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História Infectados - Joesar - Capítulo 22


Escrita por: NakiNari

Notas do Autor


lesgo
fim do primeiro grande arco
agora vamo pra um pequenininho antes do segundo grande arco lesgo


YAHO EU TO HYPADA PORRA

Ah e queria avisar que se quiserem postar alguma coisa dessa história, um desenho ou até uma pergunta sobre algo
podem usar a "#AusdaNaki" no tt
vou ficar sempre por lá <3

Boa leitura!

Capítulo 22 - Capítulo 22 - Pedido de desculpas


Fanfic / Fanfiction Infectados - Joesar - Capítulo 22 - Capítulo 22 - Pedido de desculpas

Depois do que aconteceu entre Joui e Cesar, as coisas não mudaram muito. Robin ficou conversando com o asiático no andar de baixo enquanto Liz e Thiago fofocavam no andar de cima; Agatha e os adolescentes ficaram revezando furtivamente para cuidar de uma certa planta; Della e Tim tentavam construir um prédio usando os blocos de brinquedo que haviam achado no sótão logo no primeiro dia; Mia, Beatrice e Dante conversavam sobre flores e medicina em um dos quartos.

O relógio de pêndulo que tinha ao lado da lareira marcava 14:37h, ainda faltavam algumas horas até que pudessem sair. E enquanto esperavam, ainda sentada confortavelmente no sofá, Robin pensava em como poderia dar mais um empurrãozinho em Joui para que o mesmo tomasse alguma atitude em relação a Cesar.

- Sério, tu já sabe o que sente por ele. Por que só não vai e fala?

- E você, se já sabe o que sente pela Mia, por que “só não vai e conta”? - Retrucou

- São situações completamente diferentes viu… Tem nada haver uma coisa com a outra nem vem com essa.

- Por que não? O que tem de diferente?

- A diferença é que pelo menos você tem alguma garantia de que as coisas são minimamente recíprocas entre vocês dois - Tentou se defender.

- Eu não tenho garantia nenhuma! Vai que ele só me vê como um amigo? Não tem como saber!

- Joui… Joooui…. - Robin respirou fundo, com os punhos cerrados - Desde quando… Desde quando que dois amigos ficam se pegando daquele jeito… Dormem abraçados toda noite… E ficam flertando? Desde quando?

- A-ahm… E desde quando duas amigas ficam trocando esses olhares estranhos?

- Deixa de ser cara de pau garoto. Eu hein tá sequelado caralho? Vocês dois ficam flertando um com o outro na mesa!~ Agh, quer saber? Espera aí que eu já volto.

Robin se levantou rapidamente e foi subindo as escadas com pressa, indo até o fundo do corredor e abrindo uma das portas sem nenhum aviso. Deu de cara com Eduarda e Hugo escondendo um vaso com uma planta que crescia cada vez mais, e ela conhecia bem o que era aquilo. A cara de desespero que os dois fizeram acabou ocasionando em risadas por partes da Strike.

- Tia Robin! I-isso não é o que você tá pensando!
 

- É! Isso aqui é um negócio que a Bea deu pra gente - Eduarda mentiu muito nervosa.

- Se preocupem com isso não rapaziada, vou contar nada não. Fiquem de boa, acho que pra sorte de vocês só eu e o Cesar sabemos dessa merda. E podem ter certeza de que ele não vai contar também

O suspiro de alívio que os dois deram foi mais do que hilário para Robin, que aproveitou para dar uma boa olhada no que Eduarda tinha em suas mãos.

- Essa daí parece das boas, quando estiver pronta me avisa! Eu ensino certinho como faz! - Avisou já saindo e fechando a porta.

Saiu andando pelo corredor como se nada tivesse acontecido, como se o que tinha acabado de ver fosse completamente normal. Chegando na porta à frente, deu três toques dessa vez e aguardou alguns segundos, e quem abriu foi Arthur. Ele a recebeu com um sorriso gentil no rosto, mesmo estando um pouco confuso por essa aparição repentina da amiga.

- Então Tutu - Começou a falar como quem não quer nada, olhando para os lados pra ver se tinha alguém ali que pudesse os escutar - Você é amigo do Cesar, né?

- Sou si-

- Então… Eu não queria que mais ninguém soubesse…

- Ah tudo bem! - Sorriu amigavelmente para Robin - We’re friends since we were kids.

- This is great, I just need you to convince a friend of mine to say something to Cesar.

Arthur concordou e seguiu a mulher de volta pelo corredor, descendo as escadas e se deparando com Joui no sofá, aparentemente esperando por alguém. Percebeu que Robin tinha um ar decidido e determinado.

- Arthur? Robin? O que tu tá pensando? - o asiático perguntou desconfiado.

- Querendo testar uma teoria. E se tudo der certo, vocês vão parar com esse cu doce de uma vez. Não aguento mais.

A Strike puxou o guitarrista para perto de Joui e os dois se sentaram em um triângulo, cada um olhando para a cara um do outro, em um estranho silêncio que durou por alguns segundos. Ficaram pensando se esperariam alguém começar, ou até mesmo perguntar o que estava acontecendo ali, mas nenhum deles se prontificou. Então, com a mesma animação de antes, Robin disse triunfante:

- O Joui está apaixonado pelo Cesar.

- Que.

- RO-R-ROBIN!! QUAL TEU PROBLEMA?

- YEES! Eu sabia! Eu sabia! - Arthur comemorou.

- Voltando ao assunto, ele tem medo de contar pra ele.

Joui apenas afundou o rosto em uma almofada e tentou se esconder de todo mundo, não conseguia acreditar que Robin tinha contado aquilo bem na cara de Arthur. Estava esperando por tudo, menos que isso fosse acontecer. A comemoração do Cervero estava deixando ele ainda mais confuso.

- Desde aquele dia do lago eu sempre soube! Isso aí Joui, vai na fé que o Cesar é um bom partido meu amigão.

- C-calma aí… Como você sabe do dia do lago?

- Ah aquele dia o Cesar teve um gay panic e veio me contar tudo.

- Pera lá - Robin se intrometeu - Agora você que conta essa história direito. Primeiro: De que lago vocês tão falando? Segundo: O que caralhos aconteceu nesse lago?... Vai gente conta logo, fofoca pela metade mata fofoqueira!

- … Preciso mesmo?

- Ah, ô se precisa!

- Droga… Bom, pra resumir bastante: Depois que a gente teve que sair de um acampamento às pressas por causa que tinha uma horda vindo pra cima… Nós acabamos ficando em uma casa perto da entrada de Atlanta.. - Explicou com receio e vergonha de prosseguir com a história. - Eu tava meio mal depois que aconteceram algumas coisas… E o Cesar acabou me levando pra um lago, já que eu tava coberto de sangue.

- Huuuuummmmm - Robin sorriu de forma maliciosa para Joui - E por acaso vocês-

- Me deixa continuar! E nem vem com essa cara… A gente só… A gente se beijou. Foi isso que aconteceu no lago.

- Agora eu conto o que o Cesar me disse depois! Se isso for ajudar vocês dois eu não me importo. Nem eu aguento mais vocês dois de flerte um com o outro e dizendo que são só amigos - Arthur balançou a cabeça negativamente enquanto falava.

- Pelo amor de~ Ah eu desisto… Jajá todo mundo tá sabendo dessa merda se continuar assim…

- Eu só contei pro Tutu pra te ajudar! - Robin se defendeu.

Mais uma vez, o asiático tentou se esconder enquanto Arthur contava toda a história de como tudo aconteceu depois das coisas realmente terem acontecido naquele dia. Lembrou de cada palavra que Cesar lhe disse, até mesmo do jeito em que os olhos dele pareciam brilhar de uma forma um tanto diferente conforme expunha todos os detalhes daquele beijo. E na visão do guitarrista, era muito engraçado ver Joui ficando cada vez mais vermelho a cada frase. Já Robin estava mais do que interessada em saber absolutamente tudo, e ele ficava contente em poder ajudar os amigos a ficarem juntos.

- Wait wait wait~ Did he say “Strawberries”? I mean, did he really said that to you?

- Yup. And then he was like: “Oh Arthur, his eyes shine more than the stars” Eu morri de rir!

- Caralho, eu definitivamente não esperava isso vindo do Cesar.

- Tem como vocês pararem? Eu não faço a mínima ideia do que vocês estão falando! Ai que agonia! - Joui reclamou.

Robin deu uma risadinha, olhou para Arthur e depois se virou novamente para falar com o asiático.

- Ah, estamos só falando do jeito que o Cesar disse que você tem gosto de morangos, de como ele apreciou aquele beijo e de como ele achou seus olhos mais brilhantes que as próprias estrelas! - Listou cada uma delas.

Por alguns momentos, Joui desejou não ter perguntado. “O Cesar realmente disse essas coisas do beijo? Ele realmente acha isso…? E se ele acha, por que nunca falou nada disso? Teria sido tão mais fácil pra nós!” pensou enquanto o Cervero continuava a contar a história.

[...]

No andar de cima, mais da metade do grupo se preparava para sair, colocavam camadas e mais camadas de agasalhos - principalmente nas crianças -, a maioria estava animada para finalmente poder esticar as pernas e poder caminhar um pouco. Decidiram não ser necessário que todos levassem suas armas, apenas alguns por pura precaução.

Os mais novos estavam quase saltitando de alegria, e mesmo que Della conseguisse disfarçar isso melhor do que Tim, era claro que ela também estava contente com o passeio. Cassiano insistia em levar uma das armas, mas foi expressamente proibido por Graça, e agora Agatha brincava com a cara do amigo por conta disso; Eduarda se preocupava mais com a raiz ruiva de seu cabelo crescendo novamente que nem deu atenção para mais nada. E ainda naquele quarto, Hugo tentava impedir que a Volkomenn continuasse a irritar o outro.

- Crianças! Parem com isso, nós já estamos de saída. Se ficarem com essa briguinha besta de vocês, vão ficar em casa! - Mia avisou enquanto guardava o Revólver de Robin para entregar para ela.

- É culpa dessa idiota!

- Minha? A culpa é sua por ser tão estressadinho desse jeito - Agatha continuou rindo de Cassiano.

Hugo olhou desesperado para Eduarda, buscando algum tipo de ajuda.

- Duda! Me ajuda aqui!

- Ah tipo, sei lá! Acho essa briga de vocês… Tipo, acho cringe.

- Tá bom, agora já chega. Vão lá chamar a Beatrice e o Dante, avisa que já estamos prontos.

Nesse momento, Thiago, Elizabeth e Tristan chegaram no quarto em que estavam se reunindo, se juntando ao resto do grupo que agora estava quase completo. Estavam apenas esperando Cesar resolver aparecer para se juntarem com as três pessoas que já estavam no andar inferior. E como lhes foi pedido às crianças, elas saíram para buscar os outros.

- Você acha que já deveríamos descer? - Mia perguntou para Liz

- Pode ser. O Cesinha aparentemente deu uma cochilada ou esqueceu que a gente ia sair, é só passar lá e dar um sacode nele.

- Então vamos rapaziada, tô afim de voltar na neve não hein.

- E eu não queria nem sair - Dante chegou bem na hora respondendo Thiago - Pra que sair? Sério, qual a necessidade? Tá frio, dá pra ver tudo da janela!

- Dante para com isso! Deve ter umas flores bonitas mesmo nessa época, tem algumas que florescem agora! Eu não estava te ensinando a cuidar de algumas aquele dia? - Beatrice perguntou.

- Hm. Não vejo a menor necessidade em sair.

O grupo agora quase todo reunido seguiu pelo corredor, as crianças mais novas guiando alegremente o caminho até o quarto do programador. De forma praticamente automática, Della bateu na porta e logo a abriu, vendo Cesar olhando as árvores pela janela, e em seguida a menina abraçou as pernas do Cohen, fazendo-o olhar para ela.

- O que foi Delly? Tá tudo bem meu anjinho?

- A gente não ia sair? Você demolou demais tio Cesa!

- Ah é, quase ia me esquecendo - Suspirou e passou a mão no rosto, percebendo que ainda não fazia ideia de como iria pedir desculpas a Joui - Vamos pequena, você vai adorar o passeio.

- Finalmente hein Cesinha. Pensei que tu tinha morrido aqui dentro!

- Eu acabei me distraindo com outra coisa e não lembrei disso. Nada demais Liz, você sabe que isso acontece sempre.

- Não posso discordar viu.

Cesar segurou a mão de Della e Tim, seguindo em direção à escada. E a cada degrau que descia, eram 10 possibilidades diferentes que se passavam por sua mente, não fazia a mínima ideia do que poderia falar, e muito menos com quem poderia contar para obter uma pequena ajuda que fosse. Sabia que Joui obviamente estava chateado com ele, e entendia que era por uma boa razão, e por este motivo não sabia como poderia se redimir. Não queria perder a oportunidade de sentir algo novamente, principalmente percebendo que poderia ser diferente. E toda vez que lembrava dos olhos cheios de lágrimas do asiático quando ele saiu do quarto, seu peito doía e a culpa retornava.

Por que caralhos eu sou assim? Não consigo manter uma pessoa perto de mim nem que eu queira… E de qualquer forma eu acabo machucando todo mundo que tenta se aproximar. O que eu preciso fazer pra mudar? Eu não quero ser assim! Eu quero amar, eu quero sentir alguma coisa! Por que eu falei aquelas coisas bem no momento em que comecei a sentir algo? Qual é a porra do meu problema?

- Aí rapaziada! Tamo saindo agora, vocês vão vir ou não? - Liz anunciou, quebrando a linha de pensamento de Cesar.

- Vamo sim! Só tava dando uma conversada com o Joui e com o Tutu - Robin sorriu para eles

- Então vambora antes que comece a nevar de novo rapaziada.

Pelo mesmo motivo que nem sabia qual era, ao ver os dois conversando tão calmamente, com sorrisos nos rostos e gestos estranhos, Cesar sentiu uma pontada de ciúmes de Joui, ao mesmo tempo em que o medo de perdê-lo foi ainda maior ao ver o asiático sair da sala imediatamente quando chegou, já indo para o lado de fora. Robin disfarçou o desconforto e foi até Mia e Lupi.

- Eu peguei sua pistola, toma aqui ó

Robin pensou numa piada um tanto imprópria para o momento, e só ficou quieta em respeito às crianças.

- Obrigada Mia - Agradeceu segurando o riso - Ela tá limpa, tu que fez isso?

- É, você sempre deixa essa pistola largada por aí no alcance das crianças e ainda por cima toda suja!

- Pe-perdão… - Não estava mais conseguindo segurar.

- Robin, por que você tá rindo?

- Meu pau no teu ouvido

Ninguém entendeu muito bem o porquê da Strike desabar em gargalhadas enquanto Mia a olhava com uma poker face mais confusa do que todos, ela começou a questionar a maturidade de Robin.

- Puta que pariu - Mia balançou a cabeça negativamente

- Me-meti o pau você nem viu

- Robin! Meu deus já deu!

- Tá bom… Parei parei - Enxugou os cantos úmidos dos olhos, ainda rindo um pouco, observando o resto do grupo encarando as duas.

- Mas agora falando sério. Tu conhece a Gi?

- A gigantesca cabeça da minha pica?

- Não, a gigantesca mudança que eu vou fazer na tua vida

- Amém irmão

- Meu pau na sua mão.

- PORRA MIA!

- Cringe tá? - Eduarda passou falando, se segurando pra não rir.

- Puta merda mano onde eu fui me meter… - Cesar se perguntou em voz alta, escutando as risadinhas abafadas do resto do grupo - Vamos logo cara, pelo amor.

- Iiiiih Cesinha ta de mau humor hein rapaziada.

- Melhor não mexer com a fera, esse daí é pior do que a Liz bravinha.

Eles pararam em frente à porta e viram que felizmente o clima estava bom na medida do possível. Assim que abriram a porta, as crianças nem esperaram e logo se jogaram no primeiro monte de neve que viram, sendo seguidas por Lupi, que também estava animado e enérgico com aquele passeio. O cão era maior do que Tim e Della juntos, então aquela brincadeira podia parecer perigosa, mas na verdade para eles era muito divertido. 

Olhando para aquela cena, Robin imediatamente se lembrou de sua infância, olhou para o balanço amarrado na árvore e se lembrou de quando seu pai a empurrava pra frente e para trás, com sua mãe observando tudo de longe. Algumas lembranças felizes depois do nascimento de sua irmã resolveram aparecer, a lembrando de como era bom ter alguém para cuidar. E então, olhando para Della, percebeu que seu tempo talvez estivesse acabando.

- Vamos com calma criançada! Ainda vamos passar por uns lugares bacanas - A Strike avisou. - E tomem cuidado pra não acabarem  doentes brincando nessa neve!

- Você gosta de crianças, né Robin? - Graça se aproximou, ainda de olho nos adolescentes.

- Gosto sim, principalmente desses dois aí.

- Você não tem cara de quem gosta de cuidar de crianças, ou até mesmo delas!

- Ai Graça, não é só por que eu tenho o cabelo tingido e tatuagens que eu sou uma carranca! - Riu, abraçando o próprio corpo enquanto andavam -... Eu tinha uma irmãzinha, eu amava ela mais do que a minha própria vida. Mas depois que meus pais se divorciaram eu ainda era menor, eu fui morar com meu pai, e ela foi morar com minha mãe.  Depois daquilo eu nunca pude rever minha irmã.

- Eu sinto muito por você, e te entendo nesse lado. Eu também não pude ver alguém que eu amava novamente. Mas agora você tem todos aqui! Tem a Mia que é sua amiga, tem a Liz, tem todo mundo!

- É, você tem razão dona Graça. Mas agora licença, eu preciso ir ali dar uma bronca em alguém.

Enquanto essa conversa acontecia, Cesar tentava se aproximar de Joui, mas estava nítido que ele estava o ignorando de propósito, sempre se afastava e não fazia o mínimo contato visual, como se quisesse apagar a presença dele ali. Nem sabia o que mais poderia fazer. Não queria falar na frente de todos, queria um pouco mais de privacidade para se desculpar corretamente com o asiático, mas as palavras também não tomavam uma boa estrutura, e era isso que estava acabando com o Cohen.

Estavam andando por uma trilha aberta que levava a um lugar mais amplo, as árvores cobertas de neve, pinheiros mantendo suas folhagens verdes e saudáveis apesar do frio extremo; nenhum animal podia ser avistado nas redondezas, apenas o soar de pouquíssimas aves ecoava pelo bosque. O Sol poente começava a mudar as cores do céu.

A respeito do grupo, Dante continuava emburrado lá atrás tendo que escutar sua irmã lhe mostrando todo o tipo de flores ou árvores possíveis; Liz, Thiago e Arthur caminhavam numa boa, apreciando a paisagem enquanto o resto aprontava tudo quanto era brincadeira besta com as crianças.

Para a sorte - ou azar - de Cesar, quando estava mais ou menos no meio da trilha e afastado da maioria do grupo, Robin chegou sem aviso em passos firmes em sua direção, dando um belo tapa em suas costas no momento em que chegou perto o suficiente para isso, e quando olhou confuso pra trás, viu ela mostrando o dedo do meio bem na cara dele, a raiva e indignação da mulher eram nítidos.

- Seu imbecil! Idiota! Burro burro burro!

- O que foi caralho?

- Qual teu problema irmão?

- Do que você tá falan~ Ah… Foi a Liz que te contou? - Interrompeu a própria fala quando percebeu do que aquilo se tratava.

- Nem precisou. O guri saiu chorando do teu quarto e você não fez nada!

- Eu sei Robin, eu lembro muito bem. Não precisa ficar repetindo.

- Haaa preciso sim! Se for preciso pra fazer você parar de ser cego desse jeito! Puuta merda - Colocou as duas mãos no rosto - Pelo menos você já se desculpou?

- Não consegui. Ele tá me evitando.

- E com toda a razão!

- Mas aí caralho, vai me ajudar ou ficar me julgando? Se quiser tanto que a gente se reconcilie para de ficar falando merda - Retrucou mau humorado

- Ow ow ow pera lá amigão. Por que eu preciso te ajudar a pedir desculpas pra ele? Resolve seus problemas aí!

- Porque qualquer pessoa consegue ser mais expressiva do que eu. Se tem uma coisa que eu não sei é usar as palavras.

O peso na voz de Cesar era claro, mas só ele enxergava e sentia a culpa; só ele conseguia carregar o peso que esmagava sua consciência; ninguém mais poderia saber o que sentia quando olhava para Joui andando lá na frente, sem nem pensar em olhar para trás e escutar o sua explicação.

- Cara eu não posso te dizer exatamente o que tu tem que falar, só vai e seja você mesmo. Fala o que vier na cabeça, segue o coração sei lá.

- Disso que eu tenho medo.

- Para de cu doce e vai logo! Se der merda coloca na minha conta - Animou em tom sarcástico

Cesar balançou a cabeça negativamente e seguiu em frente mesmo estando apreensivo, sem fazer ideia do que poderia dizer, de como o convenceria a escutar o que tinha para dizer.  Olhá-lo naquele suéter vermelho, andando calado e olhando para as crianças mais à frente, trazendo consigo uma apatia incomum em seu rosto, isso doía ainda mais no Cohen. Saber que aquilo era completamente culpa sua dóia muito mais do que deveria, saber que ele era o motivo de ter tirado o sorriso doce e agradável de Joui era um sentimento péssimo.

Com uma cautela que nunca teve antes perto de qualquer pessoa, o programador se aproximou do asiático lentamente e disse aveludando a voz:

- Ahmm… Joui, podemos conversar?

- O que você quer? - Questionou friamente.

- Só vem aqui.

Foi se afastando um pouco mais do grupo, vendo Robin olhá-los de canto de olho com desconfiança. Percebeu que ele se esquivava de qualquer tipo de olhar ou mínimo toque que fosse. Cesar estava respeitando o espaço pessoal do amigo.

Ele levou Joui para uma linha aberta entre os troncos e os dois continuaram a andar na reta do grupo do outro lado.

- Eu vim me desculpar. Eu sei que você está chateado comigo, e com toda a razão.

- E por que eu deveria te ouvir? As coisas que você disse doeram sabia disso?

-... Por que você é importante pra mim, e eu não quero te perder. - Confessou encabulado.

- Não, não, não. Agora você espera aí. Primeiro você coloca uma faca na minha garganta, me beija, a gente se pega quase toda noite… Você do absoluto nada vira um babaca e diz todas aquelas coisas pra mim sem nem parecer se importar com o quanto aquilo doeu, e agora você ainda tem a audácia de dizer que eu sou “importante” e que “não quer me perder”?

- Eu não sei me expressar, aquelas coisas que eu disse…

- Estou começando a duvidar seriamente da sua capacidade de se comunicar com outros seres humanos. Você pelo menos pensou nas coisas que você disse? Pensou no que sentiria se elas fossem ditas para você? - Perguntou irritado, quase ofendido.

- Eu disse aquilo por que estava com medo de te machucar se ficasse perto de mim, como todas as outras pessoas

- Mas dizendo aquilo você provavelmente me machucou mais do que machucaria do jeito que fala! Qual é a lógica?

Joui gesticulava e falava descontando toda a sua raiva no ar, falando tudo o que tinha que falar, deixando Cesar ainda mais apreensivo e confuso com o que poderia falar e se desculpar, se explicar.

- Você não entende…~

- Não mesmo! Não tem como entender! E eu agradeceria muito se você pelo menos tentasse me explicar!

- Joui! - Elevou um pouco o tom de voz e se virou com tudo para o asiático - Eu me apeguei a você de uma forma que eu nunca imaginava que ia acontecer! A gente se envolveu de uma maneira que eu pensei ser impossível. E sim, primeiro eu desconfiei de você, depois eu não resisti e continuo não resistindo a você! Mas também não venha me falar que eu não me importo com você!

- Então por que~

- Eu falei aquelas coisas por que eu tenho medo! Medo tá bom? - Interrompeu - O tempo inteiro eu fico lembrando das pessoas que eu já machuquei e que já me machucaram. E a última coisa que eu queria que acontecesse com a gente era algo assim! Me desculpa, ok? Me desculpa se eu te machuquei! Eu só queria que nada daquilo acontecesse de novo, eu só tive medo de estragar o que a gente tem!

- E o que a gente tem, Cesar? - Joui fez uma pergunta genuína depois de ter escutado tudo aquilo.

- Eu não sei. Eu sinceramente não sei o que tá rolando entre a gente. Mas eu só sei que é algo bom, e daqui pra frente… Se você me perdoar… Eu prometo que vou me esforçar ao máximo pra não estragar nada disso.

O programador deu alguns passos curtos na direção do amigo, observando se ele não iria novamente se afastar de si. Conseguia ouvir as risadas das crianças mais a frente, se divertindo e mergulhando na neve como se fossem peixes. O mundo de ambos se resumiu a ficarem encarando o outro por vários segundos, sem movimentar um músculo ou dizer uma palavra. E sem perceber, estavam jogando o jogo que quem pisca primeiro.

- Joui, você me perdoa?

- … Cesar, eu…

"Vai, Joui! Agora é a hora! Fala pra ele o que você sente e acaba com essa agonia de uma vez! Você já entendeu o que aconteceu, para com isso. Não precisa ter medo, vai dar tudo certo… Ele não teria feito tudo isso pra ter seu perdão se não se importasse realmente com você! É óbvio que ele sente alguma coisa… “ Uma voz irritante na cabeça do ginasta continuava repetindo as mesmas palavras, enquanto outra se sobrepunha, e essa lhe transmitia um medo e uma insegurança estranha que nunca tinha sentido na vida. “Pare de se iludir! Tudo o que esse cara quer é o seu corpo. Muito bem, Joui Jouki. Pela primeira vez você se apaixonou, mas foi por alguém que mais uma vez só quer uma foda contigo pra depois te descartar como lixo! Mas vai! Fala aí pra ver o que acontece. Conta toda a verdade e perde de vez isso que vocês dois tem, como ele mesmo diz. Não se faça de cego, está estampado no olhar desse cara que ele te deseja, mas é só isso, nunca vai conseguir o que deseja, nunca vai conseguir ser amado.

- Eu te perdoo. - Finalizou sua fala ali, sem dizer mais nada em seguida.

- Você não sabe o quanto eu estou feliz em ouvir isso…

Cesar abriu um grande sorriso e abraçou o amigo com força, sentindo um imenso alívio por ver que daquela vez não tinha estragado tudo. Joui também estava feliz por eles terem conseguido reatar o que quer que seja, mas aquela mesma voz enchia sua cabeça de pensamentos destrutivos enquanto zombava daquela situação. Nunca desejou tanto que ela se calasse de uma vez.

Os dois caminharam juntos até onde o resto do grupo estava, subindo um pequeno morro para se juntarem a eles. No momento em que chegaram no ponto mais alto, conseguiram ver o céu um pouco aberto, com o Sol já criando uma mudança radical nas cores do firmamento. O azul se misturava com o laranja, que se tornava mais avermelhado ao fundo; as luzes eram refletidas na neve branca e límpida que cobria toda a extensão do horizonte. Um sentimento inexplicável de calmaria se apossou de todos que encaravam aquela paisagem. Os pinheiros balançavam suavemente com a brisa que se abatia sobre eles naquele momento; momento este que era de rara paz para todo o grupo.

Estavam abraçados, olhando para o limite de onde os seus olhos podiam ver, respirando aquele ar puro e congelante, se sentindo renovados com todo aquele sentimento revigorante. Cesar aquecia Joui com seu corpo, e vendo todos ali se divertindo como nunca antes, ele disse:

- É, Joui… Talvez isso seja o começo de algo maravilhoso. 

 

~ Continua ~


Notas Finais


Perdão, a maturidade da Robin é questionável
a maturidade dela é que nem a da autora
ou seja, 0 maturidade, inexistente, não tem.

AISYHDASHDASIDHHU EU TIVE UMAS CINCO CRISE DE RISO >>NO MEIO DA AULA<< ENQUANTO TAVA ESCREVENDO ISSO.
Intankável.


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