História Inocente - Capítulo 8


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Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Chuck Shurley, Dean Winchester
Tags Assassinato, Castiel, Chuck, Dean, Destiel, Drama, Mistério, Romance, Simbolismo
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Palavras 4.873
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi! Novo capítulo! Espero que estejam tão ansiosos quanto eu estava pra escrever esse capítulo, espero que gostem! Saibam que coisas bombásticas vão vir nos próximos capítulos e eu sinto que todos vocês gostarão, beijos e boa leitura!

Capítulo 8 - Recomeço (Adaptado)


  Era por volta de três da manhã, Castiel sentiu que algo o acordou, mas ele não sabia exatamente o quê. A penumbra era tão grande que ele mal conseguia enxergar, mas ele sentia a presença de Dean ao seu lado. Sua cabeça doía um pouco, ele resolveu se levantar e sair em direção ao banheiro.

  A casa estava assustadoramente escura e silenciosa, cada ruído se transformava num estrondo, a maçaneta girava bem devagar, cada milímetro movido era mais um estalo. Ele foi até o banheiro e ligou a luz, essa que era tão forte que provocou um ardor em seus olhos.

– Que dor... – Ele colocou uma das mãos na sua testa. – O que eu faço acordado a essa hora? – Ele estava encarar a si mesmo no espelho, seu rosto estava um pouco pálido, ele estava cansado por dentro e por fora. Sua cabeça ainda doía em meio àquilo tudo. – E... Eu... – A voz saía com um pouco de dificuldade e muita rouquidão. – Vou voltar a dormir. – A madrugada estava fria, ele sentia frio, também... Não demorou muito para que ele saísse do banheiro e retornasse à cama tentando fazer o mínimo de barulho possível.

  ...

  Seis da manhã... Demorou um pouco para que Castiel notasse que estava sozinho na cama. Ele se levantou um pouco devagar, arrumou a cama e saiu do quarto.

– Bom dia, pessoal. – Castiel falou, sua voz estava um pouco rouca, ele forçou um pequeno sorriso.

– Bom dia, Cas. – Disse Chuck, ele estava no sofá. Dean estava sentado ao lado dele.

– Bom dia, meu amor... Dormiu bem? – Dean perguntou enquanto virava-se na direção dele.

– Acho que sim, obrigado... – Ele bocejou – A que horas vocês acordaram?

– Faz pouquíssimo tempo, porra, hoje é sábado, era pra termos acordado às quatro da tarde. – Chuck falou, Castiel sorriu, um sorriso verdadeiro, dessa vez.

– O que vocês estão fazendo? – Ele se aproximou e se sentou ao lado deles.

– A gente também não sabe, acho que estamos processando o dia de ontem. – Chuck falou, Dean e ele apenas estavam sentados no sofá, só isso. A televisão não estava ligada e eles nem mesmo estavam conversando, apenas sentindo o tempo passar.

– Entendo... Tudo bem... – Ele se levantou. – Vão querer café da manhã? – Castiel se dirigiu à cozinha. Chuck suspirou.

– Por favor. – Chuck disse. Dean se levantou e seguiu Castiel, ficando atrás dele enquanto o via organizar algumas coisas.

– Cas... – Ele o chamou enquanto colocava as mãos na cintura de Castiel, que logo parou de se mover. – Está... Tudo bem com você? – Castiel sorriu.

– S... Sim, na medida do possível... – Castiel olhou pra baixo, ele se virou para Dean. – N... Na verdade, eu não sei. Eu... Eu não sei exatamente o que pensar, as coisas se tornaram um pouco confusas. – Ele levantou a cabeça de Castiel pelo queixo.

– Isso vai passar, eu prometo... – Eles sorriram um pro outro. – Você quer sair hoje? Podemos passar o dia inteiro na rua, se você quiser. Eu acho que você precisa de um pouco de ar, sei lá, ver o mundo lá fora. O que você acha? – Dean olhou no fundo dos olhos dele.

– Acho que é uma ótima ideia. Por mim tudo bem... – Castiel sorriu. Dean o abraçou e beijou sua testa. – Obrigado.

– Quer ajuda pra fazer o café da manhã?

– Claro! Seria ótimo. – Dean assentiu com a cabeça e ambos começaram a se preparar.

  ...

  A energia negativa provocada pela noite anterior rapidamente se dissipava com o progredir da manhã.

– Esse cheiro está bom... – Chuck falou. – O que vocês estão fazendo aí? – Ele saiu do sofá e se sentou à mesa.

– É uma surpresa!... – Castiel falou. – Você vai gostar. – As coisas estavam um pouco bagunçadas na cabeça de todos. Mas isso mudava rapidamente.

  ...

– Pronto, pode vir Chuck. – Dean falou, Chuck se aproximou quase que correndo, ele se sentou em uma das banquetas, Castiel fez o mesmo e Dean começou a servir o café da manhã.

– Eu lhes apresento as tão queridas panquecas. – Ele as mostrou.

– Caralho!... – Chuck colocou as mãos rosto. – Vocês são demais! – Eles riram.

– Prove. – Dean encorajou enquanto entregava os talheres a Chuck, esse que obedeceu logo em seguida.

– Puta que me pariu... – Ele havia colocado um pedaço na boca. – Isso tá bom demais!

– Que bom que gostou. – Castiel falou com um sorriso estampado em seu rosto.

– Como você não morreu, acho que é seguro pra gente comer. – Dean falou, eles voltaram a rir. Os dois prepararam seus pratos e se sentaram próximos a Chuck, começando a comer logo depois.

  ...

– Eu não sei se vocês colocaram alguma droga aqui pra eu me viciar na comida de vocês, mas querem saber? Eu não ligo!... – Chuck disse enquanto lambia o prato, literalmente. – Se vocês terminarem... Eu mato vocês. – Castiel e Dean sorriram um pro outro.

– Então, Chuck, você irá mesmo levar Joanne pra jantar hoje? – Castiel perguntou.

– Bem, é o que eu pretendo... E vocês? Vão fazer alguma coisa hoje à noite?

– A gente vai passar o dia fora. – Dean respondeu.

– Significa que a casa é minha até a hora do jantar?! – Chuck arregalou os olhos.

– Exatamente... – Castiel sorriu. – Divirta-se.

– Oba!

– S... Só não tire as coisas do lugar. – Castiel falou enquanto passava uma de suas mãos por sua nuca.

– Tudo bem... Vou me comportar, pode deixar... – Chuck sorriu. – Mas e aí, a que horas vocês saem?

– D... Daqui a pouco, eu acho. Eu só vou tomar banho. – Castiel falou.

  ...

– Tenham um bom dia. – Chuck disse enquanto fechava a porta pra eles.

– Obrigado... – Dean falou. – Ele costuma ferrar com a casa quando você fica fora, ou algo assim?

– Não, n... Não é isso, é que... – Um som abrupto interrompeu Castiel, era o som de uma música dançante vindo de dentro da casa. – Bem, é exatamente isto. – Castiel sorriu enquanto apontava para a porta fechada.

– Ah, entendi... – Dean riu. – E aí, vamos?

– Sim! Claro. – Ele respondeu. Os dois seguiram em direção ao carro, Dean o ligou e começou a dirigir.

  ...

– Então... Onde estamos indo, exatamente? – Castiel perguntou.

– Hm, quem disse que precisamos de rumo? Vamos só dirigir e... Sei lá, parar em algum lugar legal, depois repetir. Pode ser?

– Pode, sim. Será interessante. – Eles sorriram. Dean começou a dirigir por aí, sem muita direção.

  ...

– Ótimo, já achei um lugar. – Dean estava olhando para um local específico, Castiel estava perdido olhando para as lindas nuvens que pairavam no céu.

– Ah, é? Onde? – Ele começou a olhar para todos os lugares, confuso.

– Só venha comigo. – Dean abriu a porta e saiu do carro, Castiel fez o mesmo, sem entender muito. Dean segurou a mão dele e o conduziu até uma máquina de sorvete que estava ali perto, havia um senhor do lado, sentado numa cadeira, esperando um cliente.

– Ah, entendi. – Castiel sorriu.

– E aí, qual o sabor?

– Morango, sem dúvida. – Ele respondeu com convicção.

– Então tá... – Dean virou-se para o senhor que estava ao lado da máquina. – Um sorvete de chocolate e morango, por favor. – O senhor sorriu enquanto se levantava da cadeira e começava a preparar os pedidos. Castiel tirou a carteira do bolso.

– N... Não precisa, eu pago, tudo bem. – Dean pegou a própria carteira.

– T... Tem certeza?

– Claro que tenho, é só um sorvete, nada demais. – Dean lançou uma piscadela pra ele. Castiel ficou um pouco vermelho e baixou a cabeça, um pequeno sorriso se fazia em seu rosto.

  ...

– Caramba, isso daqui é bom. – Dean comentou. Eles estavam dentro do carro enquanto tomavam o sorvete.

– É mesmo... – Castiel sorriu. – Tem gosto de infância... Aliás, tem certeza que é uma boa ideia tomarmos sorvete dentro do carro?

– Tenho, não se preocupe, se cair no banco não tem problema, mas a gente está aqui dentro por um motivo.

– Ah, é? Qual?

– Você já comeu chocolate com morango? – Castiel estranhou a pergunta.

– N... Não, eu... – Dean beijou Castiel, interrompendo-o de falar qualquer outra coisa, o outro não hesitou e logo o beijou de volta. – Mas acabei de saber que é uma ótima mistura. – Eles sorriram um pro outro.

– Beijar na frente de todo mundo não seria uma boa ideia.

– Ah, entendi. – Castiel sorriu.

– Opa, tem um pouco no canto da sua boca... – Dean se aproximou lambeu o canto da boca de Castiel, que ficou vermelho instantaneamente. – Pronto. – Dean sorriu.

– Sabe, eu acho que deveríamos voltar às posições normais. – Eles demoraram um pouco pra perceber que um estava encima do outro.

– Ah, é... – Dean riu... – Vou acabar derramando sorvete encima de você. – Dean disse enquanto se ajeitava no seu lugar. Eles terminaram os sorvetes em pouco tempo. – E aí, você tem uma sugestão de lugar pra irmos?... – Dean perguntou. – Ou quer continuar sem rumo?

– Uh... Que tal o parque? Seria legal. – Castiel sorriu.

– Seria, sim. Vamos. – Dean ligou o carro e dirigiu em direção ao parque.

  ...

  Depois de estacionar o carro, eles começaram a andar pelo lugar, era simplesmente lindo, era um cenário bastante simples, mas não deixava de ser muito bonito. Havia algumas crianças brincando, adultos andando, outros se exercitando e alguns brincando com seus animais.

– Lugar legal. – Dean comentou.

– Você... Já veio aqui antes?

– Já passei por aqui algumas vezes, mas ficou só por isso mesmo.

– Entendo... Aqui é tão bonito, não acha?

– É, sim... – Dean suspirou. – Cas, eu não queria trazer esse assunto de volta, mas... É sobre aquilo que você não quis me contar.

– Ah, sim. – Castiel olhou pra baixo.

– Você disse que eu não precisava me preocupar, mas é meio que impossível. Sei lá, tudo isso que aconteceu... Você parecia tão mal quando viu a Chelsea sendo presa. – Aos poucos o tom de voz de Dean pareceu cada vez mais sério e profundo, entrando em contraste com o tom calmo e espontâneo de antes, Castiel havia notado essa mudança.

– É... – Castiel suspirou. – Bem, algo naquilo tudo realmente mexeu comigo, de certa forma.

– S... Se importa de me dizer o que foi? – Ele perguntou.

– É uma história estranha, na verdade... – Castiel não se sentia confortável com a ideia de contar aquilo de novo, mas ele estava disposto a fazê-lo. – Houve uma noite em que eu encontrei meu pai, bêbado, no sofá da sala de casa.

– O... O seu pai é alcoólatra? – Dean fez questão de perguntar num volume discreto.

– N... Não, não exatamente. Ele nunca costumou beber, mas ele passou a fazer isso com certa frequência, após uma briga entre ele e minha mãe. Mas não se preocupe, essa foi uma das poucas vezes em que isso realmente chegou a ser um problema. – Castiel falou.

– Tá, entendi... – Eles deram mais alguns passos. – Pode continuar.

– Resumindo, meu pai me chamou e começou a me estrangular... – Dean se assustou com o que ele disse. – Me culpando por algo que eu não entendia, que eu não entendo até hoje, na verdade... – Ele suspirou. – Bem minha mãe apareceu e eu não tenho uma memória muito precisa do que houve depois.

– Nossa... – Demorou alguns segundos para que Dean processasse tudo aquilo em sua cabeça. – E você conversou com ele sobre isso?

– N... Não. Eu nunca toquei no assunto. Por favor, não tenha a impressão de que meu pai é uma pessoa ruim, muito pelo contrário. Ele estava confuso, certamente não tinha ideia do que estava fazendo. – Ele disse.

– Hm... Saquei. E o que isso tem a ver com o caso do Mark, exatamente?

– Eu... Eu não queria acreditar que Chelsea podia ter feito aquilo com seu filho. Da mesma forma que eu procurei não acreditar que o que aconteceu naquela noite realmente havia acontecido.

– Ah, sim... Poxa, Cas, desculpe ter pressionado você a... – Castiel o interrompeu.

– N... Não, tudo bem. Eu iria lhe falar, uma hora ou outra. – Ele sorriu.

– Eu... Eu não achei que fosse algo assim.

– Então o que você achou que fosse?

– N... Na verdade, eu não sei... – Eles riram. – Obrigado por me contar.

– De nada.

– O que você acha de a gente sentar naquele banco? – Dean apontou com o nariz pro banco.

– Acho ótimo. – Eles seguiram até lá e ficaram observando o parque a partir dali. Estava tudo tão calmo, aquela manhã de sábado estava com um clima muito bom, não muito quente, mas também não muito frio. O som das pessoas correndo, falando, assim como o som do ambiente, em si, era extremamente agradável. Simplesmente sentar num banco e apreciar tudo aquilo era simplesmente sensacional.

– A gente devia vir aqui mais vezes. – Dean comentou.

– Devíamos, sim... – Ele concordou. – Eu gosto de parques. São ótimos lugares pra pensar, pra se desligar um pouco do estresse do dia-a-dia. Não só parques, florestas, lugares naturais.

– Pois é, às vezes a gente precisa parar pra colocar as coisas no lugar. Tirar um tempo pra nós mesmos. – Dean falou.

– É, isso mesmo. – Castiel sorriu.

– E aí... Como você está? – Dean perguntou enquanto se sentava um pouco mais perto de Castiel.

– Eu... – Ele suspirou. – Eu continuo sem saber... As cenas do dia de ontem ficam reprisando na minha cabeça sem parar. – Enquanto Castiel falava, ele parecia um pouco distante, um pouco perdido em seus próprios pensamentos. Assistindo àquelas mesmas cenas, talvez.

– Entendo... Eu ainda penso bastante sobre aquilo, também.

– Uma parte de mim ainda não conseguiu entender que foi ela quem fez tudo aquilo... – Ele olhou pra baixo, ele não olhava exatamente para o chão, mas para algo que só a mente dele conseguia ver. – Foi tudo tão rápido.

– Foi, sim... É estranho, ela ficou desaparecida por tanto tempo. Ninguém conseguiu achá-la, acharam que ela estava morta. Como será que as pessoas reagiram quando souberam que ela estava viva esse tempo todo? – Ótima pergunta.

– Deve ter sido um susto e tanto. Imagine perder alguém por mais de vinte anos, depois descobrir que essa pessoa estava viva... Nossa, a sensação deve ser indescritível. – Castiel tentava se colocar no lugar das pessoas que eram próximas de Melissa quando ela havia desaparecido... Uma tarefa extremamente complicada, certamente.

– Com certeza... Você não sabe se fica feliz pela pessoa estar de volta, ou se você reza pra que tudo aquilo seja mentira.

– Exato. Afinal, não é mais a mesma pessoa. Talvez deva ter mudado tanto que você nem mais a reconheça, seja física ou psicologicamente.

– Pois é... E a Chelsea? Como será que ela tá?

– Talvez ela ainda não soube de tudo, mas quando ela souber que alguém guardou rancor por todo esse tempo, mas acabou matando o filho dela por acidente... Eu nem consigo imaginar como ela irá se sentir.

– Nem eu... – Dean parou de olhar para frente e olhou para Castiel, esse que parecia tão... Acinzentado. Dean colocou o braço em volta dele. – Não fique assim, Cas... – Eles sorriram. – Pelo menos isso acabou, não é?

– É. – Dean se aproximou e beijou a bochecha dele, que ficou vermelho rapidamente. Era ótimo ter Dean ao seu lado para mantê-lo alegre e livrá-lo das preocupações, mesmo assim, logo após ele responder à pergunta de Dean, um detalhe que ele lembrou segundos depois deixou bem claro que as coisas não haviam, exatamente, acabado. Ele preferiu não mencionar este assunto.

– Vamos tentar esquecer isso, pode ser?... – Castiel assentiu com a cabeça. – Ótimo. O que você acha de a gente passar na minha casa?... Acho que já é hora de você conhecer o lugar onde eu moro. – Enquanto Dean falava, ele passava a mão pela sua nuca.

– Ah, é?... – Castiel sorriu. – Seria ótimo. – Dean se levantou e estendeu a mão para ele.

– Então vamos. – Eles sorriram um pro outro, Castiel pegou a mão de Dean sem demora, juntos eles andaram de volta ao carro.

  ...

  Dean morava num prédio de apartamentos qualquer, realmente não havia nada demais nisso, o prédio não era muito alto, nem muito baixo. Algo qualquer, sem dúvida. Dean estacionou e os dois saíram em direção à entrada.

– Então é aqui que você mora? – Castiel perguntou.

– É... É um daqueles apartamentos baratos. Sem câmeras, poucos seguranças, enfim, só o melhor que têm a oferecer. – Eles riram.

– Entendo... E em que andar você mora?

– Décimo terceiro... – Dean respondeu com convicção. – É, eu desafio o universo. – Castiel sorriu.

– Você enfrenta mesmo o perigo, não é?

– Mas é claro!... – O tom de voz de Dean era extremamente engraçado. – Vivo minha vida de forma arriscada... Perigo é meu nome do meio! – Castiel voltou a rir.

– Tudo bem, já entendi. Nenhum espelho quebrado é páreo pra você. – Ele tentou imitar o tom de Dean.

– Nem escada, nem rachadura no chão. O universo não me segura! – Castiel não parava de rir.

  ...

  Dean abriu a porta e abriu passagem para Castiel passar.

– Seja bem-vindo, Cas.

– Obrigado. – Ele entrou. Dean entrou logo depois, fechando a porta atrás dele.

– E aí, o que você achou?... – Dean se posicionou ao lado dele, assistindo Castiel observar o lugar. – Não é o melhor lugar do mundo, mas... – Ele não continuou.

– Bem, eu adorei. – Castiel sorriu.

– Ah, é? – Dean estava um pouco surpreso com o que havia escutado.

 – Sim, com certeza... Os livros abertos encima da mesa, a toalha na cadeira, as louças na pia e... – Dean o interrompeu.

– Poxa, você só está destacando a desorganização do lugar! – A forma com a qual Dean falava não deixava claro se ele estava levando aquilo na brincadeira, ou se ele realmente estava falando sério. Castiel analisou as coisas que havia falado e logo notou o problema no que havia dito.

– N... Não!... – Castiel colocou a mão no rosto para esconder a sua face envergonhada. – Desculpe, não foi essa a minha intenção. Eu quis dizer que eu gostei porque o seu apartamento tem personalidade. Ele não é um simples conjunto de cômodos organizados e com todas as suas coisas no seu devido lugar, ele claramente pertence a você... – Castiel sorriu. – Semelhante ao quarto do Chuck que, apesar de bagunçado de vez em quando, não deixa de ser incrível.

– Ah, entendi... – Dean olhou pra baixo por alguns segundos. – Desculpe aí. E obrigado, ninguém nunca falou isso do meu apartamento... – Eles riram. – Então... Eu vou tomar banho, ok?

– Ah, sim. Claro. – Castiel assentiu com a cabeça.

– Fique à vontade... – Dean piscou pra ele e seguiu em direção ao banheiro. – Ah! A gente pode assistir a um filme depois, o que você acha?

– Boa ideia. Você escolhe! – Dean concordou com a cabeça, pegou a toalha que estava na mesa e entrou no banheiro. Enquanto isso, Castiel aproveitou para explorar o lugar.

  Havia uma varanda onde era possível ver toda a rua, tinha uma vista muito bonita para a cidade, o prédio ao lado era bastante visível, também. Encima da mesa Castiel encontrava os mesmos livros que havia mencionado, havia um caderno ao lado onde Dean parecia fazer algumas anotações sobre os diversos assuntos que estava estudando. Estava frio, mas nada muito congelante, ele se sentou no sofá.

  O celular vibrou, havia uma mensagem de Chuck... “Cas? Onde diabos você se meteu?”... “Bem, eu estou na casa do Dean.”... “Ah, é? Legal, como é aí?”... “É bem... Aconchegante. Eu gostei daqui.”... “Legal, legal.”... “E como está por aí?”... “Normal... Aquela música tocando no máximo, como sempre.”... Castiel sorriu ao ler a mensagem... “Entendi.”... “Divirta-se.”... “Sim, claro. Até mais, Chuck.”... “Até mais, Cas.”... Depois daquilo, ele simplesmente ficou sentindo a energia do lugar enquanto esperava Dean terminar de tomar banho.

  ...

– Você... Não se preocupa de morar por aqui sozinho? – Castiel perguntou, ele havia entrado no quarto de Dean assim que esse tinha terminado de se trocar. O quarto era bastante simples, também, nada demais para se destacar.

– Já me acostumei... – Dean deu um pequeno sorriso. – Eu lembro quando eu fui pra faculdade... Foi estranho, foi meio que um choque, você está por conta própria pela primeira vez, sabe?... – Castiel assentiu com a cabeça. – Claro, eu não estava sozinho, literalmente falando. Mas era assim que eu me sentia.

– Nossa... Você não tinha nenhum colega de quarto?

– Tinha. Tinha, sim. Mas... Uh... Nós não éramos muito próximos. Parecíamos desconhecidos no mesmo cômodo. E você, tinha algum?

– Sim, adivinhe quem era? – Castiel sorriu, Dean fez uma cara de estranheza.

– Chuck?... – Castiel confirmou com a cabeça. – Sério? – Ele perguntou com um sorriso.

– É... Nós quase que imploramos para ficarmos no mesmo quarto. Não poderíamos ficar separados, de forma alguma. – Ele respondeu enquanto olhava para um lugar qualquer, relembrando daqueles anos.

– Que demais. – Ele comentou.

– Sim... Onde você fez faculdade? – Castiel voltou à realidade enquanto fazia aquela pergunta.

– Em Solemora, aqui perto.

– Ah, entendi... E os seus pais, onde moram? – Dean riu.

– Em Oklahoma.

– Nossa... Distante.

– Pois é... A gente faz questão de ficar longe dos pais quando vai fazer faculdade. E os seus? Onde eles moram? – Castiel riu, também.

– Em Portway, algumas poucas horas daqui. – Dean arregalou os olhos.

– Caramba. Seus pais não deixaram que ficassem tão longe?

– N... Não é isso. Nós gostamos de lá, na verdade. Nós gostamos bastante daqui, também. Costumávamos vir para cá muitas vezes, quando éramos crianças. Aquela casa onde estamos morando era a casa dos meus avós, eles se aposentaram e agora moram numa cidade litorânea. – Ele explicou.

– Ah, sim... Entendi. Por que o Chuck vinha? Algum parente dele morava aqui, também?

– Na verdade, não. A família do Chuck e a minha sempre foram muito próximas... – Castiel sorriu. – Meus avós o viam como neto, também.

– Que legal. Sabe, eu nunca tive um melhor amigo... As amizades que eu fazia nunca duravam muito. – Dean riu.

– Isso é...

– Chato?... – Dean completou, Castiel concordou com a cabeça. – Pelo menos eu tinha meu irmão, esse sim sempre foi próximo de mim. Acho que ele serviu de melhor amigo por um bom tempo. – Eles sorriram.

– Sam, não é?

– É, mas eu o chamo carinhosamente de Sammy. Ele é demais, você ia gostar de conhecê-lo... – Castiel sorriu e olhou pra baixo. – Ele é bastante inteligente, que nem você... – Castiel ficou vermelho. – Mas e aí, vamos assistir àquele filme?

– Vamos! – Eles saíram do quarto e seguiram em direção ao sofá, Dean colocou um filme qualquer para rodar no leitor de DVD. Ele também fechou as cortinas, deixando o ambiente completamente escuro, ele voltou e se sentou ao lado de Castiel.

– Gosta de filmes antigos? – Dean perguntou.

– Sim, bastante. Eu e Chuck temos uma coleção guardada lá em casa.

– São os melhores, não é?

– Sem dúvida.

  ...

  Eles tiveram tempo suficiente para assistirem a um segundo filme. Era simplesmente demais estar ao lado de Dean enquanto assistia àquilo, era agradável mais pela presença dele, do que pelo filme, em si. Castiel estava deitado no colo de Dean, enquanto esse fazia carinho na cabeça dele. Mais tempo assim e ele acabaria dormindo.

– E aí, o que você acha de a gente sair pra almoçar? – Dean perguntou.

– Sério? Ótimo!... Mas onde? – Castiel voltou a se sentar no sofá.

– Não tem nenhum lugar em mente?... – Castiel negou com a cabeça. – Que tal o Bounty? Conhece? – Os olhos de Castiel se arregalaram.

– E... Espere, Bounty... Foi de lá que você trouxe aquele bolo de chocolate? – Castiel perguntou com as sobrancelhas franzidas, ele claramente sabia de algo.

– F... Foi, como você sabe? – Dean perguntou com um sorriso estampado no rosto.

– Eu me lembro desse lugar!... Bem que aquele gosto me pareceu tão familiar. Sim, com certeza! É pra lá que nós vamos! – Dean começou a rir.

– Você está animado, não é? – Castiel riu, também. Os dois se levantaram.

– S... Sim, desculpe. É que faz bastante tempo que eu não vou lá.

– Ah, entendi... Vamos, então. – Dean abriu a porta e estendeu a mão para Castiel. Os dois saíram de lá de mãos dadas.

  ...

  A tarde estava linda. O Sol raiava, combinando com as cores alaranjadas das folhas de outono. Castiel apreciava a vista enquanto Dean dirigia. Havia algumas pessoas de bicicleta, outras entrando e saindo de lojas... Enfim, a cidade funcionava. Todos esses mínimos detalhes se juntavam numa coisa maior, não só maior como muito bonita, também.

– Está tudo bem? – Dean perguntava enquanto via o outro observar o lugar pela janela.

– Sim... Eu senti falta daqui. Mesmo assim, eu não vim aqui nem uma única vez desde que nos mudamos. – Castiel respondeu.

– Ah, entendi... Mas bem, você está de volta. – Dean sorriu para ele, que não demorou muito para retribuir com outro sorriso. Os dois saíram do carro.

  ...

  Como era de se esperar, havia algumas pessoas lá dentro. O charme do lugar estava justamente no fato de ele ser tão simples e, ao mesmo tempo, tão amigável. As memórias que o local proporcionou eram repassadas na mente de Castiel, esse que parecia encantando por estar ali de volta. Ele estava sorrindo.

  Ao se sentarem, Castiel olhou pela janela, mais uma vez ele ficou hipnotizado com a paisagem lá fora. Ele suspirou.

– As pessoas andando, o tempo passando... É tudo tão bonito. – Uma das mãos de Castiel estava no seu queixo, essa cujo braço estava na mesa.

– É, sim... – Dean olhou para o mundo lá fora, também. – Às vezes o melhor a se fazer é só parar pra apreciar um pouco essas coisas pequenas.

– Isso mesmo. – Castiel sorriu. Uma pessoa se aproximou deles.

– Boa tarde, bem-vindos ao Bounty... – A garota olhou para Dean. – Ah, é você de novo... – Ela sorriu. – Veio pedir outro bolo de chocolate? – Eles riram.

– Não dessa vez. – Dean respondeu.

– E então, o que vão querer?... – Enquanto ela falava, Castiel analisava o rosto dela. – Espere, eu me lembro de você, também?

– Zoe? – Castiel perguntou.

– Castiel! – Ela sorriu, assim como ele.                                  

– Vocês se conhecem? – Dean perguntou.

– Sim! Eu vim visitar meus pais nas férias de verão do ano passado, ele e Chuck estavam aqui nesse mesmo dia. – Ela explicou.

– Ah, sim.

– Eu, Chuck e Zoe conversamos por bastante tempo sobre a faculdade. – Ele falou.

– E sobre coisas bobas do dia-a-dia... – Ela completou. – Mas e aí, começou a cursar Direito?... – Castiel confirmou com a cabeça. – Sério?! E como é que está indo?

– Bem, não está sendo fácil. – Castiel respondeu. Ela riu.

– Ah, acabei de me lembrar que uma das professoras de vocês foi presa, não é? – Esta pergunta fez o que os dois menos queriam, lembrar daquilo mais uma vez.

– S... Sim, foi. – Castiel respondeu enquanto tentava disfarçar o desânimo que foi provocado pela pergunta.

– Caramba, e ela matou um rapaz que estudava lá, não é? – Dean notou o desconforto de Castiel, ele tinha que pensar em algo para mudar o rumo daquela conversa.

– É, é... Foi isso aí mesmo... – Dean respondeu por ele. – A gente pode... Fazer o pedido? – Dean tentou ao máximo não soar rude, mas ele não se importava muito, desde que livrasse Castiel daqueles pensamentos.

– Ah, sim... Claro, desculpe. – Ela sorriu. Depois de mais alguns segundos naquele clima estranho, Dean e Castiel pegaram o cardápio e começaram a decidir o que iriam comer, agindo como se nada houvesse acontecido. Eles pediram e esperaram que ela anotasse tudo.

– Tudo bem, é pra já. – Ela saiu. Castiel suspirou e passou as mãos pelo rosto.

– Obrigado. – Castiel falou.

– De nada. – Dean sorriu.

– Zoe é uma pessoa incrível, mas no dia em que a conhecemos ficou um pouco claro que ela tende a... Se desnortear com facilidade. – Eles riram.

– É, eu percebi. – Dean falou.

– Bem, eu... Vou enviar uma mensagem pro Chuck. – Castiel falou enquanto pegava seu celular.

– Então tá. – Castiel começou a digitar uma mensagem... “Chuck, adivinhe onde estamos.”... Demorou algum tempo até que Chuck respondesse... “Ué, sei lá... Onde?”... “No Bounty.”... “Sério?! Puta que pariu, como a gente se esqueceu de ir aí?”... Castiel sorriu... “Eu também não sei... Acho que estávamos muito ocupados com as mudanças e com a adaptação na nova casa que nem lembramos.”... “Pois é... E como é que tá aí? É o mesmo Bounty de sempre?”... “Sim, você se lembra da Zoe?”... “Claro! Por quê?”... “Agora ela trabalha aqui.”... “Caralho, exatamente como ela disse que faria quando terminasse a faculdade.”... “Exatamente.”... “E aí, está tudo bem com você?”... “Na verdade... Eu não consigo parar de pensar no dia de ontem, apesar de todo o esforço. Zoe também mencionou isso na conversa e eu me senti bastante desconfortável.”... “Poxa, Cas... Eu também não consigo. Mas sei lá, eu acho que isso só vai durar até segunda. Quando a gente voltar a sofrer.”... Castiel riu. Dean ficava se perguntando o que ele estava lendo que o fazia sorrir tanto... “É, eu acho que você está certo. Vamos esperar até lá.”... “Pois é.”... “E então, o que você está fazendo agora?”... “Eu estou estudando, ora mais.”... “Hm, que bom. Na verdade, acho que irei voltar para casa para poder estudar, também.”... “Pois é, só uma professora foi presa, ainda tem mais um monte.”... Castiel definitivamente não achou aquilo engraçado... “N... Não diga isso.”... “Desculpe... Então tá. Até mais, Cas.”... “Até mais, Chuck.”... Ele guardou seu celular e respirou fundo.

– Havia me esquecido que eu tinha que estudar. – Ele forçou um sorriso.

– Caramba, é verdade. Toda essa porcaria meio que fez a gente se esquecer disso. – Dean falou.

– Exato... – Ele suspirou. – Depois do almoço... Você pode me deixar em casa?

– C... Claro! Pode deixar... – Dean sorriu e assentiu com a cabeça. Ele deslizou as mãos pela mesa e alcançou as de Castiel, ele olhou fundo nos olhos do outro, que ficou vermelho no mesmo instante. – Como você está se sentindo? – Castiel sorriu.

– Melhor. – Dean respondeu àquilo com outro sorriso...

  Sim, talvez Castiel não estivesse conseguindo tirar aquilo de sua mente. Mas, aos poucos, esses pensamentos estavam indo embora. Era hora de levantar a cabeça e olhar para frente, parar de se preocupar com o passado e pensar no futuro...

  Afinal de contas, as coisas só estavam começando... Ou melhor, recomeçando.


Notas Finais


E então? O que acharam? Eu espero do fundo do meu coração que tenham gostado! Agradeço a todos que leram os últimos capítulos, vocês são incríveis! Se puderem, só se puderem, comentem o que acharam, eu simplesmente amo interagir com todos vocês, favoritem também, se possível. Beijos e até o próximo capítulo!


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