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História Insolente - Capítulo 2


Escrita por: whyjxmin

Notas do Autor


estou aqui para defender meu personagem: o yunho é ariano tá? ele é estressado e xinga as pessoas mesmo kkkkkkkkk pq ele podeh
obrigada desde já por estarem acompanhando!

Capítulo 2 - Minha perversão


Depois de ter um surto mental ao perceber minha condição no espelho do banheiro, corri para a cabine mais próxima, fechando a porta com mais força que o necessário. Ouvi a descarga do local ao lado, o que significava que logo estaria sozinho ali. Alcancei uma boa quantidade de papel higiênico, o dobrando e tentando limpar a mancha escura que aumentava cada vez mais. Porém, o simples contato do papel com aquela área fazia meu corpo tremer e a vontade de me masturbar até acabar com aquilo crescer. E admito com muita vergonha que foi exatamente o que fiz, inclusive demorando mais que o normal. Sempre que pensava que estava prestes a gozar, a onda de prazer passava, me deixando desesperado para que aquilo terminasse logo. E depois de uns quatro alarmes falsos, finalmente pude acabar com aquele tormento. 

Saí do banheiro com mais vergonha do que quando havia entrado, sentindo como se todo mundo soubesse o que eu tinha acabado de fazer e me olhassem como se eu fosse nojento. E o pior de tudo era que imaginar isso me deixava animado. Meus batimentos cardíacos estavam aceleradíssimos, minhas bochechas vermelhas, e eu tinha que me impedir de deixar um sorriso tímido nascer em meus lábios. Não fazia ideia do que estava acontecendo por nunca ter sentido isso antes, e mesmo que me sentisse confuso e perdido, também me sentia eufórico. 

Com lanches da cafeteria dispostos à minha mesa sempre que sentisse fome e não precisasse levantar, comecei a trabalhar. Estava disposto a fazer um trabalho tão bom que Jeong Yunho ia me elogiar e pedir desculpas pelas palavras anteriores. Receber um elogio dele deveria ser uma sensação ótima, certo? 

O barulho dos cliques do mouse continuou constante conforme as horas se passavam. Hongjoong já arrumava suas coisas para ir embora quando eu me permiti me afastar um pouco da tela, observando o design que tinha até agora de outro ângulo. Percebi quando o Kim alternou o olhar do meu monitor para mim, soltando uma risada. 

– Você está bem concentrado, né, sunbae? – Perguntou divertido, posicionando a alça da bolsa atravessada em seu tórax. – Já é o horário da saída. 

– Eu vou fazer hora extra hoje... – Disse, meio avoado, observando cada detalhe do novo panda que havia desenhado. – Hongjoong hyung, que animal você vê aí? 

Ele olhou brevemente para o desenho antes de dar a resposta que eu queria, me fazendo sorrir vitorioso. Pelo menos nesse aspecto já havia melhorado. 

O Kim se despediu e aos poucos os funcionários foram se retirando ao que a luz do sol foi ficando escassa. Aproveitei a distração de todos indo embora para me dirigir até a cafeteria e pegar um grande copo de café. Eu ainda odiava a bebida, mas estava sendo uma ótima aliada para me manter acordado, então não me permiti reclamar do gosto horrível. As horas se passavam e eu nem me dava o trabalho de verificar quanto tempo eu ainda tinha, temendo ficar ainda mais estressado. 

O departamento já estava completamente escuro, me fazendo acender a lâmpada de mesa que nunca pensei que precisaria usar. Minhas costas reclamavam há horas e minha cabeça começava a doer, mas não pensei em descansar em momento nenhum. Precisava mostrar que trabalhava duro e queria aquele trabalho. Poderia desabar no próximo dia ao chegar em casa, mas hoje, não tinha esse privilégio. 

Eram cinco da manhã quando eu finalmente parei de tentar achar defeito em cada mínima linha. Já tinha corrigido pequenos detalhes mais vezes que poderia contar, sempre revisando o documento que o chefe havia mandado para garantir que não havia esquecido nada. Resolvi então começar a fazer o texto de resumo, tentando o deixar impecável também. Ele não teria nada do que reclamar e eu me orgulharia disso quando tudo estivesse acabado. 

Lá no fundo, eu sabia que só queria ter aquela sensação novamente. Aquela adrenalina de me sentir ameaçado, de saber que não significo nada para ele. Que sou apenas mais uma formiguinha em seu exército e ele pode me pisar quando quiser. De sentir meu corpo inteiro tremer por não saber qual será o seu próximo ato, e nunca me decepcionar com suas decisões. Acreditava que um único elogio seria capaz de me proporcionar essa experiência novamente, e só de pensar nisso, já me sentia ansioso para mostrar meu trabalho. 

Os funcionários estavam começando a chegar quando eu pensei que devia estar com uma aparência não muito aceitável, me fazendo correr até o banheiro e jogar uma água no rosto, aproveitando para pentear os cabelos com os dedos úmidos. Era o máximo que podia fazer por enquanto. Retornei ao cubículo, encontrando meu colega de trabalho colocando seu casaco felpudo sobre as costas da cadeira. 

– Bom dia, hyung. – Fui o primeiro a falar, mesmo que nunca fizesse isso. O Kim franziu as sobrancelhas, confuso. 

Sua expressão estava diferente, e não parecia somente pelo cumprimento fora do habitual. Soube exatamente o que era quando ele cruzou os braços finos e disse: 

– O chefe Jeong mandou te avisar que já chegou. – Pareceu contrariado, ainda com a mesma feição. – Aconteceu alguma coisa? 

Não queria que ele pensasse que eu estava tendo algo com o homem que ele transava e iniciar uma rivalidade sem sentido. Ficar no caminho de alguém estava totalmente fora dos meus planos, e mesmo que sentisse uma atração estranha por Jeong Yunho, nunca me imaginaria tomando o lugar de Kim Hongjoong, que parecia extremamente ameaçado à minha frente. 

– Eu tenho que entregar um arquivo. – Tentei me explicar, e de alguma forma pareceu ainda mais suspeito. Por isso, continuei. – Se não fizer um bom trabalho, serei demitido. Ele me deu uma bela bronca ontem. 

Ele suavizou a expressão, deixando os braços caírem ao lado do corpo. Soltou um “ah” e se sentou em sua cadeira, ligando o computador. 

– Boa sorte, então. – Disse, sorrindo simpático. 

– Obrigado. – Respondi. Estava levemente elétrico pela quantidade alarmante de cafeína que havia ingerido nas horas anteriores, então parecia mais estranho que o normal. 

Enviei o arquivo para o e-mail do chefe ao invés da equipe de revisão como sempre, tentando arrumar os cabelos mais uma vez no caminho até a sala que me dava calafrios. Novamente, bati duas vezes na porta, recebendo afirmação para que pudesse entrar. 

Ele estava sem paletó, se preparando para sentar na cadeira quando entrei. O computador já estava ligado e ele clicava em busca da caixa de e-mails. Me sentei à sua frente, esfregando os dedos uns nos outros enquanto esperava alguma reação. Ele ainda não havia dito uma palavra, e mesmo que o monitor não estivesse virado para mim como antes, dava pra ver que ele havia aberto o arquivo e o olhava com atenção. 

Apoiando o cotovelo no braço da cadeira, ele levou a mão até cobrir os lábios, adquirindo uma postura pensativa. Seus olhos rolavam pelas cores, desenhos e palavras lentamente, absorvendo cada detalhe que eu havia colocado. A verdade é que tinha feito e refeito aquele design repetidas vezes, sempre achando que poderia fazer melhor. Se ele não gostasse desse, não saberia mais o que fazer para agradá-lo. 

Suspirando, ele finalmente desviou o olhar da tela para mim. Ele ia começar a falar sobre o arquivo, mas assim que me viu, perdeu a linha de raciocínio por alguns segundos. 

– Você está horrível. – Foram suas primeiras palavras, que me fizeram olhar para baixo em vergonha. Sabia que estava, mas ouvir em voz alta era muito diferente. – Realmente ficou acordado a noite toda? 

– Sim, senhor.  

Fui breve. Não queria falar algo que não fosse apropriado para o momento. Ele acenou, sem comentar mais sobre isso, agora voltando a atenção ao assunto principal. 

– O seu design... – Disse, propositalmente demorando para que minha ansiedade se fizesse presente e eu começasse a arrancar as cutículas com os dedos, sentindo a pele arder após a lesão. – Está bom. 

Assenti, tentando não demonstrar uma reação exagerada, mas a verdade é que realmente não havia sentido nada demais. 

– As cores estão melhores e essa fonte é perfeita. O desenho em comparação ao outro não deixa dúvidas de qual animal é esse ou qual o seu propósito nesse design. – Enquanto falava, apontava para os elementos que estava realçando, alternando o olhar entre mim e a tela do computador. – Ainda terei que mandar para a equipe de revisão, pois a composição está meio bosta. Mas, em geral, está melhor. 

Ele havia falado tanto. Havia me elogiado muito mais do que eu esperava, então porque tudo o que eu sentia era uma pontinha de frustração lá no fundo do peito? 

– Pode voltar ao seu lugar. – Declarou por fim, se levantando para ir até as organizadoras que haviam no fundo da sala, abrindo uma das gavetas e retirando alguns papéis de lá. – Apenas se lembre de entregar o relatório no final do expediente. 

Era a confirmação de que eu não seria demitido, não hoje. Queria estar animado, queria sair com um sorriso no rosto depois dessas palavras, mas a cara de cu não mudava. E o senhor Jeong não parecia se importar nem um pouco, se sentando novamente e começando a ler os documentos que havia pegado. 

Temendo que mudasse de ideia, me levantei de uma vez, saindo dali quase que emburrado. Os braços cruzados e os passos firmes faziam parecer que eu havia ouvido algo ruim, mas era totalmente o contrário. Quando cheguei no cubículo, resolvi me focar totalmente na realização do relatório, tentando não me distrair com pensamentos sem sentido. 

– Levou bronca, foi? – Reconheci a voz do meu amigo, erguendo o olhar para encontrar Wooyoung apoiado na parede baixa do cubículo, que alcançava seu peitoral. Ele me olhava com uma expressão de pena, pois sabia como era ser esculachado pelo chefe. 

– Sim. – Disse, me referindo ao dia anterior, evitando ter que explicar porque estava triste ao receber um elogio. – Mas já foi resolvido. Vou me esforçar mais. 

O Jung deu uma risada, se esticando para conseguir me dar um peteleco na testa. Fiz uma careta de dor, pondo a mão no local. 

– O famoso comportamento robô pós-bronca. Relaxa amigo, daqui a pouco você volta ao normal. 

– Vou relaxar quando estiver em casa. – Retruquei, resmungando. Ele riu novamente e voltou ao seu lugar, sem se despedir apropriadamente. 

Eu estava estressado, só isso. Já se passavam das 24 horas sem dormir, além do lembrete constante em minha mente de que se errasse algo, não teria mais como pagar meu aluguel e minhas contas, além da minha cachaça semanal. É claro que estaria como um robô.  

É o que eu queria me convencer. Mas sabia que havia algo a mais ali. Uma frustração que não sabia explicar, mas que era muito irritante. 

Meia hora antes da hora de saída, me dirigi até a sala de impressões, que como sempre, estava vazia. Muitos funcionários possuíam uma impressora em seus próprios cubículos para não precisarem ir até ali, mas eu gostava de matar tempo andando por aí até que o horário de bater ponto estivesse perto. Novamente coloquei a cadeira na frente da máquina, me sentando para esperar que as folhas estivessem todas impressas. O relatório do projeto havia dado cinco folhas, pois eu tinha tido ideias demais que no fundo nem foram utilizadas, mas precisavam ser descrevidas de qualquer forma.  

Aquele aparelho era um saco, e eu já estava considerando comprar o meu próprio quando novamente fiz a burrice de apoiar a cabeça sobre o balcão. Ouvi o bipe da impressora no que me pareceram segundos, me fazendo abrir os olhos pesados e notar que, novamente, já estava escuro.  

Xinguei todos os meus antepassados, pegando os documentos e saindo tão rápido dali que estava quase tropeçando nos meus próprios pés. A sensação de deja vu estava fortíssima ao que eu atravessava o labirinto até chegar ao meu assento, pegando minha bolsa e dando o fora. Fiz questão de manter o pescoço duro para não olhar nem um segundo em direção à sala envidraçada, apressando o passo para me ver na parte de fora rapidamente. E quando cumpri esse objetivo, respirei fundo, querendo chorar de emoção ao pensar que finalmente poderia ir pra casa, tirar aquela roupa suja, tomar um banho bem quentinho e me jogar na cama, dormindo até o dia seguinte. 

Mas essa alegria não demorou muito, pois foi só pegar as chaves do carro dentro da pasta que eu me lembrei que... não havia carro. Eu tinha vindo de ônibus na segunda feira, então meu carro estava bem bonitinho na minha garagem, a uma hora de distância. Quis gritar ali no meio do estacionamento mesmo, mas me contentei com alguns resmungos chorosos enquanto me dirigia até o ponto de ônibus. 

Se tivesse saído no horário certo, não demoraria até avistar o grande veículo surgindo no horizonte, devido à grande demanda de funcionários saindo de seus empregos. Porém, era uma hora e meia depois do horário de pico. O ponto estava vazio e os ônibus passavam de duas em duas horas. Tentei me tranquilizar e pensar que poderia esperar só mais trinta minutos, mas existia a possibilidade de que ele se atrasasse, e não era baixa. 

Observava os carros passando por mim, rápidos, apressados para chegarem ao seu destino, assim como eu estava, mas não podia fazer nada senão esperar. Apoiei a cabeça na parte metálica do assento do ponto, fechando os olhos quando um farol quase me cegou. Estava pronto para xingar o filho da mãe assim que a luz se esvaísse, mas a desgraça continuou me cegando por alguns segundos. Coloquei a mão na frente do rosto para que pudesse enxergar o que estava acontecendo, e pude observar quando o carro chique parou à minha frente. 

– Esse é o relatório do projeto de hoje? – Foi como ele me cumprimentou, apontando para os papéis que eu tinha em mãos. 

Era Jeong Yunho, em seu carro que valia milhões, me olhando como se fosse me atacar a qualquer instante. E enfim senti meu coração disparar. Não é possível que ele ia me dar uma bronca, ali, no meio da rua. Esse pensamento me fez ficar nervoso pela possibilidade, quase como se esperasse por isso. 

– Sim... eu acabei dormindo na sala de impressões e todos já tinham ido embora. Desculpe, senhor Jeong. 

Ele fechou os olhos, como se estivesse se segurando para não gritar comigo, e apertou o volante com força. 

– Mingi, por que você é tão irresponsável? – Disse, ainda de olhos fechados, mas os abrindo ao final da frase. 

Abaixei o olhar, com as bochechas queimando. Lá estava a vontade de sorrir novamente, lutando para conseguir realizar esse desejo. 

– Entra no carro.  

Foi o que ouvi, e pensei ter imaginado. O olhei, surpreso, querendo confirmar se havia escutado certo. Ele tinha a famosa expressão irritada e olhava pro lado oposto do que eu estava. 

– Oi?  

– Entra no carro, Mingi. Você vai esperar horas aí – Falou, mais firme, me enviando um arrepio que desceu toda a minha espinha. 

Não me fiz de difícil. Me levantei, mesmo com dificuldade pelas pernas bambas, e fui até a porta do passageiro. Ao puxar a maçaneta, porém, percebi que ainda estava travada. Estava prestes a pedir para que liberasse a tranca, quando ele se pronunciou. 

– Não somos tão íntimos assim, Song. Você vai no banco de trás. 

A vergonha que eu senti não tem nem tamanho. Olhei de um lado para o outro, procurando alguma pessoa que podia ter visto aquela cena, mas a rua ainda continuava praticamente vazia. Abri a porta de trás e fui agraciado pelo perfume do carro, que não consegui decifrar se vinha do próprio automóvel ou do dono dele. Me sentei no banco, me arrastando um pouco mais para o meio, e fechei a porta com delicadeza para que não corresse o risco de levar uma bronca, o que não funcionou. 

– Ainda tá aberta. 

Por que eu sou tão patético perto dele? Por que sempre faço algo errado, o que acaba numa repreensão instantânea, e quando finalmente faço as coisas certas, me sinto vazio?  

Murmurei um pedido de desculpas, fechando a porta com um pouco mais de força para que ele finalmente pudesse dar partida. Ele estava indo para o lado contrário da minha casa, mas não seria eu quem diria alguma coisa. Talvez ele quisesse me levar para algum lugar e eu já estava imaginando a história inteira em minha cabeça.  

– Você pede desculpas demais. – Disse, de repente, me olhando pelo retrovisor. Seu olhar era afiado, como sempre, e nunca falhava em me deixar nervoso. Me senti intrigado por suas palavras, tentando raciocinar porque ele se importava com isso. – Não quero que fique se desculpando por tudo a partir de agora, entendeu? 

– Sim, senhor. – Tive que me controlar para não soltar um pedido de perdão novamente, pressionando os lábios um contra o outro enquanto abaixava a cabeça. Passei a me concentrar nos meus dedos como se fossem a coisa mais interessante do mundo, querendo me distrair do clima tenso que ele emitia. 

– Você ainda não me deu seu endereço. Quer que eu te leve pra minha casa? 

Engasguei com a pergunta, o olhando surpreso, só pra garantir se era sério. Mas ele continuava com a expressão firme, não confirmando ou negando minhas dúvidas. Mesmo assim, não queria ser entendido errado, decidindo que era melhor ir pra casa. Ainda estava morrendo de cansaço, afinal. Só ficava extremamente alerta ao seu redor. Assim que falei meu endereço, suas sobrancelhas se franziram. 

– É para o lado oposto do que estamos indo. – Disse, e eu confirmei rapidamente. – Por que falou isso só agora, então? 

Não recebendo uma resposta, ele suspirou, balançando a cabeça. 

– Mingi, eu juro que tento não brigar com você, mas parece que você faz de propósito. – Disse, me dando uma olhada cortante pelo retrovisor antes de virar o volante com tudo no retorno, fazendo os pneus reclamarem com um barulho consideravelmente alto. Me segurei nos bancos a minha frente, sentindo meu coração bater feito um louco. Tinha conseguido o deixar irritado. – Coloca a porra do cinto, qual o seu problema? 

Ele tinha aumentado um pouco o tom de voz, e eu não demorei a fazer o que havia mandado. As mãos estavam trêmulas, e foi com muito esforço que consegui puxar o cinto até o comprimento suficiente para encaixá-lo no feixe. O conjunto de tremedeira e mãos suadas faziam esse ser uma tarefa praticamente impossível de se realizar, pois a cada vez que eu tentava encaixar a peça, minhas mãos escorregadias dificultavam o processo. 

– Você é patético. 

Ouvi sua voz dizer, claramente, como se fosse bem perto do meu ouvido. Fechei os olhos, sentindo o resultado daquelas palavras bem no meio de minhas pernas. Não devia estar sentindo isso. Era errado, era sujo, era... patético. Ele só estava dizendo a verdade, e mesmo assim, me sentia humilhado. E essa humilhação fazia meu corpo reagir de forma estranha. 

Minha respiração estava desregular agora, mas eu finalmente havia conseguido colocar o cinto. Com isso, tive que me mover totalmente para o banco do meio, onde estava completamente exposto. Queria mudar para o lugar ao lado, mas não sabia se conseguiria me mexer mais rapidamente, acabando por passar pelo mesmo sufoco duas vezes. Tive que me contentar em fechar as pernas com a força de vontade que encontrei em meu corpo, temendo que ele percebesse algo de estranho por ali. Recostei a cabeça no apoio do banco, tentando respirar direito.  

A mão de Jeong Yunho se ergueu, ajeitando o retrovisor para que pudesse ter uma visão melhor de onde eu estava. Meus batimentos cardíacos poderiam ser ouvidos claramente caso estivéssemos em completo silêncio, e tenho quase certeza que ele conseguia ouvir minha respiração ofegante. Agora eu também podia olhar seus olhos novamente pelo pequeno espelho, e não sabia se isso era bom ou ruim. Só sei que continuei a observá-lo pelo caminho inteiro, achando entretenimento em como ele desviava o olhar quando encontrava o meu. Tive que cruzar os braços firmemente em meu peitoral, pois sabia que se os deixasse livres, iria querer aliviar a ereção que somente crescia a cada minuto. 

Foi no meio do caminho que eu percebi o quão pervertido eu era. Estava totalmente jogado no banco, de pernas agora abertas e braços cruzados, olhando diretamente para o meu chefe no banco do motorista, com uma bela barraca armada. O pensamento de me esconder no banco ao lado era só uma tentativa do meu cérebro de dizer que eu não era tão mal assim. Porém, agora, eu desejava que ele percebesse. Queria que visse o quanto suas palavras me influenciavam da maneira mais suja possível, e tomasse alguma atitude. E essa realização me trouxe um sentimento pesado ao peito. O que caralhos eu estava pensando? Era realmente tão tarado assim? 

Por isso, me ajeitei no banco, olhando a paisagem passar pelos vidros escuros, agora sendo capaz de reconhecer as ruas. A vergonha havia aumentado e o Jeong não tinha se pronunciado uma única vez após a última frase.  

– Pode me deixar aqui, senhor Jeong. – Disse, meio baixo, mas sendo prontamente ouvido. Ele estava calado demais, e isso poderia significar que tinha percebido a cadela no cio que havia colocado dentro do seu próprio carro, sentindo nojo de mim nesse exato momento.  

O carro parou, e tirar o cinto foi mil vezes mais fácil por só precisar apertar um botão. Antes que eu pudesse abrir a porta do carro, entretanto, Jeong Yunho se virou no banco, estendendo a mão pálida em minha direção. Com a palma da mão para cima, ele esperava algo, me olhando sem dizer uma palavra. 

Não pude decifrar o que queria, agindo sem pensar ao que ergui minha própria mão e coloquei sobre a sua. Sua pele era quente e macia, e minha mente foi rápida ao imaginar quão gostoso seria seu toque por todo o meu corpo. 

– O relatório, idiota. – Foi o que ele disse, retirando a mão de baixo da minha apenas para estendê-la novamente. 

Minhas bochechas queimaram enquanto eu alcançava o documento ao meu lado no banco, o entregando e abrindo a porta o mais rápido que pude. A fechei com mais força que o necessário, mas não dei tempo para que ele reclamasse, me reverenciando com pressa e agradecendo pela carona, correndo até o prédio em seguida. 

Nunca subi as escadas tão rápido como agora, sentindo minhas coxas arderem no processo. A porta do meu apartamento parecia um portal para o paraíso depois de dois dias sem entrar naquela casa. A primeira coisa que fiz ao entrar foi jogar todas as minhas coisas no chão, tirar a roupa e seguir para o banheiro. Era patético o modo como tinha que andar devido ao incômodo de ter um pau duro latejando por contato.  

Abri o registro do chuveiro e até a água batendo sobre a minha pele foi motivo para que soltasse um gemido. De olhos fechados, procurei o sabonete cegamente pelas paredes, acariciando meu corpo com ele assim que o encontrei. O cheirinho bom invadiu minhas narinas, me fazendo esquecer do perfume intoxicante que o carro de Jeong Yunho exalava. Ao ensaboar meu pênis, tive que me apoiar na parede para que minhas pernas não cedessem. 

Larguei o sabonete no seu local de origem novamente, apenas para passar a me masturbar com rapidez.  

“Você é patético”, ele disse, e mesmo que eu não estivesse olhando para ele, sabia que portava uma expressão raivosa. Seus olhos me incendiavam enquanto ele me observava como se eu fosse a criatura mais estúpida que já havia conhecido. 

Tenho certeza que ele havia percebido que eu havia ficado duro dentro do seu carro. E devido a sua reação, provavelmente estaria sentindo nojo de mim agora.  

“Sua cara de vadia é tão ridícula, Mingi”, ele diria, e eu deixaria que me estapeasse se quisesse. Na verdade, ele não precisaria de permissão. Ele sabe que pode fazer qualquer coisa com um ser inferior como eu. Ele sabe que sou completamente submisso aos seus desejos. 

Meu corpo não conseguia mais permanecer na mesma posição, e eu me inclinava para a frente, sentindo tanto em tão pouco tempo. Minhas pernas tremiam e meu baixo ventre queimava em antecipação ao orgasmo. 

“Não me suje com essa porra nojenta, imbecil”, o Yunho em minha cabeça pronunciou, e eu assenti, respondendo a uma imaginação, chegando ao ápice segundos depois. A água do chuveiro foi rápida ao levar meu esperma pelo ralo, eliminando qualquer traço da cena que havia acabado de acontecer. Terminei o banho no automático, com a respiração ofegante e os músculos fracos, mal me secando direito antes de cair na cama, dormindo pouco tempo depois. Estava exausto, e algo me dizia que isso não passaria tão fácil assim. 


Notas Finais


somos todos patéticos rsrs


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