História Inominável - Capítulo 2


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Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
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Palavras 1.569
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Como tudo começou


Na virada do século

Alvorada Voraz

Nos aguardam exércitos

Que nos guardam da paz

Que paz?

A guerra tem muitas razões. Nenhuma delas é compreendida por aqueles que acreditam na paz. Atrocidades, matança, famílias desfeitas, amores perdidos. Será que os fins realmente justificam os meios? Lutar por sobrevivência, lutar por terra, lutar por um deus, lutar por "causas justas" é realmente válido e justificado?

As questões existem, muitos dedicam suas vidas a defesas fervorosas e a tentar respondê-las. Não podemos aqui ter estas pretensões. A história está ai para ser contada, tal e qual. Os homens, suas lutas, seus motivos, suas glórias, derrotas, honras e tragédias pessoais.

A face do mal

Um grito de horror

Um fato normal

Um êxtase de dor

Medo de tudo

Medo do nada

Medo da vida

Assim engatilhada

Como começou esta guerra? Muito antes do nascimento de nossos protagonistas já existiam desentendimentos e discussões. A guerra era velada. As hostilidades eram pontuais, marcadas por atentados aqui e ali. Todos viviam em estado de alerta. Todos com suas armas embaixo de seus travesseiros, a espera de que o estopim fosse ser aceso no alto do paiol. E existiam pessoas com a fagulha na mão, prontas a acendê-lo.

Fardas e força

Forjam as armações

Farsas e jogos

Armas de fogo

Um corte exposto

Em seu rosto amor

E eu

Nesse mundo assim

Vendo esse filme passar

Assistindo ao fim

Vendo meu tempo passar

 

Flashback - Aproximadamente 30 anos passados

O conselheiro real adentrou a sala de reuniões com uma pasta lotada de informações. Junto a ele, o principal chefe das forças armadas do reino. Na sala, apenas a rainha, nervosa, andava de um lado para o outro. Ela queria respostas. Ela queria soluções prontas. Poderia parecer simples, eram outras pessoas, eram todos descartáveis, mas ela queria defender a todos, ela queria o poder. Duas faces da mesma moeda no semblante preocupado de uma jovem dama.

- Minha senhora...

- Sem formalidades. Eu quero saber como andam as negociações. Chega de rodeios e palavras bonitas, chega de "ses" e "senãos". Quero soluções e quero agora!

O jovem rapaz empalideceu. Era jovem na idade, mas carregava sobre seus ombros um peso que não sabia se seria capaz de suportar. Tantas vidas, tanta terra, tantos lares, os destinos em jogo como se fossem apenas peões sobre um tabuleiro de xadrez. Carregava sob seus braços a sentença de morte de muitos jovens como ele, ou até mais pueris. Chegara ao seu limite. Continuaria tentando, mas sabia que estava vencido. Não rodeou. Deu as notícias como elas tinham de ser anunciadas. Sem rodeios, sem floreios. Não conseguira nada. Capitulara.

- O Lorde Hades não abre mão da posse dos direitos intelectuais da nova tecnologia de comunicação e exige a volta do senhor Shion imediatamente.

- E as terras que eu solicitei?

- Nem um centímetro quadrado!

Apoliticamente

Como em um clip de ação

Um click seco, um revólver

Apontam o meu coração

Athena, a rainha, levantou-se, pôs-se a andar de um lado para o outro na grande sala de reuniões. Gesticulava, pensava, soltava algumas imprecações audíveis, mas não inteligíveis. Os dois homens ali presentes estavam nervosos e imersos em seus próprios pensamentos. O Conselheiro Geral não acreditava que a guerra era a única solução, mas sabia que não seria ouvido, tinha plena consciência de ter utilizado todos os seus argumentos. Tentara de todas as maneiras uma solução diplomática, mas seu prazo se esgotara e não avançara nem mesmo um único micro passo em direção a uma solução pacífica e negociável. Por sua vez, o General já lubrificara todas as suas armas e não via a hora de bombardear aqueles cretinos sem-vergonha que tentavam roubar as conquistas e avanços de seu povo. O General era um homem de luta. Acreditava em um poder maior. Ao menos assim a Rainha pensava.

O caso Morel

O crime da mala

Coroa Brastel

O escândalo das jóias

E o contrabando

E um bando de gente envolvida

Juram que não

Torturam ninguém

Agem assim

Pro seu próprio bem

Era impossível saber o que se passava dentro do coração do homem. Era impossível saber suas reais motivações e seus objetivos finais. Ela precisava acreditar nele. Era a única saída que tinha. Ela não queria lutar, mas a luta era inevitável.

- Não vejo outra solução além da guerra...

- Mas, senhora, como vamos justificar um ataque frontal? Shion é nascido no país deles, filho de nobres que pedem a volta do filho pródigo. Seríamos massacrados pela comunidade internacional se partíssemos para a agressão física.

- Você tem razão.

O conselheiro sorriu com prazer. Ganhara uma pequena batalha a favor da paz. O General remexeu-se na cadeira. Aquele engomadinho enfadonho tinha razão. Sabia que não conseguiria lutar contra forças internacionais. Sabia que seu país era pequeno e fraco perante os outros, mas seus inimigos também o eram. Se pudessem ter um motivo "justo", seriam apenas esquecidos e poderiam resolver seus próprios problemas da maneira que melhor lhes conviesse. Ele não teria escrúpulos. Essa palavra fora abolida do seu dicionário desde o primeiro dia em que entrara na vida militar e muito tempo já se passara, tanto que esquecera como fora a sua vida antes.

- E se criássemos um engodo? – era a sua última e mais ousada cartada. Estava blefando com um par de dois nas mãos. Sabia que se falhasse todo o seu poder e todo o seu plano escorreriam ralo abaixo como esgoto fétido.

- Um engodo? Como assim? – ela se interessara. Quem sabe, com apenas uma ameaça, um pequeno engodo, um ataque rápido e fulminante, conseguissem novamente abrir as portas para uma negociação pacífica?

Athena sentou-se novamente, ouvindo com redobrado interesse o que o velho General tinha a dizer. Ela não sabia precisar a idade dele. Sentia como se aquele homem fosse atemporal. Ele a intimidava, mas ela era a Rainha. Ela proferia a palavra final. Era inteligente. Tinha plena consciência de tudo que estava em jogo. Precisava daqueles dois homens presentes ali, mas cabia a ela ser o fiel da balança e, naquele momento, a balança oscilava para as soluções drásticas.

- É publico e notório que eles ainda tem cultos primitivos aos Deuses, inclusive com execuções de seres humanos em honra dos deuses. – a pausa fora dramática. Deveria deixar que os presentes entendessem e digerissem o que pretendia. Levara preciosas horas de sono organizando metodicamente aquele plano. Era perfeito. Nada poderia falhar.

- Mas são condenados a morte por crimes hediondos... – mais uma vez o "engomadinho pacifista" se metera onde não deveria. Queria esfolar o janota com lixa d'água. Sorriu. Um sorriso sarcástico. Provavelmente teria de fazer concessões, mas tinha certeza que conseguiria.

- E se eles resolvessem atacar uma de nossas crianças para seus rituais? Nós não somos inimigos? Temos tanto valor para eles quanto um condenado a morte. Pense bem, meu caro colega. Minha senhora..

Os demais ocupantes da sala ficaram horrorizados, seriam eles realmente capazes de sacrificar uma criança para criar uma guerra? O silêncio era pesado. Todos ali, cada um a sua maneira, acreditavam que os fins justificavam os meios, mas uma criança inocente era demais. A pausa era dramática. Parecia ser possível cortar o ar como se fosse manteiga.

Chegara o momento das concessões. Imaginara que teriam escrúpulos. Imaginara que a idéia seria chocante, mas tudo estava ocorrendo conforme planejara. A criança não seria morta. Ele criaria a criança como seu filho. Conseguiria seus objetivos e ainda daria o "brinquedinho" tão desejado por sua debilitada esposa. Já escolhera a criança. A mãe estava atrelada a ele de maneira indissociável. Ela sabia que se não concordasse e cedesse, tanto ela quanto seu amado filho não veriam novamente o nascer do sol. Se os presentes soubessem... Ele era um monstro, provavelmente seria esse o veredicto, mas ele era esperto e sedutor. No mundo real, nem sempre os bons ganham no final. O menino já estava pronto. Aguardava apenas que ele fizesse a sua parte e um inocente bebê entraria para a história.

- Ei... não precisamos realmente matar a criança, ela pode ser simplesmente "tirada de circulação" criada por alguém...

Athena olhou para o General... Entendera onde ele queria chegar... Seu chefe das forças armadas era um gênio. Teriam o motivo e poderiam deitar no travesseiro e dormir. Se ele cuidasse da criança preciosa como se fosse filho, nada poderia dar errado e o destino dessa criança não seria infeliz.

São tão legais

Foras da lei

Sabem de tudo o que eu não sei

Nesse mundo assim

Vendo esse filme passar

Assistindo ao fim

Vendo meu tempo passar

- Pode ser uma boa ideia, mas você teria de ser o guardião do segredo.

- Seria uma grande honra, minha senhora.

- Que assim seja.

O velho General sorriu, congratulando-se internamente por sua vitória completa. O Conselheiro Real abaixou a cabeça, mexeu nos cabelos nervosamente. Ele sabia que tinha algo sórdido nesta história. Lamentou pelo povo, lamentou pela criança, lamentou por si mesmo, por sua incapacidade naquele instante.

Este fora o dia mais importante da história contemporânea daquele povo e mesmo assim apenas três pessoas participaram. Trinta anos depois, as decisões tomadas por aquelas três pessoas ainda tinham peso. Alguns minutos e toda uma geração afetada. Hoje não sabiam mais quem, como, quando e o porquê. Os motivos se perderam nas areias do tempo, mas ainda hoje lutavam. Ainda hoje matavam e morriam. Quando acabaria? Talvez nem os deuses tivessem a resposta.



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