História Inominável - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
Visualizações 4
Palavras 1.895
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Por quê?


Cem caminhos pra seguir

Na incerteza de chegar

Quem decide por partir

Só pensar em procurar

Um futuro com alguém

Não importa o que passou

Já nem se lembra mais

Quer é recomeçar

O berro de Milo e sua clareza funcionaram como um tapa num histérico, os ânimos arrefeceram. As pessoas aos poucos começaram a se acalmar, foram procurando os espaços disponíveis e se acomodando da melhor maneira possível. Milo se reuniu com Shiryu, seu antigo braço direito, para tentarem juntos ter uma visão geral da situação. Deu algumas instruções básicas, quase como que por piloto automático. Não conseguia pensar direito. O cérebro estava turvo pela dor. Shiryu anotou mentalmente as instruções, mas gostaria de saber o que ele pretendia fazer. Como pretendia defender o prédio. Queria poder ajudar mais.

Tantas vidas pra viver

Tentando se encontrar

Tantas coisas por fazer

Pra se purificar

Não consigo mais sonhar

Já me basta o que vivi

Sofrendo ao desejar

Quimeras que eu não consegui

- O que vamos fazer Major?

- Ainda não sei. Eu preciso pensar, mas não consigo. – Milo sentou-se e colocou a perna sobre a cadeira.

- O que está acontecendo? - Shiryu preocupou-se, o semblante do outro denotava uma dor que ele não entendia.

- Esta perna maldita está doendo tanto que atordoa minhas idéias. E eu ainda perdi a merda dos analgésicos em algum lugar. - Mal humorado, porém alerta. Mesmo que sua perna explodisse ele continuaria. Ele era assim.

Shiryu apenas olhou, penalizado, a face de Milo, contorcida pela dor. O que ele poderia fazer? As instruções preliminares serviriam para organizar o ambiente, mas não eram de grande valia para o futuro. Se esse homem, a última esperança de todos, falhasse... Sentiu um arrepio na espinha só de pensar na possibilidade.

- Shi, me faça um favor, procure por Marin, ela é professora chefe do departamento de medicina, peça a ela que venha até esta sala. – Agora estava muito perto do limite. Não conseguia mais deter lágrimas silenciosas de dor que insistiam em descer por seu rosto. Doía como o diabo, doía... Doía demais.

Shiryu nada falou, melhor fazer que ficar conversando, apenas saiu correndo atrás da professora, rogando aos deuses que ela pudesse fazer algo para ajudar aquele homem. Sem ele, todos estariam perdidos. Não foi difícil encontrar a ruiva que dava ordens energicamente na enfermaria improvisada no palco do auditório.

- Professora Marin, com licença. O Major Milo precisa de sua presença no camarim.

- Não está vendo que estou ocupada? – ela gritou nervosa.

- Senhora, me desculpe, mas, é um caso de vida ou morte. De nós todos. - Não lhe apetecia parecer tão dramático mas a ocasião exigia e ele se decidira por dizer algo que realmente causasse impacto.

- Como assim? Milo está morrendo? – ela parou e olhou, pela primeira vez dando atenção ao garoto. Bem, talvez nem tão garoto assim.

- Em parte. É melhor que ele mesmo explique o que está acontecendo.

- Espero que seja realmente importante. Vamos.

Preciso além

Em destoar

Anjos do bem

Vão te mostrar

Uma luz maior

Capaz de convencer

Que um mundo bem melhor

Existe em você

Só pro seu prazer

Alguma coisa muito séria deveria estar acontecendo com Milo. Ele não mandaria chamá-la caso tivesse alguma condição de vir ao encontro dela. Marin correu atrás do rapaz um tanto preocupada. Quando entrou no camarim, entendeu o motivo do alarme. Milo estava pálido como um fantasma, a perna ferida apoiada sobre uma cadeira, os olhos vidrados na porta como se estivesse à espera da entrada de algum monstro, os lábios crispados.

- Milo, o que está acontecendo. Você está ferido? - Marin se aproximou rapidamente. Um homem como Milo não ficava naquele estado sem motivos muito sérios.

- Minha perna, dói muito... Eu preciso de analgésico e uma dose cavalar de morfina. - Dor? Aquilo que sentia há muito passara do que se pudesse chamar simplesmente de dor.

- Ficou maluco? Acha que vou aplicar morfina assim, sem mais nem menos? - Era uma profissional conhecida, tinha que ter mais informações. Morfina era um fármaco viciante e perigoso.

- Marin, não faz nem quatro meses que meu joelho foi substituído por um joelho de platina. Eu não poderia nem mesmo sair da cama, quanto mais andar. Quando caí, bati com a prótese no chão. Não estou suportando a dor, mas não posso me dar ao luxo, nesse momento, de ficar aqui entrevado lambendo minhas feridas. É um caso extremo. - Esforçava-se, loucamente, para não urrar, levantar e sair socando tudo que visse.

- Milo! Você só pode ser louco. Mas não estou em condições de discutir com você. Deixe-me ver isso. Consegue tirar a sua calça sozinho?

- Sinceramente, não. Não consigo sequer pensar com muita clareza. A única coisa que há em minha mente é essa dor insuportável. - Sua voz era dura, baixa, sofrida. Odiava ficar dependente de quem quer que fosse, principalmente num momento como aquele.

- Menino... - Marin não conseguia tirar os olhos do sofrimento que lia no rosto de Milo.

- Shiryu...

- Shiryu, por favor, procure Seiya, meu assistente, e diga que mandei ele lhe entregar duas seringas de aplicação de insulina, duas seringas comuns e três ampolas de morfina, além de uma ampola de analgésico pós-operatório intravenoso. Rápido. Não esqueça de nada.

Mais uma vez Shiryu não hesitou e saiu correndo atrás do que fora pedido enquanto Marin auxiliava Milo a despir as calças. Quando ela viu a perna dele, ficou chocada, mas nada falou. Estava completamente inchada e arroxeada. Realmente ele deveria estar sentindo uma dor alucinante.

- Meu amigo, o que fez consigo mesmo?- Não pôde deixar de perguntar, gostaria de brigar com ele, bater, como médica amarrá-lo em uma cama, mas estava vendo o que estava ocorrendo a sua volta. Viu o caos, viu como ele salvou os alunos, viu como ele organizou a turba. Toda sua vida passara naquele país em guerra eterna. Já vira muitos como Milo. Pessoas que doavam suas vidas em prol de pessoas como ela, que nunca foram capazes de sair de suas vidas monótonas. Não tinha o direito de repreendê-lo.

- Não fui eu que fiz, minha amiga, foi a vida. Estou aqui de teimoso. Na verdade já morri há muito tempo, mais precisamente há quinze anos.

- Eu me lembro daquela feira de ciência. Tive vontade de matar você e Camus por terem ganho a vaga...

- Foi o último dia feliz de minha vida até um mês atrás. E agora, que eu pensei que teria o merecido descanso e a merecida felicidade, acontece este ataque. Devo ter ofendido muito os deuses para tamanho castigo. Mas não tenho tempo nem direito de sentir. Tenho que agir. Obrigado por me ajudar.

- Milo, você ainda será feliz. Nós sairemos dessa! Eu confio em você. Sei que é capaz. – precisava ter esperança. Estava em frente a maior prova de esperança viva. Já presenciara muitas coisas, sabia que ele, muito mais que ela. Ele ainda tinha esperança. Como ela poderia não ter?

Marin procurou uma posição mais confortável para apoiar a perna de Milo e ao mesmo tempo ter espaço para trabalhar enquanto aguardava o retorno de Shiryu com os medicamentos pedidos, o que não demorou muito. Ele trouxera tudo que ela pedira, conforme o especificado. Não perdeu muito tempo. Abriu as embalagens, preparou os medicamentos e se posicionou. Sabia o que deveria fazer, mas sofria também.

A aplicação foi rápida, mas não menos dolorida. Milo mordia os lábios para não gritar de dor. Pôde sentir o gosto de seu próprio sangue. Não era a primeira vez que passava por isso, e certamente, não seria a última. Fechou os olhos e viu a imagem de Camus. Havia um motivo para viver. Havia um motivo para suportar. Marin terminou a aplicação com lágrimas nos olhos. Nunca, em muitos anos de medicina, tinha visto alguém suportar um tratamento tão duro sem ao menos um suspiro. O que motivava aquele homem?

Tantas vidas pra viver

Tentando se encontrar

Tantas coisas por fazer

Pra se purificar

Não consigo mais sonhar

Já me basta o que vivi

Sofrendo ao desejar

Quimeras que eu não consegui

Preciso além

Em destoar

Anjos do bem

Vão te mostrar

Uma luz maior

Capaz de convencer

Que um mundo bem melhor

Existe em você

Só pro seu prazer

- Meu amigo, me permite uma pergunta? - A moça precisava saber. Quem sabe o motivo dele pudesse inspirá-la?

- Se eu puder responder... - Ainda sentia dor, não era pouca, mas não se renderia.

- Por quê?

- Por amor. - Um tênue sorriso. Amor era tudo. Camus era seu amor. Viveria por ele o quanto fosse preciso.

- Eu sabia que esta seria a resposta, mas eu preciso acreditar...

- Minha amiga, nós não precisamos acreditar, nós precisamos sentir. Eu não queria sentir o que sinto, seria mais feliz sozinho, mas não tive escolha, entretanto um sorriso ou a simples ciência de que ele está bem, me motivam a viver. É duro, mas é sublime.

Ela sorriu. Descartava as seringas usadas. Tirou um calmante do bolso do jaleco. Ele precisava dormir até que os remédios fizessem efeito. Não adiantaria nada deixá-lo sofrer mais desnecessariamente.

- Milo, você precisa dormir um pouco. Não se preocupe por enquanto. Ajudarei seu auxiliar a cumprir suas ordens. - A médica eficiente. Milo não poderia fazer melhor do que já fizera até o momento. Ele precisava, devia descansar.

- Eu não posso dormir. Eu não consigo. Não no meio dessa crise toda.

- Deixe-me dar-te um calmante. Por favor.- Marin usou sua voz mais calma, seu olhar mais compreensivo - Eu sei que você precisa estar alerta mas, no momento, apenas por algum tempo, precisava descansar para que possa continuar.

- Se eu disser que não você fará do mesmo jeito, não é?

- Sim. Seria muita irresponsabilidade minha não fazê-lo. Já é um milagre que esteja consciente. - Ela não mentia. Outra pessoa há muito já teria sucumbido à dor.

- Que seja, mas por favor, não dê uma dose muito forte, o suficiente para me derrubar apenas por alguns minutos.

- Está bem. Farei o que me pede.

Marin improvisou um leito no chão do camarim e ajudou Milo a deitar-se. Por hábito, Milo tirou a pistola que carregava no coldre preso a cintura e a acomodou sob o travesseiro. A cena chocou um pouco a médica, mas ela nada comentou. Aquele rapaz doce, brincalhão, seu colega de infância, agora dormia armado. O que a maldita guerra não fazia com as pessoas?

Aplicou nele um pequena dose de calmante. Fizera como ele pedira. Sabia que ele não queria dormir muito e sabia também que todos precisavam daquele homem. Algumas horas apenas... E achava que ele deveria passar dias se recuperando mas, que fazer? Não havia tempo para recuperação no meio de uma guerra

Marin saiu do camarim silenciosamente. Tinha ainda muito trabalho esperando por ela. Gritou por seu auxiliar e pelo auxiliar de Milo. Juntos, os três, conseguiram fazer com que as pessoas se separassem em grupos e começassem a tornar aquele lugar, no mínimo habitável. Sabiam os deuses por quanto tempo precisariam ficar confinados ali.

Uma luz maior

A força e o poder

O sangue e o suor

De quem te fez

E ver

Hoje eu sei porque

Eu não vou mais fugir de mim

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...