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História Insígnia - Capítulo 18


Escrita por: kigai

Capítulo 18 - Amor e guerra


A casa Hyūga nasceu mil anos atrás, assim como a casa Ōtsutsuki: e sempre foram amigáveis um ao outro, firmando alianças durantes anos e anos para manter a soberania do sangue.

Ambos são clãs nobres e os mais importantes de todas as Oito Nações. No entanto, os membros nascidos do clã Hyūga, possuem uma marca de nascença com três pintas minúsculas na parte direita da cintura e uma pequena marca de incisão no pé esquerdo. 

Kaguya Ōtsutsuki, a matriarca do fogo deu à luz para Hagoromo e Hamura: os precursores da paz, filha de Rei Ila Ōtsutsuki e Rainha Kukiko Hyūga. Rei Jenji e Hiyoko são tios da Kaguya, no entanto, Jenji é pai da Hana Hyūga e de Tokuma Nosako — afastado da linhagem.

Kaguya e Kazuki são filhas da Kukixo. A matriarca do gelo era primogênita, e sua irmã — caçula e bastarda, da parte da mãe, casou e teve uma filha, Kim Hyūga.

Hagoromo não casou. Sempre se devotou ao celibato e ao seu crescimento espiritual, sendo o primeiro daiymō do fogo, e ajudando o irmão Hamura no prosseguimento de uma nação forte e justa.

Hamura casou com Kim Hyūga — e tiveram Hiashi. Hamura teve Hizashi com a condessa de Blur. Hiashi Hyūga casou-se com Hana Hyūga. Por direito, Hinata é herdeira do trono do País do Fogo e do País do Gelo.

E os únicos Hyūga vivos são Neji e Hinata.

Tenten seguia o rumo com os cálices de rubinéctar equilibrados sobre a bandeja e internou o salão parlamentar cabisbaixa, porém, com os ouvidos vigilantes. Sua tensão tinha nome e sobrenome: ter sido descoberta. Akatsuki jazia em crise com o sumiço de Sasuke Uchiha, após uma missão pessoal e Tayuya escolhendo desertar da organização.

Eram tempos obscuros, assustadores. A Mitsashi sentia que seu disfarce na coroa atingira seu limite.

O recinto era uma sala longa, retangular, com duas fileiras dos assentos e das mesas em ambos os lados. As decorações góticas e as vidraças refletindo artes fúnebres evidenciava o clima morbígeno do espaço — onde habitualmente realizavam-se as asseverações de execução de aristocratas, inconfidentes reais e inimigos de outras nações.

As cadeiras eram posicionadas com ambas filas voltadas uma para a outra. Tradicionalmente, todos conselheiros de alta cúpula sentavam-se em uma fila de cadeiras, e a conjunção do regente senta-se na outra. No extremo da sala havia um grande trono, onde jaz o soberano regente.

— Segundo meus espiões, o País da Água jaz em concórdia para uma compra de grãos com os Países Baixos. — Sai exprimiu com os pergaminhos abertos sobre os olhos aguçados. — Há certa preocupação com os nobres da água e uma notável estiagem ao noroeste do país traz aflição para o reinado de Inochi.

Neji assentiu com uma sisudeza fatídica. As madeixas volumosas estavam presas em coque, embora, alguns fios escapavam, salpicando as têmporas rígidas.

— Talvez seja o momento ideal para findar o matrimônio e barganhar metade da ucharia de nossos campos de soja, arroz e milho em função da diminuição da extensão militar deles e o avanço de nossas tropas. — Obito sugeriu, arrojado. 

Perfazendo em fornecer o cálice para outros dois anciões, a Mitsashi impôs o cálice na frente do rei:

— Vossa bebida, Majestade. — e ambos converteram olhares recônditos. Tenten sabia o significado por trás do perspicaz fitar: ele jazia furioso com ela e com seu afastamento repentino.

A criada tossiu, prosseguindo seu ofício.

— Com as boas-novas, não sei ser necessário com o cumprimento desse matrimônio. Sempre discutimos ser um risco para a linhagem. — Kakashi prosseguiu, galante. Logo, exprimiu um olhar sagaz para Mitsashi que tremeu de medo e tratou de sair rapidamente do local.

— Em minhas preces aos deuses e premonições com os grânulos de arroz, é correto percepções nulas no advir de um herdeiro do fogo e água. — o grisalho daiymō continuou, persuasivo. — Integralmente opostos, é uma mistura que dificilmente dará certo se não arranjarmos mais nada em deferência. O fogo achará o elemento água muito emocional, que no que lhe concerne achará o fogo muito impulsivo.

— Não julgo que precisemos envolver crendices em aptidões políticas. — Homura Mitokado, um dos anciões do conselho real, expôs. — Temo ser cético, mas, a questão dos herdeiros poderá ser margeada com uma aquisição nula de poder. Esse herdeiro terá suas posturas reguladas pelo nosso conselho real.

— Um rei legítimo que poderia governar apenas no País do Fogo. Não há necessidade de envolver o País da Água nessa transição. — Akira Montague discursou. — Ou poderíamos incutir um dote em terras pela soberania das decisões do fogo sobre água.

— Julgo difícil isso acontecer. Não há orações que desfaçam a nociva associação com o País da Água. Seremos marcados com esse erro. Inochi sempre apoiou a governança de Hiashi e deu asilo a um delinquente do trono de Shakō, um traidor de seu sangue. — Homura estatuiu, taciturno. 

— Profanações na semana dos onipotentes do amor e guerra não é uma atitude correta. —  o Hatake soprou. — Respeite vossas deidades e tenha comedimento, sir

— Não exalei profanações, apenas disse a verdade. — Homura dispôs, conspícuo. — Vocês não agem em respeito ao tradicionalismo e o valor desse trono.

— Aquém de ceticismos e crendices, Vossa Majestade não tem mais ninguém na linhagem para ocupar o trono. Jaz com trinta e três anos, e precisa urgentemente casar-se, firmar um clima de segurança para vosso povo e ter herdeiros. — Danzō Shimura impôs. — Julgo que já passou da hora de algumas responsabilidades.

— Admoeste vossa língua com Vossa Majestade, Shimura. — Sai intimou e o Shimura deu um sorrisinho maldoso. 

— Ele jaz certo, Sai. — Neji finalmente pronunciou-se com cautela. — Casar-me-ei semana que vem com Ino.

As reações no parlamento foram mescladas: algumas em conformidade, outras em assombro, no entanto, o Hatake mantinha-se em sua postura imparcial, embora, os conceitos jaziam envoltos em indignação.

— É uma alegria que tenha tomado atitude. Jazem três anos dessa proposta de casamento e união entre ambas nações, porém, não acreditas ser precipitado? — Koharu Utatane exprimiu, curiosa. A idosa sempre trajava um quimono longo e simples, fechado por um obi, uma jaqueta e um cinto por cima. 

— Sou o rei. A minha palavra é irrevogável, portanto, eu digo: casar-me-ei na semana que vem. Não há voz para contraposições. — Neji alegou. — Ao todo, eu mantenho-me reflexivo sobre o quanto dizem respeitar minhas opiniões, examinando que muitas coisas acontecem nesse reinado sem meu aval.

— Explique-se, Vossa Majestade. — Koharu dispôs, ressabiada.

— Eu gostaria de sondar… alguém sabe me explicar o que é Helmut?

Todos se entreolharam, cismados.

— São terras do reinado, porém, desapropriadas e inférteis há muito tempo, Vossa Majestade. Julguei que soubesse disso. — Koharu glosou, meticulosa. Conhecia que sua Sublimidade não fazia perguntas vãs, embora fosse um garoto imaturo, era astuto.

— Nem tanto inférteis assim. — Neji expôs, imperturbável. — Há escravos imigrantes lá. 

Um fatídico silêncio pairou sobre o recinto.

— Não sabíamos de tal informação, Vossa Majestade. — Obito disse em falsa perplexidade. 

— Obito, julgas que sou um imbecil? — Neji confrontou-o, impassível. — Se não sabes, portanto, é um incompetente.

Kakashi sustentou o olhar neutro, e deu um gole no cálice de vinho em precação. 

— Jamais, Vossa Majestade. — Obito sentiu as palavras faltarem a garganta com a ofensiva, e perseguiu o olhar de Hatake, que fingiu não captar sua mirada.

— A escravidão é uma prática abolida. Não há mais a postulação de homens livres, fidalgos e escravos. Todos foram emancipados após a morte de Tenji. — Neji discursou. — Trago desgraça a nossa terra e a memória de meu avô com a asserção de um iniquidade como essa sobre minha governança. — deu um soco na mesa. — Ninguém sairá daqui sem me dizer a verdade.

— Como poderemos saber isso? — o daiymō quebrou o silêncio religioso. 

Neji fitou o padrinho com ânsia:

— Como não saberão disso? Como você não sabia disso?

— És Rei. — o Hatake fitou-lhe com frigidez.

— E és meu braço-direito, mas, parece que sou apenas um fantoche nesse reinado, e eu odeio a emoção de ser apartado sobre questões pertinentes a minha governança. — Neji rosnou e o conselho real se emudeceu. 

— Tem certos litígios que são mais complexos do que prefiguram. — Kakashi firmou, sem parecer irritável no seu tom passivo-agressivo. Acreditava ser o cúmulo que o garoto mimado fosse intrometer-se em propostas não tão agradáveis, mas, que conservavam suas regalias intactas. — É um reinado grande o suficiente para saber todas suas mazelas.

— Portanto, tenho esse conselho ao meu lado, certo? Para alçarem o olhar nos limites, cujo não consigo identificar. — Neji consolidou. — Fingem que não veem, e se não me derem o nome de um dos precursores, mandarei matar todos nessa sala. Imagina se uma notícia dessa espalha-se sobre os aldeões? Meu desprestígio se findará em uma crise irrevogável. E com razão. 

Todos anuíram em muxoxo. Era um bom ponto. No entanto, a aquisição de Helmut como um centro de escravos não era um descuido de itinerário, mas, uma atitude cronometrada. Um verdadeiro boicote ao nome da Majestade do Fogo.

Porém, ninguém se atreveu a dizer uma palavra sequer. Aterrorizados com as represálias.  

— Não mandará matar ninguém. Eu me responsabilizo. — Obito tomou a frente no impasse. — Como chefe das divisões militares, essa infâmia jaz em minha alçada e era meu dever ser mais cuidadoso. 

— Claro. Não mandarei matar ninguém, pois você disse que eu não farei. Imagino a tamanha empáfia que minhas omissões fizeram em vossas mentes. Julgam no direito de se portarem de tal forma comigo e serem insubordinados. — o tom do Rei era sombrio. — Eu presumia ter figuras de confiança ao meu lado, mas, reger é um trajeto solitário. Meu pai tinha razão quando me dizia tais afirmações.

— Não entendo, Vossa Majestade. — Sai balbuciou. 

— Quero a cabeça de Kabuto Yakushi presa em uma estaca na frente do palácio pelo alvorecer. — Neji declarou, autoritário. — Obito, vossa sentença será a recusa de liberdade na ilha de Balsas. Não posso matá-lo, todavia, perderá uma mão por mentir para mim.

Obito jazia abismado em como o rei colheu a veracidade da informação e engoliu a seco: aceitando o macabro destino. As expressões de pesar embalsamaram as feições dos presentes, embora, Danzō Shimura e Akira Montague admitissem internamente satisfeitos com a posição do Rei em reivindicar a soberania do cargo e conduzir com os preceitos do avô Hamura. 

Tenten atrás da porta, arregalou os olhos e saiu apressada com um pensamento fixo: as dinâmicas se transformaram abruptamente.

— Assim como desejar, Vossa Majestade. — o Hatake dispôs com fingida agradabilidade. — Providenciarei a execução do Mr. Yakushi e a extradição do sir Uchiha para a ilha de Balsas. 

— Muito bem. E sirva de aviso a todos os presentes… estarei de olho em todos vocês. — o Rei proferiu, ocultando sua decepção: abraçando-se a sua vasta desconfiança e solidão, sustentou o olhar para o Hatake. — Nada e ninguém poderá ir contra a soberania de um rei.

*

O clima no palácio era esturvinhado. Utakata adentrou o quarto e mirou Toneri redigindo os pergaminhos com serenidade na sua mesa.

— Jaz agitado. — o rei do gelo exprimiu, trazendo o olhar na escrita caprichosa. — Supus que os passeios colaborariam a se acalmar.

— O palácio deixa-me alvoroçado. Talvez seja o clima quente. Estou acostumado com o frio de Palatri. — Utakata dispôs e sentou-se em uma das poltronas. — O povo do fogo tem sangue quente.

— Eu lhe disse… fogo e gelo são forças expoentes que nasceram da mesma fonte. — Toneri floreou. — No entanto, há erros de transcurso com os detentores do trono de Shakō, pois eles não são escolhidos. Apenas uma pessoa poderá juntar Chabi e Shakō em equilíbrio. É por isso que ocorrem tantas disputas, nenhum é merecedor. 

— Chabi e Shakō foram os fundadores dessas terras, eram irmãos, e imagino que olham com mágoa para o horror que assola essas pátrias. — Utakata incubou com desgosto

— Meu saudoso pai costumava a dizer que o trono de Chabi e Shakō foram encantados, e todos os que nele sentassem, se não fossem merecedores, morriam de delírio ao abraçarem-se ao poder desenfreado. — Toneri narrou, pragmático. — Tenji caiu em desvario, o mesmo aconteceu com Hizashi… e o jovem Neji gradualmente jaz desmiolado igual aos seus antepassados.

— E tem Hamura. Que os céus o tenham. — Utakata pigarreou. — E nossa princesa Hana também.

— Hamura adorava Hana, tanto que foi extremamente positivo ao casamento dela por afeição com seu legítimo filho. A nossa princesa o adorava como um pai. Não havia motivo para a imputação do crime de envenenamento. — Toneri refletiu. — Hiashi não era a favor da monarquia e jazia disposta a abdicar dos privilégios e colocá-los na mão do irmão Hizashi. 

— Fica mais que transparente que foi algo passional. Inveja e ciúmes são homicidas. — Utakata divagou. — Hizashi casar-se-ia com a princesa, mas, ela o trocou pelo irmão. Apaixonou-se. Isso deve ter lhe causado… revolta.

Toneri deu um sorrisinho discreto.

— Você será um ótimo rei se manter a dedução apurada. 

— Na corte do gelo é o assunto que mais se comenta. — Utataka disse. — Na corte do fogo eles têm medo de reviver o assunto, mas… — o dono de madeixas castanhas se aproximou do rei, afobado. — A condessa de Blur, mãe de Hizashi, jaz viva, certo?

— Jaz demente.

Ambos entreolharam-se com uma tese complementar.

— Se aparentemente ela não estivesse demente. Poderia explanar sobre as verdadeiras intenções de seu falecido unigênito ao neto.

— É nisso que tenho gastado minhas energias. — Toneri desembuchou, em um tom mais baixo. — Se não conseguirmos achar a herdeira, conseguiremos provar a farsa da morte de Hamura e trazer justiça à princesa.

— Supus que desistiria. — Utakata devaneou em um leve sorriso.

— Eu finjo muito bem. — e entreolharam-se em afirmação muda. — Porém, acolho-me no reverter dos deuses. Eles saberão o que fazer, porém, não quero morrer sem dar minha contribuição para a volta de poder nas mãos da herdeira Hyūga. — e tocou o pulso do mais novo. — E espero que quando for rei, continue a diligência.

— Sim, Vossa Majestade. É uma promessa. 

Um tênue silêncio os embarcou.

— Parece que Obito da casa Uchiha será deposto para a ilha de Balsas. Escutei rumores.

— Seja lá o que tenha acontecido, o mesmo deve ter extremado sua Majestade para tal punição. — o rei Toneri disse, cauteloso. — A ilha de Balsas é um alcácer situado em um penhasco cercado por redemoinhos, afogando qualquer um que tente nadar para longe. 

— Imagino que seja um lugar insalubre.

— Extremamente insalubre, mas, é um golpe de misericórdia, melhor do que ser degolado ou açoitado até a morte.

No breve silêncio, o conselheiro avançou em suas questionamentos:

— Hum… — Utakata percebeu que o rei escrevia uma longa carta. — Se não for incômodo, para quem redige? 

— Prevejo que logo estarei fora dessa vida, e como lhe disse segundos atrás, não quero morrer sem fazer minha parte. — Toneri explanou. — Escrevo para uma figura banida da corte do gelo, mas, que poderá lhe ser um grande aliado se eu chegar a faltar.

— Quem, Majestade?

— Tokuma Nosako.

[…]

— Essa moça é extremamente atrevida. — Tokuma glosou, e deu um gole no chá de laranja. — Desagradável e atrevida, tsk.

— É a sina dela. — Naruto complementou, neutro. — Porém, resguardo o nascimento dessa criança no ventre dela com ansiedade, e de tal forma, conseguirei dispor meus projetos sem o temor da suspeita.

— Jaz correto. Deves manter-se resguardado com a família Terumi. — o Nosako aconselhou. 

— Sim

— Aquém desses temas, eu gostaria de exprimir minhas sinceras desculpas.

— Não há necessidade. — o loiro gesticulou, constrangido. 

— Eu te julguei mal, Naruto. Disse-lhe palavras muito duras no nosso primeiro encontro em Myōboku, mesmo atinando a sua boa índole, deixei-me levar pelo rancor de vossa família. — Tokuma desculpou-se com sinceridade. 

— Não tem que desculpar-se. Eu merecia vossa reação, jazia mancomunado com meu pai em um ato terrível contra minha esposa. — o Uzumaki glosou com calma. — Eu nunca me imaginei perseverando nesse cálculo sórdido, agradeço aos céus por tirar essa cegueira imoral de meus olhos.

— Isso é bom! Agora que estamos completamente do mesmo lado, devemos manter-nos harmoniosos com um único propósito: zelar por Hinata. Ela precisa de pessoas de confiança ao seu lado. 

— Afirmativo, sir Nosako. Não sei se ela chegou a explicar com vossa pessoa, mas, ela almeja passar uma temporada em Hagakure. — Naruto explicou, cauteloso. — É algo provisório, em função da estadia de Sara nessa casa. Preocupo-me com os estresses que poderá desenvolver em meio a gravidez dela, e esses pormenores com a família Terumi, entende? Resolvemos ser melhor seu afastamento dessa residência.

— Corretamente. Ela dialogou comigo, e eu lhe disse estar disponível para mudar-me com ela para Hagakure. — o Nosako dispôs. — Julgo ser algo bom para ela. Estar no seu vilarejo, perto de conhecidos e amigos. Cuidarei dela com minha vida, sobre isso, não tenha dúvidas, Uzumaki.

— Não tenho dúvidas, eu confio plenamente em vossa pessoa, sir Nosako. — ambos sorriram um para o outro.

— Ainda sobre o tema da mudança: estarei fora por alguns dias, quatro no máximo. Demandarei resolver pendências no País do Gelo, e devo saná-las nessa visita.

— Perfeito. — e o loiro cruzou as pernas, fitando o céu azulado da janela de seu escritório.

— De qualquer modo, minha casa estará à vossa disposição na minha ausência, e sempre que necessitarem.

— Obrigado. — Naruto anuiu, grato, mas, emendou em questionamento: — Tokuma, se não for deselegante, eu gostaria de saber algo.

— Claro. Diga-me. — ambos fitaram-se com teses límpidas.

— Você cortou todos os seus laços com a corte do gelo? O Rei Jenji nunca te considerou como filho, certo? Mas, certos nobres ou a cúpula do rei sabiam de vossa existência? — o Uzumaki perguntou. — Nunca entendi o porquê o rei Hizashi não delongou a retaliação a vossa pessoa.

— Eu nunca tive laços com a corte do gelo. Alguns sabiam da minha existência como filho bastardo e irmão de Hana, mas, eu sempre vivi afastado da linhagem, eu fui renegado por lei. Minha mãe casou com Yoshi Nosako, meu padrasto que me edificou como legítimo filho e me deixou sua herança no ramo de bronze. — Tokuma explicou. — A única pessoa cujo sempre se preocupou comigo da corte, era Boshi Ōtsutsuki, um dos primos do Rei Ila Ōtsutsuki e conselheiros da corte do gelo. Sempre me enviava uma quantia de dinheiro, e aumentou sua preocupação quando virou rei, mas, eu nunca retornei a atenção. — suspirou. — No entanto, em seu leito de morte, quando eu soube sobre seu convalescer de saúde, estive próximo nos seus últimos dias. Digamos que eu e o rei do gelo temos uma relação distinta de amizade, porém, sou comedido. — e pigarreou. — Esse é fato que tenho que ir para lá, tenho terras e bens em nome da família, sendo administradas por um servo de confiança. 

— Compreendo. Efetivamente a proclamação de Hinata como vossa filha não trará nenhuma atenção indevida do reinado do gelo, certo? 

— Não trará, fique tranquilo quanto a isso. Além disso, Boshi fez um voto de neutralidade, transformando o país em um estado do gelo em apertinente. Caso não saiba, há um fervor grande da parte dos aldeões do gelo para que o trono seja novamente dos Hyūga, ou seja, um grande rancor se instaurou entre ambas nações. Mesmo vindo da mesma raiz, os aldeões do gelo consideram um crime a forma que o País do Fogo agiu com a princesa Hana, era a princesa deles. — o Nosako explicou. — A unificação dos reinos do fogo e do gelo é um assunto em divergência com os aristocratas do gelo. Eles acreditam que um reino tão rico como o trono de Chabi não pode ser ocupado por um homem do fogo.

— Ela tem um país inteiro ao lado dela. — Naruto sussurrou, atordoado. 

— Exatamente. Reivindicar seu trono é uma questão de escolha. Embora, eu compreenda que suas raízes e afeições jazem na terra do fogo, seria mais eficaz para segurança dela se ela tomasse posse. — Tokuma prosseguiu, cauteloso. — Eu não queria comentar sobre tal fato com Hinata, pois, ela mostrou-se distante de assumir seu trono. Talvez não se sinta preparada para ser de fato uma rainha, teme pela sua liberdade. Ela jaz grávida, e julgo que mereça tranquilidade para passar nessa fase. Minha irmã tinha medo que ela pudesse sofrer com o peso do nome sobre as costas, portanto, a conservou da melhor forma. Porém, também é injusto ver o trono ser consumido por não-merecedores. De qualquer forma, não iremos pressioná-la, ela decidirá seu futuro. Ela merece viver pelos seus próprios desígnios, e se for egoísta priorizar os anseios dela e ir contra as convenções de poder, então, me sinto bem cumprindo os desejos da minha irmã.

— Penso muito nisso. E algumas vezes, os pensamentos me consomem na tese de que, talvez, o destino dela já tenha se concretizado e não há forma ou razão para fugirmos disso. — o Uzumaki firmou. Era uma sensação de agridoce de felicidade e impotência que o loiro tampouco conseguia explicar.

[…]

Hinata descansava placidamente na cama. Com uma ligeira tontura no desjejum, decidiu acomodar suas energias em repouso. Os seios também jaziam inchados, no entanto, captava a melhora dos enjoos, substituídos pela fome. 

Com uma carícia no ombro e um beijo casto no pescoço, despertou do cochilo e encarou o par de orbes azuis lhe fitando com afabilidade.

— Que horas são? — a morena coçou os olhos.

— É hora do almoço, mas, não se preocupe, eu trouxe comida para você. — Naruto glosou, colocando uma mecha de cabelo dela, atrás de sua orelha. — Imagino que esteja com fome.

— Eu não nego que esteja. — Hinata riu nasalmente e levantou o tronco, logo, fisgou as olheiras no esposo. — Amor. 

— Sim?

— Precisa descansar. — a moça lhe acariciou o rosto. — Eu não quero vê-lo negligenciar seu descanso por conta das preocupações, sim?

— Eu só tive uma péssima noite de sono. É algo pontual, Hinata.

— Também não quero vê-lo se exaurindo pela nossa família. — ela alisou os ombros masculinos. — Naruto, eu sei que conversamos isso ontem. No ápice da discussão, resolvemos nossos impasses, mas, eu não quero que seja unilateral, não tem que ser.

— Como assim? — as sobrancelhas loiras se imergiram em dúvida.

— Não quero que me trate como se eu fosse frágil, intocável. Você tem seus sonhos, sentimentos, desgostos e gostos. Não precisa agir como se me devesse algo, como se não pudesse errar. Eu já disse que te amo, não tem que provar nada para mim. — a Hyūga elucidou. — Você tem total intimidade para me dizer o que quiser.

— Eu só não quero agir erradamente, Hinata. 

— Não se pressione. Você errará, assim como errarei, como eu já errei, e erro. Seja livre para ser comigo, sou sua companheira, sou sua amiga. Quero te ouvir, sempre.

— Nunca estive em um relacionamento estável. É complicado dividir sua vida com outra pessoa, ainda mais quando o motivo de nosso enlace tenha sido forjado. — o Uzumaki glosou, honesto. — Algumas vezes eu sinto o peso das minhas ações, eu te desrespeitei de várias formas. Você pode ter me perdoado, mas, eu preciso me perdoar. É algo comigo. 

— Se for te fazer bem, eu acredito que você deve procurar seus pais. Tem uma conversa definitiva, impor limites, mas, exprimir o quanto você deseja que eles mudem ou o quanto eles impactaram vossa existência de uma forma negativa, e seria bom que repensassem seus desígnios pessoais. — a morena aconselhou, branda. — Tire um tempo para ficar só, para relaxar e pensar. Convide Shikamaru, é saudável que você tenha um tempo para restaurar vossas energias. Não tem que ser forte toda hora.

— Aprecio seus conselhos, mas, suponho que conversar com Minato e Kushina não resolverá, sabe? Eles são cabeças-duras, ambiciosos. Será jogar sal em uma ferida aberta.

— Pode não adiantar essa conversa com vossos pais, mas, será bom para você terminar esse capítulo de vossa vida, meu bem. Um ciclo de paz para você, não para eles, para você. — a morena sorriu, doce. — Você merece ser muito feliz.

Naruto sorriu, agradecido. As palavras de Hinata lhe cingiu o coração com leveza. Nunca sentira tamanho amor e carinho direcionados para sua pessoa.

— Você tem razão. Pensarei nisso com calma. — o loiro emitiu, e levantou-se esvaindo o clima opaco. — Aliás, eu comprei algo para você. Na verdade, eu passava pelas locandas um pouco mais cedo, de modo a achar as ervas pesticidas que insistem em aporrinhar minhas pobres cabras. — e vasculhou as gavetas. — Malditos carrapatos, tsk. — rezingou e a morena riu nasalmente.

— Os carrapatos são os vilões do seu conto de fadas, hm.

— Não imagina como. Sou um príncipe sofredor. 

Ambos riram. O loiro voltou a cama e entregou um embrulho para a esposa, sorridente:

— Julgo que gostará do mimo!

Hinata apressou-se em abrir o embrulho, contente, e os olhos marejaram em constatar um macacão branco de neném branco e amarelo; com bordados em formato de girassol.

— Isso é lindo! — Hinata fungou. — Adorei!

— Quando bati os olhos nessa graciosidade, me foi impossível de não levar. A ansiedade cresce em mim com o nascimento do nosso bebê. — o loiro glosou, alto astral. — Eu gostaria que no dia do parto pudéssemos usar esse macacão.

— E usaremos! — a morena afirmou, e deu um selinho no marido. — Obrigado pelo agrado. — e emendou. — Eu me sinto igualmente ansiosa. Mandei uma carta para a senhorita Mujita, sabe?

— Sim, a parteira. Ela não te retornou o escrito?

— Retornou e pediu desculpas por não poder vir até Myōboku. Parece que o esposo jaz adoentado, mas, disse que se eu fosse em vossa residência, me examinaria. — Hinata expôs. — Mas, me deu dicas para eventuais incômodos.

— Vamos hoje mesmo. Irei acompanhá-la. — Naruto dispôs, zeloso. 

— Não há necessidade, amor. Podemos ir quando você for para Hagakure, assim te acompanho e não perdemos viagem.

— Sim. Tenho negócios para resolver, e suponho que irei ao final de semana. Sobre Hagakure, eu conversei com Tokuma, e ele disse ser favorável a mudar com você.

— Isso me alegra. Já dialoguei com ele sobre essa tese de mudarmos, todavia, vê-los afirmando essa ideia me deixa imperturbada. 

— Portanto, posso pedir que ajeitem as acomodações de nossa casa lá? Se formos viajar essa semana, precisaremos de um lugar para ficar. — o loiro exprimiu. — Será desconfortável que fique em uma pousada. — a morena anuiu.

No silêncio ágil, Hinata sentiu o esposo impor a mão sobre seu ventre saliente.

— Você está tão bonita, amor. Nosso bebê tá crescendo demais, uau. — Naruto soprou, genuinamente orgulhoso.

— Eu realmente não vejo tanta diferença, eu julgo que meu ventre se mantém no mesmo tamanho. — Hinata dispôs, brincalhona.

Com batidinhas na porta, o casal separou-se:

— Quem é? — o Uzumaki averiguou. Jazia cismado com Sara e suas aparições indesejadas. 

— Sou eu. Tsunade, senhor. — a voz feminina e meiga soou do outro lado da porta. — Vim trazer o chá-verde. 

— Ah sim. — aliviado, Naruto destrancou a porta com o semblante pacificado. — Entre e fique à vontade, Tsuna. 

A loira adentrou o quarto, e deixou a xícara de chá na bandeja de comida em cima do toucador. 

— Não pode ficar sem o chá-verde antes da refeição, Hina. É bom para sua digestão. — Tsunade explicitou, calma.

— Tsunade, na verdade, eu suponho que o Naruto provavelmente te notificou, certo? Já que ele é fofoqueiro. — Hinata dispôs, se pondo de pé. 

— O quê? — a governanta esboçou com dúvida. 

— Que estou grávida. — a morena asseverou e o Uzumaki anuiu, risonho.

— Sim, senhora. — a loira confirmou, ocultando um sorriso. — Estou guardando o segredo.

— Muito bonito vocês dois de fofoca, né? — a morena colocou as mãos no quadril, divertida. — Eu devia ter desconfiado em como me sinto mimada pela Tsuna. — e deu beijinhos no rosto da madame.

A governanta riu abertamente.

— Bem, do jeito que você é hiperativa, eu precisava de olhos e ouvidos para ficar de olho em você. — Naruto justificou, plácido. 

— Fico muito feliz com vossa gravidez, Hinata! Alegro-me por estar sempre ao seu lado. — Tsunade glosou, aprazível. — Mas, temos que concordar: você realmente é hiperativa. Não para um segundo! 

Os três riram.

— Okay, okay, talvez vocês tenham razão, mas, eu realmente não consigo me segurar! — Hinata revelou. — Na verdade, madame, você pensa que minha barriga cresceu, hm? — e acariciou o próprio ventre. — Julgo que o Naruto só está emocionado, hein. Eu sempre fui corpulenta e amo comer, portanto, dá para dar uma confundida, né?  

— Já dá para ver as curvinhas na sua barriga. — Tsunade corroborou. Sempre achou as formas corporais de Hinata saudáveis, vistosas e belas. 

— Daqui a um tempo, não dará mais para esconder a gestação, barrigudinha. — Naruto brincou com a cônjuge. 

— Barrigudinha, tsk.  — e a morena sorriu com o olhar. 

Tsunade pigarreou:

— Aliás, eu precisava conversar urgentemente com vocês dois sobre tópicos importantes.

Logo, uma seriedade tomou conta do semblante do casal.

— Claro, Tsunade. — Naruto fez menção para que a madame sentasse na poltrona, e ela assim fez. 

— Qual é o assunto, Tsuna? — Hinata voltou a sentar-se na cama, com um olhar cauto para a governanta. 

— Sakura sumiu. — a governanta especificou, aflita. — Shino e Shijima foram até a casa dela, pois ela não deu as caras aqui. Julgamos estar doente, mas ela não estava lá. Uma vizinha disse que ela disse para avisar que viajou sem data para voltar.

— Isso é estranho. — o Uzumaki umedeceu os lábios. — Ela tem parentes? Apresentou comportamentos estranhos? Sakura é sempre tão bacana, gostamos muito dela.

— Eu pressenti algo de errado! — Hinata fungou. — Eu senti que ela não jazia bem. Eu deveria tê-la chamado para conversar, tsk. Sou uma péssima amiga. — lamentou-se.

— Ela nos últimos dias jazia tão tristonha. — Tsunade revelou. — Ela ocasionalmente se ausentava para resolver obstáculos pessoais, mas, nunca ficamos sabendo a extensão desses dilemas. Comentava de um amante. Sempre se remetia ao passado com dor, sabe?

— Será a doença de alguém querido? Dívidas? Esse amante é obsessivo e estava perseguindo-a? — Naruto coçou a bochecha com várias teses em aberto. No entanto, fisgou a tristeza nos semblantes femininos. — Não fiquem assim, resolverei isso. Acharemos Sakura, tá?

— Sim, eu tenho fé. — Tsunade afirmou. — Conversarei com as meninas para ver se conseguirei algo. 

— Faça isso. — Naruto anuiu. — Conversarei com Shikamaru. Ele é bom com essa categoria de averiguações. — e tocou o ombro da esposa. — E você não precisa se culpar ou preocupar-se, tá? Logo, ela estará de volta.

— Eu não ficarei parada sem lhes ajudar. No que eu puder fazer, farei. — Hinata afirmou, convicta.

— Tudo bem, mas, maneire, okay? E nem se coloque em perigos desnecessários. — o Namikaze replicou, precatado. — Me promete.

— Prometo, amor. Eu prometo. — e o casal selou um acordo. 

— Na verdade… — o loiro tossiu. — Qual o outro assunto de importância, Tsuna?

A governanta ajeitou-se na poltrona desconfortável e entrelaçou as mãos sobre o colo.

— Tenho que revelar que eu lhes omiti uma informação. Sinto-me envergonhada por tal. — a madame declarou, cabisbaixa.

— Qual omissão? — Hinata inquiriu.

— Sobre a família Terumi. — Tsunade desembuchou. — Eles estiveram aqui em casa antes do senhor e a senhora voltarem de viagem almejando conversar e logo expuseram o fato da gravidez de Sara. Eu deveria ter contado, mas, eu me afligi pelo relacionamento de vocês. Ainda mais quando tudo alça em paz para ambos, julgo que minha omissão tenha carreado mais problemas para vocês.

— Claro que não, Tsuna. Entendo que almejava nos proteger. — Hinata suavizou. 

— Sim, eu compreendo. — Naruto treplicou. — Só tente não omitir mais informações. Seja para nosso bem ou mal, ficaria alegre se fosse integralmente honesta.

— Sim, senhor. Eu juro. Perdoe-me por esse erro. — a governanta esboçou, arrependida.

— Tranquilo. Já passou. — a morena sorriu miúdo.

— Tsuna, vieram todos os três? — o Uzumaki inquiriu.

— Não, senhor. Só Asashi e Sara. — a governanta contou. — Na ocasião, milady Sara jazia sinistramente quieta. Diferente de como faz agora. O barão almejava que eu lhe mandasse uma carta de antecedência para o senhor. E eu acrescentei a condessa que talvez desejava prosear a sós com o senhor, e o barão não deixou ela responder e disse que seria um diálogo de cavalheiros.

— Talvez vieram sondar. — Hinata deduziu. — Na verdade, Tsunade fez bem. Eles jaziam afobados em seu aniversário, pois, não replicou escritos. Julgou que você se humilharia para eles em função dessa gravidez.

— Exatamente, Hinata. É exatamente isso que me ocorreu agora. — o moço anuiu, zangado com as circunstâncias turvas. — Essa arrogância me deixa com um pé em desconfiança. 

— Tem chances desse neném ser realmente seu filho, e eles estarem felizes, pois, ganharam com um genro rico e portando alcunhas nobiliárquicas. — Hinata recapitulou, sagaz. — Ou é enganação mesmo, todavia, não imagino que seriam tão estúpidos. Eles podem ser presos e até mortos por calúnia, se você provar que o neném não é seu. 

— Mesmo que esse garoto for meu filho, já sei com a categoria de família que tenho que lidar. São iguais aos Namikaze: venenosos e ambiciosos. — Naruto expendeu. — Manterei meus olhos bem obsequiosos, quem sabe, ambas famílias não estão mancomunadas. Se minha mãe esteve aqui em casa enchendo Sara de meiguices, eu não desconfio de nada. — e prosseguiu, enraivecido. — Presenteei-os com uma terra em Hagakure, tsk. Que burrice a minha!

— Não se martirize, Naruto! Acompanharemos juntos esse percalço. — a morena alisou a coxa do marido. — Talvez a única coisa que tenhamos que revisar é o requerimento de paternidade. Essa criança nascerá sobre a alcunha de marquês, e assim teria por direito metade das posses do genitor, selada pela cerimônia de batismo com a aceitação da criança sobre o clã e família, certo? Você deve se atentar nesse ponto.

— Mas, o requerimento de paternidade só pode ser ratificado com o nascimento. Quando Kawaki nascer, saberemos. — o loiro disse. — Isso é bom, pois, eu posso fazer algumas modificações na escritura. 

— Modificações, amor? — Hinata e Tsunade entreolharam-se perplexas.

— Isso. Farei isso exatamente agora! — e o loiro saiu apressado do quarto, com uma tese pilhando as sinapses.

[…]

Sasuke vagava pelas redondezas em busca de uma árvore frutífera, mancando, com o estômago roncando de fome. Ser atacado por uma serpente não fazia parte do seu plano de refazer suas rotas. As reminiscências dos orbes esmeraldinos jaziam presos na sua memória como uma mensagem repetitiva de sua fraqueza. 

Deveria repudiá-la, matá-la e exprimir seu rancor pela traição vil de anos atrás, mas, atinou-se a vasta abatimento no rosto feminino. E quando os lábios e corpos confrontaram-se em discernimento — soube ser seu maldito final. 

Como poderia voltar para Akatsuki com a alcunha de traidor e sem o pergaminho do fazendeiro em Storch? Renegou seus colegas, seu mantra, ideais para novamente viver como um lobo solitário em busca de suas concordâncias.

Não sabia quanto tempo havia caminhado, a vista turva e os sentidos granulados, entregava-se gradualmente ao decesso. Já passara por situações de quase-morte, porém, o impacto emocional parecia arder no corpo vexado em dolência. 

No desnível de forças, caiu sobre o limiar de árvores enormes com caládios no seu eixo — plantas venenosas de folhas grandes e pintalgadas, com tonalidade de rosa e vermelho, no entanto, o perfume hipnótico era uma espécie de aroma tóxico que entupiam a consciência.

Sem forças, caiu sobre as folhas com a tez ensopada pelo suor: sem distinguir o que era verdade, sonho ou divagação.

“Ele procurou-me novamente.” Sakura explicou. A água do riacho salpicava os seios alvos. “Me ameaçou como sempre o fez.” glosou, impondo a mão sobre o corte no braço. “Aquele maldito, tsk.”

Os glóbulos ônix caíram sobre a figura masculina em dúvida:

“Ainda é sobre o pergaminho?” Sasuke expôs.

“Sim. Eu deveria matá-lo por isso.” e o casal entreolhou-se em fleuma. O Uchiha sabia que muitos inquéritos estavam em jogo, tampouco, a sua falta de liberdade e esperança.

“Como sabia que eu estaria em Oymin?” o Uchiha prosseguiu nos questionamentos.

“Mandou uma carta para meu patrão.” a rosada expôs. “Trabalho como uma criada na residência.”

Sasuke fisgou de uma doce coincidência e deu um sorriso vacilante:

“Você trabalha para Naruto Uzumaki?” 

“Sim.” a Haruno confirmou. “De onde você o conhece?”

“Somos amigos de infância.” 

“Deveria ter desconfiado… Após os acontecimentos com Akatsuki, eu me cansei de viver, de ser quem eu era. Vaguei por um bom tempo pelo mundo, e acabei vindo para Myōboku. Não poderia imaginar que vocês se conheciam. Sempre foi muito discreto sobre o vosso passado.”

Sasuke degustou da verdade em silêncio e trouxe o corpo para mais perto de Sakura. Nada poderia ser mais assustador do que o poder dos orbes esverdeadas sobre seu juízo, e lhe acariciou o rosto.

“Degustei de rancor por todo esse tempo. Mas, era uma falsa animosidade, na verdade, era o sofrimento de lidar com meus propósitos e o ímpeto de amar você. Odeio te amar, Sakura e você sabe disso.” 

“Sei haver muito ressentimento, e não te peço que reconsidere, é só…” a Haruno fungou. “Meu pai me destruiu a vida inteira, e a única conexão genuína que fiz em vida é você.” e tocou o rosto masculino lhe fitando com veemência. “Já não sei que quero continuar nesse ciclo.”

Sakura mantinha um foco quando decidiu acatar as palavras de seu pai de ir atrás de Sasuke para vindicar o pergaminho sobre o fazendeiro de Storch. 

“Como sei que és verdadeira? Como sei que não mentes como todas as outras vezes?”

“Nem um e nem outro poderá sair vivo desse encontro. Kakashi conta com isso. Ou você agiria com retaliação com minha pessoa, ou seria ao contrário.” a moça explicitou com melancolia. “Ele sabe que o pergaminho jaz com você e fora roubado do palácio.”

“Tenten, tsk.” o moreno rosnou, irritável. “Profetizei que a impulsividade dela colocar-nos-ia em males.”

“No fundo, não poderemos sair desse encontro em uma vida normal.”

“Isso é engraçado, tsk.” Sasuke sorriu sem humor. “Você continuamente aparece quando tenho um dilema em minha vida, e sempre me traz mais problemas.”

“Que dilema?”

“Eu não penso que Akatsuki age certo. É tudo tão…” o Uchiha suspirou profundamente. “Agora tenho meus próprios desejos. Queimei a carta, portanto, venha comigo. Andaremos juntos e quem sabe, poderei te perdoar.”

“Eu almejava viajar com você, mas, eu não posso. Algo me prende nessa terra.” Sakura recusou, e trouxe uma das mãos sobre o ombro masculino, como se necessitasse de forças para incrementar seu ânimo. 

“A culpa?” as íris findaram-se em taciturnidade. 

“Pela primeira vez, eu sinto que necessito reorganizar algumas confusões. Encontrar-me na raiz de meus dilemas.” a voz de Sakura era lacrimosa, vaga.

“Sabe que não precisa ser assim. Eu não repetirei meu pedido egoísta novamente. Posso abdicar de tudo, se você quiser.” 

“Eu não posso.” as lágrimas caiam dos orbes esmeraldinos com uma sentença de exício. “Se eu não alçar meu perdão, não conseguirei manter-me ao seu lado.” 

“Se é definitivamente o fim. Julgo que a morte foi mútua.” Sasuke afirmou, resignado. Cada qual seguiria seu caminho até que os deuses quisessem reuni-los novamente. “Você morreu para mim, Sakura e eu morri para você.”

*

Hinata não imaginava que organizar um baile seria tão difícil. Elencar os convidados, o cardápio, a decoração, a categoria de música, muitas coisas para serem pensadas. Ser apresentada como filha de Tokuma Nosako seria um grande evento para sua acepção na sociedade. A morena almejava fazer tudo com capricho, portanto, decidiu ir ao Bykuga.

A morena jazia disposta a achar livros que lhe dessem conceitos para um baile. Ajeitando a sela no cavalo, a morena acariciava a crista de Cândido, preparando-se para seguir viagem. No entanto, seus orbes fisgaram Sara acompanhada de uma criada, provavelmente voltando de uma caminhada pela propriedade. 

A Terumi aproximou-se de Hinata, devidamente montada no quadrúpede, e sorriu:

— Parece que todos jazem badalados nessa casa. — a ruiva iniciou o diálogo, fingindo desinteresse. 

— Sim. — a morena dispôs, ajeitando o cabelo com as unhas.

— Naruto saiu e agora, você sairá também. — a Terumi glosou, mexeriqueira. Não gostava de todas as movimentações na residência, sem fisgar as motivações do casal.

— Tenho assuntos pendentes para resolver. — Hinata anuiu, simplória. 

— Imagino que assuntos devam ser esses… — Sara inquiriu, bisbilhoteira. 

— Suponho não ser assuntos de vossa alçada, milady. Mas, não lhe deixarei com vontade… — a morena sustentou uma feição divertida. — Irei à biblioteca.

— Hm, imagino ser teu lugar favorito para seu antro de traições e safadezas, não é? — Sara provocou, astuta. — Você espera seu homem sair de casa para aprontar, né?

Hinata riu deliciosamente.

— Você é realmente espirituosa, Sara. Se não fosse tão ranzinza, daríamos boas amigas. 

— Eu nunca seria sua amiga. E eu não sou ranzinza!

— Oras, eu não te culpo por ser mal-amada, porém, se quiser algum livro ou algo das locandas, eu ficaria contente em te presentear. Essa competição entre nós duas é fruto da vossa mente. — Hinata estatuiu, tranquila. 

— Julga que preciso de algo vindo de você? — a Terumi riu. A criada que acompanhava a condessa exprimiu uma feição de descontentamento: a ruiva era, deveras, chata.

— Vossa família precisa. A julgar que vocês pareciam mais eufóricos com a aquisição de terras que ganharam do meu esposo, do que propriamente com essa criança que carrega em seu ventre.

A ruiva se ruborou de ódio, mas, engoliu o xingamento na garganta. 

— Já que não tem nada a ressaltar, passar bem. — a morena seguiu o trajeto, cavalgando para longe da condessa. 

Hinata sempre obedecia o mesmo caminho para o centro, no entanto, sentiu vontade de visitar o templo santuário de Senso ji e conversar com a monja-mãe — Kurotsuchi sempre tinha conselhos pertinentes.

No decurso com o cavalo, vagava a mirada pelo céu coberto de nuvens e as carroças de batatas no vai-e-vem da rotina campesina. O pântano de Ozena, localizado entre Myōboku e Moya, era um lago que se acredita ter se formado a partir da erupção do Monte Higuchi e tinha uma passarela de madeira ao redor de sua costa. Ao redor do pântano de Ozena, era possível resguardar muitas espécies raras de plantas e a época mais recomendada para visitar o espaço eram meados de junho, quando o repolho-gambá florescia ou meados de setembro, quando as folhas mudavam de cor.

A estrada de caládios era bem reconhecida para a dona de orbes lilases, era uma via de terra ladeada por árvores: estreita e silenciosa. Unicamente poderia passar ali com o cavalo, já que as outras vias jaziam travadas por carroças vindo de Hiuchigatake. No entanto, fisgou um ruído estranho nas folhagens e parou o cavalo cismada; identificou um homem com uma grande capa preta sobre o corpo e rangendo de dor.  

— Pelos deuses. — Hinata murmurou e saiu do cavalo, aproximando-se do indivíduo enfermado. — Moço. — e o sacudiu, aflita.

O homem replicava frases desconexas e a morena entrou em pânico: não podia deixá-lo à míngua.

— Você consegue se levantar?

— Hm, eu, no, eu, quem. — e continuava a repetir palavras desconexas. 

Hinata não conseguiria levantá-lo, a considerar ser mais alto e corpulento que ela e rapidamente, correu para o outro lado das gramíneas, balançando as mãos para os cavalheiros na carroça. 

— Olá! Alguém! Preciso de ajuda! — a mulher berrou por ajuda, e por sorte, os homens se prontificaram e vieram ao seu encontro com seus cavalos relinchando. 

— Boa tarde, madame. — e dos cavalheiros lhe fez uma mesura e desceu do cavalo preto. — Aconteceu algo? — ele vinha acompanhado com outros dois indivíduos.

— Aquele moço ali jogado perto dos caládios. — Hinata tentava não parecer nervosa ou afoita, mas, as mãos tremiam. — Ele jaz ferido, delirante!

O trio de homens se aproximaram do indivíduo pálido, e o examinaram com atenção.

— A perna dele sangra. — um dos cavalheiros, Haruto, disse e levantou a calça preta. — Cruzes! É uma picada de cobra.

— Precisamos levá-lo rápido para uma curandeira ou algo do tipo. — o outro, Tanjiro, se afoitou.

— Coloquem-no no meu cavalo! Logo à frente, tem um santuário. — Hinata gesticulou, ansiosa. — Já estava indo para lá!

— Não creio que aguente, madame. Ele é muito pesado. — o terceiro, Kane, explicou cauteloso.

— Coloquem-no no meu cavalo e a madame nos mostra o caminho até esse santuário, sim? 

— Claro! — Hinata não pensou duas vezes, e subiu em Cândido. Assim, os cavalheiros colocaram o indivíduo no cavalo preto e os três cavalgaram seguindo a Hyūga pelas estradas nodoadas. 

Na ingressão do santuário, outras monjas-aprendizes mantinham-se decorando os grandes portões de bétula com fitinhas de pedidos para os deuses do amor e guerra. Hinata saiu do quadrúpede e aproximou-se delas, ofegante:

— Encontrei um homem ferido. Ele foi aparentemente vexado por uma cobra, podem ajudá-lo? 

— Com certeza, tragam-no! Tragam-no! — uma das monjas expôs, e a outra indicou o caminho em simultâneo ao indivíduo sendo guiado pelas disposições do templo com a ajuda dos três cavalheiros.

Com o corpo trêmulo, colocaram o forasteiro em um futon, em um dos quartos vazios e Ameeire, uma monja curandeira, vagou o olhar para o desmaiado moreno.  

Fora do quarto, Hinata agradecia e despedia-se dos três cavalheiros:

— Estou muito grata pela ajuda de vocês, senhores. — e lhes conduziu uma respeitosa mesura. — Muito obrigado, muito obrigado.

— Não há de quê, madame. — Haruto dispôs. — Não podíamos deixá-lo em tal situação. — e os outros dois assentiram.

Hinata vasculhou o bolso do vestido e tirou de lá um grande saco de moedas, logo, entregando ao cavalheiro.

— Eu só disponho dessa quantia para ratificá-los com vossa bondade. Imagino seguirem pelas vias em alguma categoria de trabalho no campo. — ela articulou, dócil. — Espero que isso lhes ajude!

Os três entreolharam-se embasbacados.

— Não precisava se preocupar, madame. — Tanjiro expôs, perplexo. A quantidade de moeda no saco se equivalia a dois meses de trabalho ininterrupto nos centeios. 

— Vocês merecem isso e muito mais. Obrigada novamente. — Hinata sorriu, grata. — Agora, sigam vosso trajeto em paz. 

Os três exprimiram-lhe uma mesura respeitosa e tomaram caminho. 

*

— Você fez bem de trazê-lo. Sofria em angústia. — Kurotsuchi expôs. — Ameeire é ótima curandeira, canalizou o veneno. — e despejou chá na xícara de Hinata. 

Ambas continham-se sentadas sobre as panturrilhas no tatame da sala de oração. Os incensos de flor-do-campo vagando sobre o espaço arejado.

— Eu fazia meu caminho para cá, e o encontrei entre os caládios. Julgo ter sido sorte. — a morena bebericou do chá de alfazema, discernindo a quentura do líquido.

— Não diria sorte, mas, um desígnio. — a monja exprimiu, calma. — Nada é por acaso. 

Com o cabelo preto, curto, orbes ônix, Kurotsuchi era o monja-mãe do santuário em Iwa. Trajava a vestimenta padrão dos frades de Iwa que consistia em um longo kimono vermelho, sandálias e por ser a regente de Senso Ji, uma faixa obi sobre a cintura.

Hinata sorriu, vaga.

— Você disse isso da primeira vez que nos vimos. 

— Enxerguei a vossa boa aura, ao defender a jovem moça da prepotência do general. — após o incidente com Yahiko no condado, a monja Kurotsuchi lhe enviou uma carta a parabenizando sobre sua valentia em agir corretamente e rogou assistência para com os carecidos de Myōboku.

Kurotsuchi lamentava em como o País do Fogo caía em decadência, e em como os nobres e aristocratas jaziam mais desatados com a crua realidade. Ter o apoio da milady lhe fora comovente, ao considerar que ela realmente persistia sendo uma garota de bom coração. 

— Tenho calafrios desse homem, tsk. — suspirou Hinata. — Eu o encontrei na ocasião em que eu e meu esposo fomos convidados ao jantar no palácio. Ele exala maldade.

Constante e discretamente, Hinata visitava o santuário e passava algumas horas colaborando com as monjas no preparo de comida, lavagem de roupas e até levava sacos de grãos e comida, e até dinheiro para ajudar a comunidade. Não era um assunto que ela comentava com Naruto, julgava não ser necessário divulgar os feitos de beneficência — era mais genuíno quando guardava para si.

— É uma forte convicção que nutro. As pessoas liberam energias, é perceptível. — Kurotsuchi exprimiu. — Há muitas pessoas que não acreditam nos desígnios. A maldade é um caminho turvo.

— Talvez eu fosse uma delas. Eu não acreditava muito nos desígnios, mas, agora penso que minha jaz em um cume de acasos perfeitos. — a morena riu baixinho. 

— Imagino como deve se sentir, Hinata. — a monja sorriu. — Se mantém o coração na vibração certa, mesmo sendo ocasionalidades boas ou ruins, caminhará pelo rumo que te é por direito.

— Porém, aquém de todas essas situações abruptas, eu vim aqui me desculpar, monja.

— Desculpar-se pelo o quê, querida? 

— Eu estive sumida, pois, muitas ocasiões aconteceram em minha vida. — a morena explicou. — Talvez eu deixe de visitá-las por um tempo, mas, sempre manterei contato e continuarei com as doações para a comunidade.

— Imagino. Não necessita desculpar-se por tal. Os deuses conhecem o vosso coração, e a ajuda que nos deu até o momento foi necessária. Somos gratos. — Kurotsuchi glosou, agradecida.

— Também sou grata, mas, não desejava deixar de acompanhar e ajudá-los. — Hinata gesticulou. — Eu descobri-me grávida, portanto, reze por mim para uma gestação saudável. 

Kurotsuchi deu um sorriso largo e segurou a mão da morena com carinho.

— Que Kami lhe proteja e almejo que tenha uma prenhez jubilosa!

— Obrigado, monja. 

— Imagino que tenha que se cuidar. E desejo que o faça, sim? Que vosso bebê nasça com saúde e traga alegria a tua casa. — a mais velha aconselhou, terna.

Hinata assentiu, sorridente.

— Aliás, eu espero que o moço que eu trouxe não seja um problema para vocês.

— Claro que não. — a monja assegurou. — O santuário é casa de todos. Todos são bem-vindos.

— Se puder manter-me a par da recuperação desse moço, eu ficaria contente. Ele parece ter sofrido muito. — Hinata pediu encarecidamente.

— Sim, eu o farei com imenso gosto. — Kurotsuchi asseverou. — Ele será bem cuidado aqui. Não tenha dúvidas disso, querida.

[…]

Shikamaru ainda divagava com um lacônico sorriso:

— Você me colocou como tutor legal de Kawaki? 

— Sim, eu o fiz. — Naruto concordou, sem redundâncias.

— Se ele for realmente meu filho, não poderá usufruir de nenhum bem, se o mesmo não for autorizado por você. 

O Nara gargalhou:

— Você enlouqueceu?

— Eu nunca estive mais lúcido. — o loiro gesticulou. — Isso nem é pelo dinheiro, não sou apegado, mas, eu não suporto fingimento e bandalheira. 

— E se ele não for o seu filho, o que me parece ser mais óbvio… 

— Claramente, eu denunciarei os Terumi por calúnia para a Coroa. — o Uzumaki expôs tranquilamente. — De um jeito ou de outro, eles não me farão de imbecil. Ou no mínimo, vão sentir o gosto das arrogâncias voltarem para eles mesmos. Contei com a boa-vontade de Sara, mas, a cada dia ela se mostra mais intolerável.

— Mulheres apaixonadas agem passionalmente. — Shikamaru expôs, risonho.

— É impossível ela ser tão apaixonada assim por mim. Eu só dormi com ela uma vez, uma única vez. 

— Eu já tive males parecidos como esse em Nice. — o Nara abanou-se. — É difícil ser um galã. — e os dois riram.

— Você não consegue calar a boca, né? — o loiro revirou os olhos, divertido.

— Julguei que fosse um homem de modéstia linguística, enganei-me profundamente. — os homens riram.

— No fundo, eu tenho que lhe agradecer e muito. És um grande amigo e companheiro. — Naruto agradeceu.

— Sabes que não te deixaria a míngua de vossos erros de percurso. Temos uma dívida de vida, e espero que possamos continuar sempre amigos. — Nara findou.

Com batidinhas na porta, a voz feminina e dócil lhes abrigou os tímpanos:

— Posso entrar?

— Claro, amor. Entre. 

Hinata entranhou o cômodo com a expressão plácido:

— Boa tarde, cavalheiros.

— Boa tarde, Hinata. — o Nara saudou, e emendou galante. — Como vai a mais bela madame dessa residência?

— Vou muito bem, obrigada. — a morena ocultou o riso. — Isso me fez ter uma reminiscência, sabe?

— A vaga lembrança de como o Nara ficava te elogiando quando chegou nessa casa, hm? — Naruto emendou, na mesa tese espirituosa. — Ele queria me matar de raiva com essas frases. 

— Sim, exatamente! — Hinata riu nasalmente. 

— Eu gostava de provocar Naruto. — Shikamaru confessou, risonho. — Era só para ver o fulgor do ciúme nos olhos dele. Era deleitoso, não negarei. 

— Um maldito ladino, tsk. — o loiro propôs, divertido. — Você deveria manter vossos elogios de cunho bajuladores para Sara.

— Jamais! — o Nara retorceu a cara, azedo e o casal riu. — A magna impostora chamou-me de vagabundo. Imagina a tamanha ironia dessa frase. 

Hinata piscou, chocada:

— Jura que ela te disse isso?

— Yep. Ainda ressalvou que ando sobre a sombra de vosso esposo. — o Nara riu com gosto. — Ela, certamente, não sabe olhar para o próprio rabo.

Naruto anuiu com aforismos entretidos, mas, lembrou-se de uma pertinente informação:

— Na verdade, Hinata, chegou uma carta de Karin para você e, além disso, conversei com Shino e Shijima, e eles descobriram que Sakura fora visitar a avó em um vilarejo nas adjacências de Ogotō.

— Isso me deixa mais aliviada. — a morena suspirou com mais calma. — Eles vão atrás dela?

— Sim, sim. Viajarão amanhã. — o moço de madeixas loiras confirmou. Parte do seu coração jazia em dúvida com a afirmação, mas, seria mais correto ir atrás para desfazer qualquer mal-entendido, do que deixar a vaga ocorrência sem uma resposta.

— Bem, temo que tenham que conversas as sós, portanto, aproveitarei para descansar em meu quarto. — Shikamaru verberou, em um bocejo. — Se precisarem de mim, estarei em meus aposentos.

— Tenha um bom descanso. — Hinata sorriu, acenando. 

— Até breve. — Naruto despediu-se do amigo e viu-o sair do escritório em passos calmos.

— Tomara que encontrem Sakura. — a jovem senhora sentou-se à frente da mesa. — Eu estive arrazoando sobre ela com constância. 

Naruto, logo, lhe entregou a carta:

— Entendo, mas, não se preocupe. Ela voltará e tudo dará certo, amor. — dispôs. — Agora abra a carta de sua amiga. Parece ser importante.

Hinata segurou o escrito em mãos, ansiosa e tratou de abri-lo. Conforme lia, o loiro percebeu como o semblante da esposa abria-se em um largo sorriso.

— Naruto! — a morena levantou-se em um pulo de alegria. — Matsuri deu à luz! Shinki nasceu! 

— Oras, isso é ótimo! — o Uzumaki animou-se. Era impossível não se contagiar com a felicidade no rosto da jovem moça. 

— Sim, sim! Isso é mais que ótimo. É uma bênção. Obrigada, Kami! — Hinata agradeceu, positiva. — E ela nos convidou para visitá-los!

*

A notícia do parto de Matsuri encheu Hinata com uma alegria imensurável. Jazia radiante pela melhor amiga. No dia seguinte ao recebimento da carta, na parte da tarde, o casal seguiu viagem.

No entanto, Naruto havia lhe revelado que não ficaria em Bátia, mas que aproveitaria para resolver pendências em Hagakure.

Ainda na sege, discutiam o assunto: 

— Naruto, eu quero que você fique comigo. Na carta, ela chama-nos para visitá-la. Eu e você!

— Amor, ela o fez por cortesia, figura de linguagem. Não quero causar desconforto em um momento tão feliz, suas amigas são ótimas pessoas, mas, elas não gostam de mim, e eu entendo completamente. É meu dever respeitar o espaço delas. — Naruto balanceou, convicto. — Quero que você tenha um bom momento com seus entes queridos.

— Naruto, não! — a morena emburrou-se. — Você vem comigo!

— Hinata… não seja teimosa. — o loiro revirou os olhos. A insistência da esposa lhe fisgava a paciência em circunstâncias.

— Não estou sendo teimosa. Você é meu marido, e elas entendem isso. — Hinata justificou. 

— Seria uma forçar uma situação desnecessária, e eu não estou disposto a tal. — Naruto contrapôs.

Lhe era o cúmulo ser filho de pessoas repulsivas, que agiram de forma diretamente maliciosa para com seus entes queridos, e emular um coleguismo para indivíduos feridos pelos seus erros.

Seria incômodo para ele e os outros envolvidos.

— Naruto… — um biquinho manhoso brotou nos lábios femininos. Era como discutir como uma porta!

— Sem mais nem menos. Eu não vou e ponto final. — e o loiro voltou a focar os glóbulos safiras no caminho de pradarias de trigo.

— Você é inominável. Chato!

— Você é mimada, hein. — o moço deu um sorrisinho zombeteiro. — Que monstrinho que não pode ser contrariado, hm.

Hinata segurou o riso.

— Chorarei muito, sabe? — a morena dissimulou um fungar. — Estou grávida, e o pai do meu filho me machuca com sua extrema insensibilidade.

— Me desculpe, chorona, mas, eu manterei minha palavra.

— A sua palavra de ser chato? Cruzes! Você só tem vinte e cinco anos, mas, age como um idoso.

— Um idoso? — o Uzumaki gargalhou. — Todo esse choro, pois, eu não quero satisfazer sua vontade, princesa?

— Não é satisfazer minha vontade, é só… fazer um esforcinho para não ser medroso. — Hinata glosou, humorada. — Karin não vai te esganar, tá! Eu te defendo! 

— Ela quase me esganou da última vez! Não seja leviana, ela provavelmente quer fazer picadinho de mim. — a forma que o Uzumaki arregalou os olhos, fez a morena gargalhar. — Sou lindo demais para morrer dessa forma.

Hinata abanou-se:

— Que alta estima, hein!

— Você tem que ser bem maluca por não ter medo dela, tsk.

— Eu não tenho medo. — a morena contou, risonha. — Viramos amigas, pois, eu sapequei ela nos tapas.

— Cruzes, Hinata! — e foi a vez do loiro rir, chocado. 

— Tudo isso aconteceu na frente da padaria dos Hochu, eu tinha onze anos. Eu jazia na fila para comprar uma baguete como minha madrinha pediu, Karin entrou na minha frente, cheia de si, eu briguei com ela dizendo ser feio roubar o lugar das pessoas. — Hinata narrou aos risos. — Ela chamou-me de olhos de lodo e eu bati nela. Simples assim.

— Você é brigona mesmo. — Naruto enunciou com diversão. — Se bem que você tem uma mão pesada, daquela vez que a gente casou, você me deu um tapa na cara em cheio. Eu dormi com o rosto formigando.

A Hyūga riu com as mãos nas bochechas:

— Você é rancoroso. Não esqueceu isso, tsk.

— Quem apanha não esquece, sabia? — ambos riram.

— Eu não suportava olhar para sua cara naquela época. E você mereceu, agia que nem um cretino.

— Agora você não vive sem mim. Na verdade… — e o loiro segurou o riso. — Essas suas contradições eram engraçadas demais.

— Contradições?

— Quando fizemos amor pela primeira vez… 

— Você se apaixonou, né? — Hinata deu um sorriso altissonante.

— Sim, eu me apaixonei. Mas, você fingiu uma plenitude cômica no desjejum, agindo como se não tivéssemos sido íntimos. Isso me deixou tão maluco. — ele riu. — No entanto, não parou de gemer meu nome na noite em questão. Como pôde ser cínica? Assim você feriu meu ego.

Hinata gargalhou:

— Odeio quando você relembra minha vergonha. Eu nunca senti tanto ódio na minha vida, tsk.

— Não foi vergonha nenhuma. A carinha que você faz quando goza para mim, é uma graça. — sussurrou no pé do ouvido dela. — É claro que eu iria me apaixonar.

— O assunto não era esse, cruzes. — a morena fez uma careta azeda.

— Melhor esse assunto, do que a verdade ratificada que eu não serei bem-vindo na casa da sua amiga. — Naruto virgulou.

— Amor! — Hinata segurou o rosto masculino com as mãos. — A aprovação ou não das minhas amigas não te farão diferença, eu já sou sua mulher, né?

— Sim, você é minha mulher, mas, preveniremos embaraços, né? — o moço roubou um selinho da esposa.

— Você que pensa. — Hinata afirmou. — Você que pensa, Naruto Uzumaki.

Ao bater na porta, Hinata madrinha o sorriso, porém, a feição ansiosa de Naruto, mesmo com as mãos entrelaçadas com a esposa, revelavam seu turvo incômodo: era impossível ganhar uma discussão.

Hinata era resolutamente obstinada. 

Naruto questionava com as sinapses que se sua bebê nascesse com o mesmo temperamento da mãe, lidaria com duas mulheres geniosas pelo resto da vida. 

Nami abriu a porta, e sorridente, abraçou a morena:

— Que bom que você veio, minha querida! — ambas abraçaram-se com primor. O loiro umedeceu os lábios, antecipando o nervosismo.

— Ah, que bom vê-la, tia Nami! — Hinata disse, jubilosa. — Bem, amor, essa é Nami, mãe da Karin, Nagato e as gêmeas. Tia, esse é o Naru.

— É um prazer te ver, senhor Namikaze. — a ruiva lhe deu um abraço espremido, e o loiro constrangeu-se com o ato espontâneo. Não imaginava que seria tão carinhosa com ele, ao relembrar os infortúnios que Kushina, sua mãe, tivera lhe feito.

— O prazer é todo meu, senhora Uzushio. Obrigado por receber-me na vossa casa. — o moço dispôs, agradável. — E, hm, espero que minha presença não lhe seja incômoda.

— Oras, não há de quê! Minha casa é que nem coração de mãe, sempre cabe mais um. Vossa presença nunca será incômoda, você cuida muito bem da minha menina, portanto, é parte da família também. — Nami elaborou, franca e o Uzumaki anuiu, menos tenso. — Venham, entrem, entrem. Jaz muito frio!

A casa mantinha o aconchego da primeira vez que lhes visitaram, e o Uzumaki sentia-se bem no recinto. O casal internou a habitação e Suigetsu alegrou-se ao mirar Hinata.

— A nova gravidinha voltou a casa. — ambos abraçaram-se, risonhos. — Que bom que você veio.

— Eu não ficaria sem ver meu afilhado, sabe? — a morena expôs, brincalhona. — Sui, esse é meu esposo, e amor, esse é Sui, marido da Karin. — apresentou-os.

— Seja bem-vindo, Namikaze. — Suigetsu glosou e ambos urgiram as mãos. — Sou Suigetsu Hōzuki.

— Obrigado por receber-me na vossa residência, senhor. — Naruto anuiu, respeitoso. — E, hm, espero que minha presença não lhe seja embaraçosa.

Suigetsu riu nasalmente:

— Não há necessidade de formalidades, tá! Senhor é meu genitor que jaz no céu. E que os deuses o tenham. — brincou. — Confesso que não te curtia muito não, mas, se a Hinata gosta de você e ela é a pessoa mais transparente que conheço, então, quem sou para não te dar uma segunda chance, né?

O loiro sorriu miúdo.

— Matsuri banha Shinki com a ajuda de Karin e as gêmeas. — Nami explicou, graciosa. — Sentem-se e fiquem à vontade, tá? — e ajeitou as almofadas para que o casal sentasse.

— Claro, já me sinto em casa. — Hinata revelou, e o par aconchegou-se no sofá.

— Como foram de viagem? — Nami perguntou, curiosa.

— Bem tranquilo. Acho o caminho de Myōboku para Baochi, mais tranquilo do que para Hagakure. — a morena gesticulou, vivaz.

— Deve ser, pois, o caminho para Baochi não é cheio de curvas. Acredito ser o motivo de ser mais tranquilo. — Naruto complementou, prudente. — Pelo dia frio, as pessoas evitem fazer esse trajeto.

— Concordo. Os cavalos tendem a ser mais consistentes, né? — Suigetsu emendou no assunto, e pôs-se ao lado da sogra. 

— Sim, sim, deve ser por isso mesmo. — o loiro confirmou, exortando os sentidos para ficar mais descontraído, embora, a simples menção de ver Karin lhe devam calafrios: não havia infortúnio maior do que ser malquisto.

— O dia jaz frio, Namikaze, aceita rum? Não é uma bebida tão fina, mas, eu prometo ser gostoso. — Suigetsu exprimiu com um sorrisinho torto.

— Aceito sim! Muito obrigado. Rum é bom de qualquer maneira. — o loiro anuiu, grato. Estava sendo tão bem tratado que se sentia acanhado. 

No fundo, imaginava abordarem-no bem por Hinata, e com o tênue aforismo, resolveu se esforçar também para não cair em retração.

 — Tem chá de ameixa, você aceita, Hina? A gente colheu umas ameixas parrudas aqui no quintal, uma delícia! — Hōzuki averiguou, solícito.

— Claro! Aceito o chá sim, e de preferência, sem açúcar. — a morena pediu e o dono de madeixas esbranquiçadas anuiu, e dirigiu-se até a cozinha.

— Eu sempre faço um quitute pela tarde, mas, hoje almoçamos tarde. — Nami explicou, gesticulando. — A rotina com um bebê em casa não é fácil. — sorriu com o olhar.

— Imagino que seja um total direcionamento de energia para o recém-nascido. — Hinata proferiu, sorridente. — É uma dádiva. 

— O povo aqui em casa não parou de babar nele. Nunca vi um garotinho tão mimado. — Nami riu, em consonância ao sorriso do jovem casal. — É tão adorável. Vocês vão se apaixonar também. — e prosseguiu. — Vocês comeram? Posso esquentar um pouco de comida que sobrou. Fiz um ensopado de frango, tá uma delícia!

— Estamos bem, senhora Nami, muito obrigado, viu? Pelo menos, eu estou sem fome. — o Uzumaki disse. — Não sei você… — e voltou um olhar averiguador para a esposa, lhe acariciando o joelho. 

— Estou bem, querido. — Hinata estatuiu. — Obrigado pela gentileza, tia Nami. A gente se empanturrou de pão lá em casa. Tava com um desejo de pão recheado com queijo, sabe? Naruto decidiu fazer, eu tava ressabiada que sairia bom, mas, o danado se deu bem.

Os três riram. 

— Pão é sempre uma delícia — Nami arguiu, feliz. — Eu não sabia que você cozinhava, senhor Namikaze.

— Eu realmente nunca me aventurei no mundo culinário, mas, eu sempre soube me virar. — Naruto explicou. — Hinata realmente estava com desejo de comer pão, e eu resolvi fazê-lo. Temos vacas e cabras lá em casa, sabe? As meninas fizeram queijo de cabra, estava ótimo, aproveitei disso e uma receita que tinha de cabeça, fizemos o pão.

— Nossa, ter cabras e vacas em casa é uma mão na roda. — Suigetsu explanou da cozinha, com o sotaque puxado. — Há semanas tô tentando comprar uma vaquinha, sabe? Para deixar aqui em casa, para cuidar e ter leite. Mas, estão escassas por essas bandas, e são caras demais.

— Se quiserem, eu posso lhes dar duas vacas. — Naruto propôs, terno. — Não será problema.

— Claro que não, senhor Namikaze. — Nami gesticulou, corada. — Não queremos atrapalhá-lo.

— Não atrapalha, tia Nami. — Hinata manteve a tese do esposo. — Temos umas doze vacas lá em casa, né?

— Sim. Não fará diferença para nós. Eu juro. — o loiro dispôs, simplório. — Se for para ajudar vocês, eu fico venturoso em colaborar. 

— Nossa, não sei o que dizer. — Nami exprimiu um sorriso envergonhado. Não imaginava enxergar tamanha bondade vindo daquele garoto.

— Não precisa dizer nada, é um presente nosso. Além disso, tenho certeza que as vaquinhas ajudarão e muito. — Hinata selou o assunto, amável.

— Como jaz a gravidez? — a senhora Uzushio perguntou.

Mesmo Hinata não mantendo um relacionamento com seu filho mais velho, Nagato, a mulher estimava muito a jovem menina, e animava-se com sua felicidade. Sempre fora muito querida por ela. Era perceptível para a senhora Uzushio o entrosamento entre o jovem casal e em como eram amorosos um com o outro.

— Vai bem. Como está no começo, eu não tenho muitas reclamações ou sintomas mais pungentes. Eu sentia muito enjoo e tinha vômitos, porém, agora estou melhor. — Hinata contou. — Na verdade, agora sinto muita apetite. É uma fome avassaladora, cruzes. 

— É normal, certo? — Naruto inquiriu. Suigetsu adentrou a exígua sala balanceando três xícaras nas mãos, e entregou para o trio, que agradeceram. 

— Obrigado, querido. — Nami agradeceu a gentileza do genro, e deu uma bebericada no chá quente. — Sim, esses sintomas são completamente normais. No começo de gestação nossas emoções e sensações ficam desreguladas, o corpo ‘tá se acostumando com uma nova vida dentro dele. 

O loiro bebericou do rum, e degustou da intensidade e a nota apreciável de nectarina do líquido alcoólico.

— Esse rum é extremamente saboroso. — o Uzumaki comentou, surpreendido. — Tem nectarina, né?

— Isso! É uma especialidade de Baochi: o rum frutal, ainda mais em dias frios como hoje. — o Hōzuki glosou, simpático. — É artesanal, sabe? Okata, meu amigo, vende na locanda do centro.

— Bom demais, julgo que preciso comprar umas garrafas para guardar lá em casa. — Naruto pontuou, agradável. — Se puder me levar lá, eu agradeceria.

— Claro, claro! — o Hōzuki instantaneamente animou-se. — As ordens!

— Aliás, senhor Namikaze e Hinata, aqueles presentes, doces, brinquedos que vocês trouxeram para gente da última vez, muito, muito obrigado! Eu pessoalmente amei os tecidos. Costurei uns vestidos lindos para as gêmeas e roupinhas para o neném da Tsuri. — Nami agradeceu.

— Jura! Isso me deixa muito radiante! — Hinata sorriu plenamente. — Eu deveria trazer algumas coisas hoje, mas, eu me animei tanto com a notícia de Shinki que vim o mais rápido possível.

— Isso me alegra, senhora Nami. E não precisa me chamar por senhor, me chame pelo nome mesmo. — Naruto pediu, coçando a nuca. — Não precisa ser formal comigo.

— É difícil te chamar pelo nome, senhor. Sinto que estou sendo-lhe desrespeitosa. — Nami propôs com um sorriso vacilante.

— Tudo bem, me chame do jeito que preferir. — Naruto firmou, cortês.

Karin, agilmente, desceu as escadas e encheu-se de regozijo ao ver Hinata:

— Você veio! — a ruiva estrondeou de agrado.

— Claro que vim! 

Ambas abraçaram-se no enlace harmonioso.

— Estou abismada em como você tá bonita, bochechuda, com a pele brilhando. — Karin evidenciou, sorridente e impôs a mão no ventre da amiga. — Sua barriga tá aparecendo! Tá tão fofa buchuda!

— Você acha? Eu ainda não acho tanto. — Hinata riu nasalmente.

— Claro que sim. — a ruiva confirmou, sorridente. — Você não acha, mamãe? 

— Sim, é visível mesmo! Para gente que te observou da última vez, é bem visível. — Nami confirmou, meiga. — Tá linda!

— Eu disse, amor. Tá barrigudinha sim. — o Uzumaki confirmou, suave. 

— Sem essa de barrigudinha, tsk. — e o casal sorriu um para o outro.

Nami e Karin entreolharam-se em como a menção do apelido ‘amor’ vindo da boca do Namikaze soava de forma apaixonada.

— Todo mundo grávido, eu tô me sentindo excluído. — Suigetsu exprimiu, humorado. — Colocaremos em prática mais tarde, ruivinha. — lhe deu uma piscadela marota.

Karin enrubesceu-se e Nami segurou o riso.

— Sui, contenha-se! Ainda mais perto das visitas, tsk. — a ruiva grazinou em inibição. 

— Tranquilo, ruivinha. — o Hōzuki deu uma risadinha descontraída. — Estamos em família.

Karin recompôs-se e pigarreou:

— Namikaze. — e ambos entreolharam-se. — Bom te ver. — expôs, sem-jeito e estendeu a mão na direção do loiro. Era estranho tê-lo na sua casa, após as atrocidades que família Namikaze fizera para os seus, mas, tentaria dar-lhe uma segunda chance.

— Obrigado por receber-me na sua casa, senhorita Uzushio. — Naruto contrapôs, intimamente feliz e ambos firmaram as mãos.

Hinata sorriu, e lhe fez um joia discreto com o polegar, com quem diz: “Viu? Eu disse que daria certo.”

— Bem, hm, vamos subir para ver o bebê. — Karin chamou-os e o casal subiu os degraus. 

Ao abrir a porta, os orbes de tom lilás captaram a energia aconchegante e o perfume hipnótico de camomila e lírios.

Hinata não se aguentou o choro, e as lágrimas pingaram ao ver Matsuri na cama com o recém-nascido no colo, os travesseiros na lombar e uma manta grossa sobre a cintura. Era demais para seus hormônios! 

— Que bom que vocês vieram. — a Ileya sorriu largamente, enquanto Shinki mantinha-se nos seus braços enrolado em um pano branco. — Venham, entrem. 

Kaya e Natsue correram para abraçar o Uzumaki, radiantes:

— Eba! Que legal que você veio, tio! — Natsue comemorou e lhe deu um beijo no rosto.

— Sim, a gente sentiu muita falta de você e da tia Hinata. — Kaya emendou, sorridente.

— Que bom vê-las também, meninas. — Naruto sorriu e acariciou as madeixas das gêmeas. 

— Hm, pequenininho, você vai conhecer a titia. — Matsuri entregou o neném no colo de Hinata e a morena fungou, abraçando o menino nos seus braços.

— Você é tão lindinho, Shinki. — a Hyūga não conseguia parar de sorrir. O garotinho mantinha os olhos abertos, as iris verdes, o cabelo escuro e um biquinho adorável. — Os olhos iguais do seu papai. — e comoveu-se.

Matsuri aquiesceu:

— É meu tesouro. Gaara ficaria feliz, na verdade, ele deve estar feliz. 

— Você é uma gracinha, Shinki! — Hinata fungou, emotiva e lhe impôs beijinhos na testa. — Olha, amor, que fofurice. — e mostrou o menininho para o esposo.

— Adorável. — Naruto glosou, mirando o rosto bochechudo do neném e lhe tocou a mãozinha, fascinado. — Parabéns, senhorita Ileya.

— Obrigado, senhor Namikaze. — Matsuri sorriu. — Se quiser, pode pegá-lo também. 

Naruto umedeceu os lábios, incerto:

— Não quero causar-lhe, hm, mal-estar. 

— Não causará. Pegue-o. — Matsuri firmou, suave e Hinata entregou o bebê no colo do esposo. 

Naruto ficou sem palavras. Talvez fosse a graciosidade do pequeno, a bondade de todos para com sua pessoa, as emoções de paternidade avivadas ou a visão de que fazia as pazes com destino.

— Você será uma grande homenzinho, Shinki. Assim como vosso pai. — o loiro expôs com a voz embargada. E em pensamento, fez a promessa:

 “Gaara, eu realmente não te conhecia, e sinto muito pelo meu erro ter ocasionado a vossa morte. Era um sujeito honrado e bondoso, que morreu pela vossa bravura, e almejo que os deuses estejam reverenciando vossa alma honesta, mas, eu juro que cuidarei de vossa família como se fosse minha.”

*

A noite caía com vivacidade. Com uma fogueira estalando no fundo da casa, Suigetsu assava um leitão. Na mesa de madeira, todos sustentavam um diálogo cômico:

— Eu realmente não penso que o arroz esteja ruim, talvez sem tempero, mas, jaz bom. — Matsuri explanou, risonha, enquanto Nami tinha Shinki no colo. 

— Karin não sabe fazer arroz, é o único defeito dela. — o Hōzuki expôs, límpido.

— Não está tão ruim assim! Vocês são chatos demais, tsk. — a ruiva queixou e mirou as gêmeas na degustação das espigas de milho.

— Seu arroz é melhor que seu ensopado. — Hinata tentou ser justa, embora, nutrisse de um tom sarcástico.

— Você pensa que me ajuda assim, sua vaca! — Karin riu, e deu um tapinha no ombro da morena.  

— Okay, mas, a pergunta que não quer calar: como você se apaixonou pela Hinata, Namikaze? — o Hōzuki quis saber. 

E todos os olhares se voltaram para o loiro, curiosissimos. Naruto percebeu que Suigetsu era uma pessoa transparente e não tinha medo de dizer o que pensava.

— Bem, hm, eu a conheci no baile do Shiranui, sem saber que era ela. Eu previamente já gostava dela, e conforme fomos sendo honestos um com outro e ela me ajudou a tomar consciência de meus erros, hm, e nos apaixonamos.

— Você é honesto mesmo, perdoe-me a expressão, mas, olha para ela que nem um tolo apaixonado. — Suigetsu chasqueou e Karin sentiu o rosto queimar. — Olho assim para a ruivinha também, é meu amigo, você caiu na fossa mesmo. — e todos riram.

Naruto riu nasalmente:

— É… você tem razão. 

— Não só ela, mas, a bobona aqui também. — Matsuri alfinetou a morena. 

— Eu só espero que você não esteja com más intenções. — Karin prosseguiu, mais séria. — As pessoas que amo já sofreram demais na mão da vossa família.

O clima tornou-se intenso, porém, o Uzumaki dispôs:

— Não há maior frustração do que perceber ser impossível retroceder no tempo e apagar feitos errôneos. Arrependimento e vergonha é tudo que sinto quando penso no ocorrido em Hagakure, fui covarde e impassivo, pessoas inocentes foram maculadas, e eu afirmei meu esforço de restabelecer esses elos quebrados com vossos entes queridos. Genma Shiranui tem auxiliado-me nisso, e sou grato a ele.

E avançou:

— Hoje reconheço o meu erro e humildemente peço desculpas a cada um de vocês. Eu nunca tive intenção de magoá-los, mas sei que isso não diminui a minha culpa, todavia, quero mostrar-lhes que não sou como meu pai ou minha mãe. E devo agradecer imensamente minha esposa por ser um sopro de luz na minha vida. — suspirou. — Quero lhes estampar verdadeiramente minha personalidade, sou muito mais do que viram naquele contexto lamentável. Às vezes só o tempo perdoa atitudes, une pessoas e reativa afetos antigos, todavia, almejo que possamos construir uma relação de concórdia. Se depender de mim, nenhuma tirania será perpetuada seja em Hagakure ou em qualquer lugar. A revolução é contínua. Julgo que ter o apoio de vocês me ajudará e muito a ser uma pessoa melhor.

— Me alegra muito saber disso. — Matsuri cingiu, plácida. — O mundo precisa de conciliação. Se pudermos trazer pessoas ao nosso lado, é um ganho para nós.

— Também acredito nisso. — Nami confirmou, sorridente.

— Tô dentro nessa! — o Hōzuki afirmou.

— É… — Karin engoliu a seco, em breve análise. — Você me convenceu, Namikaze. — sorriu miúdo. — Mas, eu manterei de olho em você.

— Como desejar, senhorita Uzushio. — o loiro consentiu.

— Não liga não, amor, ela é desconfiada mesmo. — Hinata evidenciou, brincalhona e cutucou a ruiva com o cotovelo, lhe tirando um risinho.

Embora a Hyūga sentisse a alma refulgente em ver todas as pessoas que amava se darem bem. Era como recomeçar um ciclo com o pé direito.

— Eu realmente agradeço o voto de confiança. — Naruto lhes dirigiu uma mesura respeitosa. — Muito obrigada. 

— O leitão tá quase assado, ou seja, vamos encher o bucho para comemorar! — Kaya bateu palminhas, e todos riram.

No entanto, o galope se aproximava da residência e as íris fincaram-se na cena sinistra. Nagato odiava sua má sorte, toda vez que visitava a família, Hinata jazia lá. Isso tornava sua vida mais difícil, no entanto, o rompante da sua zanga foi enxergar o Namikaze em uma conversa branda com as gêmeas.

Saiu do cavalo, enraivecido e dirigiu-se aos presentes.

— O que ele faz aqui? — o Uzushio rosnou, invasivo.

— Não seja chato com o tio, irmão! — Natsue emburrou-se com Nagato.

Hinata engoliu a seco, ansiosa e impôs a mão sobre ventre, trêmula. Tudo ocorria bem demais para ser verdade.

— A mesmíssima coisa que você. Visitar Shinki. — Karin evidenciou, tensa e se levantou. — Não enche o saco, e vá embora!

— Eu, hm, darei uma caminhada. — Naruto glosou. Não queria brigas ou desentendimentos, e sorriu para esposa. — Já volto, tá? — e saiu pela tangente, em direção ao riacho, todavia, o ruivo pegou-lhe pelo colarinho, furioso:

— Você é um idiota por vir aqui na casa da minha família, e agir como se nada tivesse acontecido. — o ruivo grazinou.

A tensão instalou-se em meio aos semblantes exaltados dos presentes.

— Não faça isso, Nagato. — Suigetsu ordenou. — Estamos em paz.

— Me desculpe, mas, eu fui convidado para estar aqui. Além disso, eu vim acompanhar minha esposa. — o loiro exprimiu.

— Não me faça rir, Namikaze. Você é tão falso. — Nagato riu com despeito. — Esposa essa que você obrigou a casar com você? Seu frouxo de merda!

— Tem todo o direito de estar furioso, mas, não faça isso perto dos seus familiares. — Naruto comunicou e soltou-se das mãos rígidas do guarda. — Se quiser resolver isso, vamos a um lugar mais afastado. 

— Se assim desejas. — e o ruivo tirou a espada da bainha e impôs sobre a barriga do loiro. — Vamos duelar até a morte, maldito!

A morena no ímpeto, fixou-se no meio de ambos homens, apavorada.

— Vocês não vão resolver nada duelando. — Hinata interpelou, sem fôlego. — Nagato, pare com isso! 

— Não me faça pedir duas vezes, Hinata. Saia daqui! — o ruivo bradou.

— Eu não vou sair! Vá embora ou comporte-se! — Hinata rebateu no mesmo tom.

— Nagato! — Nami interpelou, altiva. — Não arranje problemas. — e Shinki começou a lacrimejar no colo da mais velha.

— Nós precisamos conversar, Nagato. — Naruto afirmou, e trouxe a esposa para trás do seu corpo. — Resolveremos isso de uma vez por todas.

[…]

A nebulosidade do semblante masculino não ocultava o temporal fora do castelo adjacente. As iris carmim fitavam os cavalos de troia no extenso jogo de xadrez com diligência, e no outro instante, o general Horiuchi adentrou o recinto, ofegante e ensopado.

— Mandou me chamar, Vossa Graça?

— Fez o que eu pedi?

Yahiko jazia perturbado, mas deu um passo à frente.

— Sim, jogaram o corpo do Uchiha no mar de Salamenra. 

— Menos mal. — o grisalho afirmou, desafogado. — Um corpo morto não pode ser linguarudo.

O general bambeou em comoções; a percepção clara de que todos faziam parte de um jogo milimetricamente coordenado pelo Hatake e eram descartáveis.

— Julguei que fossem amigos, Vossa Graça.

— Eu não sou amigo de ninguém, Horiuchi. — e fitou-o com um ar enigmático. — Você deveria seguir os conselhos do seu amável rei: governar é um caminho solitário. — e riu nasalmente, movimentando as peças do jogo. — Fico contente que Vossa Majestade tenha acordado para a realidade, é uma pena que ele tenha demorado tanto para perceber que nada mais é do que… substituível.

Na mudez humana envolvida com os golpes de ar nas vidraças, Yahiko engoliu a seco:

— O que pretende?

— É no caos que se consegue a ordem. 

— Quem seria essa ordem?

— Você faz perguntas demais para um mero general. Os deuses pronunciarão no momento certo. — o Hatake exprimiu, apocalíptico.

— Você era muito próximo do rei Hizashi.

— Sim. Eu era. — Kakashi afirmou, seu tom beirando a indiferença. — Ele me ensinou muitas questões valiosas, e uma dessas é que devemos estar sempre inclinados a fazer todos os sacrifícios para o triunfo existencial. — e emendou no findar do xadrez. — Mas, infelizmente desposou-se de suas próprias convicções em certo ponto da vida. Pereceu pela sua covardia de intenção.

— Entendo. 

— Não. Você finge compreender, mas, algum dia entenderá.

— Assim espero, Vossa Graça.

— Aliás, lhe chamei para um pedido importante. — aproximou-se do ruivo, tocando no seu ombro rígido. — É uma ação extraoficial.

— Diga, Vossa Graça.

— Convoque uma apresentação obrigatória em cada vilarejo. Quero vistoriar todas as garotas jovens, sejam nobres ou camponesas, de vinte a vinte três anos no reinado. E mulheres de vinte a trinta cinco anos. — Kakashi pediu. — Diga ser para o júbilo de Shakō, uma vistoria de rotina, corpo inteiro. Recrute serventes femininas. 

— Tem algum critério?

— Nas jovens, prestem atenção nas damas de olhos azuis, traços alvos e finos, madeixas negras e onduladas, e se tiverem alguma marca de nascença, tragam para mim. — especificou. — Já as senhoras, atente-se nas damas com orbes de tom carmim, madeixas negras e tenham como primeira letra do nome a letra K.  — e gesticulou. — Quero a compleição real em cada fronteira, cada buraco, cada vila. Quero fechar o País do Fogo, ninguém entra e ninguém sai.

— Para que tudo isso?

— Matarei três cordeiros de uma vez só, e com o sangue desses três, levantarei esse reinado.



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