História Inevitável - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Sehun
Tags 2yearswithloucasporcb, Chanbaek, Drama
Visualizações 102
Palavras 12.580
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção, Fluffy, Lemon, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Self Inserction
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ai! Finalmente! Essa é a ultima!

Olá, bebês

Anteriormente, essa fic seria postada em um dia dos namorados, mas problemas técnicos se fizeram presente, mas ela vai sair em um dia ainda mais importante! O aniversário de dois anos do meu Loucas!

Eu amo vocês, meninas! Obrigada por tudo!
Boa leitura, pessoal.

Capítulo 1 - Icondicional e Inevitável.


Sexta feira, um dia para o dia dos namorados. 2010. 5:30pm.


Chanyeol estava parado à minha frente, segurando minhas mãos pequenas entre as suas, consideravelmente maiores.

Eu conseguia sentir o calor que elas me transmitiam, o calor de suas mãos se espalharam por todo o meu corpo e eu sorri para o meu melhor amigo.

— Baek… — ele chamou meu nome e eu ergui a vista para poder olhar em seus olhos.

Os olhos de Chanyeol estavam sérios, o que era muito incomum.

— O que foi, Chan? Você está me enrolando há dez minutos. — falei com um sorriso.

— Eu estava conversando com o Kyungsoo hoje e… — ele parou de falar e soltou as minhas mãos.

O corpo grande de Chanyeol escorregou pela cadeira e o meu amigo soltou um suspiro cansado. Apenas de olhar para Chanyeol eu já tive certeza absoluta de que algo o perturbava.

— E o que, cara? Você está me deixando nervoso. O que o Kyungsoo queria?

Chanyeol olhou nos meus olhos e o meu nervosismo se tornou uma angústia.

Eu sabia a natureza dos sentimentos de Kyungsoo por Chanyeol, todos sabíamos. Eu só não esperava que ele tivesse coragem para se declarar.

Será?

Será que Kyungsoo havia mesmo se declarado?

Se houvesse, Chanyeol correspondia seus sentimentos?

— Anda logo, Chanyeol! Eu já estou começando a imaginar um monte de coisas impossíveis!

— Imagine a coisa mais impossível do impossível!

— Chanyeol, eu não gosto de charadas! Fala de uma vez!

— Eu já sabia… Mas eu nunca achei que ele fosse chegar para mim e falar.

Certo. Eu já havia entendido tudo.

Eu sorri triste.

Ainda hoje não consigo entender porque eu sorri, mas foi impossível conter aquele sorriso triste e melancólico que brotou em meus lábios.

Aquela foi a primeira vez que eu senti, verdadeiramente, inveja do Kyungsoo.

Eu invejei sua coragem. Eu nunca tive coragem de chegar para Chanyeol e contar sobre meus sentimentos, nunca tive coragem de me expor de tal forma, não no escuro.

A sensação de contar para alguém sobre seus sentimentos mais profundos e sinceros, sem saber se a outra pessoa vai ou não corresponder, eu nunca passei por isso.

Mesmo que todos dissessem que eu estava perdendo tempo, que eu tinha que falar sobre o que eu sentia, eu não consegui.

Meu maior medo nunca foi a rejeição​, meu maior medo sempre foi acordar um dia, pegar o celular e não ter mais uma mensagem de Chanyeol perguntando se iríamos tomar nosso café no lugar de sempre.

Ele sabia que eu iria, porém, mesmo assim, ele continuava mandando as mesmas mensagens, todas as manhãs, desde o dia em que eu o conheci.

Meu maior medo sempre foi não ter Chanyeol nos domingos monótonos para me fazer rir e me abraçar enquanto assistíamos filmes até tarde, achando que eu estava dormindo.

Meu maior medo sempre foi não poder ligar para ele quando quisesse falar sobre um novo jogo.

Meu maior medo sempre foi não encontrar Chanyeol me esperando do lado de fora da escola.

Meu maior medo sempre foi não ter mais Chanyeol ao meu lado.

Eu nunca me importei realmente por não ter um relacionamento amoroso com Chanyeol, mas saber que outra pessoa chegou e contou de seus sentimentos me incomodava. Porque me lembrava de como eu era um covarde.

— O Kyungsoo se declarou para você… — constatei. Chanyeol concordou e segurou minhas mãos com força.

— O que você acha disso, Baekhyun? — eu encarei Chanyeol. Meu coração estava tão acelerado, porém eu ainda o sentia apertado.

— Como assim, Chanyeol? Você está considerando a proposta dele? Você está considerando namorar com o Kyungsoo?

Eu achei que fosse vomitar bem ali. Meu estômago começou a dar voltas e eu já não sabia mais como se respirava. Conseguia sentir a minha garganta arder e o mundo a minha volta girar.

— Eu não sei. Talvez sim… Desde que eu descobri o que ele sentia por mim, devo confessar, que comecei a imaginar como seria.

— E você gosta? Chanyeol, se você quer…

Eu parei de falar. O que eu deveria falar?

Mandar ele aceitar? Dizer para ele ir fundo e ficar com o Kyungsoo mesmo que eu quisesse implorar para ele ficar comigo?

Eu encarei os olhos de Chanyeol, eles brilhavam e eu só conseguia ficar com a boca aberta, esperando que as palavras saíssem.

— Eh… Eu… — pigarreei.

— Baekhyun, você acha que eu devo namorar com o Kyungsoo? Se você achar que não, por qualquer que seja o motivo, pode me falar.

Eu inspirei, sentindo o ar ser bem acolhido pelos meus pulmões.

Procurei as palavras certas que deveriam ser ditas naquele momento, mas fui salvo pelo gongo.

Meu telefone começou a tocar e eu o peguei.

Era Sehun.

— É o Sehun. — avisei antes de atender a chamada. Eu vi Chanyeol revirar os olhos e neguei com a cabeça.

Todos éramos amigos, mas o Chanyeol tinha algo contra o Sehun que, na época, não fazia sentido para mim.

— Oi, Sehun. — atendi.

Baek. Você ainda vai me ajudar a passar daquela fase no vídeo game?

— Vou sim. Eu ainda estou na escola, mas eu vou já já.

Certo. Minha mãe quer saber se você vai jantar aqui.

— Eu acho que não. Vou te ajudar e depois tenho que ir para casa.

Ele fez silêncio por alguns instantes e eu olhei para Chanyeol impaciente.

Então tá. — Sehun finalmente se pronunciou. — Eu estou te esperando.

— Certo. Até logo.

Eu desliguei o celular e o guardei no bolso do casaco.

— Você vai encontrá-lo? — perguntou de forma grossa.

— Eu vou. Você deseja mais alguma coisa? — Chanyeol me encarou e fez uma careta desgostosa.

— Você acha que eu devo aceitar? Eu falei que o responderia amanhã.

— Na festa? — uni as sobrancelhas.

Se Chanyeol aceitasse, eles começariam a namorar no dia dos namorados.

Ao meu ver, aquilo não foi mera coincidência. Era romântico demais, oportuno demais.

Kyungsoo havia calculado e esperado por aquele momento. Eu não podia simplesmente jogar meus sentimentos na cara de Chanyeol, não mais. Kyungsoo havia chegado primeiro, restava-me apenas observar e lamentar por nunca ter tido tamanha coragem.

— Sim. Eu precisava falar com você.

— Não entendo o porquê. É a sua vida, Chanyeol. Você pode namorar quem quiser.

— Mas nós…

Nós?

Nós.

Aquela palavra me incomodava tanto.

O “nós” de Chanyeol não era o nós que eu almejava.

— Nós vamos continuar sendo amigos. Você não achou que se livraria de mim tão fácil, achou?

Ele forçou um sorriso e negou com a cabeça.

Eu conhecia Chanyeol​ o suficiente para saber quando seu sorriso era forçado e quando era espontâneo.

Chanyeol sempre foi mais fraco em relação aos seus sentimentos, infelizmente, eu não era.

— Eu já vou indo. — mesmo que minha vontade fosse ficar.

Eu não aguentava mais olhar para o rosto de Chanyeol sem lembrar que ele estava esvaindo-se entre meus dedos e eu não podia segurá-lo porque era um fraco. Um covarde.

Eu me levantei e peguei minha bolsa.

— Eu posso te ligar mais tarde? — ele perguntou e eu concordei.

— Sempre que você quiser.

Toquei em seu ombro antes de deixá-lo sozinho na sala.

(...)

— Anda logo, Sehun! — apressei-o.

Eu já estava na casa de Sehun há quase duas horas e ele ainda não havia conseguido passar da primeira fase do jogo. Minha paciência já estava indo pelo ralo.

— Calma, Baek!

— Nada de calma! Estamos na parte fácil e você ainda não conseguiu sair do lugar! Entra pelo portal, porra!

Sehun levou seu avatar até o portal, mas ele não o atravessou, porque a lesma não usou os comandos.

— Não está indo, Baek!

— Seu lezado! Você já jogou isso antes?! — eu afastei as mãos de Sehun do teclado, mas não fui rápido o suficiente e logo ele foi morto. — Tá bom, eu desisto de você!

Eu me afastei e me joguei em sua cama.

O quarto de Sehun era quase do mesmo tamanho que o meu, talvez um pouco maior, porém, pela sujeira que ele deixava jogada em todos os cantos, mal se notava isso.

Eu olhei para seu criado mudo e havia um foto nossa em um modesto porta retrato artesanal.

Na foto, estávamos eu, Chanyeol, Kyungsoo, Sehun, Chen e Minseok, todos éramos amigos. Eu ainda me lembro daquele dia, estávamos em um parque de diversões que havia chega à cidade. Chanyeol havia ganhado no tiro ao alvo e ele me dera um pequeno ursinho de pelúcia.

Soltei um suspiro cansado. Durante as horas que estive com Sehun havia sido fácil esquecer de Chanyeol e Kyungsoo, afinal, eu estava muito ocupado praticamente matando Sehun por tanta lerdeza.

Mas, naquele momento, olhando para a foto onde todos estávamos juntos e o braço de Chanyeol abraçava meus ombros, trazendo meu corpo para mais perto do seu, e aquela carinha linda que ele costumava fazer nas fotos, foi inevitável pensar se eu tivesse tido coragem no dia anterior, quando Chanyeol me deixou em casa. Se naquele momento, eu tivesse me virado para ele e o beijado, sem falar nada, apenas um breve ósculo.

Teria mudado muita coisa, para não dizer tudo.

Sehun soltou um suspiro e se virou para mim.

— Desculpa ter te feito perder tempo… – ouvi Sehun falar.

Eu pisquei algumas vezes e saí do meu transe.

— Relaxa. Ficar irritado com você foi a melhor coisa que me aconteceu hoje.

— Ixi! O dia foi tão ruim assim? — eu soltei um riso soprado.

— Você não faz ideia. — olhei fixamente para o teto branco. — Sehun… Você tem falado com o Kyungsoo?

Sehun e Kyungsoo estudavam no mesmo colégio, então eu podia arrancar informações dele com mais facilidade.

— O Soo? Ele está meio ocupado. Ele está participando do comitê de formatura. Então ele está tratando de arrumar tudo. Por quê? — eu me virei para Sehun e notei que ele lia uma revista em quadrinhos.

— Você ficou sabendo que ele… — eu parei de falar, mas, como se soubesse o que eu ia dizer, Sehun desviou seus olhos da revista e me encarou.

— Ele falou mesmo? — eu concordei. — Que merda! Lamento, Baekhyun…

— Por quê? Não tem o que lamentar. Eles dois vão namorar. Não tenho nada a ver com isso, sou apenas amigo deles. — forcei um sorriso, mas eu não consegui sustentá-lo e logo fiz uma cara de choro.

— Você não vai chorar, vai? — neguei com a cabeça. — Ainda bem! Eu não aguento ver pessoas chorando! Baekhyun, você sabe que é só você dizer o que realmente sente para o Chanyeol que ele larga tudo. O Kyungsoo não tem chances contra você.

— Você é quem pensa! O Chanyeol está considerando mesmo namorar com o Kyungsoo.

— Isso porque ele não sabe que você o ama também!

— Você fala tá como se ele me amasse!

— Ele te ama, Baekhyun! Vocês que são dois tapados!

Eu revirei os olhos.

— Vocês ficam azucrinando meu ouvido com isso. Certo, e se ele amar?

— Vocês podem viver felizes para sempre, com dois filhos e um cachorro! Vocês vão comprar uma casa​ de verão e um dia todos vamos tomar banho de mar juntos!

Eu encarei o meu amigo e franzi o cenho.

— Sehun, existem pessoas iludidas e existe você. Você é outro nível!

— Eu não sou iludido, eu sonho alto.

— Bem alto! Agora… — eu voltei ao assunto principal. — Eu não acho que seja justo.

— Vocês ficarem separados? Eu também não!

— Não… Eu não acho justo que eu me intrometa no caso deles agora. Eu já tive a minha chance. Eu tive cinco anos de chance, e nunca fiz nada. Não é justo eu querer o Chanyeol só para mim agora, apenas porque estou me sentindo ameaçado. Eu sabia que isso aconteceria um dia.

— Baekhyun, você está com tudo na sua frente. Você sabe que ele te ama tanto quanto você o ama… Mas você está simplesmente deixando ele ir embora? É isso mesmo, produção? Você está deixando ele ficar com outra pessoa?

Eu dei de ombros.

— O que eu deveria fazer?

— Eu vou te dizer o que você vai fazer, seu merda do caralho! Você vai ligar para o Chanyeol, marcar um encontro com ele, ficar pelado e depois vocês dois vão ter a melhor noite de todas! Prefere que eu anote em um papel, só para garantir que você não vai esquecer de nenhum detalhe?

— Eu não vou fazer isso, Sehun. Desiste. Mais ideias.

— Você vai sim! Que eu não tô louco de passar dois anos tentando juntar o OTP para ele ser real no nome do Senhor, para agora você cagar tudo com esse seu medo do caralho!

— Sehun! Você precisa parar de agir assim!

— Assim como? Como alguém que enxerga? Desculpa, eu estou feliz assim! Agora, talvez você devesse tentar. Enxergar o que está a menos de um palmo do seu nariz é muito bom, Baekhyun! Garanto que você vai adorar a sensação!

— Aih, Sehun! Que saco!

Me levantei da cama e peguei a minha bolsa que estava perto do pé da cama.

— Aonde você vai? — ele me perguntou.

— Eu vou embora. Já está tarde e eu ainda tenho que terminar o trabalho de história.

— Você está fugindo. — garantiu.

— E se eu estiver? Você tem o que com isso? Sehun, eu e o Chanyeol jamais seremos algo mais que amigos. Foi a vida toda assim, eu não quero que mude!

— Não, você tem medo da mudança. Esse seu medo está te fazendo perder a melhor coisa que poderia te acontecer nesse momento. Baekhyun, abre os olhos, por favor! Deixe a sua covardia de lado!

Àquela altura eu já estava com os olhos marejados, eu conseguia sentir as lágrimas queimarem em meus olhos e todo o meu rosto arder.

— Baek…

— Acabou? — perguntei com a voz fraca, quase como um sussurro. Surpreendi-me por ter conseguido falar algo, o nó na minha garganta estava tornando difícil respirar, quanto mais falar qualquer coisa!

Como Sehun não me respondeu, eu apenas dei as costas e saí de seu quarto.

Eu precisava ficar sozinho.

Eu precisava pensar!

(...)

Já era mais de meia noite quando eu tomei coragem de ligar para Chanyeol.

— BaekBolinha?

Apenas em ouvi-lo falar meu apelido já me fez rir.

Eu era uma merda quando se tratava de Park Chanyeol!

Não que eu ainda não seja hoje em dia.

— Oi, Chan. Eu preciso conversar com você…

Amanhã eu estou cheio. Minha mãe quer fazer umas compras com a minha irmã e eu vou ajudá-las.

— Hum… Quanto elas estão te pagando?

Cinquentinha! rimos. — Eu já tenho a entrada da festa de amanhã, você vai?

— Vou.

Então a gente pode conversar lá?

— Claro!

Legal. Reserve a última dança para mim.

— Ela é sempre sua, não é mesmo?

Sempre. Boa noite, BaekBolinha.

— Boa noite, Chan…

Ele encerrou a ligação.

Eu iria falar para ele. Iria juntar todas as minhas forças e toda a minha coragem para virar e dizer o que eu sentia da forma mais clara possível. Talvez eu tivesse um ataque do coração, morresse de vergonha e tivesse um piripac ali mesmo na frente de Chanyeol, mas eu jamais conseguiria conviver com a hipótese do “se”. Não mais. Não quando aquela era, possivelmente, minha última chance de dizer como eu me sentia.

Por mais que todo o meu corpo e meu instintos dissesse que aquilo era uma má ideia e que eu não deveria fazer… Uma única vez eu iria contra eles e me arriscaria no desconhecido.

Apenas uma vez eu iria arriscar me mostrar para aquele que amo desde a sesta serie.

(...)

Dia dos namorados, 2010. 02:32am.


[06/13 02:32am] Imbecil do LOL: Baekhyun? Falou com o Chanyeol?

[06/13 02:32am] Imbecil do LOL: Só para ter certeza:

[06/13 02:34am] Imbecil do LOL: 1 - Ligar para o Chanyeol

2- Marcar um encontro

3- Ficar pelado na frente dele

4- Ter a melhor foda de todas

5- Se amarem para sempre!

[06/13 09:40am] Baekkie: Eu estava dormindo! Mas, sim, eu falei com ele. Vamos conversar melhor amanhã na festa. Agora tchau! Vou jogar!

(...)

Dia dos namorados, 2010. 10:40pm


Eu cheguei atrasado à festa.

Era como se o mundo conspirasse contra mim e tudo me dissesse que era melhor ficar em casa.

Melhor que eu tivesse ficado mesmo!

Eu entrei na quadra do colégio e mal a reconheci com todos aqueles enfeites e luzes. Eu só costumava ir para a quadra nas aulas de educação física, e olhe lá!

Logo me enfiei dentro da multidão e comecei a procurar Chanyeol. Meu celular estava sem bateria, então nem podia ligar para ele.

Eu me virei assustado quando senti uma mão se fechar sobre o meu pulso. Só voltei a respirar quando consegui distinguir Sehun naquele escuro.

— Baekhyun! Vamos lá fora! — falou e começou a puxar o meu braço.

— Espera, Sehun. Eu tenho que encontrar o Chanyeol e falar com ele antes que eu perca a coragem!

Puxei o meu braço com mais força e me virei.

No instante em que eu me virei, me perguntei se eu podia simplesmente aceitar a proposta de Sehun e ir para fora. Ou talvez simplesmente ter ficado em casa também fosse uma boa opção.

Bem no meio da pista de dança, estavam Chanyeol e Kyungsoo.

Se beijando.

Naquele momento eu pensei “Ele roubou o meu beijo! Ele roubou o meu namorado! Ele roubou o único homem que eu amei em toda minha vida!”

Mas não era verdade. Kyungsoo nunca me roubou nada. Eu fiz questão de entregar-lhe tudo de mãos beijadas.

Eu fiquei parado, encarando os dois se beijando por apenas cinco segundos, porém cinco segundo quebraram o meu coração.

— Vem, Baek...

Sehun me puxou e eu já não resistia mais, não sabia nem como ainda estava de pé. Eu não sentia meu corpo.

Eu não ia chorar! Não ia!

A culpa era toda minha! Eu fui um covarde e teria que conviver com as consequências dos meus erros.

Eu teria que lidar com as consequências da minha covardia!

— Baek, toma um pouco de água…

— Sehun, eu quero ir para casa… Eu não quero mais ficar aqui… Eu…

— Baekhyun! — era Chanyeol gritando o meu nome.

Arregalei meus olhos e segurei firme na mão de Sehun.

— Eu não vou conseguir olhar para ele…

— Baekhyun, ele já está quase aqui. Segura o choro e não faz contato visual, diz que tá passando mal e eu te levo para casa. — ele sussurrou as instruções e pouco tempo depois Chanyeol apareceu na minha frente.

A primeira coisa que eu notei foram seus lábios vermelhos.

— Você está bem?

Silêncio.

Eu apenas desviei os olhos e olhei para os meus pés e neguei com a cabeça.

— Ele está passando meio mal, Chan… Vou levá-lo para casa.

— O BaekBolinha não está bem? — ele tocou no meu braço e eu desviei de seu toque.

— É… Temos que ir. Quero passar na farmácia para comprar alguns remédios.

— Deixa que eu levo ele para casa…

— Não precisa… — me pronunciei. — O Sehun me leva. Você está muito ocupado agora. Eu te ligo depois…

— Baek, e a nossa última dança?

— Você já tem quem me substitua. Até logo, Chanyeol.

Eu olhei de relance para os olhos de Chanyeol antes de que Sehun me levasse para fora o colégio.

Então, desde aquele dia que eu odeio o dia dos namorados. Quando para muitos é apenas uma data para lembrar do amor, para mim ela apenas serve para lembrar-me de minha covardia.

(...)

Dez dias para o dia dos namorados, 2015. 10:24am.


— Vamos logo, Baek! — apressou Chanyeol, me puxando em meio as pessoas.

— Calma, Chan! Eu não corro tanto!

Ele finalmente parou quando o sinal fechou. Eu puxava o ar para os meus pulmões com força, enquanto Chanyeol parecia tranquilo, como se não tivéssemos corrido quase dois quilômetros.

— Você precisa se exercitar, Baek. — falou, mas logo em seguida olhou para mim. — Deixa pra lá. Se você perder essas gordurinhas lindas vai deixar de ser o meu BaekBolinha.

Eu sorri para ele e ele retribuiu o sorriso de bom grado.

O sinal abriu e Chanyeol logo voltou a me guiar pelo resto do caminho. Paramos em frente a uma joalheria e eu encarei Chanyeol, sem entender o real motivo de ele ter me arrastado até ali.

Meu melhor amigo me encarou e sorriu. Chanyeol sabia que eu não iria se soubesse o que iríamos fazer.

Ele tinha toda razão!

— O que estamos fazendo aqui, Chanyeol?

— Eu preciso que você me ajude a comprar uma aliança. O meu aniversário de namoro com o Kyungsoo está chegando, eu queria dar esse presente a ele. — ele me explicou. — E, claro, vamos jantar em algum lugar, já que vai ser o nosso último aniversário na Coreia. Pelo menos por um tempo!

Faltava pouco menos de duas semanas para o dia dos namorados. Bem que eu estava estranhando que Chanyeol ainda não havia se pronunciado sobre seu presente para Kyungsoo.

Mas aquilo não era o pior… Chanyeol estava indo embora.

Eu até que consegui aguentar Chanyeol namorando Kyungsoo, eu consegui aguentar Chanyeol se distanciando aos poucos, eu estava feliz apenas em vê-lo de vez em quando. Porém, depois de dois anos, eles decidiram sair do país.

Eu estava perdendo Chanyeol por completo!

Eu achava que demoraria uns cinco, sete anos, mas eu não contava com a ajuda dos pais de Kyungsoo.

Sinceramente, eu não achava nem que o namoro deles iria vingar.

Mas vingou e eu tive que observar eles serem felizes como um casal de conto infantil.

— Vocês vão mesmo embora em agosto? — perguntei, tentando disfarçar a minha tristeza.

— Vamos sim… — Chanyeol olhou nos meus olhos. — Eu estou muito animado… Eu deveria estar…

Ele se virou para mim e olhou mais intensamente em meus olhos. Eu senti o meu estômago se comprimir e dar algumas voltas.

Eu poderia dizer que meu coração estava doendo, mas ver Chanyeol com Kyungsoo quebrou tanto o meu coração que eu simplesmente parei de tentar remontá-lo.

— Baekhyun, eu deveria estar super animado, mas eu sinto que estou perdendo tudo. Sinto que estou deixando o mais importante para trás.

— Eu vou sentir tanto a sua falta! — deixei escapar junto com algumas lágrimas. Eu abracei Chanyeol e esperei que ele me abraçasse de volta, o que não demorou muito para acontecer.

Logo Chanyeol​ apertava meu corpo contra o seu enquanto eu tentava conter as minhas lágrimas.

Que bosta! Que merda!

Eu já havia o perdido… Então por que eu continuava fazendo aquele tipo de coisa?

Por que cada parte do meu corpo, cada atitude inconveniente, cada palavra impensada, pedia para que Chanyeol ficasse comigo?

Por que simplesmente não conseguia parar de amá-lo?

— Eu vou sentir tanto a sua falta, BaekBolinha…

Eu abracei Chanyeol​ ainda mais forte. Ficamos um bom tempo abraçados, por alguns instantes até esquecemos que estávamos parados no meio da rua.

Fomos trazidos de volta a realidade quando a porta da joalheria foi aberta.

Chanyeol se afastou e pigarreou, colocando as mãos nos bolsos da calça.

Eu respirei fundo, forçando cada parte do meu corpo a se acostumar com o abandono repentino. Eu aguentei cinco anos… Eu poderia aguentar alguns meses até ele ir embora.

Ir embora.

Chanyeol iria embora.

Para sempre.

Para ficar com um homem que não era eu.

Eu ia chorar!

Tudo bem! Eu consigo! Eu não vou chorar agora! Eu vou aguentar!

Levei meu olhar até a mulher vestida elegante com um terninho azul marinho lada a nossa frente. Ela usava um crachá com seu nome “Kim Eunbi.

— Posso ajudá-los?

Chanyeol olhou para ela e concordou.

— Sim… Vamos tratar disso lá dentro.

A mulher sorriu para nós e deu passagem.

— Em que posso ajudar os senhores? — perguntou depois que entramos e ela foi para atrás do balcão.

— Eu quero comprar aliança. — falou Chanyeol e a mulher sorriu para mim.

— Claro!

Ela se virou e pegou algumas alianças que estavam em exposição.

— Acho que vocês vão gostar dessa.

Ela pegou um anel prateado com alguns frisos dourados.

Era linda.

Eu queria que ela fosse para mim.

Se eu tivesse sido mais corajoso, se eu tivesse falado primeiro, talvez fosse para mim que Chanyeol estivesse comprando as alianças.

— Eu acho que o seu namorado gostou. — comentou a mulher. — Vai ficar muito bonito no dedo dele. Vocês formam um belo casal.

Eu desviei a atenção da aliança e olhei para ela.

— O que? Eu? — ela concordou. Eu olhei para Chanyeol e ele estava me encarando com estranheza. — Eu não… Eu não sou namorado dele.

Expliquei e a mulher ficou visivelmente constrangida.

— Ah… Desculpa. Eu não…

— Tudo bem. Eu vou lá pra fora.

Eu engoli a saliva que tinha na minha boca e me retirei.

Ela achou que eu era namorado dele.

Talvez eu pudesse ter sido.

Mas não era… E tudo era culpa minha.

Se eu tivesse mesmo me declarado para Chanyeol, será que seríamos mesmo namorados?

Será que eu conseguiria fazê-lo tão feliz quanto Kyungsoo o fazia?

Se um dia Chanyeol me amou, ele não devia mais ter esse sentimento.

Ele não tinha!

Ele amava Kyungsoo.

Ele construiu uma vida com ele.

Se ele havia mesmo me amado um dia, era passado.

Eu era passado.

Eu sempre me imaginei ao lado de Chanyeol em todos os momentos importantes de sua vida, porém com o passar do tempo, eu fui perdendo cada vez mais meu lugar ao lado de Chanyeol. Sendo deixado cada vez mais de lado e sendo substituído por Kyungsoo.

Algumas pessoas perdem a batalha não é mesmo?

Errado.

Pelo menos para mim.

Não foi nada fácil passar cinco anos vendo Chanyeol e Kyungsoo se amando como se o mundo fosse acabar, mas eu aguentei.

No primeiro ano, eu chorava todas as noites e forçava um sorriso, mas eu sentia que seria ainda pior sem Chanyeol ao meu lado.

Pelo menos como amigo.

Depois foi muito mais fácil de aceitar.

Chanyeol estava feliz e, bom, se ele estava feliz, eu estava feliz.

Ainda éramos amigos, embora não como antes, Kyungsoo parecia ter um indigestão todas as vezes que me via, porém ele nunca me destratou.

Eu nunca entendi as vezes que pegava Kyungsoo me encarando, ou sua expressão de desconforto todas as vezes que eu e Chanyeol estavam juntos.

Kyungsoo era namorado de Chanyeol e eu respeitava isso, sempre respeitei. Ele sabia que eu seria incapaz de tentar qualquer coisa com Chanyeol. Mas, no final, esse nunca foi o seu real medo.

Eu esperei alguns minutos do lado de fora, já estava ficando entediado quando meu celular tocou.

Era Sehun.

— Oi, cara. — atendi.

Onde vocês estão?

Sehun nunca aceitou realmente o fato de Chanyeol e eu nunca termos ficado juntos. Ele até que tentou torcer pelo relacionamento do Chanyeol com o Kyungsoo, mas, palavras dele, OTP é OTP.

— Você não vai acreditar… O Chanyeol me trouxe em uma joalheria.

Sehun ficou em um silêncio mortal do outro lado e eu teria ficado preocupado de Sehun ter tido um colapso do outro lado da linha, mas eu ainda conseguia ouvir sua respiração.

— Eu adoraria dizer que ele finalmente terminou com o Kyungsoo e que está te pedindo em casamento.

— Não, Sehun… Ele está comprando uma aliança para o Kyungsoo.

E novamente um silêncio mortal.

— Sehun?

Cara, eu estava evitando isso ao máximo… Você sabe onde eu posso encontrar um pouco de cabelo do Chanyeol?

— Para que você quer cabelo do Chanyeol? — perguntei sem entender o que aquilo tinha a ver com a conversa.

Nada não. A sua avó ainda tem galinhas, Baekhyun? Você acha que ela me daria uma?

— O que? — franzi o cenho. — Sehun, tu anda bebendo além da conta, cara? Ainda são dez da manhã, por que você está falando esses absurdos?

Esquece! Pega um ônibus e vem aqui, o pessoal já chegou!

— Eu estou com o Chanyeol. A gente vai junto.

O carro do Chanyeol não está no concerto?

— Está, por quê?

Baekhyun, tu é demente? Entre pegar o ônibus sozinho e pegar o ônibus com o Chanyeol, a menos que vocês se peguem no meio do caminho, é melhor vir sozinho!

— Eu já estou aqui, Sehun. Já passei pelo pior, que foi ver o Chanyeol escolhendo uma aliança para o Kyungsoo. O que é uma bosta para quem já está todo cagado.

Ah, Baekhyun, toda vez que eu me lembro que ele podia estar comprando a merda dessa aliança para você! Dá uma vontade de te socar!

— Eu sei. Todas as vezes eu tenho vontade de me jogar da ponte do Rio Han. Mas… — soltei um suspiro. — É a vida. Eu tenho que lidar com isso… Pensa só, faltam apenas alguns meses. Depois ele vai estar bem longe…

— Com outra pessoa. Isso por algum acaso é bom?

— Não. Mas, talvez com ele longe eu consiga esquecê-lo.

Você já tentou, não deu certo.

— Eu tentei não vê-lo, o que não foi muito inteligente considerando que moramos no mesmo prédio, temos o mesmo círculo de amigo, estudamos no mesmo lugar e os nossos trabalhos são praticamente colados… E o Chanyeol nunca colaborou. Dessa vez ele vai estar em outro continente. Vai ser mais fácil…

Mais fácil seria se você falasse para ele de uma vez que você o ama desde os doze anos! Baekhyun, tu já tem vinte e três na cara!

— Concordamos que eu falaria para ele quando ele terminasse com o Kyungsoo. Não aconteceu.

— Eu ainda não entendo como eles dois namoram.

— Eu entendo. O Chanyeol podia não gostar tanto do Kyungsoo no começo, mas com o passar do tempo ele foi sendo conquistado e, venhamos e convenhamos, o Kyungsoo tem seus dotes. Ele é encantador e muito carinhoso.

— Você também.

— Ele e o Chan têm muitas coisa em comum. — Sehun soltou uma gargalhada do outro lado.

Por favor, Baekhyun! Eles criaram coisas em comum.

— Tá! Vamos parar com esse assunto… Eu…

— Baekhyun? Está falando com quem? — eu me virei e encarei Chanyeol. Ele tinha duas sacolas pretas na mão, o que me pareceu estranho, mas eu realmente não estava afim de saber qual era o próximo presente extraordinário que Chanyeol iria dar para o Kyungsoo.

— Ah, Sehun, o Chanyeol já saiu. Eu te encontro daqui a pouco. — desliguei o telefone e guardei no bolso do casaco..

— O Sehun é um grude com você! Tinha nada que ter ligado se já vamos nos encontrar! — ele começou a andar apressado.

— Ele é o meu melhor amigo, quando éramos nós, você também era um grude comigo. — comentei, acompanhando-o.

— Como assim? Ainda somos melhores amigos!

Somos? — olhei para ele.

— Claro que somos!

— Se você diz. — eu dei de ombros e continuei andando.

— Ei, Baekhyun! Por que você disse isso? É claro que ainda somos melhores amigos! Você é a pessoa que mais me conhece no mundo todo!

— Chanyeol, se é assim, a sua vida tá uma merda! Eu não converso com você direito há três anos!

— A minha vida anda muito monótona. — respondeu.

— Uhun, ah, tá.

Paramos na parada de ônibus e eu me sentei em um dos bancos.

— Para com isso, BaekBolinha. Você sabe que eu te amo e que você é tudo para mim.

— Deixa o Kyungsoo ouvir isso, ele te mata de um cassete! — cruzei os braços e olhei para a rua. —  Pior ainda, ele me mata de um cassete!

— Ele já sabe. — Chanyeol falou e eu rapidamente olhei para ele.

— Como assim ele já sabe? Chanyeol, como você fala isso para o seu namorado?

— O Kyungsoo tinha um ciúmes louco de você. Eu disse que ele não tinha que se preocupar porque somos apenas amigos, mas que eu amo você e que você é a pessoa mais importante na minha vida, então eu não queria que vocês discutissem nem nada.

— Chanyeol, como você falou isso para o Kyungsoo?

— O que? Eu jurei que nosso relacionamento seria fundado na sinceridade, eu nunca escondi nada dele.

Sempre me disseram que o segredo de uma relação bem sucedida é a sinceridade.

Cada vez mais eu via no relacionamento deles o que eu queria ter tido com Chanyeol.

Melhor, o que sempre tive e estava perdendo.

Costumavam dizer que eu e Chanyeol éramos namorados sem benefícios, bom, eles estavam certos. Quando Chanyeol achou um namorado de verdade para fazer as coisas de casais, sobrou para mim apenas as coisas de amigo.

Melhor do que nada, mas não era o suficiente para mim.

Eu sentia saudades de Chanyeol todos os dias.

Sentia saudades de como éramos, das coisas que fazíamos, de como jogávamos​ conversa fora… eu sentia saudades até das piadas sem graça dele.

Tudo que um dia fora meu, agora era de Kyungsoo.

Os domingos voltaram a ser chatos e nos dias frios, eu já não ligava mais para Chanyeol para que ele ficasse assistindo filmes comigo enquanto me abraçava.

Eu já não fazia mais isso com ele porque ele estava muito ocupado fazendo tudo isso com Kyungsoo.

— Chanyeol… — eu o chamei, mas logo me arrependi. Mais uma vez havia me deixado levar.

— Diga, Baekhyun. — ele me encarou.

— O… O ônibus. Fica de olho no ônibus.

Mudei de assunto e Chanyeol olhou para o outro lado, desconfortável.

— Sim. Claro.

Eu soltei um suspiro e enfiei as mãos dentro dos bolsos do casaco. De repente o dia havia se tornado extremamente frio, ou talvez fosse apenas o clima constrangedor que se formou entre mim e Chanyeol. Não sei dizer. Apenas queria que a vida não fosse assim.

Eu queria poder falar as coisas sem me controlar ou pensar duas, três vezes se aquilo iria soar desrespeitoso.

Eu queria poder dormir nos braços de Chanyeol, como fazíamos antigamente, sem medo de sermos julgados.

Antigamente não devíamos explicações para ninguém, mas agora devíamos. Melhor, Chanyeol devia satisfações para Kyungsoo.

(...)

O ônibus onde eu e Chanyeol estávamos parou na décima segunda parada desde que havíamos subido.

Ótimo! Só faltavam mais seis!

Eu estava olhando para a janela enquanto Chanyeol ouvia música em seus fones de ouvido. Estranhei quando senti Chanyeol segurar a minha mão. Franzi o cenho quando olhei para as nossas mãos dadas para só depois olhar para Chanyeol.

— Baekhyun, não surta… — ele sussurrou.

Eu não entendi.

Como assim “não surta”?

Olhei para frente e logo vi o palhaço parado mais a frente.

Arregalei meus olhos e o meu coração acelerou. Em um reflexo, virei o rosto, olhando fixamente para o lado de fora.

A respiração pesou em meus pulmões e eu segurei a mão de Chanyeol com força.

— Relaxa… Ele já vai embora. — ele sussurrou.

Eu concordei, mesmo que cada parte do meu corpo estivesse tremendo de nervoso.

Nunca entendi meu medo de palhaço, nunca foi algo que eu conseguisse controlar.

Simplesmente melhor não olhar e não chorar.

O palhaço se aproximou de onde eu e Chanyeol estávamos sentados, verei meu rosto e escondi no ombro de Chanyeol.

— Tudo bem, BaekBolinha. Ele já vai. — Chanyeol sussurrou e beijou a minha cabeça. — Eu vou te proteger. Sempre.

Eu abri meus olhos, sentindo meu coração acelerado, mas já não era mais por conta do palhaço.

Chanyeol.

Seu conforto, seu calor, sua proteção.

Chanyeol completo mexia comigo.

O ônibus parou novamente e eu esperei alguns instantes antes de levantar a cabeça.

— Ele já foi? — perguntei abrindo os olhos devagar.

— Já…

Eu abri meus olhos por completo e a primeira coisa que eu vi foi a face linda de Chanyeol.

Ele encarou o meu rosto e eu senti todo o meu corpo formigar.

— Chanyeol…

— Fala, Baek… — respondeu em um sussurro.

— É… — engoli em seco. — A minha mão…

Chanyeol me olhou estranho​, mas então ele arregalou os olhos.

— Ah, desculpa, Baek.

Quando ele soltou a minha mão eu simplesmente a deixei ali por alguns segundos, talvez esperando que ele a segurasse de novo. Mas como ele não o fez, em certo momento eu recolhi minha mão.

Chanyeol pegou o celular e eu vi seu visor aceso e o nome de Kyungsoo em vermelho.

Depois daquilo eu peguei meus fones e virei o rosto.

Faltavam apenas alguns meses. Tudo aquilo iria acabar.

Chanyeol iria embora.

Chanyeol iria embora…

Chanyeol iria embora com o Kyungsoo…

(...)

— Vai, Chanyeol! Vira! — incentivou Jongdae e Chanyeol logo virou a garrafa de vodka.

Imagino como aquela cena parecia estranha. Cinco jovens sentados em um canto do parque, bebendo e tocando violão, algumas vezes até mesmo gritando.

Por mais que aquela não fosse a melhor forma de passar o tempo, era assim que passávamos.

No ensino médio éramos muito mais próximos e conseguíamos nos encontrar com mais facilidade, porém, depois da formatura havia nos restado apenas algumas horas, sábado sim, sábado não.

Era a vida de adulto. Uma bosta! O que eu não daria para voltar no tempo.

Depois de uns cinco goles, Chanyeol já havia acabado com a garrafa.

— Chanyeol! Para com isso! Eu que vou te arrastar para casa depois daqui, seria bom se, pelo menos, você lembrasse de como se anda!

— Deixa de ser chato, Baek! — Minseok me recriminou.

— Desculpa ser o chato da vez, mas o Chanyeol é insuportável quando bebe!

— Não que ele já não seja normalmente. — acrescentou Sehun.

Chanyeol olhou feio para o meu amigo que deu de ombros.

Sehun e Chanyeol não se davam bem, por questões bem diferentes.

Sehun não gostava muito de Chanyeol porque, para Sehun, ele era um tapado, imbecil, que não enxergava o que estava na cara dele.

Já Chanyeol não gostava de Sehun porque ele tinha a ideia ridícula de que o Sehun era a fim de mim.

Ridículo com R maiúsculo!

Eu e o Sehun éramos apenas amigos, até tentamos ficar uma vez, mas não deu nada certo!

Às vezes, algumas pessoas são feitas apenas para serem amigas.

Eu amaria ser apaixonado por Sehun. Ele é um homem bem resolvido, engraçado e que sempre… Não. Na maioria das vezes, desperta o melhor em mim.

Mas, amar Chanyeol sempre foi inevitável.

— Você é insuportável, Sehun! — Chanyeol praticamente cuspiu as palavras.

Eu senti os primeiros pingos de chuva, então olhei para o céu cinzento. O vento soprou e as gotas de chuva começaram a cair.

— Gente! É melhor a gente… — a chuva engrossou rapidamente e os meninos levantaram desesperados.

Algumas outras pessoas também se levantaram e saíram correndo até uma parte coberta do parque.

Eu também me levantei e ajudei Chanyeol que, até certo momento, me ajudava e andava, mas quando uma melodia rompeu tanto minha audição quanto a dele, Chanyeol parou no meio do caminho e eu olhei ao redor, procurando de onde vinha a melodia.

Um dos grupos estava carregando um aparelho de som portátil, anteriormente eles estavam mais distantes, por isso não havia escutado antes.

Me virei para Chanyeol e o puxei pelo braço.

— Vem logo, Chanyeol! — tentei puxá-lo.

Ele olhou fixamente em meus olhos e então eu notei que seus olhos estavam vermelhos e molhados. Eu achei que fosse por culpa da chuva, mas não, Chanyeol estava mesmo chorando.

— Chanyeol…

— Você se lembra, né, Baek? — ele perguntou e eu engoli em seco.

— Eu…

— Dança comigo… Você me prometeu a última dança.

— Isso foi há cinco anos atrás. — lembrei-o.

— Mas nós não dançamos desde então. Por favor, nossa última dança.

Eu simplesmente não pude negá-lo.

Chanyeol se aproximou de mim e colocou as mãos na minha cintura, envolvi seu pescoço com meus braços e encontrei a cabeça em seu peito, sentindo seu coração bater acelerado.

Tão acelerado quanto o meu.

— Você se lembra dessa música, Baekhyun? — eu sorri.

— Baile de outono, sétima série. Foi a nossa primeira dança.

Não tinha como eu esquecer. Jamais vou esquecer da forma como Chanyeol me tomou em seus braços pela primeira vez e me guiou pelo salão.

Nossa vida escolar foi bem difícil depois daquele dia, mas ele nunca se importou e eu também não.

— BaekBolinha, eu queria que você tivesse chegado mais cedo naquela noite.

Eu me afastei e encarei seus olhos vermelhos por conta do choro eoquei suas madeixas molhadas por conta da chuva.

Por mais que eu quisesse não olhar em seus olhos, eu não consegui desviar o olhar.

Seus olhos estavam suplicantes e, talvez fosse coisa da minha cabeça, mas eu tenho quase certeza de que vi um certo arrependimento.

— Eu também, Chanyeol. Eu também queria ter chegado mais cedo… — repeti e levei uma das minhas mãos para enxugar meus olhos que estavam molhados tanto pelas lágrimas que estavam começando a aparecer quanto pela chuva.

— Eu tinha tanta coisa planejada para aquela noite.

Chanyeol se aproximou ainda mais e aportou ainda mais o abraço em torno da minha cintura.

— Eu tinha tanta coisa planejada para nós. — sussurrou olhando fixamente para os meus olhos, mas ele abaixou a vista até meus lábios avermelhados. — Eu havia sonhado com aquela noite. Sonhado com o dia em que eu te faria meu…

Levei minhas mãos até seus ombros e os apertei.

Chanyeol aproximou o rosto do meu e eu tentei me afastar. Começando a chorar.

Eu queria tanto beijá-lo. Eu já nem conseguia mais lembrar desde quando eu queria tê-lo comigo.

Mas, naquele momento, eu e Chanyeol já não éramos mais uma possibilidade.

— Chanyeol… Para… O Kyungsoo…

— Baekhyun, é a minha última chance… Eu juro nunca mais falar nisso, eu só te peço um beijo. — eu fechei meus olhos, tentando me manter forte.

Eu não podia ceder.

Eu tinha plena consciência de que aquilo era errado, mas tudo em mim implorava para que eu juntasse meus lábios com os de Chanyeol. Pelo menos uma vez.

Eu queria sentir o seu gosto pelo menos uma vez.

Por mais que eu desejasse isso do fundo da minha alma, eu sabia que aquilo era errado.

A inquietação tomou conta do meu corpo e eu senti algo surreal no meu estômago.

Algo diferente das famosas borboletas no estômago ou os solavancos que ele costumava dar perto de Chanyeol. Foi algo que eu nunca havia sentido antes.

Os lábios de Chanyeol encostaram nos meus e eu fechei meus olhos com força.

Merda!

Merda!

Os lábios de Chanyeol eram quentes e macios, tão aconchegantes e convidativos que eu não resistir em aprofundar o beijo.

Enterrei meus dedos magros em meio as suas madeixas escuras e me aproximei ainda mais dele.

Por alguns segundos o mundo a nossa volta desapareceu e só havíamos nós ali, nos beijando na chuva.

Eu imaginei nosso primeiro beijo de muitas formas, mas nenhuma foi daquela.

Inesperada, deliciosa e com um leve gosto de despedida.

Mas, do mesmo jeito que fomos levados para aquele mundo de fantasia, fomos tirados dele.

A música parou de tocar e eu retomei os meus sentidos, me afastando de Chanyeol.

— O QUE É ISSO? BOTA PARA TOCAR DE NOVO! NÃO PARA! — eu consegui ouvir Sehun gritar.

Toquei meus lábios e então olhei para Chanyeol. Ele parecia arrependido do que havia acabado de fazer… Ele não era o único.

— Me desculpa… Baekhyun… — ele deu alguns passos para trás e tocou os lábios.

— Tudo bem… — falei por fim.

Chanyeol sorriu para mim.

Não.

Ele não podia estar sorrindo!

— Eu preciso ir para casa. — falei, mais uma vez fugindo.

Porém, de todas as vezes que eu fugi, aquela foi a que eu mais desejei que Chanyeol segurasse minha mão e me impedisse. Mas ele não o fez.

Virei de costas para ele e corri para pegar minha bolsa com os meninos.

— Baek… — Jongdae me chamou, mas eu não dei ouvidos e saí cortando a multidão que tentava se proteger da chuva na pequena área coberta do parque.

Eu ignorei todos os xingamentos e os empurrões, eu só queria sair dali!

Eu havia beijado Chanyeol!

Eu havia mesmo feito aquela merda!

Aquilo foi errado!

Não importava o quanto eu tivesse desejado aquilo, não importava o quanto eu desejasse Chanyeol só para mim! Eu jamais deveria tê-lo beijado.

Aquilo foi um desrespeito ao Kyungsoo!

Foi um desrespeito a mim mesmo!

Naquele momento, eu coloquei na minha cabeça que eu jamais ousaria tocar em Chanyeol outra vez.

Um de nós precisava ser forte, e se ele não seria, eu tinha que ser.

(...)

Cinco dias para o dia dos namorados, 2015. 9:50pm.


Eu abracei os meus joelhos e encostei as minhas costas no balanço, permitindo-me relaxar pela primeira vez no dia.

Levei o cigarro até meus lábios e dei a última tragada antes de jogá-lo fora no lixo que ficava ao lado do balanço.

Eu não costumava fumar, apenas quando me encontrava extremamente nervoso, do mesmo jeito que só ia até o terraço do meu prédio quando estava a beira de um colapso. O que era exatamente o caso daquela situação.

Desde o sábado, dia em que eu havia beijado Chanyeol, minhas horas eram dedicadas apenas a fugir dele.

Eu ignorei as vezes que ele me ligou, as vezes que ele foi até a minha porta e ficou batendo durante uns dez minutos direto.

Ignorei até mesmo as mensagens de Sehun implorando para que eu fosse falar com Chanyeol.

Eu me senti tão envergonhado.

Tão… Sujo é a palavra.

E eu me odiava por isso.

Nunca quis que meu amor por Chanyeol fosse remetido a algo sujo.

Por mais que impossível, meu amor por Chanyeol sempre foi algo pleno e puro.

Muito além de desejá-lo comigo, eu desejava que ele fosse feliz e, se a sua felicidade não era comigo, por mim tudo bem…

Quase.

Eu podia conviver com isso.

Eu observei bem o espaço em que eu estava, como se estivesse procurando algo de novo, mas no final estava tudo igual.

O jardim suspenso no mesmo lugar na parede da esquerda, os baldes vazios jogados em um canto e todo o resto vazio.

Olhando para aquele lugar foi impossível não lembrar quando eu e Chanyeol compramos nossos apartamentos. Uma semana colocamos um balanço ali, o mesmo em que eu estava sentado, para sempre que estivéssemos cansados ou simplesmente quiséssemos admirar a noite, ou até mesmo para que pudéssemos ficar juntos ali. Sem ninguém nos incomodar.

A grande maioria dos moradores nem mesmo ligava para para o terraço, então eu e Chanyeol costumávamos ter toda privacidade do mundo.

Pelo menos foi assim no primeiro ano… Depois disso acho que ele nunca mais quis observar a noite ou simplesmente se esqueceu de que aquele era o nosso lugar especial.

Olhei para cima e soltei um suspiro, o tempo estava fechado, porém, mesmo assim, eu consegui ver algumas estrelas. A lua estava escondida atrás das nuvens, mas logo ela foi se revelando em sua plenitude.

Depois de alguns segundo, eu simplesmente fechei meus olhos e tentei relaxar, me deixei levar pela tranquilidade que aquele lugar me trazia e simplesmente tentei esquecer tudo que me atormentava.

— Eu sempre achei o luar bonito. — ouvi Chanyeol dizer. Olhei para  o lado, assustado, sem entender de onde ele havia brotado. Ele olhou para mim e sorriu. — Mas você consegue ser ainda mais bonito do que ele, todos os dias.

De repente as estrelas pareciam estar nas íris escuras de Chanyeol, pois tive certeza absoluta de que elas brilhavam.

Seu olhar carregava uma admiração e uma devoção que fizeram meu estômago se comprimir.

No minuto em que desviei os olhos de suas órbitas hipnotizadoras e fitei seus lábios vermelhos e senti minha boca salivar, então eu soube que era o momento de ir embora.

Sem dizer uma única palavra, me levantei para ir embora, porém, Chanyeol segurou-me pelo pulso, me fazendo ficar parado.

Eu tentei ser forte, mas Chanyeol apenas parecia não querer colaborar!

Todas as vezes em que eu ignorei suas chamadas, simplesmente o deixei batendo na porta e falando com o vento, achei que isso serviria para que ele entendesse que o que havia ocorrido entre nós​ não passara de um erro e que não poderia se repetir. Mas eu não sabia o que se passava na mente de Chanyeol, então nem imaginava que ele tinha seus próprios planos a nosso respeito.

— Baekhyun, nós precisamos conversar sobre o que aconteceu. — Chanyeol se levantou e me fez virar para ele, porém eu não tive coragem de olhar em seus olhos.

Meu rosto estava vermelho de vergonha e não importava o que eu pensasse sobre o que havia ocorrido entre nós, ainda me parecia algo sujo e errado.

— Baekhyun, olhe para mim. — ele ergueu o meu rosto. Seu olhar terno pousou sobre o meu rosto e ele passou o polegar pela minha bochecha. — Não chora, BaekBolinha… Não gosto de te ver chorando, sinto que meu mundo desmorona a cada lágrima sua.

Que o Chanyeol nunca descobrisse o quanto eu já havia chorado por causa dele… Melhor, por causa da minha covardia em relação a ele.

Eu engoli o choro, por mais que uma ou duas lágrimas já tivessem escapado. Não queria chorar na frente dele.

— Chanyeol, eu tenho que entrar. — falei e tentei me afastar dele.

— Não, você já fugiu de mim durante cinco dias, Baek. Eu preciso conversar com você sobre o que aconteceu…

— Foi um erro. — o interrompi. — O que aconteceu entre nós foi um erro, eu me deixei levar e eu juro que nunca mais vai acontecer.

— Para mim não foi um erro, Baekhyun. — ele me encarou e sorriu. — Baekhyun, por mais que eu não quisesse que tivesse acontecido daquela forma, eu não me arrependo de ter te beijado.

— Chanyeol, foi errado. — eu tirei sua mão do meu rosto. — Você namora o Kyungsoo.

— Mas eu nunca o amei como amo você, ele sabe disso! Eu quero construir uma vida com você. Eu sei que eu posso estar arriscando nossa amizade nesse exato momento, mas eu preciso dizer antes que isso me sufoque. Eu te amo, Baekhyun.

Ele disse.

Ele realmente disse.

Mas por que eu não consegui ficar feliz?

Eu respirei fundo e segurei sua mão, vendo a aliança em seu dedo anelar.

Ele estava usando a aliança que eu havia gostado.

— Eu também queria, Chanyeol. Mas isso foi antes de você começar a namorar com o Kyungsoo, foi antes de você construir uma vida com ele. Por mais que eu quisesse estar no lugar dele agora, não foi comigo que você fez planos para morar fora e construiu toda uma história. Não foi comigo que você passou três anos juntando dinheiro para poder finalmente estar livre de tudo. E, principalmente, não foi para mim que você deu uma aliança. — soltei sua mão e ele soltou o meu pulso. — Chanyeol, eu me sentiria um monstro se você terminasse seu namoro com Kyungsoo por minha causa. Eu não quero ter nenhum problema com nenhum dos dois. Eu te amo… Sempre amei, mas não vai ser assim para sempre. Você vai embora e eu vou te esquecer.

Eu me aproximei dele e dei um beijo em sua bochecha.

— Você está desistindo da gente. — ele sussurrou. — Você está desistindo do nosso amor…

— Eu fiz isso anos atrás, muito antes de você começar a namorar com o Kyungsoo… Se eu já desisti naquela época, por que o reivindicaria agora?

— Porque agora não somos mais adolescentes indecisos, Baekhyun. Agora eu tenho certeza até onde eu estou disposto a ir com você. Baekhyun, eu sou capaz de qualquer coisa por você. Eu largo tudo se isso significar que você estará ao meu lado. Baekhyun, — ele enfiou uma mão no bolso e com a outra ele segurou minha mão direita. — você vale tudo.

Chanyeol colocou uma aliança no meu dedo anelar. A aliança combinava perfeitamente com a que ele estava usando.

— Chanyeol…

— Eu comprei naquele dia. A vendedora achou que fossemos um casal e eu pensei “por que não?”. Por que não somos um casal, Baekhyun? Eu sempre quis que você fosse o meu primeiro e único namorado, mas acabamos nos perdendo em algum momento. Depois que a vendedora falou aquilo eu só consegui pensar em você e em como eu queria ver esta aliança no seu dedo.

Eu olhava fixamente para o meu dedo, mas Chanyeol me fez olhar em seus olhos.

— Eu te amo… E mesmo que tenhamos a eternidade juntos, ela é pouco tempo para que eu possa demonstrar todo o meu amor por você. Quando você está ao meu lado, todo o tempo do mundo já não é suficiente.

Eu o abracei, chorando baixinho contra seu corpo grande, sentindo o calor dos braços de Chanyeol me envolverem.

Tudo aquilo ainda era errado, mas eu não conseguia simplesmente soltar Chanyeol.

(...)

Dia dos namorados, 2010, 10:25 (POV Chanyeol.)


Eu estava rodando aquela quadra inteira atrás de Baekhyun.

Deus parecia enviar vários sinais de que a minha próxima atitude com ele não era a correta, e isso somando a minha covardia eminente resultava em desistência.

Não sabia porque naquele momento, ou como eu tinha tomado tanta coragem, mas eu ia contar para Baekhyun tudo que eu sentia por ele. Falaria com Kyungsoo e explicaria que eu jamais poderia namorá-lo sabendo que jamais deixaria de amar Baekhyun enquanto respirasse, talvez até depois disso.

Parece que foi apenas pensar nele que ele simplesmente brotou ao meu lado.

— Chan… — ele me chamou e eu sorri para ele, mas foi um sorriso mais por educação. Kyungsoo era a última pessoa que eu queria ver naquele momento.

— Tudo bem, Kyung?

— Mais ou menos. Podemos conversar? Você falou que iria me responder hoje.

Eu não sabia quando Kyungsoo havia se tornado tão direto, ele costumava evitar falar sobre seus próprios sentimentos e desejos pois atropelava as próprias palavras.

— Tudo bem, vamos. — concordei e soltei um suspiro. — Vamos para outro lugar, sim?

— Não. Eu posso falar aqui mesmo...

Eu olhei ao redor, mordendo meu lábio inferior com força. Eu não sabia quais seriam minhas próprias palavras com exatidão, nada que vinha em minha mente parecia certo.

Kyungsoo sempre foi um cara legal, muito legal até. Ele era muito bonito e tinha uma personalidade muito boa, ele era gentil, bondoso e carinhoso. Ele seria perfeito para qualquer um, seria perfeito para mim também, mas eu já amava o Baekhyun muito antes de conhecer Kyungsoo.

É difícil falar, mas Kyungsoo simplesmente não teve chance.

Ele nunca teve…

— Kyungsoo, eu vou ser sincero com você… Você é um cara espetacular, mas eu…

— Você ama o Baekhyun… — ele completou a frase.

— Você sabe? — perguntei espantado. Sempre achei que disfarçava tão bem meus sentimentos pelo Baekhyun. Ele mesmo nunca desconfiou, pelo menos eu achava que não.

— Chanyeol, todos sabemos, se brincar até o Baekhyun sabe…

— O Baekhyun não sabe. Se ele soubesse já teria falado comigo sobre isso.

— Você tem certeza, Chanyeol?

— Tenho! — eu tinha. Se Baekhyun soubesse como eu sofria guardando aquele amor apenas para mim ele falaria comigo, mesmo que não sentisse a mesma coisa, meu amigo não e deixaria naquela agonia.

— Mesmo que ele não saiba, se o Baekhyun sentisse a mesma coisa você não acha que ele falaria para você?

— Eu…

— Chanyeol, você sabe que a amizade de vocês nunca será a mesma coisa se você falar dos seus sentimentos, você sabe que o Baekhyun não tem relacionamentos com pessoas que sejam interessadas nele. Ele diz que quebra a amizade.

Baekhyun de fato sempre repetia aquelas palavras e elas eram um dos motivos para eu nunca ter falado nada para ele.

— Eu sei, mas eu…

— Você não acha que a amizade dele é mais importante do que você expor os seus sentimentos?

— Eu não sei… — minha coragem já estava indo embora. De repente, contar para Baekhyun sobre os meus sentimentos parecia uma ideia pior do antes.

— Chan, se você nunca vai ficar com o Baekhyun, me dê uma chance… Por favor. Você não pode ficar preso a um amor que nunca vai acontecer. Eu só preciso de uma chance. Eu vou te fazer esquecer o Baekhyun… Vou fazer você me amar.

Kyungsoo se aproximou de mim e ficou na ponta dos pés, quando percebi seus lábios já estavam sobre os meus.

Eu queria nega-lo, mas depois de ouvir todas aquelas coisas, eu queria ainda mais que ele me fizesse esquecer Baekhyun.

(...)

Cinco dias para o dia dos namorados, 2015. 10:32pm.


— O que você vai fazer agora, Chanyeol? — Baekhyun me perguntou.

Era uma boa pergunta. Muito boa, mesmo.

Eu iria terminar com o Kyungsoo, sem dúvidas. Mas a situação ainda era muito complicada.

O erro foi meu.

Eu jamais deveria ter ficado com Kyungsoo sabendo que ele jamais poderia me fazer esquecer Baekhyun.

Mas na realidade, eu realmente comecei a gostar de Kyungsoo depois de um tempo.

Ele foi me conquistando com seu jeito doce e nós construímos uma vida, fizemos mil planos juntos. Como eu simplesmente chegaria para ele e falaria que tudo havia acabado, que nós não viajariamos mais e não faríamos mais nada, porque eu ficaria com Baekhyun.

Porque ele nunca o substituiu muito menos conseguiu me fazer esquecê-lo.

Cada vez que eu pensava sobre como terminaria com Kyungsoo, mais monstro eu me sentia.

— Chanyeol… Eu me sinto tão mal em relação a isso. — Baekhyun se sentou no braço de sua poltrona, soltando um suspiro e olhando para suas mãos.

— Eu também… — eu me aproximei dele e me encaixei entre suas pernas. Ergui seu rosto e o acariciei. — Mas eu já passei muito tempo longe de você. Eu dei a chance dele, foi o que ele me pediu, mas agora é a nossa chance, Baekhyun. Eu agora vou arriscar… Eu só preciso saber, você me ama? Me ama o suficiente para enfrentar o mundo todo? Porque eu sou capaz de tudo por você.

— Eu te amo ainda mais. Porém, por mais que eu te ame, por que tudo parece tão errado?

— A culpa é minha, Baekhyun. Se estamos aqui hoje a culpa é inteiramente minha. Eu jamais deveria ter metido Kyungsoo nisso. Eu deveria ter me declarado para você naquela noite, tudo teria sido muito diferente.

— Você não é o único culpado, Chanyeol… — admitiu. — Eu deveria ter falado antes, mas eu tive medo. Tive medo de te perder. Tive medo de que não desse certo e depois eu não tivesse nem a sua amizade.

Baekhyun levou suas mãos até a minha cintura e apertou o tecido da minha camisa.

— Me desculpa, Chanyeol… — pediu. Ele olhou​ para mim com aqueles olhos brilhantes e suplicantes. Eu nunca vi tanta tristeza nos olhos de Baekhyun.

Talvez tivesse visto, mas preferi não enxergar.

Eu preferi não ver a dor que eu causava em Baekhyun cada vez que ele me via com o Kyungsoo.

— Ei… — eu segurei o rosto deles entre as minhas mãos e alisei suas bochechas rosadas e úmidas. — Não chore, BaekBolinha​.

— Eu me sinto culpado, Chanyeol. Se eu não tivesse fraquejado tanto, se eu tivesse falado como eu te amava… Nós não estaríamos aqui, o Kyungsoo não precisaria sofrer… Meu Deus, Chanyeol… Eu não sei se tenho coragem!

— Eu também, Baek. Eu estou com medo e não quero magoar o Kyungsoo. Mas eu já perdi muito tempo. Nós já perdemos muito tempo.

Eu me inclinei para poder unir nossos lábios.

Depois de experimentar os lábios de Baekhyun uma vez eu não conseguia mais parar de lembrar da maciez e do calor deles.

Eu não conseguia mais olhar para Baekhyun sem desejar que seus lábios perfeitos grudados nos meus. Sedentos como os meus.

Os olhos de Baekhyun permaneceram fixos nos meus até o momento em que nossos lábios se encontraram.

Mesmo tendo um início terno e calmo, com o tempo foi se aprofundando e eu levei minha língua até os lábios de Baekhyun, que abriu a boca e me deu passagem sem fazer objeções. Nossas línguas se tocaram e aquele beijo tão terno foi ficando cada vez mais erótico.

Tanto eu como Baekhyun já estávamos inquietos e minhas mãos foram as primeiras a agir. Eu apertei a coxa esquerda de Baekhyun e ele separou o ósculo por conta da surpresa, mas eu não parei. Comecei a beijar e chupar aquele pescoço dele.

Aquele pescoço lindo e macio.

Imaculado.

Eu nunca vi a pele de Baekhyun marcada, mas eu adoraria fazer aquilo.

Chupar cada parte de seu corpo.

Vê-lo se contorcer pelo prazer que eu causaria a ele.

— Hum… Chanyeol… — gemeu meu nome, mas ao contrário do que eu esperava, ele não me incentivou, Baekhyun tirou minha mão de sua coxa e me afastou. Eu olhei para seu rosto, confuso.

— O que foi, Baek?

— Eu não quero fazer isso. Não assim… — ele estava constrangido. Eu notei isso não apenas pelo fato de seu rosto estar vermelho, mas Baekhyun não conseguia olhar nos meus olhos. Nem mesmo uma vez.

— Tudo bem… Eu vou falar com o Kyungsoo, depois… — ergui seu rosto e olhei em seus olhos. — Podemos nos resolver?

— Quando tudo estiver acabado, vamos nos resolver. Só… Não é justo que façamos isso com o Kyungsoo. O beijo já me fez sentir culpado o suficiente.

— Os beijos… — eu o corrigi.

— Você não está ajudando, Chanyeol. Bom, por agora seria melhor você ir para sua casa e só voltar aqui quando se resolver com o Kyungsoo.

Baekhyun se levantou e foi até a porta, abrindo-a sinalizando mais claramente que era hora de eu ir embora.

— Tudo bem… — me dei por vencido. Se eu não fosse embora Baekhyun me expulsaria dali a pontapé. — Mas antes, um beijo.

— Não, Chanyeol… Já chega, enquanto você estiver com o Kyungsoo, eu e você não existe.

— Um beijinho só, Baekhyun. De boa noite. Você costumava me dar.

— Tínhamos dez anos, eu parei de fazer quando completamos onze.

— Mas eu continuo esperando meus beijinhos de boa noite.

— Não vai rolar, Chanyeol.

— Não se esqueça que eu tenho as chaves do seu apartamento e que eu posso voltar durante a noite e roubar um beijo seu.

Baekhyun arregalou os olhos surpreso.

— Você ainda tem isso? Achei que tivesse perdido!

— Eu jamais perderia! Você me deu para uma emergência!

— Você nunca usou!

— Você também nunca precisou! — dei de ombros.

Eu me aproximei de Baekhyun e uni nossas testas.

— Um só. — pedi em um sussurro.

Baekhyun ficou na ponta dos pés e me deu um breve selinho.

— Pronto.

Eu ri e me afastei, sabendo que seria o máximo que eu conseguiria arrancar dele.

— Tchau, BaekBolinha. Qualquer coisa grita, eu estou no apartamento do lado.

Eu saí e logo ouvi a porta se fechando atrás de mim.

Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Kyungsoo.


[2015/06/07 10:52pm] Chanyeol: Temos que conversar. É urgente. Eu te ligo amanhã.


Eu guardei novamente o telefone no meu bolso e soltei um suspiro.

Não adiantava mais fugir, era hora de enfrentar as consequências dos meus erros e vencê-las.


[2015/06/07 10:53pm] Pinguinzinho: Chanyeol, aqui é o pai do Kyungsoo. Aconteceu algo terrível. Precisamos que venha até nós agora mesmo, estamos no hospital central. Seja rápido.

(...)

Quatro dias para o dia dos namorados, 2015. 02:43am (Baekhyun POV)


Eu acordei assustado quando senti alguém me abraçando por trás, soltei um grito alto e comecei a me debater.

— Fica calmo, Baekhyun! — era Chanyeol.

— Ah, seu merda! Não me manda ficar calmo! Você quase me matou de susto! — eu acendi a luz do abajur e me virei para ele.

Chanyeol estava deitado na minha cama, vestindo as mesmas roupas de horas atrás. Pensei que ele tivesse voltado para casa, mas pelo visto aquilo não havia ocorrido.

— Quem achou que era?

— Eu não sei! Um estuprador? Ninguém costuma entrar no meu apartamento na furtiva e se deitar ao meu lado na cama! — falei nervoso. Eu estava falando tão rápido que algumas palavras se embolaram na minha língua. — O que você está fazendo aqui, Chanyeol?

— Eu senti sua falta…

— Nós vamos nos encontrar daqui a algumas horas, vá para casa, Chanyeol.

Ele negou com a cabeça. Eu prestei mais atenção em Chanyeol e percebi seu olhar triste.

— O que aconteceu? — perguntei diretamente.

— Nada… Eu apenas senti muito a sua falta. Deita aqui…

Ele estava triste, mas Chanyeol nunca foi exteriorizar suas tristeza facilmente. Ele passava por um longo processo internamente antes de conseguir falar e aceitar ajuda de alguém. Eu não sabia o que era, mas forçar também não ajudaria em nada, apenas o deixaria pior.

Eu me deitei ao seu lado e Chanyeol me abraçou com força.

Ele beijou meus cabelos e me abraçou ainda mais forte.

Certo. Eu estava ficando preocupado de verdade.

— Chanyeol…

— Baekhyun, me prometa que, não importa o que aconteça no futuro, você sempre vai ter certeza que meu amor por você é mais forte do que tudo. Não importa o que aconteça nunca pense que é porque eu não te amo. Eu amo muito.

— Eu também te amo, Chanyeol.

Chanyeol encarou meus olhos e beijou a minha testa.

— Vamos dormir um pouco…

— Hum… — concordo. — Eu acho que vou ter que sair cedo amanhã para resolver uns problemas, mas devo estar de volta às dez. Você me encontra na cafeteria?

Chanyeol demorou um pouco para responder.

— Sim… Eu te encontro lá.

Depois daquilo fizemos silêncio e eu apenas adormeci nos braços de Chanyeol.

(...)

Quatro dias para o dia dos namorados, 2015. 05:30am


Eu acordei com o barulho irritante do despertador. Me virei para desligá-lo, mas, para a minha surpresa, os braços de Chanyeol não me envolviam mais. Desliguei o despertador e me levantei.

— Chanyeol? — chamei-o.

A casa ainda estava escura, o sol ainda estava fraco em seu amanhecer.

Peguei o meu celular com a esperança que houvesse uma mensagem dele.

Nada.

Liguei e caiu na caixa postal.

Talvez tivesse acontecido algo com a mãe dele. Mas iriamos nos encontrar na cafeteria às dez​, então eu não precisava me preocupar.

Eu iria encontrá-lo.

Não importava o acontecesse, ele iria ao meu encontro.

Chanyeol sempre iria ao meu encontro.

(...)

Quatro dias para o dia dos namorados, 2015. 11:32am


Chanyeol realmente não iria aparecer… Eu simplesmente não conseguia aceitar aquela ideia.

Ele havia ignorado minhas ligações, minhas mensagens e todo o resto.

Chanyeol havia me bloqueado nas redes sociais!

Eu simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo!

— Baekhyun. — ouvi me chamarem. Eu me levantei da cadeira e me virei esperançoso, mas não era Chanyeol a me esperar do outro lado da cafeteria. — Vamos para casa, Baek.

Eu soltei o ar pela boca e peguei a minha mochila, fui ao encontro de Sehun e abracei o meu amigo.

—Tudo bem, Baek… Não se preocupe. — ele acariciou as minhas madeixas, mas então eu me afastei e o encarei.

— Como você sabia que eu estava aqui?

— O Chanyeol me contou. — ele me respondeu. A voz de Sehun estava triste e ele nem mesmo conseguia me encarar.

Tinha merda naquele cu!

De repente estava acontecendo alguma coisa muito grave que Chanyeol não estava nem mesmo falando comigo e enviou Sehun ao meu encontro em seu lugar.

— Vamos para o meu carro, Baekhyun. Eu vou te levar para casa.

— Me conta o que está acontecendo, Sehun! Onde está o Chanyeol? — ele me encarou com a expressão séria e segurou o meu braço.

— Vamos logo.

— Sehun! Me responde! Você sabe que eu não gosto que me escondam as coisas!

— Você escondeu do Chanyeol que o amava durante dez anos, quer falar sobre omitir as coisas agora?

Eu me rendi e deixei que Sehun me levasse até o seu carro.

Durante toda a viagem de volta para a minha casa não falamos uma única palavra, mas quando ele estacionou o carro em frente a meu prédio ele se pronunciou.

— Baekhyun, o Chanyeol pediu para eu te entregar isso. — Sehun me entregou a chave do meu apartamento.

A chave que eu havia dado ao Chanyeol.

Eu olhei fixamente para o objeto na minha mão.

— O Chanyeol está em um avião com o Kyungsoo, indo para os EUA. — eu olhei para o meu amigo, cheio de lágrimas nos olhos. Lágrimas que eu não queria deixar que caíssem.

— Por quê?

Sehun soltou um suspiro.

— O Minseok contou ao Kyungsoo que vocês se beijaram no sábado. O Chanyeol rejeitou o Kyungsoo a semana toda, porque só queria falar com você. Quando foi ontem de manhã o Kyungsoo tentou… — Sehun parou de falar. — Você sabe… O Chanyeol só ficou sabendo à noite, porque o Kyungsoo não queria falar com ele, mas eles se resolveram pela madrugada… Os pais do Kyungsoo mexeram uns pauzinhos e eles embarcaram hoje às nove horas. O Chanyeol não teve como negar, não com o Kyungsoo daquele jeito.

Eu não senti nada naquele momento.

Absolutamente nada.

Acho que é isso que se sente quando você morre por dentro.

Então era aquilo… Chanyeol havia ido embora.

— Ele te ama, Baekhyun.

— E no que isso me ajuda agora? — falei friamente antes de pegar minhas coisas e sair do carro.

Eu corri para dentro do prédio e entrei no elevador, para a minha sorte ele estava vazio, pois foi apenas o tempo de suas portas se fecharem para eu desabar.

Comecei a chorar sem parar, o aperto no meu peito foi aumentando e crescendo com o passar dos segundos, pois mais e mais a minha ficha caia.

Chanyeol havia ido embora.

A minha boca se abria diversas vezes, mas nenhum som saia dela. Todos os meus gritos foram calados pela minha dor.

Eu fechei os meus olhos e sentei no chão do elevador.

Estava doendo tanto, tanto! Mas a dor não era maior do que o vazio que Chanyeol havia deixado em mim.

(...)

Um dia para os dias dos namorados, 2015. 3:50am. (Chanyeol POV)


Eu acendi a luz do abajur e me sentei na poltrona de couro marrom.

O ambiente completamente escuro, iluminado apenas pela luz do abajur, me prometeu segredo. Meus próximos atos estariam  guardados na escuridão da noite.

Peguei meu celular e o desbloqueei, mostrando novamente minha foto com Baekhyun.

Eu toquei na aliança, suspensa em um cordão dourado. Ela estava sob a minha blusa fina, embora puro, meu amor por Baekhyun tinha que ser escondido.

Aquilo me matava.

Era como se fosse errado. Como se o fato de eu amá-lo fosse sórdido.

Olhei novamente para a foto.

Era uma tortura.

Mas era a melhor tortura de todas.

Eu e Baekhyun riamos despreocupados na foto, eu estava o abraçando por trás e com meu queixo apoiado em seu ombro.

Adorava ficar daquele jeito, pois conseguia sentir o aroma adocicado que a tez de Baekhyun exalava.

Ele nunca soube o motivo de eu abraçá-lo tanto, pois era esse. Era abraçando-o que eu conseguia sentir o cheiro que eu tanto amava e que nunca estaria impregnado em meus lençóis.

Era abraçando-o que eu podia sentir um pouco do seu calor, calor esse que jamais teria entre meus braços durante a noite.

— Chan? — ouvi Kyungsoo me chamar. Eu demorei um pouco para desviar a vista do meu celular e olhar para ele.

Aquela era a minha nova vida.

Eu precisava aceitar isso, mas ainda doía abandonar Baekhyun.

Olhei para Kyungsoo e ele sorriu para mim.

— Vem pra cama, amor.

Eu concordei com a cabeça.

— Já estou indo. — respondi secamente. Eu percebi que Kyungsoo ficou triste com a forma que eu havia o respondido, mas eu simplesmente não conseguia evitar.

Todas as vezes que eu olhava para Kyungsoo eu lembrava que ele era a principal razão para eu não estar com Baekhyun naquele exato momento.

Kyungsoo voltou para o quarto e eu desliguei o celular.

O ar gélido saiu entre meus lábios e eu fui até o meu quarto com Kyungsoo.

Eu me deitei na cama fria e abracei o corpo gélido do meu noivo.

Foi impossível não fazer a comparação.

Dias antes eu estava abraçando Baekhyun, que era quente como a vida, e agora eu estava abraçando Kyungsoo, que era frio como a morte.

(...)

08 de agosto de 2018, 6:55a.m (BaekhyunPOV)


Eu não sabia ao certo o que achava das manhãs de agosto. Sentia aos poucos o outono chegar, junto com o frio e as frutas suculentas, mas, de alguma forma, tudo parecia um pouco mais triste em agosto. Talvez fosse a sua resistência em passar rápido, como os demais meses, eu nunca saberia explicar ao certo porque não gostava de agosto. Eu apenas não gostava.

Assim como não gostava de palhaços.

Era apenas uma aversão, aparentemente, sem qualquer sentido.

Mas aquela manhã de agosto foi diferente de todas as outras.

Eu claramente não sabia disso quando saí de casa, batendo na porta do apartamento de Chanyeol —  como fazia todos dias antes de sair de casa e antes de voltar — desejando escutar uma resposta sua. Mesmo depois de três anos, seu apartamento nunca fora alugado, talvez, ele assim como eu, esperasse a volta de seu dono. Ao sair do prédio, o vento indeciso —  um tanto quente, um tanto frio — misturado com a poeira da rua se chocou contra meu corpo, fazendo-me tossir. Até aquele melancólico e desagradável momento, apenas mais uma manhã como todas as outras.

Após a partida de Chanyeol, eu resolvi seguir a minha vida como se o mais alto tivesse apenas ido a uma viagem, sem data de volta, obrigando-me a esquecer seu destino e acompanhante. Era patético, sim, era, mas era uma forma de superar a dor que preenchia o vazio no meu peito sempre que alguém lembrava-me da verdade.

Eu encobria a verdade com uma fantasia, assim como pincelava nossos momentos simples e insignificantes com um tom mais romântico, apenas para dizer que eu tinha algo além de algumas horas de amor para me recordar.

Nas minhas mentiras, que eu contava apenas para mim mesmo, eu e Chanyeol vivíamos um amor grande e silencioso em nosso pequenos momentos, eu me convenci de que nada era dito porque não precisava ser dito, que tudo estava nos olhos e nos gestos. Palavras supérfluas eram dispensadas.

Ao chegar na cafeteria, pedi o mesmo café de treze anos.

Não sei como ainda não havia enjoado seu gosto doce com o toque leve de avelã, eu apenas continuava bebendo-o todos os dias, todos os meses, todos os anos, mesmo sem Chanyeol.

Eu me sentei no meu lugar e pensei nas últimas informações que havia recebido —  escutado da fofoca entre Minseok e Sehun — de Chanyeol. Algo sobre brigas, divórcio e apaixonado por outra pessoa.

Juntando pecinha por pecinha, Kyungsoo e Chanyeol estava brigando muito —  nos últimos meses, as notícias que eu recebia de Chanyeol sempre tinham uma constante, ele e Kyungsoo continuavam brigando. — , algum deles —  que eu não sabia ao certo — havia proposto o divórcio — como nas brigas anteriores — e um deles — que eu também não sabia quem — estava apaixonado por outra pessoa.

Mesma história.

Mesmos personagem.

Mesmo fim.

Eu havia me enchido de esperanças na primeira notícia de briga e de um suposto divórcio, mas depois de tantas notícias iguais, parei.

Com um suspiro cansado, eu comecei a tomar o meu café, agora distanciando minha mente de Chanyeol e indo para as minhas tarefas diárias.

Enquanto eu estava perdido em meus pensamentos, volta e meia pensando no gosto do café, uma figura grande se sentou à minha frente. Eu não senti qualquer necessidade de levantar o olhar imediatamente. Eu ainda estava processando a figura vestindo roupas escuras quando a voz familiar me atingiu.

—  Oi, Baekhyun. —  eu levantei os olhos, completamente sem reação, apenas encarando Chanyeol, em sua simplicidade e singularidade.

Apenas Chanyeol.

—  Chanyeol… —  eu sussurrei o seu nome, sentindo algo se aliviar em meu peito.

Era Chanyeol.

O meu Chanyeol.

Ele havia mudado muito. Seus cabelos agora estavam curtos, diferente das madeixas grandes e lisas que eu costumava ter, seu rosto estava mais maduro, algumas linhas de expressão. Embora jovem, Chanyeol parecia um velho cansado, olhos mortos e preguiçosos, um pouco opacos. Muito diferente dos olhos jovens e brilhantes que eu conhecia.

Mas eu nada poderia cobrar dele… Eu também havia mudado. Talvez parecesse tão velho quanto o próprio Chanyeol.

Mas ele, assim como eu, sentiu o adolescente reprimido gritar dentro de si, louco, desvairado, implorando para ser liberto.

Eu sei que sim, porque eu o encontrei dentro de Chanyeol, assim como Chanyeol havia encontrado o meu dentro de mim; ambos trancados em jaulas profundas, trancafiados e esquecidos pelo tempo.

Nós dois estávamos respirando fundo, ambos pensando nas próximas palavras, nas próximas atitudes. Depois de alguns segundos, o olhos de Chanyeol escaparam dos meus e caíram sobre meu peito, onde eu sabia que ele havia encontrado a aliança pendurada em uma gargantilha.

Ele sorriu de lado. Um sorriso singelo e pintou a minha manhã de agosto de uma cor que ela não era pintada há muito tempo. Eu não encontrava aquela cor desde a última vez em que havia encontrado Chanyeol. Era engraçado, eu não havia notado a sua presença em minha vida, até começar ter a sua ausência. Quando eu não tive Chanyeol, nem mesmo por um instante, eu comecei a perceber a cor que faltava. Era uma cor que não vinha em qualquer aquarela, era a união de todas as cores, em todos os tons… Era Chanyeol.

Em um ato simples, Chanyeol puxou um cordão que estava escondido por sua blusa negra e me mostrou a sua aliança.

De alguma forma, depois de tanto tempo, eu senti como se aquilo bastasse.

A sua aliança, na altura do peito, perto do coração, mantendo viva a sua promessa de que ele sempre me amaria, independente de tudo, independente do tempo.

E, de repente, era como se o tempo não tivesse passado. Eu e Chanyeol ainda éramos os mesmos. Homens mais maduros, de fato, vividos e velhos, mas com corações jovens e vibrando em um amor tão ardente e urgente que ambos duvidamos que aquilo fosse realmente possível.

Depois de tantos anos, nosso amor ainda estava ali. Intacto, intocado, apenas esperando para ser liberto.

E como nas minhas fantasias, eu e Chanyeol não dissemos nada durante um longo tempo, sentindo um ao outro. Era tudo que importava.

Palavras supérfluas eram descartadas.

Eu ainda não sabia quem havia brigado com quem, ou quem havia se apaixonado por quem, mas Chanyeol estava ali, me dizendo com seus olhos que estava livre, que nós dois estávamos livres.

E, de repente, como dois mais dois é igual a quatro, eu e Chanyeol éramos uma certeza.

Selados por aquele amor incondicional e inevitável.


Notas Finais


Eu de um final novo para a estória. Eu gosto mais do que o anterior, por mais que não seja o original... eu não queria que eles ficassem separados.

Espero que todos tenham gostado, bebês
Obrigada por tudo

Até logo,
EXO EXO
🔥☄


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