História Inimigos Íntimos - Capítulo 54


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Categorias Digimon
Personagens Armadillomon, Cody Hida, Davis Motomiya, Dragomon (Dagomon), Gatomon (Tailmon), Joe Kido, Kari Kamiya, Ken Ichijouji, Koushiro "Izzy" Izumi, Mimi Tachikawa, Patamon, Sora Takenouchi, Taichi "Tai" Kamiya, Takeru "T.K." Takaishi, Veemon (V-mon), Wendigomon (Wendimon), Wormmon, Yamato "Matt" Ishida, Yolei Inoue
Tags Ação, Adolescentes, Angst, Colegial, Digimon, Drama, Insanidade, Kaiser, Kaiseryako, Kenyako, Luta, Miyako, Releitura, Romance, Sequestro, Síndrome De Estocolmo, Tortura, Tragedia
Visualizações 80
Palavras 3.524
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi galera linda, desculpem a demora.
Olha hije eu nem vou enrolar aqui porque estou postando apressada, mas espero que tudo esteja em orde, o cap é super importante fiquem atentos a detalhes.

Beijos

Capítulo 54 - Perdição


 

POV Narrador

— Eu tenho. Estamos horríveis, precisamos de um banho urgentemente. — sugeriu a garota, em tom de espanto.

    Ela não sentia-se envergonhada ou arrependida, saciada, sim, talvez um tanto louca e até julgava-se ter sido contaminada pela insanidade do amante. Sentou´se meio zonza e engatinhou até o sobretudo de Kaiser que jazia no chão, usou o tecido para tentar limpar suas lentes, mas em nada resolveu. Quando se virou para dizer algo ao rapaz, ele já estava se recompondo, o máximo possível.

    Inoue sorriu com a visão de Kaiser com a camisa branca aberta, devido aos botões que ela arrancou, colada no corpo graças ao suor, os cabelos estavam grudados, molhados e o rosto ainda avermelhado. Em seguida ela olhou para si mesma, ajeitando a calcinha ensopada, que agora parecia gelada em contato com sua feminilidade, ergueu as alças da camisola e a desembolou, a mesma grudou-se  no suor de sua pele.

— Senhorita. — levantou-se oferecendo a mão para ela, que recolheu o sobretudo e aceitou a ajuda para se levantar.

    O gênio procurou por seu bracelete o encontrando em uma gaveta e o levando consigo, não se preocupando em colocá-lo. Enlaçaram os braços, mesmo com a sensação de incomodo pelo contato das peles meladas de suor, seguiram pelos corredores da base em direção ao quarto, pouco tinham o que falar, as memórias dos momentos anteriores ainda os faziam vivenciar sensações, trocando um riso cúmplices como crianças que acabaram de fazer uma travessura.

    Ele estava tão admirado com o quão ousada ela era, em um país com uma cultura extremamente machista, onde as pessoas tratam sexo como um ato de procriação e as famílias não dialogam sobre o tema, pois nem os casados se sentem à vontade uns com os outros, eles romperam limites e alcançaram um novo grau de intimidade, ela deixou que ele a conhecesse um pouco mais sem medo de julgamentos.

(...)

    Enquanto a banheira enchia, o casal tomava uma ducha esfregando bem o corpo para se livrarem do suor, decidindo até lavar os cabelos que estavam horríveis.

— Ken, você usou shampoo desse frasco aqui?

— Ah, então, eu sei que é seu, mas é que o meu tinha acabado e o Bakemon ainda não tinha trago.

— Eu só queria te avisar que o Shampoo é o do frasco cor de rosa, esse aqui é sabonete íntimo. — sorriu traquina.

— Sabonete íntimo?

— É, o engraçado é imaginar o poderoso imperador andando por aí com os cabelos com aroma de “ppk”. — deu uma risada escandalosa, mas o rapaz permaneceu sério.

— Pra que raios você usa sabonete para todas as partes do corpo? — a indagação veio seguida de um rosto ruborizado, saiu em tom de zanga como se tentasse disfarçar sua vergonha pelo engano.

— Ajuda a regular o PH da região íntima, eliminando e prevenindo odores e ajudando a deixar a pele da região livre dos efeitos pós depilação. — um momento de silêncio foi feito durante a explicação da garota. — Sério mesmo que estamos conversando sobre isso?

    Ele riu concordando com a observação, era engraçado e constrangedor, mas porque deveria ser se eles fazem coisas que vai muito além de meras palavras tolas.

— A banheira já está cheia. — ele alertou mudando o rumo do assunto, ainda se sentia bobo por ter usado sabonete íntimo como shampoo durante a semana, sabia que aquele sorriso de deboche estava estampado no rosto dela.

— Vou terminar de tirar o condicionador o cabelo, desliga e pode ir misturando os sais.— sorriu o puxando para um beijo carinhoso e ao findar do ato Ken assentiu e saiu da ducha.

    Não demorou muito para que ambos estivessem na banheira trocando beijos e carícias.

— Quando sairmos daqui você quer comer alguma coisa? — ele perguntou inocentemente ao separarem o beijo.

— Depende do que seja esse alguma coisa? — a retrógrada foi maliciosa.

— Você hoje está tão assanhada. Kami, que bicho te mordeu?

— Você não percebe, Ken? Não vê o quanto o nosso tempo é limitado. E não, não tente me convencer a ficar do seu lado, isso não vai acontecer, então o que nos resta é aproveitar enquanto podemos nos ver.

    O gênio acariciou-lhe o rosto, sem resposta, desde ter visto a cena entre a violacea e Yagami já tinha se abalado imensamente com as possibilidades, sua cabeça fora tomado por pensamentos relativos unicamente a isso. Miyako nunca dissera que o ama, mas chorou por ele não ser “um garoto normal” para que pudessem ser um casal.

    Embora ele tenha momentaneamente se perdido em questionamentos, não quis trazer o assunto a tona, afinal havia o fato de ter visto um desabafo íntimo entre garotas, sabendo o gênio ruim da menina, ponderou ser melhor ficar em silêncio e beijá-la.

    Alguns beijos e carícias a mais e logo já estavam se amando na banheira mesmo, no calor da água, lentamente aproveitando cada segundo, trocando beijos apaixonados.

— Você é tão gostoso, tão lindo! — confessou  a garota que se mantinha sentada sobre a pélvis masculina, sentindo seu amante bem fundo dentro de si, era quase como se ele pudesse invadir sua alma.

— E você é minha perdição, meu conflito. Como eu poderei viver sem você. — ele nem se deu conta de quando entrou naquele embalo de confissões e as palavras pareceram ter vontade própria, os lábios se buscaram novamente.

    O mover lento daqueles quadris, os gemidos abafados, aquele cheiro de luxúria exalando-se pelo ar. Como eles queriam que durasse para sempre, que não fossem tão proibidos um para o outro daquela maneira tão dolorosa.

    As mãos masculinas apertaram forte, a garota pelos flancos impedindo-a de continuar o delicioso rebolado, pois se persistisse daquela forma ele não conseguia mais aguentar. Estavam tão encaixados naquela esfregação molhada, os corpos pressionando-se, os rijos mamilos atritando-se contra o tórax, os corações pareciam descompassar em um único ritmo.

— Você me ama? — perguntou enquanto a impedia de se mover.

— Não seja cafona, isso não combina com você. — tentou forçar os movimentos, mas sem conseguir. — Eu gosto de você um pouco.

— Um pouco? — apertou-a entre os braços, mordendo-lhe a orelha. — Você me ama, não ama? Confessa e eu não contarei pra ninguém.

— Ai! — debateu-se fazendo água espirrar para todos os lados. — Eu amo chocolate, cupcakes. De você eu só aproveito. — gargalhou venenosa zombeteira.

— Ah, então é assim? — atirou de seu colo recebendo um gemido frustrado e a segurou pelos cabelos afundando sua cabeça na banheira. — Está aqui seu castigo. — mas quando a ergueu de volta ela tinha armazenado uma quantidade de água na boca que cuspiu na cara dele. — Erc… Sua porquinha, colocou essa água na boca, mesmo com o que estávamos fazendo nela.

— Hm, que nojo tem nisso se ja colocamos a boca em- — ele cobriu-lhe a boca não a deixando terminar.

— Não seja desnecessária. — retirou a mão e ela o beijou.

— Ecaaaa...— disseram juntos ao separar o beijo e começaram a rir como crianças, como dois idiotas, dois loucos.

    Abandonaram a banheira e se secaram, para continuar a se amar sobre os lençóis. Inoue continuava controladora e Kaiser deixou-se ser levado, seu orgulho não era resistente ao competir com as sensações provocadas pelo toque da amante.

Não queria lutar pelo controle, queria pertencer a ela, deixá-la descobrir seus pontos mais sensíveis e se dedicar a eles como ela fez e com esmero. Miyako estava inspirada naquela noite, não que em outras ela já não fosse ardente, mas naquela em especial ela arrancou-lhe tantos orgasmos quanto ele não pensava ser capaz de alcançar em única data.Tal como ela mesma tinha alegado, ele sentiu-se aproveitado ao extremo, tanto quanto aproveitou-se ao máximo.

Fez questão de colocar seus óculos e manter as luzes acesas, postou-se  sobre o quadril masculino e deixou que suas unhas corressem pelo corpo esbelto, os traços franzinos e delicados a deixava encantada, a discreta definição que a prática do futebol e do judô o proporciona não conflita em nada com a suavidade das formas, aos olhos dela  Ken era tão belo quanto um deus grego.

Mordia o lábio e mantinha-se indeciso entre manter os olhos abertos e  colher a admiração dos âmbares da garota, ou fechá-los para apreciar melhor as carícias recebidas, enquanto as unhas femininas desciam dos ombros ao tórax, passeando suavemente pelo abdómen, contornando o umbigo, desenhando as laterais do corpo, ele era tão dela…

Virou-o de costas em um induzir possessivo embora carinhoso, sentou-se sobre o traseiro masculino, e massageou-lhe as costas, tanto quanto brincou com o efeito de suas unhas na pele alva. Tão saborosos eram os suspiros e gemidos surrupiados dos lábios dele, ela queria sempre mais. Quando massageá-lo com suas mãos já não a satisfazia a garota passou a massageá-lo com seus seios.

Postou-se sobre o rapaz deitando-se tronco, mas mantendo-se apoiada por braços e joelhos na lateral do corpo masculino, engatinhando e deixando os montes macios amassarem-se contra as costas dele, indo  de uma lateral a outra, escorregando-as por toda base da coluna vertebral, subindo lentamente, distribuindo beijos e mordiscadas por onde passava.

Ken ofegava apreciando a carícia, sentia-se perdido entre as estrelas, a sensação do corpo da garota escorregando por suas costas, o atrito do recheio macio e os mamilos intumescidos contra a pele daquela região, paralelo as unhas de Miyako que vez ou outra o arranhava, provocando-o, a boca que subia-lhe pela cerviz, mordia-lhe a nuca, pescoço e orelhas dizendo-lhe coisas tão pervertidas quanto nunca imaginara ouvir. Se ela tinha a intenção de torturá-lo estava tendo êxito.  

O acariciado sentiu o corpo escorregar pelo seu e a boca que atreveu-se a morder-lhe o traseiro. Ela já tinha o arranhado, apertado, mas ele nunca imaginou que ela tinha ânsias de mordê-lo naquela região, descobriu ser um local bem aprazível de ser mordiscado, poderia sim relevar o atrevimento e o decoro já tinha sido jogado ao vento a tempos, quem precisava dele afinal?

Tudo bem ficar ali sendo mastigado, lambido, arranhado para sempre, ele não se importava, até que a proposta mudou. Sem aviso a garota saiu de cima dele o fazendo encará-la confuso.

— Agora você deve fazer o mesmo comigo. — tirou os óculos os colocando sobre a mesa de cabeceira e deitou-se de costas o olhando por cima do ombro. — Mas sem gracinha. Tem que fazer tudo como eu fiz, direitinho. — o tom foi ameaçador e ele riu largamente.

    Agora Ken se postou sobre o bumbum arrebitado da garota, admirou-lhe as costas, jogou os longos cabelos para cima. Foi lento e delicado correndo as mãos pelas costas, ombros por toda a base da espinha, mas aquela brincadeira já estava demais para ele, seu membro já pulsava sobre as nádegas da garota, derramando-se em fluidos pré seminal.

    Miyako deliciava-se tanto com a massagem quanto com o estado alterado em que ele já se encontrava.  O rapaz escorregou o corpo sobre o dela e começou a mordê-la desde a panturrilha subindo pela parte traseira das coxas, começando a distribuir mordiscadas  pelo bumbum macio de recheio farto, local onde ele dedicou-se mais inclusive.

    Os beijos e mordiscadas subiram pelas costas da garota, agora ela quem tinha a nuca e orelha exploradas, devoradas, causando-lhe aflição, fazendo-a se contorcer contra o corpo masculino que a pressionava, de forma que seu traseiro estimulava o membro ereto contra si.

— Ai eu não consigo aguentar mais essa tortura. — declarou a ouvido da garota esfregando sua ereção contra o traseiro arredondado sob si.

—  Ah, o que foi, não consegue resistir a uma brincadeira, é? — perguntou entre ofegos, era provocação afinal ela também já o queria demais.

— Não, pode dizer que sou um fraco. — anunciou começando a penetrá-la e ela gemeu manhosa. — Você hoje quer acabar comigo, não é?

— Quero, eu quero...— gemeu manhosa impulsionando o quadril para cima o recebendo por completo. — Quero que você acaba comigo, que se acabe em mim… Só quero ser sua.

    As palavras atrevidas serviram como pólvora para que explodissem em luxúria novamente, naquela posição que para ambos era deliciosa, onde Ken podia beijar e mordiscar o pescoço da amante e lhe devolver as palavras ousadas ao ouvido enquanto arremetia-se para dentro dela com fervor.

    Se amaram em outras posições apesar daquela ter sido a mais marcante para o fim de noite. Quando estavam quase adormecendo de conchinha ele sussurrou ao ouvido dela.

— Você me ama? — enquanto acariciava-lhe os ombros com o dorso dos dedos.

— Eu não posso. — murmurou sonolenta.

— E se eu te fizer um filho, você me amaria?

    Ela riu-se da inocência do rapaz em pensar que ela não estava se cuidado quanto a isso.

— Isso não vai acontecer, eu me cuido. — furou a bolha sem piedade.

— Mas ama?— insistiu o gênio, mas a resposta não veio, pois a garota já havia adormecido. — Não importa, eu faço você me amar.

-  -

No dia seguinte que ficaram o Domingo quase todo, preguiçoso na cama, saindo apenas para comer e tomar banho.Não falaram sobre quaisquer assunto sério, não queriam ter que quebrar o clima, mas sabiam que no fundo estavam se enganado e sufocando algo que deveria ser discutido e resolvido.Todas as vezes que o rapaz fizera questão de colocar o assunto “amor’ em pauta, a garota desconversou, ainda querendo se iludir que sentia apenas atração.

E no decorrer da semana, Miyako veio para Kaiser quase todas as noites as quais se amaram intensamente e ele foi cruel em seguir seu plano de fazer com que ela o ame, sendo tão carinhoso quanto pudesse fazendo amor olhando-a nos olhos só para ter certeza de que aquele brilho toda era mais que atração, muito mais.

. Após as aulas, quando não ia para o Mundo Digital com seus amigos, a garota corria para casa e fazia a lição de forma apressada, mesmo desleixada, para voltar para os braços do inimigo, sempre com a tola desculpa de não deixar que ele finalizasse Chimeramon, desculpas para o parceiro, desculpa para si mesma.

Ao materializar-se novamente frente ao inimigo, a garota que nem o uniforme escolar havia tirado, suspirou longamente e encaminhou-se até a cadeira onde o rapaz se encontrava, sentando-se em seu colo e o beijando.

— Vou ficar mal acostumado se você continuar a vir todos os dias da semana. — ele murmurou ao romper o beijo.

— Se quiser eu não venho mais. — fez bico infantil virando o rosto para a lateral.

— Isso não foi uma reclamação. Está estressada porque?

— Então, que bom que você perguntou, Ken. — a expressão dela se tornou séria. — Seu pai está fechando o cerco contra mim. Viu minha caixa de mensagens? No começo ele disse que respeitaria meu espaço, mas agora acho que ele descobriu alguma coisa e a qualquer momento vamos estar frente a frente e não sei se posso continuar mentindo.

    O gênio insano, coçou a cabeça e soltou um suspiro. Esse era de fato um problema enorme, seu pai sendo detetive saberia tirar a verdade de Inoue, leria em sua postura que ela esconde algo. Era inevitável então.

    Com os dedos enluvados, massageou a têmpora enquanto pensava sobre o que fazer. Ainda não tinha desistido de trazer a garota para o seu lado, portanto a hora da qual ele tanto fugira havia enfim chegado.

    Miyako, por sua vez já estava a espera, algumas vezes enquanto o amante dormia o deixou em sua cama para ir de encontro a Wormmon e fazer especulações sobre o passado do jovem, o pouco que a pequena lagarta sabia  foi confidenciado a ela. A verdade era que cada vez mais sua sede de descobrir os mistérios que envolvem Ichijouji a corroía.

— Certo. — suspirou mais uma vez, buscando as palavras. — Vamos comer algo e vamos para o quarto.— propôs pensativo.

— Eu te falo algo sério e você pensando em perversões, como assim vamos para o quarto? — esbraveja fazendo os cabelos do inimigo se arrepiar.

— Não estou pensando em nada disso. Quero ir para o quarto pra conversar, porque a conversa é longa, desagradável e quarto é mais confortável.

— Longa e desagradável… — repetiu intrigada, mas não insistiu em saber de pronto. Levantou-se e ele também se colocou de pé, ambos seguiram para comer algo o que não demorou muito.

(...)

    No quarto, ambos encontravam-se sentados sobre a cama, era uma quinta-feira, o que fazia maior diferença, de fato, somente para Inoue, devido a sequência dos dias letivos, ela teria que voltar para casa em breve, pois teria aula no dia seguinte.

— Isso começou a seis anos atrás, está prestes a completar sete, na verdade… — pigarreou diante do olhar curioso da garota. — Você deve ter paciência porque existem detalhes dos quais eu não me lembro bem, é como um quebra cabeças.

— Conte o que conseguir se lembrar. — colocou as mãos sobre as dele, retirando as luvas e acariciando-lhe o dorso.

— Naquela época eu tinha um irmão mais velho, chamava-se Osamu.— pausou como se sentisse uma dor ao rememorar.

— Agora que você falou , lembro de já ter lido sobre isso em um site de fofocas, mas como nunca se sabe se eles dizem a verdade, eu não dei atenção e você nunca falou sobre ele.

— Pois é, mas é verdade. Nunca vi necessidade de falar sobre isso, até agora…

    Ken se abriu o máximo que pode, relembrando desde a infância onde Osamu ainda era seu amigo e um bom irmão e como foi se transformando para suprir expectativas alheias, como naquela época já sofria com a negligência dos pais e talvez ele tenha caprichado bastante nessa parte, não que almejasse a compaixão da garota, mas não queria que ela fosse simpatizante ao falso sofrimento de seus pais.

    Miyako ouviu cada palavra, estupefata, horrorizada. Ela sempre julgou Ken como sendo o sem coração de toda história, mas jamais imaginou o que o levou a ser dessa forma, óbvio que sabia que havia algo a mais, algo sobrenatural, mas pelo que pode perceber o rapaz não tinha consciência disso.

    Kaiser se manteve austero durante toda narrativa, não derramou uma lágrima sequer, mas não era como se precisasse, Miyako já tinha aprendido a ver sob aquela máscara de  fortaleza, sabia que ele estava despedaçado e não teve nada a dizer diante do que ouvira, sabia que quando se deixa levar pela emoção pode dizer coisas que não deveriam ser ditas.

    Ela gostaria mesmo de poder ter ficado com ele naquela noite e afagando seus cabelos até que adormecesse, mas infelizmente não pode, pois precisava estar em casa pela manhã bem cedo e ajudar seu pai com a contabilidade da loja, coisa que não era aconselhável deixar que Bakemon fizesse.

    Despediram-se sem muitas palavras e sem muita calidez nos beijos, apenas afeição. Nos olhos índigos  podia ver o quanto ele odiava a compaixão que ela não sabia esconder. Miyako voltou a seu quarto e tentou dormir, mas o relato de Ken ficava ecoando em sua mente, fazendo as cenas se desenharem. Como os pais puderam tratá-lo assim?

    Por outro lado, Ken vagava pelos corredores de sua base, não tinha cabeça para mexer em sua criação, contudo não poderia deitar e dormir em paz, não depois de rememorar tantos detalhes dolorosos. Foi necessário, não poderia perdê-la para o drama que seus pais viessem a fazer e agora ela pensaria duas vezes antes de revelar algo por pena deles.

    Contanto, o que todo perfeccionista tolo se esquece é que nem toda ação e reação pode ser calculada com eficacia, ainda mais se tratando de seres humanos com variações de humor e sentimentos.

    O dia de Inoue não foi em nada produtivo, estressada recusou-se a ir ao Mundo Digital com seus amigos, seguindo com seu parceiro para casa, tinha necessidade de ver seu amante e muitas coisas que queria dizer, mas não sabia o que exatamente.

    Assim que girou a maçaneta de sua porta sentiu alguém segurar-lhe o braço.

— Deve me acompanhar agora, senhorita Inoue. — a voz era conhecida, não era ninguém menos que o Sr Ichijouji, ela sabia que essa hora chegaria, era inevitável.

— Está me prendendo? — aquilo foi imaturo de se questionar, mas ela não sabia bem o que dizer.

— De forma alguma, inclusive seus pais já estão cientes da nossa conversa, siga-me, por favor. — explicou fazendo um gesto para que Miyako o seguisse.

    Sem alternativas a violacea acompanhou o mais velho, seu corpo ficou trêmulo e suas mãos geladas, não sabia que tipo de conversa teriam, mas estava disposta a guardar o segredo de seu amante, por mais absurdo que fosse.

    Sentou-se no banco do carona, assim que o detetive abriu a porta do veículo, colocou o cinto, estava pálida, pode ver pelo retrovisor. Durante a viagem ela não sabia o que pensar, estava nervosa, frustrada, acuada, confusa e pior de tudo, Poromon estava em sua bolsa.

(...)

    Lá estava ela, não em uma sala de interrogatório, escura e com uma mesa contendo uma luminária, olhada pelo policial bom e o policial mau, mas pior… Na sala da casa da família Ichijouji, sentada no sofá olhando para os próprios pés que deslizavam nervosamente pelo carpete castigando a sola de sua meia tres quartos.

— Olhe a gravação que eu tenho da sala de vídeos da sua escola. — e na gravação, que aconteceu no dia em que Sora recebeu o chamado de socorro de Piyomon, Miyako abria o portal e todos entravam por ele. — Tenho vigiado vocês há muito tempo e quero saber o que aconteceu? O que são essas coisas e que relação isso tem com nosso filho?

 


Notas Finais


Cap que vem tem coisas mega sérias acontecendo, me digam o que acharam, o que acham e beijos amo vcs!


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