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História Ino, a Aprendiz de Feiticeira - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Livros que voam e gatas amaldiçoadas


Ino

Salazar me ajude! Eu acho que acabei me confundindo e acabei fazendo o feitiço errado. Porcaria, meus pais estão mesmo certos: Deidara é um bruxo incomparavelmente melhor. Aposto que o cretino acertaria na sua primeira tentativa.. Eu sou mesmo um vexame e pior – não posso, sob hipótese alguma, contar sobre a besteira que acabei de fazer. Porque teoricamente eu ainda não sou uma feiticeira completa e sim aprendiz, então, na teoria, eu só deveria estar estudando e não praticando.

Pensando pelo lado positivo, eu tinha conseguido fazer com que Itachi desaparecesse num estalar de dedos (quase literalmente). O lado negativo é que eu não tenho muita certeza se ele foi mesmo transformado em um cachorro. Quero dizer, tem noventa por cento de chance do rottwelier preto, de olhos castanhos, ser meu ex-namorado. Eu nunca tinha visto esse ser canino perambulando aqui pelas ruas antes... Então, possa ser que seja ele. Mas e se não for? E se eu simplesmente apaguei a existência dele? Não vou negar que eu ficaria profundamente aliviada com esse fato, afinal durante as últimas três semanas, ele estava determinado a me enlouquecer inventando diversos boatos ao meu respeito.

—E então? — pisquei os olhos e ergui a cabeça, a tempo de me deparar com Kisame me encarando fixamente. — Tudo certo para hoje à noite?

Sei o que você provavelmente estar pensando: sair com o melhor amigo do ex-namorado é coisa de pirigueti. E eu concordo totalmente. É a pior coisa que você pode fazer, se ainda gostar dele, agora se você quiser magoá-lo e ser odiada, a meu ver, é a coisa mais lógica.

—Sim, eu só preciso esperar meu irmão chegar para cobrir meu turno aqui na livraria.

É exatamente isso o que você acabou de ler: minha família tem uma famosa livraria no centro da cidade, a Senju Books.  Nós poderíamos ter uma lanchonete ou um restaurante, mas meus bisavôs acreditavam que o melhor disfarce para nova-iorquinos mágicos seria uma livraria. Pode ter funcionado na época deles, mas em pleno século XXI? Na época dos famosos e-books, quando boa parte das livrarias físicas estão sendo extintas? É ligeiramente suspeito, para não se dizer muito óbvio que nós tínhamos algo de esquisito.

De qualquer forma, eu preferia trabalhar disfarçada de atendente ou balconista a seguir os passos do meu irmão mais velho, que orgulhosamente quis trabalhar no Ministério da Magia – e acredite, não é nada, absolutamente nada parecido com o Ministério de Harry Potter, infelizmente.

—Eu te pego as dezessete. — decretou alegremente, piscando os olhos na minha direção e eu sorri de maneira cumplice.

Pelo menos até ver um livro de capa grossa, realmente grande literalmente flutuar das prateleiras eu escancarei a boca, perplexa. O que diabos significa aquilo?!  Inutilmente, tentei me lembrar do feitiço para fazer os objetos pararem de flutuar e voltarem aos seus lugares, sem muito sucesso.

O mais perturbador, no entanto, aconteceu minutos depois: o livro, que aparentemente possuía vida própria, acertou Kisame na cabeça com força e minutos depois, Hoshigaki estava caído no chão desacordado. Escancarei a boca, horrorizada e então voltei a encarar o livro, que refez o trajeto de volta, retornando para o lugar que estava na prateleira.

Olhei para o corpo desmaiado de Kisame e em seguida para o livro, genuinamente confusa.

Escutei um familiar ronronar de gato atrás de mim, e me virei a tempo de encarar Sakura, deitando confortavelmente sobre o balcão. Ela também era uma feiticeira, mas teve a infelicidade de ser amaldiçoada pelo ex-namorado rancoroso, e ali estava ela: em todo seu esplendor de pelugem cor-de-rosa e olhos verdes que pareciam esmeraldas de tão brilhantes.

—Em que feitiço você estava pensando, para fazer esse livro desgraçado atingir o coitado do Kisame, Inozinha?

—Dessa vez eu juro que eu não fiz nada! — choraminguei apreensiva. — O livro literalmente voou e acertou Kisame na cabeça e depois ele desmaiou.

—Isso é bem estranho. — ela comentou, ronronando novamente. Eu sempre quis saber como deveria ser passar novecentos anos em forma de gata. Embora não conseguisse voltar a sua vida humana, ela ainda conseguia usar magia para provocar estragos por aí realmente admiráveis. — Eu podia jurar que tinha sentido o cheiro desagradável daquele Uchiha aqui por perto.

—Do Itachi? — fiz careta, descartando aquela possibilidade. — Se ele estivesse por perto, acredite, eu saberia. — ou talvez não, afinal, eu o tinha feito desaparecer. E se ele reaparecesse na forma de um animal? — Oh! — exclamei, arregalando os olhos. — Será que você está falando daquele cachorrão assustador na esquina?

—Não, aquele cachorro não fedia a Uchiha. — afirmou, mexendo os narizinhos da forma mais meiga possível. Ela então começou a miar, enquanto se espreguiçava. — Eu podia jurar que ele está aqui agora, inclusive. — ela fez uma cara confusa e deixou o balcão, caindo elegantemente no chão, a procura dele.

—Eu acho que acabei deixando você paranoica também. — fiz biquinho, pensativamente e então soltei um grito.

Sakura se virou rapidamente para me encarar, com os pelos róseos arrepiados e eu arregalei os olhos.

—O que foi, Senju?

—Eu juro que senti alguém batendo na minha bunda. — disse, fazendo uma careta, me virando rapidamente, afoita, somente para descobrir que não havia nada atrás de mim.

Nada nem ninguém.

Passei a mão no local que recebi o tapa e franzi o cenho, confusa. E então, segundos depois, senti novamente uma mão estapear em cheio a minha bunda, dessa vez do outro lado.

—Mas que m... — não havia absolutamente nada ali, exceto meu reflexo assustado me encarando de volta na janela da livraria. — Sakura, aconteceu de novo.

Ela começou a espirrar atrás de mim, loucamente, antes de voltar a pular sobre o balcão.

—Estou sentindo cheiro de Uchiha, Ino. E está vindo daqui. — acrescentou.

—De trás do balcão? — fiz uma careta. Era extremamente improvável. — Você está mesmo paranoica! Aqui não tem ninguém, Saky, só eu!

Eu sabia que ela odiava mortalmente Uchihas, desde que supostamente foi atingida pelo ‘último ancestral bruxo poderoso’ da linhagem deles, um cara chamado Madara, que resolveu amaldiçoa-la por toda a eternidade. Mas não fazia ideia de que ela ainda acreditava na possibilidade dos Uchihas dessa geração também serem bruxos.

Quero dizer, eu deveria saber sobre o Itachi ser um feiticeiro de sangue-puro, não é mesmo?

—Ah, porra! — gritei. Eu podia jurar que alguém estava apalpando os meus seios.

Grunhindo, vi Sakura pular do balcão em minha direção e instintivamente esquivei-me para o lado oposto. A paranoia dessa bruxa ainda vai ser a ruína dela.

—Uchihas! — ela grunhiu, fazendo uma careta hilária. Quem visse de fora podia afirmar que minha gatinha de estimação era a felina mais expressiva de todo o mundo. — Eu continuo sentindo aquele cheiro maligno, Ino! Ele está aqui, eu sinto isso!

Kisame levantou-se do chão, mas não se parecia em nada com o Hoskigaki que eu conhecia: seus olhos estavam vermelhos, de um tipo que até então, eu nunca tinha visto antes.

E então algo ainda mais estranho aconteceu: Aparentemente possuído, Kisame literalmente se jogou em cima do balcão, na tentativa de agarrar Sakura, que amedrontada, correu para longe. Ele correu atrás dela, exprimindo sons incompreensíveis e eu torci mentalmente para que meu irmão estivesse ocupado com algum cara, para esquecer de vir trabalhar na livraria.

—Pelas catacumbas! —  e, contrariando minhas expectativas, ele apareceu magicamente. — Por que ele está perseguindo a Sakura?!

Era algo que eu também me perguntava.



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