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História Innocence Is Not An Excuse - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Assassinatos


16 de setembro de 2008

Papai havia nos abusado naquela noite. Lembro do quanto ele gostava de gravar, dizia que era pra guardar de recordação, mas na verdade, ele ganhava dinheiro com isso, colocava pra vender em sites de pornografia infantil.

Meus irmãos e papai já estavam dormindo. Fico sentada no sofá da sala enquanto choro lembrando a merda que a minha vida é.

Spike se aproxima de mim e começa a me lamber, acho que ele tinha percebido que eu estava triste, mas eu não consegui perceber isso. Pobre Spike!

-Sai daqui vagabundo. -Digo ao repetir o palavrão que eu escutava papai falar quando abusava do mano.

Chuto Spike, que dá uma leve chorada. Ele se afasta, mas logo volta e pula no sofá. Olho pra ele com ódio, não era ódio dele, o bichinho não tinha culpa.

Fico com tanta raiva que não penso em mais nada, vou até a cozinha e pego uma faca grande, lembro o quanto eu tinha medo daquela faca. Spike se assusta e salta do sofá, as vezes acho que ele entendia mais do que eu pensava.

Lembro de todas as vezes que meus pais me machucaram, acabo esfaqueando o pobre do Spike, dou 10 facadas nele, que late e chora de dor. Choro também, eu não queria fazer aquilo. Spike estava morto.

Não sabia o que fazer, lavo a faca com muito cuidado e coloco no lugar. Olho para Spike tentando pensar no que eu posso fazer com ele, pego seu pequeno corpo e coloco na lata de lixo, que ficava no quintal da minha casa. Em seguida, limpo a mancha de sangue que havia ficado no chão de casa. Olho para todos os lados e não vejo vestígios nenhum.

Vou para meu quarto e me deito em minha cama. Choro muito. Eu tinha matado o meu amigo, meu companheiro há 5 anos, penso na tristeza que meus irmãos ficariam, mas na hora eu não lembrei disso, não lembrei de nada.

Não dormi a noite toda, e quando eu tentava, acabava tendo pesadelo.

No dia seguinte, uma quarta - feira, pela manhã fomos ao colégio.  Henry, Meg e eu estudávamos no mesmo colégio. Eu estava no terceiro ano do ensino fundamental. Noah e Ashley estudavam na minha turma, a gente não se desgrudava em nenhum momento, mas naquela manhã eu estava distante, não parava de pensar o que eu havia feito, tinha medo que alguém descobrisse.

-O que houve? -Perguntou Ashley. -Não tá se sentindo bem?

-Tô com um pouco de dor de barriga, mas vai passar. -Digo.

Assim que meus irmãos e eu chegamos em casa, Henry e Meg já vão logo chamando por Spike. Papai nos chama para conversar, ele senta de frente pra gente, e diz:

-Queridos, não sei nem como dizer isso...

Acho que eu sabia o que ele ia dizer, sinto muito medo dele ter descoberto que fui eu.

-Acontece que hoje pela manhã eu fui jogar o lixo fora e encontrei o Spike lá na lixeira. -Diz papai.

-Que danado! -Fala Meg. -Aposto que ele estava procurando comida, como se ele morresse de fome.

-Não, querida. -Diz meu pai. -Ele estava morto.

Meus irmãos ficam em estado de choque e começam a chorar. Eu finjo surpresa e tristeza.

-Quem fez isso com ele? -Perguntou Henry.

-Não sei, mas com certeza foi alguém sem coração. -Fala meu pai.

Abraço meus irmãos e choramos, eu também, afinal, sofri por ver eles chorando e por lembrar do que eu havia feito, como queria esquecer tudo isso, queria poder apagar o meu passado.

Os dois ficaram tão tristes, e tudo por minha culpa. O enterramos no quintal de casa. Meus irmãos não tinham vontade nem de brincar.

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28 de  setembro de 2008

Era um domingo. Ashley e eu fomos com Noah e seu pais ao zoológico, onde vimos diversos bichos irados. Eu queria que meus irmãos tivessem ido também, mas papai não deixou por eles serem muito pequenos, eu entendia. 

Adorei dar banana para os macacos, eram tão fofos. Mas o que eu mais gostei de ver foi o elefante, porque um dos meus desenhos preferidos era o Dumbo. Nos divertimos tanto nesse dia. Ashley, Noah e eu brincamos muito no gramado, onde depois fizemos um mega piquenique. 

Eram tão raros esses momentos que eu estava feliz, como queria que eles durassem pra sempre. As vezes pensava em dizer para Noah que eu tinha mudado de ideia e queria que os pais dele me adotassem também, eu gostava muito dos Srs Harter´s, eram os pais que eu sempre quis ter, mas eu não conseguiria abandonar meus irmãos, preferia sofrer com eles do que deixá-los sozinhos.

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2 de outubro de 2008

Meus irmãos, Noah, Ashley e eu estávamos brincando na rua junto de outras cinco crianças, (Callie, de 10 anos e seu irmão, Miguel, de 7 anos, Philipe, de 5, David, de 6 e Maia, de 7). Estávamos jogando futebol. Eu canso e resolvo me sentar na calçada para descansar. Fico vendo David jogar, ele jogava muito bem pra um menino tão pequeno, pois ele tinha 6 anos, mas aparentava ter menos por causa do tamanho, era muito baixinho. Não éramos muito amigos, mas as vezes brincávamos juntos, ele era divertido, talvez ainda fosse.

-Cansou? -Pergunta Noah ao sentar do meu lado.

-Aham. -Falo.

Ele fica ali comigo e ficamos vendo os nosso amigos jogando futebol. Eu gostava de brincar na rua, pois assim ninguém me machucava.

Observo sem parar o David, não sei por que ele havia chamado a minha atenção de uma hora pra outra.

Ao anoitecer cada criança começou a ir pra sua casa. David era o que morava mais longe, também era o primeiro a ir embora, mas nesse dia ele foi um dos últimos. 

-David, quer que eu te acompanhe até sua casa? -Pergunto.

-Eu quero, obrigado Mia. -Ele diz com um sorriso banguela.

-Querem companhia? -Pergunta Noah.

-Não precisa, obrigada. -Digo.

Ele sorri, se despede de mim com um beijo no rosto e vai embora. Fico vendo - o se afastar. Todo mundo já tinha ido para suas casas. Levo David até um beco que tinha perto da casa dele, as vezes pegávamos aquele atalho para ir pra sua casa, porque chegávamos mais rápido.

Era cerca de 20h, não tinha mais ninguém na rua, a não ser alguns ratos de esgoto, mas isso não era problema pra mim.

Enquanto caminhamos em silêncio, lembro do que papai fez comigo e me obrigou a fazer com ele, e também lembro dele fazendo o mesmo com meus irmãos.

-Hey, espera. -Digo.

-O que houve?

-Tenho uma ideia! E se antes de você ir embora, a gente brincasse mais um pouco?

-Não sei... -Falou meio receoso. -Tá tarde, meus pais estão me esperando para o jantar.

-É rapidinho, é uma brincadeira nova, você vai gostar.

-Tá bem. -Falou ao abrir um sorriso.

Olho para os lados para ter certeza de que não tinha ninguém. O puxo para um canto, perto da parede, e lhe digo:

-Baixa a bermuda!

-Por quê?

-Vamos, é assim a brincadeira.

-Não sei se eu quero.

-Anda David, não seja bobo. -Falo aborrecida.

-Tá bem. -Disse contrariado.

Ele baixou a bermuda, ficando apenas de cueca, uma cueca box do Bob Esponja, lembro como se fosse ontem. Olho novamente para os lados e então coloco minha mão dentro da cueca dele.

-O que você tá fazendo? -Me pergunta. -Eu não quero, não gostei disso.

Me abaixo, levanto a cabeça olhando para ele, e lhe digo:

-Já mandei você parar de ser bobo, agora fica quieto.

Começo a abusar dele, que pede pra eu parar, mas eu finjo que não escuto. 

Eu não queria fazer nada disso, não sei porque eu fiz, acho que eu queria que ele passasse pelo que eu passei. Até hoje não entendo o aconteceu comigo pra eu fazer tudo isso, não sei quando eu me tornei essa pessoa tão ruim.

Me levanto, e fico de frente pra ele, que me olha assustado.

-O que foi? Você não me acha gostosa? 

-Eu não sei.

-Papai me acha. -Digo.

-Quero ir embora e vou contar tudo pra minha mãe.

-Não vai, não. -Digo ao pegá-lo pelo braço.

-Vou sim, porque eu não gostei disso. -Fala bravo.

Ele me dá as costas, se pondo a caminhar. Olho para os lados, não sei o que fazer, ele não podia contar o que havia acontecido. De repente eu o empurro, ele cai e bate a cabeça em um tronco de árvore, David fica inconsciente, ele não estava se mexendo.

-David, David. -O chamo.

Ele estava morto. Morto por minha causa. 

 



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