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História Inesperadamente Esperado - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oi gente
Os dias de postagem são aos domingos, porém esse fim de semana eu vou estar ocupada, então decidi adiantar. Melhor do que atrasar né?! Hshshsh

Bom, eu sinceramente sou apaixonada pelo Seoeon e o Seojun, e espero que vocês também gostem muito dessas duas fofuras

Boa leitura!

Capítulo 2 - Dois


Fanfic / Fanfiction Inesperadamente Esperado - Capítulo 2 - Dois

Chanyeol estava realmente cansado da viagem até sua nova casa. Só se deu conta disso quando acordou do sono pesado muitas horas após dormir. Notou que dormiu facilmente em um lugar desconhecido, o que acentuava seu cansaço.

O Park levantou-se de sua nova cama preguiçosamente, indo até as caixas com suas roupas que estavam organizadas num canto do quarto e pegou a muda mais fácil indo tomar um banho.

Só após seu banho, ter secado o cabelo e ido até a cozinha para constatar que precisaria ir no mercado porque havia esquecido de comprar comida para a casa nova, que Park notou a ausência de Toben.

O poodle normalmente estaria a seu lado após tanto tempo, pedindo por comida ou carinho, porém Park não o viu por perto. Então Chanyeol começou a procurar por seu amigo em todo canto do apartamento, finalmente entrando em pânico quando se deu conta de seu cachorro havia desaparecido.

[...]

Baekhyun e os gêmeos cantavam alegremente no carro. O Byun se sentia cansado do dia puxado, e ficou levemente bravo ao saber que sua mãe havia deixado os gêmeos dormirem de tarde, mas mesmo cansado, decidiu aproveitar o momento alegre com seus pequenos usufruindo também do fato de que o dia seguinte seria uma sábado.

Ainda cantando, o trio se dirigiu ao apartamento, não esquecendo de se despedirem senhor Kang que estava deixando seu turno e cumprimentando o Byungchan, o porteiro do horário da noite.

Baekhyun estava tão animado que quando chegou, deixou todas as mochilas das crianças na entrada junto com seus sapatos e foi direto para cozinha preparar algo para comerem. Ouviu as crianças gritarem animadas, e pensou que eles já deviam estar brincando de algo e sorriu com a ideia.

Baekhyun pensava no que iria fazer para jantarem quando Seoeon apareceu na cozinha puxando o tecido de sua calça social para chamar sua atenção.

—Tio Baek. —o tio o olhou constatando o rostinho choroso da criança— O auau fez xixi no desenho que eu fiz pa minha pôfessora.

Baekhyun entrou em desespero ao ver o sobrinho chorar ao fim da frase. Rapidamente abaixou-se o pegando no colo tentando o acalmar. Logo imaginou que fosse Seojun a fazer bagunça, já que o menino ainda tinha dificuldade em ir ao banheiro, por isso tentou acalmar Seoeon primeiro antes de ir até sua sala.

Baekhyun quase caiu de costas com o sobrinho nos braços ao ver a cena em sua sala.

Seojun acariciava um cachorrinho preto enquanto o animal estava de barriga pra cima aproveitando o carinho.

—M-mas, o-o que? —gaguejou questionando se sua visão estava realmente correta— Seojun, onde você arrumou esse cachorro?

—Ele tava aqui quando a gente entou, tio. —o menino respondeu sem desviar o olhar do animal— Ele é muito fofinho, tio. Eu gosto muitão dele.

Baekhyun colocou Seoeon no chão e se aproximou do animal. Pediu para Seojun deixar o animal se levantar e viu a coleira dele.

O Byun se questionava em como aquele serzinho fofo havia entrado em sua casa, afinal a segurança do prédio era excelente. Além de o animalzinho parecer extremamente dócil e nada bagunceiro já que aparentemente tudo estava em seu devido lugar —há controvérsias.

—Meninos, o auau precisa voltar pra casa dele. Ele deve tá com saudade do papai. —Baekhyun tentou explicar pegando o cachorro nós braços.

—Mas ele gostou daqui, tio. —diferente do esperado, quem rebateu Baekhyun foi Seoeon.

—É, meu anjo, mas o papai dele também deve tá sentindo a falta dele. Vocês não querem que ele e o papai dele chorem, não é? —os gêmeos negaram— Então a gente vai precisar ir lá na portaria achar a casa dele.

Os gêmeos concordaram, mesmo que cabisbaixos. Baekhyun então se viu novamente dentro do elevador, dessa vez com um cachorro nos braços e um par de gêmeos grudados em sua roupa.

Enquanto isso, Chanyeol já se encontrava no térreo do prédio, praticamente chorando de desespero ao chegar na portaria.

—Oh, olá, deve ser o novo morador, eu sou Choi Byungchan. —o rapaz da portaria falou.

Chanyeol notou que era um rapaz bonito, novo, de sorriso cativante adornado por covinhas fundas, alto, de cabelos negros e voz macia. Chanyeol até teria tentando flertar com o porteiro —auge do fogo no rabo—, porém estava sentindo o mais genuíno desespero para pensar em algo além de Toben.

—Meu nome é Park Chanyeol. —o Park respondeu rápido demais com a voz tremula— Moço, por favor, me diz que você viu um poodle pequeno preto de coleira vermelha em algum lugar.

O moço franziu as sobrancelhas. Era a primeira vez que via aquele homem a sua frente, e sendo sincero, sua primeira impressão dele estava sendo um tanto confusa.

Bom, era um homem alto, corpulento, vestindo uma camiseta rosa das Sailors, um moletom cinza muitos números maiores e meias amarelas com um Crocs preto. Além do cabelo castanho escuro totalmente bagunçado e os óculos tombados no nariz. Era estranhamente bonito, mais ainda assim, estranho

—Creio que não o vi, senhor Park, sinto muito

Byungchan viu Chanyeol fechar os olhos, provavelmente contendo o choro. Iria tentar confortar o rapaz, mas nesse exato momento o elevador se abriu e ele viu o Byun e os gêmeos saírem de lá, e surpreendentemente com um cachorro nos braços.

—Byungchan, eu não sei como, mas esse meliante aqui estava na minha casa brincando com os gêmeos. —o Byun começou a falar já de longe.

Naquele momento, o Byun podia jurar que o homem que estava apoiando no balcão virou a cabeça como se fosse a própria personagem do filme do Exorcista. Até mesmo sentiu seu corpo se arrepiar dos pés a cabeça.

—Toben! —o Park gritou ao ver seu amigo nos braços do Byun.

Chanyeol praticamente correu dramaticamente durante os pouquíssimos metros que o separavam da família a sua frente. Pegou os cachorros nós braço do homem e o abraçou forte ignorando tudo a seu redor.

—Meu Deus, eu achei que você tinha sumido pra sempre. —exclamou, dessa vez chorando ao ter seu amigo nos braços— Muito obrigado, moço, por ter achado meu amigo. —o Park respondeu finalmente notando o outro homem a sua frente.

Baekhyun e os gêmeos pareciam entretidos demais com a cena de um homem enorme como Park Chanyeol chorando com um cachorro que parecia minúsculo em seus braços como se fosse uma criança. Para Byungchan era divertido ver como mesmo sendo diferentes em vários aspectos, a maneira que o Byun e os Lee's inclinavam levemente a cabeça totalmente concentrados na cena era idêntica.

—Eu o achei na minha casa. Sabe como ele foi parar lá? —o Byun questionou direto. Curioso demais para saber como o cachorro havia entrado em seu apartamento se nem sua mãe sabia seu código da porta. Não sentindo ao menos um pingo de irritação.

—Eu não tenho a menor ideia. Me mudei hoje. Dormi um pouco durante a tarde, e quando acordei ele não estava mais no meu apartamento. —Chanyeol explicou— Talvez tenha saído até antes disso.

Enquanto os dois conversaram. Byungchan mexia em seu computador, e sorriu ao ver a cena.

—Hey, venham aqui, senhores. Já sei o que aconteceu. —o porteiro os chamou— Olhem aqui nas filmagens.

Baekhyun pegou os gêmeos curiosos no colo —quase chorando também ao constatar que estavam pesados e grande demais— para assistirem no computador.

—Como eu sou burro, meu Deus. — o Park exclamou ao ver que Toben havia praticamente passado por seus pés ao sair do apartamento.

—Somos dois. Ele passou na minha frente antes de entrar na minha casa. Podia até mesmo estar desfilando que eu não o veria. —o Byun concordou— Parece que foi só uma pequena arte do seu animalzinho. —comentou divertido.

—Me desculpa pela confusão, prometo ficar mais atento a partir de agora. —o Park afirmou se curvando levemente. Estava com muito medo de seu vizinho o odiar.

—Imagina. Está tudo em ordem em casa. Ele só fez xixi no desenho do meu... —Baekhyun travou por alguns segundos procurando a palavra certa— sobrinho. —disse por fim, a voz vários tons mais baixos.

—Eu realmente sinto muito, senhor...

—Byun Baekhyun. —o Byun respondeu ao se dar conta que Chanyeol esperava que ele lhe informasse seu nome.

—Byun Baekhyun. —repetiu notando a sonoridade bonita do nome do seu então vizinho— Como seremos vizinhos a partir de hoje, fico feliz em nos conhecermos, só não esperava que fosse nessa bagunça. —riu constrangido— A propósito, me chamo Park Chanyeol, mas me chame apenas de Chanyeol. Não gosto de ser chamado de senhor. —olhou para Byungchan deixando claro para ele tambem.

Baekhyun iria responder. Porém Seojun pediu para descer de seu colo, e Seoeon foi na mesma —o que o fez Baekhyun quase ajoelhar e agradecer, já que seus braços estavam pedindo socorro. No chão, o Lee mais novo se aproximou do homem alto a sua frente puxando o moletom da calça dele assim como fazia com seu tio.

—Moço. —o chamou.

Chanyeol mal havia notado as crianças. Estava tão preocupado com a possível bagunça de Toben e com medo de ser odiado por seu vizinho que mal os percebeu, só se dando conta da fofura deles naquele momento. Então abaixou-se ficando sobre seus calcanhares para ficar com a altura semelhante a das crianças.

—Fala, rapaizão. —respondeu sorridente.

—Meu tio disse que o auau ia ficá com saudade do papai dele. Mas você chamou ele de amigo. Cadê o papai dele?

Baekhyun olhou encantado para o sobrinho. Parecia que sua primeira palavra havia sido dita há apenas alguns dias, e naquele momento Seojun falava uma sentença grande, quase sem erros. Estava extremamente orgulhosos de seu sobrinho. Sentia um aperto em seu peito ao notar quão rápido o tempo estava passando. Queria que eles fossem bebês pra sempre.

Chanyeol sorriu com a pergunta da criança. Colocou Toben sobre suas pernas e viu os gêmeos se aproximarem e acariciarem timidamente os pelos ralos do cachorro.

—Toben não tem papai. Ele era sozinho, então eu peguei ele e cuido dele como se fosse meu filhinho, mas na verdade nós somos melhores amigos. —Chanyeol explicou.

—Ele é igual a gente!—o menininho falou empolgado— Nosso papai e nossa mamãe voalam po céu, e o Tio Baek cuida da gente. Ele tamem é nosso meió amigo.

Chanyeol sorriu pequeno sentindo o peso daquelas palavras. Olhou pra cima a tempo de ver os olhos do tio dos gêmeos marejados enquanto ele lutava contra as lágrimas.

Chanyeol não o conhecia, mas ao se imaginar naquela situação se sentiu totalmente empático com o homem, não sabendo como Baekhyun se sentia, mas imaginando que era muito difícil.

—Vocês tem quantos anos? —o Park perguntou tentando mudar o clima pesado que ficou. Ainda estavam na portaria e notou que Byungchan assistia a cena.

Tlêis. —surpreendendo o Byun novamente, quem respondeu fora Seoeon enquanto tentava levantar apenas três dedinhos.

O Lee mais velho normalmente era tímido e desconfiado com estranhos, mas parecia muito a vontade com o Park. Talvez fosse pelo cachorro, Baekhyun pensou.

—Nossa, já são tão grandes. —Chanyeol exclamou arrancando risos da família toda— Toben e eu precisamos ir pra casa nos arrumar pra sair. —fez um biquinho assim como as crianças— Mas, agora eu moro aqui, e vocês podem ir visitar eu e o Toben.

Baekhyun assistiu bobo os gêmeos comemorarem a notícia. Parecia precipitado demais para ele.

—Mas acabou de se mudar. —intrometeu-se na conversa das crianças, adicionando Chanyeol na categoria.

—Sim, e eu amei seus meninos. —Chanyeol escolheu as palavras cuidadosamente se tornando consciente da situação familiar— Se não houver problemas para você, claro, eu adoraria que eles fossem me visitar. Eu aluguei esse apartamento justamente para que minha sobrinha pudesse brincar, mas ainda vai demorar. Além de que eles são umas fofuras, e amaram meu Toben.

Baekhyun teve que concordar ao ver os gêmeos ainda acariciando o cachorro e soltando risinhos ao serem lambidos periodicamente.

—Amanhã, se não tiverem planos, podemos almoçar todos juntos no meu apartamento. —o Park sugeriu— Eu não sou o melhor cozinheiro, mas posso fazer algo que eles gostem. —Chanyeol notou o olhar desconfiado do Byun— Qual é, Baekhyun, seremos vizinhos. Acho que seria legal se nós conhecêssemos.

Baekhyun pôs-se a pensar.

O último morador o odiava com toda sua força devido a bagunça que seus sobrinhos faziam. Sempre reclamando do barulho, das vozes das crianças de manhã no corredor, de tudo. Só o fato de Chanyeol ser extremamente simpático já era ótimo por si só. Pensou que mesmo sendo muito precipitado, não faria mal um almoço para conhecer seu novo vizinho. Incluindo que seus sobrinhos já pareciam ter concordado com a ideia enquanto riam e diziam “vamu tio Baek”.

Chanyeol olhava para o homem que ainda estava acima de si já que continuava abaixado interagindo com as crianças. O Park jura que fez tudo na mais boa intenção, realmente querendo ter uma boa relação com seu vizinho. Mas, ao olhar bem para o Byun, não pode deixar de notar a beleza do homem, mesmo estando levemente escondida atrás da máscara de cansaço. Claro, esse pensamento logo sumiu ao lembrar das crianças e das palavras delas. Provavelmente Byun era um homem com muitos problemas e com duas crianças para criar, jamais teria tempo e olhos para Chanyeol. Por isso o Park se contentou ao saber que já tinha o carinho dos gêmeos que também o conquistaram com sua fofura.

—Tudo bem, nós iremos aparecer lá amanhã. —o Byun confirmou e precisou sorrir também ao ver o sorriso grande que apareceu no rosto do seu vizinho— Eles gostam de rámen e salsicha, só pra avisar. —Baekhyun falou— Sei que é simples, mas eu evito ao máximo de dar comida instantânea pra eles, então eles adoram comer essas porcarias. —revirou os olhos divertido— Para comemorar sua mudança, eu e os gêmeos levaremos uma sobremesa, não é meninos?!

Park sorriu ainda mais ao ver as crianças concordaram.

—Então combinado.

[...]

—E aí você simplesmente o convidou para ir ao seu apartamento ter uma refeição com você? —Kyungsoo perguntou. Chanyeol murmurou uma resposta positiva— E ele aceitou fácil assim? Mesmo com essa sua cara de lesado?

Chanyeol fez uma careta mesmo que o amigo não visse pela chamada.

—Você é um idiota. Por isso eu prefiro o Jongin.

—Você prefere ele porque ele já te comeu. —Chanyeol sentiu seu rosto esquentar por completo sabendo que estava completamente vermelhos. Focou seu olhar nas prateleiras de baixo do mercado para tentar esconder sua vermelhidão.

Após todo o ocorrido no hall de entrada do prédio, ele acabou voltando ao seu apartamento quase saltitante com Toben em seus braços. Se arrumou, dessa vez se certificando que o animalzinho estava dentro de casa e saiu para comprar comida.

A caminho do mercado ligou para Kyungsoo sabendo que ele e Jongin estavam juntos, para poder contar o que havia acontecido aos amigos.

—Eu te odeio, na moral. —Chanyeol falou com os dentes cerrados— Cadê o Jongin?

—Tá aqui do meu lado. Ele baixou um joguinho ridículo de mobilhar casas e não faz nada além disso desde a manhã. —Kyungsoo reclamou. Mesmo não o vendo, Chanyeol podia facilmente visualizar a cena.

—Por que não me surpreendo?! —riu baixinho ao ouvir o amigo resmungar— Mas voltando ao assunto, eu tô no mercado agora comprando as coisas que as crianças gostam de comer para fazer amanhã e também comida pra mim, porque eu preciso sobreviver.

—Você é muito boiola por crianças, Chanyeol. Não tem mais salvação.

—Chanyeol é boiola em qualquer situação. —Chanyeol ouviu Jongin dizer.

—Vai se foder, cara. Eu hein. —revirou os olhos ao ouvir os amigos rirem. Com um pequeno sorriso no rosto, continuou empurrando seu carrinho prosseguindo com as suas compras— Foquem no assunto. Eu quero saber a opinião de vocês a respeito disso. Eu estou com medo de estar sendo muito invasivo e precipitado.

Chanyeol parou em frente a sessão de frutas totalmente tentado pelos morangos bonitos e pêssegos enormes que tanto gostava. Sua mãe havia feito uns doces com as frutas, mas as olhando ali, Chanyeol quis elas puras. E acabou por lembrar que crianças normalmente gostam de frutas e pegou a mais.

—Por que acha isso? —Kyung questionou.

—Bom, é um assunto pessoal e familiar do Baekhyun. —suspirou— Aparentemente os pais dos gêmeos faleceram e ele que cuida das crianças. Considerando que eles tem três anos, deve ser algo recente, e Baekhyun parece ainda muito abalado com a situação. Ele mal sabe como se referir ao meninos.

Chanyeol se apoiou no carrinho lembrando do semblante triste do homem quando os gêmeos falaram a respeito dos pais. Soltou o ar com força se sentindo mal pelo Byun.

—Que barra, cara. —Dessa vez fora a voz de Jongin a ser ouvida— Sendo sincero, você sempre é precipitado, e isso que faz de você especial, saca? Nesse caso, não acho que seja ruim, talvez o cara precise de alguém mesmo, só pra ele se livrar um pouco do peso que sente. Deve ser pesado pra ele carregar a dor da perda e ainda assumir a paternidade.

—Jongin parece até hétero falando assim. —Kyungsoo zombou— Mas eu concordo com ele, Chan. Seu vizinho parece passar por muita coisa, talvez você possa ajudar ele a se distrair um pouco com as merdas que faz.

Chanyeol ficou olhando para as compras no carrinho enquanto mordia o lábio pensando por um tempo ouvindo os dois amigos brigarem pelo telefone.

Baekhyun parecia um cara legal, porém com um peso muito grande nas costas e isso refletia em seu rosto que parecia muito cansado. Talvez Chanyeol realmente pudesse trazer um pouco de ânimo a família dele, por mais que pensasse que seria muito difícil se conter perto do homem bonito. Chanyeol era fogoso, fazer o que?!

—Valeu, gente. Eu vou terminar minhas compras e ir pra casa. Venham me visitar.

—Pode deixar, Chan. Sinto sua falta, e o Kyung também. —Jongin falou e Chanyeol pode ouvir ele levar um tapa— Ele tá falando que é mentira, mas desde que você foi viajar ele não para de falar que tá com saudade.

—Eu amo vocês, seus palhaços. —falou sorrindo— Se sentem minha falta, venham me ver, falou? Até mais.

Desligou a chamada se sentindo mais leve ao falar com seus amigos. Sabia que sentiria falta deles morando sozinho, mas não negava que estava gostando da sensação de ter sua própria casa.

Chegou em casa sendo recebido por Toben, quase chorou ao ver que o cachorro estava ali. Guardou as compras preguiçosamente decidindo por fim tomar um banho longo e finalmente ir dormir com Toben em seus pés. Dormiu fácil, talvez pelo cansaço que ainda sentia.

Na manhã seguinte, Chanyeol acordou cedo, já disposto, totalmente animado com o compromisso que fizera na noite anterior. Tomou um café da manhã preguiçoso, apenas torradas e um suco de morango que havia comprado. Tomou um banho um tanto demorado lavando bem o cabelo —há controvérsias— fazendo questão de secar o mesmo fazendo suas ondinhas naturais sumirem. Colocou uma roupa simples, porém totalmente planejada e esperou.

Ainda faltava poucas horas para que desse o horário marcado, então sentou-se no sofá com Toben em suas pernas e pôs-se a assistir um desenho em sua enorme TV, deixando as coisas separadas na cozinha para fazer o almoço quando chegassem para que comessem a comida quente. Nem deu conta quando adormecera novamente, só notando quando ouviu a campainha tocar.

Do outro lado do corredor, Baekhyun também acordou cedo, mas diferente de Chanyeol, quem estava animados eram seus sobrinhos.

Acordou com Seojun o chamando incessantemente em cima de seu abdômen enquanto Seoeon estada deitado a seu lado acariciando seu cabelo.

—Tio Baek, é hoje que vamu o auau e o amigo dele? —Seojun perguntou ao notar que o tio havia acordado.

—Sim, meu anjo. É hoje. —o tio respondeu meio aéreo do sono.

Com preguiça, olhou para o celular vendo que ainda era pouco mais das sete da manhã e os meninos já pareciam totalmente pilhados.

Seoeon, surpreendentemente deu um grito feliz arrancando risos do irmão e por consequência do tio. Antes de se levantar, Baekhyun ainda aproveitou um pouco os sobrinhos os enchendo de beijos, abraços e carícias ali na enorme cama em que dormiam.

Quando criou coragem de levantar —ou quando as crianças cansaram de ficar na cama. Dá no mesmo— levantou-se e fez o café dos meninos enquanto eles brincavam na sala de estar. Os três comeram juntos na cozinha e Baekhyun arrumou tudo quando terminaram.

Ainda assistiu um filme —que só ele prestou atenção— com as crianças, brincou um pouco com eles, passaram no pequeno mercado próximo ao prédio e falou com sua mãe pelo telefone até dar a hora de banhar os meninos e os deixar prontos.

Naquele dia fora um tanto difícil banhar os gêmeos, já que estavam eufóricos demais e não paravam de falar do cachorrinho, ou do amigo dele totalmente ansiosos para os verem novamente.

—Toben vai meu meió amigo. —Seoeon falou em algum momento do banho.

—Mas eu quelo que ele seja meu tamem, Seoeonnie. —O outro gêmeo rebatou já formando um biquinho de choro.

Baekhyun pensou em intervir, mas parou ao ver Seoeon abraçar o irmão com carinho.

—Ele pode seu amigo, Junnie. Nóis tlêis podemos meiores amigos.—o mais velho dos gêmeos confortou o mais novo gesticulando enquanto falava.

Baekhyun sentiu vontade de chorar naquele momento. Lembrou-se imediatamente dos seus irmão, do quanto brigavam, mas no fim eram completamente unidos, como amigos. Ver que Seoeon e Seojun possuíam uma relação tão próxima e bonita desde pequenos era algo que enchia seu peito num misto de alegria, orgulho, amor e saudade.

Puxou os pequenos deixando muitos beijos nas bochechas molhadas ouvindo as gargalhadas gostosas que soltavam dando como concluído o banho deles e indo tomar o seu.

Estando prontos os Lee e o Byun, foram os três arrumados, cheirosos e animados para o apartamento em frente.

Baekhyun havia se arrumado de maneira simples, apenas calça jeans e uma camiseta básica, mas havia passado bons minuto escolhendo. Estava um pouco nervoso em visitar Chanyeol, afinal, ele o achou tão jovem, cheio de vida e mesmo descabelado e bagunçado, Chanyeol era bonito, e isso fez Baekhyun se sentir um pouco preocupado com sua aparência. O Byun fez o melhor para parecer mais apresentável naquele almoço.

Levava em suas mãos dois potes de sorvete —fora a única sobremesa que conseguira para levar, já que sair com os gêmeos para o mercado nunca era boa ideia— que serviriam como sobremesa enquanto os gêmeos seguravam no tecido jeans de sua calça.

O Byun respirou fundo, um pouco envergonhado até criar coragem para finalmente apertar a campainha.

A cena que viu não era nem um pouco esperada.

Chanyeol abriu a porta ainda um pouco zonzo. Tinha um dos olhos mal aberto, o cabelo outrora liso já estava bagunçado e demonstrando as ondinhas naturais, a camiseta estava torta no corpo e as bochechas avermelhadas e um pouco inchadas. Era nítido que tinha acabado de acordar.

Se fosse seu amigo Minseok, ou alguém que Baekhyun conhecesse, ele riria, acharia engraçado o rosto de quem acabou de acordar. Mas ali, olhando um Chanyeol perdido, mas que sorriu grande ao ver os gêmeos correrem para agarrarem suas pernas compridas, achou fofo, mas não fofo como achava os rostinhos dos seus meninos, apenas achou fofo. De um jeito estranho, mas adorável, um sentimento quase acolhedor.

—Viemos cedo demais? —Perguntou. A voz soando mais divertida do que ouvira em muito tempo.

—Não, não. Eu que acordei muito cedo e fiquei entediado e acabei por dormir. —O Park respondeu já abaixado recebendo abraços desengonçados dos gêmeos.

Baekhyun ainda achava um mistério o motivo que fazia seus sobrinhos se sentirem tão à vontade diante do Park.

—De qualquer forma, desculpe o acordar assim. —O Byun falou tirando sua atenção da cena adorável que era um homem daquele tamanho e porte físico totalmente abobado pelos gêmeos.

—Não tem problema. Entrem. —Os convidou por fim, se colocando de lado e permitindo que os gêmeos entrassem correndo ao encontro da bolinha de pelos negros que estava animada no sofá e o Byun entrasse aos poucos, um tanto desconfiado.

O apartamento era simétrico ao seu, como se fosse o outro lado de um reflexo no espelho, era até um pouco estranho para o Byun ver como seria seu apartamento ao contrário. Mas, parecia maior. Talvez porque a sala de Chanyeol não era tumultuada de brinquedos, e os móveis eram em menor quantidade. Parecia um apartamento genuíno de um homem solteiro e bem organizado. Mal sabia Baekhyun que só estava arrumado porque Chanyeol não teve tempo de explorar sua casa muito bem.

—Seu apartamentos ficou muito bonito. —Baekhyun comentou quando Chanyeol o convidou para ir a cozinha para preparem o almoço.

A cozinha era separada do espaço em que ficava a sala de jantar e a de estar apenas por uma bancada, dando uma boa visão do que as crianças faziam, Baekhyun anotou aquela reforma para fazer em seu apartamento também.

Podia ver as crianças correndo e gritando alegres enquanto brincavam com o cachorro que parecia tão feliz quanto. O tio dos gêmeos sorriu bobo com a cena, e Chanyeol sorriu por consequência.

—Obrigado. —agradeceu após um tempo— Eu tentei dar a minha cara à ele e ao mesmo tempo o deixar pronto para minha sobrinha.

—Tem uma sobrinha pequena? —Baekhyun perguntou voltando sua atenção ao homem. Ele havia colocado a água do macarrão para ferver e havia pegado os utensílios necessários para cortar os acompanhamentos.

—Terei em breve. Está para nascer em dois meses. —Chanyeol sorriu ao lembrar-se que faltava pouco para ter sua princesa nos braços.

—Uau. —Baekhyun exclamou impressionado— Ela nem nasceu e você arrumou uma casa maior para ela? Isso que é tio.

Chanyeol sorriu com aquilo. Ele pensava que o que fez por sua sobrinha era tão pouco comparada ao que Baekhyun fazia pelos seus, e o Byun mal notava isso.

—Digamos que a chegada dela era o estopim que eu precisava para me mudar da minha antiga casa. —O Park contou— Além de que, eu duvido que minha irmã vá parar nela, e eu tenho certeza que minha irmã vai mandar todas as crianças que tiver para mim cuidar sempre que puder. Já estou me preparando.

Baekhyun riu. Chanyeol falava de uma maneira leve e confortável. O Byun confessava que estava um tanto ansioso pelo almoço, imaginando algo formal e desconfortável, já se preparando para ter uma relação restrita com seu vizinho. Mas Chanyeol era o completo oposto do que esperava.

—Gosta de crianças, Chanyeol? —Baekhyun perguntou, aceitando um pedaço de salsicha que Chanyeol o ofereceu.

Chanyeol cortou a salsicha em formato de polvo e colocou sementinhas simulando os olhinhos e pediu para Baekhyun entregar para os sobrinhos comerem como aperitivos. E ele nem precisou verbalizar para Baekhyun saber a resposta.

—Eu amo crianças. —Chanyeol respondeu enquanto assistia a animação dos gêmeos ao verem o pequeno polvo de salsicha.

Baekhyun notou o brilho no olhar do homem ao olhar para as crianças. Ele parecia realmente gostar delas. Tinha certa adoração e carinho no jeito que olhava para eles.

—Então pretende ter muitos filhos. —Baekhyun comentou vendo os sobrinhos voltarem a correr pela casa com Toben correndo junto

—Bom, pretendia. —Baekhyun notou que Chanyeol pareceu acanhado de repente. O Park ficou de costas, mexendo a panela no fogão, e Baek percebeu a tenção em suas costas— Eu adoraria ter muitos filhos. Se eu preferisse garotas.

Baekhyun arregalou os olhos, pensando ter ouvido errado, mas ao ver as bochechas avermelhadas de Chanyeol quando o mesmo virou-se para si, soube que ele estava sendo sincero sobre aquilo.

—Ora, você ainda pode adotar. —Baekhyun tentou não transparecer a surpresa que ainda sentia, porém soube que Chanyeol percebeu quando o mesmo arqueou uma das sobrancelhas.

—Um homem adotar uma criança aqui na Coréia já é difícil, imagina dois homens. Nunca que esse país conservador permitiria algo do tipo. —Chanyeol tentou soar divertido, mas era perceptível certa amargura em suas palavras.— E por mais que eu também goste de garotas, os rapazes sempre foram minha preferência.

Quando os olhares se encontraram, Baekhyun notou algo ali, não sabia exatamente o que era aquilo que refletia nos olhos castanhos de Chanyeol, mas era intrigante, intrigante suficiente para saber que acionaria sua curiosidade. E aquilo era perigoso. Chanyeol parecia intenso demais, Baekhyun mal o conhecia e já podia afirmar isso.

Inflou as bochechas um tanto constrangido. Não sabia muito bem o que dizer a Chanyeol. Não queria que ele pensasse que o repugnava ou algo assim, afinal, Baekhyun gostava de homens também. Mas ainda era chocante para si saber que Chanyeol era gay. Parecia surreal demais.

—A comida está pronta.—Chanyeol anunciou após alguns poucos minutos em silêncio.

Baekhyun assentiu nervoso e foi chamar os gêmeos para comerem, sendo essa sua desculpa para fugir um pouco da presença confortável, mas que pareceu um tanto ofuscante por alguns segundos.

Sentou-se na mesa da sala de jantar de Chanyeol, agradecendo ao mesmo quando este colocou almofadas nas cadeiras para dar altura aos gêmeos.

Baekhyun olhou discretamente para Chanyeol o vendo assoprar a comida dos gêmeos esfriando a mesma. Chanyeol sorria grande enquanto respondia as frases emboladas dos meninos compreendo cada palavra como se falassem o mesmo idioma. O rosto parecia alegre, e isso refletia em sua voz que soava doce para as crianças e para o Byun. Baekhyun notou que parecia outro homem, não aquele mesmo de olhar intenso na cozinha, ou aquele desesperado por seu animal.

Baekhyun mal o conheceu, mas notou que haviam muitas facetas em Chanyeol, e se questionou se valeria pena conhecê-las.

Chanyeol podia sentir o olhar do Byun em si enquanto interagia com as crianças. Não sabia que olhar era direcionado a si, mas já se sentia feliz ao notar que o olhar e expressão cansada que havia visto no Byun na noite anterior, já havia dado lugares a outros, como surpresa, diversão e timidez.

Chanyeol então afirmou para si mesmo que valia a pena tentar seu melhor para fazer a vida de Baekhyun e dos gêmeos um pouquinho mais leve e divertida.


Notas Finais


É isto
Até a próxima
Espero que gostem
Beijos da Yaya


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