História Inominável - Capítulo 8


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Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
Visualizações 4
Palavras 1.855
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Who's that boy?


Saga e Aioros caminhavam por todo o auditório verificando o que estava sendo feito, dando ordens aqui e ali. Na realidade as pessoas precisavam mais de ânimo e sensação de comando do que de ordens em si. Depois de algumas voltas, sentaram-se a um canto, um tanto afastados do burburinho das pessoas.

- Sabe, eu sempre admirei muito o Milo, desde aquela primeira batalha.

- Sim, eu sei, Saga. Mas nunca soube o que aconteceu depois... Como se tornaram tão próximos e principalmente, sobre aquela noite.

- Eu prefiro não falar muito sobre aquela noite, basta saber que aconteceu.

- Sim... Sim, mas... E antes?

Flashback

Milo não demorou muito para se recuperar dos ferimentos causados pela primeira batalha. Passou alguns dias de repouso. Saga era visita constante.

- Tenente, não vai largar do meu pé não?

- Desde quando eu estou segurando no seu pé?

Não é nossa culpa

Nascemos já com aversão

Mas isso não é desculpa

Eu amo a destituição

- Milo, me conte um pouco da sua vida, o que você está fazendo aqui?

- Saga, eu estou aqui, como qualquer outro. Estou aqui porque nosso país está em guerra.

- Mas Milo, você é filho do General!

- Pior para mim, Saga, pior para mim.

Saga percebeu a dor e tristeza no olhar daquele garoto. Ele tinha apenas 16 anos. Não poderia ter passado por tanta coisa assim. No entanto, a firmeza dele perante a batalha e aquela tristeza no olhar...

- Aceita café?

- Sim.

Saga pegou duas canecas cheias de café e sentou-se aos pés da maca improvisada na barraca-hospital. Preparou-se para ouvir. O olhar de Milo estava perdido em algum ponto da lona que os cobria, falava como se falasse para si mesmo.

"Meu grande erro foi amar. Meu grande erro foi ter nascido onde nasci. Meu grande erro foi acreditar que poderia ser feliz. Mas não. Trago em meu corpo as marcas da violência idiota do Grande General e trago em minha alma as marcas do ano inteiro naquele quartel."

Milo parecia ouvir enquanto falava, sons irônicos, sons dolorosos. Vozes distantes de um passado nem tão distante assim.

- "O filhinho do General é uma mocinha, então pode limpar as latrinas. O filhinho do General é fracote, tem que aprender a ser homem, pode dormir na neve apenas com um saco de dormir fino. O filhinho do General tem estômago fraco, então pode ficar com o resto."

Uma sinfonia caótica de preconceito, decepção e orgulho ferido daqueles que se intimidavam à simples menção do nome do poderoso general e, sem poderem atacar um homem de tão alta patente, exteriorizavam sua frustração e raiva no jovem que nada queria ter com aquilo, mas que fora arremessado naquele inferno de humilhação pelo próprio pai.

Não sabia o que lhe doía mais. Se a saudade da inocência que aos poucos perdia, se a saudade de Camus ou se o fato de que não conseguiria amar seu pai, não mais, se é que já amara realmente.

- "Ah, sim, tudo que passei e mais tantas outras coisas, tantas outras humilhações. Nem mesmo sei como não virei a bonequinha daquele lugar. Aqui me parece um paraíso. Não creio que esteja aqui para ouvir os meus lamentos. O que quer de mim, Saga?"

Saga não sabia o que responder. Seu tempo na Academia fora tão prazeroso, não podia imaginar que alguém seria submetido a tal tratamento. Uma pessoa não tinha culpa da família em que nascera, a culpa só vinha advinda do que fazia com sua herança.

- Milo, não posso pedir desculpas pelo que fizeram com você, mas agora está aqui e temos um objetivo: sobreviver. Isso pode ser da maneira mais fácil, ou da maneira mais difícil. A escolha é sua. E continuo achando que você é jovem demais para ter tantas cicatrizes. E não falo das de batalha.

- Saga, você poderia ser mais específico? E, cicatrizes? Ah, tenho algumas sim, no entanto, há feridas abertas. Daquelas que ninguém no mundo fechará. - Outro gole de café e quase murmura o nome de Camus. Ah, sim, Camus era seu sangue que escoava em cada luta, em cada batalha. Era seu motivo de viver e querer permanecer vivo e sua dor por não o ter por perto.

- Você pode trabalhar comigo ou contra mim. - Não tinha tempo para ser delicado nem para falar com subterfúgios. Se aquele homem, sim, era um homem apesar da parca idade, não tinha tido escolha antes, talvez pudesse fazer alguma agora.

- Burrice não é um dos meus adjetivos. Estou com você. - Milo via nos olhos azuis de Saga algo um tanto tentador. Era uma força, uma combinação de determinação e sentimento. Era seu superior hierárquico mas era mais que isso. Era um líder e o seguiria com gosto. Admirava-o. Dava-se conta que era alguém com quem poderia aprender.

Depois daquele momento, onde estava Saga, estava Milo. Ele seguia o superior como um cãozinho fiel, sugando de Saga toda sua experiência. Quando anoitecia passavam horas à beira da fogueira. Contavam histórias para os recém-chegados. Cantavam. Simplesmente viviam. Se é que ver a morte todo dia era algum tipo de vida. Aos poucos, o que antes horrorizava, se tornava apenas trivial. Não tinham idéia de onde chegariam, mas eram acima de tudo seres humanos em busca de sobrevivência.

Foram meses tensos. Eles estavam recuados, mas a todo momento sofriam bombardeios, tentativas de invasão. Protegiam as fronteiras. Recebiam ali todo tipo de novatos. Após algumas semanas sendo a sombra de Saga, Milo conseguia compreender a necessidade que ele tinha de estar cercado de bons homens. Só o lixo caía naquele acampamento. O lixo dos lixos. Quer dizer que era isso que os instrutores pensavam dele? Pior ainda, era isso que seu pai pensava dele? Ah, não sabiam com quem se haviam metido. Um bando de idiotas completos.

Mais um dia. Ensolarado, quente e úmido, como todos os outros dias de verão no meio daquela floresta. Um barulho diferente pôde ser ouvido no acampamento. Um carro se aproximava. Milo correu para a torre de vigia. Não esperavam por ninguém. Viu a bandeira de seu país e reconheceu o modelo de carro utilizado para transporte pelas tropas, mas todo cuidado era pouco. Pegou o megafone e gritou a plenos pulmões:

- Por favor, pare o carro, saia do veículo desarmado e se aproxime da torre lentamente com as mãos levantadas. Nada será feito contra sua pessoa se cumprir as ordens.

O desconhecido cumpriu as instruções e quando este saltou do veículo, Milo não acreditou no que seus olhos viram. Estava vendo Saga! Mas como isso seria possível? Saga estava na barraca de comando! O clone de Saga continuou a se aproximar. Milo desceu da torre e se aproximou.

- Boa Tarde. Eu sou Kanon, irmão de Saga, meu irmão está neste acampamento?

- Sim. Está. Pode abaixar os braços por favor. Eu não sabia que Saga tinha um irmão gêmeo. - Era alguma piada? Dois deles? Ah, agora achava que a guerra começava a ficar interessante. Se Saga já era um exemplo de guerreiro, talvez o irmão também o fosse.

Kanon riu. Assim Milo conheceu mais um dos integrantes da Elite. Elite essa a que ele viria pertencer muito tempo depois.

Fim do Flashback

Com tanta riqueza por ai

Onde é que está?

Cadê sua fração?

Até quando esperar?

- Interessante. Eu sei pouco da história de Milo, ou melhor, sabia. Ele sempre tão alegre, ele sempre tão feliz, nunca pude imaginar que passara por essas coisas tão jovem.

- Interessante? Aioros, é escabroso! Isso sim. Seu senso de justiça é imenso meu caro. Pense bem. O próprio pai atirou o filho no pior dos mundos.

- Não tão pior assim. Você estava lá.

- Aioros, arroubos depois.

- É a verdade. Que gostaria que eu dissesse? Que ter conhecido você ao menos não foi uma coisa boa que aconteceu com ele? Oras, Saga. Ele é um soldado. Somos guerreiros. Não podemos ficar pensando no quanto é sofrida nossa vida. Não temos tempo para isso.

- Ele não fala muito sobre o passado. É como todos nós. Não gosta de relembrar as dores, as atrocidades. Quando ele falava do passado, tinha um toque nostálgico. Ele falava do amor da vida dele.

- E você, como confidente dele, ficou sabendo de muito mais dele que qualquer outro.

- Passamos mais tempo juntos. Fui eu quem terminei o treinamento dele. Era natural. Como nos antigos samurais. Mestre e aluno.

- Estou ficando com ciúmes. Sei muito bem o que era que o mestre fazia com seus alunos na época dos samurais. Hunf..

- Me poupe, por favor! Somos adultos, eu e você. Milo era apenas um moleque que a vida transformou em homem antes do tempo. E eu sempre amei você. Idiota. - Um olhar azul como o céu mais límpido. Saga amava Aioros. Não admitiria insinuação alguma a respeito.

E cadê a esmola

Que nós damos sem perceber

Que aquele abençoado

Poderia ter sido você?

Aioros deu um longo suspiro. Mesmo após tanto tempo aquele olhar o desconcertava. A força de Saga era inegável. O amor dele também.

- Saga, eu o amo. Muito. Apenas falo assim pois nem mesmo eu passei tanto tempo com você.

- E isso ainda importa? Temos nosso próprio tempo. Não falemos mais nisso. O passado está sepultado e prefiro viver no presente. Não importa mais, Aioros. Agora eles estão juntos novamente. Se nós temos alguma amizade por Milo, chegou a hora de retribuir. Quantas vezes ele não salvou nossas vidas?

- Está bem, Saga. Concordo com isso. E sou eu quem está ao seu lado agora, contra todas as apostas. Eu me lembro como se fosse hoje, como ele destruiu aquele acampamento inimigo, no dia em que mataram Albion.

- Completamente fora dos planos, mas genial de qualquer maneira. Ao estilo do escorpião.

- Sim, doloroso, eficaz e sem testemunhas. Ele é um perigo.

- Ainda bem que está do nosso lado.

Com tanta riqueza por ai

Onde é que está?

Cadê sua fração?

Até quando esperar?

Até me ajoelhar?

Esperando a ajuda de Deus?

Até quando esperar?

Até me ajoelhar?

Esperando a ajuda de Deus?

Kanon se aproximou dos dois correndo, Saga precisava tomar algumas decisões. Mantimentos foram enviados através da passagem secreta.

- Saga, o papo pode estar bom, o namoro melhor ainda, mas está na hora de trabalhar.

Saga levantou-se. A hora do recreio acabara. Tão curta. Enfim, estavam em batalha. Teriam tempo depois. Se sobrevivessem.

- Vamos, Aiolos, hora de fazer valer tudo que sempre te digo. Que viver é questão de escolha. Há mortos mais vivos que nós. E há vivos que estão mortos. Que tal impedirmos que um homem como Milo viva em morte? Vamos retribuir tudo que ele fez por nós e dar a ele alguma chance de ter o que temos. Um amor por quem lutar. - Beijou levemente os lábios de Aioros. Uma carícia leve e fugaz a que o outro correspondeu sem dúvidas.

- Sim, Saga. Um amor por quem lutar.

Posso vigiar seu carro?

Te pedir trocado?

Engraxar seu sapato?

 



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