História Inominável - Capítulo 9


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Categorias Saint Seiya
Tags Agnst, Milo X Camus, Mu X Shaka, Yaoi
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Palavras 2.471
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Ainda é só o começo


No camarim

Tudo azul no céu desbotado

E alma lavada sem ter onde secar

Eu corro, eu berro

Nem dopante me dopa

A vida me endoida

Camus entrou silenciosamente no camarim onde Milo se encontrava e a cena que viu o paralisou. Milo estava deitado sobre um colchonete no chão, apenas de cuecas. Repararia mais no corpo lindo dele se sua atenção não se tivesse voltado para a perna ferida sobre almofadas com um saco de gelo repousado no joelho.

Milo ressonava baixinho, mas o rosto tinha uma expressão que Camus não soube identificar bem, como se estivesse sofrendo. Não esperava ver uma cena ao mesmo tempo pitoresca e triste. Era como se estivessem, estendidos à sua frente, o menino e o guerreiro, unidos em uma simbiose confusa e medonha.

Ajoelhou-se ao lado do leito improvisado e ficou olhando, completamente alheio a qualquer outra coisa que pudesse estar acontecendo a sua volta. Suavemente tirou algumas mechas de cabelo que caíam por cima daquele rosto tão belo. Milo remexeu-se um pouco, parecia estar tendo um pesadelo. Seu rosto se contorceu. Começou a balbuciar palavras sem sentido.

Lágrimas abundantes banhavam o rosto de Camus. Não sabia como lidar com o que estava a acontecer. Era como se toda a dor estivesse sendo jogada sobre ele e nem ao menos sabia que dor era aquela. E, chorava? Tantas lágrimas que não vertera por anos agora estavam ali. Estava sendo sentenciado por um crime que ignorava quase completamente. Ele deitou-se ao lado de Milo. Abraçou-o na tentativa vã de acalmá-lo e acalmar-se ao mesmo tempo.

- Milo, por todos os deuses, o que posso fazer? Ajude-me a ajudá-lo. – Camus beijou a face de Milo. Suas lágrimas se misturaram com o suor que brotava na fronte de Milo – Eu que pensei ter derramado todas as minhas lágrimas há quinze anos atrás... - Sim, ele prometera a si mesmo que nunca mais choraria por Milo. E era por Milo que chorava agora.

Eu mereço um lugar ao sol

Mereço ganhar pra ser

Carente Profissional, Carente

Os pesadelos de Milo pareciam aumentar. Ele já estava a debater-se. Dessa maneira acabaria por se machucar mais. Camus entrou em desespero. Precisava acordá-lo de qualquer maneira.

- Milo! – ele não respondia. Camus aumentou um pouco o tom de voz, chamando-o novamente. Nada. – MILOOOO!

Milo acordou sobressaltado e, por reflexo, puxou a arma debaixo do travesseiro e apontou diretamente para o reitor, a face mais assassina que Camus jamais vira, um ar de insanidade e de fria responsabilidade que faria tremer um exército. O homem de ruivos cabelos, assustado, se afastou.

- Milo...

- Camus, é você? Desculpe-me. – Um longo suspiro e abaixou a arma passando a mão pelos cabelos e ficando preocupado com o rosto dele. – O que aconteceu? Você está chorando por quê?

- Nada, nada... – Camus tentava sem sucesso secar rapidamente as lágrimas do rosto – Desculpe te acordar dessa maneira, mas fiquei com medo que se machucasse mais, estava se debatendo muito.

- E desde quando você chorar é nada? Camus, passamos anos longe um do outro mas eu não esqueci que você quase nunca chora. Vou deixar passar mas ainda terá que me dizer. Em uma hora em que possamos ficar em paz. O que não será tão cedo, infelizmente. Ou felizmente. Ah, não quero falar sobre isso. E, sobre os pesadelos, não me largam nunca. Eu preferia que não tivesse visto isso... – Milo lamentava ter-se exposto assim. Não estava ainda preparado para enfrentar Camus. Tinha plena consciência de que um dia isso seria necessário, mas não estava pronto. Na realidade não tinha certeza se um dia estaria pronto. Seu maior desejo era colocar uma pesada pedra sobre o passado, mas ele parecia não larga-lo nunca. Quando pensava que finalmente poderia viver na paz dos Deuses, a vida cobrava seu tributo. Em geral alto demais.

- O que mais preferia que eu não soubesse Milo? Até quando vai me poupar de saber de tudo que preciso e quero saber? Eu não sou de cristal! Tampouco de gelo! Milo eu sou um homem agora, não mais um garoto de 15 anos.

- O que você quer de mim Camus? Caso não tenha reparado, eu também cresci. E com todas as marcas comprobatórias do quando doeu cada dia, mês e ano. Não estou me queixando, apenas é a verdade.

- A verdade, Milo. A verdade. O que aconteceu com você?

- Pra quê? O que importa o que aconteceu comigo? Eu estou aqui, não estou? Por que me fazer reviver tudo Camus? E, tem mais, você não suportaria a verdade.

- Eu preciso conhecer este Milo que está aqui! Eu não te conheço mais! Não faz idéia do quanto eu possa suportar. Suportei sua ausência por todos os dias mais vazios que algum ser humano já pôde ter. Isso não é dor? Não é marca? Isso não é algo que temos em comum? Não quero discutir sobre quem sofreu mais ou não pois isso seria ridículo e inútil. Eu sofri. Escondi o que sentia e deixei o tempo passar. O que eu poderia fazer? Pelo que sei, você também e bem mais do que deveria. Sinto muito por isso.

- Como não me conhece mais? Eu não mudei nada! Meu amor nunca mudou! O seu mudou? Sente muito? Você sente muito? Eu repito, seu amor mudou?

Eu vou pra casa vai faltando um pedaço

Se eu fico eu venço

Eu ganho pelo cansaço

Seus olhos verdes da cor da fumaça

E o veneno da raça

- Não. Nunca. Apenas o Milo que eu conheci nunca dormiria com uma arma sob o travesseiro. E muito menos a apontaria para alguém. Ele nunca seria capaz de bater nem mesmo em uma barata, quanto mais em mim. Quem é esse Milo que está na minha frente?

- Este Milo é fruto de 15 anos de luta. Isso não é o suficiente para você? E quem é esse homem que tem dúvidas do que eu sinto? Você duvida de mim?

- Não é suficiente, Milo. Não é! Eu não duvido, eu... Apenas... - Milo tinha essa capacidade, deixá-lo perdido.

- Saia daqui Camus! Deixe-me lamber as minhas feridas. Sozinho! Não preciso que o "Senhor Dono da Verdade e da Sabedoria" venha me dizer como devo levar minha vida.

- Por que sempre discutimos? O que está acontecendo conosco? Eu te amo mais que a mim mesmo e ainda assim tenho vontade de te bater! Não preciso que jogue em minha cara que minha vida foi fácil. Eu não tenho culpa, porra!

- Não? Tem certeza que não tem culpa?

- Que eu saiba não! Eu poderia ao menos saber do que estou sendo acusado?

- Bingo! Pegou-me direitinho! O que quer saber Camus? – Milo finalmente cedeu. Não sabia se teria coragem ou se conseguiria falar, mas Camus realmente tinha o direito de saber. Não poderia adiar mais o inevitável.

- Não sei o que quero saber! Espero que você me diga Milo! Não saber é pior que saber. Se o fato de me contar acabar com este muro absurdo entre nós dois, ficarei feliz. E olha que feliz não é algo que eu venho sendo. Controlado e no comando, talvez. Feliz? Não.

Milo suspirou cansado. Todo o peso dos últimos 15 anos caíram sobre seus ombros como uma bigorna. Não poderia mais se esconder. Não poderia mais fingir que estava tudo bem, que nada aconteceu. Camus merecia sua sinceridade.

- Creio que aquela velha fofoqueira andou abrindo o bico sobre assuntos que não diziam respeito a ela! O que ela te contou, Camus?

- Primeiro: não fale assim dela!

- Eu falo dela como quiser, mas não estou com disposição para discussões agora. Então... Repetindo a pergunta: O que Alissa contou a você?

- Ela me falou sobre a última vez que nos vimos... E sua internação e seu treinamento...

Eu mereço um lugar ao sol

Mereço ganhar pra ser

Carente Profissional, Carente

Milo baixou os olhos, sentia as lágrimas chegarem, mas não queria chorar. Não podia chorar. Ele, o Escorpião, não se lembrava mais do que era chorar, perdera esse direito muito tempo antes. Respirou fundo. Arrumou nervosamente os cabelos. Seu olhar turvou-se. Milo voltava aos seus quinze anos como se os estivesse vivendo agora.

Começou a falar como se estivesse falando consigo próprio.

- Aquele dia foi o dia mais feliz da minha vida. Seu sorriso, seus lábios... Até hoje sinto o gosto que eles tinham naquela época. Eu traçara tantos planos, tantos sonhos, tudo acabou na ponta de um cinto e em uma única sentença: "Ouça bem o que vou dizer. Se o ama, como diz amar, nunca mais olhe para ele ou serei obrigado a destruir a ele e a sua família. Você me conhece Milo, sabe do que sou capaz!" Eu nunca esqueci essas palavras. Mas eu não poderia deixar que ele os destruísse. Você é capaz de me entender, Camus? Eu nunca poderia ser feliz se permitisse que meu pai fizesse algo contra vocês. Ao menos um de nós dois deveria ter o direito de realizar nossos sonhos.

Camus conseguia ver a dor da escolha feita por Milo e o tamanho do amor com o qual era agraciado. Escondeu o próprio rosto com as mãos, demonstrando todo o desespero que sentia. Vivera os últimos 15 anos em uma adorável ilusão de felicidade enquanto o seu amor estava no inferno por sua causa.

Amava Milo, nunca negaria isso, mas quando ele sumiu, pensou ter sido abandonado, pensou ter sido apenas um passatempo. O orgulho do cientista, do estudioso. Sofreu calado por pouco tempo. Não ia sofrer por quem não merecia. Arquivou as lembranças. Uma doce lembrança do passado.

Nunca, em todo esse tempo, pôde supor o que estava realmente acontecendo. Apenas achara que Milo tinha sido um sonho bom que terminara ao encontrar seu verdadeiro caminho. Milo possuía todos os direitos de acusá-lo. Camus sabia que não merecia tão sublime amor.

Camus se deu conta. Era exatamente o que havia falado antes. Não sabia o que era felicidade. Sabia o que era ir vivendo. Apenas isso. E não era mais o bastante. Nunca mais seria o bastante. Maldito gênio que o fazia concluir do jeito que sua mente científica lhe dizia ser o correto. Sem ter todos os fatos. Como pudera concluir que Milo o abandonara quando na verdade... Na verdade ele... Amor. Milo tinha demonstrado seu amor sem dúvida alguma.

Levando em frente um coração dependente

Viciado em amar errado

Crente que o que ele sente é sagrado

E é tudo piada, tudo piada

- Milo, desculpe-me. Eu não sou capaz de mensurar seu sofrimento. Eu simplesmente achei que se cansou de mim, talvez fosse mais fácil te esquecer dessa maneira... – A mente de Camus gritou, rebelde. Esquecer Milo? Era isso que tinha dito?

Milo não se conteve. Segurou Camus pelos ombros e o sacudiu como se faz a uma criança.

- Tolo! Como imaginou que eu pudesse abandoná-lo assim, sem mais nem menos! Você sempre quis fugir de seus sentimentos. Você sempre foi assim, Camus! Racional acima de tudo! Eu aprendi a ser assim por amor, mas você? Até quando? Será que não conseguirá nunca descer desse pedestal? Você não tem que se desculpar. Eu fiz o que achei que tinha que fazer e ponto final! Droga! Já não estou falando coisa com coisa! É melhor eu me calar por um instante! E esta merda de perna que não pára de doer! Por que não me arrancaram essa bosta inútil de uma vez?

Camus ficou pasmo com a explosão intempestiva de Milo. Demorou algum tempo olhando chocado para Milo antes de conseguir concatenar os pensamentos... Sua mente fria lutando com o coração repleto de amor por aquele homem tão bravo e tão cheio de vida. Vida que ele, Camus, ansiava por ter. Sim, Milo era seu pedaço vivo. Agora tinha certeza disso.

- Milo, eu sei que errei, que subestimei a você e aos seus sentimentos, mas não posso mudar nada do que passou, somente posso tentar arrumar o que virá. E você também. E, nunca mais me fale em tirar a sua perna. Logo estará bom novamente! – Intimamente pensou que não era nada daquilo que queria dizer. Queria se atirar nos braços dele e dizer que o amava. E por que não o fazia? Era um idiota burocrata frio? O que ele era?

- Eu posso confiar em você, Camus? Eu posso confiar em nós?

- Tanto quanto eu posso confiar em você!

Milo soltou uma gargalhada nervosa...

- Mais uma vez a responsabilidade é minha... Camus, você é genial, sempre foi. Acho que esse é um dos motivos de te amar tanto... Quando eu estava no meio da mata, à noite, sozinho, tentava imaginar como você arquitetaria um plano, o que você faria... Desejava tanto ter a sua inteligência...

- Se está em busca de bálsamo para seu ego ferido, esquece. – Grande comentário. Camus pensou seriamente que precisava de algum tratamento psicológico para aprender a lidar com sentimentos. Ao mesmo tempo, compreendeu no fundo de sua alma que fora a ausência de Milo que o deixara daquele jeito. Para que expressar sentimentos se todos os sentimentos que tinha eram de Milo?

- Raios me partam em mil pedaços! Estou falando em sentimentos, Camus! Será que você sabe o significado disso ou vou ter que pegar um dicionário? Pouco me importa a bosta do meu ego. Ainda não percebeu que hoje sou uma sombra do que fui? Que não restou mais nada puro e intocado em mim? Importa-te saber o que aconteceu comigo quando descobriram que eu era homossexual?

Outra explosão de Milo, porém agora todas as suas mágoas vieram a tona de uma única vez. Camus sempre conseguira manter sua opção sexual discretamente escondida para si mesmo. Muitos o chamavam de "O Homem de Gelo", desde que entrara para a faculdade nunca fora visto acompanhado de ninguém. Formara-se, aprofundara-se nas pesquisas, ganhara a reitoria, com a morte do antigo Reitor, seu mestre e mentor. Sempre que fora questionado acerca do assunto sempre dizia não ter tempo, ou não ter encontrado a pessoa ideal. Sacudiu a cabeça para espantar as suas divagações e voltar a fixar sua atenção ao homem que estava a sua frente.

- O que aconteceu Milo? – O medo da resposta não ficou evidente em sua voz. Precisava saber. Tinha que saber.

- Eu já era tenente nesta época. Estava com as forças de elite. Minha função, junto aos meus companheiros, era mapear o território inimigo, suas defesas para que pudéssemos planejar o ataque frontal. Ficávamos durante muito tempo embrenhados no mato, todos juntos, obviamente coisas aconteciam...

Milo estava perdido em suas divagações quando ouviram um estrondo forte e o chão tremeu...

- Merda! Outro ataque! Desta vez pegaram pesado!

Eu mereço um lugar ao sol

Mereço ganhar pra ser

Carente Profissional, Carente



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