História Inesperado - Capítulo 5


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Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Armin, Castiel, Kentin, Lysandre, Nathaniel, Priya, Rosalya
Tags Amor Doce, Romance, Short Fic
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Palavras 7.991
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Okay, esse capítulo está enorme, mas não tive o que fazer. Não consegui pensar em uma forma de dividi-lo na metade (vocês vão entender o porquê quando estiverem lendo).

Nunca levei tanto tempo para escrever alguma coisa e estou muito apreensiva quanto a esse capítulo, mas espero do fundo do meu coração que vocês gostem!

Boa leitura!

PS: as chances são grandes de terem alguns errinhos de ortografia e outras coisas mais, como eu já disse, o texto ficou muito grande e chegou em um momento que eu já havia relido tantas vezes que não conseguia mais encontrar as falhas.

Capítulo 5 - Corpo a corpo.


Esse dia com toda certeza ficará marcado pelo resto da minha vida.

Entre risos, trocas de sorvete, provocações e até algumas ofensas inofensivas, o caminho do posto até o prédio é mais rápido do que eu imaginava.

Nem me lembro quando foi a última vez que nós dois tivemos um momento como esse, de poder simplesmente curtir companhia um do outro. O tempo anda voando ultimamente, a escola, os estudos, meus pais e até mesmo meus amigos tem roubado cada hora do meu dia. Quando vejo já se foi uma semana inteira resumida a alguns poucos beijos e nenhuma conversa real, ao menos cara a cara. O celular ainda ajuda um pouco, mas não é mesma coisa.

Quando finalmente temos um tempinho juntos, estamos tão famintos que a última coisa que queremos fazer é conversar. O que não é ruim. Mas eu sinto falta de ter um relacionamento de verdade ao invés de só alguns encontros pra foder. Ao menos agora tenho certeza de que ele também se sente assim.

Acho que talvez seja hora de contar aos meu pais. Seria tão mais fácil não precisar inventar histórias para ficar na escola até mais tarde e finalmente poder parar de usar meus amigos como desculpa pra sair nos fins de semanas. A Rosa ficaria feliz de saber que não precisarei mais usá-la como álibi quando for dormir na casa dele. Já fazem meses que ela quer fazer uma festa do pijama, mas eu vou tanto na "casa dela" que meus pais estão me controlando um pouco. Mal sabem eles…

Nós dois subimos os três lances de escada sem problemas. Minhas energias estão completamente renovadas. Atribuo isso aos poderes curativos do sorvete, é claro; é como se todo o meu cansaço prévio tivesse evaporado.

Como sempre, bastam alguns passos em direção à porta para que os latidos comecem. Castiel já me disse que Dragon consegue sentir o seu cheiro mesmo antes dele entrar no prédio. E já faz algum tempo que ele passou a reconhecer o meu também, graças a isso eu não tenho mais que bater na porta, quando chego no terceiro andar ela já está aberta à minha espera.

Assim que entramos no apartamento o barulho cessa. O cachorro preto corre até seu dono e então se senta, abanando o rabo à espera de carinho.

— Hey garoto! — Cassy afaga a cabeça do animal com ternura. — Ainda acordado? Estava me esperando, é isso? — Eu tenho certeza que se Dragon pudesse revirar os olhos ele o faria.

Parecendo finalmente me notar, ele se aproxima. De pé, o cachorro se joga em cima de mim e se eu já não estivesse acostumada, depois de cair nas primeiras vezes, eu certamente iria ao chão.

Por que é que ele não pode simplesmente se sentar e abanar a cauda como faz com Castiel?

— Olá monstro! — Desde o nosso fatídico encontro na praia eu continuo o chamando assim. Mas é um apelido carinhoso, tenho certeza de que ele gosta.

Assim que ele se acalma, eu me abaixo pra brincar um pouco. Percebendo isso ele corre para pegar um brinquedo.

— Isso é um gatinho de pelúcia? — Pergunto ao meu namorado com o bichinho na mão.

— Yep — Cassy confirma enquanto vem até mim pegar os palitos dos picolés para jogar no lixo. — O nome dela é Branca.— Ele diz sumindo pela porta da cozinha logo em seguida.

Eu não acredito nisso.

— Você só pode estar brincando. — É impressionante o ponto que essa birra dele chegou.  

— É pra ensiná-lo a caçar — Sua voz insolente vem do outro cômodo.

Eu rio comigo mesma. Acho que ele e o Nath gostam demais de se odiar pra sequer tentarem se entender.

Dragon começa a latir do meu lado, com os olhos fixos na pelúcia. Então eu jogo o gatinho pela porta da sacada e imediatamente o cachorro segue afoito atrás de sua vítima. De verdade, vê-lo com o brinquedo na boca agora me dá um pouco de agonia. Preciso balançar a cabeça pra tirar a imagem terrível da mente.

É isso, deu de brincadeira por hoje.

Me levanto e vou procurar Castiel na cozinha; encontro-o colocando ração na tigela de Dragon.

— Você não tem jeito mesmo. — Provoco, ainda em relação à pelúcia. Ele ri com gosto guardando o pacote de volta no armário.

— Eu te ouvi rindo. Você também achou engraçado. — Meu namorado me acusa com ar zombeteiro.

Pode ser, mas só até começar a ter tremores com as visões de uma Branca destroçada.

Assim que termina com aquela tigela, ele indica com a cabeça a outra que está perto de mim, que eu imagino ser a de água. Passo-a por cima da bancada e então volto ao corredor, para ir até o quarto.

Chegando lá, acendo a luz, me livro dos meus sapatos e me lanço na cama de casal bagunçada. Acho que posso dizer que me sinto a vontade aqui desde sempre. Isso pode parecer estranho, mas foi bem natural na verdade, quase inevitável. A energia dele é tão forte nesse cômodo que mesmo que eu esteja sozinha, é quase como se ele estivesse aqui.

Isso me faz relembrar o dia em que conheci sua casa, meses atrás, e é espantoso como eu ainda me lembro muito bem de tudo, mas também, quem não se recorda com detalhes da sua primeira vez?

 

Alguns meses atrás

Menos de 15 minutos de viagem e o ônibus para pra que eu desça no ponto. No fim, o endereço é mais próximo da minha casa do que eu imaginava.

Espero que Castiel saiba que eu estou chegando. Ele ainda não visualizou a mensagem que mandei quando saí de casa. Mas estou no horário combinado, então…

É engraçado como mesmo depois de alguns meses juntos e o fato dele já ter ido na minha casa várias vezes, a primeira vez que eu estou indo na casa do meu namorado é por causa de um projeto escolar idiota. Mesmo que o plano principal não seja exatamente esse. Um sorriso me escapa ao pensar sobre isso.

Há alguns dias temos tentado encontrar uma forma de eu vir aqui sem o risco de meus pais empatarem. Exatamente quando temos a ideia perfeita, eu iria fingir que estava indo ficar na Rosa, o professor Faraize surge com esse trabalho em dupla. Ele poderia ter inventado isso antes, não? Teria nos poupado bastante.

Castiel nem precisava ter proposto que fizéssemos o trabalho na casa dele, já que era óbvio, mas assim que ele o fez, eu aceitei imediatamente.

E isso me leva ao prédio baixo na minha frente. A construção é antiga, mas ainda tem seu charme. Tenho a impressão de ver algumas plantas escapando da cobertura. Será que alguém mora naquele andar? Ou é algo como um jardim comunitário?

Faço meu caminho através do portão, não há nem sinal de porteiro, mas a maioria desses prédios antigos nem tem um.

Com a mochila pesando nas costas, eu adentro a construção. No térreo eu consigo ver umas três ou quatro portas, mas vou direto para a escadaria, rumo ao terceiro piso. Castiel já tinha me alertado para o fato de que não há um elevador aqui. Isso é um pouco desesperador, mas o prédio tem poucos andares, então não chega a ser um grande problema.

No andar do meu destino só há uma porta e também não tenho como subir mais, já que estou no último piso.

Então é ele quem mora na cobertura?

Bato três vezes e espero. Um latido familiar começa do lado de dentro e eu fico aliviada. Pelo menos sei que estou no lugar certo.

— Cala a boca, cachorro idiota! — Adorável, como sempre. A medida que seus passos se aproximam da porta, os latidos também se intensificam.

A porta é finalmente aberta por um Castiel que tenta sem muito sucesso segurar Dragon, provavelmente para impedi-lo de vir pra cima de mim.

— Qual é o seu problema? — Ele pergunta ao animal completamente eufórico do seu lado. Eu rio da cena e Cassy me olha com uma sobrancelha arqueada.

— Eu vou poder entrar? — Pergunto sarcasticamente. Em resposta, ele só dá um passo para trás, para que eu possa passar pela porta.

Ele ainda está segurando o cachorro, que continua muito animado.

— Deixa ele, você sabe que não tenho medo.— Me olhando em desafio, ele liberta Dragon. E eu imediatamente me arrependo de ter pedido por isso.

O animal corre em minha direção e então pula em cima de mim. Eu não estava esperando por isso então obviamente me espatifo no chão. Ouço a risada de Castiel, mesmo que não consiga vê-lo, já que o monstro em cima de mim tampa toda a minha visão. Abanando o rabo de felicidade, ele me olha com diversão. Apesar de tudo, ele ainda é fofo.

— Você pode me ajudar com isso? — Eu tento, mesmo que eu já suspeite da resposta.

— Você disse que podia lidar com ele, agora vá em frente. — Mas é óbvio.

Com algum esforço eu consigo mover aquele peso de cima de mim e me sento, o cachorro faz o mesmo do meu lado, como se estivesse esperando por alguma coisa. Eu reviro os olhos e então começo a acariciar sua pelagem escura e ele se deita. Ele é um amor, me espanta como um cachorro consegue ser mais amável que o próprio dono.

— Você sabe a razão de tudo isso, certo? — Pergunto ao meu namorado sem parar de correr meus dedos pelo animal. — Ele sente minha falta. Se você o levasse pra me ver com mais frequência ele estaria mais tranquilo. — Eu esclareço.

— Eu quase não consigo te ver. Se meu cachorro te visse mais que eu, certamente teria algum problema aí — Ele zomba encostado na parede.

— Bom, a companhia dele me diz mais que a sua. — Obviamente não falo sério, mas não vejo mal em provocar. Ele sorri de lado, cruzando os braços sobre o peito.

Só agora consigo olhar ao redor. O apartamento não é enorme, sendo uma cobertura eu esperava um pouco mais de espaço. Mas é um prédio velho, os parâmetros são diferentes, eu acho.

Mesmo assim, não é o que eu imaginava. Branco e cinza são as cores predominantes aqui, é tudo claro demais. Quer dizer, é muito bonito, bem moderno e bem decorado, extremamente limpo e organizado. Mas eu não enxergo muito bem como Castiel se encaixa aqui, obviamente foram os pais dele os responsáveis por isso, mas me espanta um pouco que tudo continue assim mesmo que eles raramente passem muito tempo aqui.

Sentada, no meio da sala de estar, eu consigo ver a grande mesa de jantar do outro lado do cômodo, onde também há uma abertura na parede, que eu tenho certeza de que dá para a cozinha. Do meu lado existem duas portas de vidro, elas estão abertas, mas as cortinas brancas me impedem de ver o que tem depois delas, ainda assim tenho a impressão de vislumbrar um pouco de verde. Seriam aquelas plantas que eu vi lá de baixo?

Chuto que seja o espaço de Dragon, já que não imagino Castiel passando muito de seu tempo ao ar livre.

Algumas molduras pendem nas paredes e uma quantidade considerável de porta retratos estão distribuídos pela estante. Daqui não consigo distinguir muito bem o que são as imagens, mas a possibilidade de alguma delas ser de um Castiel criança imediatamente me deixa curiosa.

Animada, eu me levanto, deixando um Dragon magoado no chão, e começo a andar em direção às fotos na parede.

— O que você está fazendo? — Meu namorado, repentinamente, surge na minha frente. Ele está com medo? Ou será vergonha?

— Quero ver as fotos… — Tento me esquivar, mas ele não permite. Seus braços envolvem minha cintura e ele me puxa contra ele.

– Pra quê fotos se você já me tem aqui? – Ele desconversa me olhando nos olhos, seu rosto a poucos centímetros do meu.

Eu sei o que ele está fazendo. Mas, mesmo assim, me deixo ser beijada por seus lábios exigentes, só tempo suficiente para satisfazer meu desejo involuntário.

Voltando o foco para minha missão anterior, me afasto dele. Com toda a minha força, tento tirá-lo da minha frente, mas não tenho sucesso. 

— Temos um trabalho pra fazer. — Com puro divertimento estampado no rosto, ele agarra meu braço e, depois de pegar minha mochila no chão, começa a me empurrar em direção ao corredor.

Se Castiel acha que eu vou desistir de ver aquelas fotos ele não me conhece muito bem. Talvez não seja agora, mas eu ainda vou dar um jeito de vê-las. Ele só deixou as coisas piores tentando me impedir.

Andando pelo corredor, a primeira porta, ou melhor, passagem, da direita é a cozinha. Exatamente como o resto do apartamento, ela é limpa e moderna. Em uma das paredes consigo ver aquela abertura que imaginei que daria pra cá, então eu estava certa. Passo os olhos rapidamente pelo espaço, mas não tenho muito tempo de reparar nos detalhes, já que continuo sendo arrastada pelo longo corredor.

Existem mais quatro portas. São quartos? Talvez um banheiro? Passamos direto por três delas, o que me deixa um tanto quanto frustrada. Ele não vai mesmo me mostrar a casa?

Percebendo meu desânimo ele nos para no lugar e, com um suspiro, ele indica cada uma das portas:

— Esse era o quarto de hóspedes, mas agora é uma academia improvisada — Deve ser realmente inútil ter um quarto de hóspedes quando o quarto de seus pais está quase sempre vazio. — Aqui é o quarto dos meu pais, e ali é o banheiro de visitas. — Ele fala correndo, mas ainda consigo entender. — Satisfeita?

Na realidade, não. Eu gostaria de ver mais do que só portas fechadas, mas se tratando do Castiel, não dá pra exigir muita cortesia.

Sigo ele até a última porta, que obviamente deve ser o quarto dele. Ele a abre sem cerimônia nenhuma e faz um sinal para que eu entre.

Ah, agora sim. Finalmente algo que remete ao meu namorado.

O cômodo é enorme, provavelmente é o quarto principal, mas como os pais dele quase não ficam aqui, devem ter escolhido dar a ele.

A maior parte das paredes são pretas, algumas são cinzas e as outras tem textura de tijolo, não sei se são realmente tijolos ou papel de parede, mas o efeito é bem legal.

Em um dos lados do quarto vários pôsteres estão pregados à parede, algumas de nossas bandas preferidas estão ali representadas. Um sofá de couro preto, onde sua guitarra vermelha está jogada, está posicionado contra ela. Consigo reconhecer o amplificador ali do lado, aquele que eu ralei pra arrecadar o dinheiro pra comprar. Duas grandes portas de vidro ficam logo em frente e levam para o mesmo espaço que as da sala de estar, imagino eu.

A cama dele, de casal, fica encostada na parede oposta às portas e, em frente à ela uma televisão enorme está fixada na parede. Sobre a cabeceira uma guitarra prateada é segurada por um suporte.

Mesmo que eu duvide que ele tenha roupa suficiente pra encher tudo aquilo, um armário escuro cobriria quase uma parede inteira se não fosse a outra porta ali, que eu suspeito que seja de um banheiro.

Sinceramente, não esperava tamanha organização, a julgar que ele mesmo já havia me dito que não ligava para isso. Suspeito que ele tenha se esforçado justamente porque eu viria, mesmo que ele nunca vá admitir isso.

— Sabe, eu não te trouxe aqui para analisar meu quarto — a voz de Castiel soa atrás de mim, um tanto quanto desconfortável.

— Ah, sério? Eu achava que você queria que eu desse uma repaginada no espaço — zombo olhando para ele sobre o ombro.

Com os braços cruzados, ele bufa e revira os olhos. Típico.

— Vamos fazer essa merda logo — sem paciência alguma, ele pega o notebook na mesinha de centro e se senta na cama, jogando minha bolsa aos seus pés.

Rindo por dentro, tiro meu tênis e sigo-o para a cama.

— Vamos manter o que decidimos na aula? — pergunto enquanto busco por minhas anotações de história dentro da mochila.

— O que você definiu em aula, você quis dizer — Imediatamente o encaro irritada. Eu entendo que ele não falou sério, mas minha reação é involuntária. Sim, fui mesmo eu que decidi, mas só porque ele não tinha disposição ou vontade nenhuma de cooperar, e ele sabe disso.

Eu odeio pessoas que criticam sem fazer nada para ajudar ou melhorar, ainda mais quando se trata de uma tarefa séria e com nota envolvida. Eu e Alexy já brigamos tanto por isso que tenho certeza de que ele se sentiu aliviado quando eu passei a fazer meus trabalhos em grupo com o Castiel.

Conto até 10 e respiro fundo. Não quero brigar hoje e como ele parece ter percebido minha insatisfação prefiro deixar pra lá. Felizmente ele também não insiste, ao invés disso, volta seus olhos para a tela e começa a nossa pesquisa.

Encostados na cabeceira da cama, passamos algumas horas focados no trabalho, em algum momento, entre uma das discussões sobre o tema, Castiel se cansa de digitar e passa o notebook para mim. E lá se vão mais vários minutos de pesquisa infinita.

— Ei, você tá com fome? — Ele pergunta depois de um longo silêncio onde o único som era o das teclas.

Subitamente meu estômago começa a doer. Se ele não tivesse comentado eu nem teria percebido que não como há horas.

— Um pouco — respondo olhando sobre a tela do computador para o corpo estirado na cama. Com um de seus braços tampando seu rosto, eu teria suposto que estivesse dormindo caso ele não tivesse acabado de falar comigo.

— Acho que era esperado que eu te oferecesse algo há bastante tempo, não é? — Ele move o braço para me olhar inquisitivo, mesmo que a questão soe mais como uma autocrítica do que uma pergunta direcionada a mim. — Em minha defesa — ele começa, sentando-se na cama e então correndo os dedos por suas madeixas bagunçadas — o tempo passou muito depressa.

Quanto a isso eu não posso discordar, foram quatro horas que correram como quarenta minutos.

— Realmente – suspiro. — Mas agora falta pouco pelo menos.

— Finalmente! — ele exclama de maneira irônica enquanto se levanta da cama sem muita vontade. Ele então se espreguiça e ruma em direção à porta.

— Precisa de ajuda com a comida? — Sigo-o com olhar até o batente.

— Não, só continue com esse inferno. — Sua voz ecoa já do corredor.

Eu falei sério quando disse que faltava pouco, só algumas referências e uma última revisão. No fim não foi tão cansativo quanto eu imaginava. Mas também, história sempre foi uma matéria interessante para mim, uma de minhas preferidas.

Consigo corrigir os últimos detalhes rapidamente e a pesquisa finalmente chega ao fim. Aliviada, coloco o notebook de lado e estico as pernas, aproveitando para estimular meus músculos dos braços e pescoço, que já estavam rígidos pelo tempo na mesma posição.

Não há nenhum sinal de Castiel, o que me faz imaginar que talvez ele esteja com alguma dificuldade na cozinha. Penso em ir ao seu encontro, mas a curiosidade que me toma ao realizar que estou sozinha em seu quarto é muito mais apelativa.

Consciente de que não tenho muito tempo, me levanto imediatamente. Tento focar em todos os menores detalhes enquanto percorro os quatro cantos de seu quarto, mas são as fotos presas à porta do armário escuro que prendem minha atenção. Eu não tinha reparado nelas antes.

Instintivamente meus dedos se levantam para tocar a primeira impressão e um sorriso se forma em meus lábios.

Nela, um jovem Castiel, de uns 11 ou 12 anos, segura um filhote de cachorrinho nos braços. Dragon, é claro. É estranho vê-lo com seu cabelo natural, me faz imaginar como ele se pareceria agora se não fosse a tintura vermelha. É algo que, definitivamente, eu gostaria de ver algum dia.

Na segunda foto, claramente mais atual, Castiel está sentado em sua cama tocando uma guitarra prateada, que reconheço ser aquela que agora está presa à parede.

Essa imagem me traz várias sensações, mas diferentemente da anterior, algumas delas não são muito boas. O desconforto e o patético sentimento de ciúmes me faz morder os lábios. Apesar da serenidade e o sentimento de paz que a fotografia transmite, seu cabelo preto me faz perceber algo que eu não gostaria.

É bem óbvia a identidade de quem o fotografou. E por mais que seja bobo, não consigo me impedir de sentir incômodo. Mesmo que eu saiba que o fato dele ter uma foto tirada por ela não significa nada.

Irritada com a minha própria idiotice, decido passar adiante e prestar atenção nas últimas impressões. Nesse momento, meus lábios se moldam em um sorriso e, num piscar de olhos, toda sensação ruim se vai.

A primeira delas, que eu reconheço ser a mais antiga, foi tirada no piquenique que fizemos, só eu e ele, pouco tempo antes de iniciarmos nosso namoro. É engraçado porque eu também tenho essa foto em meu quarto, mas em um mural, com muitas outras.

A segunda me faz franzir as sobrancelhas. É uma selfie de nós dois que eu tirei com meu celular no aniversário dele, há poucos meses atrás. Foi uma comemoração pequena em um restaurante de fast food, só alguns de nossos colegas de sala estavam presentes.

Naquela época nós já estávamos namorando, mas ninguém sabia. A foto foi tirada no finzinho da festa, quando conseguimos ficar sozinhos por um pequeno período. Eu estou sentada no colo dele e seu rosto está apoiado em meu ombro. Nós dois olhamos para a câmera com sorrisos cansados, mas sinceros. Tinha sido um longo dia e nós dois estávamos exaustos.

O que me deixa confusa é o fato de que eu não me lembro de ter enviado essa foto para ele. O que significa que ele mesmo deve ter feito isso em um dos momentos que esteve com meu celular em mãos. Saber disso aquece meu coração.

Passando para a próxima foto, meus olhos se reviram imediatamente. Sou eu na nossa última ida à praia. Mas não é o fato dele ter uma foto minha de biquíni que me incomoda e sim a minha expressão.

Eu estava brava com ele porque eu queria companhia para um mergulho e ele se recusou a ir comigo. Quase como na primeira vez que nos encontramos lá, mas naquela ocasião a Íris conseguiu convencê-lo.

Nessa imagem, de braços cruzados, meu rosto está tomado por irritação. Não entendo o motivo dele ter essa foto que ele claramente tirou sem que eu percebesse, já que tiramos muitas fotos nesse dia e certamente todas eram melhores que essa. Mesmo assim, eu me sinto bem em saber que ele tem essa foto presa aqui, quer dizer que significa algo para ele.

Feliz, passo meus olhos mais uma vez por todas as imagens antes de voltar a andar pelo espaço.

Me pergunto onde está Dragon, já que a porta esteve aberta esse tempo todo e não vi nenhum sinal dele.

— O que você está fazendo? — A voz de Cassy me faz pular no lugar. Me viro para a porta para encontrá-lo desconfiado com uma bandeja nas mãos.

— Só olhando ao redor — Dou de ombros, enquanto me distancio da parede de pôsteres que estava observando para voltar para cama.

Ele vem até mim e entrega um prato com um sanduíche e um copo de refrigerante de limão, se sentando, em seguida, na minha frente, com seu próprio lanche em mãos.

Ele franze as sobrancelhas ao notar o notebook fechado, talvez se perguntando o motivo de eu ter parado.

— O trabalho tá pronto — Eu esclareço. — Só falta imprimir agora. — Ele suspira aliviado. Chega a ser cômico como, apesar de parecer que não, ele se importa sim com a escola. Talvez não tanto quanto Nathaniel ou Melody, mas mais do que a atitude dele faz transparecer.

— Tenho uma pergunta — Quebro o silêncio após alguns minutos em que estávamos focados somente em comer. Ele acena com a cabeça para que eu vá em frente. — Onde está o Dragon? — Indago depois de mais uma mordida.

— Não sei, provavelmente lá fora —  ele responde depois de limpar a boca com as costas da mão.

— Você não deixa ele entrar aqui? — Pergunto colocando o copo de lado.

— Deixo, mas por alguma razão ele não vem quando tenho alguém comigo. — Eu arqueio a sobrancelha para a sua resposta e Castiel ri da minha expressão.

— Alguém tipo o Lysandre… — Ele zomba — Você nem imagina o quanto nós dois nos divertimos aqui — Eu balanço a cabeça para o seu sarcasmo e então nós dois começamos a rir.

Termino de comer e coloco o prato na mesa de cabeceira. Poucos segundos depois ele faz o mesmo e então se inclina para trás, apoiado nos braços.

Nós dois ficamos em silêncio. É óbvio o que vem agora, mas por alguma razão que eu não consigo entender nenhum de nós toma a atitude.

Pelo sorriso insolente que ele tem nos lábios enquanto me olha de canto de olho, fica claro para mim o que ele quer. Castiel não vai mover um músculo antes que eu tome a iniciativa.

Em outras circunstâncias eu me negaria e o forçaria a dar o primeiro passo. Mas nós passamos tempo demais estudando e eu não quero desperdiçar meu tempo com um jogo bobo sabendo que dormir aqui não é uma opção e eu preciso voltar para casa em algumas horas.

De joelhos, eu engatinho em sua direção e infiltro meus dedos em seu cabelo bagunçado. Seu sorriso imediatamente se alarga e seus olhos brilham em desafio ao encontrarem os meus. Sem quebrar essa conexão, eu aproximo nossas bocas o suficiente para capturar seu lábio inferior entre meus dentes.

Isso é o suficiente para que Castiel se considere o vencedor de seu joguinho, já que ele envolve minha cintura com seus braços e ataca meus lábios com fervor logo em seguida. Completamente faminta, passo meus braços por seu pescoço e puxo-o para mais perto, o que é um tanto quanto complicado devido à nossa posição. Sendo assim, ele desce suas mãos para o meu quadril e me faz sentar em seu colo, isso sem nunca descolar sua boca da minha.

Mais do que nunca, meu corpo queima com a certeza de que dessa vez não há nada que possa nos impedir de ir até o fim.

Possivelmente com o mesmo pensamento em sua cabeça, sem cerimônia alguma, ele retira minha blusa e passa a distribuir beijos por toda a pele do meu colo exposto. Cada toque de seus lábios em meu corpo fervente é uma centelha a mais na onda de arrepios que me tomam por completo. Mas isso não é o suficiente. Eu preciso tocá-lo.

Tão impaciente quanto eu, Castiel me ajuda com a difícil tarefa de tirar sua camiseta em meio aos beijos e então, finalmente, eu posso correr minhas mãos por seu torço nu.

Instintivamente forço meu quadril contra o seu e de imediato o sinto suspirar pesadamente contra meu pescoço. Sei que ele está excitado, eu consigo senti-lo com perfeição debaixo de mim.

Castiel solta meu sutiã sem nenhuma dificuldade e se livra dele logo em seguida. Sua língua percorre o caminho de meu pescoço à minha clavícula e continua a descida até meus seios. Eu tento, mas não consigo segurar por muito tempo os gemidos que escapam de minha garganta. Ele teve tempo para aprender exatamente o que fazer, onde tocar, o que torna todas as nossas sessões de amassos e explorações, que se arrastaram pelas últimas semanas, um pouco menos frustrantes.

Corro minhas unhas por seu couro cabeludo e desço pela nuca e costas. Tão vulnerável quanto eu estou ao seus toques, seu corpo quente treme contra mim e, em resposta, ele força seus dentes contra meu ombro, o que causa um delicioso espasmo na minha espinha.

Estimulado pelas reações de meu corpo, com um único impulso minhas costas são jogadas contra o colchão e seu corpo paira sobre o meu. Por um breve momento me parece que ele tem algo a dizer, mas ao invés disso ele toma minha boca mais uma vez. Desço minhas mão para o cós de sua calça de moletom, com a intenção de retirá-la, enquanto isso Castiel tem dificuldades para desabotoar meu shorts, já que nós dois estamos tentando ao mesmo tempo.

Percebendo que dessa forma não vai funcionar, ele senta na cama para tirar a própria calça. Copiando sua ação, começo a fazer o mesmo, mas em uma questão de segundos Castiel está de joelhos na minha frente e, sem cerimônia alguma, com um único puxão, ele retira tanto meu shorts quanto minha calcinha.

Eu lutei uma guerra com meu corpo por muito tempo e tive uma crise grande na pré-adolescência por conta da minha aparência. Nunca fui uma criança magrinha, mas conforme fui crescendo meu peso só aumentava, além disso, minhas sardas sempre foram uma vergonha pra mim e a grande cicatriz na minha barriga só piorava a situação.

Meus pais fizeram o possível para que eu tivesse uma alimentação saudável e me colocaram em aulas de dança para que eu me exercitasse, mas foi só depois do sermão de um médico e da possibilidade de ter que fazer outra cirurgia que eu passei a me dedicar na tarefa de mudar de hábitos e me tornar uma pessoa mais saudável.

Com o tempo eu aprendi a amar minhas sardas, mas confesso que o movimento de aceitação à beleza natural ajudou bastante nisso. O mesmo ocorreu com a minha cicatriz, não me importo mais em usar roupas que deixem ela a mostra, mesmo assim, as vezes me pego imaginando como eu seria sem ela ali.

Mesmo que eu agora aceite meu corpo com todos os seus defeitos e qualidades, não é fácil se sentir confiante quando é outra pessoa que está te analisando.

Dá para considerar que Castiel já me viu nua antes, mas por partes, nunca completamente como agora e se torna impossível impedir a onda de insegurança que me assola. Mesmo que eu já tenha tido seus lábios e mãos em várias partes de meu corpo antes e todas as vezes que ele me fez vir em seus dedos, talvez seja a expectativa da primeira vez que traga toda a insegurança e a ansiedade.

Seu olhar se demora em cada parte do meu corpo com uma intensidade que me faz ferver, é quase como se ele soubesse que estou desconfortável, e provavelmente sabe, talvez seja justamente por isso que ele esteja levando tanto tempo. No entanto, preciso admitir que a sensação de tê-lo me analisando dessa forma é extremamente gratificante.

Felizmente ele não faz nenhum comentário, ao invés disso suas mãos tocam meu tornozelo e sobem por minhas pernas enquanto ele volta a se aproximar. Assim que suas mãos atingem minha cintura eu as seguro no lugar, impedindo-o de continuar, e afasto seu corpo do meu. Sentando-me na cama, eu infiltro meus dedos no elástico de sua boxer cinza e puxo-a para baixo. Ele mesmo faz o resto do trabalho.

Me pergunto se os homens também sentem essa insegurança sobre seus corpos. Imagino que sim, quer dizer, é óbvio que eles também tem uma pressão sobre como devem parecer, mas tenho dificuldade em imaginar um Castiel insatisfeito com algo em sua aparência. Talvez eu pergunte sobre isso em algum momento.

Também é a primeira vez que posso vê-lo completamente nu, e eu não vou dizer em voz alta, mas ele é bonito, muito bonito. Imediatamente meus olhos buscam a manchinha que eu sei que ele tem no quadril, não sei exatamente o porquê, mas eu gosto dela. Talvez seja por causa do sentido de beleza imperfeita que ela trás.

É engraçado como a parte que teoricamente deveria me chamar mais atenção é a que menos me interessa nesse momento. Eu já a vi antes, já a toquei e talvez seja justamente por isso que meu foco está todo em outras partes. Ainda assim, é inevitável não reparar.

Castiel deve saber que tem sorte. Ele é do tamanho exato para impressionar sem assustar e só a ideia de tê-lo dentro de mim é o suficiente para fazer minha intimidade pulsar, mesmo que eu saiba que a dor provavelmente vai ofuscar qualquer outra sensação. A parte boa é que não vou precisar esperar muito mais tempo para descobrir se essa suposição está correta.

Tão ansioso quanto eu, ele me prensa novamente contra o colchão, com seu corpo pesado sobre o meu. Suas mãos firmes me tocam em todas as partes e arrastam trilhas de calor por onde passam.

Insatisfeito em dominar apenas minha boca, seus lábios atacam meu pescoço, ombros e seios, não só com beijos, mas com chupões e pequenas mordidas também. Seus próprios suspiros e gemidos, resultantes do meu toque em seu corpo febril e dos ocasionais puxões em seu cabelo, se mesclam aos meus.

Seu quadril perfeitamente encaixado entre minhas coxas não me deixa esquecer que com um único movimento ele poderia estar dentro de mim e inevitavelmente o nervosismo brinca novamente com o meu psicológico. Eu não deveria estar preocupada com a dor, mas não tem como impedir e eu sei disso.

Com seus lábios de volta aos meus, ele infiltra uma das mãos por debaixo do travesseiro ao lado de minha cabeça e o som de plástico me faz sorrir contra sua boca.

- Eu não queria ter que me afastar - ele justifica e eu não digo nada, somente me mantenho sorrindo. Ansiosa, avanço para pegar a embalagem de sua mão, mas ele a afasta de mim.

- Ainda não - ele agarra meus punhos e os leva para o alto de minha cabeça, segurando-os contra a cama com uma das mãos.

Um tremor percorre meu corpo com a expectativa do que quer que ele esteja tramando. Com uma sobrancelha arqueada, olho-o nos olhos tentando decifrar o sorriso presunçoso em seu rosto, mas sem explicação alguma ele volta a se inclinar e me beija com fervor. Instintivamente meus braços tentar abaixar para tocá-lo, mas seu aperto os segura no lugar.

Seus lábios traçam meu rosto e então fazem caminho por minha bochecha, têmpora, maxilar e então descem para minha garganta e clavícula.

Sua mão finalmente liberta meus pulsos, mas só para poder agarrar meus seios enquanto sua boca ruma para o mesmo lugar.

O calor entre minhas pernas beira o insuportável. É fácil controlar seu corpo quando você sabe que não vai passar de um amasso e algumas provocações, mas a realização de que dessa vez é pra valer me torna refém de todas essas sensações que Castiel me causa.

Como se para aplacar uma parcela do meu desejo, meus dedos se infiltram nos seus fios vermelhos enquanto a outra mão agarra o edredom escuro com força. É um alívio não precisar me preocupar em manter o silêncio, mesmo que não acredite que em hipótese alguma eu seria capaz de segurar os sons que vez ou outra saem da minha boca.

Totalmente necessitada, parece que a queimação em meu baixo ventre será finalmente aplacada quando ele se afasta de mim. Olho ao redor procurando pela camisinha, mas antes que eu possa localizá-la, meus olhos se fecham com tamanho prazer que me toma quando sua boca toca meu abdômen. Sinto-o sorrir contra a minha pele com o gemido torturado que escapa da minha garganta.

Completamente consciente, ele trilha um caminho para baixo com seus beijos, se aproximando perigosamente do meu ponto crítico. E ele parece decidido a seguir em frente.

Sei que já o tive em minha boca algumas vezes e que ele me disse que retribuiria assim que possível. Só não pensei que ele estivesse falando sério, e muito menos que ele pretendesse fazer isso hoje. De qualquer forma, eu imploro mentalmente que esse seja realmente o caso, que isso não seja só mais uma de suas provocações.

- Eu nunca fiz isso antes - Ele diz levantando o rosto do espaço entre as minhas coxas - Então me peça pra parar se eu fizer algo muito errado ou te machucar de alguma forma, okay? - É reconfortante perceber em seu olhar como ele está inseguro mesmo com a confiança pesando em sua voz.

Eu só aceno com a cabeça, o meu próprio nervosismo e ansiedade me calam e me impedem de pensar de forma coerente. Atendendo meu pedido mudo, por fim, seus lábios finalmente me tocam onde eu mais preciso.

É estranho e instintivamente sinto vontade de fechar as pernas, o que é impossível com ele ali no meio. Castiel não tem ideia do que está fazendo, é evidente, ou talvez seja eu que não consigo relaxar e aproveitar.

Por alguns segundos eu não sinto nada além de desconforto, mas felizmente isso não dura muito, logo a sua persistência mostra resultado e ele vai  descobrindo pouco a pouco exatamente o que fazer para arrancar reações do meu corpo.

A ideia de dar prazer a um parceiro com a boca sempre foi atrativa pra mim. É algo que eu gosto de fazer, mesmo que a maioria das garotas não se sintam da mesma forma. Apesar disso, o contrário sempre me pareceu estranho. Eu tinha vontade de experimentar, é claro, mas nunca foi uma prioridade pra mim.

Meu corpo estremece com sensação deliciosa de sua língua persistente contra o meu centro pulsante. Suas mãos firmes fazem força para manter minhas pernas abertas, não porque eu queira fechá-las, mas porque eu não tenho mais controle sobre elas. A combinação de seus lábios e sua respiração leva embora qualquer resquício de razão; meus gemidos saem sem qualquer tentativa de contenção e eu não poderia me importar menos, assim como não consigo me preocupar com o fato de que eu talvez esteja puxando seu cabelo forte demais. Ao menos ele não se importa, pelo contrário, ele adora.

Isso é um alívio pra mim, não precisar me preocupar com estar machucando-o ou não quando eu mal consigo fazer algo fácil como manter minha boca fechada. Eu não pensava que fosse ser tão difícil ficar quieta já que eu sempre consegui me manter sob controle nas vezes que fomos mais longe. Mas ao menos ele também deixa escapar alguns sons abafados vez ou outra, principalmente quando eu agarro seus fios ruivos com um pouco mais de força ou corro minhas unhas por sua pele.

A pressão que começa a se construir em meu baixo ventre é o indicador de que meu orgasmo está próximo, e assim como nas outras vezes que experimentei essa sensação, fico dividida entre a vontade de implorar para que ele pare com essa tortura deliciosa e a de segurá-lo ali para sempre, mesmo que eu saiba que não vou aguentar por muito mais tempo.

Percebendo meu estado, Castiel empurra dois de seus dedos para dentro de mim.

- Cass… - Minha voz falha, interrompida pelo gemido mudo que deixa minha boca. Trêmula e de olhos fechados, sinto-o sorrir contra minha pele e isso, juntamente com os movimentos de seus dedos me levam ao fim.

Minhas costas se arqueiam na cama com tamanho prazer que toma meu corpo. Completamente arrebatada, mordo os lábios com força, segurando qualquer som dentro de mim. Por um instante minha mente se torna uma tela em branco.

Castiel enfim remove seus dedos, mas seus lábios não deixam de me tocar até que todo o tremor deixe meu corpo. Então ele se afasta minimamente e apoia o rosto em seus braços sobre meu abdômen. Mesmo de olhos fechados consigo sentir seu olhar no meu rosto.

Levo alguns segundos para conseguir normalizar minha respiração e reorganizar meus pensamentos.

Estamos só começando.

– Espero que você não tenha usado toda a sua energia – provoco-o com um sorriso satisfeito no rosto. Eu não olho para ele, mas sua risada faz meu corpo balançar de leve.

Sem dizer nada, seu corpo cobre o meu novamente e sua boca toma a minha em um beijo lento e cheio de desejo. Ele então se afasta e, de joelhos na cama, procura pela camisinha que havia deixado no edredom. Em poucos segundos, e sem nenhuma dificuldade, ele abre a embalagem e coloca o preservativo.

Parado no lugar, ele me olha intensamente. Eu adoraria saber exatamente o que ele está pensando, qual a razão que leva um dos cantos de seus lábios se levantar em um sorriso.

Ansiosa para o que ainda está por vir, apoio-me em meus cotovelos só para passar uma das mãos por sua nuca e puxá-lo de volta pra mim.

Mais uma vez ele se encaixa entre minhas coxas enquanto mergulhamos na boca e toques um do outro. Meu corpo ainda está quente do recém orgasmo e todo esse calor só me deixa mais afoita, mais ansiosa. É só quando ele deixa de me beijar e me olha pedindo consentimento que a ficha cai. Eu havia me esquecido completamente da dor, que sempre foi minha principal preocupação quando pensava nesse momento. E agora ela voltou a tomar minha mente por completo.

Eu respiro fundo e aceno. Não ansiei tanto por esse momento para desistir agora.

Castiel me olha desconfiado, provavelmente tentando ler minha expressão, mas depois de hesitar um pouco, com um movimento leve de seu quadril, sinto-o entrando em mim.

Minhas unhas imediatamente fincam em seus ombros quando a sensação de estar sendo rasgada ao meio me atinge. É terrível.

– Puta que pariu — Praguejo com lágrimas se formando em meus olhos. A dor é insuportável.

Visivelmente em pânico, a expressão de Cassy vai de concentrada para assustada em segundos. Sua intenção de parar fica clara na hora, mas eu não quero isso. Não agora que já viemos até aqui.

Desço meus braços para a sua cintura e o seguro no lugar para impedi-lo de se afastar.

— O que você tá fazendo? - Ele pergunta confuso com a minha atitude.

— Só vai em frente.— Peço com a voz mais firme que consigo me forçar nesse momento, mas ele não parece nem um pouco convencido.

— Mas é claro que não! — Castiel exclama indignado, sua mão que antes estava na minha cintura agora pousa em minha bochecha. — Você tá com dor.

Certamente estou, mas consigo perceber uma pequena diminuição de intensidade.

— É, eu tô com dor — Eu admito — Mas se pararmos agora, vai ser a mesma coisa da próxima vez. — Tento passar confiança com a minha voz, eu preciso que ele concorde. Não quero ter que passar por isso de novo, mas ele não parece se convencer.

— Como você espera que eu continue com você nessa situação? — Seu ponto é válido, mas ainda assim mantenho minha opinião. — Porra, Kris, você tá chorando, eu não consigo fazer isso. — Sua expressão transborda preocupação quando ele prende seu olhar no meu, tentando usar de sua tática de convencimento. Mas dessa vez ele não vai conseguir.

— Eu aprecio sua preocupação, mas eu tô falando sério. — Suavizo o meu tom na tentativa de convencê-lo. — E se você quer saber, já estou me sentindo muito melhor que antes — eu completo. —Só continua, okay? — A dor realmente diminuiu, mas ainda está bem longe de estar suportável.

Balançado, ele considera as minhas palavras. Castiel me conhece bem o suficiente para saber que eu não vou desistir. No fim eu sei que ele vai ceder, mas só como um incentivo para acelerar esse processo, percorro de leve toda a extensão de suas costas com minhas unhas. Ele fecha os olhos brevemente e eu consigo sentir todo seu corpo se arrepiando com a minha ação.

Quando ele os abre novamente eu tenho a certeza de que eu ganhei essa guerra.

Com um suspiro derrotado ele volta a se mover e imediatamente a queimação dolorosa me ataca mais uma vez. As lágrimas que haviam se acumulado transbordam, mas eu consigo segurar qualquer xingamento ou gemido de dor que tenta escapar. Cassy percebe toda a minha luta interna, mas felizmente ele respeita o meu pedido e não para, ao invés disso, ele seca minhas bochechas molhadas com beijos e tenta se movimentar da forma mais suave possível. Mesmo assim, vez ou outra eu acabo apertando-o forte demais ou arranhando sua pele quando alguma pontada de dor me acomete. Ele não reclama, na verdade, nessas horas eu consigo perceber que ele tem que se esforçar ainda mais para manter o controle, com seu ritmo lento e constante, seu maxilar contraído deixa isso claro.

Com o tempo a dor diminui suficientemente para que eu não precise me concentrar para mantê-la disfarçada. Nessa hora eu capturo seus lábios nos meus e volto a explorar seu corpo com minhas mãos. Tento relaxá-lo um pouco, ele já não precisa se preocupar tanto com me machucar.

Pouco a pouco ele se solta, seus impulsos se tornando mais e mais intensos. Menos tenso, ele volta a me atacar com seus beijos arrebatadores enquanto toca meu corpo com a mão livre. Seus gemidos ora são barrados por um morder de lábios, ora são abafados por sua boca contra minha pele.

Movo minhas pernas para envolverem seu quadril e a mudança de posição faz Castiel gemer em meus lábios e agarrar minha coxa com força. Aproveito a deixa para beijar seu maxilar e pescoço enquanto seguro-o contra mim.

Nossos corpos estão suados e ambos respiramos com dificuldade, finalmente começo a experimentar boas sensações e o meu prazer se torna palpável, mas o meu desconforto não foi completamente embora e acredito que não será hoje que serei capaz de deixá-lo de lado para aproveitar a experiência. Ainda mais quando começo a perceber sinais de que Castiel não vai aguentar por muito mais tempo.

Ele volta a tentar se controlar, diminuindo drasticamente de velocidade e concentrando seu foco totalmente em mim, me beijando e tocando nos lugares que ele sabe que me afetam. Eu sei que ele está tentando me dar outro orgasmo, mas eu não sei nem se isso será possível, seria burrice e egoísmo fazê-lo esperar por mim.

— Hey, eu não vou conseguir gozar. — Informo procurando seus olhos. — Não se preocupe com isso. — Castiel me olha com incerteza, mas eu falo sério e ele não tenta me contestar. Na realidade, ele parece aliviado, imagino que não deve ser nada fácil ter que se conter.

Agora livre para ir até o fim, suas estocadas se tornam mais duras e persistentes. Seus toques se tornam menos suaves e sua respiração mais pesada. Castiel passa o braço por trás das minhas costas e eleva a parte inferior do meu corpo, segurando-o completamente colado ao seu.

Em pouco tempo seu ritmo se torna irregular, seus suspiros se intensificam e os gemidos se tornam cada vez mais frequentes. Ele está extremamente próximo. Com isso em mente, volto a distribuir beijos e chupões por toda parte ao meu alcance e faço o possível para acompanhar seus movimentos com meu quadril.

Ele não precisa de muito mais tempo para que seu orgasmo o arrebate e eu consiga senti-lo se liberando dentro da camisinha enquanto seu corpo tremula contra o meu. Ele toma meus lábios nos seus mais uma vez, e conforme readquire o controle, seu beijo passa de febril e desesperado para intenso e apaixonado. Com um último beijo colocado na base de meu pescoço, ele se deixa cair no colchão ao meu lado.

Alguns segundos se passam com nós dois tentando normalizar nossas respirações.

— Me desculpe — Castiel diz com os olhos fixos no teto. Eu não entendo muito bem sobre o que ele está falando, e ele deve perceber isso quando seus olhos encontram os meus, pois completa logo em seguida: — Prometo que da próxima vez eu vou te compensar.

Se ele está se referindo ao que eu acho que está, não faz muito sentido.

— Eu acho que estamos quites — falo me virando na cama. — Está um a um agora. — Ele imita minha posição, ficando de frente para mim.

— Não é a mesma coisa — Castiel rebate incomodado antes de passar os braços ao meu redor e me puxar contra ele.

 

Agora

Orgulho masculino ferido é realmente um saco, mas eu seria estúpida se dissesse que não ganhei nada com isso. No fim de semana seguinte ele fez valer a sua promessa e certamente me compensou. Três vezes.


Notas Finais


É isso aí, espero que tenham gostado!


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