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História Innocence Is Not An Excuse - Capítulo 12


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Capítulo 12 - A Liberdade Parte 2


Vejo crianças felizes brincando enquanto seus pais conversam, pessoas caminham com seus cachorros, olho para o pipoqueiro que cumprimenta algumas pessoas que passam por ele, reparo em cada mínimo detalhe e naquele instante eu tive a certeza de que tudo seria diferente.

Eu estava livre, mas sozinha, não tinha ninguém, quer dizer, eu tinha os meus irmãos, mas não sabia onde eles estavam, e era a coisa que eu mais queria descobrir, precisava encontrá-los, só estava rezando para eles poder me perdoar.

Fui até a casa que eu morava na esperança de que talvez a minha tia estivesse morando lá com eles. Me escondo atrás de uma árvore e fico espiando para descobrir se meus irmãos estavam lá, enquanto fico à espreita me lembro do horror que vivi naquela casa, de cada surra, de cada ato de abuso. Sou interrompida dos meus pensamentos quando vejo um senhor de cerca de 70 anos e um menino de aproximadamente 10 saindo da casa, é, definitivamente meus irmão não moravam mais no mesmo lugar. Mas onde eles poderiam estar?

Eu estava sem dinheiro, sem telefone, não tinha nem como telefonar pra Sra Harter, eu estava perdida, mas de uma coisa eu tinha certeza, eu os encontraria custe o que custasse, nem que fosse a última coisa que eu fizesse na vida.

De repente eu escuto alguém chamar meu nome. Me viro e a vejo. Era Chloé. Sorrio e corro para abraçá-la.

-Não acredito que você está livre. -Ela disse.

-Nem eu acredito. -Falei. -Amiga, você tem algum celular? Preciso com urgência.

-Claro. -Ela disse ao me alcançar um.

Minha sorte que Sra. Harter fez eu decorar o número dela para algum caso de emergência. Apertei as teclas dos números e começou a chamar.

-Alô.

-Oi, Sra. Harter. -Falei. -É a Mia, eu fui solta.

-Ah, que bom, garota.

-Hã… A senhora sabe onde os meus irmãos estão? 

-Sei sim. Vou te mandar tudo por mensagem. -Falou, se pondo a desligar em seguida.

Pelo jeito ela não queria muito papo ou de repente não estava podendo falar no momento. Mas em seguida mandou uma mensagem para o celular da Chloé com o endereço dos meus irmãos. Mas peraí, eles não estavam nos Estados Unidos, e sim no… Brasil?

Como minha tia era brasileira e estava aqui de passagem, certamente resolveu voltar para o nosso país com os meus irmãos, mas sendo assim, como eu os encontraria? Estava só com a roupa do corpo e não tinha um centavo.

-Olha, eu tenho alguma grana, se quiser… -Falou Chloé.

-Não amiga, esse dinheiro é seu. -A interrompi.

-Mas você é minha amiga, eu sei o quanto você quer reencontrar os seus irmãos e eu quero lhe ajudar.

-Obrigada, muito obrigada. -Falei ao abraçá-la.

Chloé me levou até a sua casa, no entanto, eu esperei do lado de fora, ela me convidou para entrar, mas eu não quis, achei melhor assim. A minha amiga pegou o meu notebook e fomos até uma biblioteca que tinha perto da casa dela, chegando lá nos sentamos à mesa e ela comprou a passagem pela internet utilizando seu cartão de crédito. Consegui um voo no mesmo dia, porém à noite.

Chloé fez questão de ficar o dia todo comigo, sentiria saudade dela, era uma grande amiga.

-Acho que isso é uma despedida, então. -Ela disse.

-Não é uma despedida, é um até breve.

-Promete que vai me mandar mensagem?

-Todos os dias. -Respondi. -E quando você quiser pode me visitar no Brasil.

-Olha que eu vou mesmo. -Falou com um leve sorriso.

Ficamos um pouco em silêncio, eis que de repente ela pegou sua carteira e sacou 100 reais dela.

-Tome. -Disse ao fazer menção para me entregar. -Para o táxi quando chegar no Brasil e para o que mais você precisar.

-Eu não posso aceitar.

-Por favor, Mia. Aceite, como um presente de des… De até logo.

Mesmo achando que não seria justo, resolvi aceitar o dinheiro, mas só porque ele me ajudaria bastante.

Eu entrei no avião e me sentei em uma poltrona do lado da janela. Fico vendo o avião decolar, enquanto isso eu rezo para encontrar os meus irmãos no Brasil. Era um novo começo para mim, sem pais, sem amigos, sozinha, apenas com a roupa do corpo e 100 reais no bolso. Loucura? Talvez, mas pelos meus irmãos eu seria capaz de qualquer loucura, pois não desistiria deles jamais.

Eu estava tão cansada, que acabei dormindo. Acordei apenas quando o avião estava pousando. Olho pela janela, e mesmo não lembrando do Rio, eu percebo que não estava mais nos Estados Unidos, eu estava no Brasil.

Pego o papel, onde eu havia anotado o endereço de onde estavam os meus irmãos, eu não tinha ideia de onde era, não sabia nem se eu estava longe ou perto, a única coisa que eu sabia era que eu os encontraria.  Pego um táxi, mostro o endereço e o taxista me leva até o local, levou na base de uns 30 minutos, pago o valor da corrida e desço.

Logo avisto uma casa nem muito grande e nem muito pequena, mas muito bonita e bem cuidada. Tinha um lindo gatinho que estava deitado no quintal, o chamo, ele se aproxima de mim e eu lhe faço carinho. Então, tomo coragem e toco a campainha.

Uma mulher abre a porta, eu não a reconheci, não lembrava dela, mas certamente devia ser a minha tia. Estava séria, não gostei muito da cara dela. Será que eu estava na casa certa?

 

 



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