História Inocência roubada - Capítulo 29


Escrita por: ~

Visualizações 234
Palavras 6.048
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


BOA LEITURA LITTLE DETECTIVES <3
BEIJOXXX

Capítulo 29 - Uma surpresa e vários medos


 

Quebec – Baie-Comeau – Madrugada de Terça para Quarta – 2:15 am

EMMA’S POV

Não sei quanto tempo a segurei em meus braços. Não sei quanto tempo ela ficou desacordada em meu colo. Eu sentia seu corpo gelado e adormecido em cima do meu e pedia mentalmente que ela ficasse comigo. O frio extremo do lado de fora estava deixando minha pele roxa e eu já não sentia as pontas dos dedos. As lagrimas secas em meu rosto formavam uma cicatriz de gelo dolorida e cortante.

Ainda estávamos na grama. Eu tentava aquece-la com meu corpo, mas minha capacidade térmica tinha se esgotado algumas horas atrás. Eu não conseguia me esquentar e nem deixa-la confortável. Os cortes em suas costas estavam vermelhos e as marcas arroxeadas em volta começavam a aparecer sobre sua pele branca. Minha vontade era de beijar e tocar cada pedaço daquele incidente. A cada centímetro de pele cortada uma parte de mim havia sido arrancada.

Ouvi passos se aproximando. Apertei Regina em meus braços e esperei para ver o que viria em seguida. Quando olhei era apenas Ingrid indicando que nós já podíamos entrar de novo no quarto. Eu suspirei e com dificuldade me levantei, coloquei os braços de Regina sobre meus ombros e com uma força incomum e surpreendente eu a carreguei nos 300 metros que tinham entre nós e a porta de entrada do nosso cativeiro. Não olhei para Ingrid, não queria saber o que ela sentia em ver a minha dor ao carregar a pessoa que eu amava nos braços. Ela que apodrecesse no inferno independente do que a tivesse a prendendo ali.

Respirei fundo e arfei pesado parando em frente a escada que descia para o quarto. Descansei um pouco antes de descer. Inspirei todo ar que pude, senti meu pulmão arder e desci as escadas. Ouvi Ingrid trancar o fecho e então eu cai no chão tentando não deixar o corpo dela cair com o mesmo peso que o meu. Eric e Henry apareceram no meio da escuridão.

─ Emma! O que aconteceu? ─ Henry se agachou e tentou encostar no corpo de Regina. Eu a agarrei com força e deixei que as lagrimas descessem.

─ Nada! Não encoste nela! ─ eu tirei suas mãos e o afastei.

─ Emma se acalme! Só queremos ajudar! ─ Eric falou se ajoelhando ao meu lado ─ o que houve?

─ NADA! ─ eu gritei e tentei ficar em pé novamente e carrega-la ate o banheiro ─ NOS DEIXEM EM PAZ! ─ Henry tentou vir atrás de mim, mas Eric não deixou.

─ Ela precisa de tempo Henry... ─ Eric falou e Henry apenas concordou.

Arrastei o corpo dela e ela começava a acordar. Encostei-a de lado na parede do banheiro e tranquei a porta. Abri as duas torneiras da banheira na agua quente e deixei-a enchendo enquanto eu terminei de rasgar a blusa dela que já estava um trapo. Ela balbuciava algumas palavras, mas eu não conseguia entender. Tirei toda sua roupa e a levantei deixando seu corpo abraçado ao meu. Tirei meu tênis e de roupa, entrei na agua que preenchia a porcelana manchada da banheira.

Deixei-a de bruços sobre o meu corpo e assim que a agua quente tocou-lhe a pele ela gemeu e agarrou-se em minha cintura. Fui molhando cada parte com cuidado, sabendo que teria que limpar aqueles cortes e que isso provavelmente doeria muito em mim, porem não mais do que nela. A agua quente devolveu o rubor em seu rosto e ela lentamente abriu os olhos. Passei as mãos sobre seus longos cabelos negros e fitei aqueles olhos castanhos escuros.

─ Xiii, vai ficar tudo bem, meu amor! ─ passei minhas mãos molhadas sobre seu rosto ─ vai ficar tudo bem...

Ela fechou seus olhos ao ouvir minha voz. Vi suas lagrimas descerem e se misturarem com a agua do banho. Um leve soluço inundou o oceano do silencio. Eu a segurei mais forte contra mim. Olhei para suas costas e suspirei. Com uma das mãos, eu peguei lentamente um pouco de agua e despejei sobre a região avermelha. Regina gemeu e pressionou minha cintura.

─ Meu bem, eu preciso limpar isso ─ ela apenas soluçou. Puxei seus cabelos para o lado ─ eu nunca vou me perdoar por isso! ─ deixei minhas lagrimas escorrerem ─, saiba que cada corte desse ta marcado dentro de mim ─ Regina soltou outro soluço e suas lagrimas ficavam mais grossas.

─ Eu te amo Emma! ─ ela sussurrou baixinho usando toda a força que tinha dentro de seus pulmões.

─ Eu te amo tanto! ─ beijei seus cabelos ─ vamos fazer isso juntas, preste atenção na minha voz! ─ comecei a sussurrar uma melodia.

[PLAY/ I’ll keep you safe – Sleeping at last – Alison Jiear Cover]

I’ll keep you safe

Eu vou mantê-la segura.

Try hard to concentrate.

Tente bastante se concentrar.

Hold out your hand,

Estenda a sua mão,

Can you feel the weight of it?

Você pode sentir o peso disto?

The whole world at your fingertips

O mundo inteiro ao seu alcance.

Don’t be, don’t be afraid.

Não tenha, não tenha medo.

Our mistakes, they were bound to be made.

Nossos erros, eles foram compelidos a serem feitos.

But i promise you i’ll keep you safe

Mas eu prometo que vou mantê-la segura

Eu cantava e limpava cada parte dos cortes. Sentia Regina puxar minha blusa embaixo d’agua e chorar alto. Cada gemido de dor arrancava uma parte da minha alma e eu a via partir para algum lugar aonde eu jamais iria vê-la novamente. Eu expirava meus sonhos e esperanças para fora em cada grito dela.

You’ll be an architect,

Você vai ser uma arquiteta,

So pull up your sleeves

Então, puxe as mangas

And build a new silhouette

E construa uma nova silhueta

In the skylines up ahead.

Nos horizontes à frente.

Don’t be, don’t be afraid.

Não tenha, não tenha medo.

Our mistakes, they were bound to be made.

Nossos erros, eles foram compelidos a serem feitos.

But i promise you i’ll keep you safe.

Mas eu prometo que vou mantê-la segura.

I’ll keep you safe.

Eu vou mantê-la segura.

Your darkness will be rewritten

Sua escuridão será reescrita

Into a work of fiction, you’ll see.

Em uma obra de ficção, você vai ver.

As you pull on every ribbon

Conforme você puxa cada fita

You’ll find every secret it keeps

Encontrará todos os segredos que isto mantém.

Eu poderia perder meus sonhos, minhas esperanças, minha alegria, minha alma e ate minha vida. Porem aqui e agora, eu selava mais uma vez a promessa de eu faria tudo que eu pudesse para que pelo menos meu coração retornasse para casa.

Your darkness will be rewritten

Sua escuridão será reescrita

Into a work of fiction, you’ll see.

Em uma obra de ficção, você vai ver.

As you pull on every ribbon

Conforme você puxa cada fita

You’ll find every secret it keeps.

Encontrará todos os segredos que isto mantém.

The sound of the branches

O som dos ramos

Breaking under your feet,

Quebrando sob seus pés,

The smell of the falling

O cheiro da queda

And burning of leaves,

E queima de folhas,

The bitterness of winter

A amargura de inverno

Or the sweetness of spring,

Ou a doçura da primavera,

You are an artist

Você é uma artista

But your heart is your masterpiece.

Mas o seu coração é a sua obra-prima.

And i’ll keep it safe

E eu vou mantê-lo seguro.

Se ela voltasse para casa, meu coração estaria em casa. Não importa como ou onde ela esteja, ele sempre esteve e estará com ela e tenho certeza que ela entregara para minha mãe a parte dele que lhe cabe, ao meu pai o amor que eu guardei e ao meu irmão o espaço enorme dentro dele que ele sempre ira poder chamar de casa. Sei que eles ficarão arrasados, mas um dia você é colocado diante de escolhas e elas não são fáceis ou pelo menos não tornam tudo acessível como você imaginava. Com ela você perde, você se machuca, você se prejudica, mas ao mesmo tempo em que você olha para tudo ao seu redor e vê tamanha a dor que lhe causa, você também vê tamanha foi a barganha em sofrer no lugar de quem se ama.

Dismiss the invisible

Dispense o invisível

By giving it shape,

Ao dar-lhe forma,

Like a clockmaker fixes time

Como um relojoeiro corrige o tempo

By keeping the gears in line.

Ao manter as engrenagens em linha.

Don’t be, no don’t be afraid.

Não tenha, não tenha medo.

God knows, our mistakes will be made.

Deus sabe, nossos erros serão feitos.

But i promise you i’ll keep you safe.

Mas eu prometo que vou mantê-la segura.

As you build up your collection

Conforme você cria sua coleção

Of pearls that you pulled from the deep,

De pérolas que você extraiu do fundo,

A landscape more beautiful

A paisagem mais bonita

Than anything that i’ve ever seen

Do que qualquer coisa que eu já vi.

Eu prometeria qualquer coisa para ela. Qualquer coisa para tira-la dali. Sentia as elevações dos sulcos, sentia o quão profundo tinha sido a lesão em sua pele e enquanto me sentia vazia de mim mesma e me perdendo aos poucos naquela vasta imensidão de dor e sofrimento, ao mesmo tempo eu sentia-me sendo preenchida por uma raiva e rancor imensurável que acendia uma chama ardente dentro de mim.

The sound of the branches

O som dos ramos

Breaking under your feet,

Quebrando sob seus pés,

The smell of the falling

O cheiro da queda

And burning of leaves,

E queima de folhas,

The bitterness of winter

A amargura de inverno

Or the sweetness of spring,

Ou a doçura da primavera,

You are an artist,

Você é uma artista,

But your heart is your masterpiece.

Mas o seu coração é a sua obra-prima.

And i’ll keep it safe.

E eu vou mantê-lo seguro.

Nova York – NYPD – Quarta –feira – 9:30 am

Depois da ligação do departamento de policia de Los Angeles, Zelena não tinha conseguido pregar os olhos aquela noite, o que era bem visível no seu rosto sob aquela pela branca com algumas sardas. Ela anotou tudo o que o Tenente Deeks havia passado para ela pelo telefone e ela ficou de entrar em contato assim que tivesse mais noticias e mais pistas sobre o caso. A ruiva olhava com atenção suas anotações e tentava pensar em como tudo aquilo poderia fazer algum sentido.

Todos os seus detetives estavam já na delegacia, juntamente com os detetives de Chicago. Apenas Voight que estava para chegar de uma reunião via Skype com a corregedoria do seu estado para passar as informações sobre as investigações. Zelena esperava sinceramente que eles não fossem tão formais e ridículos como os de NY e deixassem que eles ainda permanecessem com a união.

─ Tem certeza que foi isso mesmo que ele disse? ─ Belle indagou a Zelena enquanto eles esperavam na sala de reuniões.

─ Estou tão chocada quanto você, pode acreditar! ─ a ruiva afirmou.

─ O sargento Hank mandou uma mensagem ─ disse Erin olhando seu celular ─ ele esta a caminho!

─ Aleluia ─ disse Jennifer ─ esse nervosismo já ta me dando fome!

─ Jen tudo te da fome! ─ disse August.

─ Cala boca! Isso não é verdade! ─ ela protestou.

─ É sim! ─ disse Sean ─ Jen você ta sempre comendo!

─ Vocês montaram um complô contra mim, isso sim! ─ ela resmungou. Zelena apenas ria dos seus detetives.

─ Aposto que não come mais donuts do que o Jay! ─ disse Erin

─ Ei! Não me joga na rodinha! ─ ele protestou.

─ A nossa loira come feito um pedreiro ─ disse Jeff ─ isso em dias que ela ta normal!

A conversa entre os detetives fluía e Zelena apenas ruminava os seus pensamentos varias e varias vezes fazendo um nó dentro do seu cérebro. De repente Voight bateu a porta e deu entrada na sala.

─ Desculpa a demora, sabe como são os cara de terno! ─ ele bufou.

─ Sabemos! ─ Belle sorriu para ele e o viu tomar o lugar a mesa.

─ Bom, qual o motivo da reunião? ─ ele perguntou e cruzou os braços tomando sua posição carrancuda e empedrada. Zelena se posicionou e ficou ereta. Ela suspirou e pigarreou chamando a atenção de todos.

─ Bom, eu chamei todos aqui porque é de comum conhecimento que nossa investigação caminha a passos de tartaruga! ─ todos cochicharam e concordaram com a cabeça ─ Não estou desmerecendo o trabalho de vocês! Pelo contrario, tenho visto o desempenho de todos para que tudo saia o mais rápido possível, mas parece que a cada passo que damos pra frente algo nos puxa dois passos para trás! ─ ela suspirou.

─ Temos que concordar! Infelizmente... ─ disse Jay.

─ Mas então qual o motivo disso? ─ perguntou Jennifer.

─ O detetive Sean entrou em contato com a NCMEC ontem, mesmo sabendo que nós ainda não tenhamos provado o sequestro que pra nós já esta mais do que na cara! ─ ela respirou fundo ─ a NCMEC trabalha com exploração, trafico e abuso sexual infantil o que remete a nossa área!

─ Quando eu entrei em contato com eles e expliquei o nosso caso e o de Chicago, eles explicaram que pela idade das meninas e pelo tempo que elas estão desaparecidas e sem um corpo para provar a morte, poderia sim indicar trafico de crianças para exploração sexual ─ explicou Sean.

─ Ela também disse que não fazia muito tempo, a policia de Los Angeles havia feito contato com eles e realizado as mesmas queixas! ─ Zelena explanou para todos. Os detetives acompanhavam atentos e espantados.

─ Certo, e o que temos agora? ─ perguntou Voight.

─ Ontem a noite o detetive Deeks fez contato com a NYPD e eu conversei com ele ─ Zelena o encarou e Voight apoiou-se na cadeira esperando pelas próximas revelações ─ ele disse que no dia 28 de Maio uma mãe foi ate a delegacia e registrou o desaparecimento de seu filho único Henry Clark de 16 anos e a única informação que ela tinha era que ele tinha um encontro com uma garota no píer de Santa Monica e nada mais! ─ disse Zelena lendo as anotações.

─ Deixe-me adivinhar ─ começou Voight ─ eles não acharam nada além dos pertences do garoto e zero pista e evidencias de onde ele possa estar? ─ ele encarou a tenente. A ruiva apenas suspirou confirmando as indagações do sargento.

─ Termina de contar pra ele o que mais ele te contou chefe! ─ disse Sean.

─ Além disso ─ começou Belle que já estava por dentro das anotações ─ o tenente Deeks contou que quando viu que eles não tinham nada suficiente para encontrar o garoto, ele mesmo começou a procurar sobre desaparecimentos semelhantes como Sean tem feito todo esse tempo!

─ Porem ─ disse Zelena ─ ai esta o erro!

─ Eu procurei por desaparecimentos em Nova York e Chicago certo? ─ Sean perguntou e todos assentiram positivo ─ porem, depois de ter o parecer da NCMEC de que havia um caso em LA parecido e ter conversado antes com o detetive de lá eu encontrei o erro...

─ E qual seria? ─ perguntou Voight curioso.

─ Eles não estão sequestrando no mesmo estado! ─ Zelena concluiu o a discussão.

*Flashback On*

Ginny brincava com as garotas que agora, contando com ela, eram dez. A pequena achava o máximo o plano de resgatar as meninas que assim como ela precisavam de ajuda e precisavam de uma casa mais divertida e mais irmãs assim como ela pensava. Porem, com o passar de algumas semanas, a morena notou a visita de alguns homens de terno. Eles vinham com frequência tarde da noite e sempre uma das meninas era levada para recebe-los.

Ela não entendia, mas aos poucos, com o passar das semanas e dos meses elas começaram a se tornar arredias, caladas, tristes e todo o encanto parecia ter acabado como o da Cinderela. Tudo havia terminado a meia noite. Ginny já não sentia-se contente com a presença delas, não conseguia ter a mesma alegria e nem a mesma diversão. Elas choravam com frequência e pediam para ir embora, o que a deixava ainda mais confusa. Para ela tudo aquilo era o paraíso. Seu pequeno reino.

Cansada de ver todo aquele ciclo de sofrimento e confusão, a pequena saiu em busca de sua própria amiga. Ela já se sentia preparada para fazer aquilo sem a supervisão de Pimp e não queria que ele soubesse que ela estava arranjando mais uma garota para morar na casa. Ela pegou sua bicicleta que já estava ficando velha e enferrujada e saiu escondida em uma tarde em que os empregados estavam ocupados demais para perceber a ausência da menina.

Ela rodou alguns quarteirões ate achar uma praça meio abandonada e decidiu que iria ficar ali o tempo que achasse necessário. Encostou a bicicleta na grade que circulava a pequena praça e sentou na grama rala e seca. Ela esperou. Esperou. Porem nada aconteceu. Parecia que ninguém naquele bairro estava a fim de frequentar a praça naquela tarde fria de inverno. Ginny bufou decepcionada e foi ate sua bicicleta para ir embora, quando uma garota entrou correndo e agachou-se atrás da grade. A morena a encarou assustada.

─ Não fique ai olhando! ─ a menina falou ─ vem pra cá! ─ Ginny correu e agachou-se ao lado da menina sardenta com os cabelos ondulados.

─ Do que esta fugindo? ─ Ginny a perguntou curiosa e a menina apenas sorriu e sentou no chão.

─ De nada! ─ ela deu de ombros ─ na verdade, do cara da lanchonete! ─ ela olhou de novo em direção da rua.

─ Porque iria fugir dele?

─ Eu comi e não tenho dinheiro pra pagar! ─ ela falou e Ginny a fitou com seus olhos verdes. Ela podia ser a escolha perfeita.

─ Você quer morar comigo? ─ Ginny olhou em seus olhos azuis cor de safira e viu a menina ficar confusa.

─ Voce é doida? ─ ela riu.

─ Eu to falando serio! ─ Ginny ─ eu moro em uma casa grande, Pimp leva muitas crianças pra la, mas ele não vai saber de você! ─ a menina olhou para ela.

─ Certo! Eu vou! ─ Ginny sorriu.

─ Alias qual seu nome? Quantos anos você tem? ─ a morena perguntou.

─ Meu nome é Angelina, tenho quase 15 anos e você?

─ Me chamo Ginnifer, mas me chame de Ginny e eu tenho 13 ─ ela sorriu. Ficou contente por ter finalmente achado uma amiga.

*Flashback Off*

Quebec – Baie-Comeau – Quarta-feira – 1:30pm

Gold estava em uma reunião com mais três sócios para que pudessem manter o site no ar e para que houvesse fundos o suficiente para manter o plano ativo. Malcom estava na reunião e já havia assinado o contrato e estava mais do que satisfeito em poder colaborar com o parceiro, mesmo que fosse apenas assistindo e participando de vez em quando viesse o visitar. Gold havia feito uma reunião especial com Malcom antes de chamar os outros sócios, não apenas por confiar e por te-lo como parceiro há mais tempo, mas por saber que ele cumpria com o que falava e isso o agradava, então garantia que Malcom tivesse uma parte especial em seus planos, o que o fez assinar o contrato sem pensar duas vezes.

Gold ficava satisfeito em ter alguém para confirmar que seu plano não havia como dar errado. Ele explicou nos mínimos detalhes como cada processo funcionava e como não havia chances da policia os encontrar dessas, já que todas as evidencias haviam sido devidamente apagadas. Tudo que apontava para eles tinha sido varrido para o esquecimento e ninguém suspeitaria deles.

Os futuros sócios não podiam negar que a ideia era mais do que tentadora. O plano fora muito bem executado e Gold contava com ótimos capangas ao seu lado que faziam um ótimo trabalho. O ego do velho apenas se inflava ao ouvir tais elogios e ele apenas orgulhava-se de ter pensado em algo tão brilhante como aquilo. Claro que ele sabia que teria que domar cada peça do tabuleiro que ele mantinha naquele quarto, mas com o tempo ele os teria na palma da mão e tudo se tornaria fácil e fluiria como o curso de um rio.

Colin e Neal estavam do lado de foram da casa fumando e Colin ainda estava preocupado com a sua ficha em Nova York e o que a policia estaria pensando sobre a viagem prematura de toda a equipe para Miami. Neal tentava acalma-lo.

─ Fica tranquilo! ─ ele deu uma tragada em seu cigarro ─ deixei tudo em ótimas mãos!

─ Eu confio em você, porem aquela ruiva pode ser nova, mas ela é dura na queda parceiro! ─ Colin soltou a fumaça no ar ─ tem que ver como ela trabalha e como todos se comportam na presença dela!

─ Tudo baitola esses caras! ─ Neal resmungou ─ ela é só uma mulher, só serve pra ta na nossa cama! ─ ele soltou sua fumaça.

─ Ela deve ser fogo na cama! ─ ele riu.

─ Perdeu a chance de pegar ela de jeito! ─ Neal o cutucou.

─ Quem sabe quando eu voltar a NY eu não dou uma passadinha la pra mostrar pra ela quem é que manda! ─ os dois riram.

REGINA’S POV

Eu sentia minhas costas arder. Emma havia limpado tudo com cuidado, mas nós não tínhamos nenhum item de primeiros socorros para ajudar na cicatrização. Ela havia me ajudado a me vestir e eu fiquei então deitada de bruços na cama desde a hora que terminamos o banho. Emma havia trocado de roupa e ficado ao meu lado a cada segundo. A cada respiração minha ela se alertava e ficava preocupada. Eu podia sentir a culpa que emanava dos seus olhar e em cada suspirar que ela dava.

Todos estavam quietos naquela tarde. Ariel tomava conta de Grace que estava machucada e ainda sangrava algumas vezes tendo que usar absorvente. Emma a abraçou forte e deixou a menina se esconder em seus cabelos longos e loiros. Pediu desculpas repetidas vezes como se ela fosse a culpada por tal ato. Esse era o enorme defeito da minha namorada: tomar a dor para si, tomar o erro dos outros para si apenas porque não pode evita-los. Por mais que eu tentasse dizer que ela não tinha a situação sob seu controle, ela ainda sentia aquela dor dilacerante em seu peito a culpando por cada erro ocorrido e não conjurado.

Ouvimos a porta ser destrancada e ficamos arredios por ser um horário incomum. A porta se fechou e a pessoa desceu depressa. Quando olhamos para a ponta da escada vimos Glinda segurando uma pequena bolsa e seu olhar era de compaixão. Era estranho dizer que havia por parte dela alguma empatia, piedade e ate compaixão, mas certamente tinha. E não podíamos negar, a mulher nutriu sentimentos que tinha que esconder. Ela deixou crescer sentimentos por cada um ali, mesmo que ela não quisesse ou se forçasse a fazer o contrario.

─ Meu deus Regina! ─ ela se aproximou de mim e olhou as minhas costas descobertas ─ fiquei sabendo o que aconteceu ontem ─ ela olhava para Emma e para todos ─ eu trouxe alguns itens de primeiros socorros e vou cuidar rapidamente disso antes que Neal sinta a minha falta! ─ ela abriu a bolsa e com maestria tirou uma pomada e passou sobre os cortes. Eu senti a dor latejar e abafei os gemidos no travesseiro. Glinda terminou colocando algumas gazes e esparadrapos e abaixou minha blusa.

─ Obrigada... ─ sussurrei meio sem jeito. Ela se levantou e foi ate Grace, levando a menina ate o banheiro. Ficou com a pequena alguns minutos e depois saiu a deixando na cama.

─ Eric, vou deixar essa bolsa com você ─ ela disse nervosa ─ aqui tem o que precisarem! E meninas, tomem o anticoncepcional, tem bastante na bolsa e deixei um papel explicando como se toma ─ ela estava aflita. Era claro os bolsões negros embaixo de seus olhos e seu nervosismo ─ desculpe não poder fazer mais nada!

Na mesma pressa que apareceu, ela subiu pelas escadas e saiu.

Nova York – NYPD – Quarta-feira – 7:45pm

Depois das informações recebidas, os detetives começaram a trabalhar a todo vapor. A delegacia parecia um formigueiro de tanto ir e vir dos policiais pelas mesas conversando e trocando informações entre si e tentando desatar aquele nó que tinha sido encontrado. Zelena sentia que tinha um grande caso nas mãos e isso a deixava inquieta. Ela estava em sua sala, quando Belle entrou sorrateira.

─ Ainda perdida nas anotações? ─ a morena perguntou.

─ Ah! Sim! ─ Zelena tirou os óculos que usava apenas para leitura ─ isso esta me consumindo!

─ Você precisa respirar Zelena! Sabe disso e precisa se alimentar direito! ─ Belle olhou para a ruiva, mas sabia que a amiga era teimosa.

─ Eu sei, mas preciso primeiro organizar essa bagunça! ─ a ruiva bufou.

─ Você nunca foi boa em organização Zel! ─ a morena riu ─ vamos fazer o seguinte ─ Belle se ajeitou na cadeira ─ eu organizo o que falta fazer hoje e as informações do pessoal e hoje à noite nós jantamos na minha casa! ─ Zelena sorriu e suspirou.

─ Certo, se divirta com os papeis! ─ ela riu.

Sean continuava em contato com a policia de Los Angeles e anotando todos os passos que eles deram na investigação deles. Jefferson continuava na tentativa de conseguir contatar a equipe de eventos do Sr. Colin e descobrir quem era o misterioso homem que havia dispensado o segurança da sala das câmeras no horário em que as fitas haviam sido alteradas. Erin e Jennifer se juntaram para pesquisar sobre os desaparecimentos citados pelo detetive Deeks em Seattle e em Denver. August e Jay pesquisavam sobre trafico para exploração sexual de menores. Voight acompanhava os dois de perto e os ajudava com as informações que tinha de seus anos de trabalho na policia de Chicago.

Todos estavam atentos e compenetrados em suas tarefas. A investigação parecia ter tomado um rumo e caminhava mais rápido. Jefferson levantou-se e foi ate a sala da tenente avisar sobre o que tinha conseguido em suas ligações. Ele bateu na porta e ela mandou o detetive entrar.

─ Diga Jeff ─ a ruiva sorriu.

─ Consegui fazer contato com a equipe de eventos, porem ao que parece não é o Sr. Colin que esta respondendo por eles ─ ele falou confuso.

─ Como assim? ─ perguntou Belle.

─ Quando consegui, foi a voz de uma mulher que atendeu e ela se chama Rebecca e disse que a equipe esta envolvida em um novo evento importante em Miami e que não poderiam vir para Nova York ─ ele rolou os olhos ─ alias ela foi bem curta e grossa!

─ Então teremos que agir do modo difícil! ─ falou a ruiva.

─ Como? ─ perguntou Belle.

─ Vamos entrar em contato com a policia de Miami! ─ ela sorriu.

Quebec – Baie-Comeau – Quarta-feira – 9:45pm

ARIEL’S POV

Como de praxe, estávamos esperando os urubus descerem. Bom, eu costumava pensar neles como urubus, já que estavam matando a cada um de nós, um por um, por dentro. Então quando terminassem só haveria cadáveres de pessoas que estão vivendo com a alma morta. Duro de pensar, mas a realidade batia cada vez que o relógio se aproximava das dez da noite. Todos já ficavam quietos, ficavam nervosos ou repetiam a mesma frase milhões e milhões de vezes.

Eu apenas esperava para acontecer logo. Não dar o gosto para eles de me ver sentindo dor ou algum tipo de sofrimento vindo de algum ato deles. Eles já haviam tirado o suficiente. Eles haviam machucado Henry, Violet, Grace, Regina e mesmo que não tivessem tocado em Emma, eles a tinham esfaqueado por dentro ao fazer uma atrocidade daquelas. Então se for para ter algum tipo de angustia que partisse de mim e não deles. De mim eles não tirariam mais nada.

Ouvimos a porta sendo destrancada e então eles desceram.

Vimos os mesmos de sempre: Neal, Colin, Ginny, William, mas depois de Gold e Malcom, a quem eu fiz questão de não dirigir o olhar, pois sabia que o ódio e a raiva que crescera dentro de mim pelo o que ele fizera com Grace noite passada seria capaz de me levar a cometer um ato de loucura e então mais alguém podia ser punido, ou eu mesma. Eu não podia correr esse risco. Vieram mais dois homens de terno, mau encarados, também usando uma corrente de ouro no pescoço e eles nos olhavam como se fossemos pedaços de carne. Como se fossemos uma mera mercadoria a venda e eles podiam nos comprar a qualquer preço.

─ Essas são suas belezinhas? ─ um deles dirigiu a palavra a Gold. O velho de bengala sorriu.

─ Todas minhas! ─ ele falou e eu sentia o orgulho escorrer pela sua saliva.

─ Que preciosidades essas mais novas! Principalmente esse garotinho! ─ o outro senhor se dirigiu a Roland e vi Emma se contorcer.

─ Sim, George e Midas sintam-se a vontade! ─ Gold falou e eles sorriram ─ vocês escolhem qual o show que querem assistir hoje! ─ ele sorriu ─ e depois, claro, ganham uma pequena amostra grátis do trabalho!

─ Assim fica ótimo! ─ George, o senhor meio careca sorriu ─ escolho a ruiva! ─ senti o sangue gelar em minhas veias.

─ Ótima escolha, meu caro! ─ Midas, o senhor que possuía um bigode sorriu ─ eu escolho a loira, a que esta em pé do lado da morena ─ ele apontou para Emma e eu a vi arregalar os olhos. Eu olhei para ela e ambas suspiramos. Seriamos nós duas descendo ao inferno naquela noite.

Ginny nos deu a roupa que iriamos vestir para aquela noite e ambas nos trocamos. Eram fantasias sexuais de sex shop barato e que agora nós estávamos vestidas neles nos sentindo desconfortáveis. Ela nos levou ate o quarto e trancou a porta. Colin preparou a câmera e as dez horas ele disse que estávamos online. Ginny estava conosco na cama e ela narrava o que os nojentos e doentes mentais descreviam embaixo do vídeo.

─ Emma, chega mais perto dela ─ Ginny falou e Emma se aproximou de mim ─ Ariel, mexa no cabelo dela e beije seu pescoço ─ eu olhei para Emma e ela parecia vazia de si naquele momento. Eu afastei seu cabelo e beijei seu pescoço ─ Isso! Emma suba a mao pela barriga dela e desabotoa a blusa dela ─ Emma sem medo fez o que ela pediu. Parecia que assim como eu ela não deixaria que eles a vissem com algum tormento em seus olhos. Minha blusa desceu e meus seios ficaram desnudos ─ Vai Emma, acaricie-os e Ariel porque não de um beijo nela! ─ eu avancei sobre a loira segurando em seu pescoço e sentia suas mãos em meus seios.

Ginny continuou a narrar todo ato para nós. Em apenas um olhar nós decidimos que íamos fazer aquilo para sairmos ilesas e conseguimos. Porem, quando pensamos que tinha acabado e que enfim poderíamos sair para o quarto afora, Gold apenas meneou a cabeça em negativo. Ele apontou a cabeça para os amigos.

─ Eles precisam de um pequeno serviço! ─ e sorriu para nós. Nós então nos agachamos e os vimos abaixar as calças. Emma olhou para mim. Se tínhamos descido ao inferno, eles nos fariam arder nas chamas.

O que Gold não contava era que, um de seus sócios, havia tirado algumas fotos.

Nova York – Condomínio Blue Bird – Quinta-feira – 9:30 am

Mary e Cora continuavam sem saber por onde começar a procurar por suas filhas. Elas não faziam ideia do que buscar, ou do que pensar. Era difícil não ter um começo, não ter um inicio para dar o primeiro passo e seguir um caminho, mesmo que tortuoso e escuro. A campainha tocou e Marian foi atender a porta. Era Killian, Elsa e Valentina. Daniel havia faltado a semana toda de aula e o amigo como sempre, fora visita-lo.

Mary o cumprimentou e recebeu um abraço apertado do moreno. Recebeu também consolo de Elsa, já que a mesma era amiga de Emma e conheceu Valentina, cuja fama era apenas por comentários vindo da filha e do filho. A matriarca aconselhou que eles fossem com calma com o garoto, já que o mesmo não estava bem com os ânimos. Killian assentiu e seguiu pelas familiares escadas. Ele já se sentia como membro da família por ter crescido ao lado de Daniel e por ter Emma como grande amiga. Ele chegou na porta do amigo e foi abri-la como de costume.

─ Kill ─ Elsa falou em tom baixo ─ eu vou ficar te esperando aqui!

─ Porque? ─ ele ficou confuso.

─ Porque eu posso ser sua namorada, mas pra ele eu ainda sou amiga da Ruby e isso não é legal... ─ a loira falou cabisbaixa. Killian segurou seu rosto com as duas mãos.

─ Tudo bem! ─ ele depositou um beijo em sua testa e outro em seus lábios ─ eu entro então sozinho e vocês me esperam aqui! ─ elas assentiram.

O moreno entrou no quarto do amigo e o encontrou sentado na cama mexendo em seu computador. Killian fechou a porta e foi ate o amigo e o abraçou. Daniel chorou em seus ombros e seus soluços ecoaram pelo quarto escuro e solitário. Eles conversaram, falaram sobre algumas frugalidades e isso fez com que Daniel esquecesse um pouco os pensamentos ruins que rondavam sua cabeça a todo momento.

─ Ei amigo, tem alguém la fora que quer te ver ─ Killian falou e sorriu de lado.

─ Eu acho que já deu de visitas por hoje parça!

─ Como seu amigo, eu vou desconsiderar o que disse ─ ele bateu no ombro de Daniel ─ vou deixar sua visita entrar! ─ Killian levantou-se e foi ate a porta. Falou para Valentina entrar. A loira estava sentindo o estomago dar cambalhotas. Não falava com ele há alguns meses. Depois que tinham ficado juntos em Miami, eles tinham trocado mensagens, mas como ela viajava muito, isso acabou interferindo. E agora la estava ela, preste a encontra-lo em uma situação péssima e totalmente desconfortável. Ela suspirou e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Daniel olhou para ela e suspirou.

─ Valentina! ─ ele falou com um misto de euforia e espanto.

─ Oi Dan ─ ela sorriu ─ quanto tempo não? ─ ela andou ate a cama dele.

─ Sim, bastante... ─ ele suspirou ─ fiquei sabendo que estava aqui para o festival, porem não te encontrei la!

─ Muita gente e bom, você sabe... ─ ela falou sem graça e percebeu o desconforto dele ao lembrar do fatídico dia ─ eu sinto muito! Ela estava comigo, eu não devia ter deixado ela sozinha...

─ Tudo bem, Emma é forte, sempre foi! Bem mais que eu ─ ele deixou uma lagrima escorrer. Valentina sentou ao seu lado e o abraçou.

─ Você também é! Mas a sua maneira Dan!

─ Obrigado! ─ ele a fitou no escuro. Ela sorriu sem graça e olhou para o notebook dele e viu que ele olhava um site de vendas muito conhecido, o backpage.com.

─ Esta pensando em comprar alguma coisa? ─ ela perguntou para mudar de assunto.

─ Na verdade, tava só olhando pra passar o tempo ─ ele riu. Valentina sorriu e então reparou um anuncio no canto da pagina.

─ Dan olha esse anuncio! ─ ela apontou para o canto direito. Ele olhou e clicou. A pagina abriu para um anuncio de pornografia. Havia fotos de duas garotas e o anuncio dizia sobre sexo online em um outro site que era pago. As fotos eram claramente de meninas menores de idade. Mas o que chamou a atenção foi a loira na imagem.

─ Valentina, olha essa foto ─ Dan falou e clicou na foto fazendo-a ficar maior.

─ Meus deus Dan! É a Emma!


Notas Finais


E AGORA JOSÉ? MUITAS PERGUNTAS, MUITOS MEDOS, MUITAS COISAS, AI MEU HEART!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...