História Infame - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 2.532
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Dia 07 - Tenho um problema.


 Dia 07 — Tenho um problema.

‘’ Você é um mistério, você é o centro da intriga
Você não é bom, não, não é bom para mim
Você nem faz ideia’’
— No Good For Me – The Corrs

 

Será que é muito estranho eu não começar a escrever ‘’Querido Diário’’ todas as vezes que gravar algo aqui? Quer dizer, seria o adequado, o clichê, só que não me sinto confortável com tais palavras. É um diário, mas não é querido. Pelo contrário, tudo aqui é errado e talvez eu o leia daqui uns vinte anos e dê risada ou chore de arrependimento. Mas por enquanto, só sinto saudade... não, esse termo não é o correto, sentir falta soa melhor.

Sinto falta do calor que me percorria, do coração tão acelerado que doía no peito, ou então do seu corpo junto ao meu, pecando e alimentando o desejo infernal. Sei o quanto é incorreto não querer voltar no tempo e não querer mudar nada, se mamãe me ouvisse admitir isso, ela me daria um belo tapa na cara antes de começar o sermão.

Mas o que poderia fazer? Infelizmente, ainda sou humana, feita de carne e não posso controlar o que sinto ou o que irá acontecer. Alguém vai me julgar como vadia, dizer que sou horrível por não pensar que machucaria outra garota; a verdade é que pensei. Várias vezes. E nem isso me parou. No fim, eu resolvi aceitar que era ele quem precisava se preocupar com esse assunto, eu não o obriguei a nada nem ele a mim, sabíamos das consequências ao embarcarmos nesse jogo.

Parando para refletir, eu fui um pouco vadia sim.

○○○

Aquela semana demorou a passar de forma irritante. As provas haviam sido na anterior, então os professores tornavam as aulas em vistas para quem quisesse tirar duvidas a respeito de notas e correção, a faculdade diminuíra o tanto de alunos e só voltaria ao normal na seguinte. Fim de semestre funcionava assim. Fui porque não quis ficar em casa sem fazer nada, e ir ouvindo musica em um ônibus quase vazio.

Quando mais nova, eu adorava passear de ônibus, sentar a janela e anotar nomes de coisas em uma pequena caderneta para mais tarde traduzi-las em Inglês — aprendi muito com essa técnica. Pena que conforme envelhecemos, vamos deixando de ter tempo e vontade de reparar em algo que não seja a ida para o trabalho ou para a faculdade, no meu caso. A caderneta foi trocada por longos artigos científicos e a caneta na mão servia para sublinhar termos importantes.

Mas aqueles dias foram, psicologicamente, cansativos. Mamãe estava animada com a viagem, papai a acompanhava, embora menos empolgado. Mariane e Larissa mandavam mensagens perguntando se iríamos mesmo à festa de Raquel no sábado; não respondi nenhuma. Raramente eu saía dois fins de semana seguidos e, ridiculamente, ainda aguardava os meninos se manifestarem. Com os meninos, me refiro a Theo, porque sei Gus e Sid aceitariam de boa o que propuséssemos.

Todavia, não houve sequer um ‘’Oi’’ novamente. Continuei a pensar que se não falasse, eu é que não iria. Por isso, na sexta-feira pela manhã, confirmei com as minhas amigas que iríamos sim a tal festa.

 

 

Achei que fosse passar o sábado decidindo qual roupa usar, experimentar e tirar, formar um monte em cima da cama, mas o primeiro vestido que puxei do guarda-roupa, me agradou. Tratei de aplicar delineador e batom, e também jogar itens necessários na bolsa.

Parecia até uma repetição do sábado passado. Na verdade, toda a minha vida era uma repetição, vivia no automático e traçava uma rotina e jamais costumava me desviar dela. Talvez a religião contribuísse para que eu evitasse certas situações e lugares, porém eu preferia ficar em casa, as vezes, e sozinha ler um livro, assistir séries ou colocar os trabalhos acadêmicos em ordem sem ninguém para me importunar.

Só que eu também apreciava o cheiro do café que mamãe preparava todas as manhãs antes de ir trabalhar, o barulho de portas e janelas se abrindo no sábado anunciando a faxina, ou então quando sentávamos os três na sala para assistirmos o programa de gincana e pegadinhas e dávamos risadas. Sei que após a faculdade, mais lazer me seria roubado e eu sentia falta desses momentos.

Contudo, mamãe achava que qualquer dia desses, um bad boy hollywoodiano surgiria montado em uma moto e me levaria embora com ele durante a noite. Gargalhei quando me falou isso e garanti que poderia sossegar, pois eu nunca perderia meu sono de madrugada para atender alguém no portão. Até brinquei que se esse galã aparecesse que fosse depois do meio-dia. Lembro dela me olhando feio.

 

 

Larissa disse saber onde era a festa, não tivemos problemas para chegar, ela chamou Estela e Jane, fiquei feliz por estarmos todas juntas. Surpreendi-me quando chegamos em frente a um estabelecimento de letreiros piscantes: RED IRIS – PIZZARIA E KARAOKÊ, Nathan falou serio quando mencionou os dois. 

Por dentro, vi que não era tão grande, mas bem aconchegante, e que se tratava mais de um encontro de amigos do que uma festa. A decoração partia de cores vibrantes, o pequeno palco á frente ladeado por cortinas vermelhas, a parede a esquerda pendurava um quadro enorme que exibia lábios femininos pintados de amarelo. O cheiro no ar era de massa assada, queijo e outro aroma doce que não soube o quê, mas parecia bom.

— Meninas!  — viramos ao mesmo tempo ao ouvirmos a voz atrás de nós. Era Raquel; usava vestido turquesa acima dos joelhos, o cabelo cortado a altura do pescoço.  — Que bom que vieram, nem acreditei quando meu irmão disse que convidou vocês.  — era estranho aquele tratamento, já que mal possuíamos tanta intimidade. Talvez Raquel não tinha problemas em fazer amigos, como eu tinha.

— Lugar bacana.  — Estela comentou olhando em volta.

— Não é? Aluguei especialmente para trazer os amigos.  — ela sorriu.  — Espero que se divirtam e se quiserem cantar, ponham os nomes na lista.

— Tá bom.  — respondemos em conjunto e ela nos deixou.

Primeiramente, procuramos uma mesa e sentamos, depois, reparando na quantidade de pessoas, ponderei se a lista de amigos do facebook de Raquel estava toda ali.

— Vocês já viram o Nathan?  — Mari quis saber. Alguém subia no palco.

— Não, por que quer o Nathan?  — comecei a brincar com os saquinhos de ketchup em cima da mesa.  — Você nem gosta dele.

— Babi, não é preciso gostar para beijar na boca.  — ergui a cabeça e soltei a risada.

— Não acredito que disse isso.

— Como se você não pensasse o mesmo.  — me mostrou a língua.

— Ei, vou dar nossos nomes para cantarmos.  — Jane nos cortou.

— Cantar o quê?

— Sei lá, pensaremos em uma música legal.  — sacudiu os ombros. Lari e Mariane a acompanharam, fiquei sentada com Estela.

Poucos minutos seguintes, Nathan apareceu; estava com uma blusa de mangas — propositalmente — rasgadas e jeans escuro, o cabelo penteado lindamente para trás e uma mecha caindo para o lado. Provavelmente eu o beijaria mesmo sem conhecê-los.

Cumprimentou-nos com um beijo no rosto, seus lábios estalaram em minha bochecha, o cheio do perfume forte subiu... droga, eu considerava garotos insuportáveis, mas alguns conseguiam ser irresistíveis. Nathan era um deles. Tão bonito que doía. Se eu não estivesse com a imagem de Theo na cabeça — sabe-se lá o porquê —, teria suspirado de alegria quando ele se sentou ao meu lado.

— Achei que não viria.  — disse para mim, já que Estela parecia mais interessada em fuçar o celular.  — Que bom que estava errado.

— Decidimos vim de última hora.  — cruzei os braços em cima da mesa.  — Você vai cantar?  — apontei o palanque.

— Ah, não, minha voz é terrível.  — sorriu e virou em minha direção.  — E você?

— Jane foi nos inscrever, mas não tenho ideia do que cantar.  — fiz careta de medo.  — É a primeira vez que venho a um karaokê.  — revelei para puxar assunto, queria ouvi-lo falar.

— Então precisa se divertir, é impossível misturar pizza e musica e não ser legal.  — Nathan se lançou no encosto da cadeira, apoiei o cotovelo e debrucei a bochecha sobre a mão fechada.

— Tem toda a razão.  — afirmei.

 

 

Uma hora já deveria ter corrido e do nada os amigos de Nathan puxaram outra mesa para se juntar a nós. Cada pessoa que subia no palco, eu gritava com a ela musica inteira, contei meu terceiro pedaço de pizza e o segundo copo meio de refrigerante.

Fiquei impressionada em como Nathan era legal, ele conversava sobe tudo que e tinha humor irônico que me fez rir varias vezes. Inteligente. Papeamos tanto que chegamos ao ponto de ele tocar-me no braço e mãos enquanto falava e eu de encostar a cabeça em seu ombro ao rir.

Sou obrigada a admitir que adorei os instantes naquele recinto; adorei cantar Baby, One More Time da Britney Spears, mesmo que desafinadas, Raquel tirou muitos fotos — deveria colar uma aqui. No fim da comemoração, troquei o telefone com Nathan — só aceitei porque Mari se engraçou com um loiro que estava na roda e praticamente postergou a presença de Nathan.

— Espero que possamos nos ver em breve, Bárbara.  — Nathan diminuiu o tom de voz, me seguindo até a saída, nossos amigos mais a frente.  — Mas... sem tanta gente.

— Seria ótimo.  — comprimi os lábios e aproveitei para umedecê-los.  — Pense em alguma coisa e me convide.

— Vou entender isso como uma ordem.  — os dedos crisparam nos meus e aí paramos.

— Me diverti hoje, valeu. Você até que é agradável.  — confessei.

— Caramba, que bom saber disso. ‘Tava preocupado.  — pôs a mão no peito e relaxou. Irônico. O empurrei de leve.  — Obrigado.

— Uhum. Preciso ir, até mais.  — ousada, ergui os pés e depositei um beijo em sua bochecha.

— Até logo.  — despediu-se.

Eu, geralmente, não dava aberturas para garotos, em partes porque não me despertavam interesse mesmo. Nathan, entretanto, era bonito e inteligente. Não que eu quisesse me aproximar dele com intuito amoroso, ele só poderia ser alguém que eu gostaria de ter em minha vida.

 

 

Apesar da noite festiva, eu ainda não me sentia cem por cento, como uma bateria nos 97. Antes de sair de casa, prometi que não relaria no celular, porém assim que pisei em meu quarto, chequei as notificações. Nada. Nada do que eu almejava.

Que maldição os meus 3% restantes mais importantes estarem em uma porcaria de mensagem que não chegou.

○○○

Levantei bem disposta no domingo, tomei um banho para me livrar da canseira da noite anterior. Vesti uma saia preta lisa por cima da blusa de alças florida com botões que fechavam na frente. Prendi o cabelo no alto e calcei sapatilhas.

Quis parecer mais bonitinha, pois iríamos ter uma atividade diferenciada com os jovens após a escola dominical. Durante o trajeto, contei a meus pais meu desempenho nas provas semestrais; fui bem melhor do que esperava, os dois me parabenizaram.

 

 

Não sei se eu estava totalmente área. Mas o culto finalizou depressa, inclusive na aula dos jovens. Ao entrar na sala falando com Jane, meus olhos automaticamente buscaram Theo, foi tanta afoiteza que ofeguei, liberando o ar devagar. Ele estava com Camila, sorrindo de canto para ela. Aposto que ele me viu chegar, vi-o se endireitar e mirar acima da cabeça da namorada, porém não fez outra coisa a não ser olhar para frente. Permaneci calma, com uma pontada de incomodo da garganta.

Ao termino, tínhamos o habito de cumprimentar uns aos outros, todavia me contive num canto. Quando as vozes de propagaram e o cômodo foi tomado por conversações, Lucas, nosso líder, chamou nossa atenção:

— Pessoal, pessoal, um minuto aqui, por favor.  — ele bateu duas palmas e o silêncio predominou.  — Antes de irmos para nossa atividade, gostaria de saber o progresso de cada grupo. Como sabem, novembro está chegando e nosso tempo encurtando.

Imediatamente, os integrantes de cada grupo se juntaram; engoli o seco com os três meninos formando um circulo ao meu redor. Theo se prostrou sério, braços cruzados e uma veia saltada a esquerda na testa.

Cada grupo iniciou seu relato, na nossa vez encarei os três e nenhum quis explanar. Tomei a frente.

— Nós já montamos algumas coisas, mas estamos um cadinho atrasados.  — juntei o dedão e o indicador.

— Não estaríamos se a Bárbara aqui, não tivesse saído para farrear ontem.  — Theo pensou em voz alta.

— Como é?  — inconformada, me virei para ele. Incrédula que ele tenha usado aqueles termos.

— É isso mesmo, se nos reuníssemos ontem poderíamos ter adiantado as decorações.  — Theo parecia encolerado e, de alguma forma, sem entender o porquê.

— Calma ai, você tá me culpando?  — interroguei para meu cérebro processar as informações.  — Qual o seu problema, garoto?  — de repente minha voz ecoava gritante. Sem nem perceber, quebrei a distancia que nos separava. 

— Você foi brincar ao invés de terminar as obrigações.  — juro ter captado um tom de indignação por trás da raiva. Ele estava mesmo bravo por não termos nos encontrado?

— Como tem coragem de dizer isso, Theo?  — minhas palmas formigando para não deferir um tapa em sua cara.  — Se estava tão preocupado, por que não chamou os meninos? Voces podiam dar continuidade sem mim.

— Não... — seja lá o que fosse dizer, se interrompeu. Se não estivesse tão nervosa, diria que vi seus olhos vacilarem e os ombros enrijecerem. Teria ficado sem palavras?

— Eu saí sim, não assinei um contrato de comprometimento com você ou suas oscilações.  — quis bater em seu peito.

— Pouco me importa o que você faz, mas cerramos um tratado e você não o cumpriu.

— Ah, eu? Eu não cumpri, Theo?  — agitei os braços, inquieta.  — Eu... esperei sua mensagem por duas semanas, te esperei... e você abre a boca para me acusar? Seu ridículo egocêntrico.

Minha mão alçou para empurrá-lo, porém Theo segurou seu pulso sem esforço, os dedos declinaram perto de seu peito. Em segundos, eu quis chorar, nunca tive maturidade o suficiente para discutir com alguém, menos ainda quando não sabia o pretexto. E não era o que eu queria com Theo; imaginei que o veria e combinaríamos a reunião da equipe, não que fossemos brigar. Foi como construir um belo castelo de areia na praia e a água enxotá-lo de uma só vez.

— Você. Me. Esperou?  — refez a sentença pausadamente.

Abri a boca para replicar, criando consciência do quão desconexo soou o meu dito. A fala se perdeu, quando outra foi emitida:

— Theo?  — era Camila.  — O que está fazendo?

Só aí, lembrei de que não estávamos sozinhos e toda a sala parou para ouvir nosso bafafá, eles pareciam pontos de interrogações enormes. Camila ostentava uma expressão espantosa, meu rosto passou a esquentar — não mais de raiva, mas de pura de vergonha.

Retornei á Theo, tão confuso quanto eu. Ele olhou para mim, depois para o toque e repetiu o gesto umas três vezes. Ele não exercia rigidez, então foi fácil puxar meu braço, ele me soltou com certo cuidado até.

— Eu odeio você.  — praguejei constrangida. Passei por ele e marchei até a porta.

— Ódio é um sentimento muito feio, irmã. Deus condena.  — teve a coragem de murmurar em ironia.

— Vai se ferrar.  — ainda virada, ergui o dedo do meio para ele, sem me importar que nossos companheiros vissem ou o fato de estarmos dentro de uma igreja.

— Ela tá bem?  — tive tempo de escutar Gus perguntando.

— Eu ‘to ótima.  — berrei antes de sair a bater a porta com força.


Notas Finais


Qualquer coisa falem comigo, estou reativando minha ask, pois estou enjoada do twitter, então apareçam por lá, bbs: https://ask.fm/natymooreira // ou se ainda quiserem me ver pelo tt: https://twiter.com/tokyoghouxl
Beijos e até sexta <3


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