História Inominável - Capítulo 10


Escrita por:

Postado
Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
Visualizações 5
Palavras 1.981
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Mais Valia


Fronteiras – 14 anos passados

Saga andava de um lado para o outro no acampamento. Recebera novas ordens da Capital, mas essas o incomodaram sobremaneira. Não poderia ou pelo menos não deveria sair, naquele momento, do acampamento. Mais uma leva de recrutas despreparados chegara junto com as ordens. Praguejou baixo. Não agüentava mais ser responsável pelo "depósito de lixo", mas por outro lado, quem poderia cuidar daqueles garotos como ele? O tempo estava passando e precisava tomar uma atitude. Teria de passar o comando do acampamento, mas quem? Gritou por Milo, Afrodite e Kanon.

Segundos depois os três entravam, esbaforidos, barraca adentro.

- O que aconteceu, Saga? TPM?

- Antes fosse, Milo, antes fosse. Leiam. – entregou o papel a Milo. Afrodite e Kanon se aproximaram para poder ler.

À medida que a leitura foi evoluindo o semblante dos três refletia a seriedade das ordens.

- Tem certeza que isso é sério? Teremos realmente que sair daqui?

- Sim. É sério. Escolherei os melhores. Iremos para a floresta. O serviço de espionagem enviou diversas posições avançadas de nosso inimigo. Precisamos averiguar. Kanon, meu irmão, este acampamento agora é seu.

- Você só pode estar completamente louco! – Kanon berrara com Saga. Como ele poderia gerir aquele acampamento? Recebera o mesmo treinamento do irmão, mas ainda assim, não se sentia capaz.

- Tem alguma outra sugestão? Eu não gostaria de delegar este fardo a você, mas não vejo outra pessoa.

Kanon respirou fundo. Pensou por alguns instantes. Vários nomes vieram a sua cabeça, mas nenhum adequado, por um motivo ou outro. Estava na hora de sair da sombra de Saga.

- Você tem razão. No momento sou o mais adequado que temos. Terá de servir.

- Milo e Afrodite, reúnam os outros. Vocês sabem exatamente quem. Passem as ordens e arrumem a bagagem. Nossa viagem começará ao entardecer. Avisem também Albion, precisaremos dele em uma missão. Não posso dar mais detalhes agora. Quando chegar a hora, saberão.

Milo e Afrodite saíram apressados para cumprir as ordens. Kanon retardou-se um pouco mais. Precisava conversar com o irmão a sós. Estava receoso do que estava por vir, não só por si, mas por todos os outros que já considerava amigos, que já respeitava.

- Missão suicida, Saga?

- Sim. – Saga baixou a cabeça, entristecido. Não gostava de sacrificar garotos, ainda mais aqueles, mas, ordens são ordens. Como gostaria de poder acabar com toda aquela loucura, mas infelizmente, não estava em suas mãos.

Bichos

Saiam do lixo

Baratas

Deixem-me ver suas patas

Os preparativos foram rápidos e precisos. Os homens não falavam muito. Trabalhavam como formigas, preocupados com o próximo instante. Futuro era uma palavra desconhecida. Mochilas arrumadas, mantimentos, barracas, armamento. O mínimo necessário já era uma carga imensa. O crepúsculo chegara belo naquele dia, mas aqueles homens não puderam olhar o céu. Caminhavam em fila indiana. Saga à frente deles iluminando toscamente a trilha com uma pequena lanterna. O único som audível era dos insetos, alguns animais noturnos e a respiração pesada e tensa daqueles homens.

Saga, Mu, Aldebaran, Mask, Aiória, Shaka, Dohko, Milo, Aioros, Shura, Afrodite, Albion e Ikki. Treze homens e um só destino, a morte. Todos sabiam que dificilmente sairiam vivos daquela floresta, mas não se preocupavam com suas próprias vidas, apenas desejavam profundamente que elas tivessem algum sentido. A morte não os amedrontava, viviam a morte em vida, muitas vezes se perguntavam se não seria melhor descansar de uma vez. Livrar-se do sofrimento que impingiam e a que eram impingidos. O ser humano é complexo e paradoxal. Sofriam por fazer os outros sofrer, entretanto mesmo assim seguiam em frente endurecidos pela dor e acreditando piamente que os fins justificavam os meios e que no fim tudo faria sentido.

Chegaram a uma clareira. A mata fechada em volta deles assustava, mas eles não se davam conta disso. Eles não viam além de seus objetivos. O conforto era secundário, a sobrevivência era secundária, o perigo era secundário. Eles tinham um objetivo. Eles tinham uma causa, mesmo que não soubessem exatamente qual era. Eram soldados. Ensinados, moldados, emburrecidos, embrutecidos, máquinas de matar, máquinas de guerra. Saga parou e fez um sinal. Todos se reuniram ao redor dele.

- Chegamos. Aqui será nosso novo "lar". – risadas abafadas foram ouvidas. Por baixo de toda a lama havia vida. E, em instantes fugazes ela sobrevinha ironicamente – Vamos armar o acampamento da melhor maneira que pudermos e descansar até o amanhecer. O dia de amanhã será longo. Alguns metros ao norte tem um lago. Por favor, Ikki, pegue água para nós. Albion, providencie uma fogueira e algo para nos alimentar. Os demais, limpando o terreno e armando as barracas. Agora.

Movimentos calculados. Em pouco tempo todos estavam em volta da fogueira bebendo café e comendo pedaços de pão com uma sopa rala, cada um usando a imaginação e pensando em seu prato preferido. Técnicas de sobrevivência. Apesar do desprendimento, ainda não era hora de morrer. A única certeza que tinham é que precisavam chegar ao dia seguinte, precisavam atingir seus objetivos e depois poderiam folgar ao lado dos Deuses na felicidade eterna da paz do paraíso. Acreditavam no paraíso, mas sabiam que onde quer que ele fosse não ficava na terra.

Ratos

Entrem nos sapatos

Do cidadão civilizado

O dia amanheceu junto a uma tempestade. Os homens acordaram encharcados. Os deuses não estavam sendo justos naquele dia. Mas os deuses nunca eram justos. A chuva era apenas o prenúncio do que viria. Fome, medo, dor, sangue, o de sempre. Estavam preparados, foram treinados para isso, mas no fundo, todos sabiam que nunca se está realmente pronto para matar e morrer, principalmente para matar. O sangue fedia a degradação e os lembrava a todo momento que ainda estava longe de tudo acabar. Eles passariam, mas a história era uma testemunha fidedigna e cruel da estupidez humana.

- Bom dia a todos!

- Saga, você pode ser um ótimo capitão, mas confesso que é um péssimo humorista. Só pode ser algum tipo de senso de humor deturpado esse seu bom dia.

- Eu estava tentando ser simpático.

- Não tente, trabalhe. Temos muito o que fazer. – Shaka, sempre prático, sempre pragmático.

- Tudo bem, você está certo, amenidades à parte, é hora de contar a todos o porquê de estarmos aqui, no meio do nada, debaixo desse aguaceiro de lavar cuecas.

Saga reuniu todos os "moradores" daquele acampamento debaixo de uma lona, em um abrigo improvisado e mostrou finalmente a missão.

- Todos aqui estão cientes de que viemos para este buraco com um objetivo?

Ninguém respondeu, não havia necessidade, fora apenas uma pergunta retórica. Saga seguiu em sua explicação. Ainda estavam em seu próprio território, mas tinham notícias que o inimigo ali instalara um campo de refugiados que na realidade era um posto avançado. A missão deles era simples. Averiguar a veracidade da informação e, em caso de proceder, destruir o campo.

- E por que todos nós? Tem algum plano?

- Sim. Ouçam atentamente. Afrodite e Albion irão pedir abrigo disfarçados. Mask prepara os explosivos, Dohko cuida da comunicação. Eu, Aldebaran e Ikki preparamos a fuga, Milo, Mu, Shaka, Shura, Aiória e Aioros, em duplas, plantando os explosivos preparados por Mask e cobrindo a fuga de Afrodite e Albion.

Não foram necessários mais detalhes. Uma missão de reconhecimento foi enviada até o lugar apontado. Muitos civis. Parecia apenas um inocente campo de refugiados, mas um galpão fechado e tanques escondidos por lonas geraram desconfiança em homens preparados.

- Saga, aquele lugar fede a encrenca. Você tem certeza? – Milo andava de um lado para o outro depois de ter retornado com as informações.

- Tem alguma idéia melhor?

- Vamos explodir aquela merda logo de uma vez.

- E os civis?

- Que se fodam! Se nós podemos morrer, eles também podem! Estamos em guerra! – Milo estava fora de si, não conseguia entender a preocupação de Saga e do alto comando com aquelas pessoas. Ninguém se preocupava com ele. Ninguém se preocupava com nada.

Pulgas

Que habitam minhas rugas

Nenhuma argumentação fora aceita. O plano estava traçado. Afrodite, privilegiado com uma beleza exótica e uma aparência andrógina ficara perfeito como a "esposa" de Albion. Não havia mais volta. Microfones ocultos foram competentemente plantados em ambos por Dokho, especialista em comunicações.

Afrodite e Albion foram facilmente aceitos. Diariamente forneciam informações preciosas sobre a localização das construções e contigente militar presente. Os "especialistas" no acampamento esperavam a melhor hora para atacar. Afrodite e Albion tentavam, na medida do possível, convencer aos civis que precisavam sair dali. Que aquele lugar não era seguro.

Oncinhas pintadas

Zebrinhas listradas

Coelhinhos peludos

Vão se fuder

Milo e Aiória estavam de vigia. Não tinham ideia de quando seria o ataque final. Quase todos os explosivos já estavam plantados, bastava explodir aquele vespeiro. Milo encontrava-se irrequieto. Alguma coisa o incomodava desde que acordara. Não fazia sentido. Tudo corria bem. Quase todos os civis saíram do campo. Nada mais poderia dar errado. Ou não?

Olhava insistentemente para o comunicador, como se esperasse o sinal de alerta que não tardou a vir. O disfarce fora descoberto. Não havia mais tempo. Iriam matar Afrodite e Albion. Eles precisavam agir.

Avisou Saga aos berros que o pior acontecera e correra para o campo. Não precisava mais esconder-se. Precisava resgatá-los. O controle remoto que acionaria os explosivos pesava em seu bolso avisando que, se nada desse certo apenas poderia lamentar a perda dos amigos, mas faria o que deveria ser feito.

Sirenes tocavam, tiros e pequenas explosões de granadas pipocavam por todos os lados. Albion encontrava-se amarrado e desfalecido perto de um dos barracões, mas não havia sinal de Afrodite. Aiória jogou o companheiro sobre os ombros enquanto Milo alvejava qualquer coisa que se movia. Os demais não tardaram a chegar. Mais tiros, mais confusão. Uma balbúrdia onde era impossível distinguir as pessoas. Dor. Sangue. Os cabelos grudados na fronte pelo suor. Nada importava além de fugir daquele inferno. Viu Aiória conseguir embrenhar-se no mato com seu fardo nos ombros. Os demais gritavam por ele. Não havia esperanças para Afrodite. Ele precisava sair e acionar o controle.

Porque aqui na face da terra

Só bicho escroto é o que vai ter

- Não! Eu vou encontrá-lo. – Milo podia ver a dor nos olhos de Mask quando não voltasse com Afrodite. – Não saio sem ele, nem que seja morto!

Milo chutou uma porta. A escuridão em contraste com o forte sol do exterior o cegou por um instante. Sentiu, mais do que ouviu, um gemido. Chutando cadeiras, derrubando mesas abriu caminho em direção a voz. Encontrou Afrodite seminu, enroscado em um canto.

- Vamos embora!

- Me deixe morrer. Eu não quero voltar. Eu não quero vê-lo. Não posso!

- Larga de frescura! Terá tempo para lamber suas feridas, mas eu não vou morrer porque está com vergonha.

Levantou Afrodite pelo braço. Não se preocupara em vê-lo. Não se importara com sua quase nudez, não percebera o sangue e as escoriações. Era apenas um animal. O instinto de sobrevivência acima de tudo. Jogou-o por sobre o ombro como um trapo, como se não pesasse mais que poucas gramas. Correu com o capeta em seu encalço. Saga e Shura disparavam tentando abrir espaço para o resgate. Milo correu, e correu, e correu sendo seguido por todos que davam cobertura.

Afrodite foi entregue a Mask. Chegara a hora. O Escorpião perigoso ajoelhou. Olhou. Apertou. Explodiu. Um sorriso sádico de felicidade iluminou seu rosto. Matara sem dó e ainda se sentira feliz com isso. Tornara-se um monstro. O sorriso apagou-se e as lágrimas escorreram.

Bichos escrotos saiam dos esgotos

Bichos escrotos venham enfeitar

Meu lar, meu jantar

Meu nobre paladar

Afrodite resistira aos ferimentos e fora curado por Saga e pelo amor de Mask. Albion não tivera a mesma sorte. Morrera nos braços de Aiória. Tristeza e dor. Voltaram para o acampamento. Voltaram para a base. Baixas de guerra são normais, mas porque o coração não compreendia isso?



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...