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História Inevitável - Capítulo 7


Escrita por: PrincesaMestica24

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 7 - Capitulo 07


Capitulo 7

Fevereiro 2004

-Então o que está rolando entre você e os Cullens? -perguntou Mike Nilton na quinta feira sentando na beirada da minha mesa na aula de biologia.

O professor estava atrasado, olhei para o outro lado da sala onde Emmett estava sentado perto da janela fazendo dupla com um garoto franzino, Emmett fez biquinho como uma criança de dois anos me olhando, dei de ombros de leve e sorri vitoriosa, querendo me levantar e fazer uma dancinha de comemoração.

Eu tinha ganhado a aposta!

Durante a semana o nível da aposta foi subindo de acordo com que o tempo passava, a cada manha mudávamos, agora já estávamos em 60 pratas e carona por um mês para quem ganhasse, ele apostava que seria naquele dia e eu mantinha minha opinião que até sexta feira alguém falaria algo, as apostas estavam que seria Jessica Stanley que me abordaria mas não mudaria nada se fosse Mike Nilton ou até a tímida e fofa Ângela Weber desde que me abordassem antes de sexta feira, Jasper e Rosalie pareciam achar engraçado nossa animação por algo tão idiota quanto a fofoca do povo de Forks.

Estava mais próxima da família Cullen não só almoçava com eles mas também conversamos, no fundo eu os considerava meus amigos, Jasper se mantinha ao meu lado, me acompanhava para as aulas, algumas vezes relaxado e outras tenso, podia ver a luta interna que ele travava.

Me perguntava do que se tratava a sua batalha, eu me recusava a acreditar nas lendas Quileutes, me recusava a acreditar em histórias de terror para assustar turistas, não tinha visto Samuel Uley pessoalmente apesar de Billy Black ter aparecido para assistir um jogo com Charlie e ter ficado me observando por um longo tempo na terça feira, algo em mim me dizia que ele sabia do que Sam tinha me contado, podia ver Billy procurando uma brecha para falar comigo porem graças a Charlie e ao jovem Jacob Black não tinha conseguido.

Eu tinha a sensação que estava sendo vigiada, principalmente enquanto estava fora de casa, parte de mim queria mesmo descartar o que Sam Uley tinha me contato e queria dizer a Leah que seu namorado tinha dado em cima de mim, a outra parte, a menos racional insistia que deveria dar o benefício da dúvida ao Quileute e talvez por não querer perder a amizade de Leah ou até por covardia tinha escolhido ficar de boca fechada e continuar a observar a situação.

-Somos amigos. -respondi vendo que Mike não tinha reparado na conversa secreta que eu tinha tido com Emmett.

 -Você já conhecia os Cullens antes? –perguntou interessado, resolvi entrar na conversa do garoto.

Talvez quanto mais rápido ele obtivesse as informações que queria mais rápido me deixaria de lado e partiria para outra pessoa, Lauren uma garota loira e metida vez ou outra olhava para Mike com cobiça e curiosidade.

-Não os conhecia antes de Forks. -informei dando um sorriso simpático.

Mike era só um garoto curioso de cidade pequena, talvez meio pentelho não faria mal algum em ser legal com ele, não era como se fosse amigos ou algo assim.

-Mais não posso negar que queria ter os conhecido antes. -completei divertida vendo compreensão no rosto de Mike e depois um ar de decepção.

Com certeza eu pagaria dez pratas para saber o que ele estava pensando.

-Você vai com o Hale no baile? -questionou seu tom um pouco desanimado ao falar de Jasper.

Era isso então?

Mike queria me convidar para o baile?

Não tinha pensado sobre o baile que aconteceria dali a três semanas para arrecadar fundos para a reforma da biblioteca da escola, não tinha pensado nem mesmo se eu iria ao evento, o tema era anos 70, os meninos deveriam convidar as garotas.

Jasper me convidaria?

Nos realmente tínhamos algo ou era somente amizade?

Sem perceber comecei a sentir um monte de dúvidas em relação ao baile e a Jasper, eu queria ir ao baile, eu não era o tipo de garota que ficaria esperando o convite, precisava saber o que estava rolando entre nos.

Olhando de forma doce para Mike decidi que convidaria Jasper para ir ao baile comigo.

-Pelo que sei os meninos que devem convidar as garotas. -comentei feliz com minha ideia e um pouco ansiosa.

Precisaria arranjar um lugar discreto para convidar Jasper Hale para o baile, não queria que ele aceitasse por estar sendo pressionado por seus irmãos ou algo assim. Nós nunca estávamos realmente sozinhos por mais de cinco minutos, sempre surgia alguém, em geral era Emmett e Rosalie para cortar o clima ou o diminuir drasticamente para nossa infelicidade, já tinha percebido que Jasper queria ficar sozinho comigo...

-Ele ainda não me convidou. –falei me lembrando que Mike esperava uma resposta minha e vendo o sorriso do gato de Alice no pais das maravilhas surgir no rosto do garoto.

Me arrependi logo em seguida do que tinha falado, sem querer tinha dado esperança ao coitado do Mike, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa ou eu concertar o que tinha dito o professor entrou na sala e Nilton foi obrigado a ir se sentar em seu lugar ao lado de Lauren.

...

-Carona por um mês! –exclamei quase gritando enquanto pulava no mesmo lugar vendo Emmett se afundar na cadeira de forma desanimada entre Rosalie e Alice na mesa do almoço.

-Rose! -suplicou o Grandão enquanto a Loira dava de ombros como disse arque com as consequências.

Eu tinha chegado saltitando no refeitório como uma criança de cinco anos sobre o olhar atento de Jasper que caminhava ao meu lado vez ou outra rindo de minha animação.

-Não devia ter apostado Em. -comentou o Jasper puxando a cadeira para eu me sentar ao seu lado.

-Senhora. –indicou a cadeira para mim com um leve sotaque em sua voz de veludo me fazendo sorrir sem pensar.

Eu ainda não tinha conseguido identificar de onde era seu sotaque, não era sempre que dava para perceber, vez ou outra conseguia notar, não era algo tão fácil como quando ele bagunçava os cabelos loiros que batia na altura de sua nuca com alguns cachinhos ou quando Jasper falava com rapidez demonstrando nervosismo ou ansiedade, o sotaque era algo só dele, uma característica que ao meu ver o deixava mais galante e encantador, o deixava mais real.  

Estava ficando mal acostumada com os trecheios de um cavaleiro do século 19 de Jasper e seus irmãos, ele tinha me encontrado na porta da aula e me acompanhado até a cantina, estava meio que virando rotina naquela semana andarmos juntos pelos corredores da escola, eu o esperar na porta de sua aula ou ele encontrar comigo na porta das minhas aulas ou no estacionamento, isso era o máximo de tempo que conseguíamos ficar sozinhos em um mesmo ambiente.

-Eu disse que ganharia. –falei nada humilde enquanto Jasper concordava comigo.

Os Cullens eram extremamente exagerados em relação a comida, Rosalie e Alice empurraram suas bandejas em minha direção, durante aquela semana almoçando com eles eu não tinha conseguido uma única vez comprar meu próprio almoço, sempre um deles passava na frente e pagava para mim.

-E a minha vez Alice! -reclamou Rosalie sinalizando a bandeja com um biquinho se formando em seus lábios.

Na segunda Edward tinha comprado comida para mim como uma forma de desculpa oficial, na terça antes que eu pudesse comprar meu almoço Emmett tinha empurrado sua bandeja para mim com um sorriso cheio de covinhas e um longo por favor, na quarta foi a vez de Alice fazer isso, me parecia algum tipo de competição entre eles, já tinha observado que os Cullen/Hale ficavam extremamente aliviados quando eu aceitava que pagassem meu almoço, como se comer fosse algum tipo de tortura.

-Não briguem por minha causa meninas. -falei pegando o refrigerante da bandeja de Alice e uma maça na de Rose que fuzilava Alice com o olhar.

-Sua garota não sabe perder Jazz. –reclamou Emmett olhando com cara triste para o irmão.

Jasper pisco para mim passando as mãos por cima de meus ombros com intimidade, senti meu coração acelerar e vi o Loiro sorrir como se soubesse e gostasse das sensações que me causava.

-Como se você soubesse perder Em. -disse Edward chegando na mesa e puxando uma cadeira para se sentar ao lado de Rosalie.

A Loira deu de ombros para a conversa, sorri para Rose recebendo um sorriso com doçura de volta.

-Que horas te pegamos no sábado? -perguntou se referindo ao festival em Seattle e enrolando uma mecha de seus cabelos loiros nos dedos.

-Não sei que horas vocês vão? -perguntei olhando de Rosalie para Jasper incerta.

-Não quer dormir até mais tarde? -questionou Alice olhando para mim com interesse.

Seus olhos perdendo o foco de leve e depois a vi dar um sorriso para mim como se tivesse ganhado na loteria ou recebido uma notícia maravilhosa, vi Edward olhar de Alice para mim e depois da um leve aceno com a cabeça para nos duas como se estivéssemos tramando algo.

O que tinha acontecido?

-Podemos ir cedo, meu tio vai sair para pescar. -falei me lembrando que não tinha comentado ainda sobre o festival com tio Charlie.

Duvidava que ele me impediria de ir passar o dia em Seattle mas por via das dúvidas iria fazer um jantar caprichado para meu tio com o intuito de garantir meu passeio.

-Que tal as oito? -sugeriu Jasper com expectativa tirando o braço de meus ombros, pegando o refrigerante de minha mãos com delicadeza e abrindo para mim.

-Come Eli ou eles não vão parar de falar. -sussurrou no meu ouvido me deixando um pouco desconcertada.

Eu não tinha percebido que ele havia reparado que eu estava brincando com a maça nas mãos, não era a primeira vez que algo assim acontecia, que Jasper reparava em detalhes em sem eu nem ao menos perceber que ele estava prestando atenção.

-Começa as nove, por volta de duas da tarde que vai começar a lotar, se irmos mais cedo podemos pegar um bom lugar para fazer um piquenique. -Rosalie começou a falar se planejando, sua voz de sino animada.

Eu tinha pesquisado na internet o festival não era algo pequeno, teria bandas ao vivo, brinquedos de parque de diversão e adoção de animais, pelo que eu tinha entendido era um evento anual que acontecia em Seattle no dia dos namorados a pelo menos cinco anos.

...

 O estacionamento já estava vazio quando sai do prédio da escola depois daquele longo dia, eu tinha passado na secretaria para entregar um documento que estava faltando na minha ficha de matricula, não conseguia falar com minha mãe desde o dia em que ela tinha embarcado a um meses e meio, meus e-mails não eram respondidos e as ligações não tinha sido retornadas como era normal entre nós, não estava preocupada, quando fosse importante ela me procuraria.

 Somente o carro dos professores estavam no estacionamento e o meu, vi sua silhueta encostada de forma relaxada em meu carro e sorri o reconhecendo imediatamente, por um segundo me perguntei se um dia seria capaz de não o reconhecer em qualquer lugar e no fundo sabia que a resposta era não.

A força estranha que me fazia ter vontade de correr em sua direção parecia a cada dia ficar mais forte e evidente, coloquei o livro de matemática sobre a cabeça em uma tentativa de me proteger da chuva que caia constante e corri pelo estacionamento em sua direção.

-Meus irmãos me deixaram para trás. -disse Jasper com uma leve careta assim que me aproximei.

Sua expressão era de um pouco de incredulidade e irritação pelo ocorrido.

-Que sorte a minha então. –quase comemorei sorrindo para ele.

Sentindo que Alice e seu sorriso de encorajamento na mesa do almoço e Edward e seu olhar cumplice tinha algo a ver com aquilo, precisava me lembrar de os agradecer depois.

Jasper ergueu a sobrancelha em sinal de dúvida enquanto me observava decima abaixo como se me visse pela primeira vez, naquele dia eu estava de calça jeans, coturnos pretos e um moletom amarelo gema de ovo que provavelmente fazia minha presença ser notada a quilômetros de distância, Agatha tinha me dado aquele moletom de presente de mudança.

Tomei a liberdade para fazer o mesmo e o olhar de cima abaixo, comecei olhando para seus sapatos o all star preto surrado que sempre usava, subi meu olhar sorrindo, assim como eu ele estava de calça jenns, usava uma camisa simples branca e sua tão conhecida jaqueta jenns pesada por cima.

-Você é muito linda Eli. –ele soltou com admiração quase em deleite, sua voz em tom baixo e suave quando nossos olhares se encontraram.

-Olha quem fala. -repliquei envergonhada me sentindo eufórica.

Apertei o livro que segurava na mão em dúvida do que falar, estava tão ansiosa com o momento que ficaria sozinha com ele e quando esse momento tinha finalmente chegado estava em dúvida no que dizer ou não dizer.

-Não devia ficar envergonhada por ser cortejada Doce Eli. –disse ele me vendo abaixar o olhar sentindo meu rosto corar.

-Me dá uma carona para casa? -perguntou Jasper galante bagunçando o cabelo com a mão direita e desencostando da porta do carona.

Jasper estava anda mais lindo na chuva, ele não parecia incomodado com o fato de estar todo molhado mais eu me senti incomodada por ele ter ficado me esperando na chuva.

-Ca-Claro que dou. -respondi atropelando as palavras um pouco e me atrapalhando um pouco com as chaves, encantada com o charme do Loiro.

Entramos no carro e liguei o aquecedor, Jasper pegou minha mochila e meu livro jogando para o banco de trás assim como o caderno com uma caneta que carregava na mão, enquanto dirigia em direção a casa dos Cullens, me sentindo ansiosa, sem saber como falar, como o convidar para o baile, observei Jasper mexer no rádio de meu carro procurando alguma estação que gostasse, seus ombros estavam tensos ou talvez fosse eu que estivesse nervosa, podia ser apenas uma impressão minha mas eu também desconfiava que ele não sabia ao certo o que dizer.

-Então como veio parar em Forks? –perguntou ele depois de um tempo puxando assunto, seus olhos curiosos desistindo do rádio e sua voz de veludo cortando o silencio do carro.

Eu dirigia rápido nem mesmo um segundo vi meu carro desviar do meio da estrada, mesmo prestando mais atenção do que deveria no rapaz ao meu lado, estava dentro do limite de velocidade permitido na via, a ansiedade me fazia dirigir mais rápido apesar de querer prolongar aquele momento a sozinha com Jasper por mais tempo.

-Aposto que já sabe. -respondi o olhando rapidamente me lembrando que já tinha contado aos pais deles como eu tinha acabado em Forks.

-Gostaria de saber a sua versão. –disse de forma calma me passando uma sensação de confiança e proteção.

Me perguntei se era eu ou se de alguma forma fosse Jasper que fazia minhas emoções ficarem naquela montanha russa, parte minha achava que ele realmente era capaz outra que não o fazia em mim.

Impossível!

Repeti em pensamento afugentando o pensamento.

-Minha mãe é medica, ela recebeu um convite para trabalhar com os médicos sem fronteiras e então decidi que seria uma boa vim para Forks. -tentei simplificar dando de ombros sobre seu olhar atento, repetindo para Jasper a história que tinha contado por diversas vezes naquele primeiro dia de aula em Forks.

-E. -ele me incentivou a continuar a falar.

Não fiquei surpresa dele perceber que tinha mais coisa, conversar com Jasper era fácil, era familiar, toda vez que falava, tocava em sua mão ou recebia um de seus sorrisos tinha a mesma sensação, mundo em ordem, saudade, segurança.

-Você pode confiar em mim Eli. -falou me arrancando um sorriso.

-Eu nunca vou te machucar. -completou em um tom baixo como se somente a ideia lhe causasse dor.

-Charlotte minha mãe, ela me criou sozinha, não nasceu para ser mãe sabe. -olhei para frente sem coragem de o olhar, dessa vez querendo dizer que já confiava nele porem sem realmente dizer.

-Você a ama muito. -constatou ele, não era uma pergunta mas uma certeza.

-Tem gente Jasper Hale. -comecei me rendendo a abrir meu coração para ele.

-Que nasce ser mãe e outros não, mamãe nasceu para ser medica, medicina é seu destino, sua vida, meu pai a abandonou quando soube de mim, desapareceu, no começo ela não acreditou que Liam tinha feito isso. -falei citando o nome de meu pai, um nome que não estava acostumada a falar.

-Minha mãe espalhou cartazes, tio Charlie e ajudou a procurá-lo, mas quando nasci Charlotte percebeu que ele a abandonou, o amor que ela sentia por meu pai virou raiva e tristeza, cresci correndo em hospitais e sendo cuidada por enfermeiras prestativas, quando criança eu passava os verões aqui em Forks com tio Charlie e a filha dele Isabela, Charlie e o mais próximo de um pai que eu tenho. –completei um pouco saudosa de minha infância, podia sentir o olhar do loiro em mim.

Sorri com coragem o olhando observar a estrada, talvez imaginando o que eu estava lhe contando, talvez sem saber o que dizer, não fazia ideia do motivo de o contar minha história, só sabia que queria e precisava que ele me conhecesse por completo, sem meias verdades.

-Minha mãe me ama muito Jasper, eu sempre percebi que eu atrapalhava sua carreira, seu sonho, dessa vez eu não podia continuar no caminho, não podia ser o motivo para ela não ser feliz, nossa relação não estava das melhores no último ano. -taralharei me lembrando das alfinetadas diária.

Tanta coisa tinha acontecido desde que tinha vindo para Forks, me parecia uma outra vida o que eu estava contando a Jasper.

-Para mamãe estava mais pesado por causa da questão com os carros e o acidente. –conclui culpada dando de ombros novamente.

-Acidente? -ele desviou o olhar rapidamente da estrada para mim com um certo desespero, como se eu estivesse toda machucada no banco do motorista.

Me segurei para não rir de sua cara, achei fofo o vinco de preocupação que se formou em sua testa.

-Fica calmo se quer que eu continue a te contar minha história! -pedi olhando para a estrada.

-Por favor continue Eli. –dessa vez ele pedindo também voltando a olhar para a estrada.

Me dando espaço e tempo para organizar os pensamentos.

-Eu não sei muita coisa sobre o meu pai, minha mãe nunca falou nada de concreto, só sei o que acabou escapando durante os anos sabe, sobrenome é Prince, que ele não era de Boston e que como eu era fascinado com automóveis, meu pai era engenheiro mecânico, trabalhava em uma oficina e esse carro era dele. –disse contando para Jasper Hale coisas de minha vida que nem mesmo Agatha minha melhor amiga sabia por completo.

Jasper sacudiu a cabeça de leve em entendimento, como se compartilhasse do mesmo sentimento que eu.

-Ate meus doze anos esse bebezinho estava pegando poeira na garagem, quando eu o concertei minha mãe surtou, um ano atrás sofri um acidente quase fui presa, tio Charlie me livrou mas para mim andar na linha é complicado. –informei vendo um vinco se formar em sua testa.

Jasper estava tentando realmente entender minha vida de antes e podia ver que estava falhando.

-Porque é complicado? –questionou me observando diminuir a velocidade do carro um pouco.

Estava tentando prolongar aquele momento entre nos.

Pensei em como explicar como eu era a mais de um ano atrás, sem conseguir pensar de uma forma que realmente o fizesse entender.

-A vida inteira tive a impressão que estou correndo atrás de algo que escapa entre meus dedos, quando dirijo um carro em alta velocidade sinto de alguma forma que estou mais perto de obter as respostas para as perguntas que ainda não consegui formular. -falei olhando para frente sentindo meus olhos marejados olhei de rabo de olho para ele para ver se tinha conseguido entender, Jasper me olhava deslumbrado.

-Você tinha muitos amigos em Boston? -perguntou curioso em seu tom senti que a pergunta que ele queria fazer era outra.

Eu devia estar realmente ficando louca, ele não deveria querer perguntar o que eu achava que queria.

-Eu era popular, líder de torcida o time de minha antiga escola jogava lacrosse. -informei saudosa tomando o ar para continuar, me lembrando das festas e de como eu era em Boston.

-Já viu meninas malvadas? -perguntei me referindo ao filme que eu sempre via quando estava chateada por algum motivo.

O vi assentir com a cabeça.

-Em Boston eu era uma versão um pouco mais boazinha que da Regina George. - me lembrava das vezes em que eu já tinha sido uma vaca com pessoas que não mereciam aquele meu comportamento.

-Não consigo te visualizar sendo uma versão de Regina George. -ele me olhava com os olhos estreitos, podia ver claramente o esforço que faz ao tentar imaginar.

-Mudei muito depois do acidente, me afastei de alguns amigos que realmente não eram meus amigos e cai na real. -respondi dando de ombros.

Não era nada demais, quem nunca tinha tido seus altos e baixos na vida que atirasse a primeira pedra.

-Vim para Forks foi uma oportunidade de recomeçar do jeito certo...

-Por isso ficou tão irritada quando sugeri que deveria ir embora e de Forks. – Jasper completou minha frase, ele encolheu de leve no banco parecendo culpado.

O silencio preencheu o carro enquanto eu entrava na estrada de terra batida que levava a sua casa, dessa vez foi eu a puxar assunto.

-Jasper. -chamei o olhando pelo canto do olho sem saber como o que dizer sentindo saudade dele e temendo que a resposta fosse não.

Coragem Eleonor!

-Eli. -respondeu galante parando de olhar pela janela e olhando para mim.

Seus olhos em expectativa ao se encontrarem com os meus, seus cabelos molhados dois tons de loiros mais escuros e seus olhos dourados um pouco mais escuros do que eu já tinha reparado.

Ele usava lente de contato?

-Ok, eu não sei direito como fazer isso. -confessei focando meu olhar na estrada, decidindo que seria mais fácil falar se pudesse pensar de forma coerente.

Não conseguiria falar se continuasse a olhar para ele, sua presença ao meu lado estava bem mais nítida do que das outras vezes em que estivemos juntos lado a lado.

-Tu-tudo bem se quiser dizer não. -taralharei inquieta atropelando as palavras.

-Não estou acostumada a ser esse tipo de garota, se é que me entende. -parei de falar tomando ar e sentindo meu rosto corar.

-O que quero saber é se quer ir ao baile comigo? –despejei de uma única vez estacionando o carro em frente à sua casa.

Respirei fundo com o máximo de coragem que possuía e deliguei o carro olhando em sua direção.

Jasper me olhava com fascinação, parecia feliz, extremamente feliz, tentei dar um sorriso de encorajamento.

-Tudo bem se não quiser ir comigo ao baile. –falei por fim mordendo o lábios depois de alguns segundos de silencio.

Jasper soltou o cinto de segurança e se aproximou de mim devagar, olhei em seus olhos dourados ansiosa querendo saber a resposta, seria sim ou não? Abaixei meus olhos para seus lábios, uma vontade enorme de o beijar surgiu dentro de mim, mas forte que a vontade de estar perto dele ou de tocar sua mão.

-Eu quero muito te beijar Jasper Hale. –admiti sentindo meu coração acelerar somente com a ideia enquanto eu olhava em direção a sua boca.

Esperava do fundo do coração que a resposta sobre o baile fosse um sim, ergui minha mão em direção a seu rosto e Jasper se aproximou de mim ainda mais, seu perfume uma mistura de livro e hortelã me deixando tonta alguns segundo, era uma fragrância única e perfeita, sua mão direita com delicadeza tocou minha bochecha fazendo um leve carinho.

-Não mais do que eu. -retrucou o desejo claro em sua voz suave, sorri sem me conter.

O espaço pequeno do carro ajudava ficarmos perto, acariciei seu rosto imitando seu gesto, meus dedos afagando com o máximo de cuidado as maças de suas bochechas geladas, desci minha mão até seu pescoço, ele sorriu dessa vez me puxando com delicadeza em sua direção, sua mão direita gelada contra a pele exposta de meu pescoço, nossos lábios se encontraram com urgência e desejo só se afastando quando a necessidade do ar se fez presente.

Jasper se afastou seus lábios de minha boca com delicadeza mantendo nossas testas unidas por alguns segundos, nos olhávamos, o mais próximo que já tínhamos chegado um do outro.

-Acho que isso responde a sua pergunta sobre o baile. -disse ele se afastando de mim e voltando a sua posição inicial no banco do carona.

-Ual! -falei recuperando o folego.

Ele soltou uma gargalhada gostosa me fazendo ter vontade de rir também.

-Isso foi muito bom. -comentou ainda rindo, encostando a cabeça no banco relaxado.

-Bom é pouco. -comentei sentindo meu coração acelerado.

Nós olhamos sem a necessidade de dizer nada, Jasper estendeu a mão para mim e eu peguei sua mão a apertando de leve apreciando a sensação, me sentia feliz, animada, eufórica como nunca em minha vida tinha sentido, aquele beijo era bem melhor que a primeira vez que peguei em sua mão, não chegava a ter comparação as sensações.

-Acho que tenho que entrar. -comentou olhando em direção a casa com a expressão leve.

Segui seu olhar vendo Rosalie abrir a porta da sala e acena para nós da varanda, ela ainda estava com as mesma roupas da escola porem sua expressão era de cautela e curiosidade.

-Jasper-chamei desviando o olhar da Loira e o observando.

-Eleonor. -disse ele também me observando.

-Seja lá o que está acontecendo entre a gente...

-Prometo que vou fazer o possível para dar certo. -prometeu apertando minha mão com levesa.

-Não faça promessas. -pedi em um sussurro olhando nossas mãos unidas.

A dele maior e mais pálida que a minha, gelada, como se tivesse acabado de enfiar dentro de um congelador.

-Você devia entrar, está gelado. -comentei reparando na serenidade em seu rosto.

-Sua mãe vai ficar brava comigo se você ficar doente. -completei duvidando que a doce Sra. Cullen fosse capaz de realmente ficar brava com alguém.

Jasper soltou uma gargalhada gostosa como se eu tivesse contado uma piada muito engraçada, se aproximou dando um beijo em minha bochecha antes de abrir a porta do carro.

-Até amanhã docinho. –ele se despediu fechando a porta de meu carro e caminhando como em uma passarela em direção a sua casa e a Rosalie que mesmo a distância podia ver que queria respostas.

Acelerei o carro em direção a estrada um pouco distraída por causa do beijo, aumentei o rádio me sentindo animada e enquanto dirigia batuquei com os dedos no volante ao ritmo da música.

...

Eu passei no mercado indo para casa a chuva tinha ficado mais branda quando por volta das cinco da tarde estacionei em frente à casa de tio Charlie com o porta-malas lotado com as compras, tinha dado uma exagerada e feito as compras para duas semanas, abri o porta-malas distraída dessa vez não ligando para a chuva que estragava meus cabelos, duvidava que algo pudesse me tirar do sério depois de ter beijado Jasper Hale, meu mundo parecia perfeito e cor de rosa, tudo parecia magnifico.

Carreguei a primeira rodada de sacolas para a cozinha animada deixando o carro aberto, duvidava que alguém fosse idiota para roubar uma carro na porta da casa do chefe de polícia, estava quase dançando debruçada no porta malas para pegar a segunda rodada de compras.

-Deixa eu te ajudar Eli. –pulei de susto me virando rapidamente para olhar para trás de mim.

Sam me olhava com um leve sorriso rebelde no rosto, seus olhos ficando mais estreitos enquanto me observava colocar a mão no coração assustada.

-Jesus Samuel! -berrei o olhando com os olhos arregalados.

-Que mania irritante que você tem de me assustar! -completei sentindo meu coração acelerado.

-Você que é distraída! -acusou indo para meu lado com agilidade e pegando todas as compras no porta malas de uma única vez.

-Ei eu não quero sua ajuda! –gritei um pouco tarde demais o vendo caminhar em direção casa dando uma gargalhada.

Eles estava para variar de short e sem camisa, comecei a me perguntar se Samuel Uley não conhecia roupas, fiz careta o vendo andar como se não carregasse nada, bati o porta-malas do carro decidida a esperar ele no lado de fora mesmo que ficasse doente no processo.

Sam saiu de minha casa poucos minutos depois sorrindo para mim como se tivesse ganhado o dia, sorrindo como se eu fosse o sol para um cego, uma Deusa, o sorriso de adoração que me incomodava um pouco e me assustava apesar de no fundo eu não achar tão ruim assim.

Merda Eleonor!

Ele é namorado da Leah!

-Coloquei as coisas na cozinha. -avisou parando a uns três passos de mim.

Uma distância claramente calculada para quem estava conversando com outra pessoa.

-Obrigada. -respondi educada um pouco sem graça.

Arquei a sombrancelha não gostando da presença dele ali e me lembrando das coisas que tinha me dito.

Será que seria assim?

Ele apareceria sempre sem ser convidado?

O olhando novamente me perguntei o motivo de ainda não ter contado a Leah sobre a conversa que eu e seu noivo tivemos.

-Ainda andando com os Cullen. -constatou ele me observando e fazendo uma careta.

-Você devia cuidar da sua vida não da minha Uley. -respondi fechando a cara para Sam.

Sabia que não conseguiria segurar minha cara fechada por muito tempo, meu mundo estava perfeito demais para eu conseguir me manter brava com alguém naquele dia.

-É Leah como vai? –completei percebendo que ele não iria dizer nada.

Queria perguntar se ele tinha contado a ela sobre nossa conversinha, o olhando me perguntava se eu deviria contar.

-Leah é Leah.-respondeu como se fosse uma explicação.

Conclui que ele não tinha contado nada a Leah, comecei a caminhar em direção a porta da casa e ele me seguiu a alguns passos atrás, pensativo.

-Você ao menos pensou no que eu te contei aquele dia? -perguntou de repente me fazendo virar para o ver.

No fundo acho que esperava que ele ignorasse aquela bizarrice ou pelo menos pedisse desculpas pelo ocorrido, talvez desse uma desculpa do tipo caiu um piano na minha cabeça e por isso acabei falando aquelas coisas sem sentido para você.

-A parte que é um lobisomem ou se eu pensei na parte que disse que está apaixonado por mim sendo que e noivo da Leah? -perguntei um pouco de irritação em minha voz.

Eu pensando que ninguém conseguiria me irritar depois de ter beijado Jasper Hale estava enganada, Samuel Uley era irritante, aquela situação em que ele tinha me colocado me irritava.

-Você não consegue acreditar nas lendas. –constatou com pesar na voz, pela primeira vez fui obrigada a concordar com Samuel Uley.

-Não acredito nesse tipo de coisa, acredito em fatos Samuel. -decretei tremendo de frio.

-Quer saber uma coisa? -perguntei vendo ele assentir com a cabeça.

-Você disse que é um lobo, então se transforma! Me mostra e ai eu penso em acreditar em você, sabe ando pensando em contar tudinho para a Leah! –falei a irritação em minha voz e as palavras sendo atropeladas por outras repetidamente de forma enérgica.

-Se não fosse perigoso para você eu te mostrava. –respondeu um pequeno sorriso divertido em seu rosto, como se a ideia lhe agradasse.

Por um segundo me imaginei na floresta em uma noite de lua cheia vendo o impossível não acontecer, era loucura, pessoas não se transformavam em lobos com toda certeza e os Cullens com certeza não eram vampiros.

Jasper não teria me beijado se fosse um vampiro!

Ou teria?

-Samuel não venha mais aqui, não me procure, não me persiga ou eu vou contar ao Charlie que você e um maluco e para a Leah que deu em cima de mim. -decretei vendo ele assentir apesar de sua expressão dizer outra coisa.

Senti pena de Samuel e Leah, ela não merecia passar por aquele tipo de coisa, seja lá o que estava acontecendo com ele a afetava e muito, os machucava e ele parecia realmente chateado com aquela situação.

-Não precisa contar para a Leah. -disse com pesar na voz.

Franzi a sobrancelha tentando entender onde ele queria chegar, o que queria dizer porem não consegui.

-Vou terminar com ela, não é certo ou justo. –completou parecendo cansado de toda aquela situação.

-Sam temos que ir agora! – gritou um homem me fazendo pular de susto.

Sam e eu olhamos em direção ao outro lado da rua procurando quem tinha gritado, o suposto lobisomem achou a pessoa antes de mim e eu segui o seu olhar.

O rapaz que Jacob tinha me indicado como Jared estava parado no outro lado da rua a poucos passos vestido da mesma forma que Sam, de longe com dificuldade por causa da chuva pude observar que eles eram parecidos.

-Droga! –xingou olhando de Jared para mim.

-É território neutro! –completou um vinco de preocupação se formando em sua testa.

-O que quer dizer? -perguntei com os olhos um pouco arregalados pela reação dos dois Quileutes.

Sam olhou em dúvida de mim para Jared, se ia ou ficava e explicava.

-Não se preocupe está segura, vamos ficar de olho, pensa nas coisas que eu te falei por favor! –pediu com gentileza acenei a cabeça de forma robótica concordando.

Não sei porque concordei, somente concordei como se fosse o certo a se fazer, observei Sam correr pelo gramado em direção ao tal Jared com agilidade e ambos entrando na floresta, fiquei parada ali observando o que tinha acabado de acontecer por uns dez minutos, entrei em casa tremendo de frio.

Subi as escadas em direção ao meu quarto, com o intuito de tomar um banho, colocar uma roupa quente e depois descer guardar as compras nos armários.

Quando Charlie chegou em casa tudo estava em ordem, o jantar na mesa, não comi muito naquela noite, estava me sentindo um pouco enérgica e confusa.

Por que tinha concordado em pensar?

Por que tinha concordado com Sam Uley?

Devia realmente conversar com Leah assim que possível!

 

 

 

 

 



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