1. Spirit Fanfics >
  2. Innocence Is Not An Excuse >
  3. Violências

História Innocence Is Not An Excuse - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Violências


15 de agosto de 2008

Fico vendo Henry e Meg brincando com o Spike, nosso poodle. Eles correm pela casa com um brinquedo de pano nas mãos, enquanto Spike corre tentando pegar seu bichinho. Olho a chuva que cai do lado de fora. Começo a chorar, sinto uma enorme tristeza inexplicável, eu só queria sumir, queria morrer e queria que mamãe morresse também e as vezes deseja a morte do papai também.

Meus pais estavam dormindo, o tempo estava bom para dormir mesmo. Saio de casa, sem lembrar da chuva e corro pelas ruas. Algumas pessoas falam comigo, mas não respondo ninguém. Continuo correndo até chegar em uma casa que era dois quarteirões depois da minha. Toco a campainha e logo ele abre a porta.

-Mia?

O abraço, enquanto choro sem parar. Noah me retribui o abraço.

-O que houve? -Me pergunta.

-Posso ficar um pouco aqui?

-Claro.

Entro em sua casa e logo cumprimento os pais dele que estavam na sala assistindo a algum programa na televisão.

-Tá tudo bem, querida? -Me pergunta Sra. Harter.

Aceno a cabeça positivamente e logo Noah me leva para o quarto dele. Nos sentamos em sua cama e logo o abraço.

-Você está tremendo. O que houve?

Noah era a pessoa que eu mais confiava, mais do que a Ashley, mas eu achava que se eu contasse pra ele, Noah me diria ´´sério que você está assim por causa dessa bobagem? Que besteira, Mia! Isso é super normal´´, pois na minha cabeça isso de fato era normal, embora eu não gostasse e não entendesse a gravidade do que acontecia.

-Eu acho que quero morrer. -Falo.

-Quê? Você não pode dizer isso e nem pensar nessas besteiras. Tá maluca? Por que tá dizendo isso?

-Tô cansada. -Respondo. -Cansada dessa droga de vida, não aguento mais isso, só queria paz, só queria ser feliz.

-E você não pensa em mim? Eu sou seu amigo e gosto de você, não quero que você morra.

O abraço fortemente, sou abraçada por ele da mesma forma. Assim que nos distanciamos um pouco, eu lhe dou um selinho. Noto a surpresa dele.

-Por que você fez isso? -Pergunta ao colocar a mão na boca.

-Desculpa, é que eu gosto muito de você.

Era o jeito que eu conhecia para demonstrar o quanto eu gostava dele, o jeito que meus pais haviam me ensinado, na verdade, eles me beijavam de língua, mas eu achava muito nojento.

-Também gosto muito de você. -Diz Noah. -Mas... Mas eu nunca tinha beijado ninguém na boca.

-Não? -O questiono surpresa.

-Não! Você já?

-Hã... Não. -Menti.

Fiquei algum tempo na casa do Noah, estar com ele fazia eu ficar bem mais calma, até esquecia todos os problemas. Os pais de Noah me levaram pra casa, eu não queria ter que voltar. 

Meg e Henry estavam vendo desenho. Papai e mamãe ainda estavam dormindo, nem haviam notado que eu sai.

-Onde você foi? -Perguntou Henry.

-Fui falar com o Noah.

-Não gostamos de ficar sozinhos. Ficamos com medo. -Diz Meg.

-Mas os nossos pais estão em casa.

-Mas estão dormindo. -Diz. -Ou seja, dá no mesmo.

Em seguida, eles acordaram e começaram a preparar o jantar. Mamãe era uma péssima cozinheira, só sabia fazer arroz, omelete e bacon, nossa sorte que papai cozinhava bem, só assim para não morrermos de fome. A gente janta em silêncio. 

Eu tinha mais medo da minha mãe do que do meu pai, porque mesmo ele abusando de mim e dos meus irmãos, ele tinha momentos que era bom pra gente, mas a minha mãe não, e ela nos batia muito, a ponto de nos deixar marcas. Os motivos? Não existiam, eram porque deixamos algo fora do lugar, ou porque ela teve que nos chamar duas vezes para entrarmos em casa após um dia de brincadeiras na rua, ou então, pelo simples fato que ela queria nos bater. Isso acontecia sempre que meu pai não estava, pois senão ele não deixava, ele odiava que ela nos batesse, e quando ele descobria, os dois brigavam feio. Lembro de uma vez que meu pai chegou a bater na minha mãe, embora ele não fosse um homem violento, mas ele queria que ela sentisse na pele o que a gente sentia. Mamãe ficou meses sem encostar um dedo em nós.

_______________________x_________________________x_________________________

9 de setembro de 2008

Ashley passou o dia na minha casa, brincamos muito juntas, meus irmãos também brincaram conosco, nos divertimos tanto. Eu adorava estar com meus amigos, pois na frente deles, minha mãe parecia gente, ou fingia ser.

-Posso te contar um segredo? -Pergunto à Ashley enquanto meus irmãos brincam com Spike.

-Claro. Adoro segredos.

-Acho que eu estou apaixonada.

Ok, eu só tinha 8 anos e nem sabia ainda o significado dessa palavra, mas quando se é criança só o fato de você ter um melhor amigo ou achar um menino bonito, já é sinônimo de paixão.

-Sério? -Pergunta. -Não me diga que é o Noah.

-Aham. -Falo ao afirmar com a cabeça.

Ela sorri e eu lhe peço segredo. Nisso meus irmãos voltam querendo que a gente continue brincando com eles. 

Ashley foi embora um pouco antes de escurecer. Papai havia viajado, fazia dois dias que ele estava fora, eu não sabia se gostava ou não quando ele viajava, pois não éramos abusados, mas também não tinha quem cuidasse da gente. E esse dia foi cruel. Mamãe bebeu além da conta, ela não exagerava sempre na bebida, mas quando acontecia, era horrível. 

Ela estava fora de si, ria por nada, não falava coisa com coisa, ficamos muito assustados, ela nos deixava assim. Queria sair dali, mas não podia deixar meus irmãos sozinhos, eram tão pequenos.

Ela estava com muita raiva, um ódio absurdo de algo que eu não sabia o que era. Eis que ela me puxa pelos cabelos e me queima na barriga com seu cigarro. Grito de dor, enquanto ela dá risada. Em seguida, ela pega uma tesoura e corta um pouco do meu cabelo. Meus irmãos e eu choramos muito. 

Vejo uma garrafa caída perto da gente, a pego e dou com muita força na cabeça da mamãe, ela cai no chão desmaiada. Não demorou nem 1 minuto para que o chão tivesse virado uma poça de sangue.

-Você matou ela. -Diz Henry.

-Vamos embora daqui. -Falo aos prantos.

Meg pega Spike no colo e a gente corre. Novamente eu vou até a casa do Noah, o lugar que eu mais gostava e mais me sentia protegida.

-Meu Deus! -Diz Sra Harter. -O que houve com vocês? Andem, entrem.

A gente entra na casa. Eu vejo o Sr. Harter sentado no sofá, mas não vejo Noah. Logo, ele desce as escadas, seu semblante ao me ver é de preocupado.

-O que houve com vocês, crianças? -Me pergunta Sr. Harter.

-Acho que eu matei a minha mãe. -Digo ao abraçar a mãe do Noah.

Fico abraçada nela, que me devolveu o abraço, tento encontrar conforto.

-Nos expliquem isso. -Ela pede.

Conto tudo o que havia acontecido naquela noite. Os três ficam apavorados, alegaram que nunca imaginariam que minha mãe fosse capaz dessas monstruosidades. Em nenhum momento comentei dos abusos.

Eu estava com medo, com muito medo, não sabia o que aconteceria comigo. Os Harter´s deixaram a gente dormir em sua casa naquela noite. O Sr. Harter foi até a minha casa e nos informou posteriormente que ao chegar lá, encontrou mamãe sentada no sofá e sangrando muito, chamou uma ambulância pra ela, que foi levada ao hospital, mas também havia avisado a polícia. 

-Que bom que ela não morreu. -Me diz Noah.

-Eu queria que ela morresse. -Falo. -Mas não queria matá-la.

Noah fica me olhando em silêncio, sinto um ar de pena em seu olhar.

-As crianças não deviam passar por essas coisas. -Ele me diz.

-Ninguém devia passar por isso. -Completo.

-Quando eu crescer, vou cuidar de você pra nunca mais te machucarem. -Diz Noah.

Sorrio, lhe dou um beijo no rosto e o abraço.

Mamãe teve alta no dia seguinte e do hospital foi levada direta para uma clínica psiquiátrica, pois foi dada como louca. Papai demorou alguns dias ainda para voltar de viagem e até isso acontecer, ficamos na casa dos Harter´s, que nos cuidaram com todo amor e carinho, queria morar com eles.

Quando meu pai voltou da viagem, ele ficou sabendo do que havia acontecido e ficou apavorado, tive medo que ele desse um jeito de tirar a mamãe da clínica, mas ele não fez, disse que não queria ao lado dele, uma mulher que faz isso com seus filhos.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...