História Inevitável - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Agatha Moreira, Philippe Coutinho
Visualizações 96
Palavras 4.912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Esporte, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello, pessoal, estou de volta!

Confesso que está sendo bem difícil escrever esses dias, não estou tendo muito tempo, mas vou fazer o máximo para continuar com as estórias.

Esse capítulo é a continuação do anterior, achei meio chatinho, mas de qualquer forma espero que gostem!

Boa leitura!
Beijinhos!

Capítulo 4 - Visita inesperada.


Fanfic / Fanfiction Inevitável - Capítulo 4 - Visita inesperada.

 

Ponto de vista - Philippe Coutinho 

Barcelona/Espanha 

 

Entediado. 

Era a palavra que definia meu estado de espírito naquele sábado. A semana fora tão corrida, treinamos tanto no clube por conta do Campeonato Espanhol que se aproximava que tudo o que eu mais queria era deitar eternamente no berço esplêndido do hino nacional e dormir por uns mil anos, no mínimo. Mas ao contrário disso, Luis Suárez, meu companheiro de time, me fez sair de casa logo cedo, vindo até mim pessoalmente para me arrastar para a casa de Messi, sem correr o risco de eu dar um bolo, onde agora, depois de horas e horas bebendo e jogando conversa fora, disputávamos partidas de ping pong e enquanto esperava pela minha vez, Thiago, o filho mais velho do Leo e Benjamin, filho do Luis, me arrastaram para jogar bola com eles num canto da sala de jogos. 

- Agarra essa, tio Philippe! - Benjamin gritou antes de se posicionar e dar um chute na bola, já que eu era o goleiro. Fingi me desequilibrar e perder a bola de vista, deixando que ele marcasse o gol, e o pequeno logo saiu gritando a vitória. 

- Ah droga, vocês estão bons demais. - falei enquanto buscava o objeto que rolava pelo chão.

Nesse momento, Rafael Alcântara, minha dupla do ping pong se juntou a nós, tomando a bola do meu pé, me maneira ágil. 

- Tio Philippe não tá agarrando nada hein? - provocou, fazendo uma careta e me fingi de ofendido quando os garotos concordaram. 

- Ele não agarrou nenhuma do Ben e eu perdi! - Thiago fez birra, cruzando os braços com um bico e eu ri.

- Foi mal, carinha, o tio tá cansado. - falei, bagunçando seu cabelo. 

- Aposto que o tio Rafa aqui agarra bem melhor que ele. - se gabou, começando a driblar os dois, que tentavam tomar a bola do seu pé. Aproveitei momento livre para olhar a hora no relógio de pulso e...

Puta merda. Já eram 17:45.

Prometi que passaria na Giovanna para vê-la mais tarde e infelizmente ainda teria que passar em casa para dar um ajeitada antes, já que deixei uma bagunça quando saí, e precisava tomar um banho. Eu tinha que ir embora, urgentemente. 

- Ótimo, bonzão. É bom que você quebra meu galho com os pirralhos. Tô vazando. - fui até ele, o obrigando a parar e fazer um toque com a mão. 

- Mas já, menino Couto? - perguntou com incredulidade. As crianças também questionaram e murmuraram minha ida, mas no fim os convenci a continuar o jogo com o Rafael. 

- Como assim você já vai, Coutinho? Achei que rolava uma baladinha hoje, cara! - foi a vez de Luis, que estava jogado em uma poltrona tomando sua cerveja questionar. Fui até ele me despedir.

- Sem chance, Luisito. Só vou passar na casa da patroa e dormir. Tô é morto!

- Casa de quem? - Leo perguntou e eu entendi seu tom provocativo, mesmo ele estando entretido na sua partida do jogo contra Arthur.

- Da Giovanna né, Leo? A namoradinha nova dele, quem mais? - Rafael se intrometeu caçoando alternando o olhar entre nós e as crianças. 

- Uh, ainda está com ela? Parece que o Little Couto está mesmo apaixonado... - Luis provocou e os outros riram. 

Apaixonado. Calma lá, né? 

Não é pra tanto.

- Aí sim hein, moleque? Acho que dessa vez sai um casamento, hum? - Arthur se pronunciou, quando Leo marcou um ponto e ele teve que sair para buscar a bolinha.

- Vamos ver, Arthurito. 

- Calma lá, pô! O bonitinho aí nem pediu a garota em namoro ainda. - Rafinha se adiantou em responder por mim. Cara otário. 

- Tá dando mole, filho. - Leo falou, negando com a cabeça, voltando a jogar. - Não te ensinei assim não, viu? - o olhei com cara de tédio. 

- Tá esperando o que, meu irmão? Enrolando a garota mais que fio em carretel. - Luis falou e deu um gole na garrafa quase a secando. Vai beber assim na casa do cacete. 

Fio em carretel. Ah pronto. Sou obrigado a aguentar desaforo agora.

- Não estou enrolando, ô palhaço, tenho meus motivos, e mesmo se estivesse isso não interessa a vocês, então de mais, fiquem na sua. -  respondi, jogando um beijinho no ar, bem gayzinho mesmo, e Luis levou a mão ao coração, fingindo estar ofendido. 

Com “meus motivos” eu queria dizer que esperava o momento certo para isso. Gosto da Giovanna e da companhia dela, mas minhas coisas são sempre com ordem, não vou precipitar as coisas antes de saber que ela é realmente a pessoa com quem quero passar a minha vida. Não se trata de apenas de estar com alguém, é bem mais que isso. 

E porra, eu até já tô indo almoçar com a família dela, se isso não conta como um relacionamento eu não sei mais o que conta, então. 

Já é quase um namoro, certo? Só resta oficializa-lo, no momento certo...

- Meu amigo, não é querendo te desanimar não, mas esse papinho eu já conheço. Tá enrolando sim e ponto final. - Arthur falou e revirei os olhos enquanto buscava a chave do carro no bolso.

- Tá bom de você parar de prosa ruim e de beber por hoje, isso sim! - respondi para meu amigo que se conheço bem, já está levemente alterado. 

Os quatro continuaram a me encher o saco mais um pouco até eu tomar a coragem que faltava em meu corpo para me despedir e ir embora. Luis me acompanhou até a garagem enchendo meu ouvido de baboseiras mesmo depois de eu entrar no carro e me agradeci por estar sóbrio. 

Orra. Se eu fico chato assim igual esses caras quando bebo, estou ferrado. 

- Valeu, coisinha linda! - foi a última coisa que o ouvi dizer antes de jogar um beijinho e  dei partida no motor, rumo à minha casa. 

Finalmente.

 

[...]

 

Agatha Moreira 

Barcelona/Espanha 

18:17p.m.

 

- Puta que pariu você é muito enrolada, Agatha! - Caio brigava comigo pela chamada de vídeo/FaceTime tinha uns dez minutos por causa de uma maldita festa que ele iria hoje. 

- Não faz drama, Caio...

- Drama? Eu ainda avisei com antecedência, chamei algumas amigas para você não ficar sozinha e tudo e você dá um bolo assim em cima da hora? Ingrata. 

Revirei os olhos, passando a mão pela testa.

- Desculpa, Cainho, mas eu não tô afim mesmo. Prometo que marcamos algum outro dia, tudo bem? 

- Eu queria hoje, Ág. - fez um bico, desviando o olhar para o algum canto qualquer do lugar que reconheci como seu quarto. - Você sempre inventa uma desculpa pra tudo. Parece que nem me ama mais. 

- Ah pronto. - falei e ri. - E você parece uma criança. - bufei, dobrando uma perna sobre a outra, deitada no colchão. - Tenta me entender, eu passei tanto tempo estudando, tudo o que eu quero agora é descansar. Na minha casa. 

Ele ficou em silêncio me encarando com uma cara de poucos amigos.

- Tá bom, não vou discutir mais, a galera tá me esperando lá em baixo pra irmos dar uma volta antes. - falou e pude ver sua insatisfação. - Você é muito chata, e da próxima vez não me escapa. Anota isso aí...

 

 

 

 

- Se divirta por mim. Te amo, Cacau! - sorri amarelado fazendo metade de um coração para ele completar, mas tudo que ele fez foi me direcionar a língua e desligar, cortando a ligação. 

Tô dizendo.

Caio de Castro Castanheira era com certeza uma eterna criança de vinte e seis anos. Não tem nem vergonha na cara. Pior que mulher quando faz drama.

Era noite de sábado e para variar, eu estava sozinha em casa. Meus pais como minha mãe dissera mais cedo, saíram com um casal de amigos para algum lugar que não ousei perguntar, e na real eles mereciam se divertir. 

Caio decidiu sair com uns amigos para um balada que inaugurou a pouco tempo na cidade de acordo com ele. E até poucos minutos atrás tentava me convencer/insistir para ir, mas minha vontade de sair era zero com o dia puxado que tive hoje. Estava morta de cansaço e preguiça depois de andar uma maratona atrás dos detalhes da festa de Giovanna e se eu ousasse sair de casa era capaz de dormir no meio do rolê. 

E a minha irmã, bom, depois de chegarmos em casa ela saiu com algumas ‘amigas’ para não sei onde e até agora não chegou. Se a insensível já estivesse sendo uma pessoa 100% amigável, teria me convidado para sair também, mas pelo visto tudo o que ela ainda quer é se manter distante, e então, que assim seja, eu não me importo. 

Eu acho. 

Infelizmente perdi o contato com todas as pessoas e amigos antigos daqui da cidade, o que fazia restar apenas o Caio. Não é que ele não seja suficiente, mas poxa, ele gosta de sair, ir pra festas, curtir noitadas e eu não sou lá tão fã disso tudo, o que resulta em uma garota de vinte e cinco anos socada dentro de casa num fim de semana comendo pipoca e vendo maratonas de séries e filmes na Netflix, sempre. 

Depois de horas deitada na minha cama tão atrativa, decidi tomar um banho demorado para relaxar a mente e ao terminar, fui até o closet escolher uma roupa. Barcelona estava em um período de friagem durante a noite, completamente o contrário do sol de rachar que fazia durante o dia - o que na minha opinião era louco, e naquela noite eu sentia até os pelos do brioco se arrepiarem de tão gelado que estava. Escolhi um conjunto de calça e moletom de lavagem cinza e uma camiseta branca por baixo já que ficaria em casa e desci, colocando uma playlist no celular enquanto decidia mentalmente o que preparar de jantar para mim. 

Já na cozinha, peguei um pacote de massa, optando por macarrão com molho. Era a coisa mais prática e fácil que eu tinha naquele momento, então seria isso mesmo. Iria fazer em quantidade a mais, afinal, não sabia se minha irmã voltaria logo mais ou se estaria com fome, e de qualquer forma eu deveria fazer minha parte de boa irmã, certo? Como a ótima pessoa que eu sou. 

Só que analisando bem depois, foi uma ideia um tanto idiota, porque eu simplesmente larguei tudo e pedi uma pizza numa pizzaria próxima à nossa casa e poupei meu precioso tempo na beira do fogão, e em menos de quarenta minutos iria buscar.

Viva a inteligência! 

 

[...]

 

19:05p.m.

 

Passava alguma baboseira na televisão que por sinal eu não dava a mínima importância. Apenas a liguei pois prezo bastante pelo som da tv quando estou sozinha em casa como uma garantia de segurança, e deixei no canal que provavelmente meu pai havia visto por último. A dublagem horrenda do programa exibido estava me incomodando mais que a musiquinha infantil do elefante, mas tratei de não dar muita importância. Os babados fortes da vida das celebridades ao redor do mundo estava muito mais interessante no meu instagram.

Naquela ocasião estava tudo as mil maravilhas, eu tendo um tempo e a casa só para mim, mas como alegria de pobre dura pouco, a campainha passou a tocar e estragou meu momento de solidão que por incrível que pareça estava sendo prazeroso.

Quem não gosta de um tempo a sós, não é mesmo? 

Venci minha preguiça, indo até lá toda preparada para receber um gelo e devolver com um iceberg, imaginando que fosse Giovanna e sua bipolaridade, mas me ferrei bonito porque quando abri a porta, a pessoa que eu menos esperava ver naquele dia era quem estava ali de pé, com as mãos escondidas no bolso da calça.

Eita.

Não preciso dizer que ele estava impecável como sempre. Seu perfume bom imediatamente se apossou de toda a minha alma e meu coração já começou a errar a batida. 

Por que diabos eu fico assim na frente dele? Que imbecil.

E não é por nada não, mas será que um jogador famoso como ele não tem nada mais interessante a fazer num sábado à noite do que vir ver minha irmã, não? Claro que não, né, burra? É o namorado dela. O que eu queria que ele fizesse?

Philippe estava de cabeça baixa, chutando o batente da porta com os pés e ao levantar o olhar notando que a porta fora aberta pude reparar melhor o deus grego que estava bem à minha frente. Em outras circunstâncias, vendo-o ali com um capuz preto e cabeça abaixada, eu imaginaria de cara um ladrão nada convencional chegando na porta da frente da minha casa, tocando a campainha para avisar que ia nos roubar. Ok, isso seria estranho, e foi meio ofensivo. 

Passe o tempo que passar, eu nunca vou me acostumar em ter um cunhado como ele dentro da minha casa. Nunquinha.

Couto usava um casaco preto, uma calça moletom e um tênis por conta do frio lá fora, que o deixava a coisa mais fofa do mundo. 

- Philippe! - cumprimentei o rapaz, completamente sem graça, segurando a porta com certo nervosismo surgindo no mais profundo do meu ser.  

- Agatha! - ele devolveu o tratamento sorrindo docemente e me abraçou como forma de cumprimento. Eu devo ter feito uma cara um tanto suspeita, e não consegui disfarçar minha inquietação, pois seu sorriso desmanchou ao poucos e se transformou em uma careta de confusão. - Vim numa hora ruim? 

 - Não, não é isso! - tratei de me explicar, exasperada. - É só que... eu não esperava te ver por aqui hoje. - sorri e Philippe fez o mesmo. 

- Sei. É que eu vim ver a Giovanna e...

- A Gio não está em casa. - o interrompi, mas logo em seguida ao ver sua expressão desconfiada e frustrada me arrependi. Droga! Mas que burra, agora ele deve estar achando que estou expulsando ele. Vai se lascar, garota. - Quer dizer, ela saiu com algumas amigas desde cedo, mas deve estar chegando.

- Ahn, então eu vou voltar e você pode dizer que eu passei aqui quando ela chegar e... - falou, desconcertado apontando para o carro e me alarmei. Droga, mil vezes droga. 

- Não, não, Philippe! - fiz sinal para que ele parasse. - Você pode ficar, imagina. Espera por ela aqui, ela não deve demorar.

- Tem certeza? - perguntou, arqueando uma das sobrancelhas, até eu estaria desconfiado depois dessa, e confirmei com a cabeça. - Tá, então. Pode ser. 

- Vamos entrar? - perguntei ao perceber o silêncio. 

- É uma boa, está meio frio aqui fora. - fez um gesto de se esquentar com as mãos e eu ri.

- Claro. Fica a vontade. - dei espaço para ele entrar. 

Me sentei em um dos sofás com pernas de índio, totalmente sem jeito e ele numa poltrona ao lado, girando nela como se fosse uma criança espoleta de seis anos.

Não era como se eu fosse a louca anti-social, eu e Philippe nos dávamos até bem, mas o motivo pelo qual o silêncio se instalara ali na sala, era que éramos apenas nós dois naquela casa, e desde que cheguei aqui essa é a primeira vez que isso acontece. Eu não esperava, e não, não sei como reagir a isso. 

Philippe também pareceu se incomodar com a falta de sons pelo ambiente e sem mais delongas logo tratou de puxar um assunto. 

- Eu não sabia que você gostava de UFC. - falou e riu, olhando para a televisão. De início não entendi sua colocação, mas ao olhar para a tela na minha frente e presenciar a cena de um cara em um ringue sendo nocauteado eu entendi, me alarmando. 

- Credo! - praticamente gritei, procurando pelo controle remoto. - E eu não gosto! - ia trocar o canal, quando foi que essa merda começou que eu não vi?

- Não tira não, ô! - falou rapidamente, me impedindo de trocar. 

- Tá louco, Philippe? Não vou ver isso nem que esteja mortinha na ponta da faca.

- Ah, vai dizer que não é legal ver os cara apanhando assim? - estranhamente ele começou a fazer movimentos de soco, imitando os lutadores e eu me segurei para não rir. Ok, Philippe é louco. 

- Não é.

- Fresca. - redigiu a palavra sem retirar o olhar da televisão e me fingi de ofendida. Mas que audácia, Couto! - Se eu não fosse jogador, hoje você me veria bem aí, lutando. 

- Aham, claro que eu ia... - ri com desdém. - Apanhando, você quis dizer, né? - provoquei e ele me olhou rindo, logo voltou a atenção para a luta novamente. - Então, você marcou algo com a Giovanna? Já era pra ela ter chegado. - mudei de assunto, olhando a hora no celular. 

- É eu marquei. Fiquei de passar aqui pra ver ela, esperei um telefonema e já liguei umas seiscentas vezes, mas ela não atende de jeito nenhum. Deve ter esquecido, sei lá. - deu de ombros, e coçou a cabeça. Parecia não ligar muito pra isso, pelo visto. - E por falar nela, como vão as coisas?

Notei que pergunta era referente à nossa convivência. Não queria entrar em detalhes ou tocar nesse assunto tão familiar, mas seria falta de educação demais dizer isso a ele, e para todos os fins, ele faria parte da família. 

Ok, vou ignorar o fato de que pensar nisso me trouxe um certo chilique interno.

- Bem, eu acho. - respondi meio hesitante, brincando de girar o telefone na mão. 

- Não foi uma resposta muito convincente. - juntou as mãos com os braços apoiados no joelho me olhando desconfiado.  Merda. Odeio quando ele faz isso.

- Não era pra  ser. - ri. - O que eu quero dizer é: não tá lá tão bem assim, mas do que era até poucos dias atrás já melhorou. Você não foi o único a nos obrigar a voltar a falar e dessa vez a exigência foi maior. 

- Jura? Quem foi a pessoa sensata? Me diz que eu trago um Oscar pra ela agora mesmo. - falou e eu ri. 

- Minha mãe. Ou Giovanna falava por bem, ou diria adeus à festa de aniversário e ao tal almoço amanhã com você. 

Eita desgraça, falei demais. Ele não precisava saber disso. Philippe arqueou a sobrancelha e soltou uma gargalhada. Tapei a boca com a mão, me mutilando interiormente por abri-la. Que bocuda. 

- Sua mãe disse isso, foi? Pegou pesado, hein. Olivia eu te venero. - riu. 

- Pelo amor de Deus não abre essa boca pra falar pra Giovanna, acho que ela me mata. 

- Relaxa, vou fingir que você nem me disse nada, cunhadinha. - fiz uma careta pelo apelido. 

- Ótimo. - falei, mais calma. - Você lembra de alguma coisa que eu disse?

- Você disse? O que? Tô lembrado não. - brincou, e rimos em seguida. 

Nos minutos seguintes, ficamos conversando. Philippe puxava um assunto ou outro aleatório, sobre ele, sobre o time que defendia - que aliás eu descobri saber quase nada sobre o assunto, ou perguntava sobre mim, mas no fim já estávamos falando sobre o almoço amanhã novamente. Ele me perguntou também sobre Caio, o que me fez pensar/lembrar que eu devia convida-lo também para o momento em família. Meus pais e minha irmã gostam dele, o Philippe também, então tudo certo.

Depois de muito relutar, consegui trocar o canal, colocando em um programa de reforma de casa, sim, eu gosto de programas como esse, não me julgue. Philippe tirou sarro da minha cara, mas sinceramente? Caguei.

Tempos depois um ronco audível no meu estômago me fez lembrar que eu tinha uma pizza para buscar.

Merda. Já devia ter passado da hora. 

- Cacete, esqueci da minha pizza! - me levantei alarmada causando um susto repentino em Philippe que me fez rir. 

- Quer me matar? Fala antes pra eu me preparar, pô! 

- Foi mal, vem comigo, estou morrendo de fome. - o chamei com a mão, rindo e ele continuou sentado, demonstrando desinteresse. Preguiçoso. - Ou prefere esperar aqui? Não demoro, é bem ali na esquina. 

- Acho que não é uma boa eu ficar aqui sozinho na sua casa, né? Vou com você. - se levantou, dando-se por vencido. 

Peguei o celular e me adiantei em caminhar até a porta. Mas foi só olhar para meu próprio corpo que senti uma puta vergonha de mim mesma. 

Eu estava horrorosa com aquele conjunto de moletom na frente de Philippe, e pior ainda, só percebi isso agora. 

- Ah pronto, só me faltava essa. - murmurei, por ainda ter o trabalho de subir as escadas até meu quarto. - Eu já volto. - falei, passando por ele para o outro lado.

- Onde você vai? - perguntou, desbloqueando o celular, com a atenção vidrada nele. 

- Me trocar. 

- Pra que? - perguntou agora pondo-se a me olhar. Parei próxima a ele e apontei para mim mesma como se fosse óbvio, Santa lerdeza, Couto

- Olha pra mim, tô um fracasso, não dá pra sair assim. - ele negou com a cabeça, rindo. 

- Relaxa, você tá ótima assim. - sinto sua mão segurar meu braço quando faço menção à me virar e uma corrente elétrica de um milhão e setecentos mil volts percorreu meu corpo inteiro. 

Ops. Mal sinal.

Tudo bem que suas palavras foram sem intenções, e eu não podia demonstrar que apesar de simples, fiquei morta de vergonha, por isso suavizei a expressão atônita antes que Philippe notasse algum vestígio do meu desconforto.

Mas que merda, por que ele tinha que ser tão fofo?

- Sua simpatia me encanta, Couto. - brinquei, me soltando do seu braço. - Mas não me convence.

- Deixa de graça, você mesma disse que é no final da esquina, certo? Não tem nada de errado em você assim, é sério. - insistiu, e me pareceu sincero. Qual foi, Philippe? Eu estava parecendo uma pamonha. - Vamos logo que eu também já tô com fome. 

Fiquei de boca aberta sem saber o que dizer com sua última frase. Ele começou a rir da minha cara de surpresa com sua audácia em dizer que já estava com fome. Cheio das gracinhas esse Philippe.

- Quando foi que eu te dei essa liberdade toda, garoto? Folgado. - respondi, fingindo indignação e ele riu.

- Anda logo... - me puxou pelo braço para fora.

Fomos caminhando até a pizzaria, com aquele vento gelado batendo na minha cara. O lugar era tão perto que não durou mais de cinco minutos para chegarmos. E para minha surpresa e irritação, a pizza ainda estava para sair, já que um dos garçons alegou ter bastante entrega naquela noite. 

E eu com isso?

Para completar, Philippe ainda inventou de pedir mais uma tamanho família. Tentei impedir? Sim, mas não adiantou de absolutamente nada para ele e sua teimosia.

Por incrível que pareça, passamos pouquíssimo tempo esperando. As duas como num toque de mágica resolveram ficar prontas na velocidade da luz assim que o pessoal que trabalha lá percebeu quem era o Philippe e conseguiu uma foto e autógrafo do jogador do Barcelona. 

Engraçado, não é? Por que será? 

Se eu fosse uma pessoa barraqueira, de pavio curto, já teria me alterado diante dessa situação. Mas apenas deixei passar. Esse interesse súbito não mudaria absolutamente nada na minha vida, e minha fome era bem mais importante naquele momento, por isso só pagamos e deixamos o lugar o quanto antes possível. 

 

- Não nega, Philippe, eles foram uns interesseiros do caramba! - comentávamos sobre o pessoal da pizzaria, enquanto eu abria a repartição do armário, pegando três pratos. Deixaria o terceiro já posto para Giovanna quando chegasse. 

- Fazer o que se eu sou um super astro, né? Temos nossas regalias. - deu de ombros, batendo os dedos na mesa da cozinha e o olhei semicerrando os olhos. Mas no fundo sabia que era apenas uma brincadeira. 

 

- Claro, me desculpa, senhor Super Estrela. - me aproximei dele para entregar o prato, tentando esconder o nervosismo. 

Já se passava algum tempo desde que Philippe chegou aqui, mas eu ainda me sentia desconfortável. Era estranho estar ali naquela casa enorme na companhia apenas do ‘namorado’ da minha irmã. Era quase errado e eu me sentia péssima e constrangida com isso. Se Giovanna descascasse em cima de mim ao nos ver assim sozinhos, eu não teria como reclamar, afinal. 

Mas o que eu posso fazer? Não dá pra mandar ele ir embora, certo? E errada está ela em ter marcado com ele e nem dar a caras ainda, me obrigando assim a dar assistência ao coitado. 

- Quieta logo pra comer, garota! Não para um segundo. - Philippe resmungou em um tom brincalhão ao me ver para lá e para cá na cozinha o tempo inteiro, nem eu mesma sabia o que procurava. Parei por um segundo, tentando me lembrar. 

Ah, claro, só podia ser. Esqueci da bebida.

- Ah pronto, esqueci da bebida. - verbalizei meus pensamentos, abrindo a geladeira, procurando por algo. Mas me aliviei ao me recordar da luz no fim do túnel, ou mais especificamente, no armário. - Vinho com pizza cai bem? - perguntei, estendendo a garrafa para Philippe sugestiva e ele concordou, rindo. 

- Ô se cai! - respondeu. Ri de volta e minutos depois, voltamos para a sala, onde comeríamos.

Torci pra Deus não permitir que minha queridíssima mãe chegue nesse momento, ou eu seriei uma pessoa morta.

Comer na sala - mais especificamente no tapete, é quase um pecado capital pra ela, então, já sabe.

Depois de comermos uma das pizzas quase inteira, colocamos um filme na Netflix. 

Philippe tentou ligar para minha irmã que não chegava nesse meio-tempo trezentas vezes. Já estávamos preocupados com a demora, o celular de Giovanna só dava desligado. E pelo olhar sonolento de Coutinho ao deixar a sala, dizendo que precisava ir ao banheiro, ele já estava cansado de esperar. 

Não é pra menos, eu também estaria.

- E aí Philippe, conseguiu... 

Me coloquei de pé, vendo-o voltar pelo corredor. Ia perguntar se já tinha algum sinal da Giovanna, mas mal consegui terminar a frase pois Philippe estava entretido no celular de modo que nem notou minha aproximação e bastou um milésimo de segundo para tudo acontecer e ele chocar seu ombro contra meu braço, fazendo todo o líquido da taça que eu segurava na mão derramar no meu moletom. Eu estatelei no mesmo lugar ao sentir o vinho ser derramado. 

- Eita merda! - ele exclamou, vendo a lambança que tinha feito. Agora tinha uma mancha roxa espalhada por toda a extensão de baixo do moletom. Sorte minha ter conseguido segurar a taça e não deixá-la cair, ou dona Olivia arrancaria minha cabeça fora e jogaria parados cachorros sem dó, do jeito que ela ama essas coisas da casa. - Desculpa, eu não vi você vindo...

- Tá tudo bem, Philippe. É só um casaco. - ri da sua cara desesperada. 

- Só um casaco... Eu sujei você toda, maluca! - guardou o celular no bolso e veio esfregar o tecido, numa falha tentativa de melhorar a situação. 

- Não precisa isso, Philippe. - tentei falar, mas ele continuava. - Eu sabia que estava mentindo sobre eu estar bem com esse moletom, mas não precisava disso tudo também, né? - brinquei, fazendo ele se afastar, vendo que não tinha jeito. 

- Foi mal mesmo. - se lamentou ainda sério e mordendo o canto da boca - o que aliás, vindo dele, era um hábito -. 

- Relaxa, eu vou lá em cima trocar isso. 

- Melhor tirar isso logo aqui antes que suje você também. - sugeriu. 

Pera, é isso mesmo? 

Sou uma pessoa horrível por ter fugido da ingenuidade que aquela sugestão de Philippe trazia. Tive que prender o riso pelo meu pensamento ridículo. 

Era quase impossível tirar a peça ali e não piorar, já que minha mão também estava suja. Tentei argumentar isso.

- Vem cá, eu ajudo você. - ele se adiantou vindo até mim e pela insistência, levantei os braços como ele pediu para ajudar a retirar. 

Era a cena mais estranha e constrangedora do mundo. Jesus, que momento. Sorte minha ele não estar olhando diretamente pra mim, pois eu devia estar toda vermelha.

- Espera, você está com uma blusa por baixo, né? - parou de tirar, me perguntando afoito e eu ri, assentindo. E ele continuou concentrado na operação, todo delicado, fazendo um esforço pela peça ser pesada. - Beleza, agora é só eu puxar aqui e... pronto.

Dei graças a Deus quando me livrei do moletom. Não aguentava mais ele ali tão próximo, e agora, ríamos da sua grande dificuldade. 

No meio disso tudo, mal conseguimos escutar quando alguém abriu a porta de supetão.

Cessamos o riso apenas ao ver a pessoa de pé, próxima a escada, nos encarando com uma cara séria e nada satisfeita com o que via. 

- Philippe? 

Droga. 

Giovanna estava ali com uma expressão confusa no rosto, como se tentasse assimilar que era ele quem estava ali e se estava realmente enxergando bem aquela cena, que com toda certeza, se ela tivesse mesmo presenciado, a faria imaginar a pior das merda possíveis e existentes do universo.

 

Pronto. Ferrou.

 

 



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