História Infinity of Worlds. - Capítulo 2


Escrita por: e DiAngellus

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 13
Palavras 2.424
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capitulo 1 - O primeiro fragmento


 

Janeiro de 2020, cidade de Rio de Janeiro, 13:16.

Dizem que o sol do meio dia é o mais forte e o mais prejudicial a saúde. Sinceramente? Eu não ligo, pego a minha prancha e me dirijo a Copacabana.

A favela onde eu moro não era aquilo que meus pais esperavam ao abandonar Denver, Colorado. Eles queriam uma melhor condição de vida e acabaram na cidade mais violenta do país, onde o tráfico corre solto e as balas estão a cada esquina. E foi nessa vida de marginalidade que eu entrei aos doze anos.

Hoje com dezesseis quero largar tudo e sumir por esse mundo, mas se eu fizer isso é possível que quem venha sofrer seja meus pais.

Por isso não ligo que minha pele clara venha a queimar com o sol forte, por isso não ligo para o risco de câncer ou qualquer outra coisa que os comerciais digam, eu preciso clarear a minha mente e entender o que eu quero daqui pra frente.

Chegando la vejo uma praia bem movimentada, nunca tinha visto uma concentração tão grande de pessoas, parece até que o país inteiro veio passar o réveillon aqui. Ignoro as crianças chorando, a bola que cai do meu lado, ou a morena jambo que passa por mim, apenas me dirijo ao canto mais afastado da praia. Eu o descobri por acaso e a partir desse dia acabou sendo meu lugar favorito e meu esconderijo.

Assim que chego deito a prancha na água e me sento com o pés soltos, as ondas não estão fortes, clima perfeito para relaxar e pensar, exatamente aquilo que queria.

As nuvens e o balanço das águas me acalmam, eu poderia viver aqui eternamente, com o vento batendo no meu rosto, a água salgada e cristalina refletindo o sol e o cantar dos pássaros ao longe, tudo estaria perfeito a não ser o luz azul que atrai a minha atenção para o fundo do mar.

Meu primeiro pensamento é que alguém poderia ter deixado cair algo de valor lá embaixo, mas o seu tamanho já descartava a hipótese, ninguém esqueceria algo do tamanho de um capacete, azul e brilhante. Fora de cogitação.

A curiosidade me leva a mergulhar e ir em sua direção e de uma maneira estranha ele vem ate mim. Quanto mais me aproximo, mais a sua forma e seu brilho se intensificam, até o momento que fecho os olhos por não aguentar mais e quando volto a abrir, ele simplesmente... sumiu.

Subo para a prancha em busca de ar e sem entender o que aconteceu, não pode ser algo da minha cabeça, pode?

 

 

- Phil, terra chamando Phil...

Era sete horas da noite, a mesa estava posta, a TV mostrava as noticias que eu não queria ouvir, mais um morto em assalto, mais um assaltante que é preso, mais desastres que virou rotina, nada de novo, nada de melhor.

- Philip vem jantar. - Minha mãe grita da cozinha.

- Desculpa, estava distraído.

- Percebi meu filho, mas venha, a comida esta esfriando.

Me sento a mesa e meu pai puxa a oração, seguindo a rotina de todos os dias, assim que ele termina me perco novamente em meus pensamentos até que me chamam novamente.

- Phil aquele não é seu amigo?

A TV mostra um dos moradores da favela sendo preso por furto, ele nunca foi meu amigo, apenas andava comigo por causa do trafico, mas isso não fazia diferença para a minha mãe, ele continuaria sendo meu amigo.

- Sabia que você não deveria andar com ele, sempre suspeitei.

E mais uma vez começa uma sessação de palavras jogada ao vento, sobre como o mundo é violento e que devo tomar cuidado. Mal sabe ela que durmo com uma arma debaixo do colchão e que alguns dos casos que aparecem na TV como desaparecido fui eu quem matei. Me orgulho disso? Nenhum pouco, mas é desse jeito que eu coloco comida em casa, essa que estamos comendo.

Há dois anos meu pai sofreu um acidente que o impossibilita de trabalhar, afastado pelo INSS, o salario mínimo que ele ganha não é o suficiente para nos manter e pagar as dívidas dele de quando estava trabalhando, minha mãe cuida da casa e dele, as vezes faz uns bicos lá e cá, mas nada fixo, ou seja, o que nos mantem vivo é o dinheiro sujo do trafico.

- Eu sei mãe, tomarei cuidado.

Discutir não leva a nada em momentos como esse, por isso apenas concordo e volto a comer, sem apetite algum e muito menos sentindo o gosto da comida, a única coisa que passava na minha cabeça era terminar aquilo o quanto antes e ir me deitar, me afastar para não magoar eles e a mim.

 

 

Fecho meus olhos e tento dormir, viro de um lado para o outro, mas continuo a me perder em pensamentos, meu futuro, aquela luz estranha que do nada desapareceu... Me sento na cama e olho fixamente para as minhas mãos, se eu tivesse mais dinheiro poderia tirar meus pais desse lugar imundo, mas sou apenas um soldado, não sou um chefão então aquilo que ganho são os restos daquilo que produzo.

Se eu pudesse seria rico, faria um monte de notas de cem num piscar de olhos.

Uma risada surgiu com esse pensamento, mas ao mesmo tempo um brilho azul iluminou o quarto, idêntico aquele do mar, me levanto e procuro de onde vem a fonte dessa luz, até que percebo que a fonte sou eu. Corro até o espelho e vejo meus olhos com faíscas azuis, faíscas a quais se espalharam pelo meu braço direito e chegaram até a minha mão, se transformando em algo parecido a um buraco negro e uma moeda de um real cai em direção ao chão.

O brilho sessa e meu coração que estava acelerado bate ainda mais forte, o que acabou de acontecer? Toco a moeda e ela esta fria como se acabasse de ser tirada do congelador, me sento no chão ao seu lado e fico olhando para ela, sei que pareço estar olhando para um monstro, mas como reagir quando uma moeda surge do nada e seu corpo fica todo em faíscas azuis?

Respiro fundo e pego ela novamente nas minhas mãos, pego uma outra que carrego na minha carteira e comparo: são idênticas, porém a minha aparenta ser mais nova, mais valiosa...

- A minha... – dou uma risada alta – já estou chamando a moeda de minha sem ao menos entender o que aconteceu, devo estar sonhando.- volto a me deitar e deixo a moeda encima do criado-mudo – sonho bizarro.

 

Nunca senti meu corpo tão cansado, estranhamente feixes de um sonho bizarro passam pela minha memoria enquanto me alongo: meus olhos com faíscas azuis, minhas mãos carregando duas pistolas personalizadas e banhadas de faíscas azuis como meu corpo, minhas pernas correndo pelas ruas de uma cidade desconhecida, a dor e o medo me corroendo.

Meus olhos automaticamente se vão para a moeda acima do criado-mudo, algo está acontecendo e eu não consigo dizer o que é, mas espero descobrir.

 

- Olha, vejam só se não é o Philip Jackson.

O rapaz a minha direita é Danilo Ribeiro, o popular da escola, aquele que as meninas babam e que gostam de se gabar fazendo os outros rapazes se sentirem inferior.

- Eai Danilo.

- Depois de anos sumido, você volta a aparecer?

- Bem, se estou aqui essa pergunta é um pouco imbecil demais não acha?

- E ele ainda é espertinho.

Não vou negar, ele é um rapaz bem apessoado, olhos cor de mel, pele bronzeada, 1,80 de altura e uma estrutura corporal de um lutador, ele até poderia ser alguém que quero ter como amigo, mas a constante vontade de se sentir superior para cima de outros, há isso me irrita muito.

- Até que não, estou perdendo meu tempo discutindo com você.

Esse foi o gatilho para ferir a pose de superior dele, como resposta? O soco que eu deixei que ele me atingisse, para que as câmeras mostrassem quem começou, porém eu iria terminar. Meu corpo estava mais leve e atendendo cem por cento dos meus comandos, minha leitura do corpo dele estava melhor do que esperava, o que me fez desviar tranquilamente dos outros três socos que ele tentou me atingir, o que fez também que eu devolvesse esses socos todos no seu estomago.

- Briga, briga, briga...

Esse era o coral que se ouvia no corredor, eu tinha tudo sob controle, até que outros dois entraram na briga, ambos amigos do meu querido Danilo, ambos seguraram meus braços fazendo que meu estomago levasse todos os golpes que dei e em dose dupla, minha raiva estava se elevando, até o momento que vejo os três se afastando.

- Ué cansaram?

Olho para eles sorrindo e agradecendo pelo fato de terem parado de me bater, até que percebo que estou segurando uma faca na minha mão, tudo bem que nos meus pensamentos desejei que tivesse uma faca assim poderia acabar logo com isso, mas eu não lembro de ter pego nenhuma.

- Já deu por aqui, mantenha a sua boca mais fechada da próxima vez, imbecil.

- Pode deixar, dá próxima vez eu provoco mais.

Com isso ele se foi e a multidão também, juntamente com a faca na minha mão que simplesmente desapareceu, sem explicação nenhuma. Poderia ter sido isso algo parecido com a moeda? Então por que sumiu? Novamente sem resposta e com o sinal da primeira aula tocando eu vou para a sala de aula.

 

 

O balanço da onda me acorda, pego o celular na bolsa acima da minha cabeça e vejo a hora, sete e meia da noite, o céu já esta escuro e o clima abafado, fui expulso da escola após a briga, Danilo levou suspensão, comigo foi pior porque as câmeras mostraram a faca que misteriosamente apareceu e sumiu.

Como vou explicar isso para a minha família? Provavelmente já ligaram informando que não posso mais comparecer na escola e meus pais devem estar bem bravos comigo.

- Estou ferrado.

Sento na prancha e tento entender o que aconteceu nos últimos dias, a luz nesse lugar, a moeda que surgiu do nada e a faca que desapareceu. Será que estou fazendo isso tudo? Mas como? Se estou mesmo tenho que aprender a controlar.

Olho para as minhas mãos e tento novamente fazer uma moeda como daquela vez. No que estava pensando mesmo? Dinheiro, eu queria mais dinheiro para poder tirar meus pais daquela espelunca de lugar. Minha família.

Fecho os olhos e imagino a vida que quero dar a eles, para o meu pai, acho que começaria com um relógio de grife, já para a minha mãe um colar de rubi, a cor preferida dela. Uma luz azul forte ultrapassa as minhas pálpebras fechadas, quando olho novamente um colar banhado em prata com uma pedra bem delicada de rubi estava na minha mão direita e na esquerda estava um relógio também banhado em prata, do jeito que meu pai amaria.

Seria esse o gatilho? Minhas ambições e desejos?

Um sorriso se abre nos meus lábios, isso era o que eu precisava para mudar minha vida.

- OBRIGADO DEUS.

Grito para o céu e abraço meu destino com todas as minhas forças.

 

 

Dois anos se passaram depois daquele dia, o dia que aceitei meu destino.

Meus pais moram em uma casa modesta em Salvador e me mandam fotos todo fim de semana das viagens que fazem, dos lugares que visitam e eu me sinto muito satisfeito ao ter conquistado aquilo que queria para eles.

Eu? Hoje moro em Washington, D.C, e sou uma das pessoas mais ricas do país, meus desejos só aumentam, nesses anos que se passaram aprimorei meu inglês e meu espanhol, sai do trafico e fiz meu passaporte, tudo com a habilidade que desenvolvi. E sou muito grato a tudo isso.

- Senhor Jackson seu carro chegou.

- Obrigado Thompson.

Estou indo a uma reunião com empresários locais, pelo visto eles querem formar uma sociedade comigo, já que a pessoa mais nova e rica do pedaço.

O caminho foi tranquilo e chegando lá um prédio de respeito me recebeu, paredes de vidro e andares que se perdem de vista.

- É... Philip Jackson cresceu.

- Senhor Jackson?

- Eu mesmo.

- Por aqui , por favor.

Um mordomo me conduz até o elevador e aperta o botão para o décimo quarto andar, assim que ele para o rapaz permanece no elevador enquanto eu saio.

- Seu anfitrião o encontrará na primeira porta a direita.

Sem mais explicações a porta se fecha e ele se vai, me dirijo a tal porta e bato antes de abrir, uma voz abafada e distante me diz para entrar e é o que faço.

- Phlip Jackson, por favor sente se, temos muito o que conversar.

Um homem de meia idade esta sentado em uma das extremidades de uma mesa de quase dois metros e apenas ele esta numa sala que pode ter o tamanho equivalente a um quarto cinco estrelas.

- Devo imaginar que o senhor é o meu anfitrião.

- Robert Kalel, o dono desse comercio, mas por favor não falemos de mim, me diga senhor Jackson, como conseguiu ser tão rico tendo apenas dezoito anos?

Sua curiosidade é a mesma que todos os que me conhecem tem e a resposta eu já me acostumei a dar.

- Meus pais são empreendedores e hoje eles moram no Brasil expandindo seu comercio, eu vim para cá como seu primogênito criar alianças.

- Um trabalho bem difícil para alguém de tão pouca idade, mas me diga Philip, posso te chamar assim não? Por que não há nenhum histórico ou qualquer informação ligada aos seus pais e a você?

- Talvez suas fontes não estejam atualizadas.

Ele joga na minha direção fotos atuais e de dois anos atrás.

- Até a uns dois anos você não era ninguém e hoje é tudo aquilo que queria ser, vamos me diga o que faz?

- Eu já disse.

- Disse uma mentira, quero saber a verdade, não me faça usar a força.

- Isso é uma ameaça?

- Não Philip, isso é uma constatação.

- Eu já disse tudo o que tinha que te dizer.

- Esses jovens de hoje em dia, sempre preferem o modo mais difícil.

Com um chacoalhar de pulso vários homens invadiram a sala armados com pistolas, escopetas, tantas armas que me perdi analisando.

- Philip Jackson, me acompanhe até a delegacia, você esta detido até segunda ordem.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...