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História Innocence - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo III


Fanfic / Fanfiction Innocence - Capítulo 3 - Capítulo III

Pov' Sebastian

- Preciso cortar a sua camisa, tudo bem ? - aviso-a

- Pode cortar. Está destruída mesmo - ela diz, com uma voz suave, mas não consigo definir de onde ela é pelo o seu sotaque. A camisa é de marca, o tipo de roupa que se vê nas revistas de moda e que nunca veria alguém usando em uma pequena cidade no Maine.

- Você não é daqui, é ? - indago. Nada que uma boa conversa não possa quebrar aquele clima tenso. Ela parecia estar analisando o meu rosto, avaliando se poderia confiar em mim, ou pelo menos é o que eu imagino.

- Eu nasci aqui, na verdade. Há muito tempo - dou uma fungada. Sinusite de merda

- Talvez bastante tempo para você. Se tivesse nascido aqui, eu saberia. Vivo nesse região quase toda a minha vida. Qual é o seu nome ? - ela pareceu não cair muito nessa conversa.

- Você não me conhece - diz ela, sem rodeios.

Por alguns instantes, há somente o som do tecido molhado sendo cortado com um pouco de dificuldade, a pontinha da tesoura se movimenta preguiçosamente pelo material ensopado. Me afastei da prisioneira para deixar Moly limpar a garota com gaze embebida em água morna. As manchas vermelhas de sangue se diluem, revelando um torso pálido e magro sem nenhum arranhão. Moly deixa cair a bacia de metal com os gazes e sai rapidamente da sala de exame, como se soubesse, desde o início, que não encontraria nada; mais uma vez, eu tinha provado a minha incompetência. Eu desvio os olhos, enquanto coloco um folha de papel sobre o torço nu dela.

- Teria dito que não estava ferida se tivesse me perguntado - diz ela, num sussurro.

- Mas não disse nada ao xerife, por que !? - digo, alcançando um banquinho.

- Não. Mas teria dito a você - acenou com a cabeça para mim - Você tem cigarro ? Estou morrendo de vontade de fumar - disse, sorrindo.

- Me desculpe, não tenho. Eu não fumo - responde. Ela olhou para mim, com aqueles olhos marrons mapeamento o meu rosto.

- Você parou um tempo para trás, mas começou de novo. Não tiro sua razão, dado tudo pelo que passou ultimamente. Mas tem dois cigarros no seu jaleco, se não estou enganada - eu enfio a mão no bolso, por instinto, e sinto o toque do papel dos cigarros bem onde tinha deixado. Foi só um golpe de sorte ou ela realmente os viu em meu bolso ? E o que ela queria dizer com “ tudo pelo o que passou ” ? Ela está fingindo ler a minha mente, tentando entrar na minha cabeça como faria uma garota esperta que está em apuros. A verdade é que seus problemas estavam estampados em sua cara ultimamente. Eu ainda não encontrei uma maneira de concertar a minha vida; os meus problemas estavam todos interligados. Não sabia nem por onde começar a resolvê-los.

- É proibido fumar no prédio e, caso tenha esquecido, você está amarrada numa maçã - digo, apertado a ponteira da caneta e pego a prancheta - Estamos com falta de pessoal hoje, então terei que pegar algumas informações sobre você para os arquivos do hospital. Nome ? - ela olhava a prancheta, hesitante.

- Prefiro não dizer - disse, de forma evasiva.

- Por quê ? É uma fugitiva ? É por isso que não quer me falar o seu nome ? - eu a estudo. Ela parece estar tensa, cautelosa, mas controlada. Eu já tive pacientes envolvidos em mortes acidentais e, geralmente, ficavam exaltados, chorando, tremendo, gritando. Ela está tremendo levemente embaixo da folha de papel e mexe as pernas nervosa, mas, pelo seu rosto, eu posso afirmar que ela está em choque. Da mesma forma, eu sinto que ela está baixando a guarda. Sente uma química entre nós dois, como se ela quisesse que alguém lhe perguntasse sobre o fato terrível que aconteceu na floresta. - Quer me contar o que aconteceu está noite na floresta ? - falo, colocando o banquinho para mais perto da maca - Você viajava de carona ? Talvez tenha pegado carona com alguém, o homem da floresta...ele atacou você, você se defendeu ? - ela suspirou e pressionou a cabeça no travesseiro.

- Não foi nada disso. Nós nos conhecíamos. Chegamos juntos para a cidade. Ele - ela para por ali. Não queria falar mais do que o
necessário - Ele me pediu para ajudá-lo a morrer - como assim ele te pediu ?

- Eutanásia ? Ele estava morrendo ? Câncer ? - fico desconfiado. Quem quer se matar geralmente escolhe algo silêncioso e certeiro como...veneno, pílulas, um motor de carro ligado na garagem fechada ou um gás escapando do forno. Não pede para ser esfaqueado até a morte. Se esse amigo realmente quisesse morrer, poderia simplesmente ter ficado sentado sob as estrelas da noite, até morrer congelado. Olho para ela, tremendo debaixo da folha de papel - Vou pegar um avental do hospital e um cobertor. Você deve estar com frio - a história está ficando mais confusa conforme o passar do tempo.

- Obrigada - ela responde, baixando o olhar. Eu volto com o avental de flanela desbotado de tanto lavar e o cobertor azul, cheio de bolinhas, azul-bebê. Cores de maternidade. Olho para as mãos dele, presas à maca do amarras de plástico.

- Venha, vamos fazer uma mão de cada vez - digo, desfazendo a amarra da mão mais próxima ao aparador onde os instrumentos de exames são colocados como, pinças médicas, tesouras sujas de sangue e etc. Ela agarrou o bisturi com a sua mão fina, se fechando em volta dele. A prisioneira aponta o bisturi para mim, olhos arregalados, narinas vermelha - Vá com calma - peço, levantando-me do banquinho e indo para trás, para fora do alcance do braço dela - Tem um agente bem ali no corredor. Se eu o chamar, está tudo terminado, entendeu ? Você não pode atingir nós dois com essa faquinha. Então, por que não coloca de lado esse bisturi.. - ela parecia mais nervosa do que o normal.

- Não o chame - pediu, mas o braço continuava esticado - Preciso que você me escute - eu sei que deveria ter medo nessa ocasião, mas eu não consigo explicar o que de fato...me instiga.

- Estou escutando - a maçã está entre mim e a porta. Se ela liberar a outra mão, eu atravesso a sala.

- Preciso da sua ajuda. Não posso deixar que ele me prenda. Você tem que me ajudar a fugir desse lugar - ela não ia conseguir nem se quisesse. Se o xerife desconfiar de algo, sou eu que vai responder por tudo.

- Fugir ? - de repente, eu não fiquei preocupado que ela pudesse me machucar com o bisturi. Estou com vergonha por ter baixado a guarda, permitindo que a prisioneira tivesse controle da situação - Você está maluca ? Não vou ajudar você a fugir - não posso compactuar com esse tipo de coisa.

- Escute.. - diz, sussurrando mais uma vez.

- Você matou alguém está noite. Você mesma disse isso. Por quê eu te ajudaria a fugir ? - essa situação não faz sentido algum. Ela não deve estar pensando direito.

- Não foi assassinato. Ele queria morrer, já falei a você - disse, alterada.

- E ele quis morrer em Stantly,  pois ele cresceu aqui também ? - pergunto.

- Sim - ela confirmou, um pouco aliviada.

- Então me diga quem ele é. Talvez eu o conheça.. - ela balança a cabeça.

- Já falei, você não nos conhece. Ninguém daqui nos conhece - quanto mais eu pergunto, menos resposta eu tenho.

- Não tenha tanta certeza. Talvez alguns de seus parentes - a minha obstinação vem por causa da minha raiva.

- A minha família não vive em Stantly há muito, muito tempo...doutor - parece que ela está cansada. Então, diz secamente: - Você acha que me conhece, não é ? Tudo bem, meu nome é Rosie Dunne. Conhece este nome ? E o homem na floresta ? O nome dele é Thomas Stantly - falou com intonação na voz.

- T. Stantly como a cidade ? - questiono.

- Exatamente, como a cidade - ela responde, quase irritada. Sinto um borbulhar esquisito atrás dos seus olhos. Não exatamente um reconhecimento...onde foi que ela viu esse nome “ Stantly ” ? Sabe que já viu ou ouviu em algum lugar, mas não deve se lembrar.

- Não existe um T. Stantly nesta cidade há, humm, pelo menos cem anos - digo, trivialmente, atormentado por ser repreendido por uma garota fingindo ter nascido na minha cidade. Mentindo sobre um fato sem a menor importância e provavelmente isso não vai fazer nenhum bem para ela - Desde a guerra civil. Ou, pelo menks, é isso que me disseram - ela aponta o bisturi para ele para chamar a atenção.

- Veja bem, eu não sou perigosa, mas se você me ajudar a fugir, não vou machucar ninguém - ela fala como se fosse eu que não tivesse razão - Deixa eu mostrar uma coisa para você - então, sem avisa, ela aponta o bisturi para si e faz um corte no peito. Uma linha larga e comprida, que vem do seio direito e percorre toda a área da costela embaixo de seu seio direito. Fiquei paralisado enquanto uma linha vermelha surge em sua pele branca. O sangue jorra do corte, os tecidos carnudos avermelhados começam a sair pela abertura.

- Oh, meu Deus ! - falo...“ que porra é essa que está acontecendo com essa garota !? Será que ela é louca ? Será que tem algum tipo de desejo de morte ? ” Eu começo a caminhar em direção a maca.

- Fique longe ! - ela grita, golpeando com o bisturi na minha direção novamente - Só olhe. Preste atenção ! - ela empina o torso, braços abertos, como se quisesse oferecer uma melhor visão, porém eu consigo enxergar bem, só não estou conseguindo acreditar no que vi. Os dois lados do corte estão deslizando um em direção ao outro, como o rebento de uma planta, juntando, ou entrelaçando. O corte para de sangrar e começa a cicatrizar. Durante todo o processo, a garota respirava com dificuldade, não demonstrava nenhum sinal de dor.

- Que merda é essa ? - digo quase num sussurro. Voltei a respirar novamente. Eu acho que vou vomitar.

- Não chame o policial. Eu vou contar tudo, juro, só não grite para pedir ajuda, certo ?

Continua....



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