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História Infiel - Capítulo 1


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Notas do Autor


Essa é uma short-fic, de três capítulos inspirada em Unfaithful de Rihanna.
História também postada no Nyah. No mais, façam uma boa leitura.

Capítulo 1 - Ato I


História da minha vida

Acabo de chegar depois de um dia de trabalho, já é tarde da noite e Dan encontra-se dormindo, parecendo tão sereno, que me vejo fazendo malabarismos no quarto, apenas para não o acordar. Mesmo que isto signifique que aquele será apenas mais um dia em que ficarei sem olhar nos olhos do meu marido, sem conversar nem desfrutar um pouco que seja de sua companhia.

Há oito meses, que a pesada rotina de trabalho no hospital me afasta de seus braços. E ele cada vez mais fascinado com seu trabalho na academia, dedicando-se ao que ele acredita ser o futuro de Konoha. Ele continuava tão belo quanto no primeiro dia, embora eu já não me sentisse merecedora de estar ao seu lado, apenas porque não estava sendo suficientemente verdadeira.

Sendo que no fundo, nossa agenda de trabalho inconciliável era o menor dos problemas.

Procurando o que é certo

Estou e frente ao espelho, terminando de me arrumar. Sim, acabei de chegar de um dia cansativo de trabalho, tudo o que deveria fazer era colocar o pijama, e me arrastar para os lençóis, dormir o mais perto que pudesse de Dan, quem sabe ele despertasse, quem sabe suas mãos me tocassem...

Mas, isto nunca aconteceria. Porque eu não passaria a noite ali, duas vezes por semana eu nunca passava. E, Dan se quer estranhava. Bastava eu dizer que havia tido uma emergência no hospital e tudo se resolvia.

Eu nunca achei que ao casar-me com o homem da minha vida as coisas seriam assim: tão pateticamente erradas.

Mas, isso continua me afastando

Agora eu visto o casaco negro sobre os ombros.

Era um modelo de veludo, um pouco pesado demais para o meu gosto. Mas, era o tipo de roupa que ele gostava.

Orochimaru.

Se eu pudesse, ele seria uma página que eu arrancaria da minha vida. Mas, todas minhas ações, acabam me conduzindo até seus braços, mais uma vez. Como nessa noite. Ao invés de estar com meu marido...

Tristeza em minha alma

Uma lágrima escorrega por minha bochecha, quando saio sorrateiramente de minha casa.

E ando a toda velocidade, tendo as estrelas do céu aquela noite como minha única companhia, seus brilhos como testemunha de meus pecados.

O vento gelado aumentando o desconforto que trago em minha alma.

Pergunto-me o que fazia com que eu agisse daquela maneira, mas não tinha resposta, havia me tornado cega, surda e muda a própria razão, a própria coerência.

Casei-me com Dan, porque já não aguentava mais ser refém daquele homem. Mas, meu casamento, ao invés de me afastar de suas mãos, empurrou-me para mais perto do que jamais estive.

Porque parece que o errado

Mesmo de olhos fechados, eu seria capaz de percorrer aquele caminho de qualquer maneira.

Sinto minha pulsação pressionando minha têmpora, todo o medo, todo o receio, toda a vergonha, que minha respiração ofegante, tenta expurgar de minha alma, mas ao fim tudo que resta, é o desejo.

Sobretudo quando chego a porta dele. E, antes mesmo que eu possa bater, essa se abre receptiva a minha presença, seus braços me puxam em sua direção e nossas bocas se grudam: um beijo intenso, sôfrego, desesperado.

Realmente ama a minha companhia

— Eu sabia que você voltaria. – Ele disse daquele jeito cínico que apenas ele é capaz. Minha vontade é empurrá-lo contra a parede e esmurra-lo até que ele deixe aquele sorriso arrogante de lado, mas ao invés disso, sorrio-lhe da mesma maneira, enquanto tento lhe dirigir um olhar de desdém.

— Você sempre diz isto, tem medo que eu não volte. – Eu lhe digo, mas sinto minhas palavras se enrolarem na língua, de um jeito não muito convincente, eu nunca fui boa em joguinhos...

— É você diz que não vai voltar! Mas eu sei que irá. – Ele diz e novamente nossas bocas se grudam. Estamos em um dos seus cinquenta esconderijos que havia em Konoha. Esse é mais ajeitadinho do que o outro, um chalé escondido no meio da floresta, uma cama, uma lareira, duas taças de vinho... – Os detalhes vão se desvanecendo da minha mente.

Eu sei que tenho de tentar lhe dar uma resposta à altura, mas meu corpo trai qualquer palavra que eu pudesse dizer, quando sua boca alcança meu pescoço, e um gemido escapa de meus lábios.

Ele é mais do que um homem

— Eu sabia que ficaria perfeito em você. -  Ouço-o dizer, enquanto seus dedos deslizam pelo casaco de veludo que estou usando.

Um arrepio percorre minha pele, quando sinto seu toque frio. Suas mãos sempre gélidas, seu corpo não transmite calor, mas mesmo assim aquece-me como nenhum outro.

Isso fica implícito, quando ele retira minha blusa carmesim, e sua boca serpenteia todo meu corpo, passando entre os seios, mal contido pelo sutiã vermelho que estou usando. Um contraste perfeito com minha pele alva, que agora está à mercê de sua boca voraz.

Sinto sua língua deslizar em torno de meu umbigo, e eu fecho os olhos quando ele toca o ponto, sabendo se tratar de meu principal ponto fraco.

E isto é mais do que amor

A primeira vez que estivesse em seus braços, éramos apenas duas crianças brincando de ser adultas. De lá para cá, um eterno jogo de gato e rato.

“Nem mesmo você irá mudar o que eu sou, Tsunade”. – Essas sempre foram suas palavras, mas eu era teimosa demais para aceitar a derrota.

Orochimaru era uma pessoa estranha, de caráter dubio, cínico por natureza, eu nunca deveria ter me rendido para ele, mas tudo isto acabava atraindo-me, e aqui estava eu... Permitindo que ele abrisse o zíper da minha calça cor de caqui, e deslizasse o tecido por minhas coxas roliças.

Mas, seus olhos frios, são tomados por um brilho luxuriante, e eu me sinto a mais bela das mulheres, por ao menos lhe provocar isto.

A razão pelo qual esse céu é azul

Ele segura minha mão e me instiga a girar para que ele contemple, as curvas de meu corpo adornadas por uma simples lingerie vermelha: sim era um modelo bastante simples de seda, sem rendas nem enfeites.

— Dança para mim, Hime. – Eu o ouço pedir, e aquilo me deixa um tanto perplexa, já que Orochimaru nunca me pedia absolutamente nada.

Penso em dizer-lhe não. Mas, acabo aceitando o convite, mesmo ciente de que sou uma péssima dançarina, ainda mais quando não há música, mas eu sei o tipo de música que ele quer, o tipo de música que apenas nós dois podemos ouvir, o tipo de ritmo que só nós dois temos, o tipo de coreografia que apenas nós dois executamos, e assim por diante...

Me vejo jogando os quadris languidamente, enquanto mantenho o contato com seus olhos, minhas mãos deslizam pelos meus seios numa carícia profana, depois pelo abdômen a ponta de meu indicador, alcança a calcinha, e eu puxo o tecido como se fosse tirar, mas não cumpro a expectativa.

As nuvens estão passando

O ritmo de meu quadril se aumenta, e eu giro em meu próprio eixo, jogando meus cabelos para o alto, e o serpenteio fazendo questão de vez ou outra esbarrar nele, para que ele lembrasse que eu estava ali, quase que a sua disposição.

E sabendo disso, ele detém meu movimento, quando eu decido rodopiar em seu torno e puxa-me para seus braços. Minha longa experiencia, ensinou-me que ele não pretende esperar nem mesmo um segundo.

Novamente nossos lábios, se grudam, o sinto abrir o fecho do meu soutien, eu fecho os olhos esperando por seus lábios em meu mamilo, mas ao invés disto, sua boca desce mais uma vez por meu abdome, e vai na direção da minha virilha, e então sua boca se enrosca no tecido e ele puxa de um jeito que me faz soltar um grito de êxtase.

Porque eu fui outra vez

Sua língua desliza pela minha vagina, e eu recomeço a dançar, só que sob o ritmo de sua língua, que conhece o compasso, para acabar com o restante de minha sanidade.

No fundo ele tinha razão:

 “Você pode casar-se com quantos homens quiser, mas é a MIM que você pertence”.

Então sua língua enrosca-se em meu clítoris, ao mesmo tempo que seus dedos brincam com meus seios, e antes que eu possa ter controle, me vejo gemendo seu nome.

E para ele eu não consigo ser verdadeira

Sinto-o me conduzir em direção a cama, que ocupa o centro de praticamente todo o espaço, meu corpo cai sobre o colchão com o dele sobre mim, sua boca lascívia continua deixando um rastro em minha pele de saliva e vermelhidão.

E, tudo que faço e fechar os olhos sentindo, seu toque tornar-se mais profundo e exigente. Então o sinto abrir as calças, o cheiro de sua masculinidade preenche meu olfato, e eu abro os olhos, ao mesmo tempo que ele me cobre com seu corpo, buscando o encaixe, que não demora a encontrar.

Nossos corpos se tornam um, e aquele é apenas o primeiro ato... Que continuara nos empurrando para uma vida clandestina, que o próprio Orochimaru fez questão de jogar na minha cara: que a escolha foi minha, e quanto a isto eu não tinha argumentação.

Eu Sei que ele sabe que eu sou infiel

De todos os meus maiores defeitos, com certeza eu nunca fui uma boa mentirosa.

Sempre fui verdadeira em cada poro, e isso mais da metade da minha vida, custou-me muito caro.

Orochimaru não é o homem de meus sonhos, ele tem uma sombra, uma escuridão que não posso compactuar. Foi tentando fugir disto que aceitei que Dan entrasse em minha vida. Até Jiraya havia me dito que ele não era homem para mim. Mas, eu queria qualquer homem menos Orochimaru.

E contraditoriamente, o único que ocupa meu coração é ele.

Ao invés de ir para casa, vou direto para o hospital.

Fisicamente dolorida, emocionalmente eufórica, moralmente abalada.

Tudo isto me deixava em frangalhos.

Mais duas cirurgias, outras quatro emergências, dia difícil, e mesmo assim nunca me distraio o bastante, para não pensar no que havia feito de novo, pela centésima vez.

Sai sorrateiramente de minha casa, deixei meu marido dormindo, para... Um rubor cobre minhas bochechas quando penso em tudo que fizemos, pergunto-me o tipo de mulher que me tornei.

E isto está matando-o por dentro

Fico grata quando chega a hora do almoço.

Não é que eu estivesse com tanta fome assim.

Mas, minha mente distraída, me deixa temerosa de que eu cometa algum erro.

Mantenho-me ainda mais vigilante, e isto deixa-me ainda mais estressada, e eu estou ciente de que quando estressada, eu fico insuportável.

Minha ideia é ir para um canto da sala de descanso, fechar os olhos e tirar uma soneca, para recuperar o sono perdido durante a noite. Aquele cretino, é insaciável.

Quase me animo com essa ideia, quando vejo Dan ali: vindo na minha direção com seu sorriso lânguido, mas há algo de diferente em seu olhar.

— Tsunade, querida... Você não dormiu em casa de novo. – Ele de novo vem com a mesma frase, depois de dar um beijo em minha bochecha, nunca nos beijamos em público. – Fiquei preocupado. – Mas, a gentileza de seu sorriso me nocauteia. Como posso trocar isto por alguém como Orochimaru?

Por saber que eu sou feliz com qualquer outro cara                                                           

— É, o trabalho... – De novo e sempre a mesma mentira, o vejo fechar o cenho, eu era um terrível mentirosa, mas Dan acreditava nas minhas palavras, parte de mim não queria que ele fizesse isto. Mas, todo o resto achava tudo bem conveniente.

— Engraçado, falei com Shizune e ela disse que o plantão da noite foi bem tranquilo... – O ouvi dizer, e aquilo me fez fazer uma nota mental, para amarrar esparadrapo na boca daquela garota, que andava bem rebelde, porque no fundo ela sabia. Que eu me casei com o precioso tio dela, apenas para fugir de outro homem, e que não estava conseguindo. Mas, estava dando o meu melhor.

— Vai duvidar de mim, agora Dan? – Minhas palavras saíram com mais impaciência do que pretendia, de novo o vi franzir a testa.

— Tem razão querida... – O vejo sorri, mas em seus olhos a resquícios de uma dúvida, e eu sei que ele está começando a desconfiar.

Os três primeiros meses de nosso casamento foram o máximo, a realização de um sonho. Mas, então uma missão estúpida de Rank-S, colocou-me de novo perto dele, e tudo foi pelos ares, depois de meu retorno, não voltamos a normalidade e eu realmente me escondia no trabalho no início, mas agora eu o usava descaradamente como álibi.

Eu consigo vê-lo morrer

— Tsuna, eu estava pensando... – O vejo pigarrear exatamente como ele sempre faz, quando vai me pedir algo que acha que eu não vou gostar.

Geralmente, são coisas bobas, como o prato que ele mais gosta para o jantar, ou que eu use a lingerie de uma determinada cor, ou então a sugestão para fazermos um determinado passeio no final de semana, da última vez, ele insistiu que eu o acompanhasse em um evento na academia, e aquele monte de crianças correndo na minha volta, me fez quase ter uma sincope.

— Não está na hora de termos um bebê? – Estamos sentados na cantina do hospital, almoçando. Felizmente eu não havia mordido meu sanduíche de peito de peru, porque certamente eu teria me engasgado... Na verdade, eu me engasguei com a própria saliva, porque aquilo foi no mínimo inesperado.

Ainda mais quando levantei os olhos, e vi meu marido encarando-me com tanta expectativa, que de novo a culpa me ruminou por dentro, eu estava reinventando o significado da expressão “ser cretina”, com toda certeza.

— Dan... – Tomei fôlego para dizer alguma coisa, mas as palavras morreram na minha garganta.

— Que tal? Uma menininha, linda como você... – Ele tentou acariciar minha bochecha e me vi fugindo de seu toque, como eu fiz nas duas últimas vezes que ele me procurou.

Dan sabia, ele tinha de saber, que as coisas entre nós já não estavam funcionando. Ele não podia estar se iludindo, e achar que a gente seria um casal feliz, com um monte de filhinhos.

— Ou um menininho gentil e sonhador... – As palavras que saíram de minha boca, me traíram e o resultado foi um olhar luminoso que eu recebi de sua parte.

— Posso entender isso como um sim? – Ele perguntou parecendo entusiasmado, afinal Dan adorava crianças, enquanto eu não. Ao menos, nisso tanto eu quanto Orochimaru estávamos de acordo. Mas, empurrei o nome daquele cretino para fora de meu casamento, e encarei Dan, nos olhos esperando dizer a coisa certa dessa vez.

— Serve um talvez? – Eu tentei suavizar o máximo minha voz, mas não adiantou... Seu semblante se apagou, porque ele sabia que eu não era o tipo que contemporizava.

Eu não quero mais fazer isto

Dessa vez eu me esforço para chegar um pouco mais cedo em casa, preparar o jantar... Enquanto, penso no vinho que havia na casa dele, mas como sempre nunca fazemos outra coisa a não ser... Um rubor preenche minhas bochechas, e o calor arde em meu rosto, quando sinto braços enlaçarem minha cintura, e um beijo estalar em minha bochecha.

Fico decepcionada ao sentir a presença de Dan, circundar-me. Quando no fundo eu queria outra pessoa ali naquele momento, as coisas seriam muito diferentes.

Mas, eu havia escolhido, e eu teria de arcar com minha escolha, como sempre.

Eu não quero mais ser a razão pela qual

As coisas entre mim e Dan são suaves como sempre: comemos juntos, conversamos sobre amenidades, e eu acho bonito o entusiasmo que ele tem com relação aos pirralhos da academia.

Eu falo sobre coisas do dia a dia do hospital, e eu sei que ele houve com interesse, sua mão pausada na minha, uma garoa fina, porém barulhenta, pipocando na janela, em momentos assim, eu acho que posso me acostumar com isto.

Tomamos banho juntos e eu o massageio como sei que ele gosta, e ele faz o mesmo, mas seu toque gentil, não me causa o mesmo que Orochimaru, e isto me deixa um tanto frustrada.

Ainda mais quando, uma vez na cama, o sinto girar sobre mim, suas mãos buscando minha pele, e eu sei o que vira, mas diferente do imaginado, não me sinto entusiasmada para aquele momento, e eu me culpo, por que Dan é o único homem que tem direito sobre meu corpo, nenhum mais, e mesmo assim...

Toda vez que saio pela porta...

Tudo passou como um borrão, em um instante estávamos na cama, em um vai e vem calmo.

Agora eu já estava no banheiro, fizera minha higiene mais uma vez, depois de escovar meus dentes, abro a gaveta, em busca do meu anticoncepcional.

— Achei que tínhamos concordado em ter um bebê... – A chegada sorrateira de Dan me assusta, e seu olhar inquisitivo e ao mesmo tempo decepcionado me irrita.

— Dan... Acho que esse não é o tipo de coisa que se decide de uma hora para outra... – Eu disse de novo tentando suavizar minhas palavras, mas eu sabia que logo elas iriam se tornarem armas que iriam machucar mais do que qualquer Kunai.

— Tsuna estamos casados... E para mim estava claro, que formaríamos uma família... – Ouvi-lo dizer abertamente o óbvio, serviu apenas para fulminar minha pouca paciência.

E eu sabia que eu ia dizer coisas que não deveria, então sem aviso, deixo tudo para trás, inclusive ele e sua necessidade de planejar algo que eu não queria, e que bastava eu dizer não. Mas, eu sabia que aquilo iria ser o meu próximo passo para a ruína do meu casamento.

Bati a porta, e o silencio que se seguiu depois deste meu rompante, dissera tudo.

Eu o vejo morrer por dentro

Eu tive de lutar com meus pés, mas consegui não ir até ele, naquele momento. Ao invés disso, parei sobre o pórtico que ficava na entrada de Konoha.

De novo sobre o céu noturno, e suas estrelas, que testemunhavam meus atos pecaminosos.

Agora me viam chorar minha própria estupidez.

Até que uma risada irritante enche meus ouvidos, seguidos por uma presença que aflora ainda mais meus nervos.

— Perdeu o senso de direção, hime. – Aquele idiota convencido, acha que tudo sempre se resume a ele.

— É você que perdeu o senso de direção, faz tempo. E não me chame de hime. – Me vi gritando e aquilo foi no mínimo infantil de minha parte.

Com meu marido eu não conseguia nem discutir algo importante de igual para igual, e com aquele idiota eu discutia as coisas mais banais. Isto significava alguma coisa?

— Então, vou te chamar de traidora. – Suas palavras me surpreenderam, ele encurtara a distância. – E não me olhe assim, você não tem esse direito, não depois de você ter estado com ele... – De novo aquela sensação de surpresa. A maneira como ele estava dizendo aquilo, a forma como estava me encarando, os resquícios de uma QUASE emoção.

Mas, então como veio tudo se foi.

— Estava me espionando? – Acusei sem pensar nem ponderar. Não havia nenhuma porta ali que eu pudesse bater, deixando o estampido no lugar de palavras.

— A propósito está me seguindo? – Ele como sempre não caiu na minha explosão, apenas encarara-me com seu típico sorriso que me dizia “diga o que quiser, você vai continuar me querendo, querida”. Como eu odiava isto, como eu o detestava pelo efeito que causava em mim?

— Tudo sobre você me interessa. – Ele disse calmamente, sem demonstrar nenhuma emoção exageradamente.

Eu não quero magoá-lo mais

— Orochimaru, não podemos seguir com isto. Eu tenho uma vida, eu tenho um casamento... Eu tenho um futuro. – Eu comecei a falar, mas a firmeza de minhas palavras e tudo terminara num sussurro quase inaudível, mas ele sabia o que eu queria dizer, porque eu já havia repetido aquilo um milhão de vezes.

— Dan é meu marido, eu o escolhi. – Eu recomecei, lembrando-me da promessa que eu havia feito. Desde que Orochimaru havia se tornado um nukenin, eu iria recomeçar sem ele, longe dele, contra ele, e em cada palavra eu falhei...

— Você tentou me substituir pela versão que você sempre quis de mim, querida. – Ele falou dando sua risadinha irritante, não importava o quão duras fossem suas palavras, Orochimaru, continuou aparentemente inatingível.

— Foi você que nunca pensou em mim, antes de fazer uma besteira atrás de besteira... Droga, Orochimaru... Você... – As palavras se tornando falhas na minha linha de raciocínio, nada mais frustrante que isto.

Eu não quero lhe tirar a vida

Então seus lábios grudaram-se aos meus, numa pressão que chegava a ser dolorosa de tão intensa. Sua língua pedira passagem, e por um momento eu achei que iria me desequilibrar dali de cima, mas ele estava me segurando com firmeza, enquanto seus lábios sôfregos, tiravam todo o ar de meus pulmões e toda a sanidade de minha mente, já que tudo tornara-se um borrão, quando sua mão deslizara por baixo de minha blusa.

Mas, então o frio de seu toque me trouxe, um último rompante de raciocínio, e eu usei todo meu alto controle, dando-lhe um tapa em sua mão. Ele soltou um grunhido de frustração e aquilo realmente me surpreendeu.

— Droga, não me faça sentir-me mais cretina do que já me sinto... – As palavras saíram estridentes, em um só fôlego, mas Orochimaru não me escutava... Ele nunca o fazia.

Eu já havia feito muita sacanagem por causa daquele homem. Mas, não ao ponto de estar com os dois no mesmo dia, de estar com os dois em uma fração de tempo tão pequeno...

— Vai dizer que prefere que ele faça isso? – Então a pergunta dele pegou-me desprevenida, juntamente com o que de novo, pareceu ser um resquício de dor e frustração, que se derramaram em seus olhos e foram mal disfarçados por uma risada seca, e repleta de cinismo como sempre.

Aquilo me fez rolar os olhos, eu deveria estar vendo coisas, escutando coisas, deveria ser uma pegadinha da minha mente, ou mais um joguete daquele idiota. Mas, eu tinha de parar com aquilo de um jeito ou de outro.

— É natural, ele é meu marido. – Eu lhe disse tentando tornar minha risada tão cínica quanto a sua, mas a dor e vergonha me impediram de seguir firme na minha intenção de ser durona.

— Seu marido a faz se sentir assim? – Sem aviso ele quebrou a distância entre nós e por um momento eu quase me desequilibrei do alto de onde estava, cheguei a sentir a gravidade puxar-me convidativa, enquanto o ar em torno de mim, acariciava-me em um convite perigoso a queda.

Mas, então suas mãos firmes apertaram-me, e eu me senti quase sufocando, diante do firme enlace de suas mãos.

Tão insegura, e tão protegida. Tão forte e tão vulnerável. Tão racional e tão insana. Tudo junto e misturado.



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