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História Inocente - ERERI - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Capítulo 6


Era exatamente uma hora e quarenta da noite quando o som de um carro sendo travado ecoou pela rua silenciosa. Terminando de ajeitar sua bolsa, Levi seguiu até a casa dos seus pais, completamente acabado pela longa parte de sua noite ter sido na delegacia tentando reconhecer os bandidos pelos vídeos das câmeras. Infelizmente não teve uma boa notícia, não havia dado certo. O delegado pediu para que ele vinhesse no dia seguinte, pois tentaria encontrar ao menos alguns para o reconhecimento. E agora, estava ele, caminhando até a porta quase que se arrastando de tanto cansaço.

Parando frente a porta, Levi tocou a campainha e esperou pacientemente, tirando tempo para dar uma olhada na rua para ter certeza de que não havia sido seguido. Quando teve certeza que não, suspirou aliviado e voltou sua atenção para a porta, agradecendo mentalmente que logo foi aberta. Entrando na casa, ele fez questão de nem olhar para o seu pai, ainda muito irritado com a conversa acalorada que havia tido no dia anterior.

"Os status mudaram. Saiba onde está antes de tentar se achar superior ao seu próprio pai, Levi."

"Estou em minha primeira casa, e indo ver a situação do meu filho." retrucou ao passar por ele, colocando sua bolsa pendurada no cabide preso na parede, bem ao lado da do Damian.

"Maldita hora em que você herdou os meus genes." xingou ao dar as costas para ele, não querendo mais manter qualquer interação por perder de vez a paciência. "Pelo menos sou o mais bonito."

"Eu vou fingir que nem ouvi o seu último comentário, pai. Sinceramente, como alguém tão infantil e impulsivo como você se tornou um advogado prestigiado mesmo? Seus clientes devem ter fumado uma maconha das boas."

"E os seus devem ser budistas para terem tanta paciência em te aturar com essa sua cara de cu e humor de merda."

"Humor de merda? Cara de cu? Você por acaso já se olhou no espelho hoje, pai? Você parece que mergulhou numa poça de bosta, e seu humor é pior do que qualquer merda. É merda podre."

"Hãn? Eu me surpreendo a cada dia que passa por você ter se casado, garoto insuportável da merda."

"Velho irritante, eu sou o único que deve se surpreender aqui. Ao contrário de você, eu possuo bons pontos em várias coisas. E você? Até hoje me pergunto como a mãe não foi diagnosticada como cega."

"Me respeite, seu anão. Se não fosse por mim, você nem existiria."

"E se não fosse por mim, você não seria um velho intrometido e babão por seu neto."

"Entenda de uma vez, pirralho. Se você não tivesse nascido, eu nunca seria avô. E sabe o que isso significa? Eu não seria um ''babão'' e muito menos um ''intrometido'' por tentar ajudar o meu neto!"

"Ajudar?! Damian está mal com tudo isso!"

"E quem não ficaria, seu idiota?! Ele nunca teve a chance de conhecer o pai e quando teve, nem sequer deu tempo para matar a saudade. Ele estar mal é sua responsabilidade, Levi. Você foi o único que o manteu distante do Eren. Se ele está mal ou não, a culpa é toda sua. Porque simplesmente não conseguiu fazer seu papel direito por medo!"

"Cale a boca! O que você têm pra falar?! Você nunca foi um pai presente, estamos no mesmo barco. Apontar o dedo para mim não é tão fácil como era antes. Eu cresci, pai. Não abaixarei a cabeça pra você nunca mais!"

"Se eu fosse você, eu tratava de crescer. O passado é passado. E como você mesmo disse, você cresceu. E se tornou um adulto. Aja como tal."

Franzindo o cenho, Levi estalou sua língua em irritação, tentando não mostrar como seus olhos lacrimejaram com cada palavra dita pelo mais velho. E apesar de estar magoado, ele não abaixou sua cabeça de maneira alguma. Olhando diretamente nos olhos do Kenny, Levi disse de uma maneira dura: "Somente cale a boca. Se não consegue mudar o que fez, não tente apontar os erros que estou tentando corrigir."

"Acha que se tentar de agora, mudará algo?"

"Possa ser que não, mas o que importa pra mim é que, apesar de tudo isso, ele saiba o quanto é amado por mim."

"Vocês dois querem calar a boca?" pediu Kuchel com uma aura totalmente obscura. Desde o momento em que Damian chegou, ela esteve com ele tentando acalmá-lo. Infelizmente a situação não estava nem um pouco boa, e ela deu o seu melhor para compensar a falta que Levi estava fazendo naquele momento. Preparou a banheira com água morna, fez um ninho bastante confortável, mas nada, nada mesmo, fazia o garoto parar de choramingar pelos cantos. Inferno! Ela se sentiu horrível em admitir que teve que colocar um sonífero no suco de maracujá que fez para fazê-lo dormir.

Voltando sua atenção para os dois homens próximos da escadaria, ela os encarou com uma feição irritada. "Kenny, temos muito o que conversar." falou. Tendo ouvido toda a discussão, ela estava horrorizada com a forma que o marido havia usado para falar com o Levi. Errado ou não, ela sabia que seu filho tinha problemas. Não só ela, os dois sabiam. E ver Kenny falar tudo aquilo, só fez o aperto em seu coração aumentar.

"O que?!"

"Calado, Kenny." rosnou, "E Levi. Corra pro quarto agora. Damian não está nem um pouco bem. Dei sonífero para ver se conseguia acalmá-lo, mas... Ele ainda está choramingando."

Ao ouvir isso, toda a raiva que sentia sumiu de uma só vez e deu lugar a uma preocupação tão pura que, antes mesmo que pudesse notar, ele já estava correndo pela escadaria na direção de seu antigo quarto. Observando-o passar pelo seu lado, Kuchel olhou para Kenny decepcionada.

"Não olhe para mim assim. Com depressão ou não, Levi têm que ouvir a verdade."

"Kenny!"

"Estou mentindo?"

Sem conseguir pensar em nada para falar, ela apenas o encarou com ódio e deu as costas, pensando em ir para seu quarto e se acalmar um pouco antes de ir checar a situação com Levi e Damian, que por sinal, não estava sendo nada agradável. Assim que entrou no quarto, Levi se viu horrorizado com a cena que se passava. Damian estava todo encolhido na posição fetal em meio aos lençóis. Ele suava bastante, estava ofegante e murmurava coisas desconexas, enquanto tomava aquela respiração desregularizada que sempre engatava em sua garganta.

Indo até ele com passos longos, Levi sentou-se do seu lado na cama, tocando em sua testa por impulso para ver se estava com febre. Felizmente ou não, ele não estava e isso preocupou Levi, que não entendia o porquê dele estar tão suado. Quando a movimentação dele se tornou agressiva, ele logo se deitou ao seu lado e o puxou contra si, forçando-se a liberar feromônios tranquilizantes numa tentativa fútil de tentar acalmá-lo.

Agarrando-se no mais velho por impulso, Damian segurou com força na blusa do mesmo, e apesar de estar inconsciente, podia sentir de longe o doce aroma, mas nem mesmo isso estava o ajudando. Arregalando os olhos quando o primeiro grito ecoou pelo quarto, Levi o abraçou, murmurando em seu ouvido palavras gentis.

"Estou aqui, Damian. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. Não vou deixar que nada faça mal a você... Eu prometo."

Para o seu desgosto, suas palavras pareciam não fazer efeito algum, pois logo em seguida, Damian chorava. Franzindo o cenho por não saber o que fazer nessa situação, ele pensou em se levantar e pegar seu celular para pedir ajuda, mas foi impedido pelo aperto forte em sua camisa.

"Ma..."

"Estou aqui, meu amor. Eu estou aqui... Bem do seu lado. Te protegerei de qualquer coisa, então descanse."

A última hora e meia se passaram com Levi tentando acalmar o Damian, enquanto o mesmo se encontrava num choramingado incessante, no qual, parecia não ter fim o motivo de seu medo. Quando estava prestes a se desesperar por não ter conseguido fazer nada, Levi se viu ficando aliviado conforme Damian parecia ir se acalmando em seus braços.

"Isso, meu amor... Durma. Eu estarei aqui do seu lado quando acordar. Te protegendo de qualquer coisa, ok? Sempre estarei do seu lado, então não tenha medo."

Dando um beijo em sua testa, Levi relaxou um pouco na cama, não tendo como ir para a outra sem correr o risco de acordá-lo ou então de fazê-lo ter outro ataque. Espiando por cima do ombro até onde poderia ir sem cair no chão, ele franziu o cenho com o pouco espaço, mas não deu muita importância já que isso significaria que Damian poderia dormir bem. Olhando para a feição adormecida do mesmo, Levi sentiu seu peito esquentar. Seu filho ainda era a coisinha mais fofa que já viu em toda sua vida. Com um pequeno e singelo sorriso, ele estendeu sua mão até o rosto do garoto e fez um leve carinho em sua bochecha.

O amor e a devoção eram vistas facilmente no brilho do olhar do mais velho, que aos poucos ia caindo num sono profundo por causa do cansaço óbvio que o estresse havia lhe proporcionado. Passando um braço protetor por cima da cintura do Damian, ele deu um último beijo em sua testa, sorrindo quando o outro se encolheu por um segundo antes de avançar contra si, ronronando alto quando tinha seu rosto próximo a garganta do Levi.

Abraçando-o, Levi enterrou seu nariz no cabelo do Damian, respirando fundo o aroma fraco de chocolate. Fechando seus olhos, ele finalmente pôde descansar, apesar de sua mente lembrá-lo constantemente que teria uma reunião importante com seu atual ex-cliente daqui a algumas horas. E foi com esse pensamento que ele apagou de vez, sucumbindo ao cansaço.

Do lado de fora do quarto, especificamente na cozinha, Kenny encontrava-se numa situação nada boa. Não conseguia dormir. Os fantasmas da sua discussão com Levi o perseguia, deixando sua consciência pesada demais para conseguir dormir e isso estava lhe dando nos nervos. Seu lado racional o fazia ter certeza do seu erro e também que deveria se desculpar, mas seu orgulho falava muito mais alto e isso ele tinha consciência. Muitas vezes passou semanas sem falar com o filho pelo mesmo motivo. Como dito antes, Levi infelizmente havia puxado muitos genes do Kenny, e um dos deles era essa capacidade de não o entender alguma forma. Claro, havia muitos motivos também. O próprio Kenny sabia, e confirmava se fosse perguntado, ele nunca foi um bom pai para Levi. Nunca realmente o entendeu, ou buscou saber mais sobre ele. Era fato que Levi guardava más lembranças de sua infância quando o assunto envolvia o pai. Tanto, que  Kenny custou a acreditar que ele iria cursar Direito também, e que pegaria Direito Penal feito ele. Por mais que não gostasse de admitir isso em voz alta, Kenny não se surpreenderia caso Levi anunciasse de repente o quanto o odiava. Afinal, ele sempre deu grandes motivos. E mesmo com o passar do tempo, ele continua. Mesmo que não seja sua intenção.  

Com um longo suspiro, ele olhou dentro de sua xícara de café, notando seu reflexo na escuridão do líquido que tanto amava. Tomando um gole da bebida quente, ele se sentou no banco, da bancada que fica no centro da cozinha, olhando para o nada com inexpressividade. Ele não se sentia no direito de reclamar nem em seus pensamentos da sensação de solidão que crescia em seu peito, tendo em mente a prova viva de que merecia isso. Mesmo que não totalmente.

Tá. Talvez ele merecia mesmo.

Franzindo o cenho quando sua própria linha de pensamento começou a julgá-lo com base em suas ações mais recentes, ele colocou uma xícara na bancada e se espreguiçou, pensando que apenas isso seria o suficiente para tirar toda a pressão colocada em si. Espiando a hora pelo seu celular, ele aceitou de bom grado que não dormiria mais naquela madrugada. Era exatamente 3hrs20min AM, e ele continuava sem nem um pingo de sono. Também não era louco de voltar ao seu quarto com Kuchel brava com ele. Imagina o tamanho do desastre caso a acordasse sem querer? Nem pensar. Era mais seguro passar a noite bebendo café do que piorar sua situação. Ou então, ir ver a situação do seu filho e do seu amado neto antes de ir para o seu escritório e fazer uma leitura dos últimos documentos que precisavam para a sexta-feira que vem, que é o julgamento final que decretará a liberdade do Eren. 

Arregalando seus olhos ao lembrar disso,  Kenny logo se levantou do banco e pegou sua xícara, tomando de uma só vez o que restou de seu café, antes de colocá-la na pia e ir com passos longos até seu escritório. E como se a vida quisesse testá-lo, assim que chegou no corredor dos quartos, onde o terceiro e último era o seu destino, ele congelou com o pedido de ajuda que vinha do quarto onde Levi e Damian estavam. Com seu coração na mão, ele correu até o quarto, abrindo a porta de uma maneira bruta, que a fez ir e voltar no mesmo instante pela força que foi usada. Parado na entrada, ele assistiu com horror Levi procurar pelo seu celular desesperado enquanto Damian tinha um tipo de convulsão na cama. Quando seu olhar se cruzou com os olhos cheios de temor, finalmente Kenny reagiu."Vou pegar o carro." 

Assentindo em pânico, Levi voltou sua atenção para Damian, chorando inconscientemente por vê-lo naquele estado. Indo até ele, Levi sentou-se na cama e pegou em sua mão. "Seu avô foi pegar o carro. Estamos indo pro hospital agora. Não se preocupe, ficarei do seu lado dessa vez. Eu prometo. "

E enquanto Levi estava ao lado do filho, Kuchel acordava com a movimentação dentro da casa. Estranhando de verdade quando ouviu uma das portas sendo aberta bruscamente. Levantando-se, pegou um roupão e o vestiu, fechando-o enquanto ia até a porta do seu quarto com passos longos. Assim que abriu, arregalou seus olhos pelo susto que levou ao ver Levi passando em frente a ela, quase que correndo, com Damian em seus braços. 

Não entendendo o que estava acontecendo e com os seus pensamentos ainda lentos pelo sono, ela seguiu Levi, parando no final da escadaria enquanto o ômega já estava na porta da casa, indo direto para onde estava o carro do pai em frente ao seu. Tomando uma longa respiração, ela correu até eles. "O que aconteceu ?!"

Olhando de relance para a mulher, Levi respondeu brevemente com uma voz embargada. "Damian não está bem. Pai está nos levando para um hospital agora. "

Com uma mão no coração, Kuchel olhou para Damian, mordendo os lábios ao vê-lo tão pálido. "Logo estarei lá. Quando chegar, peça para Kenny mandar o endereço. Onde está sua chave? "

"No quarto. Em cima da mesa." Dito isso, ele foi até o carro, entrando no banco de trás facilmente pela porta estar aberta.

Vendo que ambos já estavam dentro, Kenny fechou a porta e correu para entrar no banco do motorista, querendo levá-los imediatamente para o hospital. Seu coração indo a mil pela forma como as coisas foram de zero a cem em menos de dois minutos . Quando o carro partiu, Kuchel já estava entrando e  indo para o banheiro para tomar um banho, tendo em mente que Kenny estava de pijama e que Levi ainda estava com as mesmas roupas de ontem, ela sabia que uma hora voltariam para tomar banho e ela que ficaria lá, então não perdeu mais tempo e agilizou.

- - -

Assim que Kenny deu uma grande freiada  frente ao hospital, os homens na porta logo estranharam e se prepararam para chamar os enfermeiros. Abrindo a porta, Levi saiu do carro com uma certa dificuldade, mas nunca ousou tirar Damian de seus braços.

"Preciso de ajuda! Meu filho está muito mal! " Implorou, e, no mesmo segundo, os seguranças  foram avisar aos ​ enfermeiros, que pouquíssimo tempo depois, vinheram com uma maca para colocarem Damian e levá-lo com mais conforto até a sala de exames.

Com ele na maca, eles trataram de seguir com o procedimento padrão, que era perguntar o que havia acontecido ao acompanhante, que no caso era o Levi totalmente acabado.  As olheiras escuras sob seus olhos e cabelo bagunçado entregavam de cara a falta de descanso que sofria.

"Eu não sei. Estávamos dormindo quando eu acordei com ele se debatendo. E ... E ... Eu não sei. Ele ficará bem? O que ele está tendo? É muito grave?"

"Não sabemos ainda, senhor. Os exames irão responder às suas perguntas. Pedimos que mantenha a calma e responda o questionário. Garanto que seu filho voltará para casa. " Disse um dos enfermeiros gentilmente, tendo se acostumado com o desespero dos acompanhantes pelos anos de profissão.

"Por favor ... Ele é meu único filho." Pediu baixinho, parando de acompanhar para poder responder a uma fichinha que iriam dar.

Com uma mão pressionando sua boca, ele tentou se acalmar. Não querendo chorar por confiar nas pessoas daquele hospital. Esfregando seu rosto para afastar aquela forte vontade, ele assustou-se quando uma mão repentina pousou em seu ombro. Antes que pudesse fazer qualquer movimento, a voz grave do Kenny se fez presente para seu alívio. "Se acalme."

"Eu não consigo." Admitiu, sentindo seus olhos encherem de lágrimas por causa disso. "O que está acontecendo com o meu menininho? Estou com medo. Não posso perdê-lo. "

"Apenas se acalme. Lembre-se em que hospital estamos. Mesmo não mantendo contato com você, eles se importam com o garoto. Aposto tudo que eles virão vê-lo assim que souberem. "

"Isso só piora a situação. Quando me verem, acredite, vai piorar e muito. "

Sem saber o que dizer por entender a gravidade do problema entre seu filho e os pais do Eren, Kenny apenas suspirou e pôs uma mão novamente no ombro do Levi. "Estarei ao seu lado se isso acontecer."

Surpreendendo-se com o que ouviu, Levi conseguiu conter sua reação a tempo, mas isso não significa que ele não ficou feliz. Pelo contrário, ele realmente gostou de ouvir isso, mas o momento não era esse. Ele tinha que pensar na saúde do seu filhote. "Obrigado." agradeceu-lhe com um pequeno sorriso, no qual foi devolvido com a mesma singelidade.

"Vamos ver a situação da sua cria."



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