiável – este feitiço revelava os últimos minutos em que houveram pessoas no local, como uma memória local, porém não era confiável devido ao fato de ser facilmente alterado – Maxima esperava obter um mínimo de informações que pudesse a levar para onde o casal que administrava aquele negócio havia ido.

― O que vamos fazer? ― Ela ouviu a voz jovial de uma garota, provavelmente Mor Millefeiulle, a única filha do casal.

― Vamos sorrir, querida. ― Respondeu uma mulher, arrumando as malas. ― Não é o fim... Além disso, um sorriso pode nos levar longe.

― Vocês vão partir? ― Questionou a jovem, observando os movimentos apressados dos pais.

Certamente era uma cena suspeita, mas pouco incriminadora. Tudo que aquilo a informava era que os Millefeiulle haviam fugido para algum lugar desconhecido – algo que o próprio chefe do departamento de mistérios já havia informado para ela.

Maxima suspirou, um pouco desanimada. Olhou em sua volta, tentando pensar em algo mais efetivo. Havia outras coisas no arquivo que ligavam os Millefeiulle a uma outra organização das trevas, mas nenhuma prova encontrada. Eram apenas suspeitas e mais suspeitas... Sua ultima opção seria falar com a filha deles que havia permanecido na escola francesa.

Encarou os ponteiros do relógio novamente, esperando que houvesse tempo suficiente para chegar a escola antes do horário de dormir.

― E lá vamos nós outra vez. ― Resmungou.

Por nunca ter estado em Beauxbatons – graças a seu pai, obrigada – precisou aparatar novamente para o ministério da magia e utilizar a linha de pó de flu que era completamente desconfortável. Detestava a sensação de ter seu corpo rodando e rodando, achatando-se e esticando... Sempre que terminava, acreditava que iria vomitar. No entanto, era a única forma de chegar onde precisava.

***

Olympe Maxime havia recebido a carta da auror poucos minutos antes dela surgir dentro de sua lareira na diretoria, portanto não assustou-se com a visita quase inesperada. Na verdade, estava levemente preocupada com todo aquele assunto sobre a garota Millefeiulle... Parecia que era um tanto mais grave do que imaginava.

― Perdoe-me aparecer esse horário. ― Rosier desculpou-se enquanto saia da lareira e limpava o pó que havia se acumulado em sua roupa. ―  Tenho estado o dia todo atrás de pistas sobre o paradeiro de Euphrasie e Florentin Millefeiulle...

― Eles realmente desapareceram? ― A diretora questionou com a preocupação evidente em sua voz.

― Aparentemente sim. ― Maxima aproximou-se da meio-gigante. ― Justamente logo após a morte do ministro inglês... Ou seja, devido a esse desaparecimento eles se tornaram os principais suspeitos.

― Tem alguma chance de não serem culpados? ―  Questionou. ― Mor Millefeiulle é uma garota brilhante e temo que notícias assim possam destruir o desenvolvimento dela como bruxa...

― Existem algumas possibilidades, mas... ― Suspirou. ―  Será que posso conversar com a garota?

***

Mor Millefeiulle era uma garota com traços rústicos que provavelmente não se sobressaiam entre toda a beleza das outras garotas de Beauxbatons. Ela tinha um sorriso singelo e um olhar penetrante... Por um segundo, Maxima Rosier pensou que se encarasse por muito tempo, teria todos os seus segredos descobertos. No entanto, chegou a conclusão que aquelas orbes azuladas tinham apenas o mesmo efeito que os olhos de seus pais.

― Com licença. ― Disse a francesa.

― Por favor, sente-se. ― Maxima puxou a cadeira, indicando o local onde ela deveria ficar.

Houve um momento de silencio, provavelmente pelo fato da garota não ter compreensão sobre o motivo de ser tirada de sua cama para encontrar com uma completa desconhecida. Maxima ergueu o bule de chá que estava colocado sobre a mesa e serviu duas xícaras, entregando a primeira para a jovem que pareceu hesitar por um breve segundo.

― Gostaria de falar sobre seus pais... ― Começou a dizer. ― Eles estão sendo investigados pela morte do Ministro Shacklebolt.

― Porque desapareceram misteriosamente e nossa loja já foi fechada dezena de vezes por suspeitas de uso de venenos... ― Disse bebericando o chá.

― Sabe alguma coisa sobre o paradeiro deles?

― Senhorita Rosier, ― Ela esboçou um sorriso. ― creio que em sua ficha não tenham avisado que não fui criada por meus pais, não é? Eles são inomináveis desde antes de meu nascimento. Honestamente, convivi com eles poucas vezes. Meus avós cuidaram de mim até meus cinco anos, quando ambos faleceram, e depois disso passava todo meu tempo com babás, governantas e elfos domésticos... Eu não sou capaz de informar qualquer coisa sobre duas pessoas que nem mesmo tiveram o trabalho de me chamar de filha.

― Sinto muito, mas...

― Está tudo bem. ― Deu de ombros. ― Eu compreendo que devido minha ligação sanguínea com eles, devo ser a primeira a ser questionada sobre o que fazem ou deixam de fazer...

― Você sabe de algum lugar que poderiam ir? ― Maxima questionou, tentando não criar empatia pela garota. Precisava ser imparcial quanto qualquer assunto.

― Minha família teve as propriedades confiscadas depois de fecharem a Pâtisserie Manticore há dois meses, então... ― Balançou a cabeça. ― Sinto muito, senhorita Rosier. Eu meio que sou inútil em qualquer investigação contra eles. Nem mesmo sei o que faziam no departamento de mistérios...

Maxima respirou fundo, sentindo a exaustão de seu corpo.

― Pode me avisar caso eles entrem em contato com você?

Mor apenas balançou a cabeça, mas suas atitudes demonstravam que a probabilidade de conseguir qualquer informação era quase nula.

― Peço perdão por te tirar da cama...

― Está tudo bem. ― Ela sorriu novamente. ― Obrigada pelo chá...

― Apenas mais uma pergunta... ― Maxima perguntou assim que Mor colocou-se de pé. ― Onde você estava na noite em que o ministro foi morto?

― Em minha residência, eu acredito. ― Disse pensativa. ― Você deve ter o endereço na ficha, pode questionar a Madame Moreau, a governanta. Passamos o dia todo juntas devido o tempo fechado, inclusive ela cortou meu cabelo naquela noite.



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