História Inocência roubada - Capítulo 46


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


BOA LEITURAAAA <3
BEIJOOOOX

Capítulo 46 - Você merece ser amada!


Quebec – Baie-Comeau – Terça-feira – 4:00pm

GINNIFER’S POV

Então eu estava ali. De novo. Havia prometido a mim mesma que nunca pisaria meus pés naquela garagem novamente, que nunca deixaria aquelas memorias invadirem minha mente, que nunca deixaria Angelina tocar meu coração mais uma vez. Mas lá estava ela, lá estava aquela loira com os olhos azuis mais cristalinos que eu já havia visto na forma de uma adolescente de treze anos. A mesma idade que eu tinha quando achei que tinha tudo, mas não tinha nada e mesmo assim perdi tudo. Meio confuso, ou inteiramente confuso, mas é como me sinto. Um poço de confusão e tristeza.

Entrei naquele local tomado pelo tempo, pela poeira e pelo mofo que costumava ser meu porto seguro, meu lugar de paz e tranquilidade, onde eu encontrava o sorriso mais radiante do dia e as palavras mais confortáveis da noite. Onde eu podia ser quem eu quisesse, rir o mais alto que conseguia, falar das minhas dores e chorar as minhas feridas sem ter vergonha de encarar que estivesse as escutando. Encarei o pequeno colchonete que agora era apenas trapos, a mala que estava coberta de sujeira e outras coisas que me remetiam a um tempo que não iria voltar mais. Um tempo que havia terminado. Angelina havia ido embora.

Ter tudo aquilo ali na minha frente era como tirar a mão que estanca o sangue do ferimento deixando ele escorrer novamente. Durante anos eu havia guardado aquele segredo, aquelas memorias, Angelina, tudo dentro de mim e jurado não deixar ninguém ver e nem tocar. Como se fosse minha parte sagrada, meu tesouro e toda a minha felicidade. Eu havia perdido tudo num sopro do vento e como preço do meu silencio e da minha teimosia e afronta eu fui usada, abusada, maltratada e forçada a concordar e fazer coisas com as quais eu nunca concordaria, nunca ousaria fazer. Mas aqui estou eu, exposta novamente e não sei quando esse sofrimento vai ter fim.

A dor que eu sinto ao me lembrar dos momentos que compartilhamos pensando na nossa vida fora daqui, no nosso futuro, no pequeno bebe que ela gerava em seu ventre e depois a agonia em vê-la sofrer as dores do parto, os gritos, vê-la perder a cor, o folego, a voz e então, a vida. Não sei por quanto tempo gritei, por quanto tempo a chamei, por quanto tempo chorei. Angelina foi o anjo que iluminou a minha vida de maneiras tão intensas e me salvou de todas as maneiras que alguém pode ser salva.

Chamei Emma para sentar-se comigo no velho e fino colchonete sujo e empoeirado. Vi em seus olhos que ela se sentia desconfortável e que o lugar não lhe trazia boas memorias. Eu sabia bem o porquê e não a culpava. Gold era um ser humano desprovido de sentimentos e emoções, capaz de tudo para conseguir chegar ao seu destino e não importa por cima de quem ele tem que passar para isso. Ela aceitou sentar-se ao meu lado, eu já estava achando muito ela estar comigo e ter aceitado me escutar.

─ Provavelmente você encontrou essas duas coisas aqui, certo? ─ eu a fitei e ela assentiu.

─ Encontrei dentro daquela mala velha quando eu...bom, quando eu fiquei presa aqui... ─ ela suspirou.

─ Eu soube do que você passou e acredite, eu tentei convencer Gold a te tirar daqui, mas Neal fez a cabeça dele e movido pelo desejo de vingança pelo passado, enfim, ele achou que seria algo que viesse a calhar a você ─ falei com remorso e sentindo a dor da menina. Eu sabia o que era ficar presa.

─ Eu fiquei sabendo depois...

─ Bom, não é sobre isso que você quer falar, você quer saber quem é a menina da foto comigo ─ eu suspirei ─ seu nome é Angelina e não poderia fazer mais jus a pessoa que ela é, ela era realmente um anjo, o anjo que mudou a minha vida, que fez meu coração ser feliz por um breve espaço de tempo ─ minha respiração ficou pesada, cada memoria voltava a minha mente rapidamente. Emma então se encostou a meu braço e eu a encarei.

─ Pode ir com calma, não sei o quão difícil deve ser pra você, mas eu to aqui pra te escutar... ─ eu sorri sem graça. Eu não merecia aquele tratamento, não merecia nenhum tipo de piedade vindo dela ou de qualquer um.

─ Emma, eu não fui sequestrada como as outras garotas chamadas de “Garotas de Ouro”, ao contrario delas, eu escolhi ir com Gold, pois achava que não tinha atenção vinda da minha avó que cuidava de mim na época ─ eu suspirei ao me lembrar dela e do quanto eu me arrependia por tê-la deixado ─ ele me encontrou em um parque e vagarosamente se tornou uma espécie de amigo, preencheu os vazios que meus pais deixaram depois que faleceram e eu, aos meus trezes anos, achava que podia decidir e compreender minhas necessidades ─ eu ri de mim mesma ao pronunciar essas palavras ─ porem em momento algum ele me revelou quem ele realmente era, seu nome, o que fazia ou qualquer coisa pessoal suficiente para me afastar, apenas me seduziu com suas palavras ardilosas e eu estupida cai em todas as suas armadilhas ─ algumas lagrimas começaram a traçar caminho pelo meu rosto.

─ A culpa não é sua! Você não tinha como adivinhar...

─ Diz isso apenas pra eu me sentir melhor com toda essa bagunça! ─ meneei a cabeça desacreditando em minha própria historia ─ depois disso ele me convidou a morar com ele e eu então encantada e totalmente enfeitiçada por cada sentimento e afeição que ele dizia ter por mim aceitei e fugi de casa, fugi para morar com um mafioso e explorador de crianças e pior, antes ele apenas quisesse se aproveitar de mim, mas não! Ele me enganou dizendo que assim como ajudou, ele queria ajudar outras garotas que se sentiam tristes e solitárias como eu e como eu não iria querer ajuda-las? Eu queria que elas tivessem tudo o que eu tinha! Eu tinha um quarto só pra mim, brinquedos, empregados e podia fazer o que bem quisesse ─ bufei ─ foi então que ele me convenceu a entrar no seu plano de seduzir as pequenas garotas, mas quem faria isso não seria ele, seria eu, afinal quem iria suspeitar de uma criança? Quem iria dizer a policia que uma criança sequestrou outra? A suspeita com certeza seria maior se você fala “vi um senhor conversando com a criança no parque”!

─ Você tem razão, parece coisa de filme... ─ ela suspirou e me encarou. Realmente parecia coisa de filme.

─ Nós passamos alguns meses repetindo esse ato de encontrar as meninas que ele me dizia já conhecer do mesmo modo que me conheceu e então ele me mandava conversar com elas e oferecer um mundo de oportunidades, como um conto de fadas, como um sonho e me diz, qual criança não aceitaria? Qual criança que vindo de uma família destruída ou de uma situação ruim não aceitaria? ─ bufei novamente e ri de mim mesma ─ nessa, nós conseguimos nove meninas mais ou menos na mesma faixa etária e no inicio eu pensava que ele era apenas um benfeitor, eu e as meninas brincávamos juntas e tínhamos nossos momentos bons, mas então Gold começou a receber alguns amigos em casa e então ele fez uma sessão de foto de todas as garotas, uma sessão de fotos pornográfica! Claro, eu não sabia disso na época, mas hoje eu sei e enxergo que as fotos eram totalmente fora do padrão para uma criança! ─ suspirei ─ depois disso tudo mudou... a cada visita que Gold recebia, uma das meninas era solicitada e então eu não a via ate o dia seguinte e as vezes essa menina ficava de cama por dois dias aos cuidados dos empregados e eu não entendia o porque! Eu não sabia o que estava acontecendo e foi assim com as nove garotas, com todas elas e isso as destruiu, matou todas elas por dentro e toda a alegria, toda a animosidade do inicio já não existia e isso me deixou chateada e foi assim que eu encontrei Angelina ─ eu olhei novamente para a foto e sorri ao me lembrar do nosso primeiro encontro ─ eu achei que podia encontrar uma menina precisando de ajuda sozinha e realmente encontrei e foi assim que a levei escondida para casa...

─ Você a manteve escondida? Como?

─ Por incrível que pareça, eu consegui mate-la escondida dentro do meu closet e levava comida para ela e como os empregados entravam uma ou duas vezes por semana para limpar meu quarto, eu só precisava mudar ela de cômodo e assim eu fiz por alguns meses e foram os meses mais divertidos e emocionantes para uma garota de treze anos e uma de quinze anos ─ sorri involuntariamente.

─ E o que houve? Como chegaram aqui? ─ eu a fitei e então respirei fundo.

─ Não sei o que houve, ate hoje não entendi muito bem, acredito que a policia estava muito próxima de descobrir os suspeitos nos sequestros das meninas e então Gold decidiu rapidamente se mudar para cá com todas nós e então eu não tive escolha, não iria abandonar Angelina! ─ eu então me lembrei de como nós viajamos ate aqui ─ eu então a escondi no porta-malas do carro e fomos assim ate chegar aqui, sempre observando se ela podia sair para ir ao banheiro e eu sempre lhe dava agua e comida e mantinha contato com ela através do tampão pelo banco de trás e assim nós chegamos aqui nessa casa...

─ E você a escondeu aqui, nessa garagem ─ Emma me encarou ─ por isso esses objetos de decoração e a mala e o colchonete... ─ eu assenti.

─ Sim... eu organizei esse lugar todo para ela e deixei o mais perfeito possível pra ela tivesse algo aconchegante e bonito, mas acabou que essa garagem se tornou o nosso lugar, a nossa casa, o nosso esconderijo e eu passava mais tempo aqui do que dentro da casa por não entender o que estava acontecendo com as meninas ─ suspirei novamente ─ elas estavam desfalecendo aos poucos, não comiam, não sorriam e uma delas sumiu do nada e eu cada vez entendia menos...

─ Foi a menina que encontraram no rio, não foi? ─ a loira me perguntou e eu a fitei atordoada, mas assenti.

─ Sim, foi ela, mas eu não sabia e Angelina era a única que me mantinha ainda sã e dentro do meu limite, caso contrario eu já teria surtado de pânico e desespero! ─ eu então olhei a caixinha de musica ─ bom, isso foi só a parte da minha historia e de como ela entrou em minha vida, mas existe outra parte, a parte em que ela vinha passando mal desde os Estados Unidos e eu na minha inocência achava que ela tinha alguma alergia ou estava doente e tentava o meu melhor em ajuda-la, mas nada funcionava, nada fazia o mal estar passar e ela continuava a vomitar com alguns alimentos que não faziam sentido ela passar mal, continuava a ter algumas quedas de pressão e ter enjoos com alguns cheiros...

─ Ela estava...gravida ─ Emma falou e suspirou. Eu deixei então minhas lagrimas saírem livres da prisão eu as mantinha.

─ Ela estava gravida e não tinha me contado por medo, medo de eu não ajuda-la, de eu não acolhe-la e eu então a abracei e disse que nunca e em qualquer momento da minha vida poderia abandonar a minha melhor amiga, ela era parte de mim e parte do meu coração e eu estaria ao lado dela não importasse a circunstancia e então foi quando eu dei a ela essa caixinha de musica, eu comprei em uma loja de artigos antigos e ela apenas se abre com um cordão ─ vi então Emma retirar o cordão do pescoço e me entregar. Eu encarei a pequena caixinha, me recordando exatamente do dia em que entreguei a ela e então girei o pequeno medalhão abrindo o fecho e fazendo a antiga musica tocar. Fechei os olhos e grossas lagrimas tomaram conta dos meus olhos. Emma segurou minha mão.

─ Ela foi muito importante, não foi? ─ eu assenti em silencio com a musica ainda tocando ─ sabe que ela esta com você, não sabe? E independente do que você tenha feito depois, ela sabe exatamente quem você é! ─ eu me espantei com as ultimas palavras. “Ela sabe exatamente quem você é”. Eu disse isso a Zelena as vezes que a encontrei. Como a vida pode ser surpreendente.

─ Ela foi a pessoa mais importante da minha vida Emma e depois que descobri a sua gravidez, seu bebe que ate então não sabíamos o sexo, se tornou como um filho pra mim, como se fosse o meu bebe e eu passei a cuidar dela e da criança com todas as minhas forças e todo o meu amor foi direcionado àquelas duas pessoas que eram uma só e que enchiam minha vida de felicidade de uma maneira inexplicável ─ solucei e respirei fundo ─, mas o que parecia um sonho de repente ruiu... eu ouvi Gold falar sobre corpos e reclamar sobre um tal de Mills e isso o deixou enfurecido de uma maneira a qual eu nunca havia presenciado ─ Emma me encarou com os olhos arregalados quando pronunciei o sobrenome de sua namorada ─ eu fiquei com medo e totalmente assustada com todo aquele acesso de raiva e corri para a garagem aos prantos e ela como sempre me acalmou e me fez sentir como se toda segurança estivesse dentro do seu abraço ─ fechei a caixinha e suspirei ─ no dia 24 de Abril de 1991 foi quando Gold descobriu sobre ela e quando ele descontou toda sua raiva em mim e ela tentando me ajudar acabou sofrendo algumas lesões, mas acabamos conseguindo escapar, porem ela estava sangrando muito e sua pressão havia caído e eu corria com ela pela floresta sendo perseguida pelos seguranças sem saber para onde ir e acabei chegando a casa que falei a vocês mais cedo e foi onde decidi me esconder...

─ Então a casa realmente existe ─ eu assenti e Emma suspirou ─, mas o que houve? Ela já era abandonada nessa época?

─ Eu ate então nem sabia que existiam outras casas nas redondezas e entrei achando que estava vazia, mas me enganei e fui surpreendida por uma mulher ─ me lembrei da Sra. Mills e de toda sua ajuda e sorri involuntariamente ─ eu achei que ia levar uma bronca ou ser expulsa, mas supliquei a ela por ajuda e ela não pensou duas vezes e me ajudou com Angelina a levando para o banheiro no andar de cima e então ela a ajudou com o processo do parto e me explicou que a bolsa já havia estourado e que não podíamos esperar mais! Acredite, eu fiz tudo no automático e sem pensar, eu apenas obedecia a mulher a qual eu nem sabia o nome e ela tratava da minha amiga e então ela acordou aos berros e forçando para o bebe sair e foi quando eu fiquei ao seu lado a todo o momento ─ suspirei ─ Angelina foi muito forte, a menina mais forte que eu já conheci e então ela deu a luz a uma menina, a nossa menina e ela a segurou no colo e a amamentou, nós duas choramos e ficamos encantadas com a beleza da nossa princesa, mas a minha amiga já tinha sido forte o suficiente por tempo demais e sua vida se esvaiu como a agua escorre pelo ralo, rápida e ao mesmo tempo tão próxima dos seus olhos que parece que demorou horas, mas foram apenas segundos e com palavras de amor e carinho, ela se despediu de sua filha e fechou os olhos, não acordando, nunca mais... ─ minhas lagrimas escorriam e a lembrança do ultimo suspiro da minha amiga veio como se fosse ontem que estava correndo para escapar de tudo com ela.

─ Eu sinto muito, sinto muito que ela tenha partido e que você tenha ficado sozinha ─ Emma limpou algumas lagrimas que escorriam pelo seu rosto e me fitou ─, mas e a criança e a mulher? E você? ─ eu suspirei.

─ Gold havia deixado claro que queria Angelina e ele tinha visto ela gravida, sabia que ela teria uma criança e eu sabia que ele iria querer se vingar das duas por eu ter escondido tudo isso dele passando por sua autoridade, eu não podia deixar ele chegar perto do bebe ou sequer saber da sua existência ─ respirei fundo ─ foi quando depois de enterrar o corpo da minha amiga eu deixei minha pequena princesa para trás e voltei para o meu terror e como preço do meu silencio, Gold me estuprou durante anos e abusou de mim de diversas maneiras e me ameaçou dizendo que encontraria as duas e eu não poderia, não posso deixar que isso aconteça...

─ Então a criança ainda esta viva? Você sabe onde ela esta? E quem é a mulher? ─ Emma fez as perguntas as quais eu queria chegar, o segredo que ela teria que manter.

─ Emma, esse é o segredo que você tem que manter, esse é o maior segredo que você tem que guardar, não só por mim, mas pela minha garota que hoje é uma mulher e que precisa ser mantida em segurança! ─ eu expliquei e supliquei a ela o seu silencio. Emma me olhou confusa.

─ Eu não entendo o que isso tem a ver com Regina e como pode afetar ela de alguma forma, mas se você esta me pedindo segredo, eu guardo ─ ela suspirou ─ preferiria não guardar, ela é minha namorada e minha melhor amiga, mas se é pra nos ajudar a sair daqui e levar Regina pra casa, eu topo! ─ eu assenti.

─ Antes de morrer, Angelina deu um nome a menina e eu pedi a mulher que ficasse com o bebe e que mantivesse o nome ─ eu a encarei.

─ Qual o nome dela?

─ Zelena, Zelena Mills e a mulher era Lourdes Mills ─ falei e vi os olhos de Emma se arregalarem surpresos.

Nova York – Condomínio Blue Bird – Sexta-feira – 8:20am

Mary estava sentada em sua cama olhando o álbum de fotos que havia feito num estúdio quando Emma tinha apenas cinco anos. Seus cabelos loiros com algumas ondas nas pontas, seus olhos verdes como o seu, sua pele branca e seu sorriso sempre enorme e espontâneo. Naquele dia ela lembrava bem que a menina não queria tirar as fotos, não queria sair de casa, não queria sair da piscina nova que eles haviam colocado na casa. Porem com muito custo e muito sorvete prometido a ela, Emma então foi convencida e levada para fazer a sessão de fotos.

Ela estava tímida e se escondia entre as pernas da mãe. O fotografo era simpático, divertido e fotografava apenas crianças e recém-nascidos, então possuíam muita experiência no ramo. Ele se agachou e tentou conversar com a loirinha e ela olhava para a mãe que sorria e a incentivava a conversar com o rapaz. Ela aos poucos foi se soltando e quando ele lhe mostrou a coleção de vestidos de princesas e roupas de fadas que possuía para as sessões, a expressão da menina passou de tímida para extremamente empolgada e animada. Emma quis usar todas, quis experimentar todas e chorou ao saber que não poderia levar nenhuma delas para casa. O bom de tudo foi que ela saiu em todas as fotos sorrindo de maneira completamente espontânea, feliz, divertida e como se estivesse dentro do seu próprio conto de fadas.

─ Amor? ─ David entrou no quarto e encontrou a esposa com os olhos marejados. Ele sentou-se ao seu lado e sorriu ao ver as fotos da filha ─ ela tem o sorriso mais lindo do mundo...

─Sim, ela tem... ─ Mary falou e suspirou.

─ Puxou a mãe ─ ele a encarou e então a morena sorriu deixando uma pequena lagrima escorrer. David então a enxugou com a mão.

─ Nós vamos ter nossa pequena de volta, não perca as esperanças e quando tivermos ela de volta, nós vamos fazer um álbum novo com todos nós, o que acha? ─ Mary assentiu.

─ Acho uma ideia incrível meu amor! ─ ela sorriu e suspirou ─ eu só queria ter a nossa filha para celebrar o Natal conosco e compartilhar essa data conosco...

─ Meu amor, mesmo que ela não esteja esse Natal, ela esteve nos outros treze e vai estar nos outros cinquenta, sessenta ou mais que virão enquanto nós estivermos vivos, não pense que a vida vai acabar quando esse ano terminar, quando os fogos estourarem, nós ainda temos toda uma vida pela frente e Emma vai fazer parte dessa vida, vai compartilhar dessa felicidade, dessa alegria e de todos os momentos junto de nós ─ David abraçou a esposa ─ eu te amo Mary Margareth e amo nossa família e não vou desistir dela nem por um segundo enquanto eu viver!

─ Eu te amo David! ─ ela o encarou ainda dentro do seu abraço ─ e não poderia ter tido maior sorte em encontrar a pessoa perfeita pra caminhar ao meu lado e ser o pai dos meus filhos e o amor da minha vida!

Nova York – Aeroporto JFK – Sexta-feira – 10:30am

Zelena e seu esquadrão estavam embarcando no voo para o aeroporto Jean Lesage em Quebec e Voight e seus detetives já haviam embarcado há meia hora para Chicago, onde ficaram totalmente ao dispor da tenente e atentos aos sinais da reunião que iria acontecer no dia seguinte enquanto eles estariam fazendo o resgate das crianças. Voight desejou boa sorte a ruiva e lhe deu alguns conselhos. Ele sabia que ela sempre fazia o seu melhor, ele pode a conhecer melhor nesses meses em que conviveu com ela e viu seu trabalho de perto. Ela era forte, dura na queda, insistente e teimosa, mas sabia reconhecer seus erros, sabia respeitar o próximo, sabia aceitar opiniões e conselhos, mesmo que viessem de pessoas que fossem de postos menores que o seu, porque isso não significava que a pessoa não possuía experiência. Ela iria longe em sua carreira e ele deseja que ela crescesse dentro da sua profissão.

O embarque foi feito e todos eles encontraram seus assentos. Com a ajuda de Dayane que havia descoberto sobre a policia dentro da boate, ficou mais fácil encobrir a falta deles durante o final de semana. Zelena e Jennifer fizeram o máximo para não conseguirem clientes e Belle reforçou a George que elas não estavam rendendo, o que ocasionou na escolha de Jhenny para a viagem a Chicago. Com a saída do chefe pela manha, elas então estavam livres juntamente com August e Sean que apenas pediram demissão aos sócios que ficaram. Dayane, a pedido de Jennifer, ficou responsável por encobrir caso eles perguntassem das duas detetives. Deviam uma a ela.

O voo foi feito tranquilamente. Não houve tubulações e após uma hora e meia o piloto anunciou para todos que eles iriam pousar e que os cintos deveriam ser afivelados. Ele agradeceu a escolha da companhia aérea e informou o clima que estava fazendo naquele momento em Quebec. Os detetives esperaram o avião pousar e então quando ele pousou, Belle avisou para o chefe da delegacia local que eles haviam chegado e estavam desembarcando. Ela recebeu a resposta que já havia dois policiais a espera deles para seguir ate a vila e deixa-los no hotel.

Eles encontraram os policiais e os cumprimentaram. Eles possuíam um sotaque francês típico da região e então os guiou ate os carros da policia para seguir viagem ate Baie Comeau, que duraria dentro de quatro a quatro horas e meia. No caminho, Zelena e Belle foram recebendo informações sobre o local, sobre o clima, sobre as pessoas e sobre como lidar com os moradores e ate mesmo com a delegacia local. Elas prestavam atenção e tomavam tudo como conselhos mais do que bem-vindos.

Chegaram ao hotel Le Manoir, indicado por Jennifer que havia anotado o nome do hotel após a ultima viagem, e então se despediram dos dois policiais que se dispuseram a auxilia-los naquela viagem. Zelena mandou lembranças e agradecimentos ao chefe de sua delegacia, por enquanto era apenas o que ela poderia fazer, mas ela depois se lembraria de agradecer pessoalmente pelo ato amistoso naquela situação de ansiedade e nervosismo.

Zelena, Belle e Jennifer ficaram em um quarto com a loira reclamando que não aceitaria nenhum gemido durante a noite e que caso elas começassem com a melação ela dormiria no meio das duas. Belle apenas riu e Zelena rolava os olhos com as reclamações de Jennifer. Os rapazes, August, Jefferson e Sean ficaram em outro quarto ao lado do quarto das meninas para que pudessem manter contato a qualquer momento.

Eles deixaram suas malas e cada um foi tomar um banho para ajudar a relaxar e diminuir a tensão que dominava seus corpos. Marcaram de se encontrar no jantar e Zelena agendou a sala de reuniões para que eles apenas revisassem as estratégias e os planos para o dia seguinte. Nada podia sair dos conformes.

Quebec – Baie-Comeau – Sábado – 8:00am

O movimento na casa era grande. Gold se preparava para viajar e ao mesmo tempo resolvia alguns problemas ao telefone. Colin e William se arrumavam também para acompanhar o chefe, o carro sairia após o almoço e eles tinham que estar prontos pelo menos meia hora antes. Sabiam o quanto Gold detestava atrasos. Ingrid não teve muito tempo para conversar com seus amigos, pois a todo o momento era requisitada para fazer alguma coisa e Glinda e Ginny não podiam descer sem levantar suspeitas.

Glinda manteve sua paciência e seu limite intactos após a confirmação da traição do seu marido. Ela olhava para Rebecca e tinha vontade de esfregar a cara dela no asfalto, mas se continha e respirava fundo. Sabia que ela era tão culpada quanto Neal e quanto a ele, ela tinha muita vontade de castra-lo com uma faca cega sem qualquer anestesia. Ela se sentia totalmente psicopata ao pensar nessas coisas, mas sendo psicóloga e tendo tratado de algumas mulheres traídas antes da sua especialização em psicologia infantil, ela sabia que era perfeitamente normal esses pensamentos no calor da emoção e sendo tão recente a descoberta.

Ginny ajudava Ingrid no que podia. Ela sempre olhava Eve e prometia a loira que ela estava segura enquanto a menina era feita de escrava pelos outros da casa. Ingrid confia em Ginny e sabia que Eve amava a morena e que ela tinha total jeito com a criança. Então ela deixava a pequena com a mulher e ia fazer todas as tarefas que lhe eram pedidas e requisitadas por Will, por Colin, por Neal e por Gold, sem contar as tarefas normais da casa que ela deveria deixar pronta.

REGINA’S POV

Nós estávamos em um estado de euforia e nervosismo capaz de explodir uma bomba se juntasse a energia contida nos nossos corpos em um ponto só. Cada um procurava se distrair de alguma maneira, mas ninguém tinha sucesso. Apenas as crianças, que não entendiam muito bem o que iria acontecer hoje, brincavam com os velhos jogos. Ariel andava de um lado para o outro, Eric tentava se distrair com o que passava no radio, Violet estava deitada com Henry e eles conversavam em seu universo particular.

Eu me perguntava como seria depois que sairmos daqui. Se ainda nos veríamos, ser ainda teríamos contato uns com os outros, se teríamos noticias uns dos outros, sobre suas formaturas, suas conquistas, seus namoros, suas decepções, talvez um casamento e quem sabe ate um reencontro. Eu olhava Violet e Henry, tão próximos e tão apaixonados e me questionava se um dia receberíamos a noticia que eles noivaram e que eles solicitavam nossa presença. Ou Mulan, Grace e Roland, será que saberíamos sobre suas passagens de ano, graduações na escola, chegada do ensino médio, a primeira namorada ou o primeiro namorado. Tantas fases ainda para eles passarem.

Eu me perguntava ate sobre eu e Emma, sobre nosso relacionamento, sobre como enfrentaríamos a vida quando voltássemos. Nossos pais, a escola e sobre a gravidez dela. Em momento algum ela disse se a manteria ou não. Ela não gostava de tocar muito no assunto e sempre se sentia incomodada, ate mesmo comigo. Mas sempre que queria desabafar, ela recorria ao meu colo e eu deixava suas lagrimas borrarem minha blusa e suas dores serem depositadas na minha alma. Eu encostava levemente em sua barriga e pensava na pequena vida que existia ali dentro. No que ela sentia e no que talvez se passasse com ela com esse turbilhão de emoções que se apoderava do corpo de Emma.

Emma e eu estávamos sentadas em minha cama e tentávamos nos distrair conversando sobre qualquer coisa. Não estava funcionando, claro. Tentávamos falar sobre nosso futuro, sobre qualquer coisa, mas tudo nos remetia ao medo, insegurança e mais ansiedade. Logo então fomos tiradas das nossas conversas por Grace que se aproximou de Emma e sentou na cama. Era difícil a menina fazer esse tipo de aproximação, ela era a mais quieta, a menina cuja historia ninguém sabia e que nós acolhemos mesmo sem saber nada do seu passado. Mulan era mais falante e mais solta, porem era totalmente apegada a Violet, Roland era dócil, carinhoso, mas se sentia a vontade com as crianças e Grace era uma incógnita. Ariel era a única que conseguia algumas palavras da pequena loira e Emma havia conseguido quando a protegeu. Emma então se desfez dos meus braços e nós duas sentamos e olhamos para ela.

─ Algum problema Grace? ─ Emma perguntou e a menina suspirou baixinho.

─ Emma, você acha que eu vou ficar sozinha de novo? ─ sua voz infantil e doce era agradável, mas sua pergunta foi de cortar o coração, apesar de não entendermos o porquê da questão.

─ Como assim Grace? ─ perguntei ─ sozinha por quê?

─ Eu não quero ficar sozinha, não quero que me machuquem de novo e de novo, eu to com medo ─ suas lagrimas começaram a cair e seu choro inundou seu rosto. Eu e Emma nos entreolhamos.

─ Meu bem, ninguém vai te machucar, você vai pra casa, vai ficar com sua mãe e vai ficar segura! ─ falei e limpei suas lagrimas. Ela então me encarou com seus olhos azuis.

─ Não, eles vão me machucar de novo ─ suas lagrimas voltaram a escorrer e ela soluçou ─ Emma eu não sei onde ta a minha mãe, eu nunca vi ela, eu sempre morei numa casa com crianças iguais a mim e um moço me machucava, as crianças não gostavam de mim ─ ela soluçou mais uma vez ─ eu não vou ser amada? É porque eu não sei amar? É porque eu não tenho mãe? Eu nunca vou ter uma família e ter carinho? Emma eu sou um peso? A moça da casa falava que eu era um peso, o que é ser um peso? ─ ela encarou minha namorada. Eu estava sem palavras. Então esse era o passado de Grace. Ela era órfã. Ela foi deixada recém-nascida no sistema e nunca fora adotada. Como explicar a ela que a culpa não era dela? Que isso não tinha nada a ver com ela e que provavelmente a mãe dela teve medo, teve inseguranças e que sim ela merece ser amada, ter carinho e ter uma família. Emma então suspirou.

─ Grace ─ ela limpou as lagrimas da menina e eu apenas observei aquele ato ─ olha com atenção para mim ─ a menina fungou e soluçou ─ tem coisas que acontecem que a gente não entende, que a gente não sabe explicar direito e talvez a gente nunca vá saber o porquê delas terem acontecido ─ Emma respirou fundo ─, mas saiba de uma coisa: o que aconteceu com você não é sua culpa e nunca vai ser! Você merece ser amada, merece ter carinho, merece ser protegida, merece ter uma família! Grace você sabe amar! Repete comigo: eu sei amar! ─ Emma a encarou.

─ Eu sei amar ─ a menina falou manhosa.

─ Eu sou importante! ─ Emma continuou.

─ Eu sou importante ─ ela repetiu.

─ Eu sou forte!

─ Eu sou forte

─ Eu mereço ser amada!

─ Eu mereço ser amada

─ Me da um abraço Grace ─ Emma a puxou para o seu colo e a menina se aninhou em seus braços ─ eu sinto pela sua mãe que nunca pode ou poderá conhecer a garota incrível que você é e a mulher maravilhosa que você vai se tornar! Você me entendeu Grace? Entendeu que nada disso é sua culpa? ─ a menina assentiu e Emma a abraçou mais forte. Foi então que eu tive a certeza. Emma seria uma mãe incrível. Emma já é uma mãe incrível e não importa se ela tem apenas quatorze anos e se isso a assusta, a força que ela possui dentro do seu coração era muito maior e mais intensa do que qualquer medo que ousasse se apoderar da sua alma.



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