História Inominável - Capítulo 4


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Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
Visualizações 3
Palavras 1.743
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - E o passado revive


Alissa preparou um chá. Entregou uma xícara a Camus e acomodou-se calmamente. Camus não viu outra alternativa a não ser acompanhá-la. A calma da mulher contrastava com todo o histerismo que imperava na Universidade. Não conseguia compreender a lógica dela, mas estava de mãos atadas. Esperava realmente que ela soubesse o que estava fazendo. Que lhe restava fazer? Talvez fosse melhor ouvir.

- Mestre Camus, você se lembra realmente da última vez em que viu Milo antes dele sumir.

- Eu não poderia esquecer nem em mil anos. Mesmo que quisesse. Aquele dia ficou marcado em mim como se fosse o último de minha vida. Muitas coisas aconteceram depois, mas foi como um filme sem graça.

Camus recostou-se. Seu olhar se perdeu no líquido fumegante. As cenas se passando em sua alma. Começou a falar, como se estivesse contando uma história acontecida com outrem. Alissa apenas ouvia. Ela imaginara o que ocorrera antes que o velho General e Milo chegassem em casa, mas agora ouviria tudo. As peças se encaixariam perfeitamente. Tinha certeza disso.

Vivendo em tempo fechado

Correndo atrás de abrigo

Exposto a tanto ataque

Você está perdido

Nem parece o mesmo

Está ficando pirado

Onde você encosta dá curto

Você passa o mundo desaba

Flashback - 15 anos antes – Colégio Secundarista

- Camus! Nós ganhamos! – Milo colocou o troféu sobre a mesa, pulando no pescoço de Camus.

- Eu disse a você que nosso projeto era perfeito! – Camus retribuiu o abraço. Milo era praticamente a única pessoa que ele deixava lhe abraçar.

Camus nunca gostara muito de demonstrações públicas de afeto, mas fizera uma concessão. Ele mesmo estava tão feliz que não notara as pessoas a sua volta. Queria tanto aquela vitória. Queria tanto aquela vitória com ELE. Sua vida não poderia ser mais perfeita do que estava sendo naquele dia.

E pra te danar

Nada mais da certo

E pra te arrasar

Os falsos amigos chegam

E pra piorar

Quem te governa não presta

- Precisamos comemorar... Já não precisaremos mais fazer vestibular!

- Acabamos de ser coroadas as mentes mais inteligentes do nível secundário... Realmente precisamos comemorar... Pizza e Sorvete de Chocolate?

- Me parece perfeito!

Milo estreitou o abraço e os dois naturalmente se beijaram. Era tão natural. Um sentimento bom, paz, amor, planos de um futuro inteiro juntos. Nesse instante o pai de Milo, um renomado general, chefe das forças armadas, chegou ao Ginásio onde ocorrera a exposição dos projetos científicos e viu a cena.

- Milo, meu filho, está na hora de ir para casa. - A voz era grave, o olhar impenetrável. Não iria fazer um escândalo. Não em público. Seu filho não podia ter feito aquilo. Não seu filho.

Camus assustou-se com a presença do pai de Milo. Não esperava a presença dele naquele momento. Não gostaria que ele tivesse presenciado o beijo, mas agora estava feito. Não poderiam voltar atrás.

- Não se preocupe meu querido, está tudo bem. Amanhã nos encontramos. - As palavras de Milo eram doces, o olhar também. Camus teve esperança de que tudo continuaria exatamente do jeito que era. Não pôde perceber a raiva estampada na alma do General. E o amanhã deles dois, de Camus e Milo, demorou quinze anos para acontecer.

Declare guerra

A quem finge te amar

Declare guerra

A vida anda a ruir a aldeia

Chega de passar

A mão na cabeça de quem te sacaneia

Fim do Flashback

Camus calou-se. Fora a última vez que vira Milo. Tocou os lábios. Já o beijara depois de terem se reencontrado, mas ainda sentia o gosto daquele beijo, naquela longínqua tarde. Tão sem medo, tão inocente ainda. Eram ambos inocentes e crentes de que o mundo era algo a ser desbravado, preferencialmente um na companhia do outro.

Alissa quebrou o silêncio.

- Esta foi a última vez que viu Milo, antes do retorno dele?

- Sim, foi. - Quem lhe dera tivesse tido uma última oportunidade de dizer que o amava. Mas Milo tinha sumido não tinha? Talvez não fosse amor o que sentiam. Ora, no que pensava agora? Estavam juntos de novo. Era o que importava. Mas gostaria mesmo de saber porque tinham se separado tão precocemente.

- E você sabe o porquê, Mestre Camus? Você sabe o que aconteceu no instante seguinte?

- Não. Nada.

- Pois então eu vou lhe contar... Talvez ajude um pouco a que compreenda o infinito amor de Milo.

Alissa se lembrava. Milo chegara em casa, acompanhado do pai, feliz com a vitória na feira de ciências, feliz por estar junto a Camus, feliz por ter conseguido sua vaga na Universidade. Seu pai nada falara a respeito da cena presenciada no Ginásio. Milo estava tão feliz que nem ao menos se preocupara. Não cogitara que algo poderia dar errado naquele dia. Devia saber que seu pai não era do tipo que deixaria aquilo passar.

Foi a vez de Alissa se perder nas areias do passado. Sofrera muito desde o nascimento de Milo, o sofrimento aumentara exponencialmente com a morte da esposa do General quando o garoto tinha apenas seis anos e mais ainda depois daquele dia. Tudo que vira e ouvira começou a sair de seus lábios sem que percebesse. Sabia que provavelmente Milo ficaria deveras magoado por ela estar contando a Camus, mas fazia isso por ele. Se ele não tinha coragem de falar, ela falaria. Não deveria mais ser um segredo. Já guardava segredos demais. E Camus precisava saber, para valorizar o que tinha agora. Algo que talvez nunca mais encontrasse. Um amor sem preço.

Vivendo em tempo fechado

Correndo atrás de abrigo

Exposto a tanto ataque

Você está perdido

De volta ao passado

Mal Milo e o General adentraram as portas da mansão, ouviu um estalar de bofetada. Alissa teve sua atenção despertada pelo som inesperado. Escondeu-se e assistiu. Queria interferir, mas tinha medo. Medo por ele, medo por si mesma. O General não era uma pessoa fácil.

- O que você pensava estar fazendo?

- Como assim? Por que o senhor me bateu? - O olhar azulado de Milo não escondia sua descrença. Não tinha feito nada...

- Você é burro, por acaso? – o estalar de mais um tapa – O que fazia agarrado a um homem?

- Ele... ele... ele é o homem que eu amo! – lágrimas escorriam dos olhos do garoto.

- E desde quando homem ama outro homem? Eu não criei um fresco, eu criei um homem!

- Pois fique sabendo que eu nunca me separarei dele!

- É o que você pensa! – o pai de Milo retirou o cinto do cós da calça e começou uma sessão de espancamento que daria desespero em qualquer um.

Milo nem sequer conseguia se defender. Era menor que seu pai, era apenas um jovem, um garoto e não tinha feito nada demais em sua visão inocente. Amava alguém. Que mal havia?

- Se eu o vir mais uma vez, enquanto eu viver, perto daquele garoto, esta surra não vai ser nada! - Ódio puro era o que sentia. Não. Seu filho único jamais seria um fresco qualquer. Ele era um militar honrado. Aquela desgraça não ia se abater sobre sua família.

- Você pode me matar se quiser, mas, ainda assim, eu irei amá-lo! - E quem disse que Milo cederia? Gritaria por Camus a vida inteira se fosse preciso. Não tinha certeza de muita coisa, mas sabia o que era o amor. O amor era Camus.

As pancadas aumentaram de intensidade, logo o garoto não conseguia sequer respirar direito, todo o corpo coberto de vergões, ficou estendido no chão gemendo.

- Ouça bem o que vou dizer. Se o ama, como diz amar, nunca mais olhe para ele ou serei obrigado a destruir a ele e a sua família. Você me conhece Milo, sabe do que sou capaz! - Não fazia ameaças vãs. Para preservar a honra de sua família não hesitaria em destruir aquele tal de Camus e toda sua família degenerada. Degenerado! Era isso que seu filho não se tornaria. Jamais!

O velho General virou-se e saiu do recinto. Sequer quis saber se Milo ficaria bem. Não se importava. No momento apenas pensava que tinha que mostrar ao garoto quem mandava ali.

E pra se ajudar

Você faz promessas

E pra piorar

Até o papa te esquece

E pra te arrasar

Só o inferno te aceita

De volta ao presente

- Meus Deuses, Alissa, eu nunca poderia imaginar...

- Não mesmo, Mestre Camus? O que achava que o General faria? Pensou que Milo simplesmente o esqueceria? Eu assisti tudo, sem poder fazer nada, escondida atrás de uma pilastra. Quando o velho saiu, fui socorrer o menino e fui obrigada a levá-lo, escondido, para o hospital. O general não era um homem forte, era um homem muito forte. Ele provocou ferimentos intensos no próprio filho. Duas costelas de Milo estavam fraturadas, uma delas perfurou seu pulmão e ele teve uma grave hemorragia. Mais de uma semana internado no hospital.

- E eu achando que ele tinha viajado para aproveitar as férias e tinha me ignorado.

- E você realmente acreditou nisso? Ele ficou com tanto medo das ameaças do pai contra você e sua família que pediu que, caso você ligasse, essa fosse a informação dada a você. Sequer cogitou de algo errado Camus? Nunca lhe passou pela cabeça que após o pai de Milo, sendo como era, ter pego vocês num beijo algo poderia acontecer?

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Camus...

- Meu Milo... para me proteger... - Porque tinha sido tão imbecil? Milo tantas vezes dissera que o amava. Não era condizente com Milo simplesmente desaparecer. Deveria ter sabido.

- Isso foi só o começo Mestre Camus. O Milo de hoje é fruto de uma vida dura. Mas no fundo, aquele garoto ingênuo, brincalhão e puro que nós tanto amamos ainda está ali. Você precisa encontrá-lo. Traga-o de volta. Sei que consegue. Apenas você consegue.

- Não sei se tenho forças pra isso, acho que fiz uma grande besteira, Alissa. Eu o deixei. Não foi ele quem me abandonou Alissa, fui eu quem não viu que algo podia estar errado. Eu tinha que ter sabido.

- Do jeito que ele te ama, não existe besteira que não consiga consertar. Ainda acredita nisso? No imenso amor de Milo?

- Preciso acreditar. Eu preciso mesmo acreditar.

Declare guerra

A quem finge te amar

Declare guerra

A vida anda a ruir a aldeia

Chega de passar

A mão na cabeça de quem te sacaneia



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