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História Inferno no Céu (VHOPE) - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Como a maçã do Édem


Fanfic / Fanfiction Inferno no Céu (VHOPE) - Capítulo 3 - Como a maçã do Édem

08 de Agosto, 1666 d.C.



Os dias estavam extremamente mais lentos, como se as horas houvessem se estendido, as pessoas estavam assustadas, com medo, sem entender o que estava acontecendo na cidade. De um dia para o outro mais de uma dúzia de pessoas passou a ser acusada de bruxaria, de praticar rituais satânicos, e até mesmo de possessão demoníaca. Os londrinos estavam histéricos.

Alguns dos anjos tentavam de toda forma abafar a situação, manter o controle por assim dizer, apagando a memória daqueles que presenciaram os atos de violências dos demônios, dos anjos aniquilando cada um deles, enquanto Lúcifer destruía o que restou da cidade com suas próprias mãos.

Ele falava com as pessoas, se tornava íntimo delas, conseguia a confiança e as persuadia. Afinal, quem desconfiaria de um rostinho tão bonito?

Passou a fazer os seus tão famosos acordos, um favor por outro favor, e não pense que o diabo vai esquecer da sua divida.

- Eu odeio o sol – Hoseok resmungou, forçando a vista – É quente e faz os meus olhos arderem, eu me sinto como a merda de um vampiro.

- Você deveria estar acostumado, praga – Jungkook respondeu com um riso irônico – Você veio do inferno, o sol não deveria ser um problema para você.

- Não é porque eu vim do inferno que eu esteja acostumado a queimar, Lúcifer! – se alterou, paralisando quando o diabo se virou para encara-lo, o repreendendo apenas com um olhar – Me desculpe, senhor.

- Senhor o caralho, é Jungkook! – o timbre de sua voz fez o demônio se encolher.

- Me desculpe, Jungkook – pediu outra vez, se autocorrigindo.

- Muito bem, cão – virou-se, dando as costas para o demônio que agora suspirava de alívio. O diabo continuou a andar, sorrindo ao avistar a igrejinha.

- O que pretende fazer, Jungkook? – perguntou o outro, se deixando levar pela curiosidade.

- Ir até lá, oras – o olhou como se fosse óbvio – O reverendo e eu temos contas a acertar.

- Na igreja? – franziu o cenho, não ousando dar nenhum paço naquela direção – Vai pedir perdão pelos seus pecados, senhor das trevas? – sorriu com deboche.

- Eu sou o pecado, Hoseok – respondeu com um sorriso sarcástico – Não tenho pendências com o meu pai, mas sim com os humanos dele – suspirou dando um passo a frente – O reverendo me deve um favor e eu estou indo até lá cobra-lo.

- Na igreja?

- Ah, eu não lhe contei – sorriu travesso – A igreja é minha agora. Você sabe, um lugar cheio de pecados não é uma casa do senhor.

Hoseok assentiu, parado no lugar, ainda sim, recusava-se a chegar perto demais da construção. Seu cerne doía só em pensar naquilo, na estrema agonia e angustia que sentia ao ouvir as palavras de cristo, preferia esperar do lado de fora.

- Vai ficar aí?

- Você não vai querer que eu entre, sabe como eu reajo a coisas sagradas – justificou, pedindo mentalmente para que o diabo concordasse e seguisse o caminho sem ele.

- Tem razão, você costuma ser bem irritante – assentiu com a cabeça, franzindo o cenho enquanto o encarava – Vá atrás de um pobre coitado para atormentar – lhe deu as costas outra vez, caminhando confiante em direção a igreja.

Hoseok esperou até ele por os pés no jardim, dando passos lentos até estar finalmente na porta, e então entrar. Suspirou, seguindo o caminho oposto e foi quando ouviu o badalar dos sinos, indicando o início da missa de domingo.

O demônio perambulou pelas ruas, observando atentamente cada alma, cada ser vivo que passava por ele, grande maioria em direção a igreja, podia sentir o cheiro de medo, de fome, de esperança vindo deles, e principalmente, podia sentir o cheiro da fé, de pureza, era um cheiro forte, lhe causava um arrepio na boca do estômago.

Dizem que o maligno só atenta aqueles que estão perto de Deus, aqueles que não se deixam abalar, e isso é verdade, é muito mais revigorante e desafiador conseguir uma alma cristã, do que uma alma que já é impura.

- Com licença, será que você pode me levar até a igreja? – uma senhorinha perguntou, usava uma bengala para ajudar a andar, os anos não haviam sido nenhum pouco generosos com ela – Meu filho não pôde me acompanhar hoje, será que você poderia? – ela sorriu mínimo, os olhos estreitos, e os fios brancos de seu cabelo presos por um rabo de cavalo.

- É claro – Hoseok sorriu, sentindo o cheiro intenso da pureza vindo dela, estendeu o braço para que ela se apoiasse – Mary, não é? Como a mãe do nazareno...

- Sim, mas como sabe o meu nome? – perguntou, confusa.

- Um mero palpite – sorriu simpático, acompanhando os passos lentos da mulher – A senhora vai à igreja todos os domingos?

- Sim, e acredito que você também.

- Ah, não – riu fraco – Não, eu não vou a igreja – era engraçado só de pensar em um absurdo desses.

- Mas você acredita em Deus, eu suponho – murmurou, atenta a cada passo dado.

- Depende, acreditar em Deus significa acreditar no inferno e em nosso senhor satanás? – perguntou curioso, vendo a expressão da mulher mudar drasticamente de confusa para assustada.

- E-eu acho que sim.

- Então sim, eu acredito no seu Deus – sorriu simpático, avistando a igreja.

- Você é católico? – ela perguntou, o demônio podia sentir a confusão dela.

- Não, isso é impossível.

- Por que?

- Digamos que eu sirva a outro senhor.

Ela o olhou assustada, prendendo o ar ao fitar cada detalhe do rosto daquele jovem, se perguntando do que ele estava falando ou até onde ele levaria aquela conversa.

- Você é um bruxo? – perguntou em um sussurro.

- Um o quê? – perguntou levemente ofendido – Eu não sou um bruxo, não me rebaixe desta forma, senhora, por favor.

- Então o que você é? – perguntou parando em frente a igreja.

Hoseok sentiu o chão queimar seus pés, grunhiu fitando a estrutura com desprezo, enquanto se afastava até estar em uma distância considerável do solo sagrado. Pelo visto, nem Lúcifer era capaz de fazer um demônio entrar na igreja.

- Eu sou um servo do diabo – respondeu, arrumando suas roupas, ela recuou alguns passos arregalando os olhos – Um demônio.

Foi preciso apenas mostrar os olhos demoníacos, vermelhos como o fogo do inferno, para assustar a pobre senhora, quase a matando do coração. Hoseok riu diante daquela cena, a observou correr para dentro da igreja gritando ter visto o diabo, apenas aquilo foi o suficiente para começar uma segunda histeria na vila, e de repente todos ali diziam ter visto um demônio ou o próprio diabo. Hoseok não poderia estar se divertindo mais.

Jungkook por outro lado, mal podia acreditar que deixar Hoseok sozinho por cinco minutos causaria tanto estrago. Ele conseguia ser tão ruim quanto o próprio capeta.

- O que você fez? – Jungkook perguntou ao passar pela porta do chalé, avistando Hoseok jogado na cadeira perto da lareira, fitando a lâmina de uma faca, tão concentrado que mal notou a presença do outro.

- Eu não fiz nada – respondeu, passando o dedo pela lâmina até o punhal.

- Sério? Então pode me dizer o motivo de uma velha ter entrado na igreja aos berros, dizendo ter visto o diabo? – caminhou até ele.

- Ah, isso – rolou os olhos entediado – Ela perguntou o que eu era, eu disse que era um demônio e a velha surtou – deu de ombros, balançando a faca no ar.

- Você é terrível – resmungou, lhe tirando a faca e a jogando no fogo da lareira.

- Como foi com o reverendo? – se levantou, abaixando-se ao lado das chamas, grunhindo antes de estender a mão e tirar a faca de lá. O fogo causava sim uma sensação de queimação, mas não era capaz de feri-lo.

- Melhor impossível – suspirou, sentando-se onde o outro estava antes – Ele até me deu o dinheiro do dízimo – riu, tirando de dentro do paletó, um saquinho pesado de moedas.

- Está roubando dos pobres? – perguntou num tom irônico.

- Não, ele estava – ergueu o saquinho vermelho, o fitando com atenção por um tempo – Eu estou apenas o punindo, tirando o que ele mais valoriza, o dinheiro – jogou o saquinho no chão desinteressado – Estou entediado, Hoseok.

- Eu também – resmungou, pressionando a ponta da faca em sua mão até ver o sangue – Vamos embora, Jungkook – pediu, assistindo a ferida cicatrizar tão rápido que mal pode sentir – Vamos voltar para o inferno, Lúcifer, por favor – choramingou, fitando o teto do chalé por um ou dois segundos antes de fechar os olhos.

- Não – respondeu alto o suficiente para assusta-lo. Hoseok abriu os olhos assustado, mas não com a voz de Lúcifer, e sim com a presença de outra criatura.

Se sentou rapidamente, os olhos do demônio se cruzaram com os do diabo, ele também sentia, sentia o cheiro e o peso daquela presença.

- Lúcifer – Ariel chamou, caminhando até ele. O diabo sequer teve tempo de saber por qual direção que ele vinha.

- Ah, mas que inferno – resmungou, apoiando um dos cotovelos no braço da cadeira, passando a mão no rosto irritado – O que foi agora, Ariel? Vai me arrastar de volta para o inferno?

- Não, Lúcifer. Eu realmente não me importo com você, o que eu quero é voltar para casa, mas com você aqui isso se torna muito mais difícil.

- Assim você me magoa, irmãozinho.

Hoseok cruzou as pernas o encarando, balançou a faca no ar e não poupou esforços ao atira-la na direção do anjo, rindo quando ele a segurou pela lâmina e ainda sim, não escorreu uma gota sequer de sangue.

- Qual o seu problema? – perguntou lavando o olhar para o demônio.

- Não liga, ele não tem controle sobre seus atos – o diabo murmurou, encarando Hoseok como um pai cansado olha para seus filhos.

- Sei – o anjo grunhiu, atirando a faca de volta, forçando o demônio a segura-la antes que atingisse seu rosto.

Hoseok não conteve a risada ao ver seu sangue escorrer pelo antebraço, largando a faca no chão e esperando que cicatrizasse.

- Lúcifer, você precisa voltar para o inferno antes que a situação piore, tenha o mínimo de senso, por favor.

- Você é tão chato – se levantou, passando por ele até a garrafa de rum em cima da lareira.

- Eles estão irritados com você e com a sua teimosia – insistiu o anjo, observando o diabo virar a bebida em dois goles – O seu lugar não é aqui...

- E onde é o meu lugar, Ariel? – perguntou irritado – Onde? No inferno? Porque a alguns milênios atrás o meu lugar era no céu, então, me diga, irmão... – se aproximou, apertando com força a garrafa – Onde exatamente é o meu lugar?

- No inferno, onde Deus quer que você esteja!

- Deus não manda em mim! – gritou, atirando a garrafa contra a parede, a fazendo se despedaçar em centenas de pedaços.

O anjo sequer piscou. Não se intimidava com as atitudes de Lúcifer, digamos que já estivesse acostumado com a criancice constante do irmão.

- Você vai voltar. Querendo ou não, você vai – respondeu, aproximando-se dele – Agora cabe a você, decidir se vai ser do jeito fácil ou do jeito difícil.

- Eu vou fazer de Londres um inferno – pronunciou, palavra por palavra, mal tendo controle sobre a cor rubra que pintou os seus olhos em questões de segundos.

Ariel bufou, deixando o tom azul brilhar em seus olhos como resposta. Se Lúcifer queria brigar, então eles brigariam.

- Certo, meninos – Hoseok se levantou aos tropeços, se metendo no meio dos dois estressadinhos, sentindo uma pitada de medo ao se tornar o centro das atenções – Vamos nos acalmar.

- Você é muito abusado – Taehyung resmungou, levando o olhar até Hoseok.

- Foi você quem chegou aqui querendo ditar ordem, o abusado é você, meu anjo – apontou para ele, arqueando as sobrancelhas.

Jungkook riu, dando as costas para os dois, era inacreditável a ousadia de Hoseok.

- Deixa ele, praga – gesticulou, voltando a se sentar – E me traz uma dose de gim.

Hoseok suspirou o olhando com deboche, antes de seguir até a bandeja de bebidas na mesinha de canto, servindo uma dose generosa de gim ao seu mestre.

- Você já pode ir, Ariel – Jungkook voltou a atenção para ele, o fitando com descaso.

O anjo levou o olhar do irmão até o demônio, o fitando dos pés a cabeça antes de lhe dar as costas, caminhando em direção a porta.

Hoseok o observou com um sorriso convencido no rosto, voltando para o meio da sala, recolhendo a faca do chão e a fitando por alguns segundos, ampliando seus pensamentos enquanto a girava em suas mãos.

- Que olhar é esse? No que está pensando? – Jungkook perguntou, o tirando daquele pequeno transe.

- Você não vai querer saber – sorriu travesso, negando com a cabeça.

- Sei – arqueou as sobrancelhas, levando o copo até os lábios.

(...)

Quando a noite caiu, o demônio agradeceu a todos os círculos do inferno, por poder perambular pelas ruas sem se preocupar com o maldito sol, prejudicando todos os seus sentidos.

Caminhava sorrateiramente, atento a todos os cantos, demônios são observadores, cautelosos. A quem acredita que eles são como animais, que agem com selvageria, e só pensam em fazer o mal, esta afirmação não está totalmente errada, mas à um porém, demônios não são nenhum pouco burros, claro que eles podem ser selvagens e muito maus quando querem, mas também são ardilosos, são astutos e bastante observadores, eles sabem o que fazer e quando fazer, sabem como conseguir o que querem e por isso são tão perigosos, nem todos os demônios irão surgir em forma de besta para você, alguns irão se meter na sua vida e bagunça-la sem que você ao menos perceba.

Entretanto, as razões para Hoseok estar vagando naquela madrugada fria eram diferentes das noites anteriores, não estava atrás de uma alma para atentar, de vidas para bagunçar, na verdade ele estava atrás de um anjo, anjo este que o acompanhava de perto sem que ele soubesse, ou pelo menos Ariel achava que sim.

O demônio sabia da presença do anjo, ele à sentiu poucos minutos atrás e se perguntava mentalmente quanto tempo ele continuaria o observando. Como eu disse, demônios são astutos.

Seguiu calmamente, contendo o sorriso ao desaparecer em um beco escuro, rápido o suficiente para despistar Taehyung. Agora parado logo atrás dele, não conseguia deixar de achar aquilo extremamente engraçado.

Se aproximou sorrateiramente, notando a confusão dele ao perceber que havia o perdido de vista.

- O que está olhando? – perguntou ao pé de seu ouvido, o fazendo saltar, como um gato assustado.

Hoseok riu alto, recebendo o olhar irritado do anjo. Só o diabo sabe o quanto aquilo foi engraçado.

Ariel era bobinho demais, quase que inocente, e Hoseok percebeu aquilo, ele não era um anjo como os outros, não era como Ezequiel ou Miguel, não parecia um grande guerreiro, ainda que lutasse como um, ele estava apenas seguindo ordens. Porque Ariel era na verdade a pureza em sua melhor definição.

- Por que estava me observando? – Hoseok voltou a perguntar, notando a irritação do outro.

- Eu não estava.

- Estava sim, eu vi você – sorriu divertido.

- Vai embora daqui antes que eu decida te matar – grunhiu irritado, lhe dando as costas.

- Se você quisesse me matar já teria feito, não pense que consegue me por medo assim tão fácil, a não ser que você seja o diabo – se sentou no parapeito da construção, o observando com toda atenção do mundo – Por que estava me observando? – voltou a perguntar.

- Estou apenas seguindo ordens, não leve para o lado pessoal – respondeu, com um suspiro, apoiando-se na parede oposta.

- Por que não me mata logo e poupa esse trabalho? – cruzou os braços, tombando a cabeça para o lado, um tanto curioso.

- É o que eu deveria fazer, não é? – suspirou, desviando o olhar – Você é irritante, abusado, perigoso...

- Incrivelmente sexy.

- Convencido – revirou os olhos – E um assassino sanguinário.

- Essa é a minha melhor qualidade.

- Não é uma qualidade – balançou a cabeça em negação – É um dos motivos para eu precisar de matar.

- E quais são os motivos para me deixar vivo?

- Não sei – deu de ombros – Estou tentando descobrir.

- Eu posso lhe dar um ótimo motivo para me deixar vivo – sorriu sugestivo, recebendo o olhar de reprovação do anjo.

- Vai pro inferno.

- Bem que eu queria.

- Por que você e Lúcifer não voltam logo para o submundo? – perguntou cansado daquilo, fazia dias que estava na terra, observando o diabo e o demônio, queria apenas voltar para o céu o mais rápido possível.

- O senhor das trevas gosta da terra, ele gosta das coisas mundanas.

- Você também gosta? – sua voz soou baixa, era perceptível a timidez do anjo.

- Depende. Quais tipos de coisas mundanas? – sorriu travesso. O anjo o olhou, recusando-se a responder. Hoseok revirou os olhos diante daquela vergonha exagerada que o outro sentia – Você pode dizer sexo, sabia? Pode falar sobre os prazeres da carne e sobre todas as outras depravações, falar não é pecado.

- Me diga como é – ele se aproximou de Hoseok, mantendo-se em uma distância segura, surpreendendo o demônio com aquele pedido tão repentino – Eu quero saber.

- Se quer tanto, eu posso lhe mostrar – sugeriu, viu uma confusão no rosto do loiro, que logo desapareceu para dar lugar a um semblante assustado.

- Não – negou com a cabeça – Não quero que me mostre nada, quero apenas que me diga.

- Uma pena, na prática é bem mais divertido – murmurou desapontado – O que exatamente você quer saber? – perguntou, indo em direção ao anjo – Quer saber como é beijar? Como é tocar? Ou quer saber como é transar?

Taehyung prendeu a respiração, desviando o olhar, arrependendo-se amargamente por ter feito aquela pergunta. Hoseok apenas sorriu ladino, atrevendo-se a levar uma das mãos até a do anjo, subindo seus dígitos pelas costas de sua mão até o antebraço.

- Quando alguém toca você, e percorre todo o seu caminho com a palma das mãos, você sente um frio na barriga, um arrepio na espinha – murmurou, subindo a palma pelo braço dele, sorrindo quando o viu cerrar os punhos na intenção de se controlar – Sua pele começa a formigar, seu corpo começa a pedir por mais e só torna mais difícil de resistir – a voz arrastada de Hoseok, fazia o anjo se perder completamente em sua própria mente, arrepiando-se ao sentir os dedos dele em seu pescoço, acariciando a pele desnuda com seus dígitos.

Era surreal a facilidade que ele tinha de se aproximar do anjo, e sem dificuldade alguma, Hoseok levou a outra mão até a sua cintura. Com um toque singelo, ele se aproximou ainda mais, notando o olhar confuso e perdido de Taehyung.

- Com os toques vem os beijos. Quando a língua escorrega pela outra e misturam os gostos, você sente o sangue ferver e o estômago gelar, é viciante – sussurrou, aproximando seus rostos até o seu nariz tocar o dele – É bom, é gostoso, você deseja mais e mais, apenas sentir o sabor do outro novamente – sussurrou contra a pele de seu rosto. Taehyung apertou os olhos a medida em que ia se deixando levar pelas palavras dele – Mas só é bom quando o outro sabe beijar, quando ele sabe como fazer, sabe onde tocar e sabe o que dizer.

Ele pressionou os lábios, pressionando os dedos contra a nuca de Taehyung, segurando firme a sua cintura enquanto o trazia para perto sem que ele mesmo se desse conta.

- Quer saber como é o sexo? – perguntou ao pé de seu ouvido, afundando os dedos em seu cabelo loiro – Quer saber como é gostoso ter alguém metendo bem forte em você, te fazendo gemer manhosinho, alguém que faça os seus olhos revirarem de tanto prazer, que faça suas pernas tremerem, alguém que te faça gozar tão forte que você vai agradecer a Deus todos os dias da sua vida por essa dádiva, você quer mesmo saber como é ter alguém assim, meu anjo?

Taehyung tremeu, arfando arrastado quando o demônio mordeu o lóbulo de sua orelha, rindo contra a pele de seu pescoço, aspirando o seu cheiro, antes de finalmente se afastar. O soltando tão rápido e simples, da mesma forma como havia o segurado, como se fazer aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.

Hoseok mordeu o lábio, fitando a feição confusa e cada vez mais perdida do anjo, sentindo o seu interior queimar de prazer ao notar o rubor nas bochechas alheia, o azul de seus olhos estava tão claro quanto o dia. Mas de uma coisa o demônio teve a certeza: Taehyung ficava lindo daquela forma.

O anjo piscou algumas vezes até conseguir concentrar todos os seus sentidos, grunhindo irritado antes de jogar o outro contra a parede apenas por querer. Hoseok soltou uma risada divertida, o que só deixou o outro ainda mais irritado, viu o anjo fechar lentamente uma das mãos ao mesmo tempo em que sentia um aperto na garganta, o ar foi lhe faltando e não demorou para estar se contorcendo, enquanto tentava desesperadamente respirar.

- Nunca mais ouse me tocar outra vez, entendeu? Nunca mais! – gritou, voltando a abrir a mão e consequentemente deixando que o demônio voltasse a respirar livremente.

Hoseok não ousou dizer uma palavra que fosse, apenas observou o anjo lhe dar as costas, caminhando em direção a ponta da construção, abrir as asas e pular.

Tinha consciência do que havia feito, do que havia causado no anjo e o quanto aquilo era sério, mas ele não se importava. Realmente não se importava, porque ele não entendia o quão errado aquilo era na cabeça do outro, sequer imaginava a gravidade daquela situação.

Taehyung sentiu-se extremamente culpado por ter deixado aquilo acontecer, o que para muitas pessoas não era nada, para ele era muito.

Não foram apenas toques, não foram apenas palavras, não foi apenas isso, porque ele sentiu, ele quis, ele desejou mentalmente poder ter todas aquelas coisas, e por Deus, a voz do demônio não saía de sua mente por nada, cada palavra dita por ele, cada frase, cada toque, ele tinha tudo gravado em sua cabeça, se repetindo e o torturando, como se estivesse preso em seu próprio inferno.

Ainda sim, ele tentava compreender aquela descrição, por mais difícil que fosse, porque não é fácil entender uma sensação que nunca sentira antes, algo que nunca tenha experimentado antes, e muito menos tenha ousado imaginar. Então, ele só conseguia associar o sexo a algo muito bom e proibido. Como a maçã do Édem.

Mas ao contrário de Eva, Taehyung não pretendia provar do fruto proibido, sua intenção era, na verdade, fugir dele o máximo que conseguisse, e continuar com sua pureza intacta, como deveria ser, como deveria ter sido.


Notas Finais


se eu nao aguento o hoseok dessa fanfic, imagina o Taehyung
deus tenha misericórdia


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