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História Inevitável. - Capítulo 1


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Capítulo 1 - I. As lembranças são inevitáveis.


Era uma tarde ensolarada quando os olhos de Park Sooyoung pararam em Son Seungwan.

Os cabelos curtos que balançavam conforme o vento, os óculos escuros redondos quase na pontinha do nariz enquanto esbanjava aquele sorriso.

Aquele sorriso que Sooyoung tanto amava.

Foi apenas uma questão de segundos para que Joy se encantasse e uma questão de minutos para que Kim Yerim, uma amiga em comum das duas, resolvesse apresentá-las.

E Joy se encantou ainda mais.

A forma calma como Wendy falava, o jeito em que seus olhos se fechavam levemente enquanto sorria e até mesmo quando colocava a mão sobre o seu sorriso ao rir envergonhada.

O jeito em que falava sobre as coisas (e Wendy era uma mulher muito inteligente, sem dúvidas) e a forma que olhava atentamente para Joy ao escutá-la.

Quando a pequena festa que Yerim organizou chegou ao fim, Wendy havia pedido o número de Joy.

E assim elas começaram a se falar ainda mais.

A forma que Joy acabou se aproximando e se apaixonando pela mais velha foi inevitável.

Para Joy, Seungwan era um pequeno pedaço do céu na terra.

Ainda lembrava de sentir a suavidade dos fios castanhos escuros encostando em seus dedos enquanto fazia cafuné em Seungwan assim como o cheiro do perfume amadeirado ainda fazia questão de estar fresco tanto em seu nariz quanto em sua memória.

Lembrava de como as mãos de Wendy eram tão delicadas e tão pequenas, que chegavam a sumir entre as mãos da mais nova. Também lembrava de como sorria ao ver suas blusas largas parecendo mais um vestido em Seungwan.

Lembrava de como era bom dividir os fones de ouvido e prestar atenção em cada música de sua playlist, que eram escolhidas à dedo como uma forma indireta de se declarar para Wendy. Por mais que Joy não fosse boa com inglês, adorava escutar a doce voz da mais velha cantando as músicas aleatórias da rádio enquanto terminava de se arrumar para um compromisso qualquer.

Lembrava de como Wendy não se importava em dançar no meio da sala de estar, por mais que Joy fosse a única pessoa da plateia.

Além disso, Seungwan era a mulher mais linda que Park Sooyoung já havia visto em sua vida.

Os cabelos longos lhe faziam uma bela mulher, porém os cabelos curtos lhe deixavam tão linda, que faltavam palavras no vocabulário de Joy para poder descrevê-la.

A mandíbula bem marcada, o pescoço longo e aquele sorriso que tirava Joy do sério.

Son Seungwan não sabia o que causava em Park Sooyoung.

Mas Joy ainda sentia tudo o que a mais velha lhe causou, lhe causa e lhe causaria.

Porque Joy ainda sentia todo aquele amor lhe consumindo da cabeça aos pés.

E também porque ainda fazia questão de se torturar ao lembrar todas as noites de todos aqueles momentos bons que passaram juntas.

Era inevitável não lembrar do primeiro beijo.

De como Wendy riu e disse envergonhada que o aparelho de Joy lhe fazia cócegas.

De como Wendy arranhava levemente a nuca exposta de Sooyong com suas unhas e do quando Joy se arrepiava com isso.

Lembrava da paz e felicidade que sentia quando os lábios de Wendy encostavam nos seus e, por mais que fosse contraditório, tornavam aquele beijo cada vez mais agridoce.

Joy se apaixonou tão rápido, que parecia surreal.

Todos os momentos ao lado de Wendy eram únicos e Joy fazia questão de aproveitá-los ao máximo.

Mas a verdade é que Sooyoung nunca esteve preparada para o dia em que Seungwan foi embora.

Como um punhado de areia, Seungwan escorreu de uma hora para a outra entre os longos dedos de Joy.

Apenas foi embora, sem mais nem menos.

Não olhou para trás.

Não se permitiu escutar o primeiro e último eu te amo.

E Joy nunca pensou que doeria tanto.

Por mais que tenha jogado fora todas as outras coisas, as lembranças ainda lhe atormentavam de madrugada.

Além disso, insistia perdidamente em continuar com relacionamentos fracassados, pois não cansava de procurar os pequenos detalhes de Seungwan em outras pessoas.

Também insistia em tirar do fundo de sua gaveta, aquela última foto.

Passava a ponta dos dedos pela superfície colorida de polaroide com medo de que pudesse rasgar ou se desfazer a qualquer momento e, assim como Seungwan, sumir de sua vida.

Mas o pior de tudo, era ter que segurar a curiosidade ao se encontrar com Yerim.

Tentava não perguntar pela mais velha e às vezes até conseguia.

Mas quando perguntava, Yerim apenas suspirava fundo e pedia para Joy seguir em frente.

Mas era complicado.

Era como um bumerangue.

Se ocupava o máximo que conseguia durante o dia: começou a academia, passou a se ocupar ainda mais com os estudos da faculdade, fazia os trabalhos em grupo sozinha para não se permitir pensar em outras coisas e sempre saía para conversar besteiras com os colegas de turma.

Mas, assim como um bumerangue, tudo o que tentava não pensar voltava no final da noite.

Passava a madrugada acordada, encarando a mesma polaroide e escrevia cartas que nunca seriam enviadas.

Pensava em possibilidades que nunca aconteceriam.

Pensava no futuro em que as duas tanto planejavam.

E pensava todas as noites na imagem de Wendy batendo à sua porta dizendo que gostaria de começar tudo novamente.

Era inevitável, mas Joy sabia que ela nunca voltaria, por mais que tentasse acreditar no contrário.

A questão é que Sooyoung gostava de se torturar ao pensar em todas aquelas memórias boas, por mais que doesse.

E todas as vezes que lhe perguntavam sobre qual seria o seu último desejo antes de morrer, sempre respondia a mesma coisa: que gostaria de olhar para Wendy por uma última vez.

Mas Joy nunca imaginava que veria Wendy pela última vez através do Instagram de Kim Yerim.

Não imaginava que uma única foto pudesse lhe fazer chorar tanto.

E não imaginava que Wendy poderia ficar ainda mais bela vestida de noiva.

Esbanjando aquele sorriso que desestruturava Joy.

Mas, ao rolar o seu feed do Instagram naquela madrugada, Joy aceitou.

Era inevitável, mas aceitou que ver Wendy sorrindo daquela forma por uma última vez, custava a sua própria felicidade.



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