História Inexistente - Capítulo 4


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Categorias Yu-Gi-Oh!
Personagens Joey Wheeler (Katsuya Jonouchi), Seto Kaiba
Tags Drama, Puppyshipping, Romance, Yaoi, Yu-gi-oh!
Visualizações 56
Palavras 1.396
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Capítulo Três: Kaiba II


Ele abriu os olhos e encarou o teto acima de sua cabeça, o quarto era familiar, mas não do modo como Kaiba gostaria.

Assim que Gozaburo se foi o jovem empresário reformou toda a mansão à seu gosto, ele não queria nenhum objeto que o remetesse ao seu pai adotivo. O quarto principal foi o cômodo que mais sofrera mudanças, Kaiba ordenou para que retirassem todos os quadros caríssimos das paredes, quadros aqueles que ele foi obrigado a encarar enquanto era punido por Gozaburo. O jogo de xadrez com peças de porcelana, um dos intens mais estimados de seu pai adotivo, também foi para o lixo.

E agora, por mais impossível que pudesse ser, os quadros estavam ali e o jogo de xadrez também.

O CEO não sentiu desespero de imediato, era uma pessoa muito racional e lógica para tal coisa, ele apenas se levantou da cama em que estava e analisou as coisas ao seu redor. Ele rapidamente percebeu que não estava mais com seu disco de duelo, nem tampouco com seu precioso deck, é claro que isso foi o suficiente para fazê-lo franzir o cenho. Devido as palavras do Faraó, a primeira hipótese que veio na mente de Kaiba foi que tudo aquilo não passava de uma grande ilusão. O rei egípcio certamente queria lhe dar uma lição de moral como fizera em outras ocasiões, obviamente sem sucesso.

Ao ficar de pé Kaiba sentiu o mundo girar, seu corpo estava estranhamente fraco e esgotado. No entanto ele tinha outras prioridades para tratar no momento e tentou se recompor.

"O que pretende fazer, Faraó?" ele indagou alto o suficiente para que qualquer um à dez metros de distância pudesse ouvir. "Reviver minhas lembranças? Você já se esqueceu que o Noah tentou isso antes e não funcionou? O que houve, está sem ideias novas? Que patético?"

Sem olhar para trás o CEO saiu do quarto. Sua irritação crescia junto com o seu mal-estar, a  última coisa da qual ele precisava era perder tempo com as ilusões de seu rival. Na verdade Kaiba já não tinha mais certeza se deveria considerar Atem um rival, afinal, ele praticamente fugira de um duelo sem pensar duas vezes.

"Esse corredor..."

Enquanto ele fazia aquele trajeto pelo andar superior da mansão lembranças ruins lhe atormentaram. Não foram poucas as vezes em que Gozaburo ordenara a um de seus subordinados para arrastar o menino Seto por aquele corredor. Ele quase podia sentir a gola de sua blusa sendo puxada com violência nesse exato momento.

O jovem empresário logo se repreendeu por estar pensando tanto no passado. Tudo o que ficou para trás não merecia nenhum segundo de sua atenção.

"Pode desistir dos seus joguinhos, Faraó, eu não me renderei à isso."

"Kyoshiru, traga-o até mim!" o CEO estremeceu ao ouvir aquela voz vindo da sala no fim do corredor. O escritório de Gozaburo costumava ficar lá há anos atrás.

"Sim, Gozaburo-sama!" disse um homem de bigode ao sair do cômodo em questão. Kaiba conhecia cada um dos funcionários do pai, mas aquele homem que passara direto por ele no corredor sem olhar para os lados era um total estranho.

Kaiba não se surpreendeu pelo fato de não ter sido visto, até porquê era a mesa situação pela qual Noah o fizera passar, no entanto havia algo que não se encaixava ali. Supostamente o CEO estaria revivendo suas memórias, mas então por quê ele não se lembrava daquele homem? Além do mais, se aquilo era mesmo uma lembrança sua então por quê Kaiba não estava presente nela em sua versão mais jovem?

Era inevitável andar em direção ao escritório de Gozaburo e não pensar no relacionamento tumultuoso de pai e filho que eles tiveram. As noites em claro que o jovem Seto fora obrigado a passar enquanto cansava seus olhos por ler livros e mais livros horas à fio, estudando ininterruptamente. Ele não podia sair de casa e nem mesmo se divertir com Mokuba, isto é, quando lhe era permitido ver o irmão. O abuso psicológico fora tanto que Kaiba não conseguia se recordar de como era sua personalidade antes de Gozaburo o adotar, o pai adotivo o moldara contra sua vontade e isso fez de Seto o que ele é hoje. 

"Isso tudo é uma grande perda de tempo!"

A porta do escritório estava entreaberta e a curiosidade falou mais alto, Kaiba apertou o passo e sem hesitar invadiu o espaço daquele que tirara ele e Mokuba da miséria ao mesmo tempo em que destruíra seu interior.

Gozaburo levantou a cabeça e por um instante encarou com frieza a passagem pela qual Kaiba acabara de passar, o CEO sentiu seu corpo congelar naquele milésimo de segundo. O homem à sua frente poderia ter saído de sua vida há algum tempo, mas ele ainda fazia o jovem se sentir ameaçado e Kaiba odiava isso. O escritório era o mesmo do qual ele se lembrava, porém um item diferente chamou sua atenção. Na mesa de Gozaburo havia uma fotografia que o CEO achou intrigante, nela seu pai adotivo dava um aperto de mão em ninguém mais ninguém menos do que Siegfried von Schroeder. Se aquele encontro tivesse realmente acontecido Kaiba com certeza se lembraria.

"O que diabos está acontecendo aqui?" o CEO perguntou como se Gozaburo pudesse ouvi-lo. Sua incompreensão vinha do fato de que aquela situação parecia estranhamente realista e essa sensação era tão forte que Kaiba se viu obrigado a excluir a possibilidade de estar no meio de suas recordações. "Eu exijo que se explique, Faraó, já me cansei das suas bobagens!"

Nenhuma resposta do rei egípcio foi ouvida, apenas o barulho de passos se aproximando. 

A porta atrás dele se abriu e o homem que ele viu antes entrara. O que aconteceu em seguida deixou Kaiba mais pálido do que ele já era.

O homem que anteriormente Gozaburo chamara de Kyoshiru não estava sozinho, um garoto que não deveria ter mais do que doze anos estava sendo arrastado por ele. Suas roupas estavam rasgadas e sujas e em seu rosto haviam sinais de desnutrição, mas mesmo estando diferente Kaiba reconheceria aquele garoto em qualquer lugar. 

"Mokuba!" ele exclamou em vão. "Solte-o!"

"Novamente você por aqui, moleque?" o tom carregado de desdém na voz de Gozaburo fez o sangue de Kaiba ferver. "O que acha que vai ganhar rondando a minha propriedade? Acha mesmo que irá conseguir roubar alguma coisa daqui? Acha que eu permitirei isso?"

"Você permitiu que eu entrasse, não foi?" Mokuba falou desafiando o homem à sua frente. Num ímpeto momento de desespero Kaiba se aproximou do irmão para tentar livrá-lo das garras daquele homem, porém se deparou com uma força invisível o impedindo de tocar Mokuba. 

Kaiba não podia falar com ele e nem mesmo tocá-lo, a única coisa que estava à seu alcance era observar a inusitada situação sem poder fazer nada. Seja lá qual for o truque maligno que o Faraó planejou dessa vez ele conseguira obter sucesso, Seto Kaiba estava completamente desestabilizado.

"Sim, é verdade que eu o deixei pisar os pés imundos aqui dentro." a voz firme de Gozaburo voltou a preencher o local. "Estaria disposto a fazer um acordo, garoto? Qual é mesmo o seu nome?"

"Mokuba. Que tipo de acordo?" o menino ergueu as sobrancelhas interessado. Kaiba pôde notar que ele faria qualquer coisa por um prato de comida e isso era algo doloroso de se ver.

"Irei explicar..."

"Será que primeiro você poderia mandar o seu mordomon tirar as mãos de mim?"

"Kyoshiru." um único comando foi o suficiente para libertar Mokuba. "Retomando, você é um garoto de rua, deve conhecer o perigo, estou certo?"

"Ah, você nem faz ideia!" Kaiba nem queria começar a pensar nos diversos tipos de apuros em que Mokuba se metera nas ruas, isto é, se isso tudo era mesmo real.

Sozinho na rua... Com fome... Com frio...

"E imagino que você conheça algumas gangues, não é mesmo?" 

"Talvez, aonde você quer chegar?"

"Bem, eu preciso que alguns fora-da-lei façam um trabalho para mim." revelou Gozaburo. "No entanto uma pessoa importante como eu não pode simplesmente aparecer de surpressa em meio à essa...gente."

"Deixa eu ver se entendi." disse Mokuba. "Você quer que eu encontre uma gangue para trabalhar pra você, é isso?" o homem balançou a cabeça positivamente. "E o que eu ganho com isso?"

"Você se tornaria o meu protegido, nunca mais irá passar fome ou ficar na mira de gente perigoda da rua outra vez. O que acha?"

Kaiba não podia acreditar que estava vendo seu irmão caçula prestes a vender a alma para o Diabo.




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