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História Insane love - Capítulo 4


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Capítulo 4 - The K2.


Fanfic / Fanfiction Insane love - Capítulo 4 - The K2.

No dia seguinte...


— Key Two?

Entrei no escritório de Chang Wook sem bater na porta. Ele não me deu tanta atenção quanto eu queria, prestava atenção em seu computador apoiando seu cotovelo na mesa e o queixo na mão direita. Me joguei na cadeira em frente à sua mesa e fiquei girando e olhando pra cima entediada, de vez em quando eu olhava pra ele, seu rosto distraído o fazia parecer fofo e isso era o mais perto de imaginar ele sorrindo.

Chang Wook é conhecido por aqui como Key Two e é o mais perto que eu tenho de irmão mais velho, por mais que não tenhamos o mesmo sangue e nunca nos tratamos como irmãos de verdade, e sim como professor e aluna, ele sempre esteve do meu lado, me moldou e me treinou, me ensinou tudo que sei hoje. Ele é o único Gray que eu respeito, mesmo sendo um chato.

— Você tá desocupada demais, quer trabalhar com os dois playboys de novo? — Disse ainda olhando para o computador, com um tom de voz entediado. Com "playboys" ele estava se referindo a Jong Suk e Jackson, obviamente.

— Por que não vem me ajudar a enganar aquele cara, o Taylor? Sabe, o contrabandista. A gente sempre fez uma boa dupla...

— Você não tinha me falado que iria trabalhar sozinha?

— Por você eu abro uma exceção. — Sorri e dei uma piscadinha, sabe, pra tentar abrir um pequeno sorriso no rosto desse homem lindo e carrancudo.

— Eu tô ocupado Hayley... — Ele olhou pra mim impaciente e fez uma careta ao me ver de top, saia longa e sandália, além do meu penteado um pouco diferente: duas tranças longas caídas em meus ombros, a real Hayley nunca, jamais usaria tranças, mas até que fica bonito em Lisa, minha identidade atual.

— Éhh... ??

— Lisa Cameron, prazer. — Respondi aos pontos de interrogação estampados em sua testa.

— Lisa?? — Desaprovou.

— Um nome comum e sem sal, nada mal pra uma turista hipster.

— Enfim, estou ocupado senhorita Lisa... Não posso te acompanhar na sua negociação agora. — Voltou a ler algo em seu computador.

— Qual é?? Vai Key Two. Eu até posso fingir que você está me treinando como nos velhos tempos...

Antes de eu terminar de falar o celular dele tocou.

— Eu já falei que não, Hayley. — Respondeu secamente e atendeu o celular.

— É Lisa! — O corrigi, mas fui ignorada. — Beleza, não conte comigo pra mais nada. — Saí batendo a porta.

Saí do escritório e entrei no corredor enorme da mansão do Wook, eu não estava feliz com o comportamento dele mas eu já estava acostumada com o seu coração de gelo, se ele não fosse tão vingativo eu já teria pichado essas artes renascentistas expostas na parede desse corredor burguês.

Não percebi a aproximação de alguém atrás de mim e de repente senti esse alguém pegar no meu ombro, meu instinto de defesa me fez pegar a mão que tocava meu ombro com minhas duas mãos e me virar para torcer aquele braço, o cara acabou se virando de costas pra mim por causa do impulso que fiz em seu braço, o que me deu a oportunidade de chutar seu calcanhar para fazê-lo cair de costas. Mas assim que vi quem era já sabia que ele não cairia, quando chutei seu pé ele deu um mortal para se desviar da queda, em seguida segurou meu braço atrás de minhas costas com força e me deu um mata leão para me segurar. Ele era Ji Chang Wook.

— Eu não ia te atacar. Quantas vezes já não te falei para não andar distraída, não importa em que lugar esteja? — Key Two me dava uma lição ainda me prendendo pelo pescoço. Sua boca estava tão perto de meu ouvido que eu senti o grave de sua voz.

— Sei me virar sozinha.

Escalei na parede que havia à minha frente pisando em um daqueles quadros renascentistas fazendo ele me soltar, me apoiei em seus ombros dando uma estrelinha por cima dele, aterrissando de frente a suas costas já puxando seus ombros e abaixando no chão para dar uma rasteira em suas pernas, finalmente fazendo-o desequilibrar e cair de costas no chão. Pulei por cima dele com meu joelho em seu tórax e ameaçando sufocá-lo com meu antebraço pressionando seu pescoço.

— Mas você não veio me dar atenção só agora pra isso, não é? — Perguntei ainda o prendendo.

Não posso negar, amo quando ele me dá atenção, principalmente quando é para lutar comigo.

— Na verdade eu tenho um trabalho pra você.

Ele falou com um pouco de dificuldade graças ao meu braço em seu pescoço, mas a dificuldade logo sumiu quando conseguiu se soltar chutando a perna que eu usava para me apoiar em cima dele, se afrouxando e me derrubando, logo ele já estava por cima de mim no chão, me prendendo como eu o prendia. Não fiquei indignada com seu ataque e sim pela última coisa que falou:

— Sério? Você não fala direito comigo por semanas, recusa meu pedido de parceria e agora quer me fazer trabalhar pra você? Pode esquecer.

Ele olhou pra mim por um segundo e aproximou seu rosto um pouco, seus cabelos lisos quase se encostavam em minha testa, eu quase podia sentir o ar de sua respiração, tentei me soltar mas ele me empurrou me fazendo bater de costas no chão mais uma vez. Chang Wook olhou pra mim com uma cara que perguntava "o que aconteceu com você?".

A visão que eu tive de Chang naquela hora me fez sentir saudade de quando ele se importava comigo a ponto de deixar de fazer coisas importantes para me treinar e me fazer companhia.

Com todos esses 20 anos que passei com ele desde que nasci não posso negar: eu tive todo o tempo do mundo para me apaixonar e desapaixonar por ele, amar e odiar ele ao extremo, salvar ele de perigos mas logo depois querer que ele morra... Claro, Chang Wook nunca soube mas ele sempre fez com que meu ser virasse um turbilhão de pensamentos e sentimentos confusos, mesmo sempre me dizendo que uma boa Gray não deve ter sentimentos, deve ser fria e calculista para que tenha sucesso em seus feitos.

— Eu sei que você quer aceitar o trabalho... Anda, deixa eu sair de cima de você para podermos conversar sobre esse novo caso.

— Não. Você vai ter que me dar um pedido de desculpas melhor do que isso para conseguir minha cooperação.

— Me desculpa. — Falou suspirando injuriado.

Ele nunca é sincero pedindo desculpas... Eu queria que ele pelo menos se arrependesse de verdade por me deixar de lado.

— Pelo que você está pedindo desculpa?

— Você sabe, pelo que você disse...

— Qual é? É sério que você não sabe pelo que está se desculpado?

Ele me deixou incrivelmente irritada, soquei sua costela no momento em que consegui deixar minha mão livre.

— Aiigh — Ele sentiu a dor a minha raiva.

Passamos alguns segundos nos olhando, senti ele se arrepender de ter me irritado... Seu rosto se desmanchou em uma expressão difícil de ser decifrada e disse:

— Pelo jeito aquela garota frágil que me idolatrava sumiu...

Ele tirou todo o peso de seu corpo que me prendia no chão, mas ainda assim não saiu de cima de mim, e quando aquela frase surgiu de sua boca não tive coragem de sair debaixo dele também.

— Exatamente. Ela sumiu, se você pensou que isso nunca aconteceria...

— Que bom que você não é mais daquele jeito. — Ele deu um mini sorriso.

Meu deus ele sorriu... Como assim ele sorriu?

— O quê?

— Me desculpa por ter agido indiferente com você, mas eu precisei fazer isso para você se tornar um pouco mais independente.

— Eu odeio você.

Suas desculpas foram sinceras pela primeira vez, seus olhos me mostravam seu orgulho de mim, sua boca também, eu nunca tive tanta vontade de beijá-lo como nesse momento. Seu rosto ainda estava bem perto, coloquei minha mão em sua bochecha e fui me aproximando ao desejo bem devagar, se eu pudesse...

— O que você fez no seu braço? — Ele me tirou do transe chamando atenção pra porcaria da costura do meu braço que voltou a sangrar.

— Vocês não se cansam de se atracar no chão toda vez?

Ainda no chão, olhamos pra direção onde Jong Suk estava se apoiando na parede com os braços cruzados olhando pra gente com decepção nos olhos. Wook saiu de cima de mim e me ajudou a me levantar:

— A costura está infeccionando, Hayley... — Ele tocou delicadamente perto do ferimento.

Ele fica lindo preocupado.

— Vou cuidar disso. — Jong Suk se afastou da parede se aproximando de nós.

— Okay. Estejam no meu escritório quando acabarem.

— Eu não vou trabalhar pra você. — Deixei claro.

Chang guardou uma de suas mãos no bolso da calça suspirando derrota, cumprimentou Suk com um toque no ombro e saiu andando para dentro de seu escritório.

***

Estávamos na enfermaria, deitei em uma maca para ser examinada finalmente.

— Eu realmente preciso dormir e só acordar ano que vem... — Me acomodei.

Eu não dormia fazia três dias literalmente, no momento em que eu deitei naquela maca para que Jong Suk analisasse meus ferimentos me convenci de que não queria sair dali tão cedo. Ele diagnosticou as contusões e aplicou curativos com pomadas para aliviar a dor em cada uma delas, ou seja, praticamente no meu corpo inteiro, no momento ele estava aplicando-as em minhas costas.

— Como conseguiu ficar brincando de lutinha com Key Two depois de ter ficado roxa desse jeito?

— Você faz perguntas demais...

— Terminei de fazer os curativos das costas, vire-se de barriga pra cima.

Fiz o que Jong Suk me pediu. Ele aplicou mais dois grandes band-aid em minha barriga terminando o tratamento de meus ematomas.

— Eu vou desinfectar e descosturar essa bagunça. — Se referiu a minha ferida no braço.

— Não chame meus métodos de primeiros socorros impecáveis de "bagunça".

Ele deu uma risadinha enquanto passava um esparadrapo úmido em minha ferida limpando-a.

— Eu sei que você é ótima em fingir não sentir dor, mas se doer eu preciso que me avise.

— Amo o jeito que você fala quando está trabalhando... — Comentei sem vergonha de flertar, ele sempre levou na brincadeira mesmo.

— Eu sei.

Jong Suk pegou uma tesoura e pinça esterelizadas e começou a cortar a costura e puxar a linha do meu braço com uma pinça, doeu um pouco mais do que eu esperava. Faltava apenas um terço da linha a ser descosturada, minha ferida ia se abrindo cada vez mais, era uma dor agonizante, eu tentei fingir ser forte no começo mas realmente ardeu mais do que quando eu costurei.

— A ferida infeccionou, parabéns Hayley.— Sarcástico.

Jong Suk esperou uma resposta provocativa ou brincalhona da minha parte, e ficou intrigado com o meu silêncio. Eu não não abria a boca para respondê-lo, só conseguia prestar atenção na dor que eu estava sentindo e tentando não transparece-la em meu rosto.

Ele arrancou o último terço da costura, puxou de um jeito que eu não esperava que doeria, mas doeu. Segurei na barra da manga de seu jaleco fazendo-o parar o que estava fazendo no mesmo segundo.

— Você está com dor?

— Só um pouco. — Falei em voz baixa morrendo de vergonha de admitir, eu apenas olhava para o teto deitada tentando me distrair, até que uma lágrima grossa escorreu dos meus olhos.

— Está chorando? — Se surpreendeu.

— N-não.

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, nunca senti dor desse jeito, muito menos chorei, minha resistência era grande, já havia sofrido cortes maiores e mais profundos e não sofri tanto.

Ele pressionou o corte que estava totalmente aberto com esparadrapos assim que removeu toda a linha de costura que o envolvia. O sangue sujava suas mãos e a dor ficava mais agonizante, comecei a me contorcer incomodada na maca segurando com força sua manga.

— Eu vou te aplicar uma dose anestesia geral.

— Não! Tá tudo bem, não está doendo muito, só está desconfortável.

— Confia em mim Hayley, para de fingir que está bem e me deixa te ajudar.

Ele interpretou meu silêncio como um "sim" e deu a volta por minha maca até chegar em seus equipamentos, adicionou uma dose de anestesia geral em um respirador e o encaichou em minha boca e nariz, me fazendo respirar o vapor da anestesia.

— Por que não aplicou apenas no meu braço?

— Você acordará em pouco menos de uma hora, não se preocupe.

Foi a última coisa que eu ouvi antes de fechar devagar os olhos e desmaiar.

Jong Suk não perdeu mais tempo e logo foi analisar o corte que era tão fundo que não cicatrizou como achou que tivesse cicatrizado. Ele pegou uma pinça esterilizada e começou a dar os pontos.

— Ela estava chorando?

O doutor Lee se virou ao ouvir a voz de Ji Chang Wook que acabara de entrar na enfermaria de sua mansão.

— Você está vendo a profundidade desse corte? — Os dois analisaram. — Ela tinha me dito que o corte era raso.

— Ela presumiu que o corte era raso porque não consegue sentir dor, mas então por que ela sentiu tanta dor agora? Até chorou... — O advogado Ji estava preocupado e confuso.

— Os experimentos genéticos feitos em Hayley pelos cientistas do senhor Park podem estar manifestando efeitos colaterais em suas emoções.

— Você percebeu mais alguma desinstabilidade no comportamento dela durante esse mês que vocês passaram fora?

— Pra falar a verdade sim... Ela apresentou um quadro bipolar o mês inteiro, coisa que nesses nove anos trabalhando com ela só havia presenciado uma vez.

— Por que não me reportou isso, Jong Suk? — Seu tom de voz ficou irritado.

— Não tive oportunidade.

Chang Wook suspirou passando a mão nos cabelos tentando pensar em alguma solução:

— Por enquanto vamos ficar de olho no comportamento dela, isso já aconteceu antes, não deve ser nada sério. Os cientistas não podem saber disso, senão vão levá-la.

— O experimento é restrito, não temos permissão para contar para ninguém, muito menos para Hayley.

— Diga ao Jackson para não deixar Hayley sair para fazer seus exames e avisa que não quero nenhum cientista ou doutor dentro dessa casa sem minha permissão. Você será o único que poderá examiná-la, entendeu?

— Entendi. — Jong Suk tinha acabado de dar o último ponto e concluiu enfaichando meu braço aplicando uma injeção para ferida desinfeccionar.

— Vou levá-la para o quarto, se acordar bem depois de uma hora continuaremos com a programação normal. — Chang Wook me pegou no colo e saiu da sala.






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