História Inominável - Capítulo 6


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Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
Visualizações 7
Palavras 2.468
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Memórias, dores e amores


Missionários de um mundo pagão

Proliferando ódio e destruição

Vem dos quatro cantos da terra

A morte, a discórdia, a ganância e a guerra

Casa de Milo

Camus ainda estava chocado com tudo que ouvira, mas sabia que tinha mais, muito mais. No íntimo tinha medo de tudo que ouviria, mas precisava ouvir. Só não sabia se aquele era o momento. Levantou-se, precisava voltar, precisava vê-lo. Precisava mais uma vez de Milo. Alissa segurou seu braço, forçando-o delicadamente a sentar-se novamente.

- Alissa...

- Mestre Camus, nada posso fazer por vocês além do que já fiz...

- Eu preciso voltar. Eu preciso vê-lo.

- Não sei se esta seria a hora ideal. Deixe-o fazer o que ele sabe fazer de melhor.

- E o que seria?

- Lutar pela vida, protegê-lo.

- Proteger-me? Mas eu não sou indefeso. Não preciso que ele me proteja!

- Não Camus, não seja tão arrogante. Estão falando de Milo. Talvez a palavra não seja proteção mas, você sabe que precisa dele.  Tem certeza do que acabou de falar? Pense bem. Sua vida foi confortável Camus. Você certamente sofreu com a ausência dele, mas pôde seguir sua vida, estudou, formou-se, virou um renomado pesquisador e agora reitor da Universidade. Quantas vezes em sua vida saiu detrás da segurança das paredes da Universidade? Milo é militar. Sabe o que é ser um militar? Ainda mais em tempos de guerra? Você sabe? - Ela sorriu maternalmente. Não tinha o direito de julgar o homem que estava a sua frente, nem mesmo de falar tudo que falara, mas estava feito. Não voltaria atrás. Era apenas uma mulher abrindo seu coração. Ao mesmo tempo pensava que Camus não tinha culpa. Ele não soubera. Não tivera como saber. Ou talvez ele tivesse sim. Nunca mais procurara Milo.

Missionários e missões

Suicidas

Crianças matando

Crianças inimigas

Generais de todas as nações

Fardas bonitas

Condecorações

Documentam na nossa história

O seu rastro sujo

De sangue e glória

Camus não tinha o que responder. Aquela mulher estava coberta de razão. Do alto de sua arrogância nunca imaginara que Milo ou qualquer outra pessoa poderia estar sofrendo e que ele, talvez, pudesse fazer alguma coisa. Na realidade estivera por toda sua vida envolto em seus próprios problemas. Gerara em torno de si um microcosmo. Como fora egocêntrico. Sentiu raiva. Raiva do mundo, raiva das injustiças. Suas faces ficaram avermelhadas, seus lábios se crisparam. O pior não era isso. Tivera uma vida até confortável sim e passara aquele tempo, tanto tempo, achando que Milo o descartara. Céus. O que Milo tivera que fazer? Por que o tom de Alissa o incomodava? Alissa continuou.

- Camus, você não tem sangue em suas mãos. Nem o de inimigos, nem o de amigos e muito menos o seu próprio...

- O que você está querendo dizer com isso? – ele sabia que merecia a dureza das palavras dela. Mas mesmo assim não compreendia completamente o sentido delas. Precisava saber mais. Sempre sentira sede de saber. Sempre sentira necessidade da verdade, mas estava vendo agora que toda sua vidinha fora uma mentira. Bem, talvez nem tanto, apenas não lhe fora dada ciência de todos os fatos. Nada o impedia de sentir-se culpado. Culpado de algo que não conseguia entender. Alissa tinha a chave, teria que esperar que ela a desse a ele.

Missionários de um mundo pagão

Proliferando ódio e destruição

Vem dos quatro cantos da terra

A morte, a discórdia, a ganância e a guerra

- Vou continuar contando mais um pouco da vida de Milo.

- Por que será que isso me dá certo temor? - Camus estava esperando. Precisava saber.

- Apenas ouça. Terá suas respostas. Ou talvez não. Quando Milo saiu do hospital ele foi enviado diretamente para uma base militar afastada. O velho General fizera questão absoluta de ir buscá-lo pessoalmente e escoltá-lo até o local escolhido por ele para a "reeducação" de seu filho. Ele tinha apenas 15 anos e recebeu todo o treinamento de recrutas bem mais velhos. Todos naquele quartel tiveram ordens expressas de não poupar o garoto e imagine também o que ele sofreu com o ressentimento daqueles que estavam ali para serem treinados com ele? Dor, sofrimento, humilhação, esforço, privação. Tudo isso faz parte do currículo de um aprendiz de soldado sendo preparado para a guerra.

- Quinze anos. Céus. Um soldado de quinze anos...

- Eu mesma chorei dia após dia, nessa casa enorme e solitária pensando no que estava a acontecer com ele. Eu queria entrar em contato com você. Contar o que aconteceu, mas eu tinha medo. Medo que meu ato pudesse trazer mais complicações e mais uma vez me calei. Orei aos deuses para que a sorte dele melhorasse. Não creio ser merecedora da atenção dos deuses. Já errei demais nesta vida. No fundo, estar sendo treinado dentro daquele quartel para virar uma máquina de guerra estava sendo bom, ele não tinha tempo para pensar em seus próprios problemas e em seu amor. Dia após dia ele precisava lutar por sua própria sobrevivência. Estava sendo treinado para a guerra e não para ser um soldado apenas. Foi nessa época que foi apelidado de Escorpião: pequeno, rápido, ágil, letal e resistente. Assim o Milo é hoje.

- Nem tão pequeno, ele é forte, um inimigo incrível, já ouvi histórias sobre ele. Perigoso sim, mas o maior perigo, creio eu, está naqueles olhos vibrantes que podem luzir de ódio.

- Fala como um apaixonado. Bem, um ano depois ele foi enviado para sua primeira batalha e, como todo recruta, era um bucha... Só os deuses sabem como ele sobreviveu. Eu lia as cartas dele com pesar. Guardei cada palavra. Escrevia sempre que podia. Tentava consolá-lo. Foi um ano muito difícil, mas o pior ainda estava por vir.

- Não sei se posso ouvir mas, por Milo, creio que é meu dever, ao menos, saber tudo que ele passou. Não. Mais que dever. Eu estou em dívida com ele. Continue.

Missionários e missões

Suicidas

Crianças matando

Crianças inimigas

Generais de todas as nações

Fardas bonitas

Condecorações

Documentam na nossa história

O seu rastro sujo

De sangue e glória

14 anos antes - Flashback

Milo já se tornara um soldado e tinha sido destacado junto ao batalhão de recém-formados para os acampamentos da fronteira. Era um local ermo, afastado das principais cidades. As florestas eram fechadas. O terreno complicado. Todos os jovens estavam sendo enviados para aquele local.

Não tivera muito tempo para se ambientar. O oficial responsável por aquele acampamento era um homem jovem. Não era muito mais velho que ele próprio, mas parecia ter muita experiência. A situação parecia a Milo desesperadora. Ele não se conteve.

- Tenente Saga! Eles estão em maior número. Não teremos chance.

- Cale-se recruta! Quem você pensa que é, filhinho de papai folgado?

Milo não pensou e deu um soco na cara de Saga. Fora uma reação instantânea. Não agüentava mais ser chamado de "filhinho de papai". Durante um ano fizera as piores tarefas, comera o pior rancho, tinha que se esforçar em dobro para ser aprovado, tudo porque era "filhinho de papai". Já esquecera de acreditar na justiça, mas também já aprendera a provar quem era e a não levar desaforos para cara, fosse de quem fosse. Só havia uma pessoa no mundo que ainda temia, justamente seu pai. Ele tinha sob suas mãos o poder único de calá-lo. Ele conhecia o calcanhar de Aquiles de Milo. Camus.

- Eu vou te prender, te matar seu pirralho filho de uma puta!

- Fique a vontade, vou morrer de qualquer maneira. Mas, se me matar agora é menos um homem no campo de batalha. – Milo acabou de falar, virou as costas e saiu da barraca de comando. Afastou-se um pouco para pensar e tentar se acalmar. Não teve tempo para tanto.

Saga bufou, resmungou e secou o sangue que saía de seus lábios. Colocou a mão sobre a arma que carregava na cintura. Pensou em correr atrás daquele moleque atrevido mas sabia que ele estava certo. Não poderia fazer nada e merecera aquele soco. Esse moleque era dos bons. Tinha brios. Pena que não teria longa vida. Não com um temperamento daquele. Mal concluíra seus pensamentos e escutou o barulho de bombas.

Saiu correndo para organizar o contra-ataque e foi surpreendido pelo "molecote" socorrendo os feridos, gritando para os soldados atarantados se posicionarem nas baterias antiaéreas, resmungando pela falta de comando. Saga estancou na porta de sua barraca apenas observando a cena. Se ele sobrevivesse, precisariam ter uma conversa séria. Precisava de gente como aquele garoto a seu lado.

Continuou naquele mesmo lugar durante algum tempo. Ninguém mais procurava por ele ou percebia sua presença ali. O acampamento simplesmente funcionou sem ele, liderado por um recruta que mal saíra dos cueiros. Deveria estar furioso, mas em seu rosto um sorriso se formou. Aquele garoto lembrava ele próprio alguns anos passados. Não era homem de desperdiçar talentos por egocentrismo ou orgulho. Aprendera a reconhecer os bons e mais do que isso, tinha plena consciência da importância deles. A maioria dos garotos que recebia era praticamente inútil. Só servia para fazer número e carregas as armas. Eram poucos com aquele talento. Poderia contar nos dedos.

Os dois aviões que estavam lançando bombas sobre a região foram derrubados e poucos soldados morreram e alguns outros foram feridos, dentre eles o próprio garoto que estava manejando com destreza uma enorme bateria antiaérea.

Os soldados médicos recolheram os feridos para as barracas hospital. Saga aproximou-se dos mortos, reconhecendo-os e anotando seus nomes. Era preciso comunicar o ocorrido as famílias. Mais vidas perdidas. Quanto desperdício. Bufou. Estava emotivo demais. Terminou o "trabalho sujo" e foi ver o estado do pirralho. Não o encontrara mais, se ele não estava entre os mortos, estava entre os feridos. Esperava sinceramente que não fosse nada grave.

Saga teve o leito indicado pelo enfermeiro e aproximou-se, foi recebido aos berros:

- Onde você estava seu cretino? Seus homens precisavam de você! Cachorro desgraçado!

- Acabou? Vejo que o estrago foi menor do que eu imaginei. Já está em condições de gritar comigo! Acho que vou recomendar ao enfermeiro que lave sua boca com sabão. Mas, apesar de não precisar dar-te explicações, aí vão elas, seu pequeno desbocado atrevido. Eu estava observando tudo. E, meus homens não precisavam de mim, esse foi seu único erro, meus homens tinham a você. Parabéns moleque.

- Eu acho que essas bombas atingiram meus ouvidos! Só pode ser! O senhor está mesmo me elogiando Tenente Saga?

- Ficou educado de repente? Acho que essas bombas realmente fizeram mal a você. Estou te elogiando sim! E trate de se recuperar logo!

Fim do Flashback

Vindo de todas as partes

Mas indo a lugar algum

Assim caminha a raça humana

Se devorando um a um

Liguei o horizonte

Ele não me respondeu

Então fechei os olhos

Sua voz

Assim me bateu

Ouviu a narrativa, impassível, Camus sentiu seu sangue correr mais rápido. Filhinho de papai? Não. Milo não. Ele não era afetado, não era... Milo... O que foi que eu te fiz fazer?

A narrativa continuara e Camus não pôde conter um quase sorriso. Sim. Esse era mesmo o Milo. Apesar de tanta dor e desespero, ele não mudara tanto assim. A alma indomável e segura. Perfeito.

Se Camus pudesse ver seu semblante ele mesmo riria de sua pasmaceira. Estava completamente aturdido. Nunca pudera sequer cogitar a hipótese de Milo ter participado daquelas batalhas. Eram informações demais para poucas horas. Em menos de um dia sua vida e suas crenças foram completamente desmistificadas.

- Você está me dizendo que o Milo participou da Campanha pelas Fronteiras há 14 anos atrás?

- Sim. É precisamente isso que estou te contando. – Alissa continha a todo custo a vontade de rir. Poderia parecer incompatível ter vontade de rir depois de tudo que fora contado, mas Milo estava vivo e apenas isso para ela era importante e, as reações de Camus eram, de certa maneira divertidas. Ele não ouvira nada, ele ainda não sabia de praticamente nada. Não era insensível, não, estava longe disso, mas esta conversas era apenas uma gota de água no oceano. Tudo isso acontecera há muito tempo. Já aprendera a lidar com todas essas informações. Camus ainda tinha muito a descobrir. O que contara agora era quase nada.

- Mas Alissa, foi a campanha mais violenta de toda esta guerra e ele tinha apenas 16 anos! - Milo, meu Milo, lutando enquanto eu freqüentava cursos, enquanto eu pensava que ele não me amava mais... Como fui injusto em vários dos meus pensamentos por tantos anos. Dolorosos anos sem ele.

- Eu sei. Tão logo ocorreu uma pequena trégua Milo voltou para casa já como Tenente, magro, doente, parecia ter 30 anos, não 18. Dois anos embrenhado nas matas da fronteira acaba com a saúde de qualquer um. Eu quase tive um treco quando o vi. O General estava orgulhoso do filho, não se importava com seu estado e sim com as medalhas que ele ostentava no peito. Queria que ele voltasse logo para o front. Eu não pude permitir. Se o meu menino voltasse, ele morreria! Foi a única vez que tive coragem de fazer alguma coisa por Milo. Espero que os deuses perdoem a minha covardia. Eu devia proteger mais o meu filho. – Alissa cobriu o rosto com as mãos. Lembrar daquela época, essa sim era dolorosa. Lembrar de seus erros, de sua inoperância e de tudo que provocara com suas escolhas errôneas. Isso a fazia sofrer, muito mais do que a história que contara, a história que escondia e o peso que carregava em sua alma a faziam sofrer. Não estava pronta ainda para revelar tudo, mas sabia que esse dia chegaria e mais ainda, sabia que não seria perdoada por ninguém, muito menos por aquele a quem mais amava no mundo e por quem dera sua alma. Ainda tinha muito a falar e Milo também. Não tinha o direito de contar tudo. Resumira dois anos em poucas palavras, sabia que Camus exigiria mais. Sua curiosidade de pesquisador fora despertada.

- Filho? Que história é essa Alissa.

- Desculpe-me Camus. Falei demais.

- Agora você vai me contar tudo... não é só isso. Está me omitindo informações.

Nesse momento Saga e mais nove homens entraram correndo na casa de Milo. Um estrondo de passos e vozes chegou até eles. O tempo da conversa acabara. Eles carregavam armas, munições e outras coisas mais que Camus não conseguira identificar esperava sinceramente que fosse o suficiente.

- Salva pelo gongo, mas esta conversa ainda não acabou.

- Eu sei que não mestre Camus.

Vindo de todas as partes

Mas indo a lugar algum

Assim caminha a raça humana

Se devorando um a um

Liguei o horizonte

Ele não me respondeu

Então fechei os olhos

Sua voz

Assim me bateu



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