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História Inevitável - Capítulo 20


Escrita por: PrincesaMestica24

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 20 - Capitulo 20


Capitulo 20

Dezembro 2004

Mordi meu lábio inferior de forma desgostosa olhando para a faixada da casa com uma leve careta e duas caixas de enfeites de natal aos meu pês, a casa de tio Charlie não era feia, era bem cuidada e a pintura branca estava em perfeito estado, mesmo bem agasalhada podia sentir a baixa temperatura, minha bochechas geladas e provavelmente também vermelhas, Alice tinha garantido que nevaria na noite de natal e faltando pouco menos de uma semanas para a data não duvidava que era verdade, a cada dia parecia estar mais frio e a chuva durante a noite com mais vento e barulho.

Trabalho manual!

Quem não gosta de decorar a casa para o natal?

Pensei sarcástica respirando fundo, eu estava fazendo muito isso ultimamente, respirar fundo, inspirar, uma tentativa falha de me manter calma, eu precisava de uma distração com urgência, Jasper tinha ido caçar com Carlisle, Rosalie e Emmett, o coitado adiou o máximo possível desde a visita de Liam porem seus olhos já estavam perigosamente dourados escuros e a última coisa que queríamos era provar que Liam estava certo, que nossa relação era um perigo para mim.

Eu podia ir até a casa dos Cullen, passar algumas horas com Esme, sabia que ela não se incomodaria com minha presença, podia também ir até a reserva Quileute, sempre tinha algum carro para concertar na oficina de Sam, os meninos era uma boa distração, sacudi a cabeça afastando a ideia antes que corresse para dentro de casa e pegasse a chave de meu carro.

Somente algumas horas!

Prometi a mim mesma com mais confiança do que realmente sentia.

Posso fazer isso, só terminar de decorar a casa.

Tinha escolhido passar algumas horas sozinha mais por teimosia do que qualquer outra coisa, as aulas estavam de recesso por causa das festa do fim do ano e eu sentia uma enorme necessidade de provar a mim mesma que tinha tudo sobre controle em minha vida e que não estava com medo de Liam.

Uma enorme mentira.

Estava contando uma boa quantidade de mentiras, não que alguém realmente acreditasse, Jasper sabia o que eu sentia, para ele não era capaz de mentir e sua presença sempre me fazia ter a certeza que valia apena lutar por nosso amor, Rosalie e os outros estavam trabalhando incansavelmente na arte de me manter distraída porque estava mais do que claro que se eu pensasse muito no que Liam poderia fazer a Jasper, aos Cullens ou a qualquer um dos meus amigos eu surtaria ou fugiria.

-Vai ser divertido, trabalho manual fácil fácil. –falei sozinha tendo a certeza que logo iria acabar em um manicômio e a culpa seria inteiramente do meu próprio pai.

Alguns dias depois da visita de Liam, tinha tentado entrar em contato com Charlotte, minha mãe não atendia as ligações e nenhum dos quase cinquenta e-mail que mandei foram respondidos, nada disso era uma surpresa na verdade, era só Charlotte sendo Charlotte, por mais que soubesse que a machucaria perguntar por Liam precisava saber quem ele era, sua versão dele e sabia que Charlotte não pouparia meu sentimento ou inventaria algo, seria brutalmente honesta e era o que estava precisando.

Integro, sensato, reservado foi o que o amigo de Carlisle tinha lhe tido sobre meu pai, a palavra ainda soava estranha quando eu tentava dizer em voz alta.

Gentil, amoroso, sarcástico era o que tinha percebido no nosso breve contato, eu queria, eu precisava saber a versão de Charlotte, quem era o homem que mesmo depois de dez anos sem o ver ela ainda amava, queria ver o Liam pelos olhos dela para ter certeza que estava fazendo o certo, ele não era o vilão de minha história, não queria que fosse, não era o cara mal porem quando se tratava de mim ele também não ligava de ir a extremos, por mais estranho que fosse eu não podia e não deixaria ninguém o machucar.

Abri a escada de ferro a posicionando de forma que ficasse fácil pegar os piscas-piscas e festões para pendurar ao redor da casa, já tinha decorado a parte de dentro e arrumado com perfeição a arvore que Charlie tinha trago para casa, o pinheiro não era enorme porem isso não importava muito, decorar me mantinha ocupada e eu precisava estar ocupada, demorou menos do que eu esperava decorar a faixada da casa e o jardim, tentei imaginar qual seria a reação de meu tio ao ver sua casa toda temática.

Antes de descer da escada de ferro que provavelmente poderia causar algum acidente deixei meu olhar vagar ao redor automaticamente procurando nas sombras a presença de Liam, a verdade, era que eu tinha bem mais perguntas do que respostas e isso me incomodava, tentei o localizar sem ter certeza se estava escondido me vigiando ou não, sem querer me perguntei o que Liam faria se eu caísse daquela escada, se me socorreria ou se me deixaria estatelada no jardim e congelando de frio, tinha se tornado um habito o procurar nas sombras, um habito que não me orgulhava, estava paranoica, dormia pouco e me sentia sobrecarregada, esperando eternamente o próximo passo, Liam não desistiria e se realmente estava me vigiando já tinha chegado à conclusão que não me afastaria de Jasper.

Desci com cuidado a escada decidida que precisava controlar minha paranoia.

...

-Que anel lindo! -exclamou Penélope Fineggan com simpatia colocando meu pedido e de tio Charlie na mesa e olhando minha aliança, sorri para ela sem graça tentando realmente prestar atenção no que estava acontecendo ao meu redor.

-Obrigada! –respondi olhando para minha mão, o anel que tinha sido de Esme e que desde o dia que Jasper havia colocado em meu dedo eu não havia tirado quase que brilhava contra a iluminação das lâmpadas, Penélope não era a primeira a olhar encantada para a joia e provavelmente não seria a última.

Já tinha passado em frente aquela lanchonete diversas vezes e nunca entrado, ficava perto da delegacia, parecia congelada nos anos oitenta porem com um toque acolhedor que do lado de fora não dava para perceber, talvez fosse a simpatia de Penélope e de Waylon Forge o dono do lugar, amigo de meu tio e ilustre careca Noel, tinha passado alguns Natais em Forks quando criança, Forge se fantasiava de Papai Noel para divertir as criança, era um cara legal.

-Então Eleonor quando vou conhecer o sortudo que roubou seu coração? -perguntou Waylon fazendo cara de sério e deixando de lado de seja lá o que conversava com tio Charlie.

Waylor era um homem de meia idade bem comum, alto, careca, solteiro convicto e todas as vezes em que já o tinha visto parecia estar sempre animado, sua animação chegava a ser contagiante.

-Já deve o conhecer, Eleonor namora o Jasper Hale. -disse meu tio vendo a confusão surgir no rosto do amigo.

-O Loiro filho do Dr Cullen. –descrevi rapidamente o vendo assentir em entendimento.

-Já o vi na rua algumas vezes, o Hale parece bem sério. –comentou Penélope com um que quase imperceptível de maldade, seu tom deixou claro que serio não era bem a palavras que ela queria usar para descrever Jasper.

A observei com atenção, Penélope era bonita, um pouco mais alta do que eu e com o corpo bem desenvolvido, devia ter uns vinte três ou vinte quatro anos, os cabelos cheios e cacheados a dava um ar de confiança, era afilhada de Waylor, cursava engenharia em Seattle porem sua família era de Forks, tinha vindo passar o fim do ano na cidade e estava aproveitando para fazer uma grana extra ajudando na lanchonete.

-Jazz é bem na dele mesmo. -concordei sentindo saudade e vendo os dois mais velhos voltarem a conversar sobre algo do jogo de beisebol que passava na tv.

-Bem rico também não? -sussurrou a garota de forma quase imperceptível.

Nós olhamos por uns dois segundos, tanto Waylor quanto Charlie alheios aquele comentário, franzi a testas para ela, claramente não era para eu ter escutado aquilo, senti algo estranho dentro de mim, uma dorzinha irritante que conclui ser irritação, não gostava nem um pouco da forma que Penélope falava de Jasper e muito menos gostava da ideia dela pensando nele.

Por Deus!

Aquilo era ciúme?

Enfiei mais uma garfada de torta de maça na boca sobre o olhar atento de tio Charlie, tentando engolir junto com a comida o ciúme que senti de Jasper, nunca tinha sentido algo assim antes, era estranho.

Não demorou para tanto Penélope quanto Waylor ir atender outros clientes, meu tio me observava enquanto fingia comer seu hambúrguer claramente desconfortável, vez ou outra abrindo a boca e fechando parecendo busca uma brecha para falar algo, em geral o silencio não era desconfortável entre nós e seu claro nervosismo me deixava alerta.

Mais um problema...

Mais uma coisa...

-Amei o lugar. -comentei tentando realmente soar animada enquanto olhava ao redor, estávamos em uma mesa mais afastada e perto da janela, o que tornava ainda mais estranho o comportamento do xerife.

-Fico feliz que gostou querida! –disse meu tio parecendo tomar coragem, tinha ficado surpresa dele querer jantar fora em plena segunda feira e estava levemente ansiosa para ver sua reação a minha pequena arte com a decoração de natal.

-Queria te parabenizar pelas ótimas notas. -começou Charlie claramente tentando amaciar meu ego.

-Deixa eu adivinha vai visitar Bella novamente? -perguntei tentando facilitar as coisas para meu tio.

Respirei fundo esperando com paciência que continuasse, o examinei por alguns segundos preocupada, estava de farda, a testa levemente franzida, ele passou a mão pelo bigode e tive a certeza que o assunto era sério.

-Eu e Renner conversamos, achamos que seria bom para Isabela vim passar um tempo em Forks...

-Então ela vai vim morar com a gente? -perguntei o interrompendo rapidamente.

Não era segredo para ninguém que Bella odiava a cidade, Renner também odiava Forks, conclui rapidamente que a situação de minha prima deveria estar pior do que eu pensava para ser mandada para um lugar que odeia.

-Foi ideia de Renner! –disse meu tio como se defendendo e entendendo errado minha pergunta.

Não estava incomodada com Bella em Forks, estava preocupada com a vinda dela para Forks.

-Tio desculpa falar...-comecei incerta.

-Você sabe que ela odeia a cidade não é? Tipo odeia a chuva, o verde...

Enumerei me sentindo culpada por expor Isabella assim ao pai e o vendo assentir com alivio entendendo onde eu queria chegar.

-Ela não tem escolha Eleonor, Bella não sabe ainda, vou busca-la no ano novo, desde que ela entregou o bebe a Elizabeth Gilmore...

Vi os olhos de Charlie ficarem úmidos, era um assunto delicado, Charlie queria ir atrás da ex sogra de Bella até o fim do mundo e pegar o bebe de volta e eu apoiava essa ideia com fervor, era algo que eu podia controlar e já me imaginava ninando a criança e ajudando tio Charlie a fazer mamadeiras para a bebe, porem nada adiantaria se Bela não quisesse e claramente ela não queria a filha, além de que a Senhora Gilmore era muito poderosa e tinha desaparecido junto com a menina de menos de um mês, minha prima insistia que a bebe estava melhor com a avo paterna e no fim das contas era Bella a mãe, as decisões sobre o que era melhor para a vida da filha era dela.

 Não sabia muito sobre Elizabeth Gilmore, rica, poderosa e reclusa, tinha a poucos meses perdido o único filho, pai da criança e duvidava muito que mesmo se quisesse Bella conseguisse reaver criança, nem mesmo tinha certeza se minha prima queria isso ou se realmente tinha conseguido entender que talvez nunca mais fosse ver sua filha novamente.

Tanto eu como meu tio tínhamos mantido a boca calada sobre a gravides, Jasper sabia porque vivia em minha casa e mais de uma vez tinha ajudado meu tio a manter a calma não só com seu dom mas também com conversas, fora Jazz duvidava que qualquer um em Forks soubesse do nascimento da nova Swan em meados de agosto.

-Vou fazer o que puder para a ajudar. –prometi com sinceridade.

Não concordava com minha prima e no atual momento não tinha certeza nem mesmo de minha própria história para poder julgar a de Isabela e sua bebe.

-Agradeço muito Eleonor! –vi seus olhos se iluminarem com gratidão.

Duvidava que Charlie soubesse como ajudar Bella, por um segundo me perguntei o que meu tio faria se soubesse toda a verdade, lobos, vampiros, Liam, sacudi a cabeça de forma quase que imperceptível, ele nunca saberia, eu também não fazia ideia de como ajudar minha prima mas um ombro amigo ela já tinha garantido em Forks.

-Tio Charlie? -chamei depois de alguns minutos de silencio, não silencio desconfortável mas o silencio que nos dois estávamos acostumados, sem a vontade louca de preencher cada segundo com palavras.

-Sim? -respondeu desviando a atenção do jogo que passava na tv da lanchonete para mim.

-O qu... que você achava de meu pai, antes dele ...

Gaguejei sabendo que era um assunto delicado.

-Você sabe, abandonar Charlotte e a mim? –completei a pergunta sem graça vendo os olhos de meu tio se estreitarem levemente em desconfiança.

-Liam? –meu tio disse o nome como quem fala um palavrão, puro asco, nojo e não tive dúvida que se Charlie cruzasse com Liam nas ruas de Forks lhe daria uma surra.

Fingi não ter percebido os sentimentos negativos de Charlie e forcei um sorriso o incentivando a me responder.

-Ok, am Eleonor, Liam, seu pai, Liam era um cara que fazia amizade fácil, gentil e tratava muito bem sua mas, acho que foi por isso que fiquei tão bravo quando ele a abandonou sabe, Liam não era só o namorado da Charlotte ele era um amigo...

Charlie divagou olhando em meus olhos e pude ver o esforço que fazia na tentativa de ser imparcial em relação a Liam, porem eu não queria a imparcialidade ou que poupasse meus sentimentos.

-O relacionamento do seus pais foi rápido. -contou percebendo que eu queria mais que algo genérico.

-Algo parecido com o seu relacionamento e do Jasper, antes que pergunte duvido que Jasper te abandonaria, aquele garoto entraria na frente de uma bala por você e você por ele, o que vocês tem é amor, algo bem difícil de encontrar hoje em dia. –retrucou meu tio antes que eu falasse algo, não gostava de ver meu tio comparar meu relacionamento com o de Charlotte e Liam.

-Era como se fosse inevitável que seus pais se conhecem...

Meu tio divagou novamente parecendo se lembrar com nitidez daquela época.

-Você tem muito do Liam, algumas manias, o jeito com mecânica, o sarcasmo, isso veio do seu pai, ele era um bom homem, tem dias que queria saber o que aconteceu para ele abandonar vocês. -conclui Charlie pensativo batucando levemente os dedos na mesa.

Senti vontade de gritar.

Vontade de gritar ele virou vampiro!

Liam foi embora por minha culpa!

No entanto sorri para Charlie, estava longe de ser o que eu queria saber, mas Liam tinha sido um bom homem e isso devia contar para alguma coisa, o melhor e o pior era ressaltado com a transformação, Liam amava a mim e minha mãe, então esse amor tinha se multiplicado, se éramos tão parecidos assim a teimosia e alguns outros defeitos que eu tinha podia ter vindo do seu lado da família então conclui que talvez tivesse uma chance, que só talvez pudesse convencer Liam a me escutar, conhecer Jasper, conhecer a família que eu tinha e provar que não corria perigo algum e foi assim que a pequena chama da esperança surgiu.



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