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História Insônico - Hitoshi Shinso x leitor - Capítulo 5


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Notas do Autor


eu espero que vocês gostem!

Capítulo 5 - 5 - Um péssimo dia para escolher faltar.


O jeito que Shinso havia reagido hora ou outra tornava a fazer parte de seus pensamentos, e você simplesmente não conseguia entender o porquê ele estava tão envergonhado, mesmo passando as outras duas aulas e a volta pra casa refletindo sobre o assunto. Só se dando por vencida quando se jogou na cama, decidiu que não seria bom pensar tanto nisso.

“Não é como se fosse importante de qualquer forma. Só sou curiosa demais”. Concluindo, você começou a refletir o que você faria para treinar. Você decidiu pelo de sempre.

Tomando um banho rápido e colocando roupas mais soltas, você saiu de casa para correr. Dessa vez você resolveu ver o quanto você aguentaria, o que sinceramente não foi muito, porém isso não te impediu de continuar correndo de forma desengonçada, com o único objetivo em mente de, pelo menos um pouco, melhorar suas habilidades físicas. Mesmo que você só fosse sentir o resultado em algumas semanas desse pequeno treino.

O ar era gelado e você estava usando poucas camadas de roupa, então você definitivamente estava tremendo, enquanto o suor e o calor da corrida te aqueciam de dentro pra fora. Bom, tentavam. Nota mental: você definitivamente deveria checar a temperatura antes de correr.

"Eu deveria dar um jeito de treinar minha individualidade também". Você pensa, mas logo se lembra que não tinha permissão de usar sua habilidade livremente. Você estala a língua. Que tipo de herói você se tornaria se você simplesmente resolvesse que essa lei não te impediria?

O tempo passou antes que você notasse, talvez porque estava imersa em pensamentos ou porque mesmo que seu corpo estivesse implorando por um descanso, você corria até rápido dada a sua condição de sedentária.

Ao chegar em casa, você subiu diretamente para o seu quarto, rezando para que sua mãe não visse o estado de suor e cansaço em que seu corpo se encontrava. “Eu não posso só contar com a minha velocidade. Claro, correr é bem mais tentador do que realmente lutar, mas eu não posso correr para sempre”. Suspirando fundo, você olha para um canto específico do seu quarto. Todo o resto era arrumado, mas ali tinham várias caixas e alguns pesos de diferentes tamanhos — que sua mãe tinha gasto uma fortuna comprando para que você pudesse treinar antes do teste da UA. Antes que fosse tomar outro banho, você relutantemente decidiu que iria treinar sua força, ou o restante dela. Claro, o seu deslize em deixar de se esforçar não se resolveria em uma hora malhando seus braços, mas já era alguma coisa e você não se importava de fazer isso todos os dias antes de dormir se no final fosse mudar alguma coisa, mesmo que pouco.

O banho foi rápido e frio, já que você leu em um site — que diga-se de passagem, você nunca havia ouvido falar antes — que um banho frio seria melhor para esse tipo de situação, e mesmo morrendo de frio, você resolveu confiar no anônimo que gastou seu precioso tempo fazendo aquele post. Rezando para não ser apenas mais um desocupado que resolveu brincar com a alma inocente de uma garota adolescente e todos os outros que caíram em sua brincadeira.

Ignorando as pontadas de dor que seu corpo lhe alertava, novamente se jogou na cama. Credo, você só correu uns dois quilômetros e levantou um pesinho de nada por uma hora, sua mãe te tinha feito passar por coisa pior antes. Suspirando, você percebeu que seria o exato mesmo trajeto de quando você tinha quatorze anos, só que sem sua mãe gritando com você tentando te incentivar, de modos bem... Peculiares. O que era bom, na verdade.

Fazendo sua especialidade, pensar sobre coisas que realmente não importam você adormeceu. Sua respiração pesada e falha.

(...)

...?

Fazia muito tempo que você não sonhava. Mas cá estava você, em um lugar negro e completamente vazio. Que agradável. Você sabe que tem cara de pesadelo, então o certo é ficar parada e esperar o seu corpo te acordar, e seu cérebro com certeza pensou nisso e com certeza concordou com essa possibilidade, certo?

Errado.

Como qualquer pessoa faz nesses sonhos esquisitos geralmente vistos em filmes — possivelmente a única coisa a se fazer numa situação dessas na verdade, se você for uma pessoa curiosa e impulsiva — você resolveu sair andando sem rumo, não esperando realmente que você encontrasse algo que não fosse mais e mais nada. Você quer tanto acordar, mas ao mesmo tempo, é tão pacífico aqui. Talvez não seja um pesadelo, né?

Errado. Passos. Você os ouviu uma vez, e achou estar louca. E então de novo, continuamente. Pesados, correndo. Correndo atrás de alguma coisa, o que no começo não te alarmou, mas usando seus últimos dois neurônios, logo você percebeu: não tem mais nada para correr atrás, senão você.

E então mais passos, mas estes eram seus. Você corria, mesmo sabendo que era apenas um sonho e que logo acabaria. Você sempre odiou ter pesadelos, e sendo teimosa, não deixaria tão fácil assim para o monstro que seu cérebro achou bom o suficiente para te atormentar essa noite. Para piorar sua situação, você sentia todas as dores do treino, te fazendo tropeçar nos próprios passos.

Seu corpo suava frio e você sentia suas pernas tremerem, os passos ficando cada vez mais altos e a pessoa definitivamente era mais rápida que você — bom, maioria das pessoas são, considerando seu estado. Mas agora não é a hora de pensar nisso, você concluiu.

Risos. Altos, gargalhadas profundas e ríspidas. Alguém estava se divertindo muito te vendo correr, e ouvir essa pessoa rir arrepiou completamente todo o seu corpo — e como em qualquer pesadelo, você forçadamente não conseguia mais correr. Credo, o quanto seu subconsciente te odeia? Foi por causa do treino de hoje?

Ecoavam no fundo de sua mente as risadas, passos e um som incessante de correntes se arrastando. Mas o som de corrente estava perto demais para ser de outra pessoa. Olhando para baixo, você percebeu o porque você não conseguia correr mais. Seu subconsciente achou uma ótima ideia te acorrentar numa estaca presa ao chão — que sequer existia antes disso.

TAP, TAP, TAP

Cada vez mais alto, cada vez mais perto de você. Sem nada para ser feito que evite o encontro de vocês.

Você não sabia dizer se era um homem ou uma mulher, idoso ou jovem. Tudo que você sabia dizer é que isso te assustava pra caralho e não gostaria de descobrir a face do teletubbie psicótico que seu subconsciente criou.

Felizmente, as dores corporais te acordaram, e você se sentiu aliviada, até perceber que eram quatro da manhã e você estava de pé, suando frio. Agora, aqui fica a dúvida: voltar a dormir e ter uma grande chance de cruzar com o demônio dos seus sonhos, ou uma corrida rápida e depois um banho?

Você nem precisou pensar duas vezes para escolher. Mas minutos depois de voltar, já se arrependia amargamente.

Espirrando horrores e com uma febre super alta, você se arrependeu muito de ter escolhido a corrida rápida. Quer dizer, talvez o monstro não fosse tão monstro assim, talvez se você tivesse dormido não estivesse doente. "Que merda, [XXX]". Você morde seu lábio inferior e entra em um banho quente. Seu corpo grita por socorro e depois de pesquisar um pouco, você amaldiçoa mentalmente o gremlin que disse ser o certo tomar um banho frio diretamente depois do treino. Que desgraçado.

— [XXX], eu preciso que você— ei, você está bem? — Ayane lhe pergunta, preocupação em seus olhos e ela diretamente foi checar sua temperatura. — [XXX], você está queimando! Eu sabia, o sereno da noite faz mal! Eu te avisei! — sua mãe logo começa um daqueles discursos de mãe típico enquanto te entope de remédios: não que você esteja reclamando. — Você definitivamente não vai para a aula hoje. Eu vou ligar na sua escola e explicar o que aconteceu, nada de treino para você mocinha! Cama o dia inteiro.

Você solta um grunhido irritado — você não queria faltar hoje. Parece que o destino conspira contra você, pois toda vez que você falta é o melhor dia do mundo na escola. Mas talvez hoje fosse diferente e fosse simplesmente um dia comum qualquer, e você podia aproveitar bem esse descanso, que seu corpo aceitou de bom grado.

(...)

Então, era sim um daqueles dias super importantes que você simplesmente acaba faltando. Que merda, universo.

Você, às 9:35

COMO ASSIMMMMM

SÓ PORQUE EU FALTEI VOCÊS VÃO NA USJ

NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Flamingo, às 9:40

Calma, [X]! Nem vai ser tão importante assim.

Eu acho.

Tenho que ir, o Aizawa quase me pegou no celular.

Até mais tarde, te atualizo em tudo!~

Você, às 9:40

Hmpf, tá bom.

Parece que o universo realmente te odeia.

O seu corpo finalmente parecia te deixar se levantar, pelo menos ficar sentada, então você o fez, sentindo que a sua febre já estava bem melhor, embora seu nariz ainda estivesse escorrendo. Você considerou suas possibilidades: sua mãe deve estar fazendo patrulha na porta de casa, então caminhar não é uma opção. Por outro lado, os pesos estão bem perto e você não treinou tanto assim da sua força ontem.

Tentando fazer o mínimo de barulho possível, você pegou um peso para cada mão, os movimentando de forma lenta e aumentando com o tempo. Seus braços já se arrependiam de terem parado de doer tanto, porque se continuassem, você ainda estaria deitada sem fazer nada. Uma pena que braços não tem consciência de suas ações, porque se fosse o caso você já não teria nenhum.

Legal, todos os seus amigos estavam numa missão sobre resgatar civis ou alguma coisa do gênero, e agora você estava ainda mais distante da força e habilidade deles. O que é irônico, porque você ficou doente justamente tentando fechar essa distância entre vocês — sua raiva aumentava de pouco a pouco. Não porque você não foi nesse dia incrível de escola, mas sim porque você estava na sala 1A, da melhor escola do Japão, e suas habilidades eram uma piada.

Sem perceber, você passou pelo menos uma hora pensando e mais quarenta e cinco minutos reclamando, ainda usando os pesos. E seus braços estavam mortos — você finalmente largou os pesos e se eles pudessem falar, estariam te agradecendo e te xingando.

Você deitou novamente, já que suas pernas até agora não deram sinal de vida e você estava apenas sentada na cama. Sem nada para fazer, você simplesmente começou a pesquisar coisas completamente aleatórias e ver aqueles vídeos recomendados que ninguém realmente pediu para ver, mas que são tão bons que você não reclama.

Até que uma daquelas notificações chatas do Google sobre notícias apareceu. Você rapidamente a apagou, mas seu olho bateu rápido no que era sobre e você conseguiu ler ‘ataque, USJ, vilões’.

Seu coração se acelerou e você pesquisou essas três palavras, já achando alguns resultados de jornais confiáveis e sentindo sua ansiedade te impedir de ter uma respiração regulada e batimentos cardíacos normais, você começou a ler. Um grupo que se intitulava “Liga dos vilões” tinha entrado na USJ, e atacou vários alunos, cujos muitos se feriram gravemente, mas maioria foi salva pelo herói Treze e All Might, também Eraserhead, mas que tinha sido ferido gravemente.

Seu coração se acalmou um pouco ao ver que maioria estava salva, mas o ver a lista das pessoas que se feriram gravemente, seu coração doeu um pouquinho.

Mina, Sero, Kirishima, seus olhos começaram a ler os nomes, as informações dos ferimentos e como se encontravam. Os ferimentos não eram muito sérios, só Kirishima tinha um risco enorme no seu ombro, que com certeza deixaria uma cicatriz. Midoriya, Iida. Midoriya tinha exagerado e quebrado alguns dedos, o que normalmente é algo sério, mas você simplesmente havia se acostumado, e Iida tinha rompido alguma veia enquanto corria o máximo que podia para conseguir ajuda. E então o que você esperava, porque sua vida é um anime shonen de má qualidade aparentemente, mas não queria ver:

Shinso. Ele torceu o tornozelo e rompeu algumas veias, provavelmente por causa de socos. Ele não estava ferido gravemente, então você mentalmente agradeceu ao destino por todos os seus amigos estarem bem. Como você estava doente, ir a um hospital ver todos eles não seria realmente uma boa ideia já que você podia até mesmo deixar eles mais doentes e machucados do que já estavam, então tudo que você pôde fazer foi interfonar Mihoko e pedir que ela desejasse uma boa melhora para Shinso, e mandar algumas mensagens no grupo da sala fazendo o mesmo pelos outros. Não era muito, mas era o que você conseguia fazer naquele momento.

A raiva de não estar lá para ajudar, ao invés de te deixar brava — como normalmente sentir raiva faria — te deixou triste. Inútil, para ser mais exata. Você precisava se tornar mais forte, e você já sabia exatamente como. Você engoliu em seco, já podendo imaginar os gritos da sua mãe, assim como foi um ano trás.

Mas você não iria desistir, não agora.


Notas Finais


espero que vocês tenham gostado!


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