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História Inesperada Paixão (Kiribaku) - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Capítulo Quinze


O rosto do Mirio fica completamente vermelho antes de ele começar a gargalhar tanto que acaba se curvando sobre a mesa. Yaomomo oferece um guardanapo para que ele seque suas lágrimas e eu ranjo meus dentes raivosamente. 

‘’Vocês deveriam ter visto a cara que fizeram’’, ele aceita o guardanapo, ainda rindo.

Sem necessidade de me levantar da cadeira para alcançá-lo, cerro meu punho destro e soco-o na garganta e, ao invés de rir, ele começa a se engasgar. Yaomomo solta um grito de desespero enquanto o loiro e a menina de cabelos rosas riem. Seguro Mirio pela gola de sua camiseta, me levantando da cadeira e aproximando meu rosto do seu. 

‘’Você acha engraçado brincar com uma merda dessas, hein?’’, rosno. 

Mirio engole em seco e, apesar de saber que é bem mais forte do que eu, parece genuinamente preocupado. 

A essa altura, Yaomomo também está em pé e sacode meu braço esquerdo, suplicando desesperadamente para que eu não machuque ele. 

‘’Foi só uma brincadeirinha’’, Mirio responde com a voz grossa e rouca e uma leve dose de endorfina percorre minhas células quando percebo que meu soco muito provavelmente foi o causador daquilo. 

‘’Brincadeirinha é o caralho, Mirio’’, empurro-o contra sua cadeira antes de voltar a sentar na minha. Yaomomo solta um suspiro aliviado e tenta controlar suas mãos trêmulas ao dispô-las sobre a mesa, ainda em pé. Mirio aperta seu pescoço. 

‘’Você leva essas coisas a sério demais, Katsuki’’, é o que comenta depois de um tempo. 

‘’Você deveria levar algumas coisas a sério’’, resmungo, ‘’Se você percebeu que todos ficaram tensos quando você chegou com aquela cara de cu, por que falou aquilo de uma forma tão séria?’’.

‘’Achei que fosse ser engraçado’’, ele retrai seus ombros. Ninguém faz questão de intervir no esporro que estou dando nele e isso me deixa mais confortável para tratar Mirio como a criatura burra que ele é. 

‘’Porque você é um imbecil, isso sim’’, vocifero e desfiro outro soco nele, mas, dessa vez, acerto seu bíceps. Ele tenta se esquivar, mas acabo acertando-o de qualquer forma, fazendo-o gemer de dor. 

Posso ouvir Tokoyami rir ao meu lado, mas, quando vou olhá-lo, ele está de braços cruzados e com a mesma faceta inexpressiva de sempre. 

Denki, o baterista, e a menina de cabelos rosas cujo nome nunca foi mencionado ainda riem, elevando a personalidade cômica e narcisista do Mirio novamente, que começa a rir e a trocar olhares com os dois. Balanço a cabeça, batendo o copo de chá gelado contra a mesa. Se aqueles três virassem cúmplices das próprias palhaçadas, eu socaria-os um por um na garganta até que suas cordas vocais permanecessem tão danificadas que médico algum poderá resolver e eu ficarei pelo resto da eternidade sem ter que ouvir suas piadas patéticas ou suas risadas de hiena. 

“Que clima de velório é esse?”, sou pego de surpresa por Jirou, que se esgueira sobre Yaomomo. Denki já não ri mais, mas a menina de cabelos rosas está vermelha de tanto tentar segurar a risada.

“Mirio é quem estava prestes a ser velado”, Tokoyami comenta com as finas sobrancelhas erguidas, fazendo Jirou inclinar a cabeça com uma expressão confusa.

“Nosso voo é em algumas horas, então acho melhor voltarmos ao hotel”, é o que Yaomomo diz depois de coçar a garganta e lançar um olhar completamente irritadiço para o homem com a tatuagem do corvo. Batuco os dedos na mesa, procurando por Eijiro, “Denki, você falou com o Hitoshi?”.

Aquele nome aguça minha audição.

“Hã?”, distraído, Denki deixa cair uma xícara que tentava equilibrar em sua própria cabeça. O conteúdo é derramado sobre o colo da menina de cabelos rosas, que imediatamente se levanta, espumando.

Mirio se levanta para ajudar a menina ensopada de café preto frio. Isso mesmo, Mirio Togata se levantou para fazer uma boa ação. Sem zoar, nem rir. 

Viro o queixo para olhar na direção da onde Jirou acabou de vir. 

Nenhum sinal dele.

Meu corpo murcha sobre a cadeira.

Quão patético era pensar que estávamos longe um do outro por menos de duas horas, depois de termos passado a noite inteira juntos, depois de termos dormido na mesma cama, sob o mesmo edredom, e eu ainda assim sentir saudades? Eu jamais imaginei que eu fosse ser tão dependente assim de alguém que eu conheço há tão pouco tempo. 

Mas, depois de tudo isso, já não sei mais se o tempo importa. 

Quero dizer, é cabível, numa situação dessas, pensar que sentimento e tempo são duas variáveis cujo crescimento (ou declínio) são diretamente proporcionais? Cabe pensar que uma só crescerá exponencialmente se a outra também crescer? 

Desvio meu olhar para minhas duas mãos sobre o meu colo.

Se eu continuar pensando assim, acabarei suprimindo meus sentimentos, como fiz com Mirio.

A diferença é que Mirio nunca esteve a par do que eu sentia, então desistir da ideia de estar romanticamente envolvido com ele só afetava uma das partes. Com Eijiro a história era diferente. E eu não estou disposto a desistir disso tão cedo.

Jirou rouba o lugar de Mirio ao meu lado e cutuca minhas costelas com um único dedo. Me contorço, tentando entender como é que fiquei tão distraído a ponto de deixá-la invadir meu espaço pessoal novamente. Assim que percebe que conseguiu a minha atenção, ela se reclina sobre a mesa, mas Denki se pronuncia antes que ela pudesse dizer qualquer coisa: 

“Shinso disse que cederia a casa para nos abrigar na formatura do Mirio”.

Mirio, que estava empenhado em secar o café das roupas daquela menina, vira o pescoço para olhar o baterista.

“Hitoshi Shinso?”, ele questiona, “É com ele que você vai ficar pelas próximas semanas?”.

O loiro balança a cabeça afirmativamente. Mirio me olha com um sorriso cruel.

“Se você estiver pensando em correr até o Ukai para tirar sarro do Shinso, vou me levantar e te dar outro murro na garganta”, é o que digo sem muita emoção.

“Quem é que vai brigar com quem?”, surpreendendo a todos, Eijiro aparece atrás da Jirou, apoiando o queixo contra a cabeça da mulher, e se segurando no ferro da cadeira em que ela estava sentada.

Não consigo evitar a merda da palpitação frenética que se inicia em meu peito e tenho que respirar profundamente para não parecer emocionado demais.

“Na verdade, nós estávamos de saída”, Yaomomo diz ao se levantar. Jirou vira o pescoço para olhar para o colega e os dois trocam olhares estranhos, mas ele logo se afasta para que ela se levante.

“Nos vemos em duas semanas então?”, Eijiro pergunta ao puxar um elástico para cabelo do bolso da calça jeans. Desvio o olhar rapidamente para não perder o foco, assim como fiz na noite anterior quando o vi de cabelo preso pela primeira vez.

Tokoyami é o primeiro a se despedir, apesar de Jirou e Yaomomo terem prontamente ficado em pé. Quando os outros três membros, incluindo o desastre do café, vão embora, Eijiro se senta ao meu lado e faz sinal para que Denki e Mirio se aproximem.

“A Momo não pareceu muito feliz com o que acabou de acontecer”, Denki anuncia quando ocupa a cadeira ao meu lado. 

Eijiro suspira. Ele se inclina para alcançar a colher que Yaomomo usava para mexer seu chá e nossos joelhos se batem nesse momento. Apesar disso, seu olhar não procura o meu, como o meu procura o dele. 

“Yaoyorozu é como se fosse a empresária da banda”, Eijiro responde, “Ela é a ocupada de conseguir os locais para os shows e também é quem cuida da parte financeira, já que somos independentes”, sinto sua mão deslizar cautelosamente pela região acima do meu joelho, “Ela sabe que isso afetará a imagem da banda, e a agenda de shows e, consequentemente, o dinheiro que fazemos para conseguir manter os equipamentos e o estúdio em Miyagi”.

Engulo em seco. Seus dedos apertam firmemente minha carne e não consigo me concentrar mais. 

“Mas isso viria à tona uma hora, não é?”, Mirio se intromete. Ele parece levemente preocupado e aquela expressão séria não combina com seu rosto.

“Claro que sim”, Eijiro aperta os dentes e contrai o maxilar. Começo a suar frio, “Mas isso não muda o fato de que vivemos em uma sociedade conservadora. Nossos fãs podem ser jovens, com ideais diferentes dos das gerações passadas, mas a mídia sempre estará a favor da maioria”, constata, “Seja por escolha, ou por comodidade”.

“Então você acha que seremos atacados quando descobrirem sobre a Jirou e a Momo?”, Denki parece inquieto em sua cadeira.

Eijiro ri. Ele bate a colherzinha contra o píres e aperta ainda mais minha coxa.

“Talvez ataquem antes disso”, e finalmente me olha. 

Aquele olhar corroborou com minha preocupação. Aquilo tudo não deveria estar acontecendo. Não com eles. Muito menos agora. Mas a forma com que as coisas estão sendo dispostas... Não consigo evitar de pensar que tenho culpa nisso tudo. Que terei culpa pela banda não conseguir mais shows. Que terei culpa pela banda ser atacada. Porque todo aquele processo foi acelerado. Por mim. E, se eu não fizer alguma coisa, a culpa vai me corroer de dentro para fora. 

 


Notas Finais


🥺🥺🥺🥺 cinco capítulos pro fim.
como ontem eu fui mais uma vez vítima da minha 3nx4qu3c4 crônica e não atualizei, provavelmente eu vou postar outro capítulo ainda hoje, é isto


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