História Infelizmente, Amor Eterno - Capítulo 1


Escrita por: e heroinadoriso

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope)
Tags Bruxo, Cópia, Doppelganger, Duplicata, Hopekook, Imortal, Jhistory, Jhstysobrenatural, Sobrenatural, Vampiro, Wisftjhsty
Visualizações 74
Palavras 9.181
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Magia, Misticismo, Slash, Sobrenatural
Avisos: Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí, beleza? Segunda fanfic do tema sobrenatural, com hopekook que amo
Fiz vampirismo com duplicata, um pingo de imortalidade
Espero que gostem, penso que é algo bem intenso e complexo, e fico super feliz de como ficou o desenvolvimento dessa fic, sério, está no ranking 1 de favortias minhas
Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Infelizmente, Amor Eterno - Capítulo 1 - Capítulo Único

Doppelgänger é uma palavra do idioma alemão que designa uma “duplicata andante”, uma “réplica” sua que anda por aí, fazendo-se passar por você. Interpretado pelos místicos como sendo uma criatura sobrenatural, como uma cópia espiritual ou então um gêmeo demoníaco. Ele traria confusão para a vida da pessoa.


(...)


A promessa de algo ser eterno não é nada comparado a realmente ser eterno.

Hoseok já não era alguém muito paciente, então ouvir juras de amor eternas lhe tirava toda a calma. O pavio queimava em menos de um segundo e ele estava lá, destruindo aquelas promessas que nem eram suas. Ainda tinha a audácia de se perguntar, depois de fazer a merda, o porquê daquilo tudo, de sua raiva gritante pela palavra eternidade. Porém logo se recordava e ainda assim a raiva permanecia. Ele só lembrava para dar desculpas pelos seus atos nada humanos.

Bom, ele nem era humano para querer se igualar a tal. Mas não queria dizer que não sentia saudade de ser um.

A verdade lhe tomava por completo e enchia-o mais ainda de ódio. Não culpava tanto os humanos, eles tinham menos que vinte por cento de culpa em tudo aquilo. Os vampiros talvez tivessem trinta por cento, mas a maior parte era das bruxas. Malditas.

E ele tinha oitenta por cento de culpa, afinal foi bruxo um dia, e atualmente era um vampiro.

Não sabia como tinha chegado naquele ponto – na verdade sabia, mas odiava admitir em voz alta.

Estava nervoso, como sempre. Chegou a casa onde morava e bateu na porta, a dona não deveria se assustar mais de tanto que acontecia, mas era inevitável. Tudo estava silencioso e, de repente, um estrondo alto dispersava toda a calmaria.

— Você não acredita, Maria — Hoseok começou alcançando a mulher que estava sentada no sofá, assistindo novela. A sala era simples, aliás a casa em si era pouco para alguém como ele que poderia hipnotizar qualquer um e ter não só a mansão mais cara de todas como o dinheiro do mundo e toda a mobília que achasse digna do valor. Era mais uma das coisas que ele mesmo gostava de omitir de si.

A mulher olhou para a porta, já rindo. Ela era sincera, não precisou ser hipnotizada para continuar com a simpatia e empatia de quando conheceu o coreano. Logo pensou que o cara falaria mais uma vez de seus dramas infantis para alguém de sua idade.

— O que fez dessa vez? — perguntou, fingindo não saber o que tinha acontecido. De qualquer jeito, adorava escutar a história que o outro contava, que sempre tinha a mesma conclusão, infelizmente.

— Estava eu, sentado naquela praça que gosto tanto. Estava refletindo como fui bobo de perder a cura para minha imortalidade. Enfim, estava me martirizando como sempre e então eu ouvi, Maria — dramatizou, se jogando no outro sofá que tinha no cômodo, a roupa suja de sangue, assim com entorno dos lábios e as mãos — Um lindo casal, apaixonado, jurando amor eterno.

— Hoseok! Cuidado com o sofá — ela repreendeu nervosa, sobraria para ela limpar a besteira do homem. Já ele olhou indignado para a única pessoa que mantinha contato naquela cidade.

— Não vê que estou em crise? — dramatizou mais ainda, com o olhar indignado em cima da mulher que sorria se divertindo com a situação.

Dizer que era fácil conviver com o outro seria mentir. No começo, a mulher ficou assustada, precisou ser hipnotizada para não gritar ou contar para ninguém. No fim acabou se acostumando a ponto de se divertir com toda a situação, mesmo achando errado a morte de inocentes por motivos tolos como aquele.

— Eu sei, eu sei — voltou a falar passando a mão pelos cabelos. Estava frustrado. Fechou os olhos e respirou fundo — Eu poderia matar o presidente e todos os corruptos. Na verdade eu deveria. Mas não, estou matando um casal inocente, que possivelmente não fizeram mal a ninguém. Só que isso me deixa nervoso, essas palavras. Eles não sabem o que é a eternidade e muito menos o que é amar alguém por todo esse tempo.

E com esse desabafo, tanto ele quanto Maria se olharam profundamente, sem dizer uma palavra sequer. Ele tinha humanidade em si, mesmo que pouca, e deixava a companheira enxergar. E como dizem, um olhar vale mais que mil palavras. E realmente naquele momento, assim como todos os outros, realmente valeu.

Sem precisar dizer uma palavra a mais sobre o assunto, Hoseok se levantou, quebrando o contato visual e seguiu para o banheiro. Precisava limpar o sangue de si, mesmo que não conseguisse limpar de sua alma.

Aquela situação doía tanto quanto o que aquelas pessoas sentiram ao ter o corpo drenado. Doía não ter seu parceiro junto de si. E já fazia mais de quinze séculos. Ou vinte? Ele nem contava mais. Só sabia que cada vez que se passava um, mais dor ele sentia. Poderiam existir mil lendas e mitos sobre vampiros ou bruxos e como derrotar qualquer um desses. Mas a verdade, para quem Hoseok era, nunca fora dita ou contada nos livros.

O quão difícil seria para você, amar uma pessoa a ponto de criar um feitiço irreversível de imortalidade por querer eternizar o sentimento e a pessoa recusar, mesmo você já tendo feito em si? O mundo e suas consequências, não é?! O mundo dá voltas. E realmente deu.

Imagina você buscar uma saída para isso, depois de ver aquela pessoa morrer e não conseguir? Sentir que o mundo não existia e que querendo ou não, promessas de eternidade nem sempre eram verdadeiras e assim buscar um meio para acabar com aquilo logo?

E então encontrar um modo de deixar de ser bruxo, mas só piorar a situação? O mundo mostrando o carma que tanto prometia para todos. Você colhe o que planta. E Hoseok virou um vampiro imortal. Que nem mesmo sabia como se matar. Só sabia que tinha criado uma cura, que fora tirada de si assim que deixou de ser bruxo e se conectar com a natureza. Ela lhe dá, ela lhe tira.

Era impossível não pensar nisso todas as vezes que matava um casal. Na sua mente havia sido enganado, mesmo que em alguns momentos de sua vida ter escutado – principalmente de Maria – que ele estava interpretando errado. Mas quem disse que a idade, conforme passa, facilita o entendimento das coisas? Hoseok achava isso completamente insano, porque ele continuava a achar que havia sido enganado, e pior ainda quando insistia em traição.


(...)


Ele era nervoso, pavio curto, sem paciência. E claramente quando matava e se sentia culpado, só piorava sua situação, deixando-o em puros nervos e distraído de tudo. Até mesmo passou uma semana olhando para aquele globo terrestre antigo sem perceber. E quando se tocou, estava girando o objeto e colocando o dedo sem olhar, para parar em um lugar aleatório, como fazia antes.

E pela sétima vez parou num país chamado Brasil, especificamente em São Paulo. Não estava acreditando, aquilo não era para acontecer.

— Hoseok, você mentiu para si mesmo? — Maria repreendeu o mesmo ao perceber o que estava acontecendo. O citado olhou para a mulher, num misto de raiva, surpresa e indignação. “De novo, não” pensou já querendo quebrar aquele objeto e tudo que encontrasse no caminho.

E foi o que fez.


(...)


Hoseok parecia andar com uma placa escrita “cão que late, não morde”, porque todo mundo parecia olhar para ele como se esperassem um movimento ou uma risada indicando que tentaria fazer algo terrível a seguir sem conseguir, como o ditado. Mas ele era totalmente o contrário; assim que recebia um olhar, já tinha feito. A pálpebra da pessoa nem chegava a fechar totalmente no piscar habitual.

Sua aparência deixava claro que não era alguém que deveriam colocar expectativas. E ele gostava daquilo, preferia assim. Mesmo que isso resultasse em passar a eternidade sozinho.

Até conseguia sentir culpa por uma ou duas semanas depois de matar alguém, seja esse humano, bruxo ou vampiro. Mas passava. Sabia que era errado e sua humanidade esquecida tentava gritar que era errado, que tirar uma vida não estava em suas mãos, mas ele ignorava, afinal, só sua opinião valia. Opinião de alguém que se tivesse que sentir algo, seria dor.

E era assim que estava se sentindo, culpado.

Estava viajando para São Paulo. Abandonou a casa de Maria, que queimou para não trazer suspeitas. E a dona? Queimada junto. Acontece que seu temperamento agressivo só piorava quando aquele assunto aparecia, e logo quando ele achava que nunca mais iria lhe atormentar, veio à tona, como se o destino quisesse brincar consigo. E tudo o que conseguiu fazer ao perceber isso foi quebrar o globo terrestre, destruir seu quarto – que infelizmente não tinha muitas coisas para satisfazer sua ira – e então drenar o sangue da mulher que estava sendo sua melhor companheira humana de toda a eternidade que viveu e provavelmente viveria.

Quando jogou álcool por partes estratégicas da casa, certificou-se de que tudo pareceria um acidente. Ele teve milhares de anos para se aperfeiçoar, então nem mesmo se preocupou. Mas isso não tirava a culpa de si. De matar alguém tão bom. Era errado, ele sabia, e sabia que era uma daquelas culpas que sentiria por mais de duas semanas.

Mas iria passar, ele tinha a eternidade para ficar de luto e logo esquecer. Por mais que sua humanidade dissesse para não esquecer e aprender com aquilo. Nem ligava mais para o tempo de voo, em quais rotas demoradas o ônibus faria o itinerário ou quantas linhas de metrô teria que pegar e fazer baldeação. Ele só queria terminar aquela história de uma vez por todas. E junto de seu luto sabia que as coisas poderiam ser piores do que somente um matar.

A questão era que na cabeça dele, tudo havia sido finalizado. Achava que tinha matado toda a linhagem de sangue que era ligada a sua alma gêmea. Mas, pelo visto, estava enganado. Ou ele mesmo se enganou, por querer um momento de felicidade. E realmente estava tendo, mas tudo que é bom, dura pouco. Até riu por perceber que sua vida era feita de ditados.

E de mortes.

Cansava-se de pensar e refletir sobre a vida, mas viagens serviam para isso, certo?! Nem conseguia mexer no aparelho celular e distrair-se um pouco, pois tudo parecia lhe levar de volta aos pensamentos, então era melhor pensar de uma vez.

Refez a árvore genealógica de sua alma gêmea morta mais de uma vez e todas elas deram que ele tinha matado a todos. Séculos de pesquisa, séculos caçando e matando, finalizando no ano de 1894 aquela insanidade para então poder viver em paz. Quer dizer, em partes, já que ele não conseguia descansar com tantas guerras, conflitos, humanos querendo comandar outros, corrupção, moedas, tecnologia, dentre outras coisas que aconteciam e ele se via envolvido, tudo por querer viver em paz.

Mas ao menos sentia que não seria perseguido pelo destino, que só o fazia sofrer.

E naquele momento só conseguia pensar que não tinha fuga ou descanso, porque, que o perdoassem por dizer tais palavras, o destino só queria foder – de um jeito horrível – consigo.

“Estação Ribeirão Pires, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Ouviu a voz falar. Não é como se nunca tivesse ido ao Brasil. Ele era imortal, havia criado muitas da línguas nativas e até mesmo sumidas do mundo, fora o quanto viajou para muitos lugares. Um verdadeiro historiador e viajante. Mas ele não conhecia todas as cidades do mundo. Assim como não conhecia aquela.

Não era bonita, porém passava longe de ser feia. Era comum, com um clima nada agradável.

Ao sair da estação, esta que mantinha um aspecto antigo por puro charme, conseguiu identificar muitas coisas que havia pesquisado no aplicativo de mapa da Google. Gostava muito da tecnologia, achava muito facilitadora, mas tirava a graça da descoberta e aventura que teria tido para chegar ali caso fosse antes.

Avistou o Habib’s em frente à estação e foi andando até o mesmo, atravessando a faixa de pedestre que tinha em frente ao portão da estação. Entrou no estabelecimento e sentou-se, logo sendo atendido e então pediu algo para comer e beber.

Estava com a cabeça tão cheia que nem mesmo reparou nas pessoas da cidade. Realmente não tinham nada de diferente ali. Era tudo moderno e atualizada, nada para se preocupar ou mesmo surpreender-se. A única coisa que estava preocupado e roubava-lhe a atenção era seu celular que estava desbloqueado, mostrando o perfil do twitter de um garoto. Esse que era a causa do imortal estar ali. O homem, que tinha vinte e cinco anos segundo sua bio da rede social, gostava de publicar e conversar sobre sua vida, era como um diário para o mesmo, fora que parecia usar para publicar não só seus desabafos, como seus grandes feitos e seus gostos musicais.

E como ele descobriu o perfil? Experimente estar amaldiçoado a encontrar o mesmo rosto e o mesmo nome por vinte séculos, você nunca esqueceria um detalhe, nem que quisesse.

E lá estava ele, Jeon Jeongguk entrando no mesmo estabelecimento que Hoseok.

O mesmo rosto delicado, com o sorriso simples e fofo, os lábios finos e a pinta abaixo do inferior, o maxilar marcado e o nariz um pouco grande, porém proporcional as linhas da obra que o homem era, desde a sua primeira doppelganger até essa, de 2019.

Mesmo com a pele levemente bronzeada, num tom pardo, ou então com o cabelo grande amarrado em um rabo de cavalo frouxo e o corpo fora dos padrões daquele país. Ele era Jeongguk. E Hoseok estava se derretendo, como sempre acontecia.

Por segundos ele esquecia quem era, tudo o que havia vivido, ou tudo o que sentia ou deixou de sentir. O homem pelo qual abriu mão da morte estava ali, a poucos metros de si, sentado em frente a outro cara – seu colega de trabalho – sorrindo como se não tivesse outra coisa para se preocupar a não ser o que ouvia. Quer dizer, tinha o mesmo rosto que aquele homem que conheceu.

E o clichê acontecia, Hoseok estava chorando em silêncio. Estava revivendo a mesma história: ver Jeon e chorar por humanidade, querer voltar e entregar-se ao mesmo. Então vinha depois: ele se desligando totalmente, procurando a família do homem, desde o início até as pontas soltas e distantes e matando um por um, até matar o próprio Jungkook. Seu clichê pessoal.

Nem mesmo notou quando o garçom deixou o prato e o copo em sua frente, na mesa. Estava enfeitiçado, apreciando os últimos minutos de sentimentos pelo outro, podendo amar aquele rosto por alguns segundos antes de se desligar de vez e começar seu plano para descobrir o que aconteceu com a árvore genealógica, onde errou e como consertaria para não acontecer mais.

Não o leve a mal, era necessário.

Mas um bom clichê é quando é quebrado e inicia-se um novo. Jungkook correspondeu seu olhar e diferente do que Hoseok pensou que aconteceria caso isso ocorresse: ser ignorado; o outro pareceu surpreso e por um breve milésimo de segundo o imortal pensou ter visto preocupação no olhar. E pela primeira vez de todos os séculos que viveu e reviveu aquela cena, ficou sem reação ao notar seu ex amor levantar da cadeira um tanto apressado e ficar em sua frente com um olhar indecifrável.

— Jung Hoseok?

Já sentiu o mundo parar? Ter mais de mil anos de vida e sentir pela primeira vez, desde a morte da única pessoa que amou verdadeira e sinceramente, o chão sumir, as pernas moles e fracas, falta de ar, borboletas no estômago e o pior de tudo, o coração acelerado, como se estivesse mais do que vivo?

Não existia som ou cheiro naquele momento, cor ou qualquer objeto ou pessoa. Só existia a voz que sempre amou ouvir lhe chamando. Os olhos negros que sempre amou olhar lhe fitando. Até mesmo o cheiro que sempre amou sentir lhe abraçando e levando-o às alturas. Era somente aquilo que Hoseok conseguia entender.

Não tinha culpa, plano para acabar com uma linhagem inteira ou vingança do destino. Eram os dois ali, juntos, justamente no seu único minuto com a humanidade ligada. Era difícil para ele. Não conseguia dizer que era outra pessoa ali, poderiam ter a mesma feição e não ter a mesma personalidade, mas Hoseok o via como seu amor para a toda vida. Ou melhor, o traidor que prometeu viver eternamente seu amor.

— Você é o “arroba” hobidepoisdecristo, certo? — é, talvez o imortal tivesse criado expectativa e esperança demais em algo que sabia que não aconteceria, mas ainda assim estava literalmente ferrado. Não conseguiria desligar a humanidade nem que desejasse muito. Não depois de pela primeira vez o outro falar consigo de todas as vezes que o viu novamente. 

Não que algum destes tivessem culpa. Jung evitava contato e tinha conseguido todas as vezes. Talvez fosse por causas das culturas antigas que prezavam muito mais o silêncio e olhares do que a famosa “cara de pau” do atual século. E no fundo ele agradeceu por isso.

— Hum... sim, e você é o ggukggukdada, não é?! — perguntou acordando dos pensamentos ensurdecedores. Não sabia o que pensar ou sentir, era muito para conseguir lidar em tão pouco tempo. Mas, talvez não fizesse mal responder e ter uma conversa com o outro. Rapidamente secou as lágrimas e riu — é pior quando se diz alto.

— Eu sei — o que estava em pé comentou, rindo também — é um trocadilho com meu nome e a famosa frase que dizemos a um bebê. Pensei que era uma ideia ótima, mas agora só serve para rir.

— Eu achei muito bom, mil vezes melhor que o meu — Hoseok admitiu, ainda sorrindo. Quanto tempo não sorria bobo assim depois de uma risada realmente sincera e com sentimentos? Ele nem se lembrava. Na verdade, sabia que tudo o que estava sentindo e vivendo naquele momento só havia acontecido ao lado do outro quando conheceu o “original” dos doppelgangers. Ainda assim era ele ali, mesmo que com uma personalidade diferente. Era ele, porque o destino havia feito assim. Jeon riu.

— Olha, sou bem criativo, se quiser posso criar um para você — sugeriu sorrindo de forma calma e encantadora de um jeito que Jung somente assentiu, enfeitiçado. Não iria dizer que seu user era engraçado por causa de ser alguém tão velho quanto Cristo era na história, mas não queria perder a magia do momento, que infelizmente acabou quando o outro foi chamado pelo colega, alegando que o almoço havia chegado, porém nem isso foi capaz de tirar aquele sorriso do rosto do outro — Olha, posso lhe chamar e assim discutimos sobre, que tal?

— Eu acho uma ótima ideia.


(...)


Sentia-se estúpido, burro, problemático, mas principalmente conseguia enxergar o ódio se materializando.

Estava indo bem ignorando todos os outros sentimentos chatos da humanidade, que agora havia chegado para ficar. Quando estava em paz consigo, admitia que ser vampiro tinha uma vantagem: escolher sentir, ou seja, deixar a humanidade ligada, ou escolher ser um “filho da puta” ao desligá-la. Somente essa raça podia fazer tal coisa e era a única da qual ele não queria abrir mão. Se pudess3, pararia de beber sangue, não ligava para a força ou felicidade, nem mesmo para a hipnose ou o fato de poder entrar na cabeça das pessoas, ele somente gostava de poder escolher quando sentir e quando não sentir.

Mas, naquele momento odiava essa “vantagem”. Desde o momento que Jeon Jeongguk deixou sua mesa para ir terminar seu almoço e poder voltar a trabalhar, ele tentou e tentou se desligar. Tinha uma missão a cumprir, um plano que nunca falhou e seguia como regra e lei de vida. Mas nada que pensasse lhe fazia desistir de sentir. E por isso o ódio parecia estar duzentos por cento ampliado. Assim como uma enorme sensação de paz e esperança, essas que ele não sabia mais lidar.

A quanto tempo não se sentia assim? Somente nas primeiras vezes que se deparou com um doppelganger de Jeongguk, esperançoso de ser o amado ali. Mesmo sabendo por meio de uma bruxa o que realmente aconteceria dali pra frente ele se enganava, manteve-se cedo por bons séculos. Até que não aguentou mais e aceitou o que era óbvio: ele nunca o teria.


— Hoseok, você tem certeza que quer isso? — ouviu o outro questionar enquanto lhe encarava de igual para igual. Só soube sorrir mais ainda, aproximando sorrateiramente os corpos, enquanto segurava a cintura alheia com delicadeza e aproximava do rosto do outro.

— Te amar por toda a eternidade? Por séculos ou quem sabe milênios? — perguntou, claro que retoricamente fazendo Jeon olhar ainda mais intensamente em seus olhos. 

Os fios de cabelos de ambos estavam misturados na pequena brecha entre as testas, os olhares presos, as mãos nas cinturas, os corpos juntos; uma verdadeira cena romântica. Até que Jeongguk não aguentou aquilo e se separou com rapidez, assustando o outro pelo ato repentino. E tão logo foi consumido pela raiva, mesmo que antes tivesse sentido por pouco tempo preocupação.

— Jung, isso é irreversível. Tu mesmo certificou-se de não existir um contrafeitiço.

— Então estás desistindo? Onde está Jeon de ontem, que falava juras belas perante as estrelas? — indagou. Não acreditava no que ouvia. Sua vontade era de colocar aquele teto de barro chão abaixo. No fim, seu amor não passava de um traidor.

— Só me deixe explicar — Jeongguk suplicou o que fez a fúria crescer mais ainda.

— Não.


A única memória que tinha daquela noite lhe atormentava nessa época, mas com a humanidade ligada parecia ter um peso a mais. E se tivesse deixado o outro explicar? Com certeza correria atrás de fazer contra-feitiço e reverter sua situação.

A verdade é que a vida não dá volta por que quer. Mas a natureza cobra, e quando se é bruxo, a cobrança vem na velocidade da luz. Mal havia feito o feitiço em si que o universo tinha dado um jeito de manter novamente o equilíbrio. Soube disso séculos depois por uma bruxa.

Naquela mesma década Jeongguk havia morrido e consigo todos os sentimentos bons de Hoseok. Ali começara seu inferno em terra. Mesmo que fizesse o máximo para continuar vivendo e conhecendo novas coisas, até mesmo criando-as, ele tinha seus momentos duradouros de raiva e tristeza.

O choque de ver a primeira “cópia” de Jeon na sua frente foi tanto que o matou em segundos, achando ser uma alucinação, porém quando viu uma família chorando pelo corpo notou o que tinha feito. Mas mesmo assim não correu atrás de respostas. Da segunda vez foi mais paciente, chegou a conversar com o outro, mas ali notou que não era o mesmo, parecia que um qualquer havia dominado o corpo de seu amado. Então logo tratou de esquecer e tentar seguir a vida. E o mesmo aconteceu na próximas duas vezes, o retorno daquele rosto tão vangloriado por si, suas esperanças e sentimentos bons e então a decepção e ira.

Foi nesse momento que novamente mexeu com a natureza, criando assim algo que lhe tirasse todos aqueles sentimentos: vampirismo. E novamente não sabia que teriam consequências.

Ainda bem que existiam bruxas experientes, que tinham contatos ótimos com o universo e sabiam das coisas. Na mesma época, encontrou uma mulher idosa, essa que ele teria matado se não fosse os poderes da mesma. Ela lhe ensinou sobre o vampirismo, sobre suas consequências, como o sangue, não poder andar no sol. Também lhe deu algumas soluções, até mesmo com o auxílio seu, já que havia sido um bruxo extremamente talentoso e poderoso um dia.

E, com ela, soube da existência de doppelgangers. Que aquilo havia sido a consequência para seu feitiço; uma cópia sobrenatural da pessoa que ele havia usado como base do feitiço.

E sim, ele havia usado o nome do outro para conseguir criar algo. Gostava de pensar que era mais uma prova de seu amor incondicional. E se Jeongguk tivesse aceitado, também haveria cópias suas nascendo pelos cantos do mundo durante a eternidade. Tudo porque a magia tinha um preço, e ao usar o nome de alguém que ele tinha sentimentos tão profundos criou uma magia ligada ao sangue deste. Sendo assim, enquanto vivesse, aquele sangue viveria, de uma forma ou de outra.

Era por isso que vivia matando toda a linhagem. Achava que matando todos, morreria, já que aquele “maldito” sangue estaria fora de circulação. Mas no fundo, bem no fundo, ele sabia a verdade. Que não era o sangue que deveria ser extinto, e sim a si mesmo.

A cura da imortalidade enquanto bruxo ele não havia feito. Mas a cura para seu vampirismo existiu em algum momento. A senhora bruxa que conheceu havia lhe garantido criar uma, até chegou ter em mãos, mas em determinado momento lhe escapou, quando a velha morreu. E sabia que mais uma vez era a natureza e o universo agindo. Punindo-lhe.

Ainda assim, nas primeiras vezes que viu o homem que lhe roubou a vida em sua frente tentou conquistá-lo. Mas sempre algo dava errado, não com o mundo lhe impedindo de ficar com o mesmo, o problema era ele, literalmente. Ele era um vampiro com trauma de viver a eternidade não sendo correspondido. Era esse medo que lhe tirava suas esperanças.

Temia transformar o outro sempre que o encontrava e dar a chance de se apaixonarem, mas por alguma razão pensava que independente da personalidade que aquele rosto adquirisse cada vez, não aceitaria viver a eternidade consigo. Ele era egoísta quando se tratava de si, por isso depois passou a matar toda a família envolvida com o outro. Ele tinha se agarrado à esperança de morrer.

Não era por falta de tentar. Ele tentava, com todos os seres sobrenaturais possíveis, e até mesmo com meios humanos. Mas nada lhe matava fisicamente. Já seu psicológico morria cada vez mais. Tanto que por quase um milênio, viveu com a humanidade desligada, deixava apenas dez por cento ali, para que a razão se mantivesse, até conseguia sentir uma ou outra coisa, mas nada tão grande quanto sua indiferença.

E era por tudo isso e mais um bocado que estava assustado ao se ver com a humanidade de volta, sentindo paz e esperança novamente em cima de um homem que não iria lhe querer como Hoseok o desejaria. Eternamente.

Também era por isso que, quando ouvia juras de amor, sentia-se na obrigação de acabar com aquilo de uma vez. Pensava estar poupando ambos de uma futura traição ou quebra de promessa. 

Estava assustado, com ódio, com uma sensação de paz e esperança, e temia sentir culpa por todo o mal que fez em séculos de existência. Provavelmente enlouqueceria. Por isso teria de desligar logo sua humanidade. Nem que para isso tivesse que matar Jeon Jeongguk. Sua única fonte de sentimentos.

Mais cedo o outro realmente lhe chamou para conversarem e, de início, discutir sobre seu user na rede social como o humano tinha proposto. Apesar de tudo, Hoseok conseguiu fazer o outro aceitar e entender que aquilo tinha um motivo. Mesmo que não tenha explicado direito qual era esse, ainda assim disse que era uma piada interna entre amigos e que talvez depois lhe contaria.

E parando para pensar, as desculpas do século XXI realmente lhe agradavam. Era tão fácil fugir de um assunto. Antigamente, talvez pela falta de coisas e conversações das épocas era raro conseguir fugir de algo.

De qualquer jeito, naquele momento, lembrando da pequena conversa montou um pequeno plano, na real seria mais improvisado, porém tinha o primeiro passo. Precisava agir logo. Tinha a humanidade ligada, os sentimentos bons vindo à tona a cada minuto, e os ruins também. Mas ainda pensava sobre tudo o que havia feito durante os séculos, e não seria sentimentos de esperança que destruiriam todo o milênio de massacre, e esse novo Jeon Jeongguk não lhe escaparia.

Pensando nisso mandou uma mensagem no Twitter para o homem, pedindo ajuda para conhecer a cidade nova para si e obteve uma resposta animada e positiva.

Talvez fosse fácil demais aceitar as propostas de Hoseok, talvez o destino além de querer lhe amaldiçoar vendo o amado a cada século, ainda fazia com que o outro lhe entregasse o corpo e a alma fácil. Talvez para sofrer mais e ser punido adequadamente. Afinal era uma tortura por ter desequilibrado o mundo.

A casa em que estava morando era simples, porém grande perto da estação de trem. Hipnotizou, como sempre os donos e a família inteira, conseguindo um quarto bom, um lugar para se esconder caso houvesse vampiros lhe procurando (e isso acontecia com frequência) – mesmo que ele matasse a todos – preferia manter-se escondido e protegido, então hipnotizou a todos falando que caso alguém perguntasse de si, eles não saberiam quem era, enquanto se fosse ele perguntando algo, eles saberiam responder. E por fim, dentro de duas semanas esqueceriam tudo sobre Hoseok.

Não ficaria mais que esse tempo na cidade brasileira, só queria matar a linhagem de Jeon e o mesmo, e logo deixaria o local. Era uma desculpa boa querer conhecer o lugar, afinal tinha deixado escapar que era novo ali na primeira conversa pela rede social.

Marcaram então de se encontrar em frente ao Habib’s. Hoseok não sabia o que estava sentindo ao certo, mas temia que o coração acelerasse novamente ao ver o outro, temia se apaixonar, ou pior, os sentimentos bons pelo homem sobressaírem seus ideais e planos. E se isso acontecesse, seria uma vida imortal jogada fora. Com certeza sua virilidade vampiresca seria afetada.

No fim ele teria que arcar com o que acontecesse, afinal, como já dito e repetido muitas vezes, ele era imortal, sendo assim, ainda conviveria com suas consequências por séculos até o fim do mundo. E seria mil vezes pior caso ainda estivesse com os sentimentos ligados.


(...)


— Espero não ter demorado muito — falou assim que avistou Jeongguk encostado no corrimão do estabelecimento. Riu internamente com a piada, afinal poderia correr mais rápido que qualquer carro de fórmula 1.

— Na verdade cheguei agora também, então estamos quites. — Ah, como aquele sorriso lhe encantava. Não podia fingir sentimentos, era contra seus princípios. Então ao perceber o coração palpitando, notou que o plano estava a um fio de ser um fracasso, porque somente o primeiro sorriso e a primeira frase com aquela voz que tanto amou um dia foram capazes de fazer seus muros caírem.

Mas ser vampiro era assim, sentir tudo numa intensidade fora do comum, numa intensidade que só poderia ter vindo de outro mundo, porque era enorme e arrebatadora. E era assim que Jung estava se sentindo, arrebatado, completamente dominado pelo sentimento de esperança. Perguntava-se se tivesse entrado em contato com as outras cópias tudo isso teria acontecido antes. E a resposta estava mais que óbvia, só não queria admitir.

— Por onde quer começar? — Jeon perguntou logo em seguida, já que aquilo definitivamente não era um assunto. Saiu andando devagar, descendo a pequena rampa que dava de entrada para o fast-food. Sabia que Hoseok o acompanharia, e de fato acompanhou.

— Podemos começar pelo centro da cidade, e então podemos jantar em algum restaurante daqui — sugeriu sem muito pensar, apenas para ter continuidade ao plano.

Plano esse que estava indo água abaixo. Era ele ali, não tinha como. Pensou por todos esses anos que só a aparência era igual, mas a voz não apresentava uma falha ou distorção, o olhar que aparentava carregar o mundo, até mesmo o andar elegante e sensual eram idênticos. E como bônus a personalidade, apesar de ser diferente, tinha um encantamento por trás, afinal, era impossível alguém desse século ter a personalidade de alguém de mil anos e alguns mais.

Pela primeira vez, ao ver casais, não se sentiu na vontade de aguçar a audição para poder flagrar alguma jura de eternidade e assim arquitetar um plano para manter os dois. Porque ele tinha a atenção presa no homem ao seu lado, que insistia em falar sobre cada loja e estabelecimento que passavam em frente. Também apresentava os lugares que poderiam comer.

E tudo parecia bom demais, porque Hoseok achava tudo encantador por ser ele a lhe apresentar. Parecia estar conhecendo um novo mundo. E naquele momento a eternidade não parecia nada, uma palavra sem significado algum por simplesmente estar próximo aquele que um dia amou. Bom, pelo menos era a mesma aparência.

No fundo, odiava ser vampiro por sentir tudo tão vividamente. Se parasse um segundo, explodiria com o alto som de seus batimentos. Se pudesse, sabia que estaria suando naquele momento. E a imaginação de anos de leitura sobre romance e também sua pequena experiência enquanto humano estavam quase que se pondo em matéria naquele momento.

Não conseguia resgatar nenhum pensamento ruim, esquecera até mesmo como colocaria o segundo passo do plano em ação. Aliás, qual era o plano mesmo? Ele nem sabia mais. Só conseguia enxergar Jeon Jeongguk ao seu lado lhe contando com devoção sobre aquela cidade e aquela praça onde estavam andando no momento.

— Eu adoro morar aqui por isso — finalizou uma parte enquanto paravam em frente a um pequeno palco que estava construído estrategicamente na praça. Hoseok por um momento quis dizer “e eu vou adorar”, mas estaria colocando tudo abaixo — Você também vai adorar, tenho certeza.

Certo. Agora que ele começaria a repensar em suas ambições. O outro estaria querendo a si ali? Era o destino, o mundo, o universo e/ou a natureza brincando consigo. Só podia ser. Era a pior tortura, e para alguém que já viveu um milênio, chamar algo de tortura significa que realmente estava sendo difícil.

Até aquele momento, tudo estava de certo modo controlado. Não conseguia dominar os sentimentos, mas ali no cantinho podia visualizar seu plano. Bem no fundinho do enorme poço de sensações e emoções boas conseguia lembrar de tudo o que passou, do motivo de estar com ele ali, e o que precisava fazer.

Mas aquela frase lhe pareceu tão convidativa.

De repente, não tinha mais plano, muito menos desejo de matar alguém. Era esse o poder do doppelganger em si, mostrando-lhe que mesmo que inconscientemente era sobrenatural e tinha-lhe nas palmas da mão.


(...)


Ao chegar em casa naquela noite, sentiu tudo. Pensava que, por provavelmente estar longe da cópia e todo o ar que trazia para si — ar de bondade, esperança, paz, sensibilidade e amor que já sentiu um dia — não tinha no que se apegar e se segurar para que os sentimentos e emoções ficassem longe de si.

Naquela noite matou a família que vivia naquela casa. A cada hora que passava, cenas e mais cenas lhe dominavam. Sangue, gritos, corpos. Tudo o que fez de mal naqueles séculos vinha a tona, sem perguntar ou pedir licença, só lhe invadiam a mente, e a cada vez que não suportava mais tanta coisa entrando em sua mente, matava alguém.

Ao amanhecer, todos estavam mortos, mas as cenas não paravam, e ele não conseguia pensar. Hoseok estava em apuros. E esse era um dos motivos de nunca ter deixado sua humanidade voltar, ele poderia lembrar de tudo quando quisesse, mas com a humanidade ligada, ele sentia. Sentia culpa, havia tirado inúmeras vidas. Sentia dor de ter tirado essas vidas. Sentia angústia por ter feito tudo isso. Ele era um romântico antes de tudo, era por isso que tinha feito o feitiço da eternidade, por querer viver a vida inteira ao lado de quem amava. E ter matado todos aqueles casais que tinham o mesmo desejo que o seu estava tirando toda sua sanidade.

Conseguia ouvir os gritos, um chamando o outro, dizendo as últimas palavras de ambos, “eu te amo”, a última declaração antes da vida esvair do corpo. Ouvia os choros, via as lágrimas caindo. Como ele conseguiu destruir tantos sonhos? Sonhos esses que ele já teve um dia.

Ah, como se sentia triste, uma tristeza profunda, misturada com ódio e rancor de si mesmo. Egoísta, matava por esporte, por não querer ouvir palavras que doíam. E como doíam.

Sim, a maior parte das mortes que estavam em suas mãos eram dos casais. Para um vampiro, ele era bem controlado, mesmo estando sem sentimentos. Desde antes de se tornar, era um ser humano consciente, controlador, organizado. Tinha que ver sua tenda onde guardava ervas, objetos e partes para bruxaria. Então não foi surpresa ele racionar ao virar vampiro e entender que se o preço era beber sangue, teria de ser discreto. Afinal, mesmo que fosse imortal, nada impediria de, principalmente bruxos, viessem lhe caçar e criar uma forma de ao menos o parar.

Ele gostava de viver. Apesar de ter desligado a humanidade, ainda sentia algumas coisas, como o prazer da vida. De criar coisas, inventar, seguir com seu nome nos livros de história de todo o mundo. Se divertir com as pessoas, festas, jantares. Conhecer os maiores reis e monarcas, participar de guerras e ganhá-las. Ele soube se divertir e viver sem os sentimentos, principalmente aqueles que lhe levaram a fazer aquilo consigo.

Graças a sua parte racional ainda estava lá, o que impediu de fazer o vampiro sair por aquela porta e portão e destroçar mais uma, e outra e mais outra família, porque se lembrar era doloroso, dava-lhe fome, queria destroçar para aliviar tudo aquilo, tirar o pensamento daquelas lembranças. As piores de todas.

Lembranças de Jeon Jeongguk.


— Jung Hoseok, eu te amarei para todo o sempre — Jeon prometeu olhando-lhe nos olhos, e o citado soube apenas sorrir em resposta. Estavam sentados abaixo de uma árvore, observando o céu limpo.

Estavam conversando sobre bruxaria e Hoseok fez o que deveria fazer: com mágica mudou o clima, mais precisamente causou um vento forte só para Jeongguk se divertir enquanto via as flores secas voarem, e como resposta o outro tirou todas as nuvens do céu, tornando o momento único, assim como viviam fazendo, criando momentos ´que somente eles poderiam fazer.

— Eu faria de tudo para amar você eternamente — Hoseok insinuou, implícita e explicitamente em sua frase e Jeon, apesar de ter entendido a insinuação, apenas assentiu e logo abraçou o outro. 

Aquela lembrança havia sido o início dos pensamentos de Hoseok. Fora ali que decidira criar o feitiço. Aquela maldita memória. Aquele que lhe traiu, que assentiu e concordou com sua declaração e ideia. Quer dizer, até certo ponto.

— Lembra-se do dia em que fizemos juras de amor eterno? — perguntou segurando ambas as mãos de Jeongguk, que lhe retribuía o olhar na mesma intensidade.

— Sim, mas é claro que sim — respondeu eufórico, sorrindo, lembrava de todas as memórias com carinho — E faria-las de novo quantas vezes fosse possível.

— Eu também e por isso tenho uma proposta a fazer — começou, soltando uma das mãos de Jeon e colocando a mesma por cima da outra que ainda segurava. Pegou uma adaga que guardava no bolso e apresentou esperançoso ao outro, que sequer se assustou.

— Um pacto de sangue? — Jeongguk perguntou retoricamente, sorrindo divertido enquanto via a cena a sua frente. Já Hoseok insinuou cortar ambas as palmas e o outro assim o fez, cortando superficialmente a própria palma da mão, sujando a adaga com o sangue e logo em seguida cortou por Hoseok.

Agora a lâmina tinha ambos os sangues.


Por impulso, Jung pegou o celular e contatou o Jeongguk do século XXI. Ligou para o outro, já que tinham trocado os números no final da noite anterior. Sabia que o mesmo folgava aos fins de semana, então talvez não fosse um problema ligar, mas sim o horário.

Porém, naquele momento, não estava se importando muito com detalhes. Só sabia lembrar de coisas que preferia apagar do consciente e subconsciente. Tinha sede, queria drenar pelo menos cinco corpos somente para apagar momentaneamente aquilo e assim sentir o prazer que tinha ao beber sangue humano.

— Alô? — ouviu a voz rouca, grossa e sonolenta pelo celular e, por um segundo, suspirou aliviado. Até se lembrar de mais uma das inúmeras memórias com aquele que tinha atendido. Quase quebrou o celular ao ter percebido que ligar para o humano só traria mais discórdia.

Porém, na sua cabeça, uma única certeza rondava: matar Jeon Jeongguk, o causador de todo esse estresse e morte daquela madrugada.

— Jeongguk, eu preciso de você — começou a falar, parecendo desesperado, tentando passar todo medo possível na voz. E conseguindo com perfeição.

— O que houve? Aconteceu alguma coisa? Você está passando mal? — já desperto, com a voz afobada e também desesperada, o outro levantou-se e sentou-se. Hoseok conseguia imaginar a cena.

— Você pode vir aqui? Aconteceu algo e não sei como-

— Já estou indo, me mande sua localização.

E assim a chamada se encerrou. E apenas o pensamento de matar o homem quando chegasse se passava pela sua cabeça. Só assim, como em todo século que se seguiu, poderia fazer com que aqueles pensamentos sumissem.


(...)


Jeon não sabia o porquê de sentir uma necessidade gritante em ir ver o cara que mal conhecia. Sabia apenas seu nome, que ele era mais velho e que era seu segundo dia na cidade. Tinham trocado poucas palavras pessoais na noite em que saíram para conhecer o centro, então de onde vinha esse desespero de encontrar e ajudar o outro?

Hoseok sabia o que era aquilo, o fato de Jeon ser um doppelganger fadado a lhe encontrar. Um ser sobrenatural com intuito de lhe punir.

Era uma das coisas que se passava na cabeça de ambos quando se encontraram no portão da frente da casa onde o vampiro estava morando. Passou-se um minuto na intensa troca de olhares que estavam presos. Jung pensando em como havia sido tolo lhe convidar ali. Estava necessitado de sangue e a puro nervos minutos antes, inclusive com o intuito de matar aquele humano assim que o mesmo chegasse. Mas agora na frente dele, só conseguia sentir alívio e amor.

Como que conseguiria sua paz eterna se não conseguia dar continuidade a um plano para tal feito acontecer? Nas vezes passadas fora tão fácil fazer uma vez que não tivera contato com Jeon, apenas tinha o feito, sem quase encostar no humano, com medo de acontecer o estava acontecendo naquele momento.

— Entre, por favor — pediu, assim que reparou que o clima começar a pesar e nenhum dos dois conseguir falar.

Jeon assim o fez, sem hesitar ou questionar. Não estava sob hipnose. Hoseok não queria usar na cópia de seu amor, imaginava que se sentiria como um traidor. Fora que quando se tratava desse assunto tão importante e destruidor para si, ele preferia a sinceridade. O fato era que Jeongguk estava curioso, e não sabia o motivo, por isso estava ali. Parecia o protagonista de um filme de terror que vai sempre em direção ao perigo, movido pela curiosidade.

— E então, o que aconteceu? — perguntou assim que passou pela porta. Quando chegou, percebeu o alívio do outro, o desespero tinha sumido, então estava se perguntando se era um pedido de socorro verdadeiro ou apenas um modo de chamar sua atenção para algo maior.

E, ao olhar ao redor, soube sua resposta. Um corpo estirado no chão. Procurou Hoseok com o olhar, estava assustado e com medo. Será que teria o mesmo destino? Encontrou o outro encostado na porta que agora se encontrava fechada. O olhar estava ameno, como se não sentisse culpa do que tinha feito.

— O que... — começou, mas não sabia ao certo o que falar. Pânico.

— Você não gritará ou questionará. Poderá sentir tudo, menos se desesperar e gritar por socorro — Hoseok ordenou, olhando no fundo dos olhos de Jeon, hipnotizando-o pela primeira e provável última vez. O humano só soube assentir.


(...)


Já fazia algumas horas que estavam na cozinha da casa. Hosek sentado na cadeira contando sua história de vida, enquanto Jeongguk andava de um lado pra outro ouvindo tudo. Ele estava livre para reagir da forma que quisesse, menos se desesperar. Então, como sempre fazia ao ouvir informações demais, ficava ansioso, e para ajudar a processar tudo andava de um lado para o outro.

— Então resumindo, eu sou uma das dezenas de cópias da primeira pessoa que amou. Isso porque você fez um feitiço para tornar vocês dois eternos e ele recusou depois de você já ter usado em si, e assim a natureza, te punindo por ter quebrado o equilíbrio natural, resolveu fazer essas cópias para te atormentar e também para equilibrar já que usou o sangue de vocês dois. E depois de anos sofrendo por achar que meu primeiro eu te traiu, transformou-se em vampiro para ter um meio de esquecer tudo e assim matar toda a linhagem de sangue e então poder viver “em paz”.

Hoseok somente assentiu em silêncio enquanto ouvia aquele resumo. A calma preenchia o seu ser e pensamento a cada segundo que ficava na presença do outro. Só queria pôr seu plano em prática, mas ao mesmo tempo não se lembrava dele. Lembrava-se de que ali era só uma cópia para lhe atormentar, mas ao mesmo tempo tinha vontade de conhecer a nova personalidade e entregar-se novamente ao amor, porque no fundo ele amava e amaria eternamente Jeon Jeongukk. 

— E, para terminar você acha que por eu ser sobrenatural estamos aqui conversando, apesar de você ter me hipnotizado para não correr. Fora que também é o motivo de você se sentir esperançoso e em paz ao meu lado e desse modo não ter coragem para me matar e prosseguir com seu plano diabólico.

— Exatamente.

Por um segundo Jeon parou, dando tempo para ambos pensarem em tudo o que havia sido discutido. Jung estava dividido entre encontrar dentro de si toda sua escuridão para assim acabar com aquilo de uma vez, para quando estivesse longe do outro não ter todos aqueles pensamentos e sentimentos desagradáveis enquanto que a parte boa e sentimental estava ali lhe pedindo para dar uma chance ao que a eternidade lhe trouxe, dar a chance para se apaixonar de novo, mesmo que pelo mesmo rosto. Porque só ele podia lhe tirar toda a angústia, seja vivo ou morto. E melhor vivo para que a culpa de matar mais um não assolasse num futuro.

Já Jeongguk estava dividido em muitas coisas, medo de ser morto, confusão por ser uma cópia sobrenatural de alguém, ter um vampiro em sua frente e saber que tudo isso é possível. Mas o pior era saber que, de alguma forma, estava ligado ao outro presente e por isso não conseguia fugir, a hipnose não era nada perto da força magnética que pedia para estar ao lado do outro.

Inclusive dúvida que a hipnose funcionasse em si, porque dentro dele, desde o primeiro momento que chegou na calçada da casa e viu Hoseok, não sentiu vontade alguma de fugir ou sair de perto do mesmo.

— Você já parou pra pensar que o fato do meu eu da sua época ter recusado é porque ele tinha noção da consequência que traria? Já pensou que além de ter uma cópia dele, haveria também uma sua? — Jeon resolveu colocar em voz alta aquilo que pensou ao ouvir o drama que Hoseok tinha feito enquanto falava do momento em que houve a suposta traição.

— Isso... você... — Jung não sabia o que falar ou pensar. Pela primeira vez na presença do humano ele se encontrava confuso e irritado, mesmo não conseguindo expressar o suficiente para demonstrar os sentimentos — Acha que eu me enganaria?

— Acho que você mesmo não percebeu o quão egoísta é — começou sem pensar nas consequências, e de fato não pensou que um de seus medos sobre o momento poderia acontecer.

Hoseok já lhe segurava, prensando-o na parede do cômodo, com a mão envolta do pescoço, pronto para sufocar o humano. Os olhos alterados, com as veias em volta destes realçadas.

— Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito? — alterado era como se encontrava. Se tinha uma coisa lhe tirava a paciência era alguém dizer que estava enganado esse tempo todo, e que o outro não havia traído sua proposta de amor eterno. E não perdoava ninguém que disse o contrário, nem mesmo se fosse a cópia de Jeon.

— Para e pensa — Jeongguk começou a dizer, mesmo que de forma ofegante e quase inaudível — Ele mesmo lhe disse que poderia dizer quantas vezes fosse possível que te ama, ele quis dizer sobre a eternidade. Mas mesmo assim não quis fazer um feitiço que não tinha retorno, que o mataria e voltaria a vida como alguém que jamais morreria.

— Mas era esse o plano — vociferou chegando mais perto ainda de Jeon, quase se unindo ao mesmo. Ah, como ele estava irritado. Não haveria presença alguma que o acalmaria.

Porque se fosse verdade aquele raciocínio; e Jeon Jeongguk, seu amor, não aceitou o feitiço por saber das consequências, sua vida imortal teria sido em vão. Porque assim ele teria matado uma linhagem de sangue inteira por acreditar que era traição, enquanto poderia ter deixado viver e assim aproveitar os momentos com todos os outros supostos Jeon, enquanto pudesse ficar perto sem causar suspeitas ao perceberem que não pode envelhecer.

Se fosse verdade, ele sofreria mais ainda de culpa e rancor de si mesmo, porque poderia ter sido feliz todo esse tempo, com a humanidade ligada e nem mesmo ter se transformado em vampiro, poderia aceitar que mesmo não tendo o outro eternamente do seu lado por todos esses anos, ao menos teria por breves momentos, e assim sempre aguardaria o tempo certo de tê-lo em seus braços.

— Mas as consequências desse plano seria sempre ter uma cópia dos dois andando pelo mundo, e talvez isso poderia causar algo pior que a eternidade. Não sei o que seria pior que viver pra sempre sabendo que a pessoa por qual se tornou assim também vive só que sem te amar, ou sem você amar ela. E ainda tendo que encontrar cópias e mais cópias de vocês passando pelo mesmo. Não seria melhor viver como um humano, fazer juras de amor eterno e morrer velho com a pessoa do seu lado, sabendo que o amor viveria mesmo sem ambos estarem vivos?

Hoseok afrouxou a mão que estava envolta do pescoço e desceu para o ombro, segurando ali. Confuso e com medo de admitir que nunca houvera uma traição e sim, pelo visto, um modo de proteger Hoseok.

— Você não entende — disse chateado, porém ainda assim irritado — Amávamo-nos incondicionalmente. E eu só queria viver para sempre, por milhares de anos e sempre tê-lo do meu lado. Você sabe o que é viver por séculos e querer contar tudo o que aconteceu para uma pessoa. Tantas mudanças e coisas que aconteceram e eu só queria contar para ele no final e dizer que o amava.

Desabafou, quase chorando, lembrando de todas as vezes que escreveu uma carta para Jeon Jeongguk, que nunca chegariam no destinatário. Contando todos os feitos e vitórias, com ilustrações das épocas e como estariam se vestindo, todas as invenções magnificas que teriam juntos. Todas aquelas cartas que escrevia e queimava depois, somente para tentar apagar aquele desejo, mesmo que estivesse com a humanidade desligada, seu inconsciente ainda necessitava e lembrava do amor.

— E você tem a eternidade para amá-lo, Hoseok — Jeon não iria desistir de tentar fazer o outro enxergar tudo o que viveu e que poderia ter vivido se não fosse seu egoísmo — Você teve ele inúmeras vezes por esse tempo, podendo amar pela eternidade. Teve a chance de reconquistá-lo e ver seu rosto várias vezes, assim como está me vendo agora.

Aquilo fora o fim. Escutar alguém jogando na sua cara o que mais temia. Isso porque já haviam questionado sobre a suposta traição. Mas ele sempre mandava a pessoa esquecer, ou, na maioria dos casos, matava. Sabia que a culpa de saber que Jeon tinha lhe amado e protegido seria a pior das dores que poderia sentir.

Por isso tinha que fazer o necessário. Ouvir aquela voz e ver aquele rosto lhe jogando isso na cara era cem mil vezes pior que qualquer outro dizendo. Além de ser impaciente, nervoso e irritado, também era impulsivo, creio que devido aos outros pontos fracos. E, por causa disso, não soube se controlar por um segundo.

— Hoseok... — Jeongguk tentou falar, mas, tomado por um misto de sensações, não conseguiu. A dor por ter os dentes do vampiro fincados em suas veias do pescoço lhe tirava de órbita. Sentia tudo formigando e aos poucos ia perdendo as forças.

Jung só conseguia pensar no quanto aquele sangue era bom e apagava qualquer tipo de sentimento ou pensamento. Apagava a culpa que caia aos poucos, apagava as memórias ruins de pessoas que matou ou torturou, apagava as lembrança que até determinado momento odiou.

Estava tudo sumindo enquanto drenava o corpo da cópia de alguém que amava.

Como se fosse mais uma peça do destino, ao beber quase todo o sangue do corpo de Jeongguk, sentiu culpa e remorso novamente ao ver o corpo mole e perdendo a vida. Começou a se desesperar, por estar matando novamente mais um daqueles que recebeu de presente para amar.

Como odiava ter humanidade, ter sentimentos. Estava aberto a tudo, a todo tipo de reação, principalmente a mudanças de humor.

— Não, não — negou segurando o corpo, sentia-se tonto ao ver a cena — Eu vou curar você. Volte pra mim.

Estava a chorar vendo os olhos começarem a se fechar. Num ato rápido, mordeu o próprio pulso e colocou por cima da boca do outro, obrigando-o a beber do mesmo.

Conseguiu sentir por alguns segundos o sangue ser sugado. Mas logo apagou, caindo ao lado do corpo de seu antigo “inimigo”.


(...)


Muitas vezes não é possível explicar o subconsciente. Não era possível explicar a fraqueza e entrega de Jeon Jeongguk ao estar com Jung Hoseok. Assim como era impossível explicar toda bipolaridade e impulsividade que a humanidade trouxe para o vampiro.

Ainda mais impossível explicar o motivo de, ao acordar, Hoseok estar humano novamente e Jeongguk ainda vivo.

Não que importasse muito, Jung estava vivo novamente e ao lado de alguém que poderia amar. E Jeongguk estava vivo ainda e ao lado de alguém que apesar de não conhecer, sentia vontade de conhecer mais e dar uma chance, mesmo vendo os corpos no chão e quase ter se tornado um desses.

Fosse isso motivo de ser um doppelganger ou não.

O primeiro Jeon deu-lhe um presente, e agora Hoseok poderia dar-se a chance de consertar tudo o que havia feito e apaixonar-se novamente por aquele rosto e por uma pessoa que poderia ser incrivelmente apaixonante internamente também.

Hoseok poderia viver o amor eterno de forma humana, e faria de tudo para não perder a oportunidade. Assim como Jeongguk estava disposto a dar uma chance ao outro, mesmo que este tivesse todo um milênio de bagagem.


Notas Finais


Primeiro, agradecer a @itsfly pela capa, foi um pouco complicado, mas conseguimos deixar perfeita a imagem da fanfic, e a @koalamoon com a betagem magnifica dela, eu sou apaixonada pelo método de betagem, segunda vez que ela beta e eu consigo aprender mais sobre escrita
E aí, o que acharam? Ficou bem plot twist né, espero que a confusão mental de Hoseok tenha confundido vocês tanto quanto a mim HAHHA, mas foi bem isso que quis passar
Fora a intensidade de tudo, enfim, obrigado por ter lido, e vejo vocês na proxima fanfic
Entrem no @jhistory, para mais fic's sobrenaturais e de outros temas também <3

Avaliação: @BaeHee


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