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História Inesperado - Capítulo 1


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Notas do Autor


Uma ABO, EreRi, mais um dia. Não fiquem com medo do drama, ok? ✌😗
Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único: Inesperado


Um alfa sempre percebe quando seu ômega está grávido, mas essa sutil mudança é imperceptível para qualquer outro. Mesmo que o outro em questão seja o próprio ômega.

O alfa olhava seu ômega de cima à baixo, ciente de que não era o melhor momento para uma gravidez, apesar de ciente de que agora não poderia ser evitada.

Vistas de cima, as coisas pareciam muito simples e muito fáceis, mas se olhassem de perto, eram bem mais complicadas.

Havia pedido Levi em casamento, oferecido sua marca, sugerido um compromisso entre os dois, qualquer coisa que ligasse um ao outro de modo mais sério, mas fora rejeitado. Apesar de que houvessem estabelecido no início que ficariam apenas um com o outro, já que eram destinados, não estavam em um relacionamento. Levi não queria um alfa, não queria se tornar dependente de um.

E o maior entendia que era questão de Levi perder um pouco da vergonha e dizer as palavras para que fosse aceito, afinal, depois de tanto tempo, era óbvio que o ômega também se sentia inclinado a aceitá-lo, mas a gravidez complicaria tudo.

Primeiro porque Levi não queria filhotes.

Segundo porque não tinham nenhum compromisso sério e ele se sentiria pressionado a aceitá-lo, logo, acabaria por abandoná-lo, exatamente como fez anteriormente quando propôs o namoro, ou se forçaria a aceitá-lo para o bem do filhote, o que jogaria todo o avanço entre eles no ralo.

E em terceiro lugar, era de conhecimento geral os riscos da gravidez de um ômega. Tanto pelo cuidado extremo que deve ser tomado na gravidez, quando pela dificuldade de gerar, então haveriam ainda mais pessoas o fazendo sentir desconfortável. E isso não faria bem nem para ele, nem para o bebê. Mas Eren sabia que precisava contar, porque assim Levi talvez evitasse os riscos, ainda que não muito depois o alfa também passou a acreditar que a gravidez não era real, já que o ômega não tinha quaisquer sintomas e absolutamente nenhuma drástica mudança hormonal. Nem enjoos, um estranho apetite ou excesso de sono... O alfa passou a acreditar que com certeza seu desejo de ser pai o traiu.

Mas, num dia em que o cheiro de Levi estava extremamente fora do eixo, resolveu falar. Ele cheirava suavemente a outro alfa e se não era por um possível filhote, era melhor que aquilo parasse por ali.

- Ômega, eu acho que posso estar errado, porque nós nos precavemos sempre, mas parte de mim acha que você está grávido.

Levi arqueou a sobrancelha bem definida, antes de negar.

- Eu não esqueci de tomar meus remédios uma única vez.

- Eu sei que é responsável, mas...

- Então como acha que eu posso engravidar, Eren? Quer dizer alguma coisa com isso, não quer?

- Será... será que não ficou com outro alfa? Eu sei que estabelecemos isso no começo mas já faz muito tempo. Teu cheiro tá diferente...

- É, mas eu não posso ter filhotes de qualquer um! Querendo ou não, eu tenho um alfa.

- Você não tem a minha marca, então pode fazer o que quiser. Ser difícil engravidar de outro alfa não torna impossível, não pode apenas me responder? - O alfa não entendia que o ômega estava nervoso, porque ele mesmo estava apavorado com a possibilidade. O menor desviou o olhar, agitando Eren com seu silêncio. - Sim ou não, Levi? Pra que dar voltas no assunto? Mesmo que tenha feito, eu não posso dizer nada. Mesmo sendo o teu alfa, eu sei que não gosta de mim da mesma forma que eu gosto de você, então não precisa se martiriza ou hesitar em responder. - O menor ainda assim não respondeu. - Eu só falei porque você trabalha muito e sabe os riscos de uma gravidez.

Num fio de voz, com um tom tão quebrado e choroso que silenciou a sala, o menor respondeu:

- Não, Eren, eu não fiquei. - O Jaeger assentiu. - Não achei que fosse necessário te explicar isso.

O alfa balançou a cabeça.

- Não é.

O problema de uma gravidez indesejada era que aquilo complicaria um relacionamento que já estava francamente desgastado com as expectativas do alfa e com a falta de interesse do ômega. Eren já estava muito cansado. Cansado por insistir num amor que não existia por tantos anos,  se forçando a estar satisfeito apenas com sexo enquanto moravam juntos. E pensar que o relacionamento só perduraria se o ômega não tivesse outra escolha foi o estopim.

E por se lembrar disso, talvez aquela fosse a melhor oportunidade. Por que o ômega ainda carregava o cheiro de outro alfa.

- Okay. Se você não está, acho que é a nossa oportunidade de terminar isso. -  Anunciou. O menor sequer conseguiu responder. - Quando eu concordei com tudo, concordei porque era apaixonado por ti, pensei que deveria apenas esperar e você ia se apaixonar por mim também, mas mesmo depois de todos esses anos isso não chegou nem perto de acontecer. Nós não me faz bem. Estou há anos tentando te cortejar. Mesmo sendo rejeitado, eu insisto tanto... Não quero mais manter isso que nós temos se é pra continuar assim.

Antes de segurar no braço do alfa, Levi secou uma lágrima que caiu.

- Não pode me deixar assim, alfa, eu preciso de você... Eu não quero outro alfa.

- O problema é que você não me quer também, Levi. - Explicou. - Você quer um sexo com uma química incrível, mas nada sério, e eu nunca quis só sexo contigo. Eu quero uma vida, casar, ter filhotes, mas você não quer e eu não lido bem com isso. - O som quebrado da voz do alfa foi o bastante para que o menor compreendesse o quanto o estava machucando.  Um rio se formou sob os olhos do alfa. - Eu não aguento mais...

Levi deu talvez quatro passos até segurar também no braço direito de Eren.

- Vo-você não me entendeu. - Gaguejou. - O que eu não quero, é um alfa que me mande ou me impeça de fazer o que eu quiser. Um alfa que não me respeite e... eu pensei que se estabelecessemos que estávamos namorando naquela época, alfa, você fosse mudar comigo.

- Se quer me fazer mudar de ideia, dizer que não confia em mim é...

O menor choramingou, desidratando todo o corpo pela excesso de lágrimas.

- Gosto de ti. Eu gosto. Muito. E-eu só... tinha muito medo. Pensei que pudesse fazer o mesmo que meu pai fez, então... Eu dizia que não queria engravidar por isso, assim como eu dizia que não queria aceitar nenhum compromisso... Eu quero, mas eu tenho medo, alfa... Tenho medo demais.

Eren tocou gentilmente as bochechas alvas antes de voltar a indagar:

- Levi, você realmente está tomando os remédios?

- Não... - Eren empalideceu, e o ômega logo tentou explicar. - Não foi de propósito, alfa! Não sei o que aconteceu, mas de repente fiquei enjoado, faminto, tão cansado... Parei de tomar quando percebi.

- Escondeu os sintomas de mim?

- Eu estava com medo!

- Você não ia contar? Eu perderia toda a gestação e você não ia me contar?

O rapaz maior tomou fôlego antes de perder a força nas pernas, caindo de joelhos no chão. Suas mãos tremeram mais ainda assim que absorveu tudo. Estava tão tonto.

- A-alfa?

- Nós vamos ter um filhote? Você tem certeza?

- Sim. Já tem quase quatro meses.

- Quatro meses? Já é tão grande... - Se emocionou. - O que é?

- Uma alfa...

- Uma alfa? Não posso ser tão afortunado... - O omega riu. - Levi, tem certeza de tudo o que falou? Sobre nós, sobre a nossa criança, tem certeza de tudo?

O menor assentiu, vendo o alfa cobrir o rosto em meio ao choro que o derrotou de repente. 

E se Levi tinha alguma dúvida de que o alfa iria mudar antes, isso se tornou um fato logo que ele descobriu.

Inesperadamente, Eren caçava animais enormes como presentes ao pequeno lobo que esperavam, eram principalmente animais que retiraram as peles para transformar nas cobertas do ninho, que no final seriam postas no berço assim que a pequena alfa nascesse. Seu ômega ficava tão feliz de saber que tinha um alfa tão forte, que cuidava de si, que cuidaria do filhote, que os alimentaria quando fosse necessário e que os protegeria sempre. Não é que quisesse depender dele, mas sabia que se esse momento chegasse, daria tudo certo, e por isso, quando, como consequência do trauma pós parto, não quis aceitar o filhote deles, Eren o cuidou exatamente como deveria ser feito, e não abandonou o ômega por outros.

- Por que eu não lembro? Se tenho um filhote, porque...

- Por que foi muito difícil. - Explicou, continuando com o cafuné no rapaz vestido de branco. - Muito, mas você é o ômega mais forte que eu já vi, então você fez dar tudo certo.

Levi não estava comprando aquela conversa.

- Não quero esse filhote, Eren, ele não é meu.

Um beijo sobre as mechas negras foi tudo o que veio antes das palavras doces de Eren:

- Tudo bem, não precisa. Se não quer o filhote, ele pode ser apenas meu, ok? Eu vou cuidar bem, mas, será... será que posso te mostrar? Estou tão feliz de poder ter ele nos braços agora.

O alfa estava insistindo por indicação da médica, era também por isso que ele podia falar do filhote para o ômega. O mais velho lembraria mais do bebê se pudesse vê-lo. Seu lobo o reconheceria, e por isso não havia o risco de Levi tentar machucá-lo.

- Eu não quero pegar.

- Não precisa, só quero te apresentar. Posso?

Em alguns minutos, com a confirmação do ômega, o alfa retornou com o filhote nos braços, mas a ligação instantânea que Levi sentiu ao vê-lo era muito real. Os olhos azuis se expandiram, suas narinas farejaram em desespero e então a pequena criança envolta numa manta de peles estava ali.

Seu coração disparou.

Conseguia lembrar da manta, conseguia reconhecer o cheiro do bebê, só não conseguia reconhecer quem era o filhote.

- O nome dela, é Mikasa...

Os lábios secos tremeram.

- Mikasa...?

O alfa não podia saber que aquele nome era da sua irmã, a irmãzinha que faleceu antes mesmo de nascer. Uma alfa, que morreu pelas mãos do próprio pai, num surto de territorialidade em que agrediu uma ômega grávida, como se estivesse lutando contra outro alfa. Levi lembrava disso. Lembrava porque foi exatamente depois disso que seu pai fugiu. Fugiu por matar um filhote, fugiu por agredir uma ômega, fugiu por tê-la deixado para morrer com um garotinho de sete anos do lado.

- Fui eu que dei esse nome?

- Foi.

- Ela é uma alfa?

Eren sorriu como nenhum outro alfa jamais poderia.

- Sim. Nosso primeiro filhote e fomos tão afortunados, são tão raras.

- E é minha? - Indagou, chocado.

- Só se quiser, não precisa se forçar, eu posso cuidar do filhote.

Os olhos claros foram ao pescoço do alfa, olhando a marca que sabia que lhe pertencia. Mas como não conseguia lembrar?

- Estamos casados?

- Ainda que a marca seja mais séria que a cerimônia, ainda não celebramos a festa.  - Comentou, com um sorriso enorme. - Podemos fazê-la logo que você estiver melhor.

- Acasalamos...

A situação não parecia fazer sentido.

- Sim.

- Eu não lembro.

- Não precisa, a médica disse que com o tempo vai tudo voltar. Tudo bem?

- Você ficou comigo, estamos marcamos, temos um filhote, deu tudo certo... isso é um sonho? Como me convenceu?

O alfa riu.

- Também me pergunto sempre isso. Sou tão afortunado.

O ômega vestia o bebê meio confuso.

- Eren, como se coloca isso?

Levaram três meses até que pudesse lembrar completamente e as lembranças do bebê foram as mais demoradas, então quando despertou de manhã, ciente de que tinha um filhote nascido, admirou-o durante horas antes que ela despertasse, mas as fraldas ainda eram uma dor de cabeça, mesmo após ter visto o alfa vesti-la tantas vezes.

Eren riu quando entrou no quarto do filhote, vendo a cama de casal que deixavam ali para os dias em que um deles devia cuidar da alfa por um motivo específico, coberta de talco.

Era a primeira vez que Levi trocava o filhote... O coração do alfa estava tão aquecido agora.

Para que estivesse cuidando dela, o ômega havia acabado de aceitar Mikasa como um filhote dele.

- Isso é... inesperado...


Notas Finais


Muito obrigada por ler e até a próxima!♡
Qualquer erro, me desculpem. Corrigi o melhor que consegui.
Se ficou ruim, peço perdão 🤷‍♀️ pessoalmente eu gostei, então 💁‍♀️
Corrigi os erros, espero que tenham sido todos! 💘


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