História Insólitos - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Army, Bts, Doenças, Hetero, Jhope, Jimin, Jin, Jungkook, Nanjoom, Romance, Suga
Visualizações 19
Palavras 5.234
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ahhhhh finalmente ^^ um novo capitulo!
GENTE! Eu realmente ia demorar muito mais para postar ele, mas, como sou alguém legal, decidi postar ele hoje kjkk
A meta era 20 inscritos, chegamos a 15 (Foi perto kjkkkk) Enfim, antes de lerem o capítulo tenho alguns avisos IMPORTANTÍSSIMOS Sobre a Fanfic! Então leiam eles! E desde já, obrigada a quem favoritou, vocês não vão se arrepender! ^^

1. O nome dos meninos são todos os nomes reais deles, menos o do Jungkook que eu decidi deixar o "Kook" no final, de propósito. Em algumas mensagens que eu mandei, para divulgar a Fanfic, eu usei o nome artístico deles, isso foi um erro meu, me perdoem!

2. Tirando o nome de Min Syah, todos os outros nomes dos personagens originais tem um significado que caracteriza a personalidade deles hehehe se quiserem pesquisar fiquem à vontade! :)

3. A Fanfic terá um "playlist" sim! kjkk Nesse capítulo vocês já verão uma música ^^ PELO AMOR DE YOONGI, por mais que vocês não ouçam a música leiam a tradução que eu vou colocando no decorrer do capítulo pois a música, na maioria das vezes, vai definir o que a personagem está sentido na hora (ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA A FANFIC)

4. Por mais que na capa tenha o Jungkook e a Hyun-Ae eles não são os únicos personagens principais. Na verdade, todos os meninos são.

5. Em alguns momentos da Fanfic o personagem vai "quebrar" a quarta parede e falar com você, vai parecer bem estranho, mas é normal :p

6. Por mais que eu tente representar a Coréia, nem tudo vai ficar parecida com ela, principalmente o ensino de lá. Uma das únicas coisas que estão valendo é que a idade para entrar no "Ensino Médio" lá não é exata, varia entre 16 à 18 anos.

É isso! Se eu tiver mais coisa para dizer eu digo nos próximos capítulos!

Boa leitura e desculpem os erros ortográficos! ^^

Capítulo 2 - O Planeta Plutão


Fanfic / Fanfiction Insólitos - Capítulo 2 - O Planeta Plutão

Hoje vou tentar falar sobre um dos planetas mais injustiçados do nosso sistema solar, Plutão. 
Achou errado eu chamar Plutão de um planeta? Dane-se, eu acho que ele ainda é um planeta! 
Enfim... não pule esta parte, prometo fazer o meu melhor para não tornar isso uma explicação tão científica.

Plutão, também conhecido como 134340 – 90% das pessoas não leram o número inteiro –  foi considerado um planeta até 2006. Ele foi descoberto apenas em 1930 e começou a ser questionado se era realmente um planeta em 1992. 
Ou seja, Plutão começou a tomar no cu bem antes de ser retirado da sua sociedade, no caso o sistema solar, e sofreu com essa dúvida em cima de si até ser "jogado fora".
Ok, ok. Por que estou falando essas coisas? Bem... porque eu me considero Plutão, eu sei pelo que ele passou e, até hoje, questiono o porquê fui jogado fora da sociedade.

Acho que Plutão também deve questionar isso.

~Diário de Hoseok~

 

Jung Hoseok:

Flash Back On

 

— 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10! Lá vou eu! – Começo a correr pelos corredores da minha casa a procura de Jaime, meu novo melhor amigo. – Onde está você, Jaime?! Eu vou te achar! – Olho em todos os lugares da cozinha e nada de achar Jaime. Fico frustrado.

Tinha certeza que ele estava aqui!

Penso um pouco e um lugar vem em minha mente, o quarto da mamãe. Antes mesmo de abrir a porta do quarto eu ouço risadinhas baixas e  um grande sorriso se abre em minha boca.

— Te peguei! – Falo abrindo a porta e Jaime está tentando ir para baixo da cama de mamãe. – Nem tente se esconder, já te achei.

— Aigoo, como você me achou? – Ele pergunta com uma cara triste.

— Não fique triste, você nem sabe se esconder direito, ri mais alto que uma hiena! – Jaime gargalha e eu rio com ele.

— Filho? – Olho para a porta assustado, minha mãe está em pé me olhando de cima para baixo.

— Que foi, mãe? – Vou até ela e a mesma me coloca no colo.

— Estava falando com quem, meu amor? – Estranho o fato de ela não estar vendo Jaime na sua frente, mas respondo.

— Ué, mãe... com meu amigo Jaime. – Aponto para o pequeno ser humano com o nariz escorrendo e os cabelos bagunçados na minha frente.

— A-ah... claro. Jaime... – Minha mãe me coloca no chão e me adverte para ter cuidado.

 

...

 

Na hora do jantar estranho mamãe não me chamar para comer, então vou até ela. Quando chego na porta da cozinha vejo que o clima não está muito bom.

— Por que você está tão preocupada?! É apenas um amigo imaginário, ele tem cinco anos! – Papai diz enquanto coloca os talheres na mesa.

— Não, não é apenas um amigo imaginário! São vários toda a semana! Isso não é comum! – Meu pai bate com força a mão na mesa.

— Ele é um garoto normal e saudável! Acabou a conversa! Hoseok venha aqui! – Engulo em seco e finjo não ter ouvido a discussão que acabara de acontecer.

— Sim, papai? – Ele se aproxima de mim com um olhar severo.

— Não fale mais com esses seus amigos, certo?

— Mas... com quem eu vou falar?

— Converse com gente real e apenas isso! – O tom de voz dele aumenta gradativamente e isso me assusta.

— E-eu... não tenho amigos reais...

— Todo mundo normal tem amigos reais! É claro que você também tem!

— Mas pai...

— Já está decidido! Não quero você perambulando pela casa e falando sozinho. – Papai me interrompe. Um pouco hesitante, confirmo com a cabeça.

— Certo pai...

 

 

...

 

A tática de papai não deu muito certo pois, no fim, eu voltei a falar novamente com meus amigos. 

O que eu posso fazer? Eles parecem bem reais para mim.

— Demônio.

— Quê?... – Minha mãe pergunta me puxando para mais perto dela.

— Seu filho está possesso de demônios. – O pastor fala.

Existe muitas igrejas na Coréia e, quando se fala de um garoto que vê gente imaginária, é o primeiro lugar que mandam te levar.

Hãm... tem certeza disso? – Mamãe insiste em questonar.

— Absoluta. Ele está endemoniado. – Meu olhos se enchem de água. Eu não sei porque me acusam disso, eu só brinco com meus amigos.

— E... e o que podemos fazer para que ele possa parar de falar com esses amigos?

— Demônios. – O pastor corrige. – É bem simples, na verdade. Venha aqui Jung Hoseok.

— Mamãe... – Me grudo na minha mãe. 

O que eu devo fazer? Eu tenho medo de pessoas que me vêem como alguém mau.

Eu não sou mau.

— Vai ficar tudo bem, meu amor. Vai ser rápido. – Engulo em seco e vou até o pastor que está com uma cruz na mão.

— Fique calmo rapazinho, só quero te ajudar... – Ele abre um sorriso que, de alguma maneira, me faz ficar calmo.

— Ta' bem... – Me aproximo mais do pastor e ele coloca sua mão em minha cabeça.

— E A PARTIR DE AGORA... – Arregalo os olhos com sua tonalidade de voz. — EU REPREENDO TODO CAPETA EMPREGADO NO CORPO DESTE MENINO!

— Mamãe... – Sussurro e sinto uma lágrima descer dos meus olhos.

— [...] TODO DEMÔNIO QUE VEM CAUSANDO O MAL E FAZENDO ESTE MENINO SE TORNAR MAU [...]

— Eu não sou mau...– Falo baixinho.

— [...] SAI! SAI! – Enquanto ele diz isso ele também empurra minha cabeça com muita força. 

Acho que o pastor está me obrigando a cair igual eu vi acontecer com muitas pessoas que foram até às igrejas.

— Como você se sente? – Ele, por fim, pergunta.

— Hãm... normal.

 

...

 

Não foi necessário nem 3 dias para eu voltar a "criar amigos imaginários"
Meus pais correram atrás de várias pessoas e, quando diziam para eles procurarem um psiquiatra, eles negavam com todas as forças que eu tinha algum problema psicológico.
Depois de muita insistência, um psiquiatra veio em minha casa e me observou por um dia, enfim constatou que eu tinha esquizofrenia.

— O quê?!!! – Meu pai pergunta abismado.

— Eu sei que é difícil de aceitar mas não se preocupem, ele tem um tipo de esquizofrenia baixa. Muitas pessoas precisam viver isoladas quando tem esquizofrenia porque machucam outras pessoas.

— E-ele nunca machucou ninguém... – Mamãe fala com os olhos cheios de lágrimas, provavelmente abalada pela descoberta.

— Então isso é bom! Ele pode conviver em sociedade, por enquanto.

 

...

 

Acordo assustado com os trovões do outro lado da janela. Está chovendo muito forte.
Me levando da cama e ando pelos corredores até o quarto de meus pais, eles ainda estão acordados conversando.

— Eu não vou criar um filho louco! – Meu pai diz com muita raiva.

— Ele não é louco é nosso filho!

— Ele é maluco! Não posso mais andar na rua e já começam os sussurros! "O  pai daquele menino doido" "Ah, que pena, o filho desse homem é louco"! – Papai fala com uma voz engraçada, mas eu não rio.

Volto para o quarto e coloco as mãos nos ouvidos. Não quero ouvir os trovões e muito menos a briga de meus pais.

 

...

 

— Mamãe, vamos aonde? – Pergunto enquanto seguro sua mão.

— Quando... quando chegarmos lá você vai saber. – Estamos em uma rua deserta. Eu, mamãe e papai.

— Que tal a gente brincar de esconde-esconde? – Meu pai propõe.

— Sério?! Vocês vão brincar comigo?! – Uma alegria imensa surge em mim.

Se meus pais, finalmente, entendessem que eu não preciso criar amigos imaginários para brincar e que se eles fizerem isso comigo a minha vida, talvez, melhore a partir de agora.

— Certo, você começa. Conte até 50! – Arregalo os olhos e começo a rir.

— Eu vou passar a noite toda contando! Acho que eu nem sei contar isso tudo! – Meu pai e minha mãe riem, mas os olhos de mamãe estão cheios de lágrimas. – O que foi, mãe? Se não quiser brincar tudo bem, ta' tudo bem...

— N-Não é isso, meu amor. – Ela pigarreia e retira os fios de cabelo que caem sobre meu olho esquerdo.

— Tem certeza que quer brincar? – Ela confirma com a cabeça e, chorando ainda mais, beija a minha testa.

— Conte... – Eu sei que algo está errado mas decido não perguntar, não quero aborrecer eles que estão sendo muito legais comigo. 
Me viro para a parede da casa bege e começo a contar.

— 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 [...]

E essa foi a última vez que eu vi meus pais.

 

Flash Back Off

 

 

Capítulo 2 – O Planeta Plutão

 

 

Acordo gradualmente com um choro vindo do outro quarto. Penso em dormir de novo, pois estou muito cansado para levantar agora, entretanto me ponho de pé rapidamente ao supor que o choro vem do quarto de Namjoon.

— Namjoon?... – Corro até o quarto dele e o vejo encolhido no chão de costas para mim. – Namjoon!!! – Vou até ele e me assusto ao vê-lo  sangrando.

— Saia daqui! – Ele diz alto o que, provavelmente, vai fazer Jimin e Min Syah acordarem.

— Não! Pare com isso, pensei que você estava se recuperando bem! – Levanto ele com um pouco de dificuldade e vejo a enfermeira entrando no quarto às pressas.

— Meu Deus, me ajude a levantar ele! – Eu a ajudo a levantar Namjoon e vejo o mesmo chorando.

— Namjoon, você é mais forte que isso! – Jimin aparece com Min Syah na porta.

— Namjoon! – Syah corre até ele e o observa assustada. – Yah, yah! Por que você fez isso?!

— Por favor, ele não está mentalmente capacitado a responder nenhuma pergunta agora. – Mesmo a enfermeira alertando, ela continua gritando com Namjoon.

Enquanto isso observo Jimin na porta, ele parece confuso e assustado, seus olhos estão cheios de lágrimas. 
Eu conheço Jimin a um certo tempo mas, mesmo se não o conhecesse, saberia que ele é um jovem extremamente sentimental, que, com qualquer ato ou palavra dita, se magoa facilmente. 
Não me admira que ele esteja emocionado agora. Ver Namjoon nessa situação parte meu coração, imagine o dele?

 

...

Kim Taehyung:

 

— Mãe, já estou indo. – Minha mãe vem até mim, com um roupão velho, provavelmente para aquecer-se do frio, e estranha eu estar de pé tão cedo. Ainda eram seis e meia da manhã.

— Mas já filho? – Engulo em seco. O chefe me pediu para ir mais cedo para o trabalho hoje pois vou precisar dar uma limpa geral no mercado antes dos clientes chegarem.

"O mercado está um verdadeiro chiqueiro, preciso da sua ajuda amanhã, Taehyung. Venha mais cedo." Falou ele e eu não consegui discordar, eu precisava daquele dinheiro extra.

— A-ah... é que eu preciso fazer o trabalho com uns amigos na escola mais cedo hoje, não tivemos tempo ontem. – Minha mãe estala a língua, notoriamente incomodada com isso, e abre a geladeira.

— Certo... – Ela pega uma caixa de leite e coloca um pouco no copo para mim. – Mas você não acha que esse estágio que você está fazendo a noite, na sua escola, não está atrapalhando em suas obrigações escolares, Tae?

— Mãe! – Odeio quando ela fala do meu "estágio", pois, se a mesma não percebeu, é ele que faz com que a gente não viva mais ainda na miséria.

— Desculpa, desculpa! – Ela diz. Pego o copo de leite e bebo um gole. – Mas eu realmente quero que você foque nos estudos esse ano, compreende isso filho?

— Sim, compreendo. E-eu já vou indo. – Coloco a bolsa nas costas e beijo a bochecha dela. – Até depois, mãe.

 

...

 

Depois de pegar os dois ônibus, faço minha caminha de 15 minutos a pé.

Já andei uns 8 minutos, ainda faltam algumas ruas para eu chegar ao meu destino. Minhas mãos estão dormentes por causa do frio que persiste em me atormentar todos os dias. Hoje parece que esse frio está insuportável, mesmo sendo um dos dias mais quentes dessa semana – máxima de 16 graus Celsius –. As palavras de minha mãe ecoam em minha mente sem parar;

"[...] quero que você foque nos estudos esse ano, compreende isso filho?"

"[...] quero que você foque nos estudos esse ano [...]"

"[...] quero que você foque nos estudos esse ano [...]"

"[...] quero que você foque nos estudos esse ano [...]"

"[...] quero que você foque nos estudos esse ano [...]"

Paro de andar e, mesmo sem olhar, tenho certeza que as pessoas devem estar me fitando na rua, afinal, ninguém para de andar do nada e observa o chão por vários minutos. 
Sinto meus olhos encherem de lágrimas.

Eu não sou alguém bom, por que você me acha bom?

Por que chora ao ouvir minha história?

É tudo uma farça, eu sou mau.

Sou um imundo, um miserável mentiroso, um lobo em pele de cordeiro, um louco que acha que pode conseguir tudo com um bom carisma, um... um...

Respiro fundo, meus olhos ainda estão cheios de lágrimas.

Procurar argumentos que descrevam a incógnita que sou eu é algo extremamente trabalhoso.

Procure o adjetivo que mais der repulsa em sua mente e use para me definir, apenas faça isso.

— Kim Taehyung, v-você é um imprestável... – Sussurro para mim mesmo e tenho certeza que, naquele momento, vou me acabar de chorar, mas isso não acontece.

O que era para ser um choro se transforma em uma gargalhada profunda, rio como se alguém tivesse me contado a história mais engraçada do mundo, rio ao ponto de me abaixar pois a minha barriga dói demais. Limpo as lágrimas que estão em meus olhos, não lembrando do porquê elas estarem ali, e largo minha mochila em qualquer canto da rua. Enfio a mão no bolso e pego minha carteira, nela há dinheiro suficiente para eu fazer muitas coisas naquele dia.

Hoje eu vou quebrar todas às regras, afinal, eu sou V, eu sou incrível.

 

***

Hyun-Ae:

 

— Mas você conhece a associação que vamos ajudar? – Pergunto.

— Hum... qual o nome dela? – Jungkook questiona ajeitando a mochila nas costas.

— É a Associação Quinze.

— Já ouvi falar, m-minha mãe queria me por nela no ano passado. – Ele enfatiza olhando para o chão. 

— Seus olhos, são bonitos. Posso ver eles? – Pergunto sem um pingo de vergonha.

— Hyun-Ae! Para de passar vergonha. – Jin diz com raiva. Ignoro ele e observo Jungkook dar alguns passos para trás.

— E-eu já vou embora. – Sem ao menos esperar nossas respostas, ele corre para a porta principal.

— Poxa, você está passando dos limites. Eu sei que ele é bonito, mas não exagere! – Pego meu caderno de mão e bato contra a cabeça dele. – Ai! Aigoo!

— Yah! Não estou fazendo isso porque ele é bonito! – Abro o caderno e mostro minhas anotações para Jin.

— O que é isso? – Ele questiona alisando a cabeça onde eu, à uns 5 segundos atrás, bati com o caderninho. 

— Ontem eu fiz uma pesquisa minuciosa de como é um autista.

— Pelo amor de Deus... – Ele resmunga e eu prossigo com minhas explicações.

— Pode ver, está tudo aí! Eu não acreditei que ele era autista, ele é muito, muito...

— Sexy?

— Sexy para ser um autista. – Tapo minha boca na mesma hora, e fito Jin com um olhar mortal. Ele abre um sorrido vitorioso.

— Você está caidinha pelo Jungkook, céus! – Jin ri alto, o que me faz ficar com mais vergonha ainda. Pego meu caderno, com toda força que tenho, e entro com passos pesados para dentro da escola.

— Vai se fuder, Jin! Vai se fuder! – Uma professora, que estava na minha frente, arregala os olhos mas eu apenas ignoro.

— Espera, espera! – Sinto que ele está se aproximando de mim e acelero mais ainda os passos. – Isso é sério?! Isso é mesmo sério?

— E o que importa?! Quer ver a pesquisa ou não?! – Sinto as mãos de Jin segurarem meu ombro me fazendo, obrigatoriamente, o olhar nos olhos.

— Cara, eu sou seu amigo... – Ele olha para os lados e abre a porta de uma sala que estava do nosso lado. A sala está vazia. – Você... Você...

— Caraca, eu já disse que isso não importa!

 

Kim Seokjin:

 

Fecho a porta da sala e sinto o caderninho de Hyun-Ae atingir minha cara, novamente.

— Você vai ler esta bosta ou não?

— Carismática você, hein... – Pego o caderninho e vejo sua caligrafia perfeita em preto. 

Sintomas do autismo:

Dificuldade na interação social;
Dificuldade na fala;
Dificuldade no contado olho a olho;
Não gosta de barulhos altos;
Gira objetos redondos compulsivamente;
Tem algum tipo de TOC por organização da maneira que se sente bem;
Gestos repetitivos e, na maioria das vezes, sem sentido algum;
Odeia mudança de hábitos no dia a dia.

Respiro fundo e fecho o caderno.

— Não tem todos os sintomas aí, mas eu listei os mais importantes. Na verdade, isso varia de pessoa para pessoa. – Passo a mão nos cabelos e entrego o caderno a ela.

— Pare com isso imediatamente. – Hyun-Ae franze o cenho sem entender. – Não o trate como um rato de laboratório.

— N-não... eu não estou fazendo isso, eu só...

— Ele odeia chamar a atenção, se ele descobrir dessa sua "listinha" vai ficar muito magoado. Isso é sério Hyun-Ae. – Ela engole em seco e olha para o chão. – Se você gosta mesmo dele, não faça isso. Ele odeia esse tipo de coisa.

— E-eu não sabia, me desculpa... — Me aproximo dela e a abraço.

— Certo, certo. Só jogue isso fora e o trate como uma pessoa normal, pois é exatamente isso que ele é.

— Ok, desculpa. – Sinto seus braços me apertarem mais forte.

— Mas... você gosta dele?

— Vai se fuder! – Ela me solta e sai da sala. Apenas rio e a acompanho.

 

***

Park Jimin:

 

Estou acompanhando Hoseok até a escola, ele disse que era a única de Ensino Médio naquela região.

— O hyung... ele vai ficar bem? – Me refiro a Namjoon que, naquele momento, deveria estar recebendo cuidados das enfermeiras.

— Hãm... eu não diria "bem", mas ele vai se recuperar... – Hoseok respirou fundo e parou de andar. – Hoje... hoje é o dia da morte da família dele. Eu sou um idiota por ter pedido para que ele te ajudasse com a matrícula de sua escola. Aigoo... – Sinto meus olhos encherem de lágrimas.

— Desculpa, e-eu não queria ser um incômodo, a gente pode voltar. – Hoseok abre um sorriso de orelha a orelha, mesmo que falso, e passa a mão em meus cabelos.

— Jimin, não chore. Eu estou adorando ser o seu responsável. Agora, você tem que parar de ser tão... tão sensível. — Engulo em seco e concordo com a cabeça.

— Você tem razão, hyung. Eu preciso me controlar. – Ele confirma com a cabeça e volta a andar.

— Não ache que eu sou alguém insensível por te dizer isso, só não quero que você se machuque. – Uma alegria invade meu interior, era bom saber que ele se preocupava comigo.

— Jung Hoseok?! – Ouço uma voz chamar o nome do hyung e olho na direção dela, é um senhor de meia idade dentro de um carro que parecia custar os olhos da minha cara.

— Min Sang-Ook? – O sorrido de Hoseok se torna maior ainda e ele vai até o carro. Eu o acompanho. – Uah, o que faz aqui?! Eu-eu estou abismado! – O tal Sang-Ook abre um sorriso simpático e olha para mim.

— Seu amigo? – Jung Hoseok confirma com a cabeça. Ele parecia extremamente feliz a ponto de não conseguir falar direito. – Aonde está indo? Talvez eu possa te dar uma carona.

— A-ah, estou indo na escola de Ensino Médio dessa região, senhor. – Min Sang-Ook arregala os olhos e abre um sorriso.

— Que coincidência, estou indo exatamente lá! – O hyung também ri e olha para mim aprovando a situação.

— Então, vamos. Ah, esse é Jimin! – Me curvo e aperto a mão do Ahjussi.

— É um prazer te conhecer, Jimin. Você pode ir ali atrás com meu filho? Tenho muito que conversar com esse rapaz. – Ele diz olhando para Hoseok, e vejo o hyung ficar vermelho na mesma hora.

— Com certeza, senhor. Eu me dou bem com crianças. – Ele gargalha e destrava as portas do carro. Estranho a atitude do mesmo, mas vou para a porta de trás do carro e me deparo com um jovem com cabelos negros mexendo no celular.

— Vamos logo, Jimin! – Hobi diz, já dentro do carro.

— Ah sim... – Olho para o espaço e vejo que o rapaz está sentado entre os dois bancos não me dando a possibilidade de sentar em nenhum. Acho que ele ainda não percebeu que eu estou ali. – Hacãm... – pigarreio, mas parece que ele está muito atento ao celular.

— Yoongi! – O senhor grita fazendo o rapaz voltar sua atenção a ele. – Pare de mexer nesse celular e dê espaço para o Jimin sentar, moleque!

Hãm? – O jovem olha para os lados e percebe, finalmente, que há mais gente no carro que apenas ele e seu pai. – Hum... senta aí.

— Obrigado. – O moleque, quero dizer; o rapaz nem ao menos tenta falar um "De nada", apenas bufa e coloca seus fones de ouvido novamente.

Corrigindo: Yoongi percebe que há mais gente no carro e não apenas ele, seu pai, e seu ego.

 

...

 

Nesse curto período, dentro de um carro com o Ahjussi simpático e o hyung, percebi que:

1. Aquele senhor era o dono da Associação que eu morava agora;

2. Ele é um Ahjussi muito legal e simpático;

3. O filho dele é o oposto disso. Ele não teve a mínima consideração de tirar os fones de ouvidos o caminho inteiro;

4. Hobi considera o Ahjussi um pai;

5. Aquele moleque ia estudar na mesma escola que eu;

6. Eu ia ter que fingir que gostava daquele idiota só para ter uma boa relação com o pai do mesmo;

7. Jung Hoseok foi quem deu o nome de Associação Quinze, à nossa associação.

— Chegamos. – Olho pela janela e vejo uma escola de tamanho intermediário, não chega nem perto das escolas da cidade grande mas é melhor do que eu imaginei.

— Que merda... – Ouço Yoongi sussurrar e a vontade que tenho é de voar em seu pescoço e enforcá-lo até a morte.

— Ótimo, muito boa. Adorei! – Falo entusiasmado, mesmo não gostando tanto assim da escola. Só queria contrariar aquela coisa que se denominava gente e que estava sentada ao meu lado.

— Bem, tempo é algo sagrado. Vamos logo! – Min Sang-Ook fala e desliga o carro.

 

***

Jeon Jungkook:

 

É hora do almoço e Jin está ao meu lado com uma bandeja na mão.

— Aquela sua amiga não vai vir a-até a gente, não é? – Pergunto na esperança de ficar um pouco em paz, pelo menos na hora do almoço.

— Yah, ela pode ser um pouco doida, mas, por favor, não a despreze. Acho que ela te acha bem legal. – Fito o chão e não falo mais nada.

— Jungkook, Jin! – É a voz de Hyun-Ae.

Sinto meu coração acelerar, meu corpo começa a suar gradativamente, minha respiração fica mais pesada e minha boca fica seca, isso tudo significa apenas uma coisa: Pavor de algo ou alguém. 

Uah, procurei vocês por todos os lados. Não se importam, né'?

— Na verdade você deveria ir p... – Antes mesmo de eu conseguir responder, ela entra na minha frente e pega uma bandeja. – Olha, você deveria estar de tênis branco e não rosa. – Indago ao olhar o seu tênis nos pés.

— A-ah... – Ela começa a rir, mas sua risada é um pouco forçada. – Eu acabei me confundindo e pegando esse, doido não?

Louca. Essa garota é louca.

— Por que você não admite q-que queria vir de tênis rosa? Assim você só se passa por louca. – Ela solta um suspiro sarcástico e cospe, de sua boca, a palavra "Inacreditável" quase inaudível por todos.

— Vamos parar com isso, estamos pegando o almoço agora. – Mesmo com Jin dizendo isso, Hyun-Ae olha em meus olhos, o que me incomoda um pouco e me faz olhar para o chão.

— Acho que você é a pessoa menos capacitada a me chamar de louca agora. – Ela diz. Arregalo os olhos e vejo Jin derrubar a bandeja no chão.

— Yah! Não sou... não sou eu que estou de tênis rosa e não fui e-eu quem cortei a fila do almoço! – Ela me olha de cima a baixo e tenho certeza que a mesma irá gritar comigo.

— Escute bem, meu querido. Eu to' pouco me fodendo para você e esse seu autismo! Mas não é porque você é um retardado mental que pode sair dizendo o que bem quer das pessoas! Você não sabe o porquê de eu vim de tênis rosa, então não me julgue!

— Agora já chega, Hyun-Ae! – Jin diz com a voz mais firme que eu ouvi nesses últimos anos com ele, nunca o vi tão bravo. Olho para os lados e todos estão olhando para nós.

— Eu, realmente, só quero ser sua amiga, por que você me trata com indiferença?! – Os olhos dela estão cheios de lágrimas, mas eu não ligo para isso e sim para os cochichos que estão ecoando por todo o refeitório.

Calma, Jungook. Calma, Jungkook...

— Yah, me responda! – Largo minha bandeja na primeira mesa que eu vejo vazia e corro para longe daquilo, para longe de tudo.

 

***

Jung Hoseok:

 

— Hum... pelo que eu estou vendo aqui, você parou de estudar no ano retrasado. – O diretor fala a Jimin que apenas concorda com a cabeça.

— Isso pode afetar ele de alguma forma? – Pergunto.

— Não, não! – Ele abre um sorriso simpático e olha para o loiro. – Só vai ter que ficar no setor vermelho pois lá tem um ensino mais  intensivo e vai ajudar ele a compreender a escola novamente.

— Isso é ótimo! – Jimin diz abrindo um sorriso e transformando seus olhos em meia lua.

— Agora, esse rapazinho aqui... – Ele olha para o filho de Min Sang-Ook. – Vai ficar no setor vermelho por más notas.

— Não é de se surpreender. – Ele diz em deboche.

O Ahjussi sabe muito bem que eu nunca gostei do filho dele e fico feliz por ele nunca ter me olhado de forma diferente por conta disso. Mas a verdade é que eu tinha grande receio em relação a Yoongi, por que ele era assim? Eu realmente tentaria compreendê-lo se eu soubesse o porquê dele ser daquele jeito tão... egoísta.

O diretor pigarreia e pega dois papéis que sairam na impressora do computador.

— A matrícula de vocês. Espero que se deem bem, ficaram na mesma sala. – Na mesma hora Jimin fita Yoongi com um olhar desesperador, ele quase perdia socorro com os olhos. 

— Mas... mas ele é mais velho que eu! Ele devia estar no terceiro ano e não no segundo! – Aperto os lábios para não rir da situação, o loiro realmente parecia desesperado.

— Jimin, esse moleque já repetiu de ano umas 5 vezes. Mas isso é bom, assim você pode ajudar ele nas tarefas, não é mesmo? – Sang-OokPergunta com um brilho de esperança nos olhos. Vejo Jimin engolir em seco.

— C-claro.... Claro Ahjussi... – Tapo a boca com a mão, ele realmente está quase chorando mas eu o entendo, também não ia querer ficar na mesma sala que Yoongi.

— Ótimo! Entramos em um bom acordo! – Uma gargalhada do diretor ecoa pela sala.

— Boa sorte. – Sussurro para Jimin e ele confirma com a cabeça.

 

...

 

Chego na associação e vou até o quarto de Namjoon. Jimin decidiu passar na casa de um amigo e eu o deixei ir, afinal, eu não sou seu pai, sou apenas seu amigo.

— Namjoon? – Vejo ele deitado na cama com um terno preto e os olhos fechados.

— Hobi?... – Me assusto com sua fala, pois pensei que o mesmo estava dormindo.

— Ah, eu te acordei? Desculpa. – Namjoon se senta na cama e pega uma caixa de madeira em baixo da cama.

Essa caixa, eu conheço ela. 

— Não, não... E-eu acabei de voltar... Fui visitar minha família. – Engulo em seco e, sem ao menos Namjoon pedir, me sento ao seu lado.

— Lamento muito. Desculpa te pedir para levar Jimin à escola, eu esqueci totalmente desse dia. – Ele balança a cabeça negativamente e eu vejo seus olhos cheios de lágrimas.

— Hobi... – Ele abre a caixa e pega uma foto de tamanho médio de dentro dela. – M-minha família.

Pego a foto e observo cada um. 
O irmão do Namjoon tinha um estilo mais roqueiro, os pais dele pareciam pessoas bem sucedidas.
Namjoon já está soluçando e chorando, eu abraço ele de lado.

— Ele t-tinha uma banda... – Namjoon abre um sorriso em meio as lágrimas enquanto olha para a imagem do irmão. – E-ele cantava muito bem... Eu ainda lembro dele cantando.

Não digo nada. Apenas observo Namjoon contar a história que conta todos os anos. São quase as mesmas palavras mas todos os anos, na data de 06 de março, eu o ouço e choro com ele, tenho certeza que o mesmo só precisa desabafar naquele momento.

E esse é mais um dia triste para Kim Namjoon.

 

***

Kim Seokjin:

 

— Você passou dos limites... – Suspiro um "Sinceramente" para Hyun-Ae e saio pelos corredores.

Merda, merda, merda!

Ando por todos os lados mas não acho Jungkook em lugar nenhum. Acho que ele precisa ficar só.

 

***

Park Jimin:

 

06 de março de 2018 (23h48):

 

Estou deitado na cama, minha barriga está dando voltas e mais voltas, aperto os lençóis da cama com muita força tentando ficar deitado.
Naquela tarde fui visitar o meu amigo e ele me ofereceu um hambúrguer e um copo de suco, eu não pude rejeitar por ele ser mais velho e uma pessoa muito generosa, mas sabia que comer aquilo traria consequências.
Viro para todos os lados possíveis da cama e não consigo dormir, a noite está fria mas eu não paro de suar.

Eu preciso fazer isso.

Me levanto da cama e vou até o banheiro no corredor da associação.

Não posso engordar.

Não posso engordar.

Não posso perder o controle!

Sinto minha garganta queimar e tudo que eu comi naquele dia sai de mim indo direto para a privada.
O gosto horrível de vômito permanece em minha boca e, quando eu penso em levantar, sinto, novamente, um queimar em minha garganta. Vomito outra vez.

— Que porra é essa? – Olho rapidamente para a porta. Apesar de estar tonto, vejo o filho do dono da associação, no qual eu não recordava o nome, me olhando.

— O... o quê? – Antes mesmo de eu conseguir me levantar tudo fica escuro, a última coisa que ouço é a voz do jovem chamando meu nome.

 

***

Hyun-Ae:

 

06 de março de 2018 (18h00):

 

Chego em casa e vou direto para o quarto. Eu não estou me sentindo nada bem.

(Música: Lily M - I'm Afraid – Link nas notas finais. Se você conseguir, aconselho que ouça  a música enquanto lê essa parte, é uma bela dica que não vai se arrepender.)

Solte o play agora.

Abro a porta do meu porto seguro e, a primeira coisa que vejo, é um sapato perto da cama. Observo o sapato que eu estou usando e o que está perto da cama, o que está no meu pé é mais escuro. Jungkook estava certo.

Merda...

Me aproximo da cama e deito na mesma. Pego os meus fones de ouvido e começo a ouvir uma música qualquer, eu realmente preciso pensar um pouco do porquê eu sou assim.

Eu não queria ser assim.


[...] Você desapareceu quando eu tentei te tocar, você simplesmente desapareceu.

Isso me machuca...


Como um sonho diferente, eu continuo me entregando de forma estranha à você (à você)
Não era isso o que eu pretendia fazer, não era isso
Sei muito bem que e não deveria ser desta forma
Mas quanto mais eu faço isso, mais eu sinto algo diferente em mim...

Sinto lágrimas quentes rolarem sobre meus olhos, aperto o travesseiro contra o meu peito com muita força tentando reprimir esses sentimentos.

Quero apagar você, pois você me faz ficar assim

Eu tenho tanto medo de você

  Quem é você para me fazer chorar?

Por favor, vá...
 

 

Não pare a música :)


Notas Finais


MÚSICA: https://www.youtube.com/watch?v=gd1rQHWH26A

A tradução não está 100% verdadeira pois eu queria deixar no mesmo ritmo da música kjkk mas não se preocupem, não perdeu o sentido dela.

Acho legal que você ainda esteja lendo isso com a música, para quem não parou ela kjkkkk


Só peço que, de coração, comentem e digam o que acharam do capítulo. Isso me estimula demais! :D


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